{"id":9920,"date":"2007-06-06T11:52:00","date_gmt":"2007-06-06T11:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9920"},"modified":"2007-06-06T11:52:00","modified_gmt":"2007-06-06T11:52:00","slug":"teremos-ainda-portugal-por-muito-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/teremos-ainda-portugal-por-muito-tempo\/","title":{"rendered":"Teremos ainda Portugal por muito tempo?"},"content":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo tem um tom provocat\u00f3rio, mas eu vou justificar. N\u00e3o digo que esteja para breve o nosso fim de pa\u00eds independente e livre. Mas, pelo andar da carruagem, traduzido em factos e sintomas, a doen\u00e7a \u00e9 grave e pode levar a uma morte evit\u00e1vel. Ali\u00e1s, j\u00e1 por a\u00ed n\u00e3o falta gente a lamentar a restaura\u00e7\u00e3o de 1640 e a dizer que \u00e9 um erro teimarmos numa pen\u00ednsula ib\u00e9rica dividida. De igual modo, falar-se de identidade nacional e de valores tradicionais faz rir intelectuais da \u00faltima hora e pol\u00edticos de ocasi\u00e3o. O espa\u00e7o nacional parece tornar-se mais lugar de interesses, que de ideais e compromissos. <\/p>\n<p>H\u00e1 not\u00edcias publicadas a que devemos prestar aten\u00e7\u00e3o. Por exemplo: um ter\u00e7o das empresas portuguesas j\u00e1 \u00e9 perten\u00e7a de estrangeiros; 60% dos casais do pa\u00eds t\u00eam apenas um filho; v\u00e3o fechar mais cerca de mil escolas ou de mil e trezentas, como dizem outras fontes; nas provas de l\u00edngua portuguesa dos alunos do b\u00e1sico, os erros de ortografia n\u00e3o contam; o ensino da hist\u00f3ria pouco interessa, porque o importante \u00e9 olhar para a frente e n\u00e3o perder tempo com o passado; a natalidade continua a descer e, por este andar, depressa bater\u00e1 no fundo; n\u00e3o h\u00e1 nem apoios nem est\u00edmulos do Estado para quem quer gerar novas vidas, mas n\u00e3o faltam para quem quiser matar vidas j\u00e1 geradas; a fam\u00edlia consistente est\u00e1 de passagem e filhos e pais idosos j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o preocupa\u00e7\u00e3o a ter em conta, porque mais interessa o sucesso profissional; normas e crit\u00e9rios para fazer novas leis t\u00eam de vir da Europa caduca, porque dela vem a luz; a emigra\u00e7\u00e3o continua, porque a vida c\u00e1 dentro para quem trabalha \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil; os que est\u00e3o fora negam-se a mandar divisas, por n\u00e3o acreditarem na seguran\u00e7a das mesmas; os investigadores mais jovens e de m\u00e9rito reconhecido saem do pa\u00eds e n\u00e3o reentram, porque n\u00e3o v\u00eaem futuro aqui; a classe m\u00e9dia vai desaparecer, dizem os t\u00e9cnicos da economia e da sociologia, uma vez que o inevit\u00e1vel \u00e9 haver s\u00f3 ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres; os pol\u00edticos ocupam-se e divertem-se com coisas de somenos; e j\u00e1 se diz, \u00e0 boca cheia, que o tempo dos partidos passou, porque, devido \u00e0s suas contradi\u00e7\u00f5es, ningu\u00e9m os toma a s\u00e9rio; a participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica do povo \u00e9 cada vez mais reduzida e mais se manifesta em formas de protesto, porque os seus procuradores oficiais se arvoram, com frequ\u00eancia, em seus donos e donos do pa\u00eds e fazedores de verdades d\u00fabias; programa-se um a\u00e7aime dourado para os meios de comunica\u00e7\u00e3o social; isolam-se as pessoas corajosas e livres, entra-se numa linguagem duvidosa, surgem mais clubes de influ\u00eancia, antecipam-se medidas de satisfa\u00e7\u00e3o e de benef\u00edcio pessoal\u2026 N\u00e3o \u00e9 assim, porventura, que se acelera a morte do pa\u00eds, quer por asfixia consciente, quer por limita\u00e7\u00e3o de horizontes de vida?<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que muitos destes problemas e de outros existentes, podem dispor de v\u00e1rias leituras a cruzar-se na sua aprecia\u00e7\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o. Mais uma raz\u00e3o para n\u00e3o serem lidos e equacionados apenas por alguns iluminados, mas que se sujeitem ao di\u00e1logo das raz\u00f5es e dos sentimentos, porque tudo isto conta na sua aprecia\u00e7\u00e3o e procura de resposta.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos cidad\u00e3os normais, fam\u00edlias normais, jovens normais. Muita gente viva e n\u00e3o contaminada por este ambiente pouco favor\u00e1vel \u00e0 esperan\u00e7a. Mas ter\u00e3o todos ainda for\u00e7a para resistir e contrariar um processo doentio, de que n\u00e3o se v\u00ea rem\u00e9dio nem controle?<\/p>\n<p>Preocupa-me ver gente v\u00e1lida, mas desiludida, a cruzar os bra\u00e7os; povo simples a fechar a boca, quando se lhe d\u00e1 por favor o que lhes pertence por justi\u00e7a; jovens \u00e0 deriva e alienados por interesses e emo\u00e7\u00f5es de momento, que lhes cortam as asas de um futuro desej\u00e1vel; o aned\u00f3tico dos caf\u00e9s e das tert\u00falias vazias, a sobrepor-se ao tempo da reflex\u00e3o e da partilha, necess\u00e1rio e urgente, para salvar o essencial e romper caminhos novos indispens\u00e1veis. Se o dif\u00edcil cede o lugar ao imposs\u00edvel e os bra\u00e7os caiem, s\u00f3 ficam favorecidos aqueles a quem interessa um povo alienado ao qual basta p\u00e3o e futebol\u2026<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 o compromisso de todos e a esperan\u00e7a activa que d\u00e3o alma a um povo? <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo tem um tom provocat\u00f3rio, mas eu vou justificar. N\u00e3o digo que esteja para breve o nosso fim de pa\u00eds independente e livre. Mas, pelo andar da carruagem, traduzido em factos e sintomas, a doen\u00e7a \u00e9 grave e pode levar a uma morte evit\u00e1vel. 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