{"id":9938,"date":"2007-06-13T10:36:00","date_gmt":"2007-06-13T10:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9938"},"modified":"2007-06-13T10:36:00","modified_gmt":"2007-06-13T10:36:00","slug":"indispensavel-terapia-do-luto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/indispensavel-terapia-do-luto\/","title":{"rendered":"Indispens\u00e1vel terapia do luto"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia <!--more--> A situa\u00e7\u00e3o da maioria das pessoas que t\u00eam de viver o luto pela morte de algu\u00e9m que lhes \u00e9 querido \u00e9 reveladora do baixo \u00edndice de humanidade e da grande pobreza espiritual em que se encontra a sociedade e a institui\u00e7\u00e3o eclesial, designadamente a comunidade paroquial. Fazer o luto converte-se, frequentemente, em drama pessoal e em desafio pastoral. <\/p>\n<p>Surpreendidas pelo ocorrido \u2013 a morte, mesmo quando \u00e9 esperada, comporta sempre algo de estranho que deixa o ser humano perplexo \u2013, sem qualquer apoio terap\u00eautico, fragilizadas nas resist\u00eancias emocionais, abaladas nas convic\u00e7\u00f5es religiosas \u2013 se as tinham \u2013 como podem as pessoas em luto viver aquela situa\u00e7\u00e3o com o m\u00ednimo de perdas e m\u00e1ximo de ganhos?! Como ajud\u00e1-las a reorganizar o seu mundo interior e a sua vida em todas as dimens\u00f5es?! Como propor-lhes o Evangelho da vida e da esperan\u00e7a, em per\u00edodo t\u00e3o sofrido e desolador?!<\/p>\n<p>Estas interroga\u00e7\u00f5es constituem uma esp\u00e9cie de acicate \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica e, sobretudo, \u00e0 pr\u00e1tica pastoral das par\u00f3quias, na esperan\u00e7a de que as op\u00e7\u00f5es feitas, as prioridades estabelecidas, as atitudes assumidas e a gest\u00e3o do tempo organizado acentuem o rosto \u201csamaritano\u201d da comunidade eclesial.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os em torno da doen\u00e7a grave e da morte iminente v\u00e3o sendo assumidos por ag\u00eancias especializadas que tudo prev\u00eaem e disp\u00f5em. A pessoa enferma \u00e9 frequentemente isolada e quase desaparece e, em muitos s\u00edtios, s\u00f3 volta a reaparecer depois de morta e j\u00e1 devidamente preparada para o funeral.<\/p>\n<p>Este \u201crapto\u201d do acontecimento morte repercute-se em todo o processo do luto e dos seus ritos que, em grande parte, s\u00e3o \u201cvarridos\u201d do p\u00fablico e remetidos para a esfera particular. A fam\u00edlia dorida v\u00ea-se sozinha e sem suporte consistente, psicol\u00f3gico e religioso. Nesta experi\u00eancia \u00fanica e irrepet\u00edvel, torna-se indispens\u00e1vel uma adequada terapia do luto, cientificamente elaborada ou n\u00e3o, mas sempre fruto da presen\u00e7a amiga e emp\u00e1tica, expressa na adequada rela\u00e7\u00e3o de ajuda.<\/p>\n<p>A morte faz parte do processo de perdas que todos n\u00f3s vamos vivendo ao longo dos anos. Come\u00e7a com a primeira c\u00e9lula humana e termina objectivamente com a paragem efectiva do funcionamento cerebral. Ningu\u00e9m fala da sua morte por experi\u00eancia pr\u00f3pria. Mas vive-se intensamente o ir morrendo pessoal e a fase terminal de algu\u00e9m que \u00e9 familiar, pr\u00f3ximo ou amigo. A \u00fanica excep\u00e7\u00e3o a esta regra acontece com Jesus Cristo \u2013 aquele que esteve morto e agora vive para sempre \u2013 ainda que esta vida seja uma vida glorificada.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de luto normal (n\u00e3o se trata de luto patol\u00f3gico, que pode configurar-se de outro modo) \u00e9 caracterizada pela dor e pelo mal estar, pela sensa\u00e7\u00e3o de debilidade e incapacidade de resist\u00eancia, pela perda de apetite e do sono, pelo sentimento de culpabilidade, pelo embotamento da sensibilidade, pela experi\u00eancia de solid\u00e3o, pela desorganiza\u00e7\u00e3o interior, pela nega\u00e7\u00e3o do ocorrido e pela tentativa de ref\u00fagio junto da figura da pessoa amada falecida. <\/p>\n<p>Al\u00e9m destes sintomas \u2013 que podem ocorrer em diferentes situa\u00e7\u00f5es \u2013, h\u00e1 outros muito diversificados, designadamente quando quem vive o luto \u00e9 crente pouco esclarecido e cultiva uma desfigurada e aterradora \u201crepresenta\u00e7\u00e3o\u201d do que acontece depois da morte. Seja qual for o sintoma, o luto \u00e9 vivido de modo pessoal, \u00e9 a pessoa em luto que est\u00e1 em causa.<\/p>\n<p>A sabedoria popular definiu o per\u00edodo de luto normal a partir do tempo de gesta\u00e7\u00e3o no seio materno e estabeleceu uma data significativa por ocasi\u00e3o do primeiro anivers\u00e1rio do falecimento para \u201clevantar\u201d o luto e evocar humana e religiosamente a mem\u00f3ria do falecido. Durante o ano, fez surgir uma s\u00e9rie de gestos e ritos destinados a ser presen\u00e7a e a acompanhar a fam\u00edlia enlutada e, tamb\u00e9m, a sufragar a alma do defunto.<\/p>\n<p>A comunidade paroquial disp\u00f5e de uma enorme riqueza de meios para estas circunst\u00e2ncias. Precisa de os conhecer e valorizar, de preparar volunt\u00e1rios que se disponham a fazer este servi\u00e7o nobre e exigente, de proporcionar a todos, sobretudo a quem mais sofre, um ambiente acolhedor e familiar. \u00c9 nas horas em que o esp\u00edrito humano se interroga profundamente que tem pleno cabimento uma palavra de conforto, ainda que breve, uma presen\u00e7a discreta ou silenciosa, uma ora\u00e7\u00e3o expressiva dos sentimentos vividos, um gesto de m\u00e3os enla\u00e7adas.<\/p>\n<p>Dos meios comuns a todas as par\u00f3quias, conv\u00e9m destacar e valorar devidamente a visita \u00e0 fam\u00edlia, quando se aproxima a agonia de algum dos seus membros (esta visita est\u00e1 facilitada quando a comunidade disp\u00f5e de um servi\u00e7o organizado para acompanhar os doentes ou para lhes levar a comunh\u00e3o), a realiza\u00e7\u00e3o do vel\u00f3rio, a celebra\u00e7\u00e3o do funeral nos seus momentos marcantes, o rito da sepultura e despedida, e outros factos relacionados com\u00a0a fam\u00edlia\u00a0da pessoa falecida e o evocar\u00a0o\u00a0nome desta em actos lit\u00fargicos da assembleia crist\u00e3.<\/p>\n<p>Fazer o luto \u00e9 sempre um trabalho pessoal que tende a recriar de forma nova a rela\u00e7\u00e3o com o ente querido que morreu, a questionar a cren\u00e7a na imortalidade e, por vezes, a reequacionar a sua f\u00e9 na vida eterna. <\/p>\n<p>Apesar de pessoal, fazer o luto necessita da ajuda de quem sabe acompanhar. Por isso, os volunt\u00e1rios de t\u00e3o nobre servi\u00e7o devem familiarizar-se com o processo, evitar frases feitas, acolher e provocar desabafos, manter os contactos, cultivar as recorda\u00e7\u00f5es, ajudar a fazer escolhas e a tomar decis\u00f5es, mobilizar os recursos comunit\u00e1rios; devem tamb\u00e9m ser s\u00edmbolo da esperan\u00e7a e facilitar a descoberta de novos motivos para viver. As institui\u00e7\u00f5es hospitalares e as confiss\u00f5es religiosas, especialmente as par\u00f3quias, t\u00eam aqui um papel insubstitu\u00edvel. O tempo do luto constitui uma oportunidade excepcional de evangeliza\u00e7\u00e3o: favorece o despertar de sentimentos de solidariedade e refaz la\u00e7os de amizade, proporciona espa\u00e7os de encontro e aproxima pessoas, constitui um momento peculiar de anunciar a esperan\u00e7a e de praticar a miseric\u00f3rdia, centrando-nos no amor com que Deus, em Jesus Cristo, nos ama e salva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-9938","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9938"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9938\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}