{"id":9972,"date":"2007-06-13T12:11:00","date_gmt":"2007-06-13T12:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9972"},"modified":"2007-06-13T12:11:00","modified_gmt":"2007-06-13T12:11:00","slug":"super-remuneracoes-sub-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/super-remuneracoes-sub-justica\/","title":{"rendered":"Super-remunera\u00e7\u00f5es, sub-justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Coexistem hoje, como no passado, as super-remunera\u00e7\u00f5es e a subalternidade da justi\u00e7a; coexistem, na mesma ordem de ideias, as desigualdades gritantes e a pobreza extrema. Em consequ\u00eancia disto, degradou-se o conceito de justi\u00e7a, e pouco se faz para o reabilitar.<\/p>\n<p>A subalterniza\u00e7\u00e3o e a degrada\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a verificam-se, antes de mais, na maneira como se aceitam as super-remunera\u00e7\u00f5es e as desigualdades gritantes. Quase toda a gente as considera inadmiss\u00edveis, mas poucos reflec-tem sobre elas e actuam sistematicamente a favor da sua atenua\u00e7\u00e3o e erradica\u00e7\u00e3o tendencial. Abundam as express\u00f5es de indigna\u00e7\u00e3o e os \u00abgritos de alma\u00bb, em preju\u00edzo do trabalho racional, comprometido e organizado a favor da evolu\u00e7\u00e3o desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>A subalternidade e a degrada\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a v\u00eam sendo agravadas pela cumplicidade na injusti\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 raro afirmar-se que \u00abn\u00e3o h\u00e1 pre\u00e7o que pague\u00bb certos trabalhos; estes quase justificam remunera\u00e7\u00f5es \u00abtranscendentes\u00bb. Defende-se, porventura com mais frequ\u00eancia, que o trabalho altamente qualificado \u00abdeve ser bem pago\u00bb, deixando-se na penumbra os montantes desses pagamentos; s\u00e3o dez, vinte ou mais vezes o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional? <\/p>\n<p>A nossa cumplicidade com a injusti\u00e7a vai ainda mais longe, quando entendemos que s\u00f3 s\u00e3o injustas as remunera\u00e7\u00f5es superiores \u00e0s nossas, mesmo que estas sejam bastante elevadas. Instintivamente, quase toda a gente entende que as suas remunera\u00e7\u00f5es s\u00e3o merecidas e justas, quando elevadas, e injustas, quando baixas. Participamos assim na cadeia de injusti\u00e7a e condicionamos a nossa participa\u00e7\u00e3o na luta pela justi\u00e7a \u00e0 perman\u00eancia, e at\u00e9 ao aumento, do nosso estatuto remunerat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Salvo honrosas excep\u00e7\u00f5es, o laicado crist\u00e3o integra-se, com toda a naturalidade aparente, na cadeia de injusti\u00e7a, e parece dif\u00edcil uma orienta\u00e7\u00e3o e um testemunho diferentes, na sua pr\u00e1tica. Cavou-se, h\u00e1 muito, um fosso intranspon\u00edvel, por enquanto, entre crist\u00e3os \u00abidealistas\u00bb sociais, \u00ablutadores pela justi\u00e7a\u00bb, mais  ou menos  conotados com a esquerda e, por outro lado, os crist\u00e3os \u00abrealistas\u00bb em termos econ\u00f3micos, \u00abpr\u00f3-capitalistas\u00bb e mais ou menos conotados com a direita. <\/p>\n<p>Uns e outros sabem que n\u00e3o possuem respostas para os graves problemas da injusti\u00e7a social. Sabem tamb\u00e9m que precisam, uns dos outros, para desenvolverem um trabalho consistente de procura de respostas. E sabem, sobretudo, que precisam de di\u00e1logo persistente entre si e com outras entidades, para que as respostas sejam alcan\u00e7adas efectivamente. Quais os impedimentos deste di\u00e1logo e desta procura?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-9972","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9972"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9972\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}