{"id":9992,"date":"2007-06-21T10:02:00","date_gmt":"2007-06-21T10:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=9992"},"modified":"2007-06-21T10:02:00","modified_gmt":"2007-06-21T10:02:00","slug":"vivencia-crista-das-festas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/vivencia-crista-das-festas\/","title":{"rendered":"Viv\u00eancia crist\u00e3 das festas"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia <!--more--> A festa acontece na vida, n\u00e3o como algo que vem de fora, mas que brota de dentro. Faz parte da natureza. Est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da biodiversidade humana e prolonga-se a todo o universo. Manifesta-se com mil cores. Realiza-se nas mais diversas culturas. Assume formas plurais exuberantes. Expressa a humanidade que h\u00e1 em cada pessoa e procura avivar energias adormecidas. Alimenta o sonho da comum igualdade, sobretudo nas situa\u00e7\u00f5es de espolia\u00e7\u00e3o da dignidade humana, \u00e9tnica, cultural ou religiosa. <\/p>\n<p>Os momentos de festa p\u00fablica podem configurar-se a partir de v\u00e1rios elementos: encontro de amigos ou familiares, dan\u00e7as de grupo, can\u00e7\u00f5es de mensagem, hist\u00f3rias de feitos memor\u00e1veis, risos e piadas, ritos evocativo, trajes e comidas, acolhimento a forasteiros, m\u00fasica e ruas engalanadas, ostenta\u00e7\u00e3o de ins\u00edgnias, desfiles e outros sinais p\u00fablicos de alegria colectiva. <\/p>\n<p>O tempo festivo e a intensidade da festa podem igualmente ser resultado da efervesc\u00eancia de multid\u00f5es congregadas por algo que as mobiliza interiormente, como por exemplo os jogos de futebol em que os campos se enchem e as claques se animam, as touradas em que se exibe a vit\u00f3ria da intelig\u00eancia sobre a for\u00e7a, os arraiais folcl\u00f3ricos e culturais, as romarias e peregrina\u00e7\u00f5es a locais venerados pelo seu significado hist\u00f3rico e religioso.<\/p>\n<p>A exulta\u00e7\u00e3o festiva \u2013 pr\u00f3pria do ser humano e indispens\u00e1vel para o seu equil\u00edbrio emocional e relacional \u2013 tem ainda uma dimens\u00e3o tipicamente religiosa e crist\u00e3. Esta dimens\u00e3o brilha, de um modo \u00fanico e original, em Jesus Cristo, que veio ensinar-nos a ser integralmente humanos. Tal como n\u00f3s, tem uma vida normal, cheia de rotinas, ocasionalmente interrompidas por ocorr\u00eancias familiares ou da aldeia, por sa\u00eddas a terras vizinhas, por idas \u00e0 sinagoga ou ao Templo. Tanto no dia-a-dia como em ocasi\u00f5es especiais, Jesus expressa a sua humanidade de modo exemplar, mas sobretudo na fase culminante do seu percurso, quando \u00e9 proscrito e morto, confiando plenamente no amor de Deus Pai. De facto, esta confian\u00e7a \u201cfaz a ponte\u201d com a ressurrei\u00e7\u00e3o, com que \u00e9 premiado na manh\u00e3 de P\u00e1scoa. Antes havia institu\u00eddo a eucaristia como memorial de todos estes acontecimentos.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia \u00e9 o espa\u00e7o onde estas dimens\u00f5es da festa se vivem normalmente com maior expressividade e frequ\u00eancia: nos itiner\u00e1rios da vida de cada pessoa e das fam\u00edlias, nos festejos colectivos, nas festividades religiosas, nas celebra\u00e7\u00f5es crist\u00e3s. Constitui o \u00e2mbito mais acess\u00edvel para verificar a qualidade da vida humana, o n\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o social, a intensidade do sentimento religioso e a idoneidade das express\u00f5es da f\u00e9 crist\u00e3. Al\u00e9m de \u00e2mbito de verifica\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m campo de ac\u00e7\u00e3o que muito pode contribuir para educar no sentido da festa, enquanto factor de equil\u00edbrio humano, enquanto elemento de sanidade da vida em sociedade, enquanto afirma\u00e7\u00e3o da autenticidade eclesial. <\/p>\n<p>Sem festa, todos ficamos mais pobres e caminhamos para a desumaniza\u00e7\u00e3o. Com festas desvirtuadas, esboroa-se tudo o que de belo e nobre ela comporta e pretende construir: em vez da pessoa integral, da fam\u00edlia em harmonia, da sociedade em conviv\u00eancia, da comunidade crist\u00e3 em celebra\u00e7\u00e3o jubilosa, surgem a banaliza\u00e7\u00e3o, seja de que tipo for, a brejeirice, de toda a esp\u00e9cie, as rivalidades bairristas, a comercializa\u00e7\u00e3o at\u00e9 do sagrado e muitas outras coisas que ultrapassam todos os excessos razo\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m faz festa sozinho, nem por qualquer motivo ou de qualquer modo. A festa acontece quando v\u00e1rias pessoas se juntam porque t\u00eam algo em comum a celebrar, de acordo com um certo ritual. Estes elementos s\u00e3o b\u00e1sicos e est\u00e3o profundamente relacionados entre si. Podem ser ampliados ou reduzidos, mas nunca suprimidos. <\/p>\n<p>Em todo o humano \u2013 pessoal, colectivo, religioso, crist\u00e3o \u2013, h\u00e1, pelo menos, um vest\u00edgio divino, um sinal da rela\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, uma express\u00e3o clara da apet\u00eancia sagrada pelo transcendente, um desejo de encontro e de comunh\u00e3o com o Infinito que se torna poss\u00edvel em Jesus Cristo, por iniciativa de Deus Pai. Descobrir e potenciar esta rela\u00e7\u00e3o faz parte da estrutura da festa que se pretende humanizada. Alicer\u00e7ar esta rela\u00e7\u00e3o e centr\u00e1-la em Jesus Cristo constitui tarefa permanente de evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A evangeliza\u00e7\u00e3o das festas surge como um verdadeiro repto pastoral, nobre no seu objectivo, exigente na sua realiza\u00e7\u00e3o. E a par\u00f3quia, na multiplicidade dos seus servi\u00e7os, deve estar nas linhas da frente para lhe dar resposta adequada. Precisa, por conseguinte, de dispor de pessoas que, pela honradez e honestidade, pela f\u00e9 esclarecida e compromisso apost\u00f3lico, assumam a cidadania respons\u00e1vel e, sem intoler\u00e2ncias, mas com dignidade, intervenham nos ambientes seculares. Interven\u00e7\u00e3o mais decidida e esclarecedora deve ser feita nas festas com sentido religioso ou especificamente crist\u00e3o. Responsabilidade especial, a que se junta a import\u00e2ncia da fun\u00e7\u00e3o, recai sobre as mordomias chamadas a ser \u201cponte\u201d entre as \u201caventuras\u201d de alguns populares e os comportamentos condignos previstos nos regulamentos assumidos.<\/p>\n<p>As festas populares crist\u00e3s, quando vividas segundo o esp\u00edrito que lhes d\u00e1 sentido, convertem-se tamb\u00e9m em fonte de inspira\u00e7\u00e3o e de eleva\u00e7\u00e3o culturais. Realizam fun\u00e7\u00f5es de inexced\u00edvel valor comunit\u00e1rio: congregam e aproximam pessoas, suavizam tend\u00eancias individualistas, constituem espa\u00e7os e oportunidades para o encontro e o conv\u00edvio, reavivam la\u00e7os familiares e sociais, visualizam um ideal de fraternidade a que os humanos se sentem chamados, ajudam a construir a fisionomia da comunidade, revigoram for\u00e7as para o \u201cdesgaste\u201d da dureza da vida, manifestam a alegria de viver e alimentam a esperan\u00e7a num futuro definitivo de \u201cdias melhores\u201d, celebram a alian\u00e7a de Deus com o seu povo convocado em assembleia e mandatado para prosseguir a miss\u00e3o na sociedade. A festa crist\u00e3 tem o seu \u00e1pice em Jesus Cristo, feito eucaristia, e pretende ser uma express\u00e3o significativa, ainda que ef\u00e9mera, da riqueza humana de toda a exulta\u00e7\u00e3o festiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Par\u00f3quia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-9992","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9992","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9992"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9992\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}