{"id":259,"date":"2025-01-16T15:21:45","date_gmt":"2025-01-16T15:21:45","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/?page_id=259"},"modified":"2025-01-16T15:25:36","modified_gmt":"2025-01-16T15:25:36","slug":"novo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/","title":{"rendered":"Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"259\" class=\"elementor elementor-259\" data-elementor-post-type=\"page\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8d7d23a e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"8d7d23a\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-bb3c132 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"bb3c132\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"532\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/compendio-doutina-social-igreja-banner.webp\" class=\"attachment-full size-full wp-image-221\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/compendio-doutina-social-igreja-banner.webp 1920w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/compendio-doutina-social-igreja-banner-300x83.jpg 300w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/compendio-doutina-social-igreja-banner-1024x284.jpg 1024w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/compendio-doutina-social-igreja-banner-768x213.jpg 768w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/compendio-doutina-social-igreja-banner-1536x425.jpg 1536w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/compendio-doutina-social-igreja-banner-2048x567.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-bd1f031 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"bd1f031\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f51c398 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f51c398\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 style=\"text-align: left;\" align=\"center\">COMP\u00caNDIO\u00a0DA DOUTRINA SOCIAL\u00a0\u00a0DA IGREJA<\/h3><p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">A JO\u00c3O PAULO II\u00a0MESTRE DE DOUTRINA SOCIAL\u00a0TESTEMUNHA EVANG\u00c9LICA\u00a0DE JUSTI\u00c7A E DE PAZ<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4ee6ede e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"4ee6ede\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e70d69c elementor-widget elementor-widget-sp_easy_accordion_pro_shortcode\" data-id=\"e70d69c\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"sp_easy_accordion_pro_shortcode.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<style>#sp-ea-170 .spcollapsing { height: 0; 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Continuando a elaborar e a atualizar o rico patrim\u00f4nio da Doutrina Social Cat\u00f3lica, o Papa Jo\u00e3o Paulo II publicou, por sua parte, tr\u00eas grandes Enc\u00edclicas \u2014\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0068\/_INDEX.HTM\">Laborem exercens<\/a><\/em>,\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0070\/_INDEX.HTM\">Sollicitudo rei socialis<\/a><\/em>\u00a0e\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0067\/_INDEX.HTM\">Centesimus annus<\/a><\/em>\u00a0\u2014, que constituem etapas fundamentais do pensamento cat\u00f3lico sobre o assunto. Por sua parte, in\u00fameros Bispos, em toda parte do mundo, contribu\u00edram nestes \u00faltimos anos para aprofundar a doutrina social da Igreja. Assim tamb\u00e9m in\u00fameros estudiosos cat\u00f3licos o fizeram, em todos os Continentes.<\/p><p>1. Era, portanto, de desejar que se redigisse um<em>comp\u00eandio<\/em>de toda a mat\u00e9ria, apresentando de modo sistem\u00e1tico as pilastras da doutrina social cat\u00f3lica. Disto se encarregou de modo louv\u00e1vel o Pontif\u00edcio Conselho da Justi\u00e7a e da Paz, dedicando \u00e0 iniciativa um intenso trabalho ao longo dos \u00faltimos anos.<\/p><p style=\"font-weight: 400\">Regozijo-me pela publica\u00e7\u00e3o do volume\u00a0<em>Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja<\/em>, compartilhando com Vossa Emin\u00eancia a alegria de oferec\u00ea-lo aos fi\u00e9is e a todos os homens de boa vontade, como nutri\u00e7\u00e3o de crescimento humano e espiritual, pessoal e comunit\u00e1rio.<\/p><p>2. A obra mostra como a doutrina social cat\u00f3lica tem tamb\u00e9m valor de instrumento de evangeliza\u00e7\u00e3o (cf.<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0067\/_INDEX.HTM\">Centesimus annus<\/a><\/em>, 54), porque p\u00f5e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa humana e a sociedade com a luz do Evangelho. Os princ\u00edpios da doutrina social da Igreja, que se ap\u00f3iam sobre a lei natural, se v\u00eaem confirmados e valorizados, na f\u00e9 da Igreja, pelo Evangelho de Cristo.<\/p><p style=\"font-weight: 400\">Nesta luz, o homem \u00e9 convidado antes de tudo a descobrir-se como ser transcendente, em qualquer dimens\u00e3o da vida, inclusive a que se liga aos contextos sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos. A f\u00e9 leva \u00e0 plenitude o significado da fam\u00edlia que, fundada no matrim\u00f4nio entre um homem e uma mulher, constitui a primeira e vital c\u00e9lula da sociedade; ela, ademais, ilumina a dignidade do trabalho que, enquanto atividade do homem destinada \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o, tem a prioridade sobre o capital e constitui t\u00edtulo de participa\u00e7\u00e3o aos frutos que dele derivam.<\/p><p>3. No presente texto emerge ademais a import\u00e2ncia dos valores morais, fundamentados na lei natural inscrita na consci\u00eancia de todo ser humano, que por isso est\u00e1 obrigado a reconhec\u00ea-la e a respeit\u00e1-la. A humanidade pede hoje mais justi\u00e7a ao afrontar o vasto fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o; sente viva a preocupa\u00e7\u00e3o pela ecologia e por uma correta gest\u00e3o dos neg\u00f3cios p\u00fablicos; adverte a necessidade de salvaguardar a consci\u00eancia nacional, sem contudo perder de vista a via do direito e a consci\u00eancia da unidade da fam\u00edlia humana. O mundo do trabalho, profundamente modificado pelas modernas conquistas tecnol\u00f3gicas, conhece n\u00edveis de qualidade extraordin\u00e1rios, mas deve lamentavelmente registrar tamb\u00e9m formas in\u00e9ditas de precariedade, de explora\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de escravid\u00e3o, no seio das mesmas sociedades assim ditas opulentas. Em diversas \u00e1reas do planeta o n\u00edvel do bem-estar continua a crescer, mas aumenta amea\u00e7adoramente o n\u00famero dos novos pobres e se alarga, por v\u00e1rias regi\u00f5es, o hiato entre pa\u00edses menos desenvolvidos e pa\u00edses ricos. O mercado livre, processo econ\u00f4mico com lados positivos, manifesta todavia os seus limites. Por outro lado, o amor preferencial pelos pobres representa uma op\u00e7\u00e3o fundamental da Igreja, e ela o prop\u00f5e a todos os homens de boa vontade.<\/p><p style=\"font-weight: 400\">P\u00f5e-se assim de manifesto como a Igreja n\u00e3o possa cessar de fazer ouvir a sua voz sobre as\u00a0<em>res novae<\/em>, t\u00edpicas da \u00e9poca moderna, porque a ela compete convidar todos a prodigar-se a fim de que se afirme cada vez mais uma civiliza\u00e7\u00e3o aut\u00eantica voltada para a busca de um desenvolvimento humano integral e solid\u00e1rio.<\/p><p>4. As atuais quest\u00f5es culturais e sociais envolvem sobretudo os fi\u00e9is leigos, chamados, como no-lo recorda o Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II, a tratar as coisas temporais ordenando-as segundo Deus (cf.<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html\">Lumen gentium<\/a><\/em>, 31). Bem se compreende, portanto, a import\u00e2ncia fundamental da forma\u00e7\u00e3o dos leigos, para que com a santidade de sua vida e a for\u00e7a do seu testemunho, contribuam para o progresso da humanidade. Este documento entende ajud\u00e1-los em sua miss\u00e3o quotidiana.<\/p><p style=\"font-weight: 400\">\u00c9 igualmente interessante notar como numerosos elementos aqui recolhidos sejam compartilhados pelas outras Igrejas e Comunidades eclesiais, bem como por outras Religi\u00f5es. O texto foi elaborado de modo que se possa fruir n\u00e3o somente\u00a0<em>ad intra<\/em>, ou seja, entre os cat\u00f3licos, mas tamb\u00e9m\u00a0<em>ad extra<\/em>. Com efeito, os irm\u00e3os que t\u00eam em comum conosco o mesmo Batismo, os adeptos de outras Religi\u00f5es e todos os homens de boa vontade podem nele encontrar elementos fecundos de reflex\u00e3o e impulso comum para o desenvolvimento integral de todo homem e do homem todo.<\/p><p>5. O Santo Padre faz votos de que o presente documento ajude a humanidade na busca operosa do bem comum e invoca as b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus sobre todos aqueles que se detiverem a refletir sobre os ensinamentos desta publica\u00e7\u00e3o. Ao formular tamb\u00e9m os meus votos pessoais de sucesso para esta obra, congratulo-me com Vossa Emin\u00eancia e com os Colaboradores do Pontif\u00edcio Conselho da Justi\u00e7a e da Paz pelo importante trabalho realizado e, com sentimentos de bem distinto obs\u00e9quio, de bom grado me subscrevo<\/p><p style=\"font-weight: 400\">com devotamento no Senhor<br \/>Angelo Card. Sodano<br \/><em>Secret\u00e1rio de Estado<\/em><\/p><\/div><\/div><\/div><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1701\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1701\" aria-controls=\"collapse1701\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> APRESENTA\u00c7\u00c3O<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1701\" data-parent=\"#sp-ea-170\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1701\"> <div class=\"ea-body\"><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/p><p>\u00c9 para mim motivo de viva satisfa\u00e7\u00e3o apresentar o documento\u00a0<i>Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja<\/i>, elaborado, por encargo recebido do Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II, para expor de modo sint\u00e9tico, mas completo, o ensinamento social da Igreja.<\/p><p>Transformar a realidade social com a for\u00e7a do Evangelho, testemunhada por mulheres e homens fi\u00e9is a Jesus Cristo, sempre foi um desafio e, no in\u00edcio do terceiro mil\u00eanio da era crist\u00e3, ainda o \u00e9. O an\u00fancio de Jesus Cristo \u00abboa nova\u00bb de salva\u00e7\u00e3o, de amor, de justi\u00e7a e de paz, n\u00e3o \u00e9 facilmente acolhido no mundo de hoje, ainda devastado por guerras, mis\u00e9ria e injusti\u00e7as; justamente por isso o homem do nosso tempo mais do que nunca necessita do Evangelho: da f\u00e9 que salva, da esperan\u00e7a que ilumina, da caridade que ama.<\/p><p>A Igreja, perita em humanidade, em uma espera confiante e ao mesmo tempo operosa, continua a olhar para os \u00abnovos c\u00e9us\u00bb e para a \u00abterra nova\u00bb (<i>2Pd<\/i>\u00a03, 13), e a indic\u00e1-los a cada homem, para ajuda-lo a viver a sua vida na dimens\u00e3o do sentido aut\u00eantico. \u00ab<i>Gloria Dei vivens homo<\/i>\u00bb: o homem que vive em plenitude a sua dignidade d\u00e1 gl\u00f3ria a Deus, que lha conferiu.<\/p><p>A leitura destas p\u00e1ginas \u00e9 proposta antes de tudo para suster e animar a a\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os em campo social, especialmente dos fi\u00e9is leigos, dos quais este \u00e2mbito \u00e9 pr\u00f3prio; toda a sua vida deve qualificar-se como uma fecunda obra evangelizadora. Cada fiel deve aprender antes de tudo a obedecer ao Senhor com a fortaleza da f\u00e9, a exemplo de S\u00e3o Pedro: \u00abMestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa da tua palavra, lan\u00e7arei as redes\u00bb (<i>Lc\u00a0<\/i>5, 5). Cada leitor de \u00abboa vontade\u00bb poder\u00e1 conhecer os motivos que levam a Igreja a intervir com uma doutrina em campo social, \u00e0 primeira vista n\u00e3o de sua compet\u00eancia, e as raz\u00f5es para um encontro, um di\u00e1logo, uma colabora\u00e7\u00e3o para servir o bem comum.<\/p><p>O meu predecessor, o saudoso e venerado cardeal Fran\u00e7ois-Xavier Nguy\u00ean Van Thuan, guiou com sabedoria, const\u00e2ncia e largueza de vis\u00e3o, a complexa fase preparat\u00f3ria deste documento; a enfermidade impediu-o de conclui-la com a publica\u00e7\u00e3o. Esta obra a mim confiada, e ora entregue aos leitores, leva portanto o sigilo de uma grande testemunha da Cruz,\u00a0<i>forte na f\u00e9<\/i>\u00a0nos anos escuros e terr\u00edveis do Vietnam. Ele saber\u00e1 acolher a nossa gratid\u00e3o por todo o seu precioso trabalho, realizado com amor e dedica\u00e7\u00e3o, e bendizer a todos os que se detiverem a refletir sobre estas p\u00e1ginas.<\/p><p>Invoco a intercess\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9, Guardi\u00e3o do Redentor e Esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, Patrono da Igreja Universal e do trabalho, para que este texto possa dar copiosos frutos na vida social como instrumento de an\u00fancio evang\u00e9lico, de justi\u00e7a e de paz.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><i>Cidade do Vaticano, 2 de Abril de 2004, Mem\u00f3ria de S\u00e3o Francisco de Paula.<\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\">Renato Raffaele Card. Martino<br \/><i>Presidente<\/i><\/p><p align=\"center\"><p align=\"right\">+ Giampaolo Crepaldi<br \/><i>Secret\u00e1rio<\/i><\/p><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-54c7a59 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"54c7a59\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e37e4c6 elementor-widget elementor-widget-sp_easy_accordion_pro_shortcode\" data-id=\"e37e4c6\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"sp_easy_accordion_pro_shortcode.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<style>#sp-ea-161 .spcollapsing { height: 0; overflow: hidden; transition-property: height;transition-duration: 300ms;}#sp-ea-161.sp-easy-accordion>.sp-ea-single {margin-bottom: 10px; border: 1px solid #e2e2e2; }#sp-ea-161.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.ea-header a {color: #444;}#sp-ea-161.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.sp-collapse>.ea-body {background: #fff; color: #444;}#sp-ea-161.sp-easy-accordion>.sp-ea-single {background: #eee;}#sp-ea-161.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.ea-header a .ea-expand-icon { float: left; color: #444;font-size: 16px;}<\/style><div id=\"sp_easy_accordion-1736943720\"><div id=\"sp-ea-161\" class=\"sp-ea-one sp-easy-accordion\" data-ea-active=\"ea-click\" data-ea-mode=\"vertical\" data-preloader=\"\" data-scroll-active-item=\"\" data-offset-to-scroll=\"0\"><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1610\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1610\" aria-controls=\"collapse1610\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> INTRODU\u00c7\u00c3O - UM HUMANISMO INTEGRAL E SOLID\u00c1RIO<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1610\" data-parent=\"#sp-ea-161\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1610\"> <div class=\"ea-body\"><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"No alvorecer do terceiro mil\u00eanio\"><\/a>No alvorecer do terceiro mil\u00eanio<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>1 <\/b><i>A Igreja, povo peregrino, entra no terceiro mil\u00eanio da era crist\u00e3 conduzida por Cristo, o \u00abGrande Pastor\u00bb<\/i>(<i>Hb<\/i> 13, 20): Ele \u00e9 a \u00abPorta Santa\u00bb (cf.<i> Jo <\/i>10, 9) que transpusemos durante o Grande Jubileu do ano 2000<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"> [1] <\/a>. Jesus Cristo \u00e9 o Caminho, a Verdade e a Vida (cf.<i> Jo <\/i>14, 6): contemplando o Rosto do Senhor, confirmamos a nossa f\u00e9 e a nossa esperan\u00e7a n\u2019Ele, \u00fanico Salvador e fim da hist\u00f3ria.<\/p><p><i>A Igreja continua a interpelar todos os povos e todas as na\u00e7\u00f5es, porque somente no nome de Cristo a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 dada ao homem. <\/i>A salva\u00e7\u00e3o, que o Senhor Jesus nos conquistou por um \u201calto pre\u00e7o\u201d (cf. <i>1Cor <\/i>6, 20; <i>1Pd <\/i>1, 18-19), se realiza na vida nova que espera os justos ap\u00f3s a morte, mas abrange tamb\u00e9m este mundo (cf.<i> 1Cor <\/i>7, 31) nas realidades da economia e do trabalho, da sociedade e da pol\u00edtica, da t\u00e9cnica e da comunica\u00e7\u00e3o, da comunidade internacional e das rela\u00e7\u00f5es entre as culturas e os povos. \u00abJesus veio trazer a salva\u00e7\u00e3o integral, que abrange o homem todo e todos os homens, abrindo-lhes os horizontes admir\u00e1veis da filia\u00e7\u00e3o divina\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"> [2] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>2<\/b> <i>Neste alvorecer do Terceiro Mil\u00eanio, a Igreja n\u00e3o se cansa de anunciar o Evangelho que propicia salva\u00e7\u00e3o e aut\u00eantica liberdade, mesmo nas coisas temporais<\/i>, recordando a solene recomenda\u00e7\u00e3o dirigida por S\u00e3o Paulo ao disc\u00edpulo Tim\u00f3teo: \u00abPrega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, amea\u00e7a, exorta com toda paci\u00eancia e empenho de instruir. Porque vir\u00e1 tempo em que os homens j\u00e1 n\u00e3o suportar\u00e3o a s\u00e3 doutrina da salva\u00e7\u00e3o. Levados pelas pr\u00f3prias paix\u00f5es e pelo prurido de escutar novidades, ajustar\u00e3o mestres para si. Apartar\u00e3o os ouvidos da verdade e se atirar\u00e3o \u00e0s f\u00e1bulas. Tu, por\u00e9m, s\u00ea prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a miss\u00e3o de pregador do Evangelho, consagra-te ao teu minist\u00e9rio\u00bb (2<i> Tm <\/i>4, 2-5).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>3<\/b> <i>Aos homens e \u00e0s mulheres do nosso tempo, seus companheiros de viagem, a Igreja oferece tamb\u00e9m a sua doutrina social<\/i>. De fato, quando a Igreja \u00abcumpre a sua miss\u00e3o de anunciar o Evangelho, testemunha ao homem, em nome de Cristo, sua dignidade pr\u00f3pria e sua voca\u00e7\u00e3o \u00e0 comunh\u00e3o de pessoas, ensina-lhes as exig\u00eancias da justi\u00e7a e da paz, de acordo com a sabedoria divina\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"> [3] <\/a>. <i>Tal doutrina possui uma profunda unidade, que prov\u00e9m da F\u00e9 em uma salva\u00e7\u00e3o integral, da Esperan\u00e7a em uma justi\u00e7a plena, da Caridade que torna todos os homens verdadeiramente irm\u00e3os em Cristo<\/i>. Ela \u00e9 express\u00e3o do amor de Deus pelo mundo, que Ele amou at\u00e9 dar \u00abo seu Filho \u00fanico\u00bb (<i>Jo <\/i>3, 16). <i>A lei nova do amor abrange a humanidade toda e n\u00e3o conhece confins<\/i>, pois o an\u00fancio da salva\u00e7\u00e3o de Cristo se estende \u00abat\u00e9 aos confins do mundo \u00bb (<i>At<\/i> 1, 8).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>4 <\/b><i>Ao descobrir-se amado por Deus, o homem compreende a pr\u00f3pria dignidade transcendente, aprende a n\u00e3o se contentar de si e a encontrar o outro, em uma rede de rela\u00e7\u00f5es cada vez mais autenticamente humanas<\/i>. Feitos novos pelo amor de Deus, os homens s\u00e3o capacitados a transformar as regras e a qualidade das rela\u00e7\u00f5es, inclusive as estruturas sociais: s\u00e3o pessoas capazes de levar a paz onde h\u00e1 conflitos, de construir e cultivar rela\u00e7\u00f5es fraternas onde h\u00e1 \u00f3dio, de buscar a justi\u00e7a onde prevalece a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem. Somente o amor \u00e9 capaz de transformar de modo radical as rela\u00e7\u00f5es que os seres humanos t\u00eam entre si. Inserido nesta perspectiva, todo o homem de boa vontade pode entrever os vastos horizontes da justi\u00e7a e do progresso humano na verdade e no bem.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>5<\/b> <i>O amor tem diante de si um vasto campo de trabalho e a Igreja, nesse campo, quer estar presente tamb\u00e9m com a sua doutrina social, que diz respeito ao homem todo e se volve a todos os homens. <\/i>Tantos irm\u00e3os necessitados est\u00e3o \u00e0 espera de ajuda, tantos oprimidos esperam por justi\u00e7a, tantos desempregados \u00e0 espera de trabalho, tantos povos esperam por respeito: \u00abComo \u00e9 poss\u00edvel que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados m\u00e9dicos mais elementares, quem n\u00e3o tenha uma casa onde abrigar-se? E o cen\u00e1rio da pobreza poder\u00e1 ampliar-se indefinidamente, se \u00e0s antigas pobrezas acrescentarmos as novas que freq\u00fcentemente atingem mesmo os ambientes e categorias dotadas de recursos econ\u00f4micos, mas sujeitos ao desespero da falta de sentido, \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o da droga, \u00e0 solid\u00e3o na velhice ou na doen\u00e7a, \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o ou \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o social. [...] E como ficar indiferentes diante das perspectivas dum<i> desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico<\/i>, que torna inabit\u00e1veis e hostis ao homem vastas \u00e1reas do planeta? Ou em face dos <i>problemas da paz, <\/i>freq\u00fcentemente amea\u00e7ada com o \u00edncubo de guerras catastr\u00f3ficas? Ou frente ao <i>vilip\u00eandio dos direitos humanos fundamentais <\/i>de tantas pessoas, especialmente das crian\u00e7as? \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"> [4] <\/a>.<\/p><p><b>6<\/b> <i>O amor crist\u00e3o move \u00e0 den\u00fancia, \u00e0 proposta e ao compromisso de elabora\u00e7\u00e3o de projetos em campo cultural e social, a uma operosidade concreta e ativa, que impulsione a todos os que tomam sinceramente a peito a sorte do homem a oferecer o pr\u00f3prio contributo<\/i>. A humanidade compreende cada vez mais claramente estar ligada por um \u00fanico destino que requer uma comum assun\u00e7\u00e3o de responsabilidades, inspirada em um <i>humanismo integral e solid\u00e1rio<\/i>: v\u00ea que esta unidade de destino \u00e9 freq\u00fcentemente condicionada e at\u00e9 mesmo imposta pela t\u00e9cnica ou pela economia e adverte a necessidade de uma maior consci\u00eancia moral, que oriente o caminho comum. Estupecfatos pelas mult\u00edplices inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, os homens do nosso tempo desejam ardentemente que o progresso seja votado ao verdadeiro bem da humanidade de hoje e de amanh\u00e3.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"O significado do documento\"><\/a>O significado do documento<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>7<\/b> <i>O crist\u00e3o sabe poder encontrar na doutrina social da Igreja os princ\u00edpios de reflex\u00e3o, os crit\u00e9rios de julgamento e as diretrizes de a\u00e7\u00e3o donde partir para promover esse humanismo integral e solid\u00e1rio.<\/i> <i>Difundir tal doutrina constitui, portanto, uma aut\u00eantica prioridade pastoral<\/i>, de modo que as pessoas, por ela iluminadas, se tornem capazes de interpretar a realidade de hoje e de procurar caminhos apropriados para a a\u00e7\u00e3o: \u00ab O ensino e a difus\u00e3o da doutrina social fazem parte da miss\u00e3o evangelizadora da Igreja \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"> [5] <\/a>.<\/p><p><i>Nesta perspectiva, pareceu muito \u00fatil a publica\u00e7\u00e3o de um documento que ilustrasse<\/i> <i>as linhas fundamentais da doutrina social da Igreja e a rela\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre esta doutrina e a nova evangeliza\u00e7\u00e3o<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"> [6] <\/a>. O Pontif\u00edcio Conselho da Justi\u00e7a e da Paz, que o elaborou e assume plena responsabilidade por ele, se valeu para tal fim de uma ampla consulta, envolvendo os seus Membros e Consultores, alguns Dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana, Confer\u00eancias Episcopais de v\u00e1rios pa\u00edses, Bispos e peritos nas quest\u00f5es tratadas.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>8<\/b> <i>Este Documento entende apresentar de maneira abrangente e org\u00e2nica, se bem que sinteticamente, o ensinamento social da Igreja, fruto da sapiente reflex\u00e3o magisterial e express\u00e3o do constante empenho da Igreja na fidelidade \u00e0 Gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o de Cristo e na amorosa solicitude pela sorte da humanidade<\/i>. Os aspectos teol\u00f3gicos, filos\u00f3ficos, morais, culturais e pastorais mais relevantes deste ensinamento s\u00e3o aqui organicamente evocados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s <i>quest\u00f5es sociais<\/i>. Destarte \u00e9 testemunhada a fecundidade do encontro entre o Evangelho e os problemas com que se depara o homem no seu caminho hist\u00f3rico.<\/p><p>No estudo do Comp\u00eandio ser\u00e1 importante levar em conta que as cita\u00e7\u00f5es dos textos do Magist\u00e9rio s\u00e3o extra\u00eddas de documentos de v\u00e1rio grau de autoridade. Ao lado dos documentos conciliares e das enc\u00edclicas, figuram tamb\u00e9m discursos Pontif\u00edcios ou documentos elaborados pelos Dicast\u00e9rios da Santa S\u00e9. Como se sabe, mas \u00e9 oportuno real\u00e7\u00e1-lo, o leitor deve estar consciente de que se trata de n\u00edveis distintos de ensinamento. O documento, que se limita a oferecer uma exposi\u00e7\u00e3o das linhas fundamentais da doutrina social, deixa \u00e0s Confer\u00eancias Episcopais a responsabilidade de fazer as oportunas aplica\u00e7\u00f5es requeridas pelas diversas situa\u00e7\u00f5es locais<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"> [7] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>9 <\/b><i>O documento oferece um quadro abrangente das linhas fundamentais do \u00abcorpus\u00bb doutrinal do ensinamento social cat\u00f3lico<\/i>. Tal quadro consente afrontar adequadamente as quest\u00f5es sociais do nosso tempo, que \u00e9 mister enfrentar com uma adequada vis\u00e3o de conjunto, porque se caracterizam como quest\u00f5es cada vez mais interconexas, que se condicionam reciprocamente e que sempre mais dizem respeito a toda a fam\u00edlia humana. A exposi\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios da doutrina social da Igreja entende sugerir um m\u00e9todo org\u00e2nico na busca de solu\u00e7\u00f5es aos problemas, de sorte que o discernimento, o ju\u00edzo e as op\u00e7\u00f5es sejam mais consent\u00e2neas com a realidade e a solidariedade e a esperan\u00e7a possam incidir com efic\u00e1cia tamb\u00e9m nas complexas situa\u00e7\u00f5es hodiernas. Os princ\u00edpios, efetivamente, se evocam e iluminam uns aos outros, na medida em que exprimem a antropologia crist\u00e3<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"> [8] <\/a>, fruto da Revela\u00e7\u00e3o do amor que Deus tem para com a pessoa humana. <i>Tenha-se, entretanto, na devida considera\u00e7\u00e3o que o transcurso do tempo e a mudan\u00e7a dos contextos sociais requerer\u00e3o constantes e atualizadas reflex\u00f5es sobre os v\u00e1rios argumentos aqui expostos, para interpretar os novos sinais dos tempos<\/i>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>10<\/b> <i>O documento apresenta-se como um instrumento para o discernimento moral e pastoral dos complexos eventos que caracterizam o nosso tempo; como um guia para inspirar, assim no plano individual como no coletivo, comportamentos e op\u00e7\u00f5es que permitam a todos os homens olhar para o futuro com confian\u00e7a e esperan\u00e7a<\/i>; como um subs\u00eddio para os fi\u00e9is sobre o ensinamento da moral social. Dele pode derivar um novo compromisso capaz de responder \u00e0s exig\u00eancias do nosso tempo e proporcionado \u00e0s necessidades e aos recursos do homem, mas sobretudo o anelo de valorizar mediante novas formas a voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria dos v\u00e1rios carismas eclesiais com vista \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o do social, porque \u00ab <i>todos os membros <\/i>da Igreja participam na sua dimens\u00e3o secular\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"> [9] <\/a>. O texto \u00e9 proposto, enfim, como motivo de di\u00e1logo com todos aqueles que desejam sinceramente o bem do homem.<\/p><p><b>11<\/b> <i>Os primeiros destinat\u00e1rios deste Documento s\u00e3o os Bispos, que encontrar\u00e3o as formas mais adequadas para a sua difus\u00e3o e correta interpreta\u00e7\u00e3o<\/i>. Pertence, com efeito, ao seu \u00ab <i>munus docendi<\/i> \u00bb ensinar que \u00abas pr\u00f3prias coisas terrenas e as humanas institui\u00e7\u00f5es se destinam tamb\u00e9m, segundo os planos de Deus Criador, \u00e0 salva\u00e7\u00e3o dos homens, e podem por isso contribuir imenso para a edifica\u00e7\u00e3o do Corpo de Cristo \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"> [10] <\/a>. <i>Os sacerdotes, os religiosos e as religiosas<\/i> e, em geral, <i>os formadores<\/i> nele encontrar\u00e3o um guia seguro para o ensinamento e um instrumento de servi\u00e7o pastoral. <i>Os fi\u00e9is leigos<\/i>, que buscam o Reino de Deus \u00abocupando-se das coisas temporais e ordenando-as segundo Deus \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"> [11] <\/a>, nele encontrar\u00e3o luzes para o seu espec\u00edfico compromisso. <i>As comunidades crist\u00e3s<\/i> poder\u00e3o utilizar este documento para analisar objetivamente as situa\u00e7\u00f5es, esclarec\u00ea-las \u00e0 luz das palavras imut\u00e1veis do Evangelho, haurir princ\u00edpios de reflex\u00e3o, crit\u00e9rios de julgamento e orienta\u00e7\u00f5es para a a\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"> [12] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>12 <\/b><i>Este documento \u00e9 proposto tamb\u00e9m aos irm\u00e3os de outras Igrejas e Comunidades Eclesiais, aos sequazes de outras religi\u00f5es, bem como a quantos, homens e mulheres de boa vontade, se empenham em servir o bem comum<\/i>: queiram-no acolher como o fruto de uma experi\u00eancia humana universal, constelada de inumer\u00e1veis sinais da presen\u00e7a do Esp\u00edrito de Deus. \u00c9 um tesouro de coisas novas e antigas (cf. <i>Mt <\/i>13, 52), que a Igreja quer compartilhar, para agradecer a Deus, de quem prov\u00eam \u00ab toda d\u00e1diva boa e todo o dom perfeito \u00bb (<i>Tg<\/i> 1, 17). \u00c8 um sinal de esperan\u00e7a o fato de que hoje as religi\u00f5es e as culturas manifestem disponibilidade ao di\u00e1logo e advirtam a urg\u00eancia de unir os pr\u00f3prios esfor\u00e7os para favorecer a justi\u00e7a, a fraternidade, a paz e o crescimento da pessoa humana.<\/p><p>A Igreja Cat\u00f3lica une em particular o pr\u00f3prio empenho ao esfor\u00e7o em campo social das demais Igrejas e Comunidades Eclesiais, tanto na reflex\u00e3o doutrinal como em campo pr\u00e1tico. Juntamente com elas, a Igreja Cat\u00f3lica est\u00e1 convencida de que do patrim\u00f4nio comum dos ensinamentos sociais guardados pela tradi\u00e7\u00e3o viva do povo de Deus derivem est\u00edmulos e orienta\u00e7\u00f5es para uma colabora\u00e7\u00e3o cada vez mais estreita na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da paz<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"> [13] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b> <a name=\"Ao servi\u00e7o da plena verdade sobre o homem\"><\/a>Ao servi\u00e7o da plena verdade sobre o homem<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>13<\/b> <i>Este Documento \u00e9 um ato de servi\u00e7o da Igreja \u00e0s mulheres e aos homens do nosso tempo<\/i>, aos quais oferece o patrim\u00f4nio de sua doutrina social, segundo aquele estilo de di\u00e1logo com o qual o pr\u00f3prio Deus, no Seu Filho Unig\u00eanito feito homem, \u00abfala aos homens como a amigos (cf. <i>Ex <\/i>33, 11;<i> Jo <\/i>15, 14-15) e conversa com eles (cf. <i>Bar<\/i> 3, 38)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"> [14] <\/a>. Inspirado na Constitui\u00e7\u00e3o pastoral <i>Gaudium et spes<\/i>, tamb\u00e9m este documento p\u00f5e como linha mestra de toda a exposi\u00e7\u00e3o o homem, aquele \u00ab homem considerado na sua unidade e na sua totalidade, o homem, corpo e alma, cora\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia, pensamento e vontade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"> [15] <\/a>. Na perspectiva delineada, \u00abnenhuma ambi\u00e7\u00e3o terrena move a Igreja; ela tem em vista um s\u00f3 fim: continuar, sob o impulso do Esp\u00edrito Santo, a obra do pr\u00f3prio Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar e n\u00e3o para condenar, para servir e n\u00e3o para ser servido\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"> [16] <\/a>.<\/p><p><b>14<\/b> <i>Com o presente documento a Igreja entende oferecer um contributo de verdade \u00e0 quest\u00e3o do lugar do homem na natureza e na sociedade, afrontada pelas civiliza\u00e7\u00f5es e culturas em que se manifesta a sabedoria da humanidade<\/i>. Mergulhando as ra\u00edzes num passado n\u00e3o raro milenar, estas se manifestam nas formas da religi\u00e3o, da filosofia e do g\u00eanio po\u00e9tico de todo o tempo e de cada povo, oferecendo interpreta\u00e7\u00f5es do universo e da conviv\u00eancia humana e procurando dar um sentido \u00e0 exist\u00eancia e ao mist\u00e9rio que a envolve. Quem sou eu? Por que a presen\u00e7a da dor, do mal, da morte, malgrado todo o progresso? A que aproveitam tantas conquistas alcan\u00e7adas se o seu pre\u00e7o n\u00e3o raro \u00e9 insuport\u00e1vel? O que haver\u00e1 ap\u00f3s esta vida? Estas perguntas fundamentais caracterizam o percurso do viver humano<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"> [17] <\/a>. Pode-se, a prop\u00f3sito, recordar a admoni\u00e7\u00e3o \u00ab<i>Conhece-te a ti mesmo<\/i>\u00bb, esculpida na arquitrave do templo de Delfos, que est\u00e1 a testemunhar a verdade basilar segundo a qual o homem, chamado a distinguir-se entre todas as criaturas, se qualifica como <i>homem<\/i> justo enquanto constitutivamente orientado a <i>conhecer-se a si mesmo<\/i>.<i><\/i><\/p><p><b>15<\/b><i> A orienta\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 \u00e0 exist\u00eancia, \u00e0 conviv\u00eancia social e \u00e0 hist\u00f3ria dependem, em grande parte, das respostas dadas a estas quest\u00f5es sobre o lugar do homem na natureza e na sociedade, \u00e0s quais o presente documento entende dar o seu contributo<\/i>. O significado profundo do existir humano, com efeito, se revela na livre busca da verdade, capaz de oferecer dire\u00e7\u00e3o e plenitude \u00e0 vida, busca \u00e0 qual tais quest\u00f5es solicitam incessantemente a intelig\u00eancia e a vontade do homem. Elas exprimem a natureza humana no seu n\u00edvel mais alto, porque empenham a pessoa em uma resposta que mede a profundidade do seu compromisso com a pr\u00f3pria exist\u00eancia. Trata-se, ademais, de <i>interroga\u00e7\u00f5es essencialmente religiosas<\/i>: \u00abquando <i>o porqu\u00ea das coisas<\/i> \u00e9 indagado a fundo em busca da resposta \u00faltima e mais exaustiva, ent\u00e3o a raz\u00e3o humana atinge o seu \u00e1pice e se abre \u00e0 religiosidade. Com efeito, a religiosidade representa a express\u00e3o mais elevada da pessoa humana, porque \u00e9 o \u00e1pice da sua natureza racional. Brota da profunda aspira\u00e7\u00e3o do homem \u00e0 verdade, e est\u00e1 na base da busca livre e pessoal que ele faz do divino\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"> [18] <\/a>.<\/p><p><b>16<\/b> <i>As interroga\u00e7\u00f5es radicais, que acompanham desde os in\u00edcios o caminho dos homens, adquirem, no nosso tempo, ainda maior signific\u00e2ncia, pela vastid\u00e3o dos desafios, pela novidade dos cen\u00e1rios, pelas op\u00e7\u00f5es decisivas que as atuais gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o chamadas a efetuar<\/i>.<\/p><p>O primeiro dentre os maiores desafios, frente aos quais a humanidade se encontra, \u00e9 o <i>da verdade mesma do ser-homem<\/i>. O confim e a rela\u00e7\u00e3o entre natureza, t\u00e9cnica e moral s\u00e3o quest\u00f5es que interpelam decisivamente a responsabilidade pessoal e coletiva em vista dos comportamentos que se devem ter, em face daquilo que o homem \u00e9, do que pode fazer e do que deve ser. Um segundo desafio \u00e9 posto <i>pela compreens\u00e3o e pela gest\u00e3o do pluralismo e das diferen\u00e7as<\/i> em todos os n\u00edveis: de pensamento, de op\u00e7\u00e3o moral, de cultura, de ades\u00e3o religiosa, de filosofia do progresso humano e social. O terceiro desafio \u00e9 a <i>globaliza\u00e7\u00e3o<\/i>, que tem um significado mais amplo e profundo do que o simplesmente econ\u00f4mico, pois que se abriu na hist\u00f3ria uma nova \u00e9poca, que concerne ao destino da humanidade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>17<\/b> <i>Os disc\u00edpulos de Jesus sentem-se envolvidos por estas interroga\u00e7\u00f5es, levam-nas eles mesmos no cora\u00e7\u00e3o e querem empenhar-se, juntamente com todos os homens, na busca da verdade e do sentido da exist\u00eancia pessoal e social. Para tal busca contribuem com o seu generoso testemunho do dom que a humanidade recebeu<\/i>: Deus dirigiu-lhe Sua Palavra no curso da hist\u00f3ria, antes, Ele mesmo entrou na hist\u00f3ria para dialogar com a humanidade e revelar-lhe o Seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o, de justi\u00e7a e de fraternidade. Em Seu Filho, Jesus Cristo, feito homem, Deus nos libertou do pecado e nos indicou o Caminho a percorrer e a meta \u00e0 qual tender.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d)<b> <a name=\"Sob o signo da solidariedade, do respeito e do amor\"><\/a>Sob o signo da solidariedade, do respeito e do amor<\/b><\/span><\/p><p><b>18<\/b> <i>A Igreja caminha com toda a humanidade ao longo das estradas da hist\u00f3ria<\/i>. Ela vive no mundo e, mesmo sem ser do mundo (cf.<i> Jo <\/i>17, 14-16), \u00e9 chamada a servi-lo seguindo a pr\u00f3pria \u00edntima voca\u00e7\u00e3o. Uma tal atitude \u2014 que se pode entrever tamb\u00e9m no presente documento \u2014 ap\u00f3ia-se na profunda convic\u00e7\u00e3o de que \u00e9 importante para o mundo reconhecer a Igreja como realidade e fermento da hist\u00f3ria, assim como para a Igreja n\u00e3o ignorar quanto tem recebido da hist\u00f3ria e do progresso do g\u00eanero humano<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"> [19] <\/a>. O Conc\u00edlio Vaticano II quis dar uma demonstra\u00e7\u00e3o eloq\u00fcente da solidariedade, do respeito e do amor para com toda a fam\u00edlia humana, instaurando com ela um di\u00e1logo sobre tantos problemas, \u00abesclarecendo-os \u00e0 luz do Evangelho e pondo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano o poder salv\u00edfico que a Igreja, conduzida pelo Esp\u00edrito Santo, recebe do seu Fundador. Com efeito, \u00e9 a pessoa humana que se trata de salvar, \u00e9 a sociedade humana que importa renovar\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"> [20] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>19<\/b> <i>A Igreja, sinal na hist\u00f3ria do amor de Deus para com os homens e da voca\u00e7\u00e3o de todo o g\u00eanero humano \u00e0 unidade na filia\u00e7\u00e3o do \u00fanico Pai<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"> [21] <\/a><i>, tamb\u00e9m com este documento sobre a sua doutrina social entende propor a todos os homens um humanismo \u00e0 altura do des\u00edgnio de amor de Deus sobre a hist\u00f3ria, um humanismo integral e solid\u00e1rio<\/i>, capaz de animar uma nova ordem social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica, fundada na dignidade e na liberdade de toda a pessoa humana, a se realizar na paz, na justi\u00e7a e na solidariedade. Um tal humanismo pode realizar-se A tend\u00eancia \u00e0 unidade \u00abs\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel, se os indiv\u00edduos e os grupos sociais cultivarem em si mesmos e difundirem na sociedade os valores morais e sociais, de forma que sejam verdadeiramente homens novos e art\u00edfices de uma nova humanidade, com o necess\u00e1rio aux\u00edlio da gra\u00e7a\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"> [22] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>______<\/p><div id=\"ftn1\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1] <\/a>Cf.Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. <i>Novo millennio ineunte<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 93 (2001) 266.<\/div><div id=\"ftn2\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptoris missio<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 260.<\/div><div id=\"ftn3\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2419.<\/div><div id=\"ftn4\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. <i>Novo millennio ineunte<\/i>, 50-51: <i>AAS<\/i> 93 (2001) 303-304.<\/div><div id=\"ftn5\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 571-572.<\/div><div id=\"ftn6\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Ecclesia in America<\/i>, 54: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 790.<\/div><div id=\"ftn7\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Ecclesia in America<\/i>, 54: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 790; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 24.<\/div><div id=\"ftn8\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 55: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 860.<\/div><div id=\"ftn9\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 15: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 414.<\/div><div id=\"ftn10\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Decr. <i>Christus Dominus<\/i>, 12: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 678.<\/div><div id=\"ftn11\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 31: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 37.<\/div><div id=\"ftn12\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octog\u00e9sima adveniens<\/i>, 4: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 403.<\/div><div id=\"ftn13\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 92: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1113-1114.<\/div><div id=\"ftn14\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Dei<\/i> <i>verbum<\/i>, 2: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 818.<\/div><div id=\"ftn15\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1026.<\/div><div id=\"ftn16\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1027.<\/div><div id=\"ftn17\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1032.<\/div><div id=\"ftn18\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Alocu\u00e7\u00e3o na Audi\u00eancia Geral<\/i> (19 de Outubro de 1983), 2: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 23 de Outubro de 1983, p. 12.<\/div><div id=\"ftn19\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 44: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1064.<\/div><div id=\"ftn20\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1026.<\/div><div id=\"ftn21\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 5.<\/div><div id=\"ftn22\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 30: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1050.<\/div><p>&nbsp;<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2b8c133 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"2b8c133\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-21b3d0b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"21b3d0b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 style=\"text-align: left;\" align=\"center\">PRIMEIRA PARTE<\/h3><p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">\u00abA dimens\u00e3o teol\u00f3gica revela-se necess\u00e1ria para interpretar e resolver os problemas atuais da conviv\u00eancia humana\u00bb (<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0067\/_INDEX.HTM\">Centesimus annus<\/a>, 55)<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-547a20b elementor-widget elementor-widget-sp_easy_accordion_pro_shortcode\" data-id=\"547a20b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"sp_easy_accordion_pro_shortcode.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<style>#sp-ea-124 .spcollapsing { height: 0; overflow: hidden; transition-property: height;transition-duration: 300ms;}#sp-ea-124.sp-easy-accordion>.sp-ea-single {margin-bottom: 10px; border: 1px solid #e2e2e2; }#sp-ea-124.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.ea-header a {color: #444;}#sp-ea-124.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.sp-collapse>.ea-body {background: #fff; color: #444;}#sp-ea-124.sp-easy-accordion>.sp-ea-single {background: #eee;}#sp-ea-124.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.ea-header a .ea-expand-icon { float: left; color: #444;font-size: 16px;}<\/style><div id=\"sp_easy_accordion-1736876718\"><div id=\"sp-ea-124\" class=\"sp-ea-one sp-easy-accordion\" data-ea-active=\"ea-click\" data-ea-mode=\"vertical\" data-preloader=\"\" data-scroll-active-item=\"\" data-offset-to-scroll=\"0\"><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1240\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1240\" aria-controls=\"collapse1240\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CAP\u00cdTULO I - O DES\u00cdGNIO DE AMOR DE DEUS A TODA A HUMANIDADE<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1240\" data-parent=\"#sp-ea-124\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1240\"> <div class=\"ea-body\"><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>I. O AGIR LIBERTADOR DE DEUS NA HIST\u00d3RIA DE ISRAEL<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"A proximidade gratuita de Deus\"><\/a>A proximidade gratuita de Deus<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>20 <\/b><i>Toda aut\u00eantica experi\u00eancia religiosa, em todas as tradi\u00e7\u00f5es culturais, conduz a uma intui\u00e7\u00e3o do Mist\u00e9rio que, n\u00e3o raro, chega a divisar alguns tra\u00e7os do rosto de Deus. <\/i>Ele aparece, por um lado, como <i>origem daquilo que \u00e9<\/i>, como presen\u00e7a que garante aos homens, socialmente organizados, as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de vida, pondo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o os bens necess\u00e1rios; por outro lado, como <i>medida do que deve ser<\/i>, como presen\u00e7a que interpela o agir humano \u2015 tanto no plano pessoal como no social \u2015 sobre o uso dos mesmos bens nas rela\u00e7\u00f5es com os outros homens. Em toda experi\u00eancia religiosa, portanto, se revelam importantes quer a dimens\u00e3o do <i>dom <\/i>e da <i>gratuidade<\/i>, que se percebe como subjacente \u00e0 experi\u00eancia que a pessoa humana faz do seu existir junto com os outros no mundo, quer as repercuss\u00f5es desta dimens\u00e3o sobre a consci\u00eancia do homem, que adverte ser interpelado a gerir <i>de forma respons\u00e1vel e convival<\/i> o dom recebido. Prova disso \u00e9 o reconhecimento universal da <i>regra de ouro<\/i>, em que se exprime, no plano das rela\u00e7\u00f5es humanas, a lei que inscrita por Deus no homem: \u00ab Tudo o que quereis que os homens vos fa\u00e7am, fazei-o v\u00f3s a eles \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"> [23] <\/a>.<\/p><p><b>21<\/b> <i>Sobre o pano de fundo, compartilhado em v\u00e1ria medida, da experi\u00eancia religiosa universal, emerge a Revela\u00e7\u00e3o que Deus faz progressivamente de Si pr\u00f3prio a Israel. Ela responde \u00e0 busca humana do divino de modo inopinado e surpreendente, gra\u00e7as aos gestos hist\u00f3ricos, pontuais e incisivos, nos quais se manifesta o amor de Deus pelo homem<\/i>. Segundo o livro do <i>\u00caxodo<\/i>, o Senhor dirige a Mois\u00e9s a seguinte palavra: \u00abEu vi, eu vi a afli\u00e7\u00e3o do meu povo que est\u00e1 no Egito, e ouvi os seus clamores por causa dos seus opressores. Sim, eu conhe\u00e7o os seus sofrimentos. E desci para livr\u00e1-lo da m\u00e3o dos eg\u00edpcios e para faz\u00ea-lo sair do Egito para uma terra f\u00e9rtil e espa\u00e7osa, uma terra onde corre leite e mel\u00bb (<i>Ex<\/i> 3, 7-8). A proximidade gratuita de Deus \u2015 \u00e0 qual alude o Seu pr\u00f3prio Nome, que Ele revela a Mois\u00e9s, \u00ab<i>Eu sou aquele que sou<\/i>\u00bb (cf. <i>Ex<\/i> 3, 14) \u2015 manifesta-se na liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o e na promessa, tornando-se a\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, na qual tem origem o processo de identifica\u00e7\u00e3o coletiva do povo do Senhor, atrav\u00e9s da aquisi\u00e7\u00e3o da <i>liberdade<\/i> e da <i>terra<\/i> que Deus lhe oferece em dom.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>22<\/b> <i>\u00c0 gratuidade do agir divino, historicamente eficaz, acompanha constantemente o compromisso da Alian\u00e7a, proposto por Deus e assumido por Israel<\/i>. No Monte Sinai a iniciativa de Deus se concretiza na alian\u00e7a com o Seu povo, ao qual \u00e9 dado o <i>Dec\u00e1logo dos mandamentos revelados pelo Senhor<\/i> (cf. <i>Ex<\/i> 19-24). As \u00abdez palavras\u00bb (<i>Ex <\/i>34, 28; cf. <i>Dt<\/i> 4, 13; 10, 4) \u00abexprimem as implica\u00e7\u00f5es da perten\u00e7a a Deus, institu\u00edda pela Alian\u00e7a. A exist\u00eancia moral \u00e9 <i>resposta <\/i>\u00e0 iniciativa amorosa do Senhor. \u00c9 reconhecimento, homenagem a Deus e culto de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. \u00c9 coopera\u00e7\u00e3o com o plano que Deus executa na hist\u00f3ria\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn24\" name=\"_ftnref24\"> [24] <\/a>.<\/p><p><i>Os dez mandamentos, que constituem um extraordin\u00e1rio caminho de vida indicam as condi\u00e7\u00f5es mais seguras para uma exist\u00eancia liberta da escravid\u00e3o do pecado, cont\u00eam uma express\u00e3o privilegiada da lei natural<\/i>. Eles \u00abensinam-nos a verdadeira humanidade do homem. Iluminam os deveres essenciais e, portanto, indiretamente, os deveres fundamentais, inerentes \u00e0 natureza da pessoa humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"> [25] <\/a>. Conotam a moral humana universal. Lembrados tamb\u00e9m por Jesus ao jovem rico do Evangelho (cf. <i>Mt<\/i> 19, 18), os dez mandamentos \u00abconstituem as regras primordiais de toda a vida social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"> [26] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>23<\/b> <i>Do Dec\u00e1logo deriva um compromisso que diz respeito n\u00e3o s\u00f3 ao que concerne \u00e0 fidelidade ao Deus \u00fanico e verdadeiro, como tamb\u00e9m \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais no seio do povo da Alian\u00e7a<\/i>. Estas \u00faltimas s\u00e3o reguladas, em particular, pelo que se tem definido como <i>o direito do pobre<\/i>: \u00ab Se houver no meio de ti um pobre entre os teus irm\u00e3o... n\u00e3o endurecer\u00e1s o teu cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o fechar\u00e1s a m\u00e3o diante do teu irm\u00e3o pobre; mas abrir-lhe-\u00e1s a m\u00e3o e emprestar-lhe-\u00e1s segundo as necessidades da sua indig\u00eancia\u00bb (<i>Dt<\/i> 15, 7-8). Tudo isto vale tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao forasteiro: \u00abSe um estrangeiro vier habitar convosco na vossa terra, n\u00e3o o oprimireis, mas esteja ele entre v\u00f3s como um compatriota e tu am\u00e1-lo-\u00e1s como a ti mesmo, por que v\u00f3s fostes j\u00e1 estrangeiros no Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus\u00bb (<i>Lv<\/i> 19, 33-34). O dom da liberta\u00e7\u00e3o e da terra prometida, a Alian\u00e7a do Sinai e o <i>Dec\u00e1logo<\/i> est\u00e3o, portanto, intimamente ligados a uma praxe que deve regular, na justi\u00e7a e na solidariedade, o desenvolvimento da sociedade israelita.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>24<\/b> <i>Entre as mult\u00edplices disposi\u00e7\u00f5es inspiradas por Deus, que tendem a concretizar o estilo de gratuidade e de dom, a lei do ano sab\u00e1tico <\/i>(celebrado a cada sete anos) <i>e do ano jubilar <\/i>(cada cinq\u00fcenta anos)<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn27\" name=\"_ftnref27\"> [27] <\/a><i>se distingue como uma importante orienta\u00e7\u00e3o \u2014 ainda que nunca plenamente realizada \u2014 para a vida social e econ\u00f4mica do povo de Israel<\/i>. \u00c8 uma lei que prescreve, al\u00e9m do repouso dos campos, a remiss\u00e3o das d\u00edvidas e uma liberta\u00e7\u00e3o geral das pessoas e dos bens: cada um pode retornar \u00e0 sua fam\u00edlia e retomar posse do seu patrim\u00f4nio.<\/p><p><i>Esta legisla\u00e7\u00e3o entende deixar assente que o evento salv\u00edfico do \u00eaxodo e a fidelidade \u00e0 Alian\u00e7a representam n\u00e3o somente o princ\u00edpio fundante da vida social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica de Israel, mas tamb\u00e9m o princ\u00edpio regulador das quest\u00f5es atinentes \u00e0 pobreza econ\u00f4mica e \u00e0s injusti\u00e7as sociais<\/i>. Trata-se de um princ\u00edpio invocado para transformar continuamente e a partir de dentro a vida do povo da Alian\u00e7a, de maneira a torn\u00e1-la conforme ao des\u00edgnio de Deus. Para eliminar as discrimina\u00e7\u00f5es e desigualdades provocadas pela evolu\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica, a cada sete anos a mem\u00f3ria do \u00eaxodo e da Alian\u00e7a \u00e9 traduzida em termos sociais e jur\u00eddicos, de sorte que a quest\u00e3o da propriedade, das d\u00edvidas, das presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o e dos bens seja reconduzida ao seu significado mais profundo.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>25<\/b> <i>Os preceitos do ano sab\u00e1tico e do ano jubilar constituem uma doutrina social \u00abin nuce\u00bb<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"> [28] <\/a>. Eles mostram como os princ\u00edpios da justi\u00e7a e da solidariedade social s\u00e3o inspirados pela gratuidade do evento de salva\u00e7\u00e3o realizado por Deus e n\u00e3o t\u00eam somente o valor de corretivo de uma praxe dominada por interesses e objetivos ego\u00edstas, mas, pelo contr\u00e1rio, devem tornar-se, enquanto \u00ab<i>prophetia futuri<\/i>\u00bb, a refer\u00eancia normativa \u00e0 qual cada gera\u00e7\u00e3o em Israel se deve conformar se quiser ser fiel ao seu Deus.<\/p><p><i>Tais princ\u00edpios tornam-se o fulcro da prega\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica, que visa a proporcionar a sua interioriza\u00e7\u00e3o<\/i>. O Esp\u00edrito de Deus, derramado no cora\u00e7\u00e3o do homem \u2015 anunciam-no os Profetas \u2015 far\u00e1 a\u00ed medrar aqueles mesmos sentimentos de justi\u00e7a e solidariedade que moram no cora\u00e7\u00e3o do Senhor (cf. <i>Jr <\/i>31, 33 e <i>Ez<\/i> 36, 26-27). Ent\u00e3o a vontade de Deus, expressa na <i>Dec\u00e1logo <\/i>doado no Sinai, poder\u00e1<i> <\/i>enraizar-se criativamente no pr\u00f3prio \u00edntimo do homem. Desse <i>processo <\/i>de <i>interioriza\u00e7\u00e3o<\/i> derivam maior profundidade e realismo para o agir social, tornando poss\u00edvel a <i>progressiva universaliza\u00e7\u00e3o da atitude de justi\u00e7a e solidariedade<\/i>, que o povo da Alian\u00e7a \u00e9 chamado a assumir diante de todos os homens, de todo o povo e na\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"Princ\u00edpio da cria\u00e7\u00e3o e agir gratuito de Deus\"><\/a>Princ\u00edpio da cria\u00e7\u00e3o e agir gratuito de Deus<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>26<\/b> <i>A reflex\u00e3o prof\u00e9tica e sapiencial atinge a manifesta\u00e7\u00e3o primeira e a pr\u00f3pria fonte do projeto de Deus sobre toda a humanidade, quando chega a formular o princ\u00edpio da cria\u00e7\u00e3o de todas as coisas por parte de Deus.<\/i> No Credo de Israel, afirmar que Deus \u00e9 criador n\u00e3o significa exprimir somente uma convic\u00e7\u00e3o teor\u00e9tica, mas perceber o horizonte origin\u00e1rio do agir gratuito e misericordioso do Senhor em favor do homem. Ele, na verdade, livre e gratuitamente d\u00e1 o ser e a vida a tudo aquilo que existe. O homem e a mulher, criados \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a (cf. <i>Gn<\/i> 1, 26-27), s\u00e3o por isso mesmo chamados a ser <i>o sinal vis\u00edvel <\/i>e <i>o instrumento eficaz <\/i>da gratuidade divina no jardim em que Deus os p\u00f4s quais cultivadores e guardi\u00f5es dos bens da cria\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>27<\/b> <i>No agir gratuito de Deus Criador encontra express\u00e3o o sentido mesmo da cria\u00e7\u00e3o, ainda que obscurecido e distorcido pela experi\u00eancia do pecado.<\/i> A narra\u00e7\u00e3o do pecado das origens (cf. <i>Gn <\/i>3, 1-24), com efeito, descreve a tenta\u00e7\u00e3o permanente e ao mesmo tempo a situa\u00e7\u00e3o de desordem em que a humanidade veio a encontrar-se com a queda dos primeiros pais. Desobedecer a Deus significa furtar-se ao seu olhar de amor e querer administrar por conta pr\u00f3pria o existir e o agir no mundo. A ruptura da rela\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o com Deus provoca a ruptura da unidade interior da pessoa humana, da rela\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o entre o homem e a mulher e da rela\u00e7\u00e3o harmoniosa entre os homens e as demais criaturas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn29\" name=\"_ftnref29\"> [29] <\/a>. \u00c9 nesta ruptura origin\u00e1ria que se h\u00e1 de buscar a raiz mais profunda de todos os males que insidiam as rela\u00e7\u00f5es sociais entre as pessoas humanas, de todas as situa\u00e7\u00f5es que, na vida econ\u00f4mica e pol\u00edtica, atentam contra a dignidade da pessoa, contra a justi\u00e7a e a solidariedade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>II. JESUS CRISTO<br \/>CUMPRIMENTO DO DES\u00cdGNIO DE AMOR DO PAI<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"Em Jesus Cristo cumpre-se o evento decisivo da hist\u00f3ria de Deus com os homens\"><\/a>Em Jesus Cristo cumpre-se o evento decisivo da hist\u00f3ria de Deus com os homens<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>28<\/b> <i>A benevol\u00eancia e a miseric\u00f3rdia, que inspiram o agir de Deus e oferecem a sua chave de interpreta\u00e7\u00e3o, tornam-se t\u00e3o pr\u00f3ximas do homem a ponto de assumir os tra\u00e7os do homem Jesus, o Verbo feito carne<\/i>. Na narra\u00e7\u00e3o de Lucas, Jesus descreve o Seu minist\u00e9rio messi\u00e2nico com as palavras de Isa\u00edas que evocam o significado prof\u00e9tico do jubileu: \u00abO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de cora\u00e7\u00e3o, para anunciar aos cativos a reden\u00e7\u00e3o, aos cegos a restaura\u00e7\u00e3o da vista, para p\u00f4r em liberdade os cativos, para publicar o ano da gra\u00e7a do Senhor\u00bb (4, 18-19; cf. <i>Is<\/i> 61, 1-2). <i>Jesus se coloca na linha do cumprimento, n\u00e3o s\u00f3 porque cumpre o que tinha sido prometido e que, portanto, era esperado por Israel, mas tamb\u00e9m no sentido mais profundo de que n\u2019Ele se cumpre o evento definitivo da hist\u00f3ria de Deus com os homens<\/i>. Com efeito, Ele proclama: \u00abAquele que me viu, viu tamb\u00e9m o Pai \u00bb (<i>Jo<\/i> 14, 9). Jesus, em outras palavras, manifesta de modo tang\u00edvel e definitivo quem \u00e9 Deus e como Ele se comporta com os homens.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>29<\/b> <i>O amor que anima o minist\u00e9rio de Jesus entre os homens \u00e9 aquele mesmo experimentado pelo Filho na uni\u00e3o \u00edntima com o Pai<\/i>. O Novo Testamento nos consente penetrar a experi\u00eancia que Jesus mesmo vive e comunica do amor de Deus Seu Pai \u2014 Abb\u00e1 \u2014 e, portanto, no mesmo cora\u00e7\u00e3o da vida divina. Jesus anuncia a miseric\u00f3rdia libertadora de Deus para com aqueles que encontra no Seu caminho, a come\u00e7ar pelos pobres, pelos marginalizados, pelos pecadores, e convida \u00e0 Sua seq\u00fcela, pois Ele por primeiro, e de modo de todo singular, obedece ao des\u00edgnio do amor de Deus qual Seu enviado no mundo.<\/p><p>A consci\u00eancia que Jesus tem de ser o Filho expressa precisamente esta experi\u00eancia origin\u00e1ria. O Filho recebeu tudo, e gratuitamente, do Pai: \u00abTudo o que o Pai possui \u00e9 meu\u00bb (<i>Jo<\/i> 16, 15). Ele, por Sua vez, tem a miss\u00e3o de tornar todos os homens part\u00edcipes desse dom e dessa rela\u00e7\u00e3o filial: \u00abJ\u00e1 n\u00e3o vos chamo servos, porque o servo n\u00e3o sabe o que o que faz o seu senhor. Mas chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai\u00bb (<i>Jo<\/i> 15, 15).<\/p><p><i>Reconhecer o amor do Pai significa para Jesus inspirar a Sua a\u00e7\u00e3o na mesma gratuidade e miseric\u00f3rdia de Deus, geradoras de vida nova, e tornar-se assim, com a Sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, exemplo e modelo para os Seus disc\u00edpulos<\/i>. Estes s\u00e3o chamados a viver <i>como Ele<\/i> e, depois da Sua P\u00e1scoa de morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m <i>n\u2019Ele<\/i> e <i>d\u2019Ele<\/i>, gra\u00e7as ao dom sobreabundante do Esp\u00edrito Santo, o Consolador que interioriza nos cora\u00e7\u00f5es o estilo de vida de Cristo mesmo.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"A revela\u00e7\u00e3o do Amor Trinit\u00e1rio\"><\/a>A revela\u00e7\u00e3o do Amor Trinit\u00e1rio<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>30<\/b> <i>O testemunho do Novo Testamento, com o deslumbramento sempre novo de quem foi fulgurado pelo amor de Deus <\/i>(cf.<i> Rm<\/i> 8, 26),<i> colhe na luz da plena revela\u00e7\u00e3o do Amor trinit\u00e1rio proporcionada pela P\u00e1scoa de Jesus Cristo, o significado \u00faltimo da Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus e da Sua miss\u00e3o entre os homens<\/i>. Escreve S\u00e3o Paulo: \u00abSe Deus \u00e9 por n\u00f3s, quem ser\u00e1 contra n\u00f3s? Aquele que n\u00e3o poupou o seu pr\u00f3prio Filho, mas que por todos n\u00f3s o entregou, como n\u00e3o nos dar\u00e1 tamb\u00e9m, com ele todas as coisas?\u00bb (<i>Rm <\/i>8, 31-32). Semelhante linguagem usa-a tamb\u00e9m S\u00e3o Jo\u00e3o: \u00abNisto consiste o amor: n\u00e3o em termos n\u00f3s amado a Deus, mas em ter-nos Ele amado e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados\u00bb (1 <i>Jo<\/i> 4, 10).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>31 <\/b><i>O Rosto de Deus, progressivamente revelado na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, resplandece plenamente no Rosto de Jesus Cristo Crucifixo e Ressurrecto. Deus \u00e9 Trindade: Pai, Filho, Esp\u00edrito Santo, realmente distintos e realmente um, porque comunh\u00e3o infinita de amor<\/i>. O amor gratuito de Deus pela humanidade se revela, antes de tudo, como o amor fontal do Pai, de quem tudo prov\u00e9m; como comunica\u00e7\u00e3o gratuita que o Filho faz d\u2019Ele, entregando-se ao Pai e doando-se aos homens; como fecundidade sempre nova do amor divino que o Esp\u00edrito Santo derrama no cora\u00e7\u00e3o dos homens (cf. <i>Rm <\/i>5, 5).<\/p><p><i>Com palavras e obras, e de modo pleno e definitivo com a Sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn30\" name=\"_ftnref30\"> [30] <\/a>, <i>Jesus revela \u00e0 humanidade que Deus \u00e9 Pai e que todos somos chamados por gra\u00e7a a ser filhos d\u2019Ele no Esp\u00edrito<\/i> (cf. <i>Rm<\/i> 8, 15; <i>Gal<\/i> 4, 6), <i>e por isso irm\u00e3os e irm\u00e3s entre n\u00f3s<\/i>. \u00c9 por esta raz\u00e3o que a Igreja cr\u00ea firmemente que \u00ab a chave, o centro e o fim de toda a hist\u00f3ria humana se encontram no seu Senhor e Mestre \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn31\" name=\"_ftnref31\"> [31] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>32<\/b> <i>Contemplando a inef\u00e1vel gratuidade e sobreabund\u00e2ncia do dom divino do Filho por parte do Pai, que Jesus ensinou e testemunhou doando a Sua vida por n\u00f3s, o Ap\u00f3stolo predileto do Senhor da\u00ed aufere o profundo sentido e a mais l\u00f3gica conseq\u00fc\u00eancia<\/i>: \u00abCar\u00edssimos, se Deus assim nos amou, tamb\u00e9m n\u00f3s devemos amar-nos uns aos outros. Ningu\u00e9m jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em n\u00f3s e o seu amor em n\u00f3s \u00e9 perfeito\u00bb (<i>1 Jo <\/i>4, 11-12). A reciprocidade do amor \u00e9 exigida pelo mandamento que Jesus mesmo define novo e Seu: \u00abcomo eu vos tenho amado, assim tamb\u00e9m v\u00f3s deveis amar-vos uns aos outros\u00bb (<i>Jo<\/i> 13, 34). O mandamento do amor rec\u00edproco tra\u00e7a a via para viver em Cristo a vida trinit\u00e1ria na Igreja, Corpo de Cristo, e transformar com Ele a hist\u00f3ria at\u00e9 ao seu pleno cumprimento na Jerusal\u00e9m Celeste.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>33<\/b> <i>O mandamento do amor rec\u00edproco, que constitui a lei de vida do povo de Deus<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn32\" name=\"_ftnref32\"> [32] <\/a>,<i> deve inspirar, purificar e elevar todas as rela\u00e7\u00f5es humanas na vida social e pol\u00edtica<\/i>: \u00abHumanidade significa chamada \u00e0 comunh\u00e3o interpessoal\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn33\" name=\"_ftnref33\"> [33] <\/a>, porque a imagem e semelhan\u00e7a do Deus trinit\u00e1rio s\u00e3o a raiz de \u00abtodo o \u201cethos\u201d humano ... cujo v\u00e9rtice \u00e9 o mandamento do amor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn34\" name=\"_ftnref34\"> [34] <\/a><i>. <\/i>O fen\u00f4meno cultural, social, econ\u00f4mico e pol\u00edtico hodierno da interdepend\u00eancia, que intensifica e torna particularmente evidentes os v\u00ednculos que unem a fam\u00edlia humana, ressalta uma vez mais, \u00e0 luz da Revela\u00e7\u00e3o, \u00abum novo <i>modelo de unidade<\/i> do g\u00eanero humano, no qual, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a solidariedade se deve inspirar. Este <i>supremo<\/i> <i>modelo de unidade<\/i>, reflexo da vida \u00edntima de Deus, uno em tr\u00eas Pessoas, \u00e9 o que n\u00f3s crist\u00e3os designamos com a palavra \u201c<i>comunh\u00e3o<\/i>\u201d\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn35\" name=\"_ftnref35\"> [35] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><h4 align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>III. A PESSOA HUMANA NO DES\u00cdGNIO DE AMOR DE DEUS<\/b><\/span><\/h4><p align=\"left\"><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"O Amor trinit\u00e1rio, origem e meta da pessoa humana\"><\/a>O Amor trinit\u00e1rio, origem e meta da pessoa humana<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>34<\/b> <i>A revela\u00e7\u00e3o em Cristo do mist\u00e9rio de Deus como Amor trinit\u00e1rio \u00e9 tamb\u00e9m a revela\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o da pessoa humana ao amor. Tal revela\u00e7\u00e3o ilumina a dignidade e a liberdade pessoal do homem e da mulher, bem como a intr\u00ednseca sociabilidade humana em toda a profundidade<\/i>: \u00abSer pessoa \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus comporta ... um existir em rela\u00e7\u00e3o, em refer\u00eancia ao outro \u201ceu\u201d \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn36\" name=\"_ftnref36\"> [36] <\/a>, porque Deus mesmo, uno e trino, \u00e9 comunh\u00e3o do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo.<\/p><p><i>Na comunh\u00e3o de amor que \u00e9 Deus, em que as tr\u00eas Pessoas divinas se amam reciprocamente e s\u00e3o o \u00danico Deus, a pessoa humana \u00e9 chamada a descobrir a origem e a meta da sua exist\u00eancia e da hist\u00f3ria<\/i>. Os Padres Conciliares, na Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/i>\u00bb, ensinam que \u00abquando o Senhor Jesus pede ao Pai que \u201ctodos sejam um..., como n\u00f3s tamb\u00e9m somos um\u201d (<i>Jo<\/i> 17, 21-22), abrindo perspectivas inacess\u00edveis \u00e0 raz\u00e3o humana, acena a uma certa semelhan\u00e7a entre a uni\u00e3o das Pessoas divinas e a uni\u00e3o dos filhos de Deus, na verdade e na caridade. Esta semelhan\u00e7a mostra que o homem, \u00fanica criatura na terra que Deus quis por si mesma, n\u00e3o pode realizar-se plenamente sen\u00e3o pelo dom sincero de si mesmo (cf. <i>Lc<\/i> 17, 33)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn37\" name=\"_ftnref37\"> [37] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>35<\/b> <i>A revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 projeta uma nova luz sobre a identidade, sobre a voca\u00e7\u00e3o e sobre o destino \u00faltimo da pessoa e do g\u00eanero humano<\/i>. Toda a pessoa \u00e9 por Deus criada, amada e salva em Jesus Cristo, e se realiza tecendo mult\u00edplices rela\u00e7\u00f5es de amor, de justi\u00e7a e de solidariedade com as outras pessoas, na medida em que desenvolve a sua multiforme atividade no mundo. O agir humano, quando tende a promover a dignidade e a voca\u00e7\u00e3o integral da pessoa, a qualidade das suas condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia, o encontro e a solidariedade dos povos e das na\u00e7\u00f5es, \u00e9 conforme ao des\u00edgnio de Deus, que nunca deixa de mostrar o Seu amor e a Sua Provid\u00eancia para com Seus filhos.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>36<\/b> <i>As p\u00e1ginas do primeiro livro da Sagrada Escritura, que descrevem a cria\u00e7\u00e3o do homem e da mulher \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus <\/i>(cf. <i>Gn <\/i>1, 26-27), <i>encerram um ensinamento fundamental sobre a identidade e a voca\u00e7\u00e3o da pessoa humana. <\/i>Dizem-nos que a cria\u00e7\u00e3o do homem e da mulher \u00e9 um ato livre e gratuito de Deus; que o homem e a mulher constituem, porque livres e inteligentes, o <i>tu <\/i>criado de Deus e que somente na rela\u00e7\u00e3o com Ele podem descobrir e realizar o significado aut\u00eantico e pleno de sua vida pessoal e social; que estes, precisamente na sua complementaridade e reciprocidade, s\u00e3o a imagem do Amor Trinit\u00e1rio no universo criado; que a eles, que s\u00e3o o \u00e1pice da cria\u00e7\u00e3o, o Criador confia a tarefa de ordenar segundo o des\u00edgnio do seu Criador a natureza criada (cf. <i>Gn <\/i>1, 28).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>37<\/b> <i>O livro da G\u00eanese nos prop\u00f5e algumas linhas mestras da antropologia crist\u00e3<\/i>: a inalien\u00e1vel dignidade da pessoa humana, que tem a sua raiz e a sua garantia no des\u00edgnio criador de Deus; a sociabilidade constitutiva do ser humano, que tem o seu prot\u00f3tipo na rela\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria entre o homem e a mulher, \u00abuni\u00e3o esta que foi a primeira express\u00e3o da comunh\u00e3o de pessoas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn38\" name=\"_ftnref38\"> [38] <\/a>; o significado do agir humano no mundo, que \u00e9 ligado \u00e0 descoberta e ao respeito da lei natural que Deus imprimiu no universo criado, para que a humanidade o habite e guarde segundo o Seu projeto (cf. <i>2Pd <\/i>3, 13). Esta vis\u00e3o da pessoa humana, da sociedade e da hist\u00f3ria \u00e9 radicada em Deus e \u00e9 iluminada pela realiza\u00e7\u00e3o do Seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"A salva\u00e7\u00e3o crist\u00e3: para todos os homens e do homem todo\"><\/a>A salva\u00e7\u00e3o crist\u00e3: para todos os homens e do homem todo<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>38<\/b> <i>A salva\u00e7\u00e3o que, por iniciativa de Deus Pai, \u00e9 oferecida em Jesus Cristo e \u00e9 atualizada e difundida por obra do Esp\u00edrito Santo, \u00e9 salva\u00e7\u00e3o para todos os homens e do homem todo: \u00e9 salva\u00e7\u00e3o universal e integral. Diz respeito \u00e0 pessoa humana em todas as suas dimens\u00f5es: pessoal e social, espiritual e corp\u00f3rea, hist\u00f3rica e transcendente<\/i>. Come\u00e7a a realizar-se j\u00e1 na hist\u00f3ria, porque tudo o que \u00e9 criado \u00e9 bom e querido por Deus e porque o Filho de Deus se fez um de n\u00f3s<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn39\" name=\"_ftnref39\"> [39] <\/a>. O seu cumprimento, por\u00e9m, encontra-se no futuro que Deus nos reserva, quando formos chamados, com toda a cria\u00e7\u00e3o (cf. <i>Rm<\/i> 8), a participar da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo e da comunh\u00e3o eterna de vida com o Pai, na alegria do Esp\u00edrito Santo. Esta perspectiva indica precisamente o erro e o engano das vis\u00f5es puramente imanentistas do sentido da hist\u00f3ria e das pretens\u00f5es de auto-salva\u00e7\u00e3o do homem.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>39<\/b> <i>A salva\u00e7\u00e3o que Deus oferece aos Seus filhos requer a sua livre resposta e ades\u00e3o<\/i>. Nisso consiste a f\u00e9, \u00abpela qual o homem se entrega livre e totalmente a Deus \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn40\" name=\"_ftnref40\"> [40] <\/a>, respondendo ao Amor preveniente e sobreabundante de Deus (cf. 1<i> Jo <\/i>4, 10) com o amor concreto aos irm\u00e3os e com firme esperan\u00e7a, \u00abporque \u00e9 fiel Aquele cuja promessa aguardamos\u00bb (<i>Hb <\/i>10, 23). O plano divino de salva\u00e7\u00e3o, na verdade, n\u00e3o coloca a criatura humana num estado de mera passividade o de menoridade em rela\u00e7\u00e3o ao seu Criador, porque a rela\u00e7\u00e3o com Deus, que Jesus Cristo nos manifesta e no qual nos introduz gratuitamente por obra do Esp\u00edrito Santo, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de filia\u00e7\u00e3o: a mesma que Jesus vive em rela\u00e7\u00e3o ao Pai (cf.<i> Jo <\/i>15-17; <i>Gal<\/i> 4, 6-7).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>40<\/b><i> A universalidade e a integralidade da salva\u00e7\u00e3o, doada em Jesus Cristo, tornam incind\u00edvel o nexo entre a rela\u00e7\u00e3o que a pessoa \u00e9 chamada a ter com Deus e a responsabilidade \u00e9tica para com o pr\u00f3ximo, na concretude das situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas<\/i>. Isto se intui, ainda que confusamente e n\u00e3o sem erros, na universal busca humana de verdade e de sentido, mas torna-se estrutura fundamental da Alian\u00e7a de Deus com Israel, como testemunham, por exemplo, as t\u00e1buas da Lei e a prega\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica.<\/p><p><i>Tal nexo \u00e9 expresso com clareza e em perfeita s\u00edntese no ensinamento de Jesus Cristo e confirmado definitivamente pelo testemunho supremo do dom de Sua vida, em obedi\u00eancia \u00e0 vontade do Pai e por amor aos irm\u00e3os<\/i>. Ao escriba que lhe pergunta: \u00abQual \u00e9 o primeiro de todos os mandamentos?\u00bb (<i>Mc <\/i>12, 28), Jesus responde: \u00abO primeiro de todos os mandamentos \u00e9:<i> Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus \u00e9 o \u00fanico Senhor; amar\u00e1s ao Senhor teu Deus de todo o teu cora\u00e7\u00e3o, de toda a tua alma, de todo o teu esp\u00edrito e de todas as tuas for\u00e7as. <\/i>Eis aqui o segundo: <i>Amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo. <\/i>Outro mandamento maior do que estes n\u00e3o existe \u00bb (<i>Mc <\/i>12, 29-31).<\/p><p><i>No cora\u00e7\u00e3o da pessoa humana se entrela\u00e7am indissoluvelmente a rela\u00e7\u00e3o com Deus, reconhecido como Criador e Pai, fonte e termo da vida e da salva\u00e7\u00e3o, e a abertura ao amor concreto pelo homem, que deve ser tratado como um outro \u201ceu\u201d, ainda que seja um inimigo<\/i> (cf. <i>Mt <\/i>5, 43-44). Na dimens\u00e3o interior e espiritual do homem se radicam, ao fim e ao cabo, o empenho pela justi\u00e7a e pela solidariedade, pela edifica\u00e7\u00e3o de uma vida social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica conforme com o des\u00edgnio de Deus.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b> <a name=\"O disc\u00edpulo de Cristo qual nova criatura\"><\/a>O disc\u00edpulo de Cristo qual nova criatura<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>41<\/b> <i>A vida pessoal e social assim como o agir humano no mundo s\u00e3o sempre insidiados pelo pecado<\/i>, mas Jesus Cristo, \u00abpadecendo por n\u00f3s, n\u00e3o nos deu simplesmente o exemplo para seguirmos os Seus passos, mas rasgou um caminho novo: se o seguirmos, a vida e a morte tornam-se santas e adquirem um sentido diferente\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn41\" name=\"_ftnref41\"> [41] <\/a>. O disc\u00edpulo de Cristo adere, na f\u00e9 e mediante os sacramentos, ao mist\u00e9rio pascal de Jesus, de sorte que o seu <i>homem velho<\/i>, com as suas m\u00e1s inclina\u00e7\u00f5es, \u00e9 crucificado com Cristo. Qual nova criatura ele ent\u00e3o fica habilitado na gra\u00e7a a caminhar em \u00abuma vida nova\u00bb (<i>Rom 6, 4<\/i>). Tal caminho, por\u00e9m, \u00abvale n\u00e3o apenas para os que cr\u00eaem em Cristo, mas para todos os homens de boa vontade, no cora\u00e7\u00e3o dos quais, invisivelmente, opera a gra\u00e7a. Na verdade, se Cristo morreu por todos e voca\u00e7\u00e3o \u00faltima do homem \u00e9 realmente uma s\u00f3, a saber divina, n\u00f3s devemos acreditar que o Esp\u00edrito Santo oferece a todos, de um modo que s\u00f3 Deus conhece, a possibilidade de serem associados ao mist\u00e9rio pascal\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn42\" name=\"_ftnref42\"> [42] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>42<\/b> <i>A transforma\u00e7\u00e3o interior da pessoa humana, na sua progressiva conforma\u00e7\u00e3o a Cristo, \u00e9 pressuposto essencial de uma real renova\u00e7\u00e3o das suas rela\u00e7\u00f5es com as outras pessoas<\/i>: \u00ab\u00c9 preciso, ent\u00e3o, apelar \u00e0s capacidades espirituais e morais da pessoa e \u00e0 exig\u00eancia permanente de sua convers\u00e3o interior, a fim de obter mudan\u00e7as sociais que estejam realmente a seu servi\u00e7o. A prioridade reconhecida \u00e0 convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o elimina absolutamente, antes imp\u00f5e, a obriga\u00e7\u00e3o de trazer \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida, quando estas provocam o pecado, o saneamento conveniente, para que sejam conformes \u00e0s normas da justi\u00e7a e favore\u00e7am o bem, em vez de p\u00f4r-lhe obst\u00e1culos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn43\" name=\"_ftnref43\"> [43] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>43<\/b> <i>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo e perseverar nesta atitude sem a firme e constante determina\u00e7\u00e3o de empenhar-se em prol do bem de todos e de cada um, porque todos n\u00f3s somos verdadeiramente respons\u00e1veis por todos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn44\" name=\"_ftnref44\"> [44] <\/a>. Segundo o ensinamento conciliar, \u00abtamb\u00e9m \u00e0queles que pensam e fazem de modo diferente do nosso em mat\u00e9ria social, pol\u00edtica e, inclusivamente, religiosa, deve estender-se o respeito e a caridade; quanto nos esfor\u00e7amos para penetrar intimamente com benevol\u00eancia e amor, nos seus modos de ver, mais f\u00e1cil se tornar\u00e1 um di\u00e1logo com eles\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn45\" name=\"_ftnref45\"> [45] <\/a>. Nesse caminho \u00e9 necess\u00e1ria a gra\u00e7a, que Deus oferece ao homem para ajud\u00e1-lo a superar os falhan\u00e7os, para arranc\u00e1-lo da voragem da mentira e da viol\u00eancia, para sustent\u00e1-lo e incentiv\u00e1-lo a tecer de novo, com esp\u00edrito sempre renovado e dispon\u00edvel, a rede das rela\u00e7\u00f5es verdadeiras e sinceras com os seus semelhantes<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn46\" name=\"_ftnref46\"> [46] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>44<\/b> <i>Tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o com o universo criado e as diversas atividades que o homem dedica ao seu cuidado e transforma\u00e7\u00e3o, quotidianamente amea\u00e7adas pela soberba e amor desordenado de si, devem ser purificadas e levadas \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o pela cruz e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo<\/i>: \u00abResgatado por Cristo e tornado nova criatura no Esp\u00edrito Santo, o homem pode e deve amar, com efeito, as coisas criadas por Deus. Pois de Deus as recebe: v\u00ea-as como brotando da Sua m\u00e3o e como tais as respeita. Dando gra\u00e7as por elas ao Benfeitor, e usando e gozando das criaturas em esp\u00edrito de pobreza e liberdade, \u00e9 ent\u00e3o que entra deveras na posse do mundo, como quem nada tem e \u00e9 dono de tudo: com efeito \u201ctudo \u00e9 vosso: v\u00f3s sois de Cristo, e Cristo \u00e9 de Deus\u201d (1<i> Cor <\/i>3, 22-23)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn47\" name=\"_ftnref47\"> [47] <\/a>.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d)<b> <a name=\"Transcend\u00eancia da salva\u00e7\u00e3o e autonomia das realidades terrestres\"><\/a>Transcend\u00eancia da salva\u00e7\u00e3o e autonomia das realidades terrestres<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>45<\/b> <i>Jesus Cristo \u00e9 o Filho de Deus humanado no qual e gra\u00e7as ao qual o mundo e o homem haurem a sua aut\u00eantica e plena verdade. <\/i>O mist\u00e9rio da infinita proximidade de Deus em rela\u00e7\u00e3o ao homem \u2013 realizado na Encarna\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, levado at\u00e9 ao abandono na cruz e \u00e0 morte \u2013 mostra que <i>quanto mais o humano \u00e9 visto \u00e0 luz do des\u00edgnio de Deus e vivido em comunh\u00e3o com Ele, tanto mais ele \u00e9 potenciado e libertado na sua identidade e na mesma liberdade que lhe \u00e9 pr\u00f3pria. <\/i>A participa\u00e7\u00e3o na vida filial de Cristo, tornada poss\u00edvel pela Encarna\u00e7\u00e3o e pelo dom pascal do Esp\u00edrito, longe de mortificar, tem o efeito de fazer desabrochar a aut\u00eantica e aut\u00f4noma consist\u00eancia e identidade dos seres humanos, em todas as suas express\u00f5es.<\/p><p>Esta perspectiva orienta para uma <i>vis\u00e3o mais correta das realidades terrestres e da sua autonomia<\/i>, que \u00e9 bem sublinhada pelo ensinamento do Conc\u00edlio Vaticano II: \u00abSe por autonomia das realidades terrestres se entende que as coisas criadas e as pr\u00f3prias sociedades t\u00eam as suas leis e os seus valores pr\u00f3prios, que o homem gradualmente deve descobrir, utilizar e organizar, tal exig\u00eancia de autonomia \u00e9 plenamente leg\u00edtima... corresponde \u00e0 vontade do Criador. Com efeito, \u00e9 pela virtude da pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o que todas as coisas est\u00e3o dotadas de consist\u00eancia, verdade, bondade, de leis pr\u00f3prias e de uma ordem que o homem deve respeitar, e reconhecer os m\u00e9todos pr\u00f3prios de cada uma das ci\u00eancias ou t\u00e9cnicas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn48\" name=\"_ftnref48\"> [48] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>46<\/b> <i>N\u00e3o h\u00e1 conflituosidade entre Deus e o homem, mas uma rela\u00e7\u00e3o de amor na qual o mundo e os frutos do agir do homem no mundo s\u00e3o objeto de rec\u00edproco dom entre o Pai e os filhos, e dos filhos entre si, em Cristo Jesus<\/i>: <i>n\u2019Ele e gra\u00e7as a Ele, o mundo e o homem alcan\u00e7am o seu significado aut\u00eantico e origin\u00e1rio<\/i>. Em uma vis\u00e3o universal do amor de Deus que abra\u00e7a tudo o que \u00e9, Deus mesmo se nos revelou em Cristo como Pai e Doador de vida, e o homem nos \u00e9 revelado como aquele que, em Cristo, tudo recebe de Deus como dom, em humildade e liberdade, e tudo possui verdadeiramente como seu, quando conhece e vive tudo como coisa de Deus, por Deus originada e a Deus destinada. A este prop\u00f3sito, o Conc\u00edlio Vaticano II ensina: \u00abSe por <i>autonomia do temporal<\/i> se entende que as coisas criadas n\u00e3o dependem de Deus e que o homem pode us\u00e1-las de tal maneira que as n\u00e3o refira ao Criador, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que acredite em Deus, que n\u00e3o perceba qu\u00e3o falsas s\u00e3o tais afirma\u00e7\u00f5es. Na verdade, a criatura sem o Criador perde o sentido\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn49\" name=\"_ftnref49\"> [49] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>47<\/b> <i>A pessoa humana, em si mesma e na sua voca\u00e7\u00e3o, transcende o horizonte do universo criado, da sociedade e da hist\u00f3ria: o seu fim \u00faltimo \u00e9 o pr\u00f3prio Deus<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn50\" name=\"_ftnref50\"> [50] <\/a>, <i>que se revelou aos homens para convid\u00e1-los e receb\u00ea-los na comunh\u00e3o com Ele<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn51\" name=\"_ftnref51\"> [51] <\/a>. \u00abO homem n\u00e3o se pode doar a um projeto somente humano da realidade, nem a um ideal abstrato ou a falsas utopias. Ele, enquanto pessoa, consegue doar-se a uma outra pessoa ou outras pessoas e, enfim, a Deus, que \u00e9 o autor do seu ser e o \u00fanico que pode acolher plenamente o seu dom\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn52\" name=\"_ftnref52\"> [52] <\/a>. Por isso \u00abalienado \u00e9 o homem que recusa transcender-se a si pr\u00f3prio e viver a experi\u00eancia do dom de si e da forma\u00e7\u00e3o de uma aut\u00eantica comunidade humana, orientada para o seu destino \u00faltimo, que \u00e9 Deus. Alienada \u00e9 a sociedade que, nas suas formas de organiza\u00e7\u00e3o social, de produ\u00e7\u00e3o e de consumo, torna mais dif\u00edcil a realiza\u00e7\u00e3o deste dom e a constitui\u00e7\u00e3o dessa solidariedade inter-humana \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn53\" name=\"_ftnref53\"> [53] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>48<\/b> <i>A pessoa humana n\u00e3o pode e n\u00e3o deve ser instrumentalizada por estruturas sociais, econ\u00f4micas e pol\u00edticas, pois todo homem tem a liberdade de orientar-se para o seu fim \u00faltimo. Por outro lado, toda a realiza\u00e7\u00e3o cultural, social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica, em que se atuam historicamente a sociabilidade da pessoa e a sua atividade transformadora do universo, deve sempre ser considerada tamb\u00e9m no seu aspecto de realidade relativa e provis\u00f3ria, porque <\/i>\u00aba figura desse mundo passa!\u00bb (1<i> Cor <\/i>7, 31). Trata-se de uma <i>relatividade escatol\u00f3gica<\/i>, no sentido de que o homem e o mundo v\u00e3o ao encontro do fim, que \u00e9 o cumprimento do seu destino em Deus; e de uma <i>relatividade teol\u00f3gica<\/i>, enquanto o dom de Deus, mediante o qual se cumprir\u00e1 o destino definitivo da humanidade e da cria\u00e7\u00e3o, supera infinitamente as possibilidades e as expectativas do homem. Qualquer vis\u00e3o totalit\u00e1ria da sociedade e do Estado e qualquer ideologia puramente intramundana do progresso s\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0 verdade integral da pessoa humana e ao des\u00edgnio de Deus na hist\u00f3ria.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>IV. DES\u00cdGNIO DE DEUS E MISS\u00c3O DA IGREJA<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"A Igreja, sinal e tutela da transcend\u00eancia da pessoa humana\"><\/a>A Igreja, sinal e tutela da transcend\u00eancia da pessoa humana<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>49<\/b> <i>A Igreja, comunidade daqueles que s\u00e3o convocados pelo Cristo Ressuscitado e se p\u00f5em no seu seguimento, \u00e9 o \u00absinal e a salvaguarda da dignidade da pessoa humana\u00bb<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn54\" name=\"_ftnref54\"> [54] <\/a>. Ela \u00ab \u00e9 em Cristo como que sacramento ou sinal, e tamb\u00e9m instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00eanero humano\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn55\" name=\"_ftnref55\"> [55] <\/a>. A miss\u00e3o da Igreja \u00e9 a de anunciar e comunicar a salva\u00e7\u00e3o realizada em Jesus Cristo, que Ele chama \u00ab Reino de Deus \u00bb <i>(Mc <\/i>1, 15), ou seja, a comunh\u00e3o com Deus e entre os homens. O fim da salva\u00e7\u00e3o, o Reino de Deus, abra\u00e7a todos os homens e se realizar\u00e1 plenamente al\u00e9m da hist\u00f3ria, em Deus. A Igreja recebeu \u00aba miss\u00e3o de anunciar e estabelecer em todas as gentes o Reino de Cristo e de Deus, e constitui ela pr\u00f3pria na terra o germe e o in\u00edcio deste Reino\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn56\" name=\"_ftnref56\"> [56] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>50<\/b> <i>A Igreja p\u00f5e-se concretamente ao servi\u00e7o do Reino de Deus, antes de mais nada, anunciando e comunicando o Evangelho da salva\u00e7\u00e3o e constituindo novas comunidades crist\u00e3s<\/i>. Ela, ademais, \u00abserve o Reino, difundindo pelo mundo os \u201cvalores evang\u00e9licos\u201d, que s\u00e3o a express\u00e3o do Reino, e ajudam os homens a acolher o des\u00edgnio de Deus. \u00c9 verdade que a realidade incipiente do Reino se pode encontrar tamb\u00e9m fora dos confins da Igreja, em toda a humanidade na medida em que ela viva os \u201cvalores evang\u00e9licos\u201d e se abra \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito que sopra onde e como quer (cf.<i> Jo <\/i>3, 8); mas \u00e9 preciso acrescentar, logo a seguir, que esta dimens\u00e3o temporal do Reino est\u00e1 incompleta, enquanto n\u00e3o se ordenar ao Reino de Cristo, presente na Igreja, em constante tens\u00e3o para a plenitude escatol\u00f3gica \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn57\" name=\"_ftnref57\"> [57] <\/a>. Donde deriva, em particular, que <i>a Igreja n\u00e3o se confunde com a comunidade pol\u00edtica e nem est\u00e1 ligada a nenhum sistema pol\u00edtico<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn58\" name=\"_ftnref58\"> [58] <\/a>. A comunidade pol\u00edtica e a Igreja, no pr\u00f3prio campo, s\u00e3o efetivamente <i>independentes e aut\u00f4nomas <\/i>uma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 outra, e est\u00e3o ambas, embora a diferentes t\u00edtulos, \u00abao servi\u00e7o da voca\u00e7\u00e3o pessoal e social dos mesmos homens \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn59\" name=\"_ftnref59\"> [59] <\/a>. Pode-se, antes, afirmar que a distin\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o e pol\u00edtica e o princ\u00edpio da liberdade religiosa constituem uma aquisi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do cristianismo, de grande relevo no plano hist\u00f3rico e cultural.<\/p><p><b>51<\/b> <i>\u00c0 identidade e \u00e0 miss\u00e3o da Igreja no mundo, segundo o projeto de Deus realizado em Cristo, corresponde<\/i> \u00ab<i>uma finalidade salv\u00edfica e escatol\u00f3gica, que s\u00f3 pode ser plenamente alcan\u00e7ada no s\u00e9culo futuro<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn60\" name=\"_ftnref60\"> [60] <\/a>. Justo por isso, a Igreja oferece um contributo original e insubstitu\u00edvel \u00e0 comunidade humana com a solicitude que a impele a tornar mais humana a fam\u00edlia dos homens e a sua hist\u00f3ria, e a p\u00f4r-se como baluarte contra qualquer tenta\u00e7\u00e3o totalitarista, indicando ao homem a sua voca\u00e7\u00e3o integral e definitiva<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn61\" name=\"_ftnref61\"> [61] <\/a>.<\/p><p>Com a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho, a gra\u00e7a dos sacramentos e a experi\u00eancia da comunh\u00e3o fraterna, a Igreja sana e eleva a dignidade da pessoa humana, \u00abfirmando a coes\u00e3o da sociedade e dando \u00e0 atividade di\u00e1ria dos homens um sentido e um significado mais profundos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn62\" name=\"_ftnref62\"> [62] <\/a>. No plano das din\u00e2micas hist\u00f3ricas concretas, n\u00e3o se pode compreender o advento do Reino de Deus na perspectiva de uma organiza\u00e7\u00e3o social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica definida e definitiva. Ele \u00e9 antes testemunhado pelo progresso de uma sociabilidade humana que \u00e9 para os homens fermento de realiza\u00e7\u00e3o integral, de justi\u00e7a e de solidariedade, na abertura ao Transcendente como termo referencial para a pr\u00f3pria definitiva e plena realiza\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"Igreja, Reino de Deus e renova\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais\"><\/a>Igreja, Reino de Deus e renova\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>52<\/b> <i>Deus, em Cristo, n\u00e3o redime somente a pessoa individual, mas tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es sociais entre os homens<\/i>. Como ensina o ap\u00f3stolo Paulo, a vida em Cristo faz vir \u00e0 tona de modo pleno e novo a identidade e a sociabilidade da pessoa humana, com as suas concretas conseq\u00fc\u00eancias no plano hist\u00f3rico e social: \u00abTodos sois filhos de Deus pela f\u00e9 em Jesus Cristo. Todos v\u00f3s que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos v\u00f3s sois um em Cristo Jesus\u00bb (<i>Gal <\/i>3, 26-28). Nesta perspectiva, as comunidade eclesiais, convocadas pela mensagem de Jesus Cristo e reunidas no Esp\u00edrito Santo ao redor do Ressuscitado (cf. <i>Mt<\/i> 18, 20; 28, 19-20; <i>Lc<\/i> 24, 46-49), se prop\u00f5em como lugar de comunh\u00e3o, de testemunho e de miss\u00e3o e como fermento de reden\u00e7\u00e3o e de transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais. A prega\u00e7\u00e3o do Evangelho de Jesus induz os disc\u00edpulos a antecipar o futuro renovando as rela\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>53<\/b> <i>A transforma\u00e7\u00e3o social que responde \u00e0s exig\u00eancias do Reino de Deus n\u00e3o est\u00e1 estabelecida nas suas determina\u00e7\u00f5es concretas uma vez por todas. Trata-se antes de uma tarefa confiada \u00e0 comunidade crist\u00e3, que a deve elaborar e realizar atrav\u00e9s da reflex\u00e3o e da praxe inspiradas no Evangelho<\/i>. \u00c9 o pr\u00f3prio Esp\u00edrito do Senhor que conduz o povo de Deus e, concomitantemente, preenche o universo<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn63\" name=\"_ftnref63\"> [63] <\/a>, inspirando, de tempos em tempos, solu\u00e7\u00f5es novas e atuais \u00e0 criatividade respons\u00e1vel dos homens<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn64\" name=\"_ftnref64\"> [64] <\/a>, \u00e0 comunidade dos crist\u00e3os inserida nos dinamismos do mundo e da hist\u00f3ria e, por isso mesmo, aberta ao di\u00e1logo com todas as pessoas de boa vontade, na busca comum dos germes de verdade e de liberdade disseminados no vasto campo da humanidade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn65\" name=\"_ftnref65\"> [65] <\/a>. A din\u00e2mica de uma tal renova\u00e7\u00e3o deve estar ancorada nos princ\u00edpios imut\u00e1veis da lei natural, impressa por Deus Criador na Sua criatura (cf. <i>Rm<\/i> 2, 14-15) e iluminada escatologicamente mediante Jesus Cristo.<\/p><p><b>54<\/b> <i>Jesus Cristo revela-nos que \u00abDeus \u00e9 amor\u00bb <\/i>(<i>1 Jo <\/i>4, 8) <i>e nos ensina que <\/i>\u00ab<i>a lei fundamental da perfei\u00e7\u00e3o humana, e portanto da transforma\u00e7\u00e3o do mundo, \u00e9 o mandamento novo do amor<\/i>. Destarte, aos que cr\u00eaem no amor divino d\u00e1-lhes a certeza de que abrir o caminho do amor a todos os homens e instaurar a fraternidade universal n\u00e3o s\u00e3o coisas v\u00e3s\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn66\" name=\"_ftnref66\"> [66] <\/a>. Esta lei \u00e8 chamada a tornar-se a medida e a norma \u00faltima de todas as din\u00e2micas nas quais se desdobram as rela\u00e7\u00f5es humanas. Em s\u00edntese, \u00e9 o pr\u00f3prio mist\u00e9rio de Deus, o Amor trinit\u00e1rio, que funda o significado e o valor da pessoa, da sociabilidade e do agir do homem no mundo, na medida em que foi revelado e participado \u00e0 humanidade, por meio de Cristo, no Seu Esp\u00edrito.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>55 <\/b><i>A transforma\u00e7\u00e3o do mundo se apresenta como uma inst\u00e2ncia fundamental tamb\u00e9m do nosso tempo<\/i>. <i>A esta exig\u00eancia o Magist\u00e9rio social da Igreja entende oferecer as respostas que os sinais dos tempos invocam, indicando primeiramente no amor rec\u00edproco entre os homens, sob o olhar de Deus, o instrumento mais potente de mudan\u00e7a, no plano pessoal assim como no social<\/i>. O amor rec\u00edproco, com efeito, na participa\u00e7\u00e3o no amor infinito de Deus \u00e9 o aut\u00eantico fim, hist\u00f3rico e transcendente, da humanidade. Portanto, \u00abainda que haja que distinguir cuidadosamente progresso terreno e crescimento do Reino de Cristo, contudo este progresso tem muita import\u00e2ncia para o Reino de Deus, na medida em que pode contribuir para uma melhor organiza\u00e7\u00e3o da sociedade humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn67\" name=\"_ftnref67\"> [67] <\/a>.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b> <a name=\"Novos c\u00e9us e nova terra\"><\/a>Novos c\u00e9us e nova terra<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>56<\/b> <i>A promessa de Deus e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo suscitam nos crist\u00e3os a fundada esperan\u00e7a de que para todas as pessoas humanas \u00e9 preparada uma nova e eterna morada, uma terra em que habita a justi\u00e7a<\/i> (cf. <i>2 Cor <\/i>5, 1-2; <i>2Pd <\/i>3, 13). \u00abEnt\u00e3o, depois de vencida a morte, os filhos de Deus ressuscitar\u00e3o em Cristo e aquilo que foi semeado na fraqueza e na corrup\u00e7\u00e3o revestir-se-\u00e1 de incorruptibilidade; e permanecendo a caridade com as suas obras, todas as criaturas que Deus criou por causa do homem ser\u00e3o livres da servid\u00e3o da vaidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn68\" name=\"_ftnref68\"> [68] <\/a>. Esta esperan\u00e7a, longe de atenuar, deve antes impulsionar a solicitude pelo trabalho referente \u00e0 realidade presente.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>57<\/b> <i>Os bens, quais a dignidade do homem, a fraternidade e a liberdade, todos os bons frutos da natureza e da nossa operosidade, esparsos pela terra no Esp\u00edrito do Senhor e de acordo com o Seu preceito, limpos de toda a mancha, iluminados e transfigurados, pertencem ao Reino de verdade e de vida, de santidade e de gra\u00e7a, de justi\u00e7a, de amor e de paz que Cristo entregar\u00e1 ao Pai e l\u00e1 os encontraremos novamente<\/i>. Ressoar\u00e3o ent\u00e3o para todos, na sua solene verdade, as palavras de Cristo: \u00abVinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos est\u00e1 preparado desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na pris\u00e3o e viestes a mim (...) todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes\u00bb (<i>Mt <\/i>25, 34-36.40).<\/p><p><b>58 <\/b><i>A realiza\u00e7\u00e3o da pessoa humana, atuada em Cristo gra\u00e7as ao dom do Esp\u00edrito, matura na hist\u00f3ria e \u00e9 mediada pelas rela\u00e7\u00f5es da pessoa com as outras pessoas, rela\u00e7\u00f5es que, por sua vez, alcan\u00e7am a sua perfei\u00e7\u00e3o gra\u00e7as ao empenho por melhorar o mundo, na justi\u00e7a e na paz<\/i>. O agir humano na hist\u00f3ria \u00e9 de per si significativo e eficaz para a instaura\u00e7\u00e3o definitiva do Reino, ainda que este continue a ser dom de Deus, plenamente transcendente. Tal agir, quando respeitoso da ordem objetiva da realidade temporal e iluminado pela verdade e pela caridade, torna-se instrumento<i> <\/i>para uma atua\u00e7\u00e3o sempre mais plena e integral da justi\u00e7a e da paz e antecipa no presente o Reino prometido.<\/p><p><i>Configurando-se a Cristo Redentor, o homem se percebe como criatura querida por Deus e por Ele eternamente escolhida, chamada \u00e0 gra\u00e7a e \u00e0 gl\u00f3ria, na plenitude do mist\u00e9rio de que se tornou part\u00edcipe em Jesus Cristo<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn69\" name=\"_ftnref69\"> [69] <\/a>. A configura\u00e7\u00e3o a Cristo e a contempla\u00e7\u00e3o do Seu Rosto<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn70\" name=\"_ftnref70\"> [70] <\/a>infundem no crist\u00e3o um anelo indel\u00e9vel por antecipar neste mundo, no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es humanas, o que ser\u00e1 realidade no mundo definitivo, empenhando-se em dar de comer, de beber, de vestir, uma casa, a cura, o acolhimento e a companhia ao Senhor que bate \u00e0 porta (cf. <i>Mt 25, <\/i>35-37).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d)<b> <a name=\"Maria e o Seu \u00abfiat\u00bb ao des\u00edgnio de amor de Deus\"><\/a>Maria e o Seu \u00ab<i>fiat<\/i>\u00bb ao des\u00edgnio de amor de Deus<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>59<\/b> <i>Herdeira da esperan\u00e7a dos justos de Israel e primeira dentre os disc\u00edpulos de Jesus Cristo \u00e9 Maria, Sua M\u00e3e<\/i>. Ela, com o Seu \u00ab<i>fiat<\/i>\u00bb ao des\u00edgnio de amor de Deus (cf. <i>Lc <\/i>1, 38), em nome de toda a humanidade, acolhe na hist\u00f3ria o enviado do Pai, o Salvador dos homens. No canto do \u00ab<i>Magnificat<\/i>\u00bb proclama o advento do Mist\u00e9rio da Salva\u00e7\u00e3o, a vinda do \u00abMessias dos pobres\u00bb (cf. <i>Is <\/i>11, 4; 61, 1). O Deus da Alian\u00e7a, cantado pela Virgem de Nazar\u00e9 na exulta\u00e7\u00e3o do Seu esp\u00edrito, \u00e9 Aquele que derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes, sacia de bens os famintos e despede os ricos de m\u00e3os vazias, dispersa os soberbos e conserva a Sua miseric\u00f3rdia para aqueles que O temem (cf. <i>Lc<\/i> 1, 50-53).<\/p><p>Haurindo no cora\u00e7\u00e3o de Maria, da profundidade da Sua f\u00e9 expressa nas palavras do \u00ab<i>Magnificat<\/i>\u00bb, os disc\u00edpulos de Cristo s\u00e3o chamados a renovar cada vez melhor em si mesmos \u00aba certeza de que <i>n\u00e3o se pode separar a verdade a respeito de Deus que salva<\/i>, de Deus que \u00e9 fonte de toda a d\u00e1diva, <i>da manifesta\u00e7\u00e3o do seu amor preferencial pelos pobres e pelos humildes<\/i>, amor que, depois de cantado no <i>Magnificat<\/i>, se encontra expresso nas palavras e nas obras de Jesus \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn71\" name=\"_ftnref71\"> [71] <\/a>. Maria, totalmente dependente de Deus e toda orientada para Ele, com o impulso da sua f\u00e9 \u00ab\u00e9 o \u00edcone mais perfeito da liberdade e da liberta\u00e7\u00e3o da humanidade e do cosmos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn72\" name=\"_ftnref72\"> [72] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>__________<\/p><div id=\"ftn23\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1789; 1970; 2510.<\/div><div id=\"ftn24\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2062.<\/div><div id=\"ftn25\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2070.<\/div><div id=\"ftn26\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 97: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1209.<\/div><div id=\"ftn27\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27] <\/a>A lei \u00e9 enunciada em <i>Ex<\/i> 23, <i>Dt <\/i>15, <i>Lv<\/i> 25.<\/div><div id=\"ftn28\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. <i>Tertio Millennio adveniente<\/i>, 13: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 14.<\/div><div id=\"ftn29\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 13: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1035.<\/div><div id=\"ftn30\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Dei Verbum<\/i>, 4: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 819.<\/div><div id=\"ftn31\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1033.<\/div><div id=\"ftn32\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano, Const. Dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 9: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 12-14.<\/div><div id=\"ftn33\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. <i>Mulieris dignitatem<\/i>, 7: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 1666.<\/div><div id=\"ftn34\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. <i>Mulieris dignitatem<\/i>, 7: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 1665-1666.<\/div><div id=\"ftn35\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 569.<\/div><div id=\"ftn36\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. <i>Mulieris dignitatem<\/i>, 7: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 1664.<\/div><div id=\"ftn37\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 24: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1045.<\/div><div id=\"ftn38\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 12: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1034.<\/div><div id=\"ftn39\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1043.<\/div><div id=\"ftn40\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Dei Verbum<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 819.<\/div><div id=\"ftn41\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1043.<\/div><div id=\"ftn42\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1043.<\/div><div id=\"ftn43\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref43\" name=\"_ftn43\">[43] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>1888.<\/div><div id=\"ftn44\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref44\" name=\"_ftn44\">[44] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 38: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 565-566.<\/div><div id=\"ftn45\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref45\" name=\"_ftn45\">[45] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 28: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1048.<\/div><div id=\"ftn46\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref46\" name=\"_ftn46\">[46] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>1889.<\/div><div id=\"ftn47\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref47\" name=\"_ftn47\">[47] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 37: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1055.<\/div><div id=\"ftn48\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref48\" name=\"_ftn48\">[48] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 36: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1054; cf. Id., Decr. <i>Apostolicam actuositatem<\/i>, 7: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 843-844.<\/div><div id=\"ftn49\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref49\" name=\"_ftn49\">[49] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 36: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1054.<\/div><div id=\"ftn50\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref50\" name=\"_ftn50\">[50] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2244.<\/div><div id=\"ftn51\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref51\" name=\"_ftn51\">[51] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Dei verbum<\/i>, 2: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 818.<\/div><div id=\"ftn52\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref52\" name=\"_ftn52\">[52] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 844.<\/div><div id=\"ftn53\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref53\" name=\"_ftn53\">[53] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 844-845.<\/div><div id=\"ftn54\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref54\" name=\"_ftn54\">[54] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 76: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1099.<\/div><div id=\"ftn55\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref55\" name=\"_ftn55\">[55] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 5.<\/div><div id=\"ftn56\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref56\" name=\"_ftn56\">[56] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 8.<\/div><div id=\"ftn57\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref57\" name=\"_ftn57\">[57] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptoris missio<\/i>, 20: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 267.<\/div><div id=\"ftn58\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref58\" name=\"_ftn58\">[58] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 76: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1099; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2245.<\/div><div id=\"ftn59\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref59\" name=\"_ftn59\">[59] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 76: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1099.<\/div><div id=\"ftn60\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref60\" name=\"_ftn60\">[60] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1058.<\/div><div id=\"ftn61\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref61\" name=\"_ftn61\">[61] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2244.<\/div><div id=\"ftn62\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref62\" name=\"_ftn62\">[62] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1058.<\/div><div id=\"ftn63\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref63\" name=\"_ftn63\">[63] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1033.<\/div><div id=\"ftn64\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref64\" name=\"_ftn64\">[64] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 37: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 426-427.<\/div><div id=\"ftn65\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref65\" name=\"_ftn65\">[65] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor hominis, <\/i>11: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 276: \u00abJustamente os Padres da Igreja viam nas diversas religi\u00f5es como que outros tantos reflexos de uma \u00fanica verdade, como que \u201cgermes do Verbo\u201d, os quais testemunham que, embora por caminhos diferentes, est\u00e1 contudo voltada para uma mesma dire\u00e7\u00e3o a mais profunda aspira\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito humano\u00bb.<\/div><div id=\"ftn66\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref66\" name=\"_ftn66\">[66] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 38: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1055-1056.<\/div><div id=\"ftn67\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref67\" name=\"_ftn67\">[67] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 39: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1057.<\/div><div id=\"ftn68\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref68\" name=\"_ftn68\">[68] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 39: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1057.<\/div><div id=\"ftn69\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref69\" name=\"_ftn69\">[69] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor hominis, <\/i>13: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 283-284.<\/div><div id=\"ftn70\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref70\" name=\"_ftn70\">[70] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. <i>Novo millennio ineunte, <\/i>16-28: <i>AAS<\/i> 93 (2001) 276-285.<\/div><div id=\"ftn71\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref71\" name=\"_ftn71\">[71] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptoris Mater<\/i>, 37: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 410.<\/div><div id=\"ftn72\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref72\" name=\"_ftn72\">[72] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 97: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 597.<\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1241\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1241\" aria-controls=\"collapse1241\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CAP\u00cdTULO II - MISS\u00c3O DA IGREJA E DOUTRINA SOCIAL<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1241\" data-parent=\"#sp-ea-124\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1241\"> <div class=\"ea-body\"><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>I. EVANGELIZA\u00c7\u00c3O E DOUTRINA SOCIAL<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"A Igreja, morada de Deus com os homens\"><\/a>A Igreja, morada de Deus com os homens<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>60<\/b> <i>A Igreja, part\u00edcipe das alegrias e esperan\u00e7as, das ang\u00fastias e das tristezas dos homens, \u00e9 solid\u00e1ria com todo homem e a toda a mulher<\/i>, de todo lugar e de todo tempo, e leva-lhes a Boa Nova do Reino de Deus, que com Jesus Cristo veio e vem em meio a eles<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn73\" name=\"_ftnref73\"> [73] <\/a>. A Igreja \u00e9, na humanidade e no mundo, o sacramento do amor de Deus e, por isso mesmo, da esperan\u00e7a maior, que ativa e sust\u00e9m todo aut\u00eantico projeto e empenho de liberta\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o humana. \u00c9, em meio aos homens, a tenda da companhia de Deus \u2015 \u00ab<i>o tabern\u00e1culo<\/i> de Deus com os homens\u00bb (<i>Ap<\/i> 21, 3) \u2015 de modo que o homem n\u00e3o se encontra s\u00f3, perdido ou transtornado no seu empenho de humanizar o mundo, mas encontra amparo no amor redentor de Cristo. Ela \u00e9 ministra de salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o em abstrato ou em sentido meramente espiritual, mas no contexto da hist\u00f3ria e do mundo em que o homem vive<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn74\" name=\"_ftnref74\"> [74] <\/a>, onde o alcan\u00e7am o amor de Deus e a voca\u00e7\u00e3o a corresponder ao projeto divino.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>61<\/b> <i>\u00danico e irrepet\u00edvel na sua individualidade, todo homem \u00e9 um ser aberto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com os outros na sociedade<\/i>. O conviver social na rede de rela\u00e7\u00f5es que interliga indiv\u00edduos, fam\u00edlias, grupos interm\u00e9dios em rela\u00e7\u00f5es de encontro, de comunica\u00e7\u00e3o e de reciprocidade, assegura ao viver uma qualidade melhor. O bem comum que eles buscam e conseguem formando a comunidade social \u00e9 garantia do bem pessoal, familiar e associativo<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn75\" name=\"_ftnref75\"> [75] <\/a>. Por estas raz\u00f5es, se origina e prende forma a sociedade, com os seus componentes estruturais, ou seja, pol\u00edticos, econ\u00f4micos, jur\u00eddicos, culturais. Ao homem \u00abenquanto inserido na complexa rede de rela\u00e7\u00f5es das sociedades modernas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn76\" name=\"_ftnref76\"> [76] <\/a>, a Igreja se dirige com a sua doutrina social. \u00abPerita em humanidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn77\" name=\"_ftnref77\"> [77] <\/a>, a Igreja \u00e9 apta a compreend\u00ea-lo na sua voca\u00e7\u00e3o e nas suas aspira\u00e7\u00f5es, nos seus limites e nos seus apuros, nos seus direitos e nas suas tarefas, e a ter para ele uma palavra de vida que ressoe nas vicissitudes hist\u00f3ricas e sociais da exist\u00eancia humana.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"Fecundar e fermentar com o Evangelho a sociedade\"><\/a>Fecundar e fermentar com o Evangelho a sociedade<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>62<\/b> <i>Com o seu ensinamento social a Igreja entende anunciar e atualizar o Evangelho na complexa rede de rela\u00e7\u00f5es sociais<\/i>. N\u00e3o se trata simplesmente de alcan\u00e7ar o homem na sociedade \u2015 o homem qual destinat\u00e1rio do an\u00fancio evang\u00e9lico \u2015, mas de <i>fecundar e fermentar com o Evangelho a mesma sociedade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn78\" name=\"_ftnref78\"> [78] <\/a>. Cuidar do homem significa, para a Igreja, envolver tamb\u00e9m a sociedade na sua solicitude mission\u00e1ria e salv\u00edfica. A conviv\u00eancia social, com efeito, n\u00e3o raro determina a qualidade da vida e, por conseguinte, as condi\u00e7\u00f5es em que cada homem e cada mulher se compreendem a si pr\u00f3prios e decidem de si mesmos e da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o. Por esta raz\u00e3o, a Igreja n\u00e3o \u00e9 indiferente a tudo o que na sociedade se decide, se produz e se vive, numa palavra, \u00e0 qualidade moral, autenticamente humana e humanizadora, da vida social. A sociedade e, com ela, a pol\u00edtica, a economia, o trabalho, o direito, a cultura n\u00e3o constituem um \u00e2mbito meramente secular e mundano e portanto marginal e alheio \u00e0 mensagem e \u00e0 economia da salva\u00e7\u00e3o. Efetivamente, a sociedade \u2015 com tudo o que nela se realiza \u2015 diz respeito ao homem. \u00c9 a sociedade dos homens, que s\u00e3o \u00ab<i>a primeira e fundamental via da Igreja<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn79\" name=\"_ftnref79\"> [79] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>63 <\/b><i>Com a sua doutrina social a Igreja assume a tarefa de an\u00fancio que o Senhor lhe confiou. Ela atualiza no curso da hist\u00f3ria a mensagem de liberta\u00e7\u00e3o e de reden\u00e7\u00e3o de Cristo, o Evangelho do Reino. <\/i>A Igreja, anunciando o Evangelho, \u00abtestemunha ao homem, em nome de Cristo, sua dignidade pr\u00f3pria e sua voca\u00e7\u00e3o \u00e0 comunh\u00e3o de pessoas; ensina-lhe as exig\u00eancias da justi\u00e7a e da paz, de acordo com a sabedoria divina\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn80\" name=\"_ftnref80\"> [80] <\/a>.<\/p><p><i>Evangelho que, mediante a Igreja, ressoa no hoje do homem<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn81\" name=\"_ftnref81\"> [81] <\/a>,<i> a doutrina social \u00e9 palavra que liberta<\/i>. Isso significa que tem a efic\u00e1cia de verdade e de gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, que penetra os cora\u00e7\u00f5es, dispondo-os a cultivar pensamentos e projetos de amor, de justi\u00e7a, de liberdade e de paz. Evangelizar o social \u00e9, pois, infundir no cora\u00e7\u00e3o dos homens a carga de sentido e de liberta\u00e7\u00e3o do Evangelho, de modo a promover uma sociedade \u00e0 medida do homem porque \u00e0 medida de Cristo: \u00e9 construir uma cidade do homem mais humana porque mais conforme com o Reino de Deus.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>64 <\/b><i>A Igreja, com a sua doutrina social, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se afasta da pr\u00f3pria miss\u00e3o, mas lhe \u00e9 rigorosamente fiel<\/i>. A reden\u00e7\u00e3o realizada por Cristo e confiada \u00e0 sua miss\u00e3o salv\u00edfica \u00e9 certamente de ordem sobrenatural. Esta dimens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 express\u00e3o limitativa, mas integral da salva\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn82\" name=\"_ftnref82\"> [82] <\/a>. O sobrenatural n\u00e3o deve ser concebido como uma entidade ou um espa\u00e7o que come\u00e7a onde termina o natural, mas como uma eleva\u00e7\u00e3o deste, de modo que nada da ordem da cria\u00e7\u00e3o e do humano \u00e9 alheio ou exclu\u00eddo da ordem sobrenatural e teologal da f\u00e9 e da gra\u00e7a, antes a\u00ed \u00e9 reconhecido, assumido e elevado: \u00abEm Jesus Cristo, o mundo vis\u00edvel, criado por Deus para o homem (cf. <i>G\u00ean<\/i> 1, 26-30) \u2014 aquele mundo que, entrando nele o pecado, \u201cfoi submetido \u00e0 caducidade\u201d (<i>Rm<\/i> 8, 20; cf. <i>ibid<\/i>., 8, 19-22) \u2014 readquire novamente o v\u00ednculo origin\u00e1rio com a mesma fonte divina da Sapi\u00eancia e do Amor. Com efeito, \u201cDeus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho unig\u00eanito\u201d (<i>Jo<\/i> 3, 16). Assim como no homem-Ad\u00e3o este v\u00ednculo foi quebrado, assim no Homem-Cristo foi de novo reatado (cf. <i>Rm<\/i> 5, 12-21)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn83\" name=\"_ftnref83\"> [83] <\/a>.<\/p><p><b>65<\/b> <i>A Reden\u00e7\u00e3o come\u00e7a com a Encarna\u00e7\u00e3o, mediante a qual o Filho de Deus assume tudo do homem, exceto o pecado, segundo as solidariedades institu\u00eddas pela Sabedoria criadora divina, e tudo abra\u00e7a em seu dom de Amor redentor<\/i>. Por este Amor o homem \u00e9 abra\u00e7ado na inteireza do seu ser: ser corp\u00f3reo e espiritual, em rela\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria com os outros. O homem todo \u2014 n\u00e3o uma alma separada ou um ser encerrado na sua individualidade, mas a pessoa e a sociedade das pessoas \u2014 fica implicado na economia salv\u00edfica do Evangelho. Portadora da mensagem de Encarna\u00e7\u00e3o e de Reden\u00e7\u00e3o do Evangelho, a Igreja n\u00e3o pode percorrer outra via: com a sua doutrina social e com a a\u00e7\u00e3o eficaz que ela ativa, n\u00e3o somente n\u00e3o falseia o seu rosto e a sua miss\u00e3o, mas \u00e9 fiel a Cristo e se revela aos homens como \u00absacramento universal da salva\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn84\" name=\"_ftnref84\"> [84] <\/a>. Isto \u00e9 particularmente verdadeiro numa \u00e9poca como a nossa, caracterizada por uma crescente interdepend\u00eancia e por uma mundializa\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es sociais.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b> <a name=\"Doutrina social, evangeliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o humana\"><\/a>Doutrina social, evangeliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o humana<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>66<\/b> <i>A doutrina social \u00e9 parte integrante do minist\u00e9rio de evangeliza\u00e7\u00e3o da Igreja. <\/i>Daquilo que diz respeito \u00e0 comunidade dos homens \u2014 situa\u00e7\u00f5es e problemas referentes \u00e0 justi\u00e7a, \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o, ao desenvolvimento, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre os povos, \u00e0 paz \u2014 nada \u00e9 alheio \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o e esta n\u00e3o seria completa se n\u00e3o levasse em conta o rec\u00edproco apelo que se continuamente se fazem o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social do homem<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn85\" name=\"_ftnref85\"> [85] <\/a>. Entre evangeliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o humana h\u00e1 la\u00e7os profundos: \u00abla\u00e7os de ordem antropol\u00f3gica, dado que o homem que h\u00e1 de ser evangelizado n\u00e3o \u00e9 um ser abstrato, mas \u00e9 sim um ser condicionado pelo conjunto de problemas sociais e econ\u00f4micos; la\u00e7os de ordem teol\u00f3gica, porque n\u00e3o se pode nunca dissociar o plano da cria\u00e7\u00e3o do plano da Reden\u00e7\u00e3o, um e outro a abrangerem as situa\u00e7\u00f5es bem concretas da injusti\u00e7a que deve ser combatida e da justi\u00e7a a ser restaurada; la\u00e7os daquela ordem eminentemente evang\u00e9lica, qual \u00e9 a ordem da caridade: como se poderia proclamar o mandamento novo sem promover na justi\u00e7a e na paz o verdadeiro e aut\u00eantico progresso do homem?\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn86\" name=\"_ftnref86\"> [86] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>67<\/b> <i>A doutrina social, <\/i>\u00ab<i>por si mesma, tem o valor de um instrumento de evangeliza\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn87\" name=\"_ftnref87\"> [87] <\/a>e se desenvolve no encontro sempre renovado entre a mensagem evang\u00e9lica e a hist\u00f3ria humana. Assim entendida, tal doutrina \u00e9 via peculiar para o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio da Palavra e da fun\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica da Igreja<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn88\" name=\"_ftnref88\"> [88] <\/a>: \u00abpara a Igreja, ensinar e difundir a doutrina social pertence \u00e0 sua miss\u00e3o evangelizadora e faz parte essencial da mensagem crist\u00e3, porque essa doutrina prop\u00f5e as suas conseq\u00fc\u00eancias diretas na vida da sociedade e enquadra o trabalho di\u00e1rio e as lutas pela justi\u00e7a no testemunho de Cristo Salvador\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn89\" name=\"_ftnref89\"> [89] <\/a>. N\u00e3o estamos na presen\u00e7a de um interesse ou de uma a\u00e7\u00e3o marginal, que se ap\u00f5e \u00e0 miss\u00e3o da Igreja, mas no cora\u00e7\u00e3o mesmo da sua ministerialidade: com a doutrina social a Igreja \u00abanuncia Deus e o mist\u00e9rio de salva\u00e7\u00e3o em Cristo a cada homem e, pela mesma raz\u00e3o, revela o homem a si mesmo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn90\" name=\"_ftnref90\"> [90] <\/a>. Este \u00e9 um minist\u00e9rio que procede n\u00e3o s\u00f3 do an\u00fancio, mas tamb\u00e9m do testemunho.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>68 <\/b><i>A Igreja n\u00e3o se ocupa da vida em sociedade em todos os seus aspectos, mas com a sua compet\u00eancia pr\u00f3pria<\/i>,<i> que \u00e9 a do an\u00fancio de Cristo Redentor<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn91\" name=\"_ftnref91\"> [91] <\/a>: \u00abA miss\u00e3o pr\u00f3pria que Cristo confiou \u00e0 sua Igreja n\u00e3o \u00e9 de ordem pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social. Pois a finalidade que Cristo lhe prefixou \u00e9 de ordem religiosa. Mas, na verdade, desta mesma miss\u00e3o religiosa decorrem benef\u00edcios, luzes e for\u00e7as que podem auxiliar a organiza\u00e7\u00e3o e o fortalecimento da comunidade humana segundo a Lei de Deus\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn92\" name=\"_ftnref92\"> [92] <\/a>. Isto quer dizer que a Igreja, com a sua doutrina social, n\u00e3o entra em quest\u00f5es t\u00e9cnicas e n\u00e3o institui nem prop\u00f5e sistemas ou modelos de organiza\u00e7\u00e3o social<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn93\" name=\"_ftnref93\"> [93] <\/a>: isto n\u00e3o faz parte da miss\u00e3o que Cristo lhe confiou. <i>A Igreja tem a compet\u00eancia que lhe vem do Evangelho<\/i>: da mensagem de liberta\u00e7\u00e3o do homem anunciada e testemunhada pelo Filho de Deus humanado.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d)<b> <a name=\"Direito e dever da Igreja\"><\/a>Direito e dever da Igreja<\/b><\/span><\/p><p><b>69<\/b> <i>Com a sua doutrina social a Igreja<\/i> \u00ab<i>se prop\u00f5e assistir o homem no caminho da salva\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn94\" name=\"_ftnref94\"> [94] <\/a>: trata-se do seu fim prec\u00edpuo e \u00fanico. N\u00e3o h\u00e1 outros objetivos tendentes a sub-rogar ou invadir atribui\u00e7\u00f5es de outrem, negligenciando as pr\u00f3prias; ou a perseguir objetivos alheios \u00e0 sua miss\u00e3o. Tal miss\u00e3o configura <i>o direito e juntamente o dever da Igreja<\/i> de elaborar uma doutrina social pr\u00f3pria e com ela exercer influxo sobre a sociedade e as suas estruturas, mediante as responsabilidades e as tarefas que esta doutrina suscita.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>70<\/b> <i>A Igreja tem o direito de ser para o homem mestra de verdades da f\u00e9: da verdade n\u00e3o s\u00f3 do dogma, mas tamb\u00e9m da moral que dimana da mesma natureza humana e do Evangelho<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn95\" name=\"_ftnref95\"> [95] <\/a>. A palavra do Evangelho, efetivamente, n\u00e3o deve somente ser ouvida, mas tamb\u00e9m posta em pr\u00e1tica (cf. <i>Mt<\/i> 7, 24; <i>Lc<\/i> 6, 46-47;<i> Jo <\/i>14, 21.23-24; <i>Tg<\/i> 1, 22): a coer\u00eancia nos comportamentos manifesta a ades\u00e3o do crente e n\u00e3o se restringe ao \u00e2mbito estritamente eclesial e espiritual, mas abarca o homem em todo o seu viver e segundo todas as suas responsabilidades. Conquanto seculares, estas t\u00eam como sujeito o homem, vale dizer, aquele a quem Deus chama, mediante a Igreja, a participar do Seu dom salv\u00edfico.<\/p><p>Ao dom da salva\u00e7\u00e3o o homem deve corresponder, n\u00e3o com uma ades\u00e3o parcial, abstrata ou verbal, mas com a sua vida inteira, segundo todas as rela\u00e7\u00f5es que a conotam, de modo que nada se relegue ao \u00e2mbito profano e mundano, irrelevante ou alheio \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Por isso a doutrina social n\u00e3o representa para a Igreja um privil\u00e9gio, uma digress\u00e3o, uma conveni\u00eancia ou uma inger\u00eancia: \u00e9 <i>um direito seu evangelizar o social<\/i>, ou seja, fazer ressoar a palavra libertadora do Evangelho no complexo mundo da produ\u00e7\u00e3o, do trabalho, do empresariado, das finan\u00e7as, do com\u00e9rcio, da pol\u00edtica, do direito, da cultura, das comunica\u00e7\u00f5es sociais, em que vive o homem.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>71<\/b> <i>Este direito \u00e9, ao mesmo tempo, um dever, pois a Igreja n\u00e3o pode renunciar a ele sem se desmentir a si mesma e a sua fidelidade a Cristo<\/i>: \u00abAi de mim, se eu n\u00e3o anunciar o Evangelho!\u00bb (1<i> Cor <\/i>9, 16). A admoni\u00e7\u00e3o que S\u00e3o Paulo dirige a si pr\u00f3prio ressoa na consci\u00eancia da Igreja como um apelo a percorrer todas as vias da evangeliza\u00e7\u00e3o; n\u00e3o somente as que levam \u00e0s consci\u00eancias individuais, mas tamb\u00e9m as que conduzem \u00e0s institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas: de um lado n\u00e3o se deve atuar uma \u00abredu\u00e7\u00e3o err\u00f4nea do fato religioso \u00e0 esfera exclusivamente privada\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn96\" name=\"_ftnref96\"> [96] <\/a>, doutro lado n\u00e3o se pode orientar a mensagem crist\u00e3 a uma salva\u00e7\u00e3o puramente ultraterrena, incapaz de iluminar a presen\u00e7a sobre a terra<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn97\" name=\"_ftnref97\"> [97] <\/a>.<\/p><p><i>Pela relev\u00e2ncia p\u00fablica do Evangelho e da f\u00e9 e pelos efeitos perversos da injusti\u00e7a, vale dizer, do pecado, a Igreja n\u00e3o pode ficar indiferente \u00e0s vicissitudes sociais<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn98\" name=\"_ftnref98\"> [98] <\/a>: \u00abCompete \u00e0 Igreja anunciar sempre e por toda a parte os princ\u00edpios morais, mesmo referentes \u00e0 ordem social, e pronunciar-se a respeito de qualquer quest\u00e3o humana, enquanto o exigirem os direitos fundamentais da pessoa humana ou a salva\u00e7\u00e3o das almas \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn99\" name=\"_ftnref99\"> [99] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>II. A NATUREZA DA DOUTRINA SOCIAL<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"Um saber iluminado pela f\u00e9\"><\/a>Um saber iluminado pela f\u00e9<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>72<\/b> <i>A doutrina social da Igreja n\u00e3o foi pensada desde o princ\u00edpio como um sistema org\u00e2nico; mas foi se formando pouco a pouco, com progressivos pronunciamentos do Magist\u00e9rio sobre os temas sociais<\/i>. Tal g\u00eanese torna compreens\u00edvel o fato que tenham podido intervir algumas oscila\u00e7\u00f5es acerca da natureza, do m\u00e9todo e da estrutura epistemol\u00f3gica da doutrina social da Igreja. Precedido por um significativo aceno na \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0068\/_INDEX.HTM\">Laborem exercens<\/a><\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn100\" name=\"_ftnref100\"> [100] <\/a>, um esclarecimento decisivo nesse sentido est\u00e1 contido na Enc\u00edclica \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0070\/_INDEX.HTM\">Sollicitudo rei socialis<\/a><\/i>\u00bb: a doutrina social da Igreja pertence, n\u00e3o ao campo da <i>ideologia<\/i>, mas ao \u00abda <i>teologia<\/i> e precisamente da teologia moral\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn101\" name=\"_ftnref101\"> [101] <\/a>. Ela n\u00e3o \u00e9 defin\u00edvel segundo par\u00e2metros s\u00f3cio-econ\u00f4micos. N\u00e3o \u00e9 um sistema ideol\u00f3gico ou pragm\u00e1tico, que visa definir e compor as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais, mas <i>uma categoria a se<\/i>. \u00c9 \u00aba <i>formula\u00e7\u00e3o acurada<\/i> dos resultados de uma reflex\u00e3o atenta sobre as complexas realidades da exist\u00eancia do homem, na sociedade e no contexto internacional, \u00e0 luz da f\u00e9 e da tradi\u00e7\u00e3o eclesial. A sua finalidade principal \u00e9 <i>interpretar<\/i> estas realidades, examinando a sua conformidade ou desconformidade com as linhas do ensinamento do Evangelho sobre o homem e sobre a sua voca\u00e7\u00e3o terrena e ao mesmo tempo transcendente; visa, pois, <i>orientar<\/i> o comportamento crist\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn102\" name=\"_ftnref102\"> [102] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>73<\/b> <i>A doutrina social, portanto, \u00e9 de natureza teol\u00f3gica e especificamente teol\u00f3gico-moral,<\/i> \u00abtratando-se de uma doutrina destinada a orientar o <i>comportamento das pessoas<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn103\" name=\"_ftnref103\"> [103] <\/a>: \u00abEla situa-se no cruzamento da vida e da consci\u00eancia crist\u00e3 com as situa\u00e7\u00f5es do mundo e exprime-se nos esfor\u00e7os que indiv\u00edduos, fam\u00edlias, agentes culturais e sociais, pol\u00edticos e homens de Estado realizam para lhe dar forma e aplica\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn104\" name=\"_ftnref104\"> [104] <\/a>. Efetivamente, a doutrina social reflete os tr\u00eas n\u00edveis do ensinamento teol\u00f3gico-moral: o n\u00edvel <i>fundante<\/i> das motiva\u00e7\u00f5es; o <i>diretivo<\/i> das normas do viver social; o <i>deliberativo<\/i> das consci\u00eancias, chamadas a mediar as normas objetivas e gerais nas situa\u00e7\u00f5es sociais concretas e particulares. Estes tr\u00eas n\u00edveis definem implicitamente tamb\u00e9m o m\u00e9todo pr\u00f3prio e a espec\u00edfica estrutura epistemol\u00f3gica da doutrina social da Igreja.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>74<\/b> <i>A doutrina social tem o seu fundamento essencial na Revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica e na Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja<\/i>. Neste manancial, que vem do alto, ela haure a inspira\u00e7\u00e3o e a luz para compreender, julgar e orientar a experi\u00eancia humana e a hist\u00f3ria. Antes e acima de tudo est\u00e1 o projeto de Deus sobre a cria\u00e7\u00e3o e, em particular, sobre a vida e o destino do homem, chamado \u00e0 comunh\u00e3o trinit\u00e1ria.<\/p><p><i>A f\u00e9, que acolhe a palavra divina e a p\u00f5e em pr\u00e1tica, interage eficazmente com a raz\u00e3o<\/i>. A intelig\u00eancia da f\u00e9, em particular da f\u00e9 orientada \u00e0 pr\u00e1xis, \u00e9 estruturada pela raz\u00e3o e vale-se de todos os contributos que esta lhe oferece. Tamb\u00e9m a doutrina social, enquanto saber aplicado \u00e0 conting\u00eancia e \u00e0 historicidade da praxe, conjuga juntas \u00ab<i>fides et ratio<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn105\" name=\"_ftnref105\"> [105] <\/a>e \u00e9 express\u00e3o eloq\u00fcente da sua fecunda rela\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>75<\/b> <i>A f\u00e9 e a raz\u00e3o constituem as duas vias cognoscitivas da doutrina social, em sendo duas as fontes nas quais esta haure: a Revela\u00e7\u00e3o e a natureza humana<\/i>. O conhecer da f\u00e9 compreende e dirige a vida do homem \u00e0 luz do mist\u00e9rio hist\u00f3rico-salv\u00edfico, do revelar-se e doar-se de Deus em Cristo por n\u00f3s homens. Esta intelig\u00eancia da f\u00e9 inclui a raz\u00e3o, mediante a qual esta explica e compreende a verdade revelada e a integra com a verdade da natureza humana, hauridas no projeto divino expresso pela cria\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn106\" name=\"_ftnref106\"> [106] <\/a>, ou seja, a <i>verdade integral<\/i> da pessoa humana enquanto ser espiritual e corp\u00f3reo, em rela\u00e7\u00e3o com Deus, com os outros seres humanos e com todas as demais criaturas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn107\" name=\"_ftnref107\"> [107] <\/a>.<\/p><p><i>O centrar-se sobre o mist\u00e9rio de Cristo, portanto, n\u00e3o enfraquece ou exclui o papel da raz\u00e3o e, por isso, n\u00e3o priva a doutrina social de plausibilidade racional e, portanto, da sua destina\u00e7\u00e3o universal<\/i>. Dado que o mist\u00e9rio de Cristo ilumina o mist\u00e9rio do homem, a doutrina social confere plenitude de sentido \u00e0 compreens\u00e3o da dignidade humana e das exig\u00eancias morais que a tutelam. A doutrina social da Igreja \u00e9 <i>um conhecer iluminado pela f\u00e9<\/i>, que \u2014 precisamente por isso \u2014 expressa a sua maior capacidade de conhecimento. Ela d\u00e1 raz\u00e3o a todos das verdades que afirma e dos deveres que comporta: pode encontrar acolhimento e aceita\u00e7\u00e3o por parte de todos.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"Em di\u00e1logo cordial com todo o saber\"><\/a>Em di\u00e1logo cordial com todo o saber<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>76<\/b> <i>A doutrina social da Igreja se vale de todos os contributos cognoscitivos, qualquer que seja o saber donde provenham, e tem uma importante dimens\u00e3o interdisciplinar<\/i>: \u00abPara encarnar melhor nos diversos contextos sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos em cont\u00ednua muta\u00e7\u00e3o, essa doutrina entra em di\u00e1logo com diversas disciplinas que se ocupam do homem, assumindo em se os contributos que delas prov\u00eam\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn108\" name=\"_ftnref108\"> [108] <\/a>. A doutrina social vale-se dos contributos de significado da filosofia e igualmente dos contributos descritivos das ci\u00eancias humanas.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>77<\/b> <i>Essencial \u00e9, em primeiro lugar, o contributo da filosofia, j\u00e1 mencionado ao se evocar a natureza humana qual fonte e a raz\u00e3o qual via cognoscitiva da mesma f\u00e9<\/i>. Mediante a raz\u00e3o, a doutrina social assume a filosofia na sua pr\u00f3pria l\u00f3gica interna, ou seja no argumentar que lhe \u00e9 pr\u00f3prio.<\/p><p><i>Afirmar que a doutrina social deve ser adscrita antes \u00e0 teologia que \u00e0 filosofia n\u00e3o significa desconhecer o menosprezar o papel e o aporte filos\u00f3fico. A filosofia \u00e9, efetivamente, instrumento apto e indispens\u00e1vel para uma correta compreens\u00e3o de conceitos basilares da doutrina social<\/i> \u2014 como a pessoa, a sociedade, a liberdade, a consci\u00eancia, a \u00e9tica, o direito, a justi\u00e7a, o bem comum, a solidariedade, a subsidiariedade, o Estado \u2014, compreens\u00e3o tal que inspire uma conviv\u00eancia social harmoniosa. \u00c9 a filosofia ainda a ressaltar a plausibilidade racional da luz que o Evangelho projeta sobre a sociedade e a exigir de cada intelig\u00eancia e consci\u00eancia a abertura e o assentimento \u00e0 verdade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>78<\/b> <i>Um significativo contributo \u00e0 doutrina social da Igreja prov\u00e9m das ci\u00eancias humanas e sociais<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn109\" name=\"_ftnref109\"> [109] <\/a>: <i>pela parte de verdade de que \u00e9 portador, nenhum saber \u00e9 exclu\u00eddo<\/i>. A Igreja reconhece e acolhe tudo quanto contribui para a compreens\u00e3o do homem na sempre mais extensa, mut\u00e1vel e complexa rede das rela\u00e7\u00f5es sociais. Ela \u00e9 consciente do fato de que n\u00e3o se chega a um conhecimento profundo do homem somente com a teologia, sem a contribui\u00e7\u00e3o de muitos saberes, aos quais a pr\u00f3pria teologia faz refer\u00eancia.<\/p><p><i>A abertura atenta e constante \u00e0s ci\u00eancias faz com que a doutrina social da Igreja adquira compet\u00eancia, concretude e atualidade<\/i>. Gra\u00e7as a elas, a Igreja pode para compreender de modo mais preciso o homem na sociedade, de falar aos homens do pr\u00f3prio tempo de modo mais convincente e cumprir de modo eficaz a sua tarefa de encarnar, na consci\u00eancia e na sensibilidade social do nosso tempo, a palavra de Deus e a f\u00e9, da qual a doutrina social \u00abparte\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn110\" name=\"_ftnref110\"> [110] <\/a>.<\/p><p>Este di\u00e1logo interdisciplinar compele tamb\u00e9m as ci\u00eancias a colher as perspectivas de significado, de valor e de empenhamento que a doutrina social desvela e \u00aba abrir-se numa dimens\u00e3o mais ampla ao servi\u00e7o de cada pessoa, conhecida e amada na plenitude da sua voca\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn111\" name=\"_ftnref111\"> [111] <\/a>.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b> <a name=\"Express\u00e3o do minist\u00e9rio de ensinamento da Igreja\"><\/a>Express\u00e3o do minist\u00e9rio de ensinamento da Igreja<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>79<\/b> <i>A doutrina social \u00e9 da Igreja porque a Igreja \u00e9 o sujeito que a elabora, difunde e ensina<\/i>. Essa n\u00e3o \u00e9 prerrogativa de uma componente do corpo eclesial, mas da comunidade inteira: express\u00e3o do modo como a Igreja compreende a sociedade e se coloca em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas estruturas e \u00e0s suas mudan\u00e7as. Toda a comunidade eclesial \u2014 sacerdotes, religiosos e leigos \u2014 concorre para constituir a doutrina social, segundo a diversidade, no seu interior, de tarefas, carismas e minist\u00e9rios.<\/p><p><i>Os contributos mult\u00edplices e multiformes \u2014 express\u00f5es estas tamb\u00e9m do<\/i> \u00ab<i>sentido sobrenatural da f\u00e9 <\/i>(sensus fidei)<i> do povo inteiro<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn112\" name=\"_ftnref112\"> [112] <\/a><i>\u2014 s\u00e3o assumidos, interpretados e unificados pelo Magist\u00e9rio, que promulga o ensinamento social como doutrina da Igreja<\/i>. O Magist\u00e9rio compete na Igreja \u00e0queles que est\u00e3o investidos do \u00ab<i>munus docendi<\/i>\u00bb, ou seja, do minist\u00e9rio de ensinar no campo da f\u00e9 e da moral com a autoridade recebida de Cristo. A doutrina social n\u00e3o \u00e9 somente o fruto do pensamento e da obra de pessoas qualificadas, mas \u00e9 o pensamento da Igreja, enquanto obra do Magist\u00e9rio, o qual ensina com a autoridade que Cristo conferiu aos Ap\u00f3stolos e aos seus sucessores: o Papa e os Bispos em comunh\u00e3o com ele<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn113\" name=\"_ftnref113\"> [113] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>80<\/b> <i>Na doutrina social da Igreja atua o Magist\u00e9rio em todas as suas componentes e express\u00f5es<\/i>. Prim\u00e1rio \u00e9 o Magist\u00e9rio universal do Papa e do Conc\u00edlio: \u00e9 este Magist\u00e9rio que determina a dire\u00e7\u00e3o e assinala o desenvolvimento da doutrina social. Ele, por sua vez, \u00e9 integrado pelo Magist\u00e9rio episcopal, que especifica, traduz e atualiza o seu ensino na concretude e peculiaridade das m\u00faltiplas e diferentes situa\u00e7\u00f5es locais<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn114\" name=\"_ftnref114\"> [114] <\/a>. O ensinamento social dos Bispos oferece valiosos contributos e est\u00edmulos ao Magist\u00e9rio do Romano Pont\u00edfice. Atua-se assim uma circularidade, que exprime de fato a colegialidade dos Pastores unidos ao Papa no ensinamento social da Igreja. O complexo doutrinal que da\u00ed resulta compreende e integra assim o ensinamento universal dos Papas e o particular dos Bispos.<\/p><p><i>Enquanto parte do ensinamento moral da Igreja, a doutrina social reveste a mesma dignidade e possui autoridade id\u00eantica \u00e0 de tal ensinamento<\/i>. Ela \u00e9 <i>Magist\u00e9rio aut\u00eantico<\/i>, que exige a aceita\u00e7\u00e3o e a ades\u00e3o por parte dos fi\u00e9is<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn115\" name=\"_ftnref115\"> [115] <\/a>. O peso doutrinal dos v\u00e1rios ensinamentos e o assentimento que requerem devem ser ponderados em fun\u00e7\u00e3o da sua natureza, do seu grau de independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a elementos contingentes e vari\u00e1veis, e da freq\u00fc\u00eancia com que s\u00e3o reafirmados<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn116\" name=\"_ftnref116\"> [116] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d)<b> <a name=\"Por uma sociedade reconciliada na justi\u00e7a e no amor\"><\/a>Por uma sociedade reconciliada na justi\u00e7a e no amor<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>81<\/b> <i>O objeto da doutrina social da Igreja \u00e9 essencialmente o mesmo que constitui e motiva a sua raz\u00e3o de ser: o homem chamado \u00e0 salva\u00e7\u00e3o e como tal confiado por Cristo \u00e0 cura e \u00e0 responsabilidade da Igreja<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn117\" name=\"_ftnref117\"> [117] <\/a>. Com a doutrina social, a Igreja se preocupa com a vida humana na sociedade, ciente de que da qualidade da experi\u00eancia social, ou seja, das rela\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a e de amor que a tecem, depende de modo decisivo a tutela e a promo\u00e7\u00e3o das pessoas, para as quais toda comunidade \u00e8 constitu\u00edda. Efetivamente, na sociedade est\u00e3o em jogo a dignidade e os direitos das pessoas e a paz nas rela\u00e7\u00f5es entre pessoas e entre comunidades de pessoas. Bens estes que a comunidade social deve perseguir e garantir.<\/p><p>Nesta perspectiva, a doutrina social cumpre uma fun\u00e7\u00e3o de <i>an\u00fancio<\/i> mas tamb\u00e9m de <i>den\u00fancia<\/i>.<\/p><p><i>Em primeiro lugar, o an\u00fancio do que a Igreja tem de pr\u00f3prio<\/i>: \u00abuma vis\u00e3o global do homem e da humanidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn118\" name=\"_ftnref118\"> [118] <\/a>. E isso n\u00e3o s\u00f3 no n\u00edvel dos princ\u00edpios, mas tamb\u00e9m pr\u00e1tico. A doutrina social, com efeito, n\u00e3o oferece somente significados, valores e crit\u00e9rios de ju\u00edzo, mas tamb\u00e9m as normas e as diretrizes de a\u00e7\u00e3o que da\u00ed decorrem<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn119\" name=\"_ftnref119\"> [119] <\/a>. Com a sua doutrina social, a Igreja n\u00e3o persegue fins de estrutura\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da sociedade, mas de cobran\u00e7a, orienta\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias.<\/p><p><i>A doutrina social comporta tamb\u00e9m um dever de den\u00fancia<\/i>, em presen\u00e7a do pecado: \u00e9 o pecado de injusti\u00e7a e de viol\u00eancia que de v\u00e1rio modo atravessa a sociedade e nela toma corpo<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn120\" name=\"_ftnref120\"> [120] <\/a>. Tal den\u00fancia se faz ju\u00edzo e defesa dos direitos ignorados e violados, especialmente dos direitos dos pobres, dos pequenos, dos fracos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn121\" name=\"_ftnref121\"> [121] <\/a>, e tanto mais se intensifica quanto mais as injusti\u00e7as e as viol\u00eancias se estendem, envolvendo inteiras categorias de pessoas e amplas \u00e1reas geogr\u00e1ficas do mundo, e d\u00e3o lugar a <i>quest\u00f5es sociais<\/i>,<i> <\/i>ou seja, a opress\u00f5es e desequil\u00edbrios que conturbam as sociedades. Boa parte do ensinamento social da Igreja \u00e9 solicitado e determinado pelas grandes quest\u00f5es sociais, de que quer ser resposta de <i>justi\u00e7a social<\/i>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>82<\/b> <i>O intento da doutrina social da Igreja \u00e9 de ordem religiosa e moral<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn122\" name=\"_ftnref122\"> [122] <\/a>. <i>Religioso<\/i> porque a miss\u00e3o evangelizadora e salv\u00edfica da Igreja abra\u00e7a o homem \u00abna plena verdade da sua exist\u00eancia, do seu ser pessoal e, ao mesmo tempo, do seu ser comunit\u00e1rio e social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn123\" name=\"_ftnref123\"> [123] <\/a>. <i>Moral<\/i> porque a Igreja visa a um \u00abhumanismo total\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn124\" name=\"_ftnref124\"> [124] <\/a>, vale dizer \u00e0 \u00abliberta\u00e7\u00e3o de tudo aquilo que oprime o homem\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn125\" name=\"_ftnref125\"> [125] <\/a>e ao \u00abdesenvolvimento integral do homem todo e de todos os homens\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn126\" name=\"_ftnref126\"> [126] <\/a>. A doutrina social indica e tra\u00e7a os caminhos a percorrer por uma sociedade reconciliada e harmonizada na justi\u00e7a e no amor, antecipadora na hist\u00f3ria, de modo incoativo e prefigurativo, daqueles \u00abnovos c\u00e9us e ... nova terra, nos quais habitar\u00e1 a justi\u00e7a\u00bb (<i>2Pd<\/i> 3, 13).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">e)<b> <a name=\"Uma mensagem para os filhos da Igreja e para a humanidade\"><\/a>Uma mensagem para os filhos da Igreja e para a humanidade<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>83<\/b> <i>A primeira destinat\u00e1ria da doutrina social \u00e9 a comunidade eclesial em todos os seus membros, porque todos t\u00eam responsabilidades sociais a assumir<\/i>. A consci\u00eancia \u00e9 interpelada pelo ensinamento social para reconhecer e cumprir os deveres de justi\u00e7a e de caridade na vida social. Tal ensinamento \u00e9 luz de verdade moral, que suscita respostas apropriadas segundo a voca\u00e7\u00e3o e o minist\u00e9rio pr\u00f3prios de cada crist\u00e3o. Nas tarefas de evangeliza\u00e7\u00e3o, a saber, de ensinamento, de catequese e de forma\u00e7\u00e3o, que a doutrina social da Igreja suscita, essa \u00e9 destinada a todo crist\u00e3o, segundo as compet\u00eancias, os carismas, os of\u00edcios e a miss\u00e3o de an\u00fancio pr\u00f3prios de cada um<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn127\" name=\"_ftnref127\"> [127] <\/a>.<\/p><p><i>A doutrina social implica, outrossim, responsabilidades referentes \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e ao funcionamento da sociedade: obriga\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas, administrativas, vale dizer, de natureza secular<\/i>, que pertencem aos fi\u00e9is leigos, n\u00e3o aos sacerdotes e aos religiosos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn128\" name=\"_ftnref128\"> [128] <\/a>. Tais responsabilidades competem aos leigos de modo peculiar, em raz\u00e3o da <i>condi\u00e7\u00e3o secular <\/i>do seu estado de vida e da <i>\u00edndole secular<\/i> da sua voca\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn129\" name=\"_ftnref129\"> [129] <\/a>: mediante essas responsabilidades, os leigos p\u00f5em em pr\u00e1tica o ensinamento social e cumprem a sua miss\u00e3o secular da Igreja<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn130\" name=\"_ftnref130\"> [130] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>84<\/b> <i>Al\u00e9m da destina\u00e7\u00e3o, prim\u00e1ria e espec\u00edfica, aos filhos da Igreja, a doutrina social tem uma destina\u00e7\u00e3o universal<\/i>. A luz do Evangelho, que a doutrina social reverbera sobre a sociedade, ilumina todos os homens, e cada consci\u00eancia e intelig\u00eancia se torna apta a colher a profundidade humana dos significados e dos valores por ela expressos, bem como a carga de humanidade e de humaniza\u00e7\u00e3o das suas normas de a\u00e7\u00e3o. De modo que todos, em nome do homem, da sua dignidade una e \u00fanica, e da sua tutela e promo\u00e7\u00e3o na sociedade, todos, em nome do \u00fanico Deus, Criador e fim \u00faltimo do homem, s\u00e3o destinat\u00e1rios da doutrina social da Igreja<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn131\" name=\"_ftnref131\"> [131] <\/a>. <i>A doutrina social \u00e9 um ensinamento expressamente dirigido a todos os homens de boa vontade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn132\" name=\"_ftnref132\"> [132] <\/a>e efetivamente \u00e9 escutada pelos membros de outras Igrejas e comunidades eclesiais, pelos sequazes de outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas e por pessoas que n\u00e3o pertencem a algum grupo religioso.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">f)<b> <a name=\"No signo da continuidade e da renova\u00e7\u00e3o\"><\/a>No signo da continuidade e da renova\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>85<\/b> <i>Orientada pela luz perene do Evangelho e constantemente atenta \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da sociedade, a doutrina social da Igreja caracteriza-se pela continuidade e pela renova\u00e7\u00e3o<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn133\" name=\"_ftnref133\"> [133] <\/a>.<\/p><p>Essa manifesta em primeiro lugar a <i>continuidade<\/i> de um ensinamento que se remonta aos valores universais que derivam da Revela\u00e7\u00e3o e da natureza humana. Por este motivo a doutrina social da Igreja n\u00e3o depende das diversas culturas, das diferentes ideologias, das v\u00e1rias opini\u00f5es: <i>ela \u00e9 um ensinamento<\/i> <i>constante<\/i>, que \u00abse mant\u00e9m id\u00eantica na sua inspira\u00e7\u00e3o de fundo, nos seus \u201cprinc\u00edpios de reflex\u00e3o\u201d, nos seus \u201ccrit\u00e9rios de julgamento\u201d, nas suas basilares \u201cdiretrizes de a\u00e7\u00e3o\u201d e, sobretudo, na sua liga\u00e7\u00e3o vital com o Evangelho do Senhor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn134\" name=\"_ftnref134\"> [134] <\/a>. Neste seu n\u00facleo principal e permanente a doutrina social da Igreja atravessa a hist\u00f3ria, sem sofrer os condicionamentos e n\u00e3o corre o risco da dissolu\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Por outro lado, no seu constante voltar-se \u00e0 hist\u00f3ria, deixando-se interpelar pelos eventos que nela se produzem, <i>a doutrina social da Igreja manifesta uma capacidade de cont\u00ednua renova\u00e7\u00e3o<\/i>. A firmeza nos princ\u00edpios n\u00e3o faz dela um sistema de ensinamentos r\u00edgido e inerte, mas um Magist\u00e9rio capaz de abrir-se \u00e0s <i>coisas novas<\/i>, sem se desnaturar nelas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn135\" name=\"_ftnref135\"> [135] <\/a>: um ensinamento sempre novo, \u00absujeito a necess\u00e1rias e oportunas adapta\u00e7\u00f5es, sugeridas pela mudan\u00e7a das condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e pelo incessante fluir dos acontecimentos, que incidem no desenrolar da vida dos homens e das sociedades\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn136\" name=\"_ftnref136\"> [136] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>86<\/b> <i>A doutrina social da Igreja se apresenta assim como um <\/i>\u00ab<i>canteiro<\/i>\u00bb <i>sempre aberto, em que a verdade perene penetra e permeia a novidade contingente, tra\u00e7ando caminhos in\u00e9ditos de justi\u00e7a e de paz<\/i>. A f\u00e9 n\u00e3o pretende aprisionar num esquema fechado a mut\u00e1vel realidade s\u00f3cio-pol\u00edtica<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn137\" name=\"_ftnref137\"> [137] <\/a>. \u00c9 verdade antes o contrario: a f\u00e9 \u00e9 fermento de novidade e criatividade. O ensinamento que nela sempre se inicia \u00abse desenvolve por meio de uma reflex\u00e3o que \u00e9 feita em permanente contato com as situa\u00e7\u00f5es deste mundo, sob o impulso do Evangelho qual fonte de renova\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn138\" name=\"_ftnref138\"> [138] <\/a>.<\/p><p><i>M\u00e3e e Mestra, a Igreja n\u00e3o se fecha nem se retrai em si mesma, mas est\u00e1 sempre exposta, inclinada e voltada para o homem, cujo destino de salva\u00e7\u00e3o \u00e9 a sua pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser<\/i>. Ela \u00e9 entre os homens o \u00edcone vivente do Bom Pastor, que vai buscar e encontrar o homem onde ele se encontra, na condi\u00e7\u00e3o existencial e hist\u00f3rica do seu viver. Aqui a Igreja se torna para ele encontro com o Evangelho, mensagem de liberta\u00e7\u00e3o e de reconcilia\u00e7\u00e3o, de justi\u00e7a e de paz.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>III. A DOUTRINA SOCIAL DO NOSSO TEMPO:<br \/>ACENOS HIST\u00d3RICOS<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"O in\u00edcio de um novo caminho\"><\/a>O in\u00edcio de um novo caminho<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>87<\/b> A locu\u00e7\u00e3o <i>doutrina social<\/i> remonta a Pio XI<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn139\" name=\"_ftnref139\"> [139] <\/a>e designa o corpus doutrinal referente \u00e0 sociedade que, a partir da Enc\u00edclica <i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum novarum<\/a><\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn140\" name=\"_ftnref140\"> [140] <\/a>(1891) de Le\u00e3o XIII, se desenvolveu na Igreja atrav\u00e9s do Magist\u00e9rio dos Romanos Pont\u00edfices e dos Bispos em comunh\u00e3o com eles<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn141\" name=\"_ftnref141\"> [141] <\/a>. A solicitude social certamente n\u00e3o teve in\u00edcio com tal documento, porque a Igreja jamais deixou de se interessar pela sociedade; n\u00e3o obstante a <i>Enc\u00edclica<\/i> \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum novarum<\/a><\/i>\u00bb <i>d\u00e1 in\u00edcio a um novo caminho<\/i>: inserindo-se numa tradi\u00e7\u00e3o plurissecular, ela assinala um novo in\u00edcio e um substancial desenvolvimento do ensinamento em campo social<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn142\" name=\"_ftnref142\"> [142] <\/a>.<\/p><p><i>Na sua cont\u00ednua aten\u00e7\u00e3o ao homem na sociedade, a Igreja acumulou assim um rico patrim\u00f4nio doutrinal<\/i>. Ele tem as suas ra\u00edzes na Sagrada Escritura, especialmente no Evangelho e nos escritos apost\u00f3licos, e tomou forma e corpo na doutrina dos Padres da Igreja, dos grandes Doutores da Idade M\u00e9dia, constituindo uma doutrina na qual, mesmo sem pronunciamentos magisteriais expl\u00edcitos e diretos, a Igreja se foi pouco a pouco reconhecendo.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>88<\/b> <i>Os eventos de natureza econ\u00f4mica que se deram no s\u00e9culo XIX tiveram conseq\u00fc\u00eancias sociais, pol\u00edticas e culturais lacerantes<\/i>. Os acontecimentos ligados \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o industrial subverteram a secular organiza\u00e7\u00e3o da sociedade, levantando graves problemas de justi\u00e7a e pondo a primeira grande quest\u00e3o social, <i>a quest\u00e3o oper\u00e1ria<\/i>, suscitada pelo conflito entre capital e trabalho. Nesse quadro, a Igreja advertiu a necessidade de intervir de modo novo: as \u00ab <i>res novae <\/i>\u00bb, constitu\u00eddas por tais eventos, representavam um desafio ao seu ensinamento e motivavam uma especial solicitude pastoral para com as ingentes massas de homens e mulheres. Era necess\u00e1rio um renovado discernimento da situa\u00e7\u00e3o, apto a delinear solu\u00e7\u00f5es apropriadas para problemas ins\u00f3litos e inexplorados.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"Da \u00abRerum novarum\u00bb aos nossos dias\"><\/a>Da \u00abRerum novarum\u00bb aos nossos dias<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>89<\/b> <i>Em resposta \u00e0 primeira grande quest\u00e3o social, Le\u00e3o XIII promulga a primeira enc\u00edclica social, a <\/i>\u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum novarum<\/a><\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn143\" name=\"_ftnref143\"> [143] <\/a>. Ela examina a condi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores assalariados, particularmente penosa para os oper\u00e1rios das ind\u00fastrias, afligidos por uma indigna mis\u00e9ria. A <i>quest\u00e3o oper\u00e1ria<\/i> \u00e9 tratada segundo a sua real amplitude: \u00e9 explorada em todas as suas articula\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas, para ser adequadamente e avaliada \u00e0 luz dos princ\u00edpios doutrinais baseados na Revela\u00e7\u00e3o, na lei e na moral natural.<\/p><p>A \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum novarum<\/a><\/i>\u00bb enumera os erros que provocam o mal social, exclui o socialismo como rem\u00e9dio e exp\u00f5e, precisando-a e atualizando-a, \u00aba doutrina cat\u00f3lica acerca do trabalho, do direito de propriedade, do princ\u00edpio de colabora\u00e7\u00e3o contraposto \u00e0 luta de classe como meio fundamental para a mudan\u00e7a social, sobre o direito dos fracos, sobre a dignidade dos pobres e sobre as obriga\u00e7\u00f5es dos ricos, sobre o aperfei\u00e7oamento da justi\u00e7a mediante a caridade, sobre o direito a ter associa\u00e7\u00f5es profissionais\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn144\" name=\"_ftnref144\"> [144] <\/a>.<\/p><p><i>A<\/i> \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum novarum<\/a><\/i>\u00bb <i>tornou-se a<\/i> \u00ab<i>carta magna<\/i>\u00bb <i>da atividade crist\u00e3 em campo social<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn145\" name=\"_ftnref145\"> [145] <\/a>. O tema central da doutrina social da Enc\u00edclica \u00e9 o da instaura\u00e7\u00e3o de uma ordem social justa, em vista do qual \u00e9 mister individuar crit\u00e9rios de ju\u00edzo que ajudem a avaliar os ordenamentos s\u00f3cio-pol\u00edticos existentes e formular linhas de a\u00e7\u00e3o para uma sua oportuna transforma\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>90<\/b> A \u00ab <i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum novarum<\/a> <\/i>\u00bb enfrentou a <i>quest\u00e3o oper\u00e1ria<\/i> com um m\u00e9todo que se tornar\u00e1 \u00ab<i>um paradigma permanente<\/i> \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn146\" name=\"_ftnref146\"> [146] <\/a>para o desenvolvimento da doutrina social. Os princ\u00edpios afirmados por Le\u00e3o XIII ser\u00e3o retomados e aprofundados pelas enc\u00edclicas sociais sucessivas. Toda a doutrina social poderia ser entendida como uma atualiza\u00e7\u00e3o, um aprofundamento e uma expans\u00e3o do n\u00facleo origin\u00e1rio de princ\u00edpios expostos na<i> <\/i>\u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum novarum<\/a><\/i>\u00bb. Com este texto, corajoso e de longo alcance, o Papa Le\u00e3o XIII \u00abconferiu \u00e0 Igreja quase um \u201cestatuto de cidadania\u201d no meio das vari\u00e1veis realidades da vida p\u00fablica\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn147\" name=\"_ftnref147\"> [147] <\/a>e \u00abescreveu esta palavra decisiva\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn148\" name=\"_ftnref148\"> [148] <\/a>, que se tornou \u00abum elemento permanente da doutrina social da Igreja\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn149\" name=\"_ftnref149\"> [149] <\/a>, afirmando que os graves problemas sociais \u00abs\u00f3 podiam ser resolvidos pela colabora\u00e7\u00e3o entre todas as for\u00e7as intervenientes\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn150\" name=\"_ftnref150\"> [150] <\/a>e acrescentando tamb\u00e9m: \u00abQuanto \u00e0 Igreja, n\u00e3o deixar\u00e1 de modo nenhum faltar a sua quota-parte\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn151\" name=\"_ftnref151\"> [151] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>91<\/b> No in\u00edcio dos anos Trinta, em seguida \u00e0 grave crise econ\u00f4mica de 1929, o Papa Pio XI publica a Enc\u00edclica \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/pius_xi\/encyclicals\/documents\/hf_p-xi_enc_19310515_quadragesimo-anno_po.html\">Quadragesimo anno<\/a><\/i>\u00bb (1931)<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn152\" name=\"_ftnref152\"> [152] <\/a>, comemorativa dos quarenta anos da \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum novarum<\/a><\/i>\u00bb. O Papa rel\u00ea o passado \u00e0 luz de uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-social em que, \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o se ajuntara a expans\u00e3o do poder dos grupos financeiros, em \u00e2mbito nacional e internacional. Era o per\u00edodo p\u00f3s-b\u00e9lico, em que se iam afirmando na Europa os regimes totalit\u00e1rios, enquanto se exacerbava a luta de classe. A enc\u00edclica adverte acerca da falta de respeito \u00e0 liberdade de associa\u00e7\u00e3o e reafirma os princ\u00edpios de solidariedade e de colabora\u00e7\u00e3o para superar as antinomias sociais. As rela\u00e7\u00f5es entre capital e trabalho devem dar-se sob o signo da colabora\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn153\" name=\"_ftnref153\"> [153] <\/a>.<\/p><p>A \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/pius_xi\/encyclicals\/documents\/hf_p-xi_enc_19310515_quadragesimo-anno_po.html\">Quadragesimo anno<\/a><\/i>\u00bb reafirma o princ\u00edpio segundo o qual o sal\u00e1rio deve ser proporcionado n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s necessidades do trabalhador, mas tamb\u00e9m \u00e0s de sua fam\u00edlia. O Estado, nas rela\u00e7\u00f5es com o setor privado, deve aplicar o <i>princ\u00edpio de subsidiariedade<\/i>, princ\u00edpio que se tornar\u00e1 um elemento permanente da doutrina social. A enc\u00edclica refuta o liberalismo entendido como concorr\u00eancia ilimitada das for\u00e7as econ\u00f4micas, mas reconfirma o direito \u00e0 propriedade privada, evocando-lhe a sua fun\u00e7\u00e3o social. Em uma sociedade por reconstruir desde as bases econ\u00f4micas, que se torna ela mesma e toda inteira \u00aba quest\u00e3o\u00bb a enfrentar, \u00abPio XI sentiu o dever e a responsabilidade de promover um maior conhecimento, uma mais exata interpreta\u00e7\u00e3o e uma urgente aplica\u00e7\u00e3o da lei moral reguladora das rela\u00e7\u00f5es humanas... para superar o conflito de classes e estabelecer uma nova ordem social baseada na justi\u00e7a e na caridade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn154\" name=\"_ftnref154\"> [154] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>92<\/b> <i>Pio XI n\u00e3o deixou de elevar a voz contra os regimes totalit\u00e1rios que durante o seu pontificado se afirmaram na Europa<\/i>. J\u00e1 no dia 29 de Junho de 1931 Pio XI havia protestado contra os abusos do regime totalit\u00e1rio fascista na It\u00e1lia com a Enc\u00edclica \u00ab<i>Non abbiamo bisogno<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn155\" name=\"_ftnref155\"> [155] <\/a>. Em 1937 publicou a Enc\u00edclica \u00ab<i>Mit brennender Sorge<\/i>\u00bb, sobre a situa\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica no Reich Germ\u00e2nico (14 de Mar\u00e7o de 1937)<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn156\" name=\"_ftnref156\"> [156] <\/a>. O texto da \u00ab<i>Mit brennender Sorge<\/i>\u00bb foi lido do p\u00falpito em todas as Igrejas, depois de ter sido distribu\u00eddo no m\u00e1ximo segredo. A enc\u00edclica aparecia ap\u00f3s anos de abusos e de viol\u00eancias e fora expressamente pedida a Pio XI pelos bispos alem\u00e3es, ap\u00f3s as medidas cada vez mais coativas e repressivas tomadas pelo Reich em 1936, particularmente em rela\u00e7\u00e3o aos jovens, obrigados a inscrever-se na \u00abJuventude hitlerista\u00bb. O Papa dirige-se diretamente aos sacerdotes e aos religiosos, aos fi\u00e9is leigos, para os incentivar e chamar \u00e0 resist\u00eancia, enquanto uma verdadeira paz entre a Igreja e o Estado n\u00e3o se restabelecesse. Em 1938, perante a difus\u00e3o do anti-semitismo, Pio XI afirmou: \u00abSomos espiritualmente semitas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn157\" name=\"_ftnref157\"> [157] <\/a>.<\/p><p>Com a Carta enc\u00edclica \u00ab<i>Divini Redemptoris<\/i>\u00bb, sobre o comunismo ateu e sobre a doutrina social crist\u00e3 (19 de Mar\u00e7o de 1937)<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn158\" name=\"_ftnref158\"> [158] <\/a>, Pio XI criticou de modo sistem\u00e1tico o comunismo, definido como \u00ab<i>intrinsecamente perverso<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn159\" name=\"_ftnref159\"> [159] <\/a>, e indicou como meios principais para p\u00f4r rem\u00e9dio aos males por ele produzidos, a renova\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3, o exerc\u00edcio da caridade evang\u00e9lica, o cumprimento dos deveres de justi\u00e7a no plano interpessoal e social, em vista do bem comum, a institucionaliza\u00e7\u00e3o de corpos profissionais e interprofissionais.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>93<\/b> As <i>Radiomensagens natalinas<\/i> de Pio XII<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn160\" name=\"_ftnref160\"> [160] <\/a>, juntamente com outros importantes pronunciamentos em mat\u00e9ria social, aprofundam a reflex\u00e3o magisterial sobre uma nova ordem social, governado pela moral e pelo direito e fundado na justi\u00e7a e na paz. Durante o seu pontificado, Pio XII atravessou os anos terr\u00edveis da Segunda Guerra Mundial e os tempos dif\u00edceis da reconstru\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o publicou enc\u00edclicas sociais, mas manifestou constantemente, em numerosos contextos, a sua preocupa\u00e7\u00e3o com a ordem internacional subvertida: \u00abNos anos da guerra e do ap\u00f3s-guerra, o Magist\u00e9rio social de Pio XII representou para muitos povos de todos os continentes e para milh\u00f5es de crentes e n\u00e3o crentes a voz da consci\u00eancia universal (...). Com a sua autoridade moral e o seu prest\u00edgio, Pio XII levou a luz da sabedoria crist\u00e3 a inumer\u00e1veis homens de todas as categorias e n\u00edvel social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn161\" name=\"_ftnref161\"> [161] <\/a>.<\/p><p><i>Uma das caracter\u00edsticas fundamentais dos pronunciamentos de Pio XII est\u00e1 na import\u00e2ncia dada \u00e0 conex\u00e3o entre moral e direito<\/i>. O Papa insiste sobre a no\u00e7\u00e3o de direito natural, como alma de um ordenamento social concretamente operante quer no plano nacional quer no plano internacional. Um outro aspecto importante do ensinamento de Pio XII est\u00e1 na aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0s categorias profissionais e empresariais, chamadas a concorrer em plena consci\u00eancia para a consecu\u00e7\u00e3o do bem comum: \u00abPela sua sensibilidade e intelig\u00eancia em detectar os \u201csinais dos tempos\u201d, Pio XII pode considerar-se o precursor imediato do Conc\u00edlio Vaticano II e do ensinamento social dos Papas que lhe sucederam\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn162\" name=\"_ftnref162\"> [162] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>94<\/b> Os anos Sessenta abrem horizontes promissores: o rein\u00edcio ap\u00f3s as devasta\u00e7\u00f5es da guerra, a descoloniza\u00e7\u00e3o da \u00c1frica, os primeiros t\u00edmidos sinais de um <i>desgelo <\/i>nas rela\u00e7\u00f5es entre os dois blocos, americano e sovi\u00e9tico. Neste clima, o beato Jo\u00e3o XXIII l\u00ea em profundidade os \u00absinais dos tempos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn163\" name=\"_ftnref163\"> [163] <\/a>. A <i>quest\u00e3o social se est\u00e1 universalizando e abarca todos os pa\u00edses<\/i>: ao lado da quest\u00e3o oper\u00e1ria e da revolu\u00e7\u00e3o industrial, se delineiam os problemas da agricultura, das \u00e1reas em via de desenvolvimento, do incremento demogr\u00e1fico e os referentes \u00e0 necessidade de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundial. As desigualdades, antes advertidas no interior das na\u00e7\u00f5es, aparecem no \u00e2mbito internacional e fazem emergir cada vez mais a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica em que se encontra o Terceiro Mundo.<\/p><p>Jo\u00e3o XXIII, na Enc\u00edclica \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_xxiii\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_15051961_mater_po.html\">Mater et Magistra<\/a><\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn164\" name=\"_ftnref164\"> [164] <\/a>(1961), \u00abpretende atualizar os documentos j\u00e1 conhecidos e avan\u00e7ar no sentido de comprometer toda a comunidade crist\u00e3\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn165\" name=\"_ftnref165\"> [165] <\/a>. As palavras-chave da enc\u00edclica s\u00e3o <i>comunidade<\/i> e <i>socializa\u00e7\u00e3o<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn166\" name=\"_ftnref166\"> [166] <\/a>: a Igreja \u00e9 chamada, na verdade, na justi\u00e7a e no amor, a colaborar com todos os homens para construir uma aut\u00eantica <i>comunh\u00e3o<\/i>. Por tal via o crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o se limitar\u00e1 a satisfazer as necessidades dos homens, mas poder\u00e1 promover tamb\u00e9m a sua dignidade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>95<\/b> Com a Enc\u00edclica \u00ab <i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_xxiii\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem_po.html\">Pacem in terris<\/a><\/i> \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn167\" name=\"_ftnref167\"> [167] <\/a>, Jo\u00e3o XXIII p\u00f5e de realce o tema da paz, numa \u00e9poca marcada pela prolifera\u00e7\u00e3o nuclear. A \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_xxiii\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem_po.html\">Pacem in terris<\/a><\/i>\u00bb cont\u00e9m, ademais, uma primeira aprofundada reflex\u00e3o da Igreja sobre os direitos; \u00e9 a Enc\u00edclica da paz e da dignidade humana. Ela prossegue e completa o discurso da \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_xxiii\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_15051961_mater_po.html\">Mater et Magistra<\/a><\/i> \u00bb e, na dire\u00e7\u00e3o indicada por Le\u00e3o XIII, sublinha a import\u00e2ncia da colabora\u00e7\u00e3o entre todos: \u00e9 a primeira vez que um documento da Igreja \u00e9 dirigido tamb\u00e9m a \u00ab<i>todas as pessoas de boa vontade<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn168\" name=\"_ftnref168\"> [168] <\/a>, que s\u00e3o chamados a uma \u00abimensa tarefa de recompor as rela\u00e7\u00f5es da conviv\u00eancia na verdade, na justi\u00e7a, no amor, na liberdade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn169\" name=\"_ftnref169\"> [169] <\/a>. A \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_xxiii\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem_po.html\">Pacem in terris<\/a><\/i>\u00bb se det\u00e9m sobre os <i>poderes p\u00fablicos da comunidade mundial<\/i>, chamados a enfrentar \u00abos problemas de conte\u00fado econ\u00f4mico, social, pol\u00edtico ou cultural, (...) da al\u00e7ada do bem comum universal\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn170\" name=\"_ftnref170\"> [170] <\/a>. No d\u00e9cimo anivers\u00e1rio da \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_xxiii\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem_po.html\">Pacem in terris<\/a><\/i>\u00bb, o Cardeal Maurice Roy, Presidente da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz, enviou a Paulo VI uma Carta juntamente com um documento com uma s\u00e9rie de reflex\u00f5es sobre a capacidade do ensinamento da Enc\u00edclica joanina de iluminar os problemas novos relacionados com a promo\u00e7\u00e3o da paz<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn171\" name=\"_ftnref171\"> [171] <\/a>.<\/p><p><b>96<\/b> A Constitui\u00e7\u00e3o pastoral \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn172\" name=\"_ftnref172\"> [172] <\/a>(1965), do Conc\u00edlio Vaticano II, constitui uma significativa resposta da Igreja \u00e0s expectativas do mundo contempor\u00e2neo. Na citada Constitui\u00e7\u00e3o, \u00abem sintonia com a renova\u00e7\u00e3o eclesiol\u00f3gica, se reflete numa nova concep\u00e7\u00e3o de ser comunidade dos crentes e povo de Deus. Ela suscitou, portanto, novo interesse pela doutrina contida nos documentos precedentes acerca do testemunho e da vida dos crist\u00e3os, como caminhos aut\u00eanticos para tornar vis\u00edvel a presen\u00e7a de Deus no mundo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn173\" name=\"_ftnref173\"> [173] <\/a>. A \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/i>\u00bb tra\u00e7a o rosto de uma Igreja \u00abverdadeiramente solid\u00e1ria com o g\u00eanero humano e com a sua hist\u00f3ria\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn174\" name=\"_ftnref174\"> [174] <\/a>, que caminha juntamente com a humanidade inteira e experimenta com o mundo a mesma sorte terrena, mas que ao mesmo tempo \u00ab\u00e9 como que o fermento e a alma da sociedade humana, destinada a ser renovada em Cristo e transformada na fam\u00edlia de Deus\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn175\" name=\"_ftnref175\"> [175] <\/a>.<\/p><p>A \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/i>\u00bb aborda organicamente os temas da cultura, da vida econ\u00f4mico-social, do matrim\u00f4nio e da fam\u00edlia, da comunidade pol\u00edtica, da paz e da comunidade dos povos, \u00e0 luz da vis\u00e3o antropol\u00f3gica crist\u00e3 e da miss\u00e3o da Igreja. Tudo \u00e9 considerado a partir da pessoa e em vista da pessoa: \u00aba \u00fanica criatura que Deus quis por se mesma\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn176\" name=\"_ftnref176\"> [176] <\/a>. A sociedade, as suas estruturas e o seu desenvolvimento n\u00e3o podem ser queridos por si mesmos mas para o \u00abaperfei\u00e7oamento da pessoa humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn177\" name=\"_ftnref177\"> [177] <\/a>. Pela primeira vez o Magist\u00e9rio solene da Igreja, no seu mais alto n\u00edvel, se exprime t\u00e3o amplamente acerca dos diversos aspectos temporais da vida crist\u00e3: \u00abDeve reconhecer-se que a aten\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as sociais, psicol\u00f3gicas, pol\u00edticas, econ\u00f4micas, morais e religiosas estimulou cada vez mais, no \u00faltimo vint\u00eanio, a preocupa\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja pelos problemas dos homens e o di\u00e1logo com o mundo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn178\" name=\"_ftnref178\"> [178] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>97<\/b> Um outro documento do Conc\u00edlio Vaticano II muito importante no \u00ab<i>corpus<\/i>\u00bb da doutrina social da Igreja \u00e9 a declara\u00e7\u00e3o \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decl_19651207_dignitatis-humanae_po.html\">Dignitatis humanae<\/a><\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn179\" name=\"_ftnref179\"> [179] <\/a>(1965), no qual se proclama o <i>direito \u00e0 liberdade religiosa<\/i>. O documento trata o tema em dois cap\u00edtulos. No primeiro, de car\u00e1ter geral, se afirma que o direito \u00e0 liberdade religiosa tem o seu fundamento na dignidade da pessoa humana e afirmam que ele deve ser reconhecido e sancionado como direito civil no ordenamento jur\u00eddico da sociedade. O segundo cap\u00edtulo aborda o tema \u00e0 luz da Revela\u00e7\u00e3o esclarecendo as suas implica\u00e7\u00f5es pastorais, recordando tratar-se de um direito que concerne n\u00e3o somente \u00e0s pessoas individualmente consideradas, ma tamb\u00e9m \u00e0s diversas comunidades.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>98<\/b> \u00abO desenvolvimento \u00e9 o novo nome da paz\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn180\" name=\"_ftnref180\"> [180] <\/a>proclama solenemente Paulo VI na Enc\u00edclica \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/paul_vi\/encyclicals\/documents\/hf_p-vi_enc_26031967_populorum_po.html\">Populorum progressio<\/a><\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn181\" name=\"_ftnref181\"> [181] <\/a>(1967), que pode ser considerada uma amplifica\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo sobre a vida econ\u00f4mico-social da \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/i>\u00bb, com a introdu\u00e7\u00e3o por\u00e9m de algumas novidades significativas. Em particular ela tra\u00e7a as coordenadas de um desenvolvimento integral do homem e de um desenvolvimento solid\u00e1rio da humanidade: \u00abduas tem\u00e1ticas estas que devem considerar-se como eixos \u00e0 volta dos quais se estrutura o tecido da enc\u00edclica. Querendo convencer os destinat\u00e1rios da urg\u00eancia de uma a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, o Papa apresenta o desenvolvimento como \u201ca passagem de condi\u00e7\u00f5es menos humanas a condi\u00e7\u00f5es mais humanas\u201d e especifica as suas caracter\u00edsticas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn182\" name=\"_ftnref182\"> [182] <\/a>. Esta <i>passagem <\/i>n\u00e3o est\u00e1 circunscrita \u00e0s dimens\u00f5es meramente econ\u00f4micas e t\u00e9cnicas, mas implica para cada pessoa a aquisi\u00e7\u00e3o da cultura, o respeito da dignidade dos outros, o reconhecimento \u00abdos valores supremos, e de Deus que \u00e9 a origem e o termo deles \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn183\" name=\"_ftnref183\"> [183] <\/a>. O desenvolvimento favor\u00e1vel todos responde a uma exig\u00eancia de justi\u00e7a em escala mundial que garanta uma paz planet\u00e1ria e torne poss\u00edvel a realiza\u00e7\u00e3o de \u00abum humanismo total\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn184\" name=\"_ftnref184\"> [184] <\/a>, governado pelos valores espirituais.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>99<\/b> Nesta perspectiva, Paulo VI instituiu, em 1967, a Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o \u00ab<i>Justitia et Pax<\/i>\u00bb, realizando um voto dos Padres Conciliares, para os quais \u00e9 \u00abmuito oportuna a cria\u00e7\u00e3o de um organismo da Igreja universal, com o fim de despertar a comunidade dos cat\u00f3licos para que se promovam o progresso das regi\u00f5es indigentes e a justi\u00e7a social entre as na\u00e7\u00f5es\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn185\" name=\"_ftnref185\"> [185] <\/a>. Por iniciativa de Paulo VI, a come\u00e7ar de 1968, a Igreja celebra no primeiro dia do ano o <i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/paul_vi\/messages\/peace\/documents\/hf_p-vi_mes_19671208_i-world-day-for-peace_po.html\">Dia Mundial da Paz<\/a><\/i>. O mesmo Pont\u00edfice d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 feliz tradi\u00e7\u00e3o das Mensagens que se ocupam do tema de cada <i>Dia Mundial da Paz<\/i>, acrescendo assim o \u00ab<i>corpus<\/i>\u00bb da doutrina social.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>100<\/b> No in\u00edcio dos anos Setenta, num clima turbulento de contesta\u00e7\u00e3o fortemente ideol\u00f3gica, Paulo VI retoma a mensagem social de Le\u00e3o XIII e a atualiza, por ocasi\u00e3o do octog\u00e9simo anivers\u00e1rio da \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum novarum<\/a><\/i>\u00bb, com a Carta apost\u00f3lica \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/paul_vi\/apost_letters\/documents\/hf_p-vi_apl_19710514_octogesima-adveniens_po.html\">Octogesima adveniens<\/a><\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn186\" name=\"_ftnref186\"> [186] <\/a>. O Papa reflete sobre a sociedade p\u00f3s-industrial com todos os seus complexos problemas salientando a insufici\u00eancia das ideologias para responder a tais desafios: a urbaniza\u00e7\u00e3o, a condi\u00e7\u00e3o juvenil, a condi\u00e7\u00e3o da mulher, o desemprego, as discrimina\u00e7\u00f5es, a emigra\u00e7\u00e3o, o incremento demogr\u00e1fico, o influxo dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, o ambiente natural.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>101<\/b> Noventa anos depois da \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum novarum<\/a><\/i>\u00bb Jo\u00e3o Paulo II dedica a Enc\u00edclica \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0068\/_INDEX.HTM\">Laborem exercens<\/a><\/i> \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn187\" name=\"_ftnref187\"> [187] <\/a>ao <i>trabalho<\/i>: bem fundamental para a pessoa, fator prim\u00e1rio da atividade econ\u00f4mica e chave de toda a quest\u00e3o social. A \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0068\/_INDEX.HTM\">Laborem exercens<\/a><\/i> \u00bb delineia uma espiritualidade e uma \u00e9tica do trabalho, no contexto de uma profunda reflex\u00e3o teol\u00f3gica e filos\u00f3fica. O trabalho n\u00e3o deve ser entendido somente em sentido objetivo e material, mas h\u00e1 que se levar em conta a sua dimens\u00e3o subjetiva, enquanto atividade que exprime sempre a pessoa. Al\u00e9m de ser o paradigma decisivo da vida social, o trabalho tem toda a dignidade de um \u00e2mbito no qual deve encontrar realiza\u00e7\u00e3o a voca\u00e7\u00e3o natural e sobrenatural da pessoa.<\/p><p><b>102.<\/b> Com a Enc\u00edclica \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0070\/_INDEX.HTM\">Sollicitudo rei socialis<\/a><\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn188\" name=\"_ftnref188\"> [188] <\/a>, Jo\u00e3o Paulo II comemora o vig\u00e9simo anivers\u00e1rio da \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/paul_vi\/encyclicals\/documents\/hf_p-vi_enc_26031967_populorum_po.html\">Populorum progressio<\/a><\/i>\u00bb e aborda novamente o tema do desenvolvimento, para sublinhar dois dados fundamentais: \u00abpor um lado, a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica do mundo contempor\u00e2neo, sob o aspecto do desenvolvimento que falta no Terceiro Mundo, e por outro lado, o sentido, as condi\u00e7\u00f5es e as exig\u00eancias dum desenvolvimento digno do homem\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn189\" name=\"_ftnref189\"> [189] <\/a>. A Enc\u00edclica introduz a, diferen\u00e7a entre progresso e desenvolvimento, e afirma que \u00abo verdadeiro desenvolvimento n\u00e3o pode limitar-se \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o dos bens e dos servi\u00e7os, isto \u00e9, \u00e0quilo que se possui, mas deve contribuir para a plenitude do \u201cser\u201d do homem. Deste modo pretende-se delinear com clareza a natureza moral do verdadeiro desenvolvimento\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn190\" name=\"_ftnref190\"> [190] <\/a>.<b> <\/b>Jo\u00e3o Paulo II, evocando o moto do pontificado de Pio XII, \u00ab<i>Opus iustitiae pax<\/i>\u00bb, a paz como fruto da justi\u00e7a, comenta: \u00abHoje poder-se-ia dizer, com a mesma justeza e com a mesma for\u00e7a de inspira\u00e7\u00e3o b\u00edblica (cf. <i>Is<\/i> 32, 17; <i>Tg<\/i> 3, 18), <i>Opus solidarietatis pax<\/i>, a paz como fruto da solidariedade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn191\" name=\"_ftnref191\"> [191] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>103<\/b> No cent\u00e9simo anivers\u00e1rio da \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum novarum<\/a><\/i>\u00bb, Jo\u00e3o Paulo II promulga a sua terceira enc\u00edclica social, a \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0067\/_INDEX.HTM\">Centesimus annus<\/a><\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn192\" name=\"_ftnref192\"> [192] <\/a>, da qual emerge a continuidade doutrinal de cem anos de Magist\u00e9rio social da Igreja. Retomando um dos princ\u00edpios basilares da concep\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica, que fora o tema central da Enc\u00edclica precedente, o Papa escreve: \u00abo princ\u00edpio, que hoje designamos de solidariedade ... v\u00e1rias vezes Le\u00e3o XIII o enuncia, com o nome \u201camizade\u201d...; desde Pio XI \u00e9 designado pela express\u00e3o mais significativa \u201ccaridade social\u201d, enquanto Paulo VI, ampliando o conceito na linha das m\u00faltiplas dimens\u00f5es atuais da quest\u00e3o social, falava de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn193\" name=\"_ftnref193\"> [193] <\/a>. Jo\u00e3o Paulo II real\u00e7a como o ensinamento social da Igreja corre ao longo do eixo da reciprocidade entre Deus e o homem: reconhecer a Deus em cada homem e cada homem em Deus \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de um aut\u00eantico desenvolvimento humano. A an\u00e1lise articulada e aprofundada das<i> <\/i>\u00ab<i>res nov\u00e6<\/i>\u00bb, e especialmente a grande guinada de 1989, com a derrocada do sistema sovi\u00e9tico, cont\u00e9m um apre\u00e7o pela democracia e pela economia livre, no quadro de uma indispens\u00e1vel solidariedade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<i> <\/i><b><a name=\"\u00c0 luz e sob o impulso do Evangelho\"><\/a>\u00c0 luz e sob o impulso do Evangelho<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>104<\/b> <i>Os documentos aqui evocados constituem as pedras fundamentais do caminho da doutrina social da Igreja dos tempos de Le\u00e3o XIII aos nossos dias<\/i>. Esta resenha sint\u00e9tica alongar-se-ia de muito se se levassem em conta todos os pronunciamentos motivados, mais do que por um tema espec\u00edfico, pela \u00abpreocupa\u00e7\u00e3o pastoral de propor \u00e0 comunidade crist\u00e3 e a todos os homens de boa vontade os princ\u00edpios fundamentais, os crit\u00e9rios universais e as orienta\u00e7\u00f5es id\u00f4neas para sugerir as op\u00e7\u00f5es de fundo e a praxe coerente para cada situa\u00e7\u00e3o concreta\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn194\" name=\"_ftnref194\"> [194] <\/a>.<\/p><p>Na elabora\u00e7\u00e3o e no ensinamento desta doutrina, a Igreja foi e \u00e9 animada por intentos n\u00e3o teor\u00e9ticos, mas pastorais, quando se encontra diante das repercuss\u00f5es das muta\u00e7\u00f5es sociais sobre os seres humanos individualmente tomados, sobre multid\u00f5es de homens e mulheres, sobre a sua mesma dignidade humana, nos contextos em que \u00abse procura uma organiza\u00e7\u00e3o temporal mais perfeita, sem que este progresso seja acompanhado de igual desenvolvimento espiritual\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn195\" name=\"_ftnref195\"> [195] <\/a>. Por estas raz\u00f5es, se constituiu e desenvolveu a doutrina social: \u00abum corpo doutrinal atualizado, que se articula \u00e0 medida em que a Igreja, dispondo da plenitude da Palavra revelada por Cristo Jesus e com a assist\u00eancia do Esp\u00edrito Santo (cf.<i> Jo <\/i>14, 16. 26; 16, 13-15), vai lendo os acontecimentos, enquanto eles se desenrolam no decurso da hist\u00f3ria\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn196\" name=\"_ftnref196\"> [196] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>_______<\/p><div id=\"ftn73\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref73\" name=\"_ftn73\">[73] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, l; <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1025-1026.<\/div><div id=\"ftn74\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref74\" name=\"_ftn74\">[74] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1057-1059; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 53\u00ad-54: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 959-960; Id., Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 513-514.<\/div><div id=\"ftn75\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref75\" name=\"_ftn75\">[75] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 32: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1051.<\/div><div id=\"ftn76\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref76\" name=\"_ftn76\">[76] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 54: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 859.<\/div><div id=\"ftn77\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref77\" name=\"_ftn77\">[77] <\/a>PauloVI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 13: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 263.<\/div><div id=\"ftn78\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref78\" name=\"_ftn78\">[78] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1057-1059.<\/div><div id=\"ftn79\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref79\" name=\"_ftn79\">[79] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor hominis<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 284.<\/div><div id=\"ftn80\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref80\" name=\"_ftn80\">[80] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2419.<\/div><div id=\"ftn81\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref81\" name=\"_ftn81\">[81] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Homilia da Missa de Pentecostes no centen\u00e1rio da \u00abRerum novarum\u00bb<\/i> (19 de Maio de 1991): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 26 de Maio de 1991, pp. 1.7.<\/div><div id=\"ftn82\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref82\" name=\"_ftn82\">[82] <\/a>Cf. Paulo VI, Exort. apost. <i>Evangelii nuntiandi<\/i>, 9; 30: <i>AAS<\/i> 68 (1976) 10-11.25-26; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Terceira Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano<\/i>, Puebla (28 de Janeiro de 1979), III\/4-7: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 4 de Fevereiro de 1979, pp. 11-12; Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 63-64; 80: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 581-582. 590-591.<\/div><div id=\"ftn83\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref83\" name=\"_ftn83\">[83] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor hominis<\/i>, 8: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 270.<\/div><div id=\"ftn84\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref84\" name=\"_ftn84\">[84] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 53.<\/div><div id=\"ftn85\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref85\" name=\"_ftn85\">[85] <\/a>Cf. Paulo VI, Exort. apost. <i>Evangelii nuntiandi<\/i>, 29: <i>AAS<\/i> 68 (1976) 25.<\/div><div id=\"ftn86\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref86\" name=\"_ftn86\">[86] <\/a>Paulo VI, Exort. apost. <i>Evangelii nuntiandi<\/i>, 31: <i>AAS<\/i> 68 (1976) 26.<\/div><div id=\"ftn87\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref87\" name=\"_ftn87\">[87] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 54: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 860.<\/div><div id=\"ftn88\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref88\" name=\"_ftn88\">[88] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 570-572.<\/div><div id=\"ftn89\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref89\" name=\"_ftn89\">[89] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 799.<\/div><div id=\"ftn90\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref90\" name=\"_ftn90\">[90] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 54: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 860.<\/div><div id=\"ftn91\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref91\" name=\"_ftn91\">[91] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2420.<\/div><div id=\"ftn92\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref92\" name=\"_ftn92\">[92] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1060.<\/div><div id=\"ftn93\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref93\" name=\"_ftn93\">[93] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 570-572.<\/div><div id=\"ftn94\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref94\" name=\"_ftn94\">[94] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 54: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 860.<\/div><div id=\"ftn95\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref95\" name=\"_ftn95\">[95] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, <i>Dignitatis human\u00e6<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 940; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 27. 64. 110: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1154-1155. 1183-1184. 1219-1220.<\/div><div id=\"ftn96\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref96\" name=\"_ftn96\">[96] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem ao Secret\u00e1rio Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas por ocasi\u00e3o do trig\u00e9simo anivers\u00e1rio da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem<\/i> (2 de Dezembro de 1978): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 24 de Dezembro de 1978, p. 6.<\/div><div id=\"ftn97\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref97\" name=\"_ftn97\">[97] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 799.<\/div><div id=\"ftn98\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref98\" name=\"_ftn98\">[98] <\/a>Cf. Paulo VI, Exort. apost. <i>Evangelii nuntiandi<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 68 (1976) 28.<\/div><div id=\"ftn99\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref99\" name=\"_ftn99\">[99] <\/a>CIC c\u00e2non 747, \u00a7 2.<\/div><div id=\"ftn100\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref100\" name=\"_ftn100\">[100] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 583-584.<\/div><div id=\"ftn101\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref101\" name=\"_ftn101\">[101] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 571.<\/div><div id=\"ftn102\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref102\" name=\"_ftn102\">[102] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 571.<\/div><div id=\"ftn103\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref103\" name=\"_ftn103\">[103] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 572.<\/div><div id=\"ftn104\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref104\" name=\"_ftn104\">[104] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 59: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 864-865.<\/div><div id=\"ftn105\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref105\" name=\"_ftn105\">[105] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Fides et ratio<\/i>: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 5-88.<\/div><div id=\"ftn106\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref106\" name=\"_ftn106\">[106] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, <i>Dignitatis humanae<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 940.<\/div><div id=\"ftn107\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref107\" name=\"_ftn107\">[107] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 13. 50. 79: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1143-1144. 1173-1174. 1197.<\/div><div id=\"ftn108\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref108\" name=\"_ftn108\">[108] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 59: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 864.<\/div><div id=\"ftn109\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref109\" name=\"_ftn109\">[109] <\/a>\u00c9 significativa, a este prop\u00f3sito, a institui\u00e7\u00e3o da Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias Sociais; no <i>Motu pr\u00f3prio<\/i> de ere\u00e7\u00e3o se l\u00ea: \u00abAs investiga\u00e7\u00f5es das ci\u00eancias sociais podem contribuir, de modo eficaz, para o melhoramento das rela\u00e7\u00f5es humanas, como demonstram os progressos realizados nos diversos setores da conviv\u00eancia, sobretudo no decurso do s\u00e9culo que caminha j\u00e1 para o seu termo. Por este motivo a Igreja, sempre sol\u00edcita do verdadeiro bem do homem, tem-se voltado, com crescente interesse, para esse campo da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, para dele tirar indica\u00e7\u00f5es concretas no cumprimento das suas tarefas de magist\u00e9rio \u00bb: Jo\u00e3o Paulo II, Motu proprio <i>Socialium Scientiarum<\/i> (1\u00ba de Janeiro de 1994): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 29 de Janeiro de 1994, p. 2.<\/div><div id=\"ftn110\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref110\" name=\"_ftn110\">[110] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 54: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 860.<\/div><div id=\"ftn111\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref111\" name=\"_ftn111\">[111] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 59: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 864.<\/div><div id=\"ftn112\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref112\" name=\"_ftn112\">[112] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 12: <i>AAS<\/i> 58 (1965) 16.<\/div><div id=\"ftn113\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref113\" name=\"_ftn113\">[113] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2034.<\/div><div id=\"ftn114\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref114\" name=\"_ftn114\">[114] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 3-5: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 402-405.<\/div><div id=\"ftn115\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref115\" name=\"_ftn115\">[115] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2037.<\/div><div id=\"ftn116\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref116\" name=\"_ftn116\">[116] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Donum veritatis<\/i>, 16-17; 23: <i>AAS<\/i> 82 (1990) 1557-1558.1559-1560.<\/div><div id=\"ftn117\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref117\" name=\"_ftn117\">[117] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 53: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 859.<\/div><div id=\"ftn118\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref118\" name=\"_ftn118\">[118] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 13: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 264.<\/div><div id=\"ftn119\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref119\" name=\"_ftn119\">[119] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 4: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 403-404; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 570-572; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2423; Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 72: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 586.<\/div><div id=\"ftn120\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref120\" name=\"_ftn120\">[120] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 25: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1045-1046.<\/div><div id=\"ftn121\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref121\" name=\"_ftn121\">[121] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 76: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1099-1100; Pio XII, <i>Radiomensagem em comemora\u00e7\u00e3o do 50\u00b0 anivers\u00e1rio da<\/i> \u00ab <i>Rerum novarum<\/i>\u00bb: <i>AAS<\/i> 33 (1941) 196-197.<\/div><div id=\"ftn122\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref122\" name=\"_ftn122\">[122] <\/a>Cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 190; Pio XII, <i>Radiomensagem em comemora\u00e7\u00e3o do 50\u00b0 anivers\u00e1rio da<\/i> \u00ab <i>Rerum novarum<\/i>\u00bb: <i>AAS<\/i> 33 (1941) 196-197; Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1079; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 570-572; Id., Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 53: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 859; Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 72: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 585-586.<\/div><div id=\"ftn123\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref123\" name=\"_ftn123\">[123] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor hominis<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 284; cf. Id., <i>Discurso \u00e0 Terceira Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano<\/i>, Puebla (28 de Janeiro de 1979), III\/2: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 4 de Fevereiro de 1979, p. 11.<\/div><div id=\"ftn124\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref124\" name=\"_ftn124\">[124] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 278.<\/div><div id=\"ftn125\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref125\" name=\"_ftn125\">[125] <\/a>Paulo VI, Exort. apost. <i>Evangelii nuntiandi<\/i>, 9: <i>AAS<\/i> 68 (1976) 10.<\/div><div id=\"ftn126\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref126\" name=\"_ftn126\">[126] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 278.<\/div><div id=\"ftn127\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref127\" name=\"_ftn127\">[127] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2039.<\/div><div id=\"ftn128\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref128\" name=\"_ftn128\">[128] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2442.<\/div><div id=\"ftn129\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref129\" name=\"_ftn129\">[129] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles<\/i> <i>laici<\/i>, 15: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 413; Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 31: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 37.<\/div><div id=\"ftn130\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref130\" name=\"_ftn130\">[130] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 43: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1061-1064; Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 81: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 296-297.<\/div><div id=\"ftn131\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref131\" name=\"_ftn131\">[131] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>, 204: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 453.<\/div><div id=\"ftn132\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref132\" name=\"_ftn132\">[132] <\/a>A partir da Enc\u00edclica <i>Pacem in terris<\/i> de Jo\u00e3o XXIII tal destina\u00e7\u00e3o \u00e8 expressa na sauda\u00e7\u00e3o inicial de todo documento.<\/div><div id=\"ftn133\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref133\" name=\"_ftn133\">[133] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 515; Pio XII, <i>Discurso aos participantes da Conven\u00e7\u00e3o da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica <\/i>(29 de Abril de 1945): <i>Discorsi e Radiomessaggi di Pio XII<\/i>, VII, 37-38; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Simp\u00f3sio Internacional <\/i>\u00ab <i>Dalla Rerum novarum alla Laborem exercens<\/i>: <i>verso l\u2019anno 2000<\/i>\u00bb (3 de Abril de 1982): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 11 de Abril de 1982, p. 6.<\/div><div id=\"ftn134\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref134\" name=\"_ftn134\">[134] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 515.<\/div><div id=\"ftn135\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref135\" name=\"_ftn135\">[135] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 72: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 585-586.<\/div><div id=\"ftn136\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref136\" name=\"_ftn136\">[136] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 515.<\/div><div id=\"ftn137\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref137\" name=\"_ftn137\">[137] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimusannus<\/i>, 46: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 850-851.<\/div><div id=\"ftn138\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref138\" name=\"_ftn138\">[138] <\/a>Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 431.<\/div><div id=\"ftn139\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref139\" name=\"_ftn139\">[139] <\/a>Cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 179; Pio XII, na <i>Radiomensagem em comemora\u00e7\u00e3o do 50\u00b0 anivers\u00e1rio da<\/i> \u00ab <i>Rerum novarum<\/i>\u00bb: <i>AAS<\/i> 33 (1941) 197, fala de \u00abdoutrina social cat\u00f3lica\u00bb, e na Exort. apost. <i>Menti nostrae<\/i>, de 23 de Setembro de 1950: <i>AAS<\/i> 42 (1950) 657, de \u00abdoutrina social da Igreja\u00bb. Jo\u00e3o XXIII conserva as express\u00f5es \u00abdoutrina social da Igreja\u00bb (Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 [1961] 453; Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 [1963] 300-301) ou ainda \u00abdoutrina social crist\u00e3\u00bb (Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 [1961] 453), ou \u00abdoutrina social cat\u00f3lica\u00bb (Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 [1961] 454).<\/div><div id=\"ftn140\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref140\" name=\"_ftn140\">[140] <\/a>Cf. Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 97-144.<\/div><div id=\"ftn141\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref141\" name=\"_ftn141\">[141] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 583-584; Id., Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 513-514.<\/div><div id=\"ftn142\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref142\" name=\"_ftn142\">[142] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2421.<\/div><div id=\"ftn143\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref143\" name=\"_ftn143\">[143] <\/a>Cf. Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 97-144.<\/div><div id=\"ftn144\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref144\" name=\"_ftn144\">[144] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 20: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 24.<\/div><div id=\"ftn145\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref145\" name=\"_ftn145\">[145] <\/a>Cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo<\/i> <i>anno<\/i>, 39: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 189; Pio XII, <i>Radiomensagem em comemora\u00e7\u00e3o do 50\u00b0 anivers\u00e1rio da<\/i> \u00ab <i>Rerum novarum<\/i>\u00bb: <i>AAS<\/i> 33 (1941) 198.<\/div><div id=\"ftn146\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref146\" name=\"_ftn146\">[146] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 799.<\/div><div id=\"ftn147\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref147\" name=\"_ftn147\">[147] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 799.<\/div><div id=\"ftn148\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref148\" name=\"_ftn148\">[148] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 56: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 862.<\/div><div id=\"ftn149\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref149\" name=\"_ftn149\">[149] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 60: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 865.<\/div><div id=\"ftn150\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref150\" name=\"_ftn150\">[150] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 60: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 865.<\/div><div id=\"ftn151\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref151\" name=\"_ftn151\">[151] <\/a>Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 143. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 56: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 862.<\/div><div id=\"ftn152\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref152\" name=\"_ftn152\">[152] <\/a>Cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>, 9: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 177-228.<\/div><div id=\"ftn153\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref153\" name=\"_ftn153\">[153] <\/a>Cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimoanno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 186-189.<\/div><div id=\"ftn154\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref154\" name=\"_ftn154\">[154] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 21: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 24.<\/div><div id=\"ftn155\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref155\" name=\"_ftn155\">[155] <\/a>Cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Non abbiamo bisogno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 285-312.<\/div><div id=\"ftn156\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref156\" name=\"_ftn156\">[156] <\/a>Texto oficial (em alem\u00e3o): <i>AAS<\/i> 29 (1937) 145-167.<\/div><div id=\"ftn157\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref157\" name=\"_ftn157\">[157] <\/a>Pio XI, <i>Discurso aos jornalistas belgas da r\u00e1dio<\/i> (6 de Setembro de 1938), in Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos dirigentes da \u201cAnti-Defamation League of B\u2019nai B\u2019rith\u201d <\/i>(22 de Mar\u00e7o de 1984): <i>Insegnamenti di Giovanni Paolo II<\/i>, VII, 1 (1984) 740-742.<\/div><div id=\"ftn158\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref158\" name=\"_ftn158\">[158] <\/a>Texto oficial (em latim): <i>AAS<\/i> 29 (1937), 4, 65-106.<\/div><div id=\"ftn159\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref159\" name=\"_ftn159\">[159] <\/a>Cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Divini Redemptoris<\/i>, 58: <i>AAS<\/i> 29 (1937) 130.<\/div><div id=\"ftn160\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref160\" name=\"_ftn160\">[160] <\/a>Cf. Pio XII, <i>Radiomensagens natalinas<\/i>: sobre a paz e a ordem internacional, dos anos 1939: <i>AAS<\/i> 32 (1940) 5-13; 1940: <i>AAS<\/i> 33 (1941) 5-14; 1941: <i>AAS<\/i> 34 (1942) 10-21; 1945: <i>AAS <\/i>38 (1946) 15-25; 1946: <i>AAS<\/i> 39 (1947) 7-17; 1948: <i>AAS<\/i> 41 (1949) 8-16; 1950: <i>AAS<\/i> 43 (1951) 49-59; 1951: <i>AAS<\/i> 44 (1952) 5-15; 1954: <i>AAS<\/i> 47 (1955) 15-28; 1955: <i>AAS<\/i> 48 (1956) 26-41; sobre a ordem interna das na\u00e7\u00f5es de 1942: <i>AAS<\/i> 35 (1943) 9-24; sobre a democracia de 1944: <i>AAS<\/i> 37 (1945) 10-23; sobre a fun\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de 1\u00b0 de Setembro de 1944: <i>AAS<\/i> 36 (1944) 249-258; sobre o retorno a Deus na generosidade e na fraternidade, de 1947: <i>AAS<\/i> 40 (1948) 8-16; sobre o ano do grande retorno e do grande perd\u00e3o, de 1949: <i>AAS<\/i> 42 (1950) 121-133; sobre a despersonaliza\u00e7\u00e3o do homem de 1952: <i>AAS<\/i> 45 (1953) 33-46; sobre o papel do progresso t\u00e9cnico e a paz dos povos, de 1953: <i>AAS<\/i> 46 (1954) 5-16.<\/div><div id=\"ftn161\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref161\" name=\"_ftn161\">[161] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 22: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 25.<\/div><div id=\"ftn162\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref162\" name=\"_ftn162\">[162] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 22: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 25.<\/div><div id=\"ftn163\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref163\" name=\"_ftn163\">[163] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 267-269. 278-279. 291. 295-296.<\/div><div id=\"ftn164\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref164\" name=\"_ftn164\">[164] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i> (15 de Maio de 1961): <i>AAS<\/i> 53 (1961) 401-464.<\/div><div id=\"ftn165\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref165\" name=\"_ftn165\">[165] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 23: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 26.<\/div><div id=\"ftn166\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref166\" name=\"_ftn166\">[166] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>, 45-55: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 415-418.<\/div><div id=\"ftn167\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref167\" name=\"_ftn167\">[167] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 257-304.<\/div><div id=\"ftn168\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref168\" name=\"_ftn168\">[168] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>, Cabe\u00e7alho: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 257.<\/div><div id=\"ftn169\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref169\" name=\"_ftn169\">[169] <\/a>Jo\u00e3o XXIII Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 301.<\/div><div id=\"ftn170\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref170\" name=\"_ftn170\">[170] <\/a>Jo\u00e3oXXIII Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 294.<\/div><div id=\"ftn171\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref171\" name=\"_ftn171\">[171] <\/a>Cf. Roy Card. Maurice, <i>Carta a Paulo VI e Documento por ocasi\u00e3o do d\u00e9cimo anivers\u00e1rio da <\/i>\u00ab <i>Pacem in terris<\/i>\u00bb: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, 11 de Abril de 1973, pp. 3-6.<\/div><div id=\"ftn172\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref172\" name=\"_ftn172\">[172] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1025-1120.<\/div><div id=\"ftn173\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref173\" name=\"_ftn173\">[173] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 24: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 27.<\/div><div id=\"ftn174\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref174\" name=\"_ftn174\">[174] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1026.<\/div><div id=\"ftn175\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref175\" name=\"_ftn175\">[175] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1058.<\/div><div id=\"ftn176\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref176\" name=\"_ftn176\">[176] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 24: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1045.<\/div><div id=\"ftn177\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref177\" name=\"_ftn177\">[177] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 25: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1045.<\/div><div id=\"ftn178\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref178\" name=\"_ftn178\">[178] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 25: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 29.<\/div><div id=\"ftn179\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref179\" name=\"_ftn179\">[179] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Dignitatis human\u00e6<\/i>: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 929-946.<\/div><div id=\"ftn180\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref180\" name=\"_ftn180\">[180] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 76-80: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 294-296.<\/div><div id=\"ftn181\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref181\" name=\"_ftn181\">[181] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 257-299.<\/div><div id=\"ftn182\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref182\" name=\"_ftn182\">[182] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 25: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 28-29.<\/div><div id=\"ftn183\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref183\" name=\"_ftn183\">[183] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 20-21: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 267.<\/div><div id=\"ftn184\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref184\" name=\"_ftn184\">[184] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 278.<\/div><div id=\"ftn185\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref185\" name=\"_ftn185\">[185] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 90 c: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1112.<\/div><div id=\"ftn186\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref186\" name=\"_ftn186\">[186] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost., <i>Octogesima adveniens<\/i> (14 de Maio de 1971): <i>AAS<\/i> 63 (1971), 401-441.<\/div><div id=\"ftn187\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref187\" name=\"_ftn187\">[187] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i> (14 de Setembro de 1981): <i>AAS<\/i> 73 (1981) 577-647.<\/div><div id=\"ftn188\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref188\" name=\"_ftn188\">[188] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i> (30 de Dezembro de 1987): <i>AAS<\/i> 80 (1988) 513-586.<\/div><div id=\"ftn189\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref189\" name=\"_ftn189\">[189] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 26: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 30.<\/div><div id=\"ftn190\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref190\" name=\"_ftn190\">[190] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 26: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 30.<\/div><div id=\"ftn191\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref191\" name=\"_ftn191\">[191] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 39: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 568.<\/div><div id=\"ftn192\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref192\" name=\"_ftn192\">[192] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 793-867.<\/div><div id=\"ftn193\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref193\" name=\"_ftn193\">[193] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 805.<\/div><div id=\"ftn194\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref194\" name=\"_ftn194\">[194] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 27: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 33.<\/div><div id=\"ftn195\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref195\" name=\"_ftn195\">[195] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 4: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1028.<\/div><div id=\"ftn196\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref196\" name=\"_ftn196\">[196] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 514; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2422.<\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1242\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1242\" aria-controls=\"collapse1242\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CAP\u00cdTULO III - A PESSOA E OS SEUS DIREITOS<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1242\" data-parent=\"#sp-ea-124\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1242\"> <div class=\"ea-body\"><p align=\"center\"><b><span style=\"color: #663300\"><a name=\"I. DOUTRINA SOCIAL E PRINC\u00cdPIO PERSONALISTA\"><\/a>I. DOUTRINA SOCIAL E PRINC\u00cdPIO PERSONALISTA<\/span><\/b><\/p><p><b>105<\/b> <i>A Igreja v\u00ea no homem, em cada homem, a imagem do pr\u00f3prio Deus vivo; imagem que encontra e \u00e9 chamada a encontrar sempre mais profundamente plena explica\u00e7\u00e3o de si no mist\u00e9rio de Cristo, Imagem perfeita de Deus, revelador de Deus ao homem e do homem a si mesmo<\/i>. A este homem, que recebeu do pr\u00f3prio Deus uma incompar\u00e1vel e inalien\u00e1vel dignidade, a Igreja se volta e lhe rende o servi\u00e7o mais alto e singular, chamando-o constantemente \u00e0 sua alt\u00edssima voca\u00e7\u00e3o, para que dela seja cada vez mais consciente e digno. Cristo, o Filho de Deus, \u00abcom a Sua encarna\u00e7\u00e3o, num certo sentido, se uniu a cada homem\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn197\" name=\"_ftnref197\"> [197] <\/a>; por isso a Igreja reconhece como sua tarefa fundamental fazer com que tal uni\u00e3o se possa continuamente atuar e renovar. Em Cristo Senhor, a Igreja indica e entende, ela mesma por primeiro, percorrer a via do homem<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn198\" name=\"_ftnref198\"> [198] <\/a>, que convida a reconhecer em toda e qualquer pessoa, pr\u00f3xima ou distante, conhecido ou desconhecido, e sobretudo no pobre e em quem sofre, um irm\u00e3o \u00abpelo qual Cristo morreu\u00bb (1 <i>Cor <\/i>8,11; <i>Rm <\/i>14, 15)<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn199\" name=\"_ftnref199\"> [199] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>106<\/b> <i>Toda a vida social \u00e9 express\u00e3o do seu inconfund\u00edvel protagonista: a pessoa humana.<\/i> De tal fato a Igreja sempre soube, ami\u00fade e de muitos modos, fazer-se int\u00e9rprete autorizada, reconhecendo e afirmando a centralidade da pessoa humana em todo \u00e2mbito e manifesta\u00e7\u00e3o da sociabilidade: \u00abA sociedade humana \u00e9 objeto da doutrina social da Igreja, visto que ela n\u00e3o se encontra nem fora nem acima dos homens socialmente unidos, mas existe exclusivamente neles e, portanto, para eles\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn200\" name=\"_ftnref200\"> [200] <\/a>. Este importante reconhecimento encontra express\u00e3o na afirma\u00e7\u00e3o de que \u00ablonge de ser o objeto e o elemento passivo da vida social\u00bb, o homem, pelo contr\u00e1rio, \u00ab\u00e9, e dela deve ser e permanecer, o sujeito, o fundamento e o fim\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn201\" name=\"_ftnref201\"> [201] <\/a>. Nele, portanto, tem origem a vida social, a qual n\u00e3o pode renunciar a reconhec\u00ea-lo seu sujeito ativo e respons\u00e1vel e a ele deve ser finalizada toda e qualquer modalidade expressiva da sociedade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>107<\/b> <i>O homem, tomado na sua concretude hist\u00f3rica, representa o cora\u00e7\u00e3o e a alma do ensinamento social cat\u00f3lico<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn202\" name=\"_ftnref202\"> [202] <\/a>. <i>Toda a doutrina social se desenvolve, efetivamente, a partir do princ\u00edpio que afirma a intang\u00edvel dignidade da pessoa humana<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn203\" name=\"_ftnref203\"> [203] <\/a>. Mediante as mult\u00edplices express\u00f5es dessa consci\u00eancia, a Igreja entendeu, antes de tudo, tutelar a dignidade humana perante toda tentativa de repropor imagens redutivas e distorcidas; ademais, ela tem repetidas vezes denunciado as muitas viola\u00e7\u00f5es de tal dignidade. A hist\u00f3ria atesta que da trama das rela\u00e7\u00f5es sociais emergem algumas dentre as mais amplas possibilidades de eleva\u00e7\u00e3o do homem, mas a\u00ed se aninham tamb\u00e9m as mais execr\u00e1veis desconsidera\u00e7\u00f5es da sua dignidade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><h4 align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>II. A PESSOA HUMANA \u00abIMAGO DEI\u00bb<\/b><\/span><\/h4><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"Criatura \u00e0 imagem de Deus\"><\/a>Criatura \u00e0 imagem de Deus<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>108.<\/b> <i>A mensagem fundamental da Sagrada Escritura anuncia que a pessoa humana \u00e9 criatura de Deus <\/i>(cf. <i>Sal<\/i> 139, 14-18) <i>e identifica o elemento que a caracteriza e distingue no seu ser \u00e0 imagem de Deus<\/i>: \u00abDeus criou o homem \u00e0 sua imagem; criou-o \u00e0 imagem de Deus, criou o homem e a mulher\u00bb (<i>G\u00ean<\/i> 1, 27). Deus p\u00f5e a criatura humana no centro e no v\u00e9rtice da cria\u00e7\u00e3o: no homem (em hebraico \u00ab<i>Adam<\/i>\u00bb), plasmado com a terra (\u00ab<i>adamah<\/i>\u00bb), Deus insufla-lhe pelas narinas o h\u00e1lito da vida (cf. <i>G\u00ean<\/i> 2, 7). Portanto, \u00abpor ser \u00e0 imagem de Deus, o indiv\u00edduo humano tem a dignidade de <i>pessoa<\/i>: ele n\u00e3o \u00e9 apenas uma coisa, mas algu\u00e9m. \u00c9 capaz de conhecer-se, de possuir-se e de doar-se livremente e entrar em comunh\u00e3o com outras pessoas, e \u00e9 chamado, por gra\u00e7a, a uma alian\u00e7a com o seu Criador, a oferecer-lhe uma resposta de f\u00e9 e de amor que ningu\u00e9m mais pode dar em seu lugar\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn204\" name=\"_ftnref204\"> [204] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>109<\/b> <i>A semelhan\u00e7a com Deus p\u00f5e em luz o fato de que a ess\u00eancia e a exist\u00eancia do homem s\u00e3o constitucionalmente relacionadas com Deus do modo mais profundo<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn205\" name=\"_ftnref205\"> [205] <\/a>. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o que existe por si mesma, n\u00e3o come\u00e7a, por assim dizer, num segundo momento e n\u00e3o se acrescenta a partir de fora. Toda a vida do homem \u00e9 uma pergunta e uma busca de Deus. Esta rela\u00e7\u00e3o com Deus pode ser tanto ignorada como esquecida ou removida, mas nunca pode ser eliminada. Dentre todas as criaturas, com efeito, somente o homem \u00e9 \u00ab\u201ccapaz\u201dde Deus\u00bb (\u00ab<i>homo est Dei capax<\/i> \u00bb)<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn206\" name=\"_ftnref206\"> [206] <\/a>. O ser humano \u00e9 um ser pessoal criado por Deus para a rela\u00e7\u00e3o com Ele, que somente na rela\u00e7\u00e3o pode viver e exprimir-se e que tende naturalmente a Ele<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn207\" name=\"_ftnref207\"> [207] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>110<\/b> <i>A rela\u00e7\u00e3o entre Deus e o homem reflete-se na dimens\u00e3o relacional e social da natureza humana<\/i>. O homem, com efeito, n\u00e3o \u00e9 um ser solit\u00e1rio, mas \u00abpor sua natureza \u00edntima um ser social\u00bb e \u00absem rela\u00e7\u00f5es com os outros n\u00e3o pode nem viver nem desenvolver seus dotes\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn208\" name=\"_ftnref208\"> [208] <\/a>. Em rela\u00e7\u00e3o a isso \u00e9 muito significativo o fato de que Deus criou <i>o ser humano como homem e mulher<\/i> (cf. <i>Gn <\/i>1, 27)<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn209\" name=\"_ftnref209\"> [209] <\/a>. Muito eloq\u00fcente \u00e9, efetivamente, \u00abaquela insatisfa\u00e7\u00e3o que se apodera da vida do homem no \u00c9den, quando lhe resta como \u00fanica refer\u00eancia o mundo vegetal e animal (cf. <i>Gn <\/i>2, 20). Somente a apari\u00e7\u00e3o da mulher, isto \u00e9, de um ser que \u00e9 carne da sua carne e osso dos seus ossos (cf. <i>Gn <\/i>2, 23) e no qual vive igualmente o esp\u00edrito de Deus Criador, pode satisfazer a exig\u00eancia de di\u00e1logo interpessoal, t\u00e3o vital para a exist\u00eancia humana. No outro, homem ou mulher, reflete-Se o pr\u00f3prio Deus, abrigo definitivo e plenamente feliz de toda a pessoa\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn210\" name=\"_ftnref210\"> [210] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>111<\/b> <i>O homem e a mulher t\u00eam a mesma dignidade e s\u00e3o de igual n\u00edvel e valor<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn211\" name=\"_ftnref211\"> [211] <\/a>, <i>n\u00e3o s\u00f3 porque ambos, na sua diversidade, s\u00e3o imagem de Deus, mas ainda mais profundamente porque \u00e9 imagem de Deus o dinamismo de reciprocidade que anima o n\u00f3s do casal humano<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn212\" name=\"_ftnref212\"> [212] <\/a>. Na rela\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o rec\u00edproca, homem e mulher realizam-se a si pr\u00f3prios profundamente, redescobrindo-se como pessoas atrav\u00e9s do dom sincero de si<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn213\" name=\"_ftnref213\"> [213] <\/a>. Seu pacto de uni\u00e3o \u00e9 apresentado nas Sagradas Escrituras como uma imagem do Pacto de Deus com os homens (cf. <i>Os<\/i> 1-3; <i>Is<\/i> 54; <i>Ef <\/i>5, 21-33) e, ao mesmo tempo, como um servi\u00e7o \u00e0 vida<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn214\" name=\"_ftnref214\"> [214] <\/a>. O casal humano pode participar, assim, da criatividade de Deus: \u00abDeus os aben\u00e7oou: \u201cFrutificai, disse Ele, e multiplicai-vos, enchei a terra\u201d\u00bb (<i>G\u00ean<\/i> 1, 28).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>112 <\/b><i>O homem e a mulher est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o com os outros antes de tudo como guardi\u00e3es de sua vida<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn215\" name=\"_ftnref215\"> [215] <\/a>. \u00ab E ao homem pedirei conta da alma do homem, seu irm\u00e3o \u00bb (<i>Gn <\/i>9, 5), reafirma Deus a No\u00e9 ap\u00f3s o dil\u00favio. Nesta perspectiva, a rela\u00e7\u00e3o com Deus exige que se considere <i>a vida do homem sagrada e inviol\u00e1vel<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn216\" name=\"_ftnref216\"> [216] <\/a><i>. <\/i>O quinto mandamento \u00abN\u00e3o matar\u00e1s\u00bb (<i>Ex<\/i> 20, 13; <i>Dt<\/i> 5, 17) tem valor porque s\u00f3 Deus \u00e9 Senhor da vida e da morte<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn217\" name=\"_ftnref217\"> [217] <\/a>. O respeito que se deve \u00e0 inviolabilidade e \u00e0 integridade da vida f\u00edsica tem o seu cume no mandamento positivo: \u00abAmar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo \u00bb (<i>Lv<\/i> 19, 18), com que Jesus Cristo obriga a responsabilizar-se pelo pr\u00f3ximo (cf. <i>Mt<\/i> 22, 37-40; <i>Mc<\/i> 12, 29-31; <i>Lc<\/i> 10, 27-28).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>113<\/b> <i>Com esta particular voca\u00e7\u00e3o para a vida, o homem e a mulher se encontram tamb\u00e9m diante de todas as outras criaturas<\/i>. <i>Eles podem e devem submet\u00ea-los ao pr\u00f3prio servi\u00e7o e usufruir delas, mas o seu senhorio sobre o mundo exige o exerc\u00edcio da responsabilidade, n\u00e3o \u00e9 uma liberdade de desfrute arbitr\u00e1rio e ego\u00edstico<\/i>. Toda a cria\u00e7\u00e3o, na verdade, tem o valor de \u00abcoisa boa \u00bb (cf. <i>G\u00ean<\/i> 1, 10.12.18.21.25) aos olhos de Deus, que \u00e9 o seu Autor. O homem deve descobrir e respeitar este valor: \u00e9 este um desafio maravilhoso \u00e0 sua intelig\u00eancia, que o deve elevar como uma asa<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn218\" name=\"_ftnref218\"> [218] <\/a>rumo \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o da verdade de todas as suas criaturas, ou seja, daquilo que Deus viu de bom nelas. O Livro da <i>G\u00eanese<\/i> ensina, efetivamente, que o dom\u00ednio do homem sobre o mundo consiste em dar nome \u00e0s coisas (cf. <i>Gn <\/i>2, 19-20): com a denomina\u00e7\u00e3o o homem deve reconhecer as coisas por aquilo que s\u00e3o e estabelecer com cada uma delas uma rela\u00e7\u00e3o de responsabilidade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn219\" name=\"_ftnref219\"> [219] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>114<\/b> <i>O homem est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m consigo mesmo e pode refletir sobre si pr\u00f3prio<\/i>. As Sagradas Escrituras falam, nesse sentido, do <i>cora\u00e7\u00e3o do homem<\/i>. O cora\u00e7\u00e3o designa precisamente a interioridade espiritual do homem, ou seja, aquilo que o distingue de todas as outras criaturas: com efeito, \u00abtodas as coisas que Deus fez s\u00e3o boas, a seu tempo. Ele p\u00f4s, al\u00e9m disso, no seu cora\u00e7\u00e3o [dos homens], a dura\u00e7\u00e3o inteira, sem que ningu\u00e9m possa compreender a obra divina de um extremo ao outro\u00bb (<i>Ecl<\/i> 3, 11). O cora\u00e7\u00e3o indica, ao fim e ao cabo, as faculdades espirituais mais pr\u00f3prias do homem, que s\u00e3o suas prerrogativas, enquanto criado \u00e0 imagem do seu Criador: a raz\u00e3o, o discernimento do bem e do mal, a vontade livre<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn220\" name=\"_ftnref220\"> [220] <\/a>. Quando escuta a aspira\u00e7\u00e3o profunda do seu cora\u00e7\u00e3o, o homem n\u00e3o pode deixar de fazer pr\u00f3prias as palavras de Santo Agostinho: \u00ab Criastes-nos para V\u00f3s, Senhor, e o nosso cora\u00e7\u00e3o vive inquieto enquanto n\u00e3o repousa em V\u00f3s \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn221\" name=\"_ftnref221\"> [221] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<i> <\/i><b><a name=\"O drama do pecado\"><\/a>O drama do pecado<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>115 <\/b><i>A admir\u00e1vel vis\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o do homem por parte de Deus \u00e9 incind\u00edvel do quadro dram\u00e1tico do pecado das origens<\/i>. Com uma afirma\u00e7\u00e3o lapidar o ap\u00f3stolo Paulo sintetiza a narra\u00e7\u00e3o da queda do homem contida nas primeiras p\u00e1ginas da B\u00edblia: \u00abpor um s\u00f3 homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte\u00bb (<i>Rom<\/i> 5, 12). O homem, contra a proibi\u00e7\u00e3o de Deus, se deixa seduzir pela serpente e deita a m\u00e3o \u00e0 \u00e1rvore da vida caindo em poder da morte. Com esse gesto o homem tenta for\u00e7ar o seu limite de criatura, desafiando Deus, \u00fanico Senhor do homem e fonte da vida. Um pecado de desobedi\u00eancia (cf.<i> Rm <\/i>5, 19) que separa o homem de Deus<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn222\" name=\"_ftnref222\"> [222] <\/a>.<\/p><p><i>Da Revela\u00e7\u00e3o sabemos que Ad\u00e3o, o primeiro homem, com a transgress\u00e3o do mandamento de Deus, perde a santidade e a justi\u00e7a em que estava constitu\u00eddo, recebidas n\u00e3o somente para si, mas para toda a humanidade<\/i>: \u00ab ao ceder ao Tentador, Ad\u00e3o e Eva cometem um pecado pessoal, mas este pecado afeta a natureza humana, que v\u00e3o transmitir em um estado deca\u00eddo. \u00c9 um pecado que ser\u00e1 transmitido por propaga\u00e7\u00e3o \u00e0 humanidade inteira, isto \u00e9, pela transmiss\u00e3o de uma natureza humana privada da santidade e da justi\u00e7a originais\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn223\" name=\"_ftnref223\"> [223] <\/a>.<\/p><p><b>116<\/b> <i>Na raiz das lacera\u00e7\u00f5es pessoais e sociais, que ofendem em v\u00e1ria medida o valor e a dignidade da pessoa humana, encontra-se uma ferida no \u00edntimo do homem<\/i>: \u00ab\u00c0 luz da f\u00e9 chamamos-lhe pecado, come\u00e7ando pelo pecado original, que cada um traz consigo desde o nascimento, como uma heran\u00e7a recebida dos primeiros pais, at\u00e9 aos pecados que cada um comete, abusando da pr\u00f3pria liberdade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn224\" name=\"_ftnref224\"> [224] <\/a>. A conseq\u00fc\u00eancia do pecado, enquanto ato de separa\u00e7\u00e3o de Deus, \u00e9 precisamente a aliena\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, a ruptura do homem n\u00e3o s\u00f3 com Deus, como tamb\u00e9m consigo mesmo, com os demais homens e com o mundo circunstante: \u00aba ruptura com Deus desemboca dramaticamente na divis\u00e3o entre os irm\u00e3os. Na descri\u00e7\u00e3o do \u201cprimeiro pecado\u201d, a ruptura com Jav\u00e9 espeda\u00e7ou, ao mesmo tempo, o fio da amizade que unia a fam\u00edlia humana; tanto assim que as p\u00e1ginas do G\u00eanesis que se seguem nos mostram o homem e a mulher, como que a apontarem com o dedo acusador um contra o outro; depois o irm\u00e3o que, hostil ao irm\u00e3o, acaba por tirar-lhe a vida. Segundo a narra\u00e7\u00e3o dos fatos de Babel, a conseq\u00fc\u00eancia do pecado \u00e9 a desagrega\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia humana, que j\u00e1 come\u00e7ara com o primeiro pecado e agora chega ao extremo na sua forma social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn225\" name=\"_ftnref225\"> [225] <\/a>. Refletindo sobre o mist\u00e9rio do pecado n\u00e3o se pode deixar de considerar esta tr\u00e1gica concatena\u00e7\u00e3o de causa e de efeito.<\/p><p><b>117<\/b> <i>O mist\u00e9rio do pecado se comp\u00f5e de uma d\u00faplice ferida, que o pecador abre no seu pr\u00f3prio flanco e na rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3ximo. Por isso se pode falar de pecado pessoal e social<\/i>: todo o pecado \u00e9 pessoal sob um aspecto; sob um outro aspecto, todo o pecado \u00e9 social, enquanto e porque tem tamb\u00e9m conseq\u00fc\u00eancias sociais. O pecado, em sentido verdadeiro e pr\u00f3prio, \u00e9 sempre um ato da pessoa, porque \u00e9 um ato de liberdade de um homem, individualmente considerado, e n\u00e3o propriamente de um grupo ou de uma comunidade, mas a cada pecado se pode atribuir indiscutivelmente o car\u00e1ter de pecado social, tendo em conta o fato de que \u00abem virtude de uma solidariedade humana t\u00e3o misteriosa e impercept\u00edvel quanto real e concreta, o pecado de cada um se repercute, de algum modo, sobre os outros\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn226\" name=\"_ftnref226\"> [226] <\/a>. N\u00e3o \u00e9 todavia leg\u00edtima e aceit\u00e1vel uma acep\u00e7\u00e3o do pecado social que, mais ou menos inconscientemente, leve a diluir e quase a eliminar a sua componente pessoal, para admitir somente as culpas e responsabilidades sociais. No fundo de cada situa\u00e7\u00e3o de pecado encontra-se sempre a pessoa que peca.<\/p><p><b>118<\/b> <i>Alguns pecados, ademais, constituem, pelo pr\u00f3prio objeto, uma agress\u00e3o direta ao pr\u00f3ximo. Tais pecados, em particular, se qualificam como pecados sociais<\/i>. \u00c9 igualmente social todo o pecado cometido contra a justi\u00e7a, quer nas rela\u00e7\u00f5es de pessoa a pessoa, quer nas da pessoa com a comunidade, quer, ainda, nas da comunidade com a pessoa. \u00c9 social todo o pecado contra os direitos da pessoa humana, a come\u00e7ar pelo direito \u00e0 vida, incluindo a do nascituro, ou contra a integridade f\u00edsica de algu\u00e9m; todo o pecado contra a liberdade de outrem, especialmente contra a suprema liberdade de crer em Deus e de ador\u00e1-l\u2019O; todo o pecado contra a dignidade e a honra do pr\u00f3ximo. Social \u00e9 todo o pecado contra o bem comum e contra as suas exig\u00eancias, em toda a ampla esfera dos direitos e dos deveres dos cidad\u00e3os. Enfim, \u00e9 social aquele pecado que \u00abdiz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre as v\u00e1rias comunidades humanas. Estas rela\u00e7\u00f5es nem sempre est\u00e3o em sintonia com a des\u00edgnio de Deus, que quer no mundo justi\u00e7a, liberdade e paz entre os indiv\u00edduos, os grupos, os povos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn227\" name=\"_ftnref227\"> [227] <\/a>.<\/p><p><b>119<\/b> <i>As conseq\u00fc\u00eancias do pecado alimentam as estruturas de pecado, que se radicam no pecado pessoal e, portanto, est\u00e3o sempre coligadas aos atos concretos das pessoas, que as introduzem, consolidam e tornam dif\u00edceis de remover<\/i>. E assim se refor\u00e7am, se difundem e se tornam fontes de outros pecados, condicionando a conduta dos homens<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn228\" name=\"_ftnref228\"> [228] <\/a>. Trata-se de condicionamentos e obst\u00e1culos que duram muito mais do que as a\u00e7\u00f5es feitas no breve arco da vida de um indiv\u00edduo e que interferem tamb\u00e9m no processo de desenvolvimento dos povos, cujo retardo ou lentid\u00e3o devem ser julgados tamb\u00e9m sob este aspecto<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn229\" name=\"_ftnref229\"> [229] <\/a>. As a\u00e7\u00f5es e as atitudes opostas \u00e0 vontade de Deus e ao bem do pr\u00f3ximo e as estruturas a que elas induzem parecem ser hoje sobretudo duas: \u00abpor outro lado, a sede do poder, com o objetivo de impor aos outros a pr\u00f3pria vontade. A cada um destes comportamentos pode juntar-se, para os caracterizar melhor, a express\u00e3o: \u201ca qualquer pre\u00e7o\u201d\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn230\" name=\"_ftnref230\"> [230] <\/a>.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"Universalidade do pecado e universalidade da salva\u00e7\u00e3o\"><\/a>Universalidade do pecado e universalidade da salva\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p><p><b>120 <\/b><i>A doutrina do pecado original, que ensina a universalidade do pecado, tem uma import\u00e2ncia fundamental<\/i>: \u00abSe dizemos que n\u00e3o temos pecado, enganamo-nos a n\u00f3s mesmos, e a verdade n\u00e3o est\u00e1 em n\u00f3s\u00bb (1<i> Jo <\/i>1, 8). Esta doutrina induz o homem a n\u00e3o permanecer na culpa e a n\u00e3o tom\u00e1-la com leviandade, buscando continuamente bodes expiat\u00f3rios nos outros homens e justifica\u00e7\u00f5es no ambiente, na hereditariedade, nas institui\u00e7\u00f5es, nas estruturas e nas rela\u00e7\u00f5es. Trata-se de um ensinamento que desmascara tais engodos.<\/p><p><i>A doutrina da universalidade do pecado, todavia, n\u00e3o deve ser desligada da consci\u00eancia da universalidade da salva\u00e7\u00e3o em Jesus Cristo<\/i>. Se dela isolada, gera uma falsa ang\u00fastia do pecado e uma considera\u00e7\u00e3o pessimista do mundo e da vida, que induz a desprezar as realiza\u00e7\u00f5es culturais e civis dos homens.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>121<\/b> <i>O realismo crist\u00e3o v\u00ea os abismos do pecado, mas na luz da esperan\u00e7a, maior do que todo e qualquer mal, dada pelo ato redentor de Cristo que destruiu o pecado e a morte<\/i> (cf.<i> Rm <\/i>5, 18-21; 1<i> Cor <\/i>15, 56-57): \u00abN\u2019Ele, Deus reconciliou o homem consigo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn231\" name=\"_ftnref231\"> [231] <\/a>. Cristo, Imagem de Deus (cf. 2<i> Cor <\/i>4, 4; <i>Col<\/i> 1, 15), \u00e9 Aquele que ilumina plenamente e leva ao cumprimento a imagem e semelhan\u00e7a de Deus no homem. A Palavra que se fez homem em Jesus Cristo \u00e9 desde sempre a vida e a luz do homem, luz que ilumina todo homem (cf.<i> Jo <\/i>1, 4.9). Deus quer no \u00fanico mediador Jesus Cristo, Seu Filho, a salva\u00e7\u00e3o de todos os homens (cf. 1<i> Tm <\/i>2,4-5). Jesus \u00e9, ao mesmo tempo, o Filho de Deus e o novo Ad\u00e3o, ou seja, o novo homem (cf. 1<i> Cor <\/i>15, 47-49;<i> Rm <\/i>5,14): \u00abCristo, novo Ad\u00e3o, na mesma revela\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio do Pai e do seu amor, manifesta perfeitamente o homem ao pr\u00f3prio homem e descobre-lhe a sublimidade da sua voca\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn232\" name=\"_ftnref232\"> [232] <\/a>. N\u2019Ele fomos por Deus predestinados para sermos \u00abconformes \u00e0 imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primog\u00eanito entre uma multid\u00e3o de irm\u00e3os\u00bb (<i>Rm<\/i> 8,29).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>122<\/b> <i>A realidade nova que Jesus nos d\u00e1 n\u00e3o se enxerta na natureza humana, n\u00e3o se lhe acresce a partir de fora: \u00e9, antes, aquela realidade de comunh\u00e3o com o Deus trinit\u00e1rio para a qual os homens desde sempre s\u00e3o orientados no mais profundo do seu ser, gra\u00e7as \u00e0 sua semelhan\u00e7a criatural com Deus<\/i>; mas trata-se tamb\u00e9m de uma realidade que eles n\u00e3o podem alcan\u00e7ar somente com as pr\u00f3prias for\u00e7as. Mediante o Esp\u00edrito de Jesus Cristo, Filho encarnado de Deus, no qual tal realidade de comunh\u00e3o \u00e9 j\u00e1 realizada de modo singular, os homens s\u00e3o acolhidos como filhos de Deus (cf.<i> Rm <\/i>8, 14-17; <i>Gal<\/i> 4,4-7). Por meio de Cristo, participamos da natureza de Deus, que se doa infinitamente mais \u00ab do que tudo quanto pedimos ou entendemos\u00bb (<i>Ef<\/i> 3,20). O que os homens j\u00e1 receberam n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma antecipa\u00e7\u00e3o ou um \u00ab penhor \u00bb (2<i> Cor <\/i>1, 22; <i>Ef<\/i> 1,14) daquilo que obter\u00e3o completamente somente diante de Deus, visto \u00abface a face\u00bb (1<i> Cor <\/i>13,12), ou seja, um penhor da vida eterna: \u00ab Ora, a vida eterna consiste em que te conhe\u00e7am a Ti, um s\u00f3 Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste\u00bb (<i>Jo<\/i> 17, 3).<\/p><p><b>123 <\/b><i>A universalidade desta esperan\u00e7a inclui, ademais dos homens e das mulheres de todos os povos, tamb\u00e9m o c\u00e9u e a terra<\/i>: \u00abQue os c\u00e9us, das alturas, derramem o seu orvalho, que as nuvens fa\u00e7am chover a vit\u00f3ria; abra-se a terra e brote a felicidade e ao mesmo tempo fa\u00e7a germinar a justi\u00e7a! Sou eu, o Senhor, a causa de tudo isso\u00bb (<i>Is<\/i> 45, 8). Segundo o Novo Testamento, com efeito, a cria\u00e7\u00e3o inteira juntamente com toda a humanidade aguardam o Redentor: submetida \u00e0 caducidade, avan\u00e7a plena de esperan\u00e7a, entre gemidos e dores de parto, esperando ser libertada da corrup\u00e7\u00e3o (cf. <i>Rm<\/i> 8, 18-22).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>III. A PESSOA HUMANA E OS SEUS V\u00c1RIOS PERFIS<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>124 <\/b><i>Fazendo tesouro da admir\u00e1vel mensagem b\u00edblica, a doutrina social da Igreja se det\u00e9m antes de tudo sobre as principais e incind\u00edveis dimens\u00f5es da pessoa humana, de modo a poder captar os matizes mais relevantes do seu mist\u00e9rio e da sua dignidade<\/i>. Com efeito n\u00e3o faltaram no passado, e aparecem ainda dramaticamente no cen\u00e1rio da hist\u00f3ria atual, mult\u00edplices concep\u00e7\u00f5es redutivas, de car\u00e1ter ideol\u00f3gico ou devidas simplesmente a formas difusas do costume e do pensamento, referentes \u00e0 considera\u00e7\u00e3o do homem, da sua vida e dos seus destinos, unificadas pela tentativa de ofuscar-lhe a imagem atrav\u00e9s da enfatiza\u00e7\u00e3o de uma s\u00f3 das suas caracter\u00edsticas, em detrimento das demais<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn233\" name=\"_ftnref233\"> [233] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>125<\/b> <i>A pessoa n\u00e3o pode jamais ser pensada unicamente como absoluta individualidade, edificada por si mesma ou sobre si mesma, como se as suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias n\u00e3o dependessem sen\u00e3o de si mesmas. Nem pode ser pensada como pura c\u00e9lula de um organismo disposto a reconhecer-lhe, quando muito, um papel funcional no interior de um sistema<\/i>. As concep\u00e7\u00f5es redutivas da plena verdade do homem foram j\u00e1 freq\u00fcentes vezes objeto da solicitude social da Igreja, que n\u00e3o deixou de elevar a sua voz contra estas e outras perspectivas, drasticamente redutivas, preocupando-se, antes, em anunciar que \u00abos indiv\u00edduos n\u00e3o nos aparecem desligados entre si quais gr\u00e3os de areia, mas sim unidos por rela\u00e7\u00f5es (...) org\u00e2nicas, harmoniosas e m\u00fatuas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn234\" name=\"_ftnref234\"> [234] <\/a>e que, vice-versa, o homem n\u00e3o pode ser considerado \u00absimplesmente como um elemento e uma mol\u00e9cula do organismo social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn235\" name=\"_ftnref235\"> [235] <\/a>, cuidando destarte que \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o do primado da pessoa n\u00e3o correspondesse uma vis\u00e3o individualista ou massificada.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>126 <\/b><i>A f\u00e9 crist\u00e3, ao mesmo tempo em que convida a procurar em toda a parte o que \u00e9 bom e digno do homem <\/i>(cf. 1 <i>Tes<\/i> 5,21), \u00ab<i>situa-se num plano superior e, algumas vezes, oposto ao das ideologias<\/i>, na medida em que ela reconhece Deus, transcendente e criador, o qual interpela o homem como liberdade respons\u00e1vel, atrav\u00e9s de toda a gama do criado\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn236\" name=\"_ftnref236\"> [236] <\/a>.<\/p><p>A doutrina social ocupa-se de diferentes dimens\u00f5es do mist\u00e9rio do homem, que exige ser abordado \u00abna plena verdade da sua exist\u00eancia, do seu ser pessoal e, ao mesmo tempo, do seu ser comunit\u00e1rio e social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn237\" name=\"_ftnref237\"> [237] <\/a>, com uma aten\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, de sorte a consentir a sua valora\u00e7\u00e3o mais pontual.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">A)<b> <a name=\"A UNIDADE DA PESSOA\"><\/a>A UNIDADE DA PESSOA<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>127<\/b> <i>O homem foi criado por Deus como unidade de alma e corpo<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn238\" name=\"_ftnref238\"> [238] <\/a>. \u00abA alma espiritual e imortal \u00e9 o princ\u00edpio de unidade do ser humano, \u00e9 aquilo pelo qual este existe como um todo \u2014 \u201c<i>corpore et anima unus<\/i>\u201d \u2014 enquanto pessoa. Estas defini\u00e7\u00f5es n\u00e3o indicam apenas que o corpo, ao qual \u00e9 prometida a ressurrei\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m participar\u00e1 da gl\u00f3ria; elas lembram igualmente a liga\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o e da vontade livre com todas as faculdades corp\u00f3reas e sens\u00edveis. <i>A pessoa, incluindo o corpo, est\u00e1 totalmente confiada a si pr\u00f3pria, e \u00e9 na unidade da alma e do corpo que ela \u00e9 o sujeito dos pr\u00f3prios atos morais<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn239\" name=\"_ftnref239\"> [239] <\/a>.<\/p><p><b>128<\/b> <i>Mediante a sua corporeidade o homem unifica em si os elementos do mundo material<\/i>, \u00abque nele assim atinge sua plenitude e apresenta livremente ao Criador uma voz de louvor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn240\" name=\"_ftnref240\"> [240] <\/a>. Esta dimens\u00e3o permite ao homem inserir-se no mundo material, lugar da sua realiza\u00e7\u00e3o e da sua liberdade, n\u00e3o como numa pris\u00e3o ou num ex\u00edlio. N\u00e3o \u00e9 l\u00edcito desprezar a vida corporal; o homem, ao contr\u00e1rio, \u00abdeve estimar e honrar o seu corpo, porque criado por Deus e destinado \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o no \u00faltimo dia\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn241\" name=\"_ftnref241\"> [241] <\/a>. A dimens\u00e3o corporal, contudo, ap\u00f3s a ferida original, faz com que o homem experimente as rebeli\u00f5es do corpo e as perversas inclina\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o, sobre as quais ele deve sempre vigiar para n\u00e3o se deixar escravizar e para n\u00e3o se tornar v\u00edtima de uma vis\u00e3o puramente terrena da vida.<\/p><p><i>Com a espiritualidade o homem supera a totalidade das coisas e penetra na estrutura espiritual mais profunda da realidade<\/i>. Quando se volta ao seu cora\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, quando reflete sobre o pr\u00f3prio destino, o homem se descobre superior ao mundo material, pela sua dignidade \u00fanica de interlocutor de Deus, sob cujo olhar decide a sua pr\u00f3pria sorte. Ele, na sua vida interior, transcende o universo sens\u00edvel e material, reconhece \u00abem si mesmo a alma espiritual e imortal\u00bb e sabe n\u00e3o ser \u00absomente uma part\u00edcula da natureza ou um elemento an\u00f4nimo da cidade humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn242\" name=\"_ftnref242\"> [242] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>129<\/b> <i>O homem, portanto, tem duas diferentes caracter\u00edsticas: \u00e9 um ser material, ligado a este mundo mediante o seu corpo, e um ser espiritual, aberto \u00e0 transcend\u00eancia<\/i> e \u00e0 descoberta de \u00abuma verdade mais profunda\u00bb, em raz\u00e3o de sua intelig\u00eancia, com a qual participa \u00abda luz da intelig\u00eancia divina\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn243\" name=\"_ftnref243\"> [243] <\/a>. A Igreja afirma: \u00abA unidade da alma e do corpo \u00e9 t\u00e3o profunda que se deve considerar a alma como a \u201cforma\u201d do corpo; ou seja, \u00e9 gra\u00e7as \u00e0 alma espiritual que o corpo constitu\u00eddo de mat\u00e9ria \u00e9 um corpo humano e vivo; o esp\u00edrito e a mat\u00e9ria no homem n\u00e3o s\u00e3o duas naturezas unidas, mas a uni\u00e3o deles forma uma \u00fanica natureza\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn244\" name=\"_ftnref244\"> [244] <\/a>. Nem o espiritualismo, que despreza a realidade do corpo, nem o materialismo, que considera o esp\u00edrito mera manifesta\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, d\u00e3o conta da natureza complexa, da totalidade e da unidade do ser humano.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"left\"><b><span style=\"color: #663300\">B) <a name=\"ABERTURA \u00c0 TRANSCEND\u00caNCIA E UNICIDADE DA PESSOA\"><\/a>ABERTURA \u00c0 TRANSCEND\u00caNCIA E UNICIDADE DA PESSOA<\/span><\/b><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"Aberta \u00e0 transcend\u00eancia\"><\/a>Aberta \u00e0 transcend\u00eancia<\/b><\/span><\/p><p><b>130<\/b> <i>\u00c0 pessoa humana pertence a abertura \u00e0 transcend\u00eancia<\/i>: <i>o homem \u00e9 aberto ao infinito e a todos os seres criados<\/i>. \u00c9 aberto antes de tudo ao infinito, isto \u00e9, a Deus, porque com a sua intelig\u00eancia e a sua vontade se eleva acima de toda a cria\u00e7\u00e3o e de si mesmo, torna-se independente das criaturas, \u00e9 livre perante todas as coisas criadas e tende \u00e0 verdade e ao bem absolutos. \u00c9 aberto tamb\u00e9m ao outro, aos outros homens e ao mundo, porque somente enquanto se compreende em refer\u00eancia a um <i>tu<\/i> pode dizer <i>eu<\/i>. Sai de si, da conserva\u00e7\u00e3o ego\u00edstica da pr\u00f3pria vida, para entrar numa rela\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo e de comunh\u00e3o com o outro.<\/p><p><i>A pessoa \u00e9 aberta \u00e0 totalidade do ser, ao horizonte ilimitado do ser<\/i>. Tem em si a capacidade de transcender cada objeto particular que conhece, efetivamente, gra\u00e7as a esta sua abertura ao ser sem confins. A alma humana \u00e9, num certo sentido, pela sua dimens\u00e3o cognoscitiva, todas as coisas: \u00abtodas as coisas imateriais gozam de uma certa infinidade, enquanto abra\u00e7am tudo, ou porque se trata da ess\u00eancia de uma realidade espiritual que serve de modelo e semelhan\u00e7a de tudo, como \u00e9 no caso de Deus, ou porque possui a semelhan\u00e7a de tudo, ou em ato como nos Anjos, ou em pot\u00eancia como nas almas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn245\" name=\"_ftnref245\"> [245] <\/a>.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"\u00danica e irrepet\u00edvel\"><\/a>\u00danica e irrepet\u00edvel<\/b><\/span><\/p><p><b>131<\/b> <i>O homem existe como ser \u00fanico e irrepet\u00edvel, existe com \u00ab eu\u00bb, capaz de autocompreender-se, de autopossuir-se, de autodeterminar-se<\/i>. A pessoa humana \u00e9 um ser inteligente e consciente, capaz de refletir sobre si mesma e, portanto, de ter consci\u00eancia dos pr\u00f3prios atos. N\u00e3o s\u00e3o, por\u00e9m, a intelig\u00eancia, a consci\u00eancia e a liberdade a definir a pessoa, mas \u00e9 a pessoa que est\u00e1 na base dos atos de intelig\u00eancia, de consci\u00eancia, de liberdade. Tais atos podem mesmo faltar, sem que por isso o homem cesse de ser pessoa.<\/p><p><i>A pessoa humana h\u00e1 de ser sempre compreendida na sua irrepet\u00edvel e inelimin\u00e1vel singularidade.<\/i> O homem existe, com efeito, antes de tudo como <i>subjetividade<\/i>, como centro de <i>consci\u00eancia<\/i> e de <i>liberdade<\/i>, cuja hist\u00f3ria \u00fanica e n\u00e3o compar\u00e1vel com nenhuma outra expressa a sua irredutibilidade a toda e qualquer tentativa de constrang\u00ea-lo dentro de esquemas de pensamento ou sistemas de poder, ideol\u00f3gicos ou n\u00e3o. Isto imp\u00f5e, antes de tudo, a exig\u00eancia n\u00e3o somente do simples <i>respeito<\/i> por parte de todos, e especialmente das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais e dos seus respons\u00e1veis para com cada homem desta terra, mas bem mais, isto comporta que o primeiro compromisso de cada um em rela\u00e7\u00e3o ao outro e sobretudo destas mesmas institui\u00e7\u00f5es, seja precisamente a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento integral da pessoa.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b> <a name=\"O respeito da dignidade humana\"><\/a>O respeito da dignidade humana<\/b><\/span><\/p><p><b>132 <\/b><i>Uma sociedade justa pode ser realizada somente no respeito pela dignidade transcendente da pessoa humana. Esta representa o fim \u00faltimo da sociedade, que a ela \u00e9 ordenada<\/i>: \u00abTamb\u00e9m a ordem social e o seu progresso devem subordinar-se constantemente ao bem da pessoa, visto que a ordem das coisas deve submeter-se \u00e0 ordem pessoal e n\u00e3o o contr\u00e1rio\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn246\" name=\"_ftnref246\"> [246] <\/a>. O respeito pela dignidade da pessoa n\u00e3o pode absolutamente prescindir da obedi\u00eancia ao princ\u00edpio de considerar \u00abo pr\u00f3ximo como \u201coutro eu\u201d, sem excetuar nenhum, levando em considera\u00e7\u00e3o antes de tudo a sua vida e os meios necess\u00e1rios para mant\u00ea-la dignamente\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn247\" name=\"_ftnref247\"> [247] <\/a>. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, que todos os programas sociais, cient\u00edficos e culturais sejam orientados pela consci\u00eancia do primado de cada ser humano<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn248\" name=\"_ftnref248\"> [248] <\/a><i>.<\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>133<\/b> <i>Em nenhum caso a pessoa humana pode ser instrumentalizada para fins alheios ao seu mesmo progresso, que pode encontrar cumprimento pleno e definitivo somente em Deus e em Seu projeto salv\u00edfico<\/i>: efetivamente o homem, na sua interioridade, transcende o universo e \u00e9 a \u00fanica criatura que Deus quis por si mesma<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn249\" name=\"_ftnref249\"> [249] <\/a>. Por esta raz\u00e3o nem a sua vida, nem o desenvolvimento do seu pensamento, nem os seus bens, nem os que compartilham as sua hist\u00f3ria pessoal e familiar, podem ser submetidos a injustas restri\u00e7\u00f5es no exerc\u00edcio dos pr\u00f3prios direitos e da pr\u00f3pria liberdade.<\/p><p><i>A pessoa n\u00e3o pode ser instrumentalizada para projetos de car\u00e1ter econ\u00f4mico, social e pol\u00edtico <\/i>impostos por qualquer que seja a autoridade, mesmo que em nome de pretensos progressos da comunidade civil no seu conjunto ou de outras pessoas, no presente e no futuro. \u00c8 necess\u00e1rio portanto que as autoridades p\u00fablicas vigiem com aten\u00e7\u00e3o, para que toda a restri\u00e7\u00e3o da liberdade ou qualquer g\u00eanero de \u00f4nus imposto ao agir pessoal nunca seja lesivo da dignidade pessoal e para que seja garantida a efetiva praticabilidade dos direitos humanos. Tudo isto, uma vez mais, se funda na vis\u00e3o do homem como <i>pessoa<\/i>, ou seja, como sujeito <i>ativo<\/i> e <i>respons\u00e1vel<\/i> do pr\u00f3prio processo de crescimento, juntamente com a comunidade de que faz parte.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>134<\/b> <i>As aut\u00eanticas transforma\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o efetivas e duradouras somente se fundadas sobre mudan\u00e7as decididas da conduta pessoal<\/i>. Nunca ser\u00e1 poss\u00edvel uma aut\u00eantica moraliza\u00e7\u00e3o da vida social, sen\u00e3o a partir das pessoas e em refer\u00eancia a elas: efetivamente: \u00abo exerc\u00edcio da vida moral atesta a dignidade da pessoa\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn250\" name=\"_ftnref250\"> [250] <\/a>. \u00c0s pessoas cabe evidentemente o desenvolvimento daquelas atitudes morais fundamentais em toda a conviv\u00eancia que se queira dizer verdadeiramente humana (justi\u00e7a, honestidade, veracidade, etc.), que de modo algum poder\u00e1 ser simplesmente esperada dos outros ou delegada \u00e0s institui\u00e7\u00f5es. A todos, e de modo particular \u00e0queles que de qualquer modo det\u00eam responsabilidades pol\u00edticas, jur\u00eddicas ou profissionais em rela\u00e7\u00e3o aos outros, incumbe o dever de ser consci\u00eancia v\u00edgil da sociedade e, eles mesmos por primeiro, ser testemunhas de uma conviv\u00eancia civil e digna do homem.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">C)<b> <a name=\"A LIBERDADE DA PESSOA\"><\/a>A LIBERDADE DA PESSOA<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"Valor e limites da liberdade\"><\/a>Valor e limites da liberdade<\/b><\/span><\/p><p><b>135<\/b> <i>O homem pode orientar-se para o bem somente na liberdade, que Deus lhe deu como sinal alt\u00edssimo da Sua imagem<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn251\" name=\"_ftnref251\"> [251] <\/a>: \u00abDeus quis \u201cdeixar o homem nas m\u00e3os do seu des\u00edgnio\u201d (cf. <i>Eclo<\/i> 15, 14), para que ele procure espontaneamente o seu Criador e, aderindo livremente a Ele, consiga a plena e bem-aventurada perfei\u00e7\u00e3o. A dignidade humana exige, portanto, que o homem atue segundo a sua consciente e livre escolha, isto \u00e9, movido e determinado por convic\u00e7\u00e3o pessoal interior, e n\u00e3o por um impulso interior cego, ou por mera coa\u00e7\u00e3o externa\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn252\" name=\"_ftnref252\"> [252] <\/a>.<\/p><p>O homem justamente aprecia a liberdade e com paix\u00e3o a busca: justamente quer e deve formar e guiar, de sua livre iniciativa, a sua vida pessoal e social, assumindo por ela plena responsabilidade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn253\" name=\"_ftnref253\"> [253] <\/a>. A liberdade, com efeito, n\u00e3o s\u00f3 muda convenientemente o estado de coisas externas ao homem, mas determina o crescimento do seu ser pessoa, mediante escolhas conformes ao verdadeiro bem<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn254\" name=\"_ftnref254\"> [254] <\/a>: desse modo, o homem gera-se a si pr\u00f3prio, <i>\u00e9 pai <\/i>do pr\u00f3prio ser<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn255\" name=\"_ftnref255\"> [255] <\/a>, constr\u00f3i a ordem social<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn256\" name=\"_ftnref256\"> [256] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>136<\/b> <i>A liberdade n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 depend\u00eancia criatural do homem para com Deus<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn257\" name=\"_ftnref257\"> [257] <\/a>. <i>A Revela\u00e7\u00e3o ensina que o poder de determinar o bem e o mal n\u00e3o pertence ao homem, mas somente a Deus<\/i> (cf. <i>Gn <\/i>2, 16-17). \u00abO homem \u00e9 certamente livre, uma vez que pode compreender e acolher os mandamentos de Deus. E goza de uma liberdade bastante ampla, j\u00e1 que pode comer \u201cde todas as \u00e1rvores do jardim\u201d. Mas esta liberdade n\u00e3o \u00e9 ilimitada: deve deter-se diante da \u201c\u00e1rvore da ci\u00eancia do bem e do mal\u201d, chamada que \u00e9 a aceitar a lei moral que Deus d\u00e1 ao homem. Na verdade, a liberdade do homem encontra a sua verdadeira e plena realiza\u00e7\u00e3o, precisamente nesta aceita\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn258\" name=\"_ftnref258\"> [258] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>137 <\/b><i>O reto exerc\u00edcio do livre arb\u00edtrio exige precisas condi\u00e7\u00f5es de ordem econ\u00f4mica, social, pol\u00edtica e cultural<\/i> que \u00abs\u00e3o muitas vezes desprezadas e violadas. Estas situa\u00e7\u00f5es de cegueira e injusti\u00e7a prejudicam a vida moral e levam tanto os fortes como os fr\u00e1geis \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de pecar contra a caridade. Fugindo da lei moral, o homem prejudica sua pr\u00f3pria liberdade, acorrenta-se a si mesmo, rompe a fraternidade com seus semelhantes e rebela-se contra a verdade divina\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn259\" name=\"_ftnref259\"> [259] <\/a>. <i>A liberta\u00e7\u00e3o das injusti\u00e7as promove a liberdade e a dignidade humana<\/i>: por\u00e9m \u00e9 \u00abnecess\u00e1rio, antes de tudo, apelar para as capacidades espirituais e morais da pessoa e para a exig\u00eancia permanente de convers\u00e3o interior, se se quiser obter mudan\u00e7as econ\u00f4micas e sociais que estejam realmente ao servi\u00e7o do homem\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn260\" name=\"_ftnref260\"> [260] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"O v\u00ednculo da liberdade com a verdade e a lei natural\"><\/a>O v\u00ednculo da liberdade com a verdade e a lei natural<\/b><\/span><\/p><p><b>138.<\/b> <i>No exerc\u00edcio da liberdade, o homem p\u00f5e atos moralmente bons, construtivos da pessoa e da sociedade, quando obedece \u00e0 verdade, ou seja, quando n\u00e3o pretende ser criador e senhor absoluto desta \u00faltima e das normas \u00e9ticas<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn261\" name=\"_ftnref261\"> [261] <\/a>. A liberdade, com efeito, \u00abn\u00e3o tem o seu ponto de partida absoluto e incondicionado em si pr\u00f3pria, mas na exist\u00eancia em que se encontra e que representa para ela, simultaneamente, um limite e uma possibilidade. \u00c9 a liberdade de uma criatura, ou seja, uma liberdade dada, que deve ser acolhida como um g\u00e9rmen e fazer-se amadurecer com responsabilidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn262\" name=\"_ftnref262\"> [262] <\/a>. Caso contr\u00e1rio, morre como liberdade, destr\u00f3i o homem e a sociedade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn263\" name=\"_ftnref263\"> [263] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>139<\/b> <i>A verdade sobre o bem e o mal \u00e9 reconhecida pr\u00e1tica e concretamente pelo ju\u00edzo da consci\u00eancia, o qual leva a assumir a responsabilidade do bem realizado e do mal cometido<\/i>: \u00abDesta forma, <i>no ju\u00edzo pr\u00e1tico da consci\u00eancia, <\/i>que imp\u00f5e \u00e0 pessoa a obriga\u00e7\u00e3o de cumprir um determinado ato, <i>revela-se o v\u00ednculo da liberdade com a verdade. <\/i>Precisamente por isso a consci\u00eancia se exprime com atos de \u201cju\u00edzo\u201d que refletem a verdade do bem, e n\u00e3o com \u201cdecis\u00f5es\u201d arbitr\u00e1rias. E a maturidade e responsabilidade daqueles ju\u00edzos \u2014 e, em definitivo, do homem que \u00e9 o seu sujeito \u2014 medem-se, n\u00e3o pela liberta\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia da verdade objetiva em favor de uma suposta autonomia das pr\u00f3prias decis\u00f5es, mas, ao contr\u00e1rio, por uma procura insistente da verdade deixando-se guiar por ela no agir\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn264\" name=\"_ftnref264\"> [264] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>140<\/b> <i>O exerc\u00edcio da liberdade implica a refer\u00eancia a uma lei moral natural, de car\u00e1ter universal, que precede e unifica todos os direitos e deveres<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn265\" name=\"_ftnref265\"> [265] <\/a>. A Lei natural \u00abn\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a luz do intelecto infusa por Deus em n\u00f3s, gra\u00e7as \u00e0 qual conhecemos o que se deve fazer e o que se deve evitar. Esta luz ou esta lei, deu-a Deus ao homem na cria\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn266\" name=\"_ftnref266\"> [266] <\/a>e consiste na participa\u00e7\u00e3o na Sua lei eterna, a qual se identifica com o pr\u00f3prio Deus<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn267\" name=\"_ftnref267\"> [267] <\/a>. Esta lei \u00e9 chamada natural porque a raz\u00e3o que a promulga \u00e9 pr\u00f3pria da natureza humana. Ela \u00e9 universal, estende-se a todos os homens enquanto estabelecida pela raz\u00e3o. Nos seus preceitos principais, a lei divina e natural \u00e9 exposta no Dec\u00e1logo e indica as normas primeiras e essenciais que regulam a vida moral<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn268\" name=\"_ftnref268\"> [268] <\/a>. Ela tem como eixo a aspira\u00e7\u00e3o e a submiss\u00e3o a Deus, fonte e juiz de todo o bem, e bem assim o sentido do outro como igual a si mesmo. A lei natural exprime a dignidade da pessoa humana e estabelece as bases dos seus direitos e dos seus deveres fundamentais<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn269\" name=\"_ftnref269\"> [269] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>141<\/b> <i>Na diversidade das culturas, a lei natural liga os homens entre si, impondo princ\u00edpios comuns<\/i>. Por quanto a sua aplica\u00e7\u00e3o requeira adapta\u00e7\u00f5es \u00e0 multiplicidade de condi\u00e7\u00f5es de vida, segundo os lugares, as \u00e9pocas e as circunst\u00e2ncias<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn270\" name=\"_ftnref270\"> [270] <\/a>, ela \u00e9 <i>imut\u00e1vel<\/i>, permanece \u00absob o influxo das id\u00e9ias e dos costumes e constitui a base para o seu progresso... Mesmo que algu\u00e9m negue at\u00e9 os seus princ\u00edpios, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel destru\u00ed-la, nem arranc\u00e1-la do cora\u00e7\u00e3o do homem. Sempre torna a ressurgir na vida dos indiv\u00edduos e das sociedades\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn271\" name=\"_ftnref271\"> [271] <\/a>.<\/p><p>Os seus preceitos, todavia, n\u00e3o s\u00e3o percebidos por todos de modo claro e imediato. As verdades religiosas e morais podem ser conhecidas \u00abpor todos e sem dificuldade, com firme certeza e sem mistura de erro\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn272\" name=\"_ftnref272\"> [272] <\/a>, somente com a ajuda da Gra\u00e7a e da Revela\u00e7\u00e3o. A lei natural \u00e9 um fundamento preparado por Deus para a Lei revelada e para a Gra\u00e7a, em plena harmonia com a obra do Esp\u00edrito<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn273\" name=\"_ftnref273\"> [273] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>142<\/b> <i>A lei natural, que \u00e9 lei de Deus, n\u00e3o pode ser cancelada pela iniq\u00fcidade humana<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn274\" name=\"_ftnref274\"> [274] <\/a>. Ela p\u00f5e o fundamento moral indispens\u00e1vel para edificar a comunidade dos homens e para elaborar a lei civil que tira conseq\u00fc\u00eancias de natureza concreta e contingente dos princ\u00edpios da lei natural<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn275\" name=\"_ftnref275\"> [275] <\/a>. Se se ofusca a percep\u00e7\u00e3o da universalidade da lei moral, n\u00e3o se pode edificar uma comunh\u00e3o real e duradoura com o outro, porque sem uma converg\u00eancia para a verdade e o bem, \u00abde forma imput\u00e1vel ou n\u00e3o, os nossos atos ferem a comunh\u00e3o das pessoas, com preju\u00edzo para todos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn276\" name=\"_ftnref276\"> [276] <\/a>. Somente uma liberdade radicada na comum natureza pode tornar todos os homens respons\u00e1veis e \u00e9 capaz de justificar a moral p\u00fablica. Quem se autoproclama medida \u00fanica das coisas e da verdade n\u00e3o pode conviver e colaborar com os pr\u00f3prios semelhantes<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn277\" name=\"_ftnref277\"> [277] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>143<\/b> <i>A liberdade \u00e9 misteriosamente inclinada a trair a abertura \u00e0 verdade e ao bem humano e, muito freq\u00fcentemente, prefere o mal e o fechamento ego\u00edstico, arvorando-se em divindade criadora do bem e do mal<\/i>: \u00abEstabelecido por Deus na justi\u00e7a, o homem, seduzido pelo Maligno, logo no come\u00e7o da hist\u00f3ria \u2014 l\u00ea-se na <i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/i> \u2014, abusou da sua liberdade, erguendo-se contra Deus e desejando alcan\u00e7ar o seu fim \u00e0 margem de Deus. [...] Recusando muitas vezes reconhecer Deus como seu princ\u00edpio, o homem, por isso mesmo, desfaz a justa ordena\u00e7\u00e3o para o seu fim \u00faltimo e simultaneamente para consigo mesmo e tamb\u00e9m para com os outros homens e todas as coisas criadas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn278\" name=\"_ftnref278\"> [278] <\/a>. <i>A liberdade do homem necessita, portanto, de ser libertada<\/i>. Cristo, com a for\u00e7a do Seu mist\u00e9rio pascal liberta o homem do amor desordenado de si mesmo<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn279\" name=\"_ftnref279\"> [279] <\/a>, que \u00e9 fonte do desprezo do pr\u00f3ximo e das rela\u00e7\u00f5es caracterizadas pelo dom\u00ednio sobre o outro; Ele revela que a liberdade se realiza no dom sincero de si<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn280\" name=\"_ftnref280\"> [280] <\/a>e, com o Seu sacrif\u00edcio na Cruz, reintroduz todo homem na comunh\u00e3o com Deus e com os pr\u00f3prios semelhantes.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"left\"><span style=\"color: #663300\">D)<a name=\"A IGUALDADE EM DIGNIDADE DE TODAS AS PESSOAS\"><\/a> <b>A IGUALDADE EM DIGNIDADE DE TODAS AS PESSOAS<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>144.<\/b> \u00ab<i>Deus n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o de pessoas<\/i>\u00bb (<i>At<\/i> 10, 34;<i> <\/i>cf. <i>Rm <\/i>2, 11; <i>Gal<\/i> 2, 6; <i>Ef<\/i> 6, 9), <i>pois todos os homens t\u00eam a mesma dignidade de criaturas \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn281\" name=\"_ftnref281\"> [281] <\/a>. A Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus manifesta a igualdade de todas as pessoas quanto \u00e0 dignidade: \u00abJ\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos v\u00f3s sois um em Cristo Jesus\u00bb (<i>Gal<\/i> 3, 28; cf. <i>Rm <\/i>10, 12; 1<i> Cor <\/i>12, 13; <i>Col<\/i> 3, 11).<\/p><p><i>Uma vez que no rosto de cada homem resplandece algo da gl\u00f3ria de Deus, a dignidade de cada homem diante de Deus \u00e9 o fundamento da dignidade do homem perante os outros homens<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn282\" name=\"_ftnref282\"> [282] <\/a>. Este \u00e9 o fundamento \u00faltimo da radical igualdade e fraternidade entre os homens independentemente da sua ra\u00e7a, na\u00e7\u00e3o, sexo, origem, cultura, classe.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>145<\/b> <i>Somente o reconhecimento da dignidade humana pode tornar poss\u00edvel o crescimento comum e pessoal de todos <\/i>(cf. <i>Tg<\/i> 2, 1-9). Para favorecer um semelhante crescimento \u00e9 necess\u00e1rio, em particular, apoiar os \u00faltimos, assegurar efetivamente condi\u00e7\u00f5es de igual oportunidade entre homem e mulher, garantir uma objetiva igualdade entre as diversas classes sociais perante a lei<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn283\" name=\"_ftnref283\"> [283] <\/a>.<\/p><p><i>Tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es entre povos e Estados, condi\u00e7\u00f5es de eq\u00fcidade e de paridade s\u00e3o o pressuposto para um aut\u00eantico progresso da comunidade internacional<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn284\" name=\"_ftnref284\"> [284] <\/a>. Apesar dos avan\u00e7os nesta dire\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se deve esquecer de que ainda existem ainda muitas desigualdades e formas de depend\u00eancia<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn285\" name=\"_ftnref285\"> [285] <\/a>.<\/p><p><i>A uma igualdade no reconhecimento da dignidade de cada homem e de cada povo, deve corresponder a consci\u00eancia de que a dignidade humana poder\u00e1 ser salvaguardada e promovida somente de forma comunit\u00e1ria, por parte de toda a humanidade<\/i>. Somente pela a\u00e7\u00e3o concorde dos homens e dos povos sinceramente interessados no bem de todos os outros, \u00e9 que se pode alcan\u00e7ar uma aut\u00eantica fraternidade universal<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn286\" name=\"_ftnref286\"> [286] <\/a>; vice-versa, a perman\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es de grav\u00edssima disparidade e desigualdade empobrece a todos.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>146<\/b> <i>O \u201cmasculino\u201d e o \u201cfeminino\u201d diferenciam dois indiv\u00edduos de igual dignidade, que por\u00e9m n\u00e3o refletem uma igualdade est\u00e1tica, porque o espec\u00edfico feminino \u00e9 diferente do espec\u00edfico masculino e esta diversidade na igualdade \u00e9 enriquecedora e indispens\u00e1vel para uma harmoniosa conviv\u00eancia humana<\/i>: \u00abA condi\u00e7\u00e3o para assegurar a justa presen\u00e7a da mulher na Igreja e na sociedade \u00e9 a an\u00e1lise mais penetrante e mais cuidada dos <i>fundamentos antropol\u00f3gicos da condi\u00e7\u00e3o <\/i>masculina e feminina, de forma a determinar a identidade pessoal pr\u00f3pria da mulher na sua rela\u00e7\u00e3o de diversidade e de rec\u00edproca complementaridade com o homem, n\u00e3o s\u00f3 no que se refere \u00e0s posi\u00e7\u00f5es que deve manter e \u00e0s fun\u00e7\u00f5es que deve desempenhar, mas tamb\u00e9m e mais profundamente no que concerne a sua estrutura e o seu significado pessoal\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn287\" name=\"_ftnref287\"> [287] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>147<\/b> <i>A mulher \u00e9 o complemento do homem, como o homem \u00e9 o complemento da mulher: mulher e homem se completam mutuamente, n\u00e3o somente do ponto de vista f\u00edsico e ps\u00edquico, mas tamb\u00e9m ontol\u00f3gico<\/i>. \u00c9 somente gra\u00e7as a essa dualidade do \u00abmasculino\u00bb e do \u00abfeminino\u00bb que o \u00abhumano\u00bb se realiza plenamente. \u00c9 \u00aba unidade dos dois\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn288\" name=\"_ftnref288\"> [288] <\/a>, ou seja, uma \u201cunidualidade\u201d relacional, que consente a cada um sentir a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o interpessoal e rec\u00edproca como um dom que \u00e9 ao mesmo tempo uma miss\u00e3o: \u00abA esta \u201cunidade dos dois\u201d, est\u00e1 confiada por Deus n\u00e3o s\u00f3 a obra da procria\u00e7\u00e3o e a vida da fam\u00edlia, mas a constru\u00e7\u00e3o mesma da hist\u00f3ria\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn289\" name=\"_ftnref289\"> [289] <\/a>. \u00abA mulher \u00e9 \u201cauxiliar\u201d para o homem, assim como o homem \u00e9 \u201cauxiliar\u201d para a mulher!\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn290\" name=\"_ftnref290\"> [290] <\/a>: no seu encontro realiza-se uma concep\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria da pessoa humana, baseada n\u00e3o na l\u00f3gica do egocentrismo e da auto-afirma\u00e7\u00e3o, mas na l\u00f3gica do amor e da solidariedade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>148<\/b> <i>As pessoas deficientes s\u00e3o sujeitos plenamente humanos, titulares de direitos e deveres<\/i>: \u00abapesar das limita\u00e7\u00f5es e dos sofrimentos inscritos no seu corpo e nas suas faculdades, p\u00f5em mais em relevo a dignidade e a grandeza do homem\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn291\" name=\"_ftnref291\"> [291] <\/a>. Dado que a pessoa deficiente \u00e9 um sujeito com todos os seus direitos, ela deve ser ajudada a participar na vida familiar e social em todas as suas dimens\u00f5es e em todos os n\u00edveis acess\u00edveis \u00e0s suas possibilidades.<\/p><p><i>\u00c9 necess\u00e1rio promover com medidas eficazes e apropriadas os direitos da pessoa deficiente<\/i>: \u00abSeria algo radicalmente indigno do homem e seria uma nega\u00e7\u00e3o da humanidade comum admitir \u00e0 vida da sociedade, e portanto ao trabalho, s\u00f3 os membros na plena posse das fun\u00e7\u00f5es do seu ser, porque, procedendo desse modo, recair-se-ia numa forma grave de discrimina\u00e7\u00e3o, a dos fortes e s\u00e3os contra os fracos e doentes\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn292\" name=\"_ftnref292\"> [292] <\/a>. Uma grande aten\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser reservada n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas de trabalho, \u00e0 justa remunera\u00e7\u00e3o, \u00e0 possibilidade de promo\u00e7\u00f5es e \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o dos diversos obst\u00e1culos, mas tamb\u00e9m \u00e0s dimens\u00f5es afetivas e sexuais da pessoa deficiente: \u00abTamb\u00e9m ela precisa de amar e de ser amada, precisa de ternura, de proximidade, de intimidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn293\" name=\"_ftnref293\"> [293] <\/a>, segundo as pr\u00f3prias possibilidades e no respeito da ordem moral, que \u00e9 a mesma para os s\u00e3os e para os que t\u00eam uma defici\u00eancia.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"left\"><span style=\"color: #663300\">E) <b><a name=\"SOCIABILIDADE HUMANA\"><\/a>SOCIABILIDADE HUMANA<\/b><\/span><\/p><p><b>149<\/b> <i>A pessoa \u00e9 constitutivamente um ser social<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn294\" name=\"_ftnref294\"> [294] <\/a>, <i>porque assim a quis Deus que a criou<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn295\" name=\"_ftnref295\"> [295] <\/a>. A natureza do homem se patenteia, destarte, como natureza de um ser que responde \u00e0s pr\u00f3prias necessidades a base de uma <i>subjetividade relacional<\/i>, ou seja, \u00e0 maneira de um ser livre e respons\u00e1vel, que reconhece a necessidade de integrar-se e de colaborar com os pr\u00f3prios semelhantes e \u00e9 <i>capaz<\/i> <i>de comunh\u00e3o<\/i> com eles na ordem do conhecimento e do amor: \u00abUma <i>sociedade<\/i> \u00e9 um conjunto de pessoas ligadas de maneira org\u00e2nica por um princ\u00edpio de unidade que ultrapassa cada uma delas. Assembl\u00e9ia ao mesmo tempo vis\u00edvel e espiritual, uma sociedade que perdura no tempo; ela recolhe o passado e prepara o futuro\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn296\" name=\"_ftnref296\"> [296] <\/a>.<\/p><p><i>Importa p\u00f4r de manifesto que a vida comunit\u00e1ria \u00e9 uma caracter\u00edstica natural que distingue o homem do resto das criaturas terrenas<\/i>. O agir social comporta um sinal particular do homem e da humanidade, o de uma pessoa operante em uma comunidade de pessoas: este sinal determina a sua qualifica\u00e7\u00e3o interior e constitui, num certo sentido, a sua pr\u00f3pria natureza<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn297\" name=\"_ftnref297\"> [297] <\/a>. Tal caracter\u00edstica relacional, \u00e0 luz da f\u00e9, adquire um sentido mais profundo e est\u00e1vel. Feito \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus (cf. <i>Gn <\/i>1, 26), e constitu\u00eddo no universo vis\u00edvel para viver em sociedade (cf. <i>G\u00ean<\/i> 2, 20.23) e dominar a terra (cf. <i>Gn <\/i>1, 26.28-30), a pessoa humana \u00e9, por isso, desde o princ\u00edpio, chamada \u00e0 vida social: \u00abDeus n\u00e3o criou o homem como um \u201cser solit\u00e1rio\u201d, mas o quis como um \u201cser social\u201d. A vida social n\u00e3o \u00e9, portanto, extr\u00ednseca ao homem, dado que ele n\u00e3o pode crescer nem realizar a sua voca\u00e7\u00e3o sen\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o com os outros\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn298\" name=\"_ftnref298\"> [298] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>150<\/b> <i>A sociabilidade humana n\u00e3o desemboca automaticamente na comunh\u00e3o das pessoas, no dom de si<\/i>. Por causa da soberba e do ego\u00edsmo, o homem descobre em si g\u00e9rmenes de insociabilidade, de fechamento individualista e de opress\u00e3o do outro<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn299\" name=\"_ftnref299\"> [299] <\/a>. Toda sociedade digna desse nome pode considerar estar na verdade quando cada membro seu, gra\u00e7as \u00e0 pr\u00f3pria capacidade de conhecer o bem, persegue-o para si e para os outros. \u00c9 por amor do bem pr\u00f3prio e de outrem que se d\u00e1 a uni\u00e3o em grupos est\u00e1veis, tendo como fim a conquista de um bem comum. Tamb\u00e9m as v\u00e1rias sociedades devem adentrar por rela\u00e7\u00f5es de solidariedade, de comunica\u00e7\u00e3o e de colabora\u00e7\u00e3o, a servi\u00e7o do homem e do bem comum<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn300\" name=\"_ftnref300\"> [300] <\/a>.<\/p><p><b>151<\/b> <i>A sociabilidade humana n\u00e3o \u00e9 uniforme, mas assume mult\u00edplices express\u00f5es<\/i>. O bem comum depende, efetivamente, de um s\u00e3o <i>pluralismo social<\/i>. As m\u00faltiplas sociedades s\u00e3o chamadas a constituir um tecido unit\u00e1rio e harm\u00f4nico, onde cada uma possa conservar e desenvolver a pr\u00f3pria fisionomia e autonomia. Algumas sociedades, como a fam\u00edlia, a comunidade civil e a comunidade religiosa s\u00e3o mais imediatamente conexas com a \u00edntima natureza do homem, enquanto outras procedem da vontade livre: \u00abA fim de favorecer a participa\u00e7\u00e3o do maior n\u00famero na vida social, \u00e9 preciso encorajar a cria\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es de livre escolha, \u201ccom fins econ\u00f4micos, culturais, sociais, esportivos, recreativos, profissionais, pol\u00edticos, tanto no \u00e2mbito interno das comunidades pol\u00edticas como no plano mundial\u201d. Esta \u201csocializa\u00e7\u00e3o\u201d exprime, igualmente, a tend\u00eancia natural que impele os seres humanos a se associarem para atingir objetivos que ultrapassam as capacidades individuais. Desenvolve as qualidades da pessoa, particularmente seu esp\u00edrito de iniciativa e de responsabilidade. Ajuda a garantir seus direitos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn301\" name=\"_ftnref301\"> [301] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>III. OS DIREITOS HUMANOS<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"O valor dos direitos humanos\"><\/a>O valor dos direitos humanos<\/b><\/span><\/p><p><b>152<\/b> <i>O movimento rumo \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o dos direitos do homem \u00e9 um dos mais relevantes esfor\u00e7os para responder de modo eficaz \u00e0s exig\u00eancias imprescind\u00edveis da dignidade humana<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn302\" name=\"_ftnref302\"> [302] <\/a>. A Igreja entrev\u00ea em tais direitos a extraordin\u00e1ria ocasi\u00e3o que o nosso tempo oferece para que, mediante o seu afirmar-se, a dignidade humana seja mais eficazmente reconhecida e promovida universalmente como caracter\u00edstica impressa pelo Deus Criador na Sua criatura<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn303\" name=\"_ftnref303\"> [303] <\/a>. O Magist\u00e9rio da Igreja n\u00e3o deixou de apreciar positivamente a <i>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem<\/i>, proclamada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas em 10 de Dezembro de 1948, que Jo\u00e3o Paulo II definiu como \u00abuma pedra mili\u00e1ria no caminho do progresso moral da humanidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn304\" name=\"_ftnref304\"> [304] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>153<\/b> <i>A raiz dos direitos do homem, com efeito, h\u00e1 de ser buscada na dignidade que pertence a cada ser humano<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn305\" name=\"_ftnref305\"> [305] <\/a>. Tal dignidade, conatural \u00e0 vida humana e igual em cada pessoa, se apreende antes de tudo com a raz\u00e3o. O fundamento natural dos direitos se mostra ainda mais s\u00f3lido se, \u00e0 luz sobrenatural, se considerar que a dignidade humana, doada por Deus e depois profundamente ferida pelo pecado, foi assumida e redimida por Jesus Cristo mediante a Sua encarna\u00e7\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn306\" name=\"_ftnref306\"> [306] <\/a>.<\/p><p><i>A fonte \u00faltima dos direitos humanos n\u00e3o se situa na mera vontade dos seres humanos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn307\" name=\"_ftnref307\"> [307] <\/a>, <i>na realidade do Estado, nos poderes p\u00fablicos, mas no mesmo homem e em Deus seu Criador<\/i>. Tais direitos s\u00e3o \u00abuniversais, inviol\u00e1veis e inalien\u00e1veis\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn308\" name=\"_ftnref308\"> [308] <\/a>. Universais, porque est\u00e3o presentes em todos os seres humanos, sem exce\u00e7\u00e3o alguma de tempo, de lugar e de sujeitos. <i>Inviol\u00e1veis<\/i>, enquanto \u00abinerentes \u00e0 pessoa humana e \u00e0 sua dignidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn309\" name=\"_ftnref309\"> [309] <\/a>e porque \u00abseria v\u00e3o proclamar os direitos, se simultaneamente n\u00e3o se envidassem todos os esfor\u00e7os a fim de que seja devidamente assegurado o seu respeito por parte de todos, em toda a parte e em rela\u00e7\u00e3o a quem quer que seja\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn310\" name=\"_ftnref310\"> [310] <\/a>. <i>Inalien\u00e1veis<\/i>, enquanto \u00abningu\u00e9m pode legitimamente privar destes direitos um seu semelhante, seja ele quem for, porque isso significaria violentar a sua natureza\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn311\" name=\"_ftnref311\"> [311] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>154<\/b> <i>Os direitos do homem h\u00e3o de ser tutelados n\u00e3o s\u00f3 cada um singularmente, mas no seu conjunto: uma prote\u00e7\u00e3o parcial traduzir-se-ia em uma esp\u00e9cie de n\u00e3o reconhecimento<\/i>. Eles correspondem \u00e0s exig\u00eancias da dignidade humana e comportam, em primeiro lugar, a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades essenciais da pessoa, em campo espiritual e material: \u00abtais direitos tocam todas as fases da vida e todo o contexto pol\u00edtico, social, econ\u00f4mico ou cultural. Formam um conjunto unit\u00e1rio, visando resolutamente a promo\u00e7\u00e3o do bem, em todos os seus aspectos, da pessoa e da sociedade... A promo\u00e7\u00e3o integral de todas as categorias dos direitos humanos \u00e9 a verdadeira garantia do pleno respeito de cada um deles\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn312\" name=\"_ftnref312\"> [312] <\/a>. Universalidade e indivisibilidade s\u00e3o os tra\u00e7os distintivos dos direitos humanos: \u00abs\u00e3o dois princ\u00edpios orientadores que postulam a exig\u00eancia de radicar os direitos humanos nas diversas culturas e aprofundar a sua delinea\u00e7\u00e3o jur\u00eddica para lhes assegurar o pleno respeito\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn313\" name=\"_ftnref313\"> [313] <\/a>.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"A especifica\u00e7\u00e3o dos direitos\"><\/a>A especifica\u00e7\u00e3o dos direitos<\/b><\/span><\/p><p><b>155<\/b> <i>Os ensinamentos de Jo\u00e3o XXIII<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn314\" name=\"_ftnref314\"> [314] <\/a>, <i>do Conc\u00edlio Vaticano II<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn315\" name=\"_ftnref315\"> [315] <\/a>, <i>de Paulo VI<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn316\" name=\"_ftnref316\"> [316] <\/a>ofereceram amplas indica\u00e7\u00f5es da concep\u00e7\u00e3o dos direitos humanos delineada pelo Magist\u00e9rio. Na Enc\u00edclica \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0067\/_INDEX.HTM\">Centesimus annus<\/a><\/i>\u00bb Jo\u00e3o Paulo II sintetizou-as num elenco: \u00abo direito \u00e0 vida, do qual \u00e9 parte integrante o direito a crescer \u00e0 sombra do cora\u00e7\u00e3o da m\u00e3e depois de ser gerado; o direito a <i>viver<\/i> numa fam\u00edlia unida e num ambiente moral favor\u00e1vel ao desenvolvimento da pr\u00f3pria personalidade; o direito a maturar a sua intelig\u00eancia e <i>liberdade<\/i> na procura e no conhecimento da <i>verdade<\/i>; o direito a participar no trabalho para valorizar os bens da terra e a obter dele o sustento pr\u00f3prio e dos seus familiares; o direito a <i>fundar <\/i>uma fam\u00edlia e a acolher e educar os filhos, exercitando responsavelmente a sua sexualidade. <i>Fonte<\/i> e <i>s\u00edntese<\/i> destes direitos \u00e9, em certo sentido, a <i>liberdade<\/i> religiosa, entendida como direito a viver na verdade da pr\u00f3pria f\u00e9 e em conformidade com a dignidade transcendente da pessoa\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn317\" name=\"_ftnref317\"> [317] <\/a>.<\/p><p><i>O primeiro direito a ser enunciado neste elenco \u00e9 direito \u00e0 vida, desde o momento da sua concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao seu fim natural<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn318\" name=\"_ftnref318\"> [318] <\/a>, que condiciona o exerc\u00edcio de qualquer outro direito e comporta, em particular, a ilicitude de toda forma de aborto procurado e de eutan\u00e1sia<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn319\" name=\"_ftnref319\"> [319] <\/a>. <i>\u00c9 sublinhado o alt\u00edssimo valor do direito \u00e0 liberdade religiosa<\/i>: \u00abTodos os homens devem estar livres de coa\u00e7\u00e3o, quer por parte dos indiv\u00edduos, quer dos grupos sociais ou qualquer autoridade humana; e de tal modo que, em mat\u00e9ria religiosa, ningu\u00e9m seja for\u00e7ado a agir contra a pr\u00f3pria consci\u00eancia, nem impedido de proceder segundo a mesma, em privado e em p\u00fablico, s\u00f3 ou associado com outros\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn320\" name=\"_ftnref320\"> [320] <\/a>. O respeito de tal direito assume um valor emblem\u00e1tico \u00abdo aut\u00eantico progresso do homem em todos os regimes, em todas as sociedades e em todos os sistemas ou ambientes\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn321\" name=\"_ftnref321\"> [321] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"Direitos e deveres\"><\/a>Direitos e deveres<\/b><\/span><\/p><p><b>156 <\/b><i>Intimamente conexo com o tema dos direitos \u00e9 o tema dos deveres do homem<\/i>, que encontra nos pronunciamentos do Magist\u00e9rio uma adequada acentua\u00e7\u00e3o. Freq\u00fcentemente se evoca a rec\u00edproca complementaridade entre direitos e deveres, indissoluvelmente unidos, em primeiro lugar na pessoa humana que \u00e9 o seu sujeito titular<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn322\" name=\"_ftnref322\"> [322] <\/a>. Tal liame apresenta tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o social: \u00abno relacionamento humano, a determinado direito natural de uma pessoa corresponde o dever de reconhecimento e respeito desse direito por parte dos demais\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn323\" name=\"_ftnref323\"> [323] <\/a>. <i>O Magist\u00e9rio sublinha a contradi\u00e7\u00e3o \u00ednsita numa afirma\u00e7\u00e3o dos direitos que n\u00e3o contemple uma correlativa responsabilidade<\/i>: \u00abos que reivindicam os pr\u00f3prios direitos, mas se esquecem por completo de seus deveres ou lhes d\u00e3o menor aten\u00e7\u00e3o, assemelham-se a quem constr\u00f3i um edif\u00edcio com uma das m\u00e3os e, com a outra, o destr\u00f3i\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn324\" name=\"_ftnref324\"> [324] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d)<b> <a name=\"Direitos dos povos e das na\u00e7\u00f5es\"><\/a>Direitos dos povos e das na\u00e7\u00f5es<\/b><\/span><\/p><p><b>157 <\/b><i>O campo dos direitos humanos se alargou aos direitos dos povos e das na\u00e7\u00f5es<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn325\" name=\"_ftnref325\"> [325] <\/a>: com efeito, \u00abo que \u00e9 verdadeiro para o homem \u00e9 verdadeiro tamb\u00e9m para os povos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn326\" name=\"_ftnref326\"> [326] <\/a>. O Magist\u00e9rio recorda que o direito internacional \u00abse funda no princ\u00edpio de igual respeito dos Estados, do direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o de cada povo e da livre coopera\u00e7\u00e3o em vista do bem comum superior da humanidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn327\" name=\"_ftnref327\"> [327] <\/a>. A paz funda-se n\u00e3o s\u00f3 no respeito dos direitos do homem como tamb\u00e9m no respeito do direito dos povos, sobretudo o direito \u00e0 independ\u00eancia<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn328\" name=\"_ftnref328\"> [328] <\/a>.<\/p><p>Os direitos das na\u00e7\u00f5es \u00abn\u00e3o s\u00e3o outra coisa sen\u00e3o os \u201cdireitos humanos\u201d compreendidos neste espec\u00edfico n\u00edvel da vida comunit\u00e1ria\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn329\" name=\"_ftnref329\"> [329] <\/a>. A na\u00e7\u00e3o tem \u00abum fundamental direito o direito \u00e0 exist\u00eancia\u00bb; \u00e0 \u00abpr\u00f3pria l\u00edngua e cultura, mediante as quais um povo exprime e promove ... a sua originaria \u201csoberania\u201d espiritual\u00bb; a \u00abmodelar a pr\u00f3pria vida segundo as suas tradi\u00e7\u00f5es, excluindo, naturalmente, toda a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos fundamentais e, em particular, a opress\u00e3o das minorias\u00bb; a \u00abedificar o pr\u00f3prio futuro, oferecendo \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais jovens uma educa\u00e7\u00e3o apropriada\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn330\" name=\"_ftnref330\"> [330] <\/a>. A ordem internacional requer um <i>equil\u00edbrio entre particularidade e universalidade<\/i>, ao qual s\u00e3o chamadas todas as na\u00e7\u00f5es, para as quais o primeiro dever \u00e9 o de viver em atitude de paz, respeito e solidariedade com as outras na\u00e7\u00f5es.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">e) <b><a name=\"Colmatar a dist\u00e2ncia entre letra e esp\u00edrito\"><\/a>Colmatar a dist\u00e2ncia entre letra e esp\u00edrito<\/b><\/span><\/p><p><b>158 <\/b><i>A solene proclama\u00e7\u00e3o dos direitos do homem \u00e9 contradita por uma dolorosa realidade de viola\u00e7\u00f5es<\/i>, guerras e viol\u00eancias de todo tipo, em primeiro lugar os genoc\u00eddios e as deporta\u00e7\u00f5es em massa, a difus\u00e3o quase que por toda a parte de formas sempre novas de escravid\u00e3o quais o tr\u00e1fico de seres humanos, as crian\u00e7as soldados, a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, o tr\u00e1fico de drogas, a prostitui\u00e7\u00e3o: \u00abTamb\u00e9m nos pa\u00edses onde vigoram formas de governo democr\u00e1tico, nem sempre estes direitos s\u00e3o totalmente respeitados\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn331\" name=\"_ftnref331\"> [331]<\/a><\/p><p><i>Existe, infelizmente, uma dist\u00e2ncia entre a <\/i>\u00ab<i>letra<\/i>\u00bb <i>e o <\/i>\u00ab<i>esp\u00edrito<\/i>\u00bb<i> dos direitos do homem<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn332\" name=\"_ftnref332\"> [332] <\/a>aos quais freq\u00fcentemente se vota um respeito puramente formal. A doutrina social, em considera\u00e7\u00e3o ao privil\u00e9gio conferido pelo Evangelho aos pobres, reafirma repetidas vezes que \u00abos mais favorecidos devem renunciar a alguns dos seus direitos, para poder colocar, com mais liberalidade, os seus bens ao servi\u00e7o dos outros\u00bb e que uma afirma\u00e7\u00e3o excessiva de igualdade \u00abpode dar azo a um individualismo em que cada qual reivindica os seus direitos, sem querer ser respons\u00e1vel pelo bem comum\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn333\" name=\"_ftnref333\"> [333] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>159<\/b> <i>A Igreja, c\u00f4nscia de que a sua miss\u00e3o essencialmente religiosa inclui a defesa e a promo\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais do homem<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn334\" name=\"_ftnref334\"> [334] <\/a>, \u00abtem em grande apre\u00e7o o dinamismo do nosso tempo que, em toda parte, d\u00e1 novo impulso aos mesmos direitos \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn335\" name=\"_ftnref335\"> [335] <\/a>. A Igreja adverte profundamente a exig\u00eancia de respeitar dentro do seu pr\u00f3prio \u00e2mbito a justi\u00e7a<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn336\" name=\"_ftnref336\"> [336] <\/a>e os direitos do homem<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn337\" name=\"_ftnref337\"> [337] <\/a>.<\/p><p><i>O empenho pastoral se desenvolve numa d\u00faplice dire\u00e7\u00e3o: de an\u00fancio do fundamento crist\u00e3o dos direitos do homem e de den\u00fancia das viola\u00e7\u00f5es de tais direitos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn338\" name=\"_ftnref338\"> [338] <\/a>: em todo caso, \u00abo <i>an\u00fancio<\/i> \u00e9 sempre mais importante do que a <i>den\u00fancia<\/i>, e esta n\u00e3o pode prescindir daquele, pois \u00e9 isso que lhe d\u00e1 a verdadeira solidez e a for\u00e7a da motiva\u00e7\u00e3o mais alta\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn339\" name=\"_ftnref339\"> [339] <\/a>. Para ser mais eficaz, tal empenho \u00e9 aberto \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica, ao di\u00e1logo com as outras religi\u00f5es, a todos os oportunos contactos com os organismos, governamentais e n\u00e3o governamentais, nos planos nacional e internacional. A Igreja confia, sobretudo na ajuda do Senhor e do Seu Esp\u00edrito que, derramado nos cora\u00e7\u00f5es, \u00e9 a garantia mais segura do respeito da justi\u00e7a e dos direitos humanos, e de contribuir, portanto, para a paz: \u00abpromover a justi\u00e7a e a paz, penetrar com a luz e o fermento evang\u00e9lico todos os campos da exist\u00eancia social, tem sido sempre um constante empenho da Igreja em nome do mandato que ela recebeu do Senhor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn340\" name=\"_ftnref340\"> [340] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>_____<\/p><div id=\"ftn197\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref197\" name=\"_ftn197\">[197] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1042.<\/div><div id=\"ftn198\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref198\" name=\"_ftn198\">[198] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor hominis<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 284.<\/div><div id=\"ftn199\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref199\" name=\"_ftn199\">[199] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1931.<\/div><div id=\"ftn200\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref200\" name=\"_ftn200\">[200] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 35: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 35.<\/div><div id=\"ftn201\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref201\" name=\"_ftn201\">[201] <\/a>Pio XII, <i>Radiomensagem <\/i>(24 de Dezembro de 1944), 5: <i>AAS<\/i> 37 (1945) 12.<\/div><div id=\"ftn202\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref202\" name=\"_ftn202\">[202] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 807.<\/div><div id=\"ftn203\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref203\" name=\"_ftn203\">[203] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 453, 459.<\/div><div id=\"ftn204\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref204\" name=\"_ftn204\">[204] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 357.<\/div><div id=\"ftn205\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref205\" name=\"_ftn205\">[205] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 356. 358.<\/div><div id=\"ftn206\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref206\" name=\"_ftn206\">[206] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, t\u00edtulo do cap. 1\u00ba, sec\u00e7\u00e3o 1\u00aa, parte 1\u00aa;Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 12: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1034; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vitae<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 440.<\/div><div id=\"ftn207\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref207\" name=\"_ftn207\">[207] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vitae<\/i>, 35: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 440-441; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1721.<\/div><div id=\"ftn208\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref208\" name=\"_ftn208\">[208] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 12: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1034.<\/div><div id=\"ftn209\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref209\" name=\"_ftn209\">[209] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 369.<\/div><div id=\"ftn210\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref210\" name=\"_ftn210\">[210] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vitae<\/i>, 35: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 440.<\/div><div id=\"ftn211\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref211\" name=\"_ftn211\">[211] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2334.<\/div><div id=\"ftn212\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref212\" name=\"_ftn212\">[212] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 371.<\/div><div id=\"ftn213\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref213\" name=\"_ftn213\">[213] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias <i>Gratissimam sane<\/i>, 6. 8. 14. 16. 19-20: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 873-874. 876-878. 893- 896. 899-903. 910-919.<\/div><div id=\"ftn214\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref214\" name=\"_ftn214\">[214] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 50: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1070-1072.<\/div><div id=\"ftn215\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref215\" name=\"_ftn215\">[215] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta Encicl. <i>Evangelium vitae<\/i>, 19: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 421-422.<\/div><div id=\"ftn216\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref216\" name=\"_ftn216\">[216] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2258.<\/div><div id=\"ftn217\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref217\" name=\"_ftn217\">[217] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 27: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1047-1048; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2259-2261.<\/div><div id=\"ftn218\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref218\" name=\"_ftn218\">[218] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta Encicl. <i>Fides et ratio<\/i>. Pr\u00f3logo: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 5.<\/div><div id=\"ftn219\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref219\" name=\"_ftn219\">[219] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 373.<\/div><div id=\"ftn220\"><p align=\"left\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref220\" name=\"_ftn220\">[220] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta Encicl. <i>Evangelium vitae<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 438-440.<\/p><\/div><div id=\"ftn221\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref221\" name=\"_ftn221\">[221] <\/a>S. Agostinho, <i>Confiss\u00f5es<\/i>, 1, 1: PL 32, 661: \u00abTu excitas, ut laudare te delectet; quia fecisti nos ad te, et inquietum est <i>Cor <\/i>nostrum, donec requiescat in te\u00bb.<\/div><div id=\"ftn222\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref222\" name=\"_ftn222\">[222] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1850.<\/div><div id=\"ftn223\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref223\" name=\"_ftn223\">[223] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 404.<\/div><div id=\"ftn224\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref224\" name=\"_ftn224\">[224] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Reconciliatio et paenitentia<\/i>, 2: <i>AAS<\/i> 77 (1985) 188; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1849.<\/div><div id=\"ftn225\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref225\" name=\"_ftn225\">[225] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Reconciliatio et paenitentia<\/i>, 15: <i>AAS<\/i> 77 (1985) 212-213.<\/div><div id=\"ftn226\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref226\" name=\"_ftn226\">[226] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Reconciliatio et paenitentia<\/i>, 16: <i>AAS<\/i> 77 (1985) 214. O texto explica, ademais, que esta <i>lei da descida<\/i>, e esta <i>comunh\u00e3o no pecado<\/i>, em raz\u00e3o da qual uma alma que se rebaixa pelo pecado arrasta consigo a Igreja, e, de certa maneira, o mundo inteiro, corresponde uma <i>lei de eleva\u00e7\u00e3o<\/i>, o profundo e magn\u00edfico mist\u00e9rio da <i>Comunh\u00e3o dos Santos<\/i>, gra\u00e7as \u00e0 qual se pode dizer que cada alma que se eleva, eleva o mundo.<\/div><div id=\"ftn227\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref227\" name=\"_ftn227\">[227] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Reconciliatio et paenitentia<\/i>, 16: <i>AAS<\/i> 77 (1985) 216.<\/div><div id=\"ftn228\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref228\" name=\"_ftn228\">[228] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1869.<\/div><div id=\"ftn229\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref229\" name=\"_ftn229\">[229] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 36: <i>AAS <\/i>89 (1988) 561-563.<\/div><div id=\"ftn230\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref230\" name=\"_ftn230\">[230] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 37: <i>AAS <\/i>89 (1988) 563.<\/div><div id=\"ftn231\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref231\" name=\"_ftn231\">[231] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Reconciliatio et paenitentia<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 77 (1985) 205.<\/div><div id=\"ftn232\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref232\" name=\"_ftn232\">[232] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1042.<\/div><div id=\"ftn233\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref233\" name=\"_ftn233\">[233] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 26-39: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 420-428.<\/div><div id=\"ftn234\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref234\" name=\"_ftn234\">[234] <\/a>Pio XII, Carta encicl. <i>Summi Pontificatus<\/i>: <i>AAS<\/i> 31 (1939) 463.<\/div><div id=\"ftn235\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref235\" name=\"_ftn235\">[235] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 13: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 809.<\/div><div id=\"ftn236\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref236\" name=\"_ftn236\">[236] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 27: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 421.<\/div><div id=\"ftn237\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref237\" name=\"_ftn237\">[237] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor hominis<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 284.<\/div><div id=\"ftn238\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref238\" name=\"_ftn238\">[238] <\/a>Cf. Concilio Lateranense IV, Cap. 1, <em>De fide catholica<\/em>: DS 800, p. 259; Concilio Vaticano I, Cost. dogm. <i>Dei Filius<\/i>, c.1: <i>De Deo rerum omnium Creatore<\/i>: DS 3002, p. 587; Id., <i>Ibidem<\/i>, canoni 2.5: DS 3022. 3025, pp. 592.593.<\/div><div id=\"ftn239\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref239\" name=\"_ftn239\">[239] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1172.<\/div><div id=\"ftn240\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref240\" name=\"_ftn240\">[240] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1035; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 364.<\/div><div id=\"ftn241\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref241\" name=\"_ftn241\">[241] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1035.<\/div><div id=\"ftn242\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref242\" name=\"_ftn242\">[242] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1036; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 363; 1703.<\/div><div id=\"ftn243\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref243\" name=\"_ftn243\">[243] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 15: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1036.<\/div><div id=\"ftn244\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref244\" name=\"_ftn244\">[244] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 365.<\/div><div id=\"ftn245\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref245\" name=\"_ftn245\">[245] <\/a>S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Commentum in tertium librum Sententiarum, <\/i>d. 27, q. 1, a. 4: \u00abEx utraque autem parte res immateriales infinitatem habent quodammodo, quia sunt quodammodo omnia, sive inquantum essentia rei immaterialis est exemplar et similitudo omnium, sicut in Deo accidit, sive quia habet similitudinem omnium vel actu vel potentia, sicut accidit in Angelis et animabus\u00bb; cf. Id., <i>Summa theologiae<\/i>, I, q. 75, a. 5: Ed. Leon. 5, 201-203.<\/div><div id=\"ftn246\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref246\" name=\"_ftn246\">[246] <\/a>Conc\u00edlio VaticanoII, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 26: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1046-1047.<\/div><div id=\"ftn247\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref247\" name=\"_ftn247\">[247] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 27: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1047.<\/div><div id=\"ftn248\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref248\" name=\"_ftn248\">[248] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2235.<\/div><div id=\"ftn249\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref249\" name=\"_ftn249\">[249] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 24: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1045; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 27, 356 e 358.<\/div><div id=\"ftn250\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref250\" name=\"_ftn250\">[250] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1706.<\/div><div id=\"ftn251\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref251\" name=\"_ftn251\">[251] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1705.<\/div><div id=\"ftn252\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref252\" name=\"_ftn252\">[252] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 17: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1037; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1730-1732.<\/div><div id=\"ftn253\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref253\" name=\"_ftn253\">[253] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1160-1161; Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 17: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1038.<\/div><div id=\"ftn254\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref254\" name=\"_ftn254\">[254] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1733.<\/div><div id=\"ftn255\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref255\" name=\"_ftn255\">[255] <\/a>Cf. S. Greg\u00f3rio Nisseno, <i>De vita Moysis<\/i>, 2, 2-3: PG 44, 327B-328B: \u00ab\u2026unde fit, ut nos ipsi patres quodammodo simus nostri\u2026vitii ac virtutis ratione fingentes\u00bb.<\/div><div id=\"ftn256\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref256\" name=\"_ftn256\">[256] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 13: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 809-810.<\/div><div id=\"ftn257\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref257\" name=\"_ftn257\">[257] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1706.<\/div><div id=\"ftn258\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref258\" name=\"_ftn258\">[258] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 35: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1161-1162.<\/div><div id=\"ftn259\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref259\" name=\"_ftn259\">[259] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1740.<\/div><div id=\"ftn260\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref260\" name=\"_ftn260\">[260] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 75: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 587.<\/div><div id=\"ftn261\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref261\" name=\"_ftn261\">[261] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1749-1756.<\/div><div id=\"ftn262\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref262\" name=\"_ftn262\">[262] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 86: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1201.<\/div><div id=\"ftn263\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref263\" name=\"_ftn263\">[263] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 44. 99: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1168-1169. 1210-1211.<\/div><div id=\"ftn264\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref264\" name=\"_ftn264\">[264] <\/a>Jo\u00e3o PauloII, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 61: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1181-1182.<\/div><div id=\"ftn265\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref265\" name=\"_ftn265\">[265] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 50: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1173-1174.<\/div><div id=\"ftn266\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref266\" name=\"_ftn266\">[266] <\/a>S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>In duo praecepta caritatis et in decem Legis praecepta expositio<\/i>, c. 1: \u00abNunc autem de <i>scientia operandorum<\/i> intendimus: ad quam tractandam <i>quadruplex<\/i> lex invenitur. <i>Prima<\/i> dicitur lex naturae; et haec nihil aliud est nisi lumen intellectus insitum nobis a Deo, per quod cognoscimus quid agendum et quid vitandum. Hoc lumen et hanc legem dedit Deus homini in creatione\u00bb: Divi Thomae Aquinatis, Doctoris Angelici, <i>Opuscola Theologica, <\/i>v. II: <i>De re spirituali, <\/i>cura et studio P. Fr. Raymundi Spiazzi o.p., Marietti ed., Taurini\u2013Romae 1954, p. 245.<\/div><div id=\"ftn267\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref267\" name=\"_ftn267\">[267] <\/a>Cf. S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae<\/i>, I-II, q. 91, a. 2, c: Ed. Leon. 7,154: \u00ab\u2026partecipatio legis aeternae in rationali creatura lex naturalis dicitur\u00bb.<\/div><div id=\"ftn268\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref268\" name=\"_ftn268\">[268] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1955.<\/div><div id=\"ftn269\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref269\" name=\"_ftn269\">[269] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1956.<\/div><div id=\"ftn270\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref270\" name=\"_ftn270\">[270] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1957.<\/div><div id=\"ftn271\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref271\" name=\"_ftn271\">[271] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1958.<\/div><div id=\"ftn272\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref272\" name=\"_ftn272\">[272] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano I, Cons. dogm. <i>Dei filius<\/i>, c. 2: <i>DS<\/i> 3005, p. 588; cf. Pio XII, Carta encicl. <i>Humani generis<\/i>: <i>AAS<\/i> 42 (1950) 562.<\/div><div id=\"ftn273\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref273\" name=\"_ftn273\">[273] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1960.<\/div><div id=\"ftn274\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref274\" name=\"_ftn274\">[274] <\/a>Cf. S. Agostinho, <i>Confessiones<\/i>, 2, 4, 9: PL 32, 678: \u00abFurtum certe punit lex tua, Domine, et lex scripta in cordibus hominum, quam ne ipsa quidem delet iniquitas\u00bb.<\/div><div id=\"ftn275\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref275\" name=\"_ftn275\">[275] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1959.<\/div><div id=\"ftn276\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref276\" name=\"_ftn276\">[276] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 51: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1175.<\/div><div id=\"ftn277\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref277\" name=\"_ftn277\">[277] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vitae<\/i>, 19-20: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 421-424.<\/div><div id=\"ftn278\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref278\" name=\"_ftn278\">[278] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 13: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1034-1035.<\/div><div id=\"ftn279\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref279\" name=\"_ftn279\">[279] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1741.<\/div><div id=\"ftn280\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref280\" name=\"_ftn280\">[280] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 87: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1202-1203.<\/div><div id=\"ftn281\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref281\" name=\"_ftn281\">[281] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1934.<\/div><div id=\"ftn282\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref282\" name=\"_ftn282\">[282] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 29: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1048-1049.<\/div><div id=\"ftn283\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref283\" name=\"_ftn283\">[283] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogecima adveniens<\/i>, 16: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 413.<\/div><div id=\"ftn284\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref284\" name=\"_ftn284\">[284] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 279-281;Paulo VI, <i>Discurso \u00e0 Assembl\u00e9ia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (4 de Outubro de 1965), 5: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 881; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso por ocasi\u00e3o do 50\u00ba Anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (5 de Outubro de 1995), 13: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1995, p. 4.<\/div><div id=\"ftn285\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref285\" name=\"_ftn285\">[285] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 84: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1107-1108.<\/div><div id=\"ftn286\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref286\" name=\"_ftn286\">[286] <\/a>Cf. Paulo VI, <i>Discurso \u00e0 Assembl\u00e9ia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (4 de Outubro de 1965), 5: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 881; Id., Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 43-44: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 278-279.<\/div><div id=\"ftn287\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref287\" name=\"_ftn287\">[287] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 50: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 489.<\/div><div id=\"ftn288\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref288\" name=\"_ftn288\">[288] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. <i>Mulieris dignitatem<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 1678.<\/div><div id=\"ftn289\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref289\" name=\"_ftn289\">[289] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Carta \u00e0s mulheres<\/i>, 8: <i>AAS <\/i>87 (1995) 808.<\/div><div id=\"ftn290\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref290\" name=\"_ftn290\">[290] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Angelus Domini <\/i>(9 de Julho de 1995): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 15 de Julho de 1995, p. 1; cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Carta aos Bispos da Igreja Cat\u00f3lica sobre a colabora\u00e7\u00e3o do homem e da mulher na Igreja e no mundo<\/i>, Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2004.<\/div><div id=\"ftn291\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref291\" name=\"_ftn291\">[291] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 634.<\/div><div id=\"ftn292\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref292\" name=\"_ftn292\">[292] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 634.<\/div><div id=\"ftn293\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref293\" name=\"_ftn293\">[293] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem aos Participantes no Congresso Internacional sobre a \u201cDignidade e direitos da pessoa com defici\u00eancia mental\u201d<\/i> (5 de Janeiro de 2004): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 17 de Janeiro de 2004, p. 3.<\/div><div id=\"ftn294\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref294\" name=\"_ftn294\">[294] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 12: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1034; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 1879.<\/div><div id=\"ftn295\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref295\" name=\"_ftn295\">[295] <\/a>Cf. Pio XII, <i>Radiomensagem <\/i>(24 de Dezembro de 1942), 6: <i>AAS<\/i> 35 (1943) 11-12; Jo\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>, 16: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 264-265<\/div><div id=\"ftn296\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref296\" name=\"_ftn296\">[296] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1880.<\/div><div id=\"ftn297\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref297\" name=\"_ftn297\">[297] <\/a>A natural sociabilidade do homem p\u00f5e tamb\u00e9m de manifesto que a origem da sociedade n\u00e3o se encontra num \u00abcontrato\u00bb ou \u00abpacto\u00bb convencional, mas na pr\u00f3pria natureza humana; e da\u00ed deriva a possibilidade de realizar livremente diversos pactos de associa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se h\u00e1 de esquecer de que as ideologias do contrato social se ap\u00f3iam numa antropologia falsa; por conseguinte, os seus resultados n\u00e3o podem ser \u2014 de fato nunca o foram \u2014 prof\u00edcuos para a sociedade e para as pessoas. O Magist\u00e9rio qualificou tais opini\u00f5es como abertamente absurdas e sumamente funestas: cf. Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Libertas praestantissimum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 8 (1889) 226-227.<\/div><div id=\"ftn298\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref298\" name=\"_ftn298\">[298] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 32: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 567.<\/div><div id=\"ftn299\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref299\" name=\"_ftn299\">[299] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 25: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1045-1046.<\/div><div id=\"ftn300\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref300\" name=\"_ftn300\">[300] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 26: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 544-547; Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 76: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1099-1100.<\/div><div id=\"ftn301\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref301\" name=\"_ftn301\">[301] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1882.<\/div><div id=\"ftn302\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref302\" name=\"_ftn302\">[302] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Dignitatis human\u00e6<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 929-930.<\/div><div id=\"ftn303\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref303\" name=\"_ftn303\">[303] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes, <\/i>41: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1059-1060; Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00e3o para o estudo e o ensinamento da doutrina social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 32: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, pp. 36-37.<\/div><div id=\"ftn304\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref304\" name=\"_ftn304\">[304] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Assembl\u00e9ia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas <\/i>(2 de Outubro de 1979), 7: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 7 de Outubro de 1979, p. 8; para Jo\u00e3o Paulo II tal <i>Declara\u00e7\u00e3o<\/i> \u00abpermanece uma das mais altas express\u00f5es da consci\u00eancia humana do nosso tempo \u00bb: Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso por ocasi\u00e3o do 50\u00ba Anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (5 de Outubro de 1995), 2: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1995, p. 3.<\/div><div id=\"ftn305\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref305\" name=\"_ftn305\">[305] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 27: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1047-1048; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1930.<\/div><div id=\"ftn306\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref306\" name=\"_ftn306\">[306] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 259; Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1079.<\/div><div id=\"ftn307\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref307\" name=\"_ftn307\">[307] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 278-279.<\/div><div id=\"ftn308\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref308\" name=\"_ftn308\">[308] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 259.<\/div><div id=\"ftn309\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref309\" name=\"_ftn309\">[309] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 379.<\/div><div id=\"ftn310\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref310\" name=\"_ftn310\">[310] <\/a>Paulo VI, <i>Mensagem \u00e0 Confer\u00eancia Internacional sobre os Direitos do Homem<\/i> (15 de Abril de 1968): <i>AAS<\/i> 60 (1968) 285.<\/div><div id=\"ftn311\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref311\" name=\"_ftn311\">[311] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 379.<\/div><div id=\"ftn312\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref312\" name=\"_ftn312\">[312] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 379.<\/div><div id=\"ftn313\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref313\" name=\"_ftn313\">[313] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1998<\/i>, 2: <i>AAS<\/i> 90 (1998) 149.<\/div><div id=\"ftn314\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref314\" name=\"_ftn314\">[314] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 259-264.<\/div><div id=\"ftn315\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref315\" name=\"_ftn315\">[315] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 26: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1046-1047.<\/div><div id=\"ftn316\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref316\" name=\"_ftn316\">[316] <\/a>Cf. Paulo VI, <i>Discurso \u00e0 Assembl\u00e9ia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas <\/i>(4 de Outubro de 1965), 6: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 883-884; Id., <i>Mensagem aos Bispos reunidos para o S\u00ednodo<\/i> (23 de Outubro de 1974): <i>AAS<\/i> 66 (1974) 631-639.<\/div><div id=\"ftn317\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref317\" name=\"_ftn317\">[317] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. <i>Centesimus annus, <\/i>47: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 851-852; cf. tamb\u00e9m Id., <i>Discurso \u00e0 Assembl\u00e9ia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas <\/i>(2 de Outubro de 1979), 13: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 7 de Outubro de 1979, p. 9.<\/div><div id=\"ftn318\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref318\" name=\"_ftn318\">[318] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. <i>Evangelium vitae, <\/i>2: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 402.<\/div><div id=\"ftn319\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref319\" name=\"_ftn319\">[319] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes, <\/i>27: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1047-1048; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 80: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1197-1198; Id., Carta encicl. <i>Evangelium vitae, <\/i>7-28: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 408-433.<\/div><div id=\"ftn320\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref320\" name=\"_ftn320\">[320] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Dignitatis humanae, <\/i>2: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 930-931.<\/div><div id=\"ftn321\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref321\" name=\"_ftn321\">[321] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor hominis<\/i>, 17: <i>AAS<\/i>71 (1979) 300.<\/div><div id=\"ftn322\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref322\" name=\"_ftn322\">[322] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 259-264; Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 26: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1046-1047.<\/div><div id=\"ftn323\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref323\" name=\"_ftn323\">[323] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 264.<\/div><div id=\"ftn324\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref324\" name=\"_ftn324\">[324] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 264.<\/div><div id=\"ftn325\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref325\" name=\"_ftn325\">[325] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 33: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 557-559; Id., Carta enc. <i>Centesimus annus<\/i>, 21: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 818-819.<\/div><div id=\"ftn326\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref326\" name=\"_ftn326\">[326] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta <i>No Q\u00fcinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio do in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial<\/i>, 8: <i>AAS<\/i> 82 (1990) 56.<\/div><div id=\"ftn327\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref327\" name=\"_ftn327\">[327] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta <i>No Q\u00fcinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio do in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial<\/i>, 8: <i>AAS<\/i> 82 (1990) 56.<\/div><div id=\"ftn328\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref328\" name=\"_ftn328\">[328] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Corpo Diplom\u00e1tico <\/i>(9 de Janeiro de 1988), 7-8: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 24 de Janeiro de 1988, p. 6.<\/div><div id=\"ftn329\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref329\" name=\"_ftn329\">[329] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso por ocasi\u00e3o do 50\u00ba Anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (5 de Outubro de 1995), 8: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1995, p. 4.<\/div><div id=\"ftn330\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref330\" name=\"_ftn330\">[330] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso por ocasi\u00e3o do 50\u00ba Anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (5 de Outubro de 1995), 8: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1995, p. 4.<\/div><div id=\"ftn331\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref331\" name=\"_ftn331\">[331] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 47: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 852.<\/div><div id=\"ftn332\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref332\" name=\"_ftn332\">[332] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor hominis<\/i>, 17: <i>AAS<\/i>71 (1979) 295-300.<\/div><div id=\"ftn333\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref333\" name=\"_ftn333\">[333] <\/a>Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 23: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 418.<\/div><div id=\"ftn334\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref334\" name=\"_ftn334\">[334] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 54: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 859-860.<\/div><div id=\"ftn335\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref335\" name=\"_ftn335\">[335] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1060.<\/div><div id=\"ftn336\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref336\" name=\"_ftn336\">[336] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos Oficiais e Advogados do Tribunal da Rota Romana<\/i> (17 de Fevereiro de 1979), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 25 de Fevereiro de 1979, p. 2.<\/div><div id=\"ftn337\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref337\" name=\"_ftn337\">[337] <\/a>Cf. CIC, cann. 208-223.<\/div><div id=\"ftn338\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref338\" name=\"_ftn338\">[338] <\/a>Cf. Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o \u00abIustitia et Pax\u00bb, <i>A Igreja e os direitos do homem<\/i>, 70-90, Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1975, pp. 47-55.<\/div><div id=\"ftn339\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref339\" name=\"_ftn339\">[339] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 572.<\/div><div id=\"ftn340\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref340\" name=\"_ftn340\">[340] <\/a>Paulo VI, Motu pr\u00f3prio <i>Iustitiam et Pacem <\/i>(10 de Dezembro de 1976): <i>AAS<\/i> 68 (1976) 700.<\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1243\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1243\" aria-controls=\"collapse1243\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CAP\u00cdTULO IV - OS PRINC\u00cdPIOS DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1243\" data-parent=\"#sp-ea-124\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1243\"> <div class=\"ea-body\"><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b><a name=\"I. SIGNIFICADO E UNIDADE DOS PRINC\u00cdPIOS\"><\/a>I. SIGNIFICADO E UNIDADE DOS PRINC\u00cdPIOS<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>160<\/b> <i>Os princ\u00edpios permanentes da doutrina social da Igreja<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn341\" name=\"_ftnref341\"> [341] <\/a><i>constituem os verdadeiros e pr\u00f3prios gonzos do ensinamento social cat\u00f3lico: trata-se do princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana<\/i> \u2015 j\u00e1 tratado no cap\u00edtulo anterior \u2015 no qual todos os demais princ\u00edpios ou conte\u00fados da doutrina social da Igreja t\u00eam fundamento<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn342\" name=\"_ftnref342\"> [342] <\/a>, do <i>bem comum<\/i>, da <i>subsidiariedade<\/i> e da <i>solidariedade<\/i>. Estes princ\u00edpios, express\u00f5es da verdade inteira sobre o homem conhecida atrav\u00e9s da raz\u00e3o e da f\u00e9, promanam \u00abdo encontro da mensagem evang\u00e9lica e de suas exig\u00eancias, resumidas no mandamento supremo do amor com os problemas que emanam da vida da sociedade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn343\" name=\"_ftnref343\"> [343] <\/a>. A Igreja, no curso da hist\u00f3ria e \u00e0 luz do Esp\u00edrito, refletindo sapientemente no seio da pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o de f\u00e9, p\u00f4de dar-lhes fundamenta\u00e7\u00e3o e configura\u00e7\u00e3o cada vez mais acuradas, individualizando-os progressivamente no esfor\u00e7o de responder com coer\u00eancia \u00e0s exig\u00eancias dos tempos e aos cont\u00ednuos progressos da vida social.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>161<\/b> <i>Estes princ\u00edpios t\u00eam um car\u00e1ter geral<\/i> <i>e<\/i> <i>fundamental, pois que se referem \u00e0 realidade social no seu conjunto<\/i>: das rela\u00e7\u00f5es interpessoais, caracterizadas pela proximidade e por serem imediatas, \u00e0s mediadas pela pol\u00edtica, pela economia e pelo direito; das rela\u00e7\u00f5es entre indiv\u00edduos ou grupos \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre os povos e as na\u00e7\u00f5es. Pela sua <i>perman\u00eancia no tempo<\/i> e <i>universalidade<\/i> <i>de significado<\/i>, a Igreja os indica como primeiro e fundamental par\u00e2metro de refer\u00eancia para a interpreta\u00e7\u00e3o e o exame dos fen\u00f4menos sociais, necess\u00e1rios porque deles se podem apreender os crit\u00e9rios de discernimento e de orienta\u00e7\u00e3o do agir social, em todos os \u00e2mbitos.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>162<\/b> <i>Os princ\u00edpios da doutrina social devem ser apreciados na sua unidade, conex\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o<\/i>. Uma tal exig\u00eancia tem suas ra\u00edzes no significado que a Igreja mesma atribui \u00e0 pr\u00f3pria doutrina social; \u00ab<i>corpus<\/i>\u00bb doutrinal unit\u00e1rio que interpreta de modo org\u00e2nico as realidade sociais<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn344\" name=\"_ftnref344\"> [344] <\/a>. A aten\u00e7\u00e3o a cada princ\u00edpio na sua especificidade n\u00e3o deve levar ao seu emprego parcial e errado, como acontece quando evocado de modo desarticulado e desconexo em rela\u00e7\u00e3o aos demais. O aprofundamento te\u00f3rico e a pr\u00f3pria aplica\u00e7\u00e3o, ainda que somente de um dos princ\u00edpios sociais, fazem vir \u00e0 tona com clareza a reciprocidade, a complementaridade, os nexos que os estruturam. Estes eixos fundamentais da doutrina da Igreja representam, al\u00e9m disso, bem mais do que um patrim\u00f4nio permanente de reflex\u00e3o que, diga-se a prop\u00f3sito, \u00e9 parte essencial da mensagem crist\u00e3, pois indicam todos os caminhos poss\u00edveis para edificar uma vida social verdadeira, boa, autenticamente renovada<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn345\" name=\"_ftnref345\"> [345] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>163<\/b> <i>Os princ\u00edpios da vida social, no seu conjunto, constituem aquela primeira articula\u00e7\u00e3o da verdade da sociedade, pela qual cada consci\u00eancia \u00e9 interpelada e convidada a interagir com todas as demais, na liberdade, em plena co-responsabilidade com todos e em rela\u00e7\u00e3o a todos<\/i>. \u00c0 <i>quest\u00e3o da verdade e do sentido do viver social<\/i>, com efeito, o homem n\u00e3o se pode furtar, pois a sociedade n\u00e3o \u00e9 uma realidade estranha ao seu mesmo existir.<\/p><p><i>Estes princ\u00edpios t\u00eam um significado profundamente moral porque remetem aos fundamentos \u00faltimos e ordenadores da vida social<\/i>. Para compreend\u00ea-los plenamente, \u00e9 preciso agir na sua dire\u00e7\u00e3o, na via do desenvolvimento por eles indicado para uma vida digna do homem. A exig\u00eancia moral \u00ednsita nos grandes princ\u00edpios sociais concerne quer ao agir pessoal dos indiv\u00edduos, enquanto primeiros e insubstitu\u00edveis sujeitos da vida social em todos os n\u00edveis, quer, ao mesmo tempo, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, representadas por leis, normas de consuetudin\u00e1rias e estruturas civis, dada a sua capacidade de influenciar e condicionar as op\u00e7\u00f5es de muitos e por muito tempo. Os princ\u00edpios recordam, com efeito, que a sociedade historicamente existente promana do entrelace das liberdades de todas as pessoas que nela interagem, contribuindo, mediante as suas op\u00e7\u00f5es, para edific\u00e1-la ou para empobrec\u00ea-la.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>II. O PRINC\u00cdPIO DO BEM COMUM<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"Significado e principais implica\u00e7\u00f5es\"><\/a>Significado e principais implica\u00e7\u00f5es<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>164<\/b> <i>Da dignidade, unidade e igualdade de todas as pessoas deriva, antes de tudo, o princ\u00edpio do bem comum, a que se deve relacionar cada aspecto da vida social para encontrar pleno sentido<\/i>. Segundo uma primeira e vasta acep\u00e7\u00e3o, por <i>bem comum <\/i>se entende: \u00abo conjunto de condi\u00e7\u00f5es da vida social que permitem, tanto aos grupos, como a cada um dos seus membros, atingir mais plena e facilmente a pr\u00f3pria perfei\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn346\" name=\"_ftnref346\"> [346] <\/a>.<\/p><p><i>O bem comum n\u00e3o consiste na simples soma dos bens particulares de cada sujeito do corpo social. Sendo de todos e de cada um, \u00e9 e permanece comum, porque indivis\u00edvel e porque somente juntos \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7\u00e1-lo, aument\u00e1-lo e conserv\u00e1-lo, tamb\u00e9m em vista do futuro<\/i>. Assim como o agir moral do indiv\u00edduo se realiza em fazendo o bem, assim o agir social alcan\u00e7a a plenitude realizando o bem comum. O bem comum pode ser entendido como a dimens\u00e3o social e comunit\u00e1ria do bem moral.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>165 <\/b><i>Uma sociedade que, em todos os n\u00edveis, quer intencionalmente estar ao servi\u00e7o do ser humano \u00e9 a que se prop\u00f5e como meta priorit\u00e1ria o bem comum, enquanto bem de todos os homens e do homem todo<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn347\" name=\"_ftnref347\"> [347] <\/a>. <i>A pessoa n\u00e3o pode encontrar plena realiza\u00e7\u00e3o somente em si mesma, prescindindo do seu ser <\/i>\u00ab<i>com<\/i>\u00bb<i> e <\/i>\u00ab<i>pelos<\/i>\u00bb<i> outros<\/i>. Essa verdade imp\u00f5e-lhe n\u00e3o uma simples conviv\u00eancia nos v\u00e1rios n\u00edveis da vida social e relacional, mas a busca incans\u00e1vel, de modo pr\u00e1tico e n\u00e3o s\u00f3 ideal, do bem ou do sentido e da verdade que se podem encontrar nas formas de vida social existentes. Nenhuma forma expressiva da sociabilidade \u2014 da fam\u00edlia ao grupo social interm\u00e9dio, \u00e0 associa\u00e7\u00e3o, \u00e0 empresa de car\u00e1ter econ\u00f4mico, \u00e0 cidade, \u00e0 regi\u00e3o, ao Estado, at\u00e9 \u00e0 comunidade dos povos e das na\u00e7\u00f5es \u2014 pode evitar a interroga\u00e7\u00e3o sobre o pr\u00f3prio bem comum, que \u00e9 constitutivo do seu significado e aut\u00eantica raz\u00e3o de ser da sua pr\u00f3pria subsist\u00eancia<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn348\" name=\"_ftnref348\"> [348] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"A responsabilidade de todos pelo bem comum\"><\/a>A responsabilidade de todos pelo bem comum<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>166<\/b> <i>As exig\u00eancias do bem comum derivam das condi\u00e7\u00f5es sociais de cada \u00e9poca e est\u00e3o estreitamente conexas com o respeito e com a promo\u00e7\u00e3o integral da pessoa e dos seus direitos fundamentais<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn349\" name=\"_ftnref349\"> [349] <\/a>. Essas exig\u00eancias referem-se, antes de mais, ao empenho pela paz, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos poderes do Estado, a uma s\u00f3lida ordem jur\u00eddica, \u00e0 salvaguarda do ambiente, \u00e0 presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os essenciais \u00e0s pessoas, alguns dos quais s\u00e3o, ao mesmo tempo, direitos do homem: alimenta\u00e7\u00e3o, morada, trabalho, educa\u00e7\u00e3o e acesso \u00e0 cultura, sa\u00fade, transportes, livre circula\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e tutela da liberdade religiosa<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn350\" name=\"_ftnref350\"> [350] <\/a>. N\u00e3o se h\u00e1 de olvidar o aporte que cada na\u00e7\u00e3o tem o dever de dar para uma verdadeira coopera\u00e7\u00e3o internacional, em vista do bem comum da humanidade inteira, inclusive para as gera\u00e7\u00f5es futuras<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn351\" name=\"_ftnref351\"> [351] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>167.<\/b> <i>O bem comum empenha todos os membros da sociedade: ningu\u00e9m est\u00e1 escusado de colaborar, de acordo com as pr\u00f3prias possibilidades, na sua busca e no seu desenvolvimento<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn352\" name=\"_ftnref352\"> [352] <\/a>. O bem comum exige ser servido plenamente, n\u00e3o segundo vis\u00f5es redutivas subordinadas \u00e0s vantagens de parte que se podem tirar, mas com base em uma l\u00f3gica que tende \u00e0 mais ampla responsabiliza\u00e7\u00e3o. O bem comum correspondente \u00e0s mais elevadas inclina\u00e7\u00f5es do homem<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn353\" name=\"_ftnref353\"> [353] <\/a>, mas \u00e9 um bem \u00e1rduo de alcan\u00e7ar, porque exige a capacidade e a busca constante do bem de outrem como se fosse pr\u00f3prio.<\/p><p><i>Todos t\u00eam tamb\u00e9m o direito de fruir das condi\u00e7\u00f5es de vida social criadas pelos resultados da consecu\u00e7\u00e3o do bem comum<\/i>. Soa ainda atual o ensinamento de Pio XI: \u00abDeve procurar-se que a reparti\u00e7\u00e3o dos bens criados, a qual n\u00e3o h\u00e1 quem n\u00e3o reconhe\u00e7a ser hoje causa de grav\u00edssimos inconvenientes pelo contraste estridente que h\u00e1 entre os poucos ultra-ricos e a multid\u00e3o inumer\u00e1vel dos indigentes, seja reconduzida \u00e0 conformidade com as normas do bem comum e da justi\u00e7a social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn354\" name=\"_ftnref354\"> [354] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"As tarefas da comunidade pol\u00edtica\"><\/a>As tarefas da comunidade pol\u00edtica<\/b><\/span><\/p><p><b>168<\/b> <i>A responsabilidade de perseguir o bem comum compete, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s pessoas consideradas individualmente, mas tamb\u00e9m ao Estado, pois que o bem comum \u00e9 a raz\u00e3o de ser da autoridade pol\u00edtica<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn355\" name=\"_ftnref355\"> [355] <\/a>. Na verdade, o Estado deve garantir coes\u00e3o, unidade e organiza\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade civil da qual \u00e9 express\u00e3o<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn356\" name=\"_ftnref356\"> [356] <\/a>, de modo que o bem comum possa ser conseguido com o contributo de todos os cidad\u00e3os. O indiv\u00edduo humano, a fam\u00edlia, as corpos interm\u00e9dios n\u00e3o s\u00e3o capazes por si pr\u00f3prias de chegar ao seu pleno desenvolvimento; da\u00ed serem necess\u00e1rias as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, cuja finalidade \u00e9 tornar acess\u00edveis \u00e0s pessoas os bens necess\u00e1rios \u2014 materiais, culturais, morais, espirituais \u2014 para levar uma vida verdadeiramente humana. O fim da vida social \u00e9 o bem comum historicamente realiz\u00e1vel<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn357\" name=\"_ftnref357\"> [357] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>169 <\/b><i>Para assegurar o bem comum, o governo de cada Pa\u00eds tem a tarefa espec\u00edfica de harmonizar com justi\u00e7a os diversos interesses setoriais<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn358\" name=\"_ftnref358\"> [358] <\/a>. A correta concilia\u00e7\u00e3o dos bens particulares de grupos e de indiv\u00edduos \u00e9 uma das fun\u00e7\u00f5es mais delicadas do poder p\u00fablico. Al\u00e9m disso, n\u00e3o se h\u00e1 de olvidar que, no Estado democr\u00e1tico \u2014 no qual as decis\u00f5es s\u00e3o geralmente tomadas pela maioria dos representantes da vontade popular \u2014, aqueles que t\u00eam responsabilidade de governo est\u00e3o obrigados a interpretar o bem comum do seu Pa\u00eds, n\u00e3o s\u00f3 segundo as orienta\u00e7\u00f5es da maioria, mas tamb\u00e9m na perspectiva do bem efetivo de todos os membros da comunidade civil, inclusive dos que est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o de minoria.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>170<\/b> <i>O bem comum da sociedade n\u00e3o \u00e9 um fim isolado em si mesmo; ele tem valor somente em refer\u00eancia \u00e0 obten\u00e7\u00e3o dos fins \u00faltimos da pessoa e ao bem comum universal de toda a cria\u00e7\u00e3o<\/i>. Deus \u00e9 o fim \u00faltimo de suas criaturas e por motivo algum se pode privar o bem comum da sua dimens\u00e3o transcendente, que excede, mas tamb\u00e9m d\u00e1 cumprimento \u00e0 dimens\u00e3o hist\u00f3rica<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn359\" name=\"_ftnref359\"> [359] <\/a>. Esta perspectiva atinge a sua plenitude em for\u00e7a da f\u00e9 na P\u00e1scoa de Jesus, que oferece plena luz acerca da realiza\u00e7\u00e3o do verdadeiro bem comum da humanidade. A nossa hist\u00f3ria \u2014 o esfor\u00e7o pessoal e coletivo de elevar a condi\u00e7\u00e3o humana \u2014 come\u00e7a e culmina em Jesus: gra\u00e7as a Ele, por meio d\u2019Ele e em vista d\u2019Ele, toda a realidade, inclusa a sociedade humana, pode ser conduzida ao seu Bem Sumo, \u00e0 sua plena realiza\u00e7\u00e3o. Uma vis\u00e3o puramente hist\u00f3rica e materialista acabaria por transformar o bem comum em simples <i>bem-estar econ\u00f4mico<\/i>, destitu\u00eddo de toda finaliza\u00e7\u00e3o transcendente ou bem da sua mais profunda raz\u00e3o de ser.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><b><span style=\"color: #663300\">III. A DESTINA\u00c7\u00c3O UNIVERSAL DOS BENS<\/span><\/b><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"Origem e significado\"><\/a>Origem e significado<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>171<\/b> <i>Dentre as mult\u00edplices implica\u00e7\u00f5es do bem comum, assume particular import\u00e2ncia o princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens<\/i>: \u00abDeus destinou a terra e tudo o que ela cont\u00e9m para o uso de todos os homens e de todos os povos, de sorte que os bens criados devem chegar eq\u00fcitativamente \u00e0s m\u00e3os de todos, segundo a regra da justi\u00e7a, insepar\u00e1vel da caridade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn360\" name=\"_ftnref360\"> [360] <\/a>. Este princ\u00edpio se baseia no fato de que: \u00aba origem primeira de tudo o que \u00e9 bem \u00e9 o pr\u00f3prio ato de Deus que criou a terra e o homem, e ao homem deu a terra para que a domine com o seu trabalho e goze dos seus frutos (Cf. <i>Gn <\/i>1, 28-29). Deus deu a terra a todo o g\u00eanero humano, para que ela sustente todos os seus membros sem excluir nem privilegiar ningu\u00e9m. Est\u00e1 aqui a <i>raiz da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens da terra.<\/i> Esta, pela sua pr\u00f3pria fecundidade e capacidade de satisfazer as necessidades do homem, constitui o primeiro dom de Deus para o sustento da vida humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn361\" name=\"_ftnref361\"> [361] <\/a>. A pessoa n\u00e3o pode prescindir dos bens materiais que respondem \u00e0s suas necessidades prim\u00e1rias e constituem as condi\u00e7\u00f5es basilares para a sua exist\u00eancia; estes bens lhe s\u00e3o absolutamente indispens\u00e1veis para alimentar-se e crescer, para comunicar, para associar-se e para poder conseguir as mais altas finalidades a que \u00e9 chamada<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn362\" name=\"_ftnref362\"> [362] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>172<\/b> <i>O princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens da terra est\u00e1 na base do direito universal ao uso dos bens<\/i>. Todo o homem deve ter a possibilidade de usufruir do bem-estar necess\u00e1rio para o seu pleno desenvolvimento: o princ\u00edpio do uso comum dos bens \u00e9 o \u00abprimeiro princ\u00edpio de toda a ordem \u00e9tico-social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn363\" name=\"_ftnref363\"> [363] <\/a>e \u00abprinc\u00edpio t\u00edpico da doutrina social crist\u00e3\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn364\" name=\"_ftnref364\"> [364] <\/a>. Por esta raz\u00e3o a Igreja considerou necess\u00e1rio precisar-lhe a natureza e as caracter\u00edsticas. Trata-se, antes de tudo, de um direito<i> natural<\/i>, inscrito na natureza do homem e n\u00e3o de um direito somente positivo, ligado \u00e0 conting\u00eancia hist\u00f3rica; ademais, tal direito \u00e9 \u00ab<i>origin\u00e1rio<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn365\" name=\"_ftnref365\"> [365] <\/a>. \u00c9 inerente \u00e0 pessoa singularmente considerada, a cada pessoa, e \u00e9 <i>priorit\u00e1rio <\/i>em rela\u00e7\u00e3o a qualquer interven\u00e7\u00e3o humana sobre os bens, a qualquer regulamenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dos mesmos, a qualquer sistema e m\u00e9todo econ\u00f4mico-social: \u00abTodos os outros direitos, quaisquer que sejam, incluindo os de propriedade e de com\u00e9rcio livre, est\u00e3o-lhe subordinados [\u00e0 destina\u00e7\u00e3o universal dos bens]: n\u00e3o devem portanto impedir, mas, pelo contr\u00e1rio, facilitar a sua realiza\u00e7\u00e3o; e \u00e9 um dever social grave e urgente conduzi-los \u00e0 sua finalidade primeira\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn366\" name=\"_ftnref366\"> [366] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>173 <\/b><i>A atua\u00e7\u00e3o concreta do princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens, segundo os diferentes contextos culturais e sociais, implica uma precisa defini\u00e7\u00e3o dos modos, dos limites, dos objetos<\/i>. Destina\u00e7\u00e3o e uso universal n\u00e3o significam que tudo esteja \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de cada um ou de todos, e nem mesmo que a mesma coisa sirva ou perten\u00e7a a cada um ou a todos. Se \u00e9 verdade que todos nascem com o direito ao uso dos bens, \u00e9 igualmente verdadeiro que, para assegurar o seu exerc\u00edcio eq\u00fcitativo e ordenado, \u00e9 necess\u00e1rio que se atue uma regulamenta\u00e7\u00e3o, fruto de acordos nacionais e internacionais, e um ordenamento jur\u00eddico que determine e especifique tal exerc\u00edcio.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>174<\/b> <i>O princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens convida a cultivar uma vis\u00e3o da economia inspirada em valores morais que permitam nunca perder de vista nem a origem, nem a finalidade de tais bens, de modo a realizar um mundo eq\u00fcitativo e solid\u00e1rio<\/i>, em que a forma\u00e7\u00e3o da riqueza possa assumir uma fun\u00e7\u00e3o positiva. A riqueza, com efeito, apresenta esta val\u00eancia, na multiplicidade das formas que podem exprimi-la como o resultado de um processo produtivo de elabora\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-econ\u00f4mica dos recursos dispon\u00edveis, naturais e derivados, guiado pela inventiva, pela capacidade concretizar projetos, pelo trabalho dos homens, e empregada como meio \u00fatil para promover o bem-estar dos homens e dos povos e para contrastar-lhes a exclus\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>175 <\/b><i>O destina\u00e7\u00e3o universal dos bens comporta, portanto, um esfor\u00e7o comum que mira obter para toda pessoa e para todos os povos as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao desenvolvimento integral, de modo que todos possam contribuir para a promo\u00e7\u00e3o de um mundo mais humano<\/i>, \u00abonde cada um possa dar e receber, e onde o progresso de uns n\u00e3o seja mais um obst\u00e1culo ao desenvolvimento de outros, nem um pretexto para a sua sujei\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn367\" name=\"_ftnref367\"> [367] <\/a>. Este princ\u00edpio corresponde ao apelo que o Evangelho incessantemente dirige ao homem e \u00e0s sociedades de todos os tempos, sempre expostos \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es da avidez da posse, a que o pr\u00f3prio Senhor Jesus quis submeter-Se (Cf. <i>Mc<\/i> 1,12-13; <i>Mt<\/i> 4,1-11; <i>Lc<\/i> 4,1-13) ensinando-nos o caminho para super\u00e1-la com a Sua gra\u00e7a.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"Destina\u00e7\u00e3o universal dos bens e propriedade privada\"><\/a>Destina\u00e7\u00e3o universal dos bens e propriedade privada<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>176<\/b> <i>Mediante o trabalho, o homem, usando a sua intelig\u00eancia, consegue dominar a terra e torn\u00e1-la sua digna morada<\/i>: \u00abDeste modo, ele apropria-se de uma parte da terra, adquirida precisamente com o trabalho. Est\u00e1 aqui a origem da propriedade individual\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn368\" name=\"_ftnref368\"> [368] <\/a>. A propriedade privada, bem como as outras formas de dom\u00ednio privado dos bens, \u00abassegura a cada qual um meio absolutamente necess\u00e1rio para a autonomia pessoal e familiar e deve ser considerada como uma prolonga\u00e7\u00e3o da liberdade humana [...], constitui uma certa condi\u00e7\u00e3o das liberdades civis, porque estimula ao exerc\u00edcio da sua fun\u00e7\u00e3o e responsabilidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn369\" name=\"_ftnref369\"> [369] <\/a>. A propriedade privada \u00e9 elemento essencial de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica autenticamente social e democr\u00e1tica e \u00e9 garantia de uma reta ordem social. A doutrina social requer que a propriedade dos bens seja eq\u00fcitativamente acess\u00edvel a todos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn370\" name=\"_ftnref370\"> [370] <\/a>, de modo que todos sejam, ao menos em certa medida, propriet\u00e1rios, e exclui o recurso a formas de \u00abdom\u00ednio comum e prom\u00edscuo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn371\" name=\"_ftnref371\"> [371] <\/a><i>.<\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>177<\/b> <i>A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 nunca reconheceu o direito \u00e0 propriedade privada como absoluto e intoc\u00e1vel<\/i>: \u00abpelo contr\u00e1rio, sempre o entendeu no contexto mais vasto do direito comum de todos a utilizarem os bens da cria\u00e7\u00e3o inteira: <i>o direito \u00e0 propriedade privada est\u00e1 subordinado ao direito ao uso comum,<\/i> subordinado \u00e0 destina\u00e7\u00e3o universal dos bens\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn372\" name=\"_ftnref372\"> [372] <\/a>. O princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens afirma seja o pleno e perene senhorio de Deus sobre toda a realidade, seja a exig\u00eancia que os bens da cria\u00e7\u00e3o sejam e permane\u00e7am finalizados e destinados ao desenvolvimento de todo homem e de toda a humanidade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn373\" name=\"_ftnref373\"> [373] <\/a>. Este princ\u00edpio, por\u00e9m, n\u00e3o se op\u00f5e ao direito de propriedade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn374\" name=\"_ftnref374\"> [374] <\/a>, indica antes a necessidade de regulament\u00e1-lo. <i>A propriedade privada, com efeito, quaisquer que sejam as formas concretas dos regimes e das normas jur\u00eddicas que lhes digam respeito, \u00e9, na sua ess\u00eancia, somente um instrumento para o respeito do princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens, e portanto, em \u00faltima an\u00e1lise, n\u00e3o um fim, mas um meio<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn375\" name=\"_ftnref375\"> [375] <\/a><i>.<\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>178<\/b> <i>O ensinamento social da Igreja exorta a reconhecer a fun\u00e7\u00e3o social de qualquer forma de posse privada<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn376\" name=\"_ftnref376\"> [376] <\/a>, com a clara refer\u00eancia \u00e0s exig\u00eancias imprescind\u00edveis do bem comum<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn377\" name=\"_ftnref377\"> [377] <\/a>. O homem \u00abque possui legitimamente as coisas materiais n\u00e3o as deve ter s\u00f3 como pr\u00f3prias dele, mas tamb\u00e9m como comuns, no sentido que elas possam ser \u00fateis n\u00e3o somente a ele mas tamb\u00e9m aos outros\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn378\" name=\"_ftnref378\"> [378] <\/a>. <i>A destina\u00e7\u00e3o universal dos bens comporta v\u00ednculos ao seu uso por parte dos leg\u00edtimos propriet\u00e1rios<\/i>. Cada pessoa, ao agir, n\u00e3o pode prescindir dos efeitos do uso dos pr\u00f3prios recursos, mas deve atuar de modo a perseguir, ademais da vantagem pessoal e familiar, igualmente o bem comum. Donde decorre o dever dos propriet\u00e1rios de n\u00e3o manter ociosos os bens possu\u00eddos e de os destinar \u00e0 atividade produtiva, tamb\u00e9m confiando-os a quem tem desejo e capacidade de os levar a produzir.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>179 <\/b><i>A atual fase hist\u00f3rica, colocando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da sociedade bens novos, de todo desconhecidos at\u00e9 a tempos recentes, imp\u00f5e uma releitura do princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens da terra, tornando necess\u00e1rio estend\u00ea-lo de sorte que compreenda tamb\u00e9m os frutos do recente progresso econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico<\/i>. A propriedade dos novos bens, fruto do conhecimento, da t\u00e9cnica e do saber, torna-se cada vez mais decisiva, pois \u00aba riqueza das na\u00e7\u00f5es industrializadas funda-se muito mais sobre este tipo de propriedade, do que sobre a dos recursos naturais\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn379\" name=\"_ftnref379\"> [379] <\/a>.<\/p><p><i>Os novos conhecimentos t\u00e9cnicos e cient\u00edficos devem ser postos ao servi\u00e7o das necessidades primarias do homem, para que possa acrescer gradualmente o patrim\u00f4nio comum da humanidade<\/i>. A plena atua\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens requer, portanto, a\u00e7\u00f5es no plano internacional e iniciativas programadas por parte de todos os pa\u00edses: \u00abTorna-se necess\u00e1rio quebrar as barreiras e os monop\u00f3lios que deixam tantos povos \u00e0 margem do progresso, e garantir, a todos os indiv\u00edduos e na\u00e7\u00f5es, as condi\u00e7\u00f5es basilares que lhes permitam participar no desenvolvimento\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn380\" name=\"_ftnref380\"> [380] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>180<\/b> <i>Se no processo de desenvolvimento econ\u00f4mico e social, adquirem not\u00e1vel relev\u00e2ncia formas de propriedade desconhecidas no passado, n\u00e3o se podem, todavia, esquecer as tradicionais. A propriedade individual n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma leg\u00edtima de posse. Reveste tamb\u00e9m particular import\u00e2ncia a antiga forma de propriedade comunit\u00e1ria <\/i>que, mesmo se presentes nos pa\u00edses economicamente avan\u00e7ados, caracteriza, de modo particular, a estrutura social de numerosos povos ind\u00edgenas<i>. <\/i>\u00c9 uma forma de propriedade que incide com uma profundidade tal na vida econ\u00f4mica, cultural e pol\u00edtica daqueles povos, que chega a constituir um elemento fundamental para a sua sobreviv\u00eancia e bem-estar. A defesa e a valoriza\u00e7\u00e3o da propriedade comunit\u00e1ria n\u00e3o devem, todavia, excluir a consci\u00eancia do fato de que tamb\u00e9m este tipo de propriedade \u00e9 destinado a evoluir. Se se agisse de modo a garantir-lhe t\u00e3o-somente a conserva\u00e7\u00e3o, correr-se-ia o risco de at\u00e1-la ao passado e, deste modo, de compromet\u00ea-la<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn381\" name=\"_ftnref381\"> [381] <\/a>.<\/p><p><i>Permanece sempre crucial, sobretudo nos pa\u00edses em via de desenvolvimento ou que sa\u00edram de sistemas coletivistas ou de coloniza\u00e7\u00e3o, a distribui\u00e7\u00e3o eq\u00fcitativa da terra<\/i>. Nas zonas rurais a possibilidade de aceder \u00e0 terra mediante a oportunidade oferecida tamb\u00e9m pelos mercados do trabalho e do cr\u00e9dito \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o acesso aos outros bens e servi\u00e7os; al\u00e9m de constituir um caminho eficaz para a salvaguarda do ambiente, tal possibilidade representa um sistema de seguran\u00e7a social realiz\u00e1vel tamb\u00e9m nos pa\u00edses que t\u00eam uma estrutura administrativa fr\u00e1gil<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn382\" name=\"_ftnref382\"> [382] <\/a>.<\/p><p><b>181<\/b> <i>Da propriedade deriva para o sujeito possessor, quer seja um indiv\u00edduo, quer seja uma comunidade, uma s\u00e9rie de objetivas vantagens<\/i>: melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, seguran\u00e7a para o futuro, oportunidades de escolha mais amplas. <i>Da propriedade, por outro lado, pode provir tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de promessas ilus\u00f3rias e tentadoras<\/i>. O homem ou a sociedade que chegam ao ponto de absolutizar o papel da propriedade, acabam por experimentar a mais radical escravid\u00e3o. Nenhuma posse, com efeito, pode ser considerada indiferente pelo influxo que tem tanto sobre os indiv\u00edduos, quanto sobre as institui\u00e7\u00f5es: o possessor que incautamente idolatra os seus bens (Cf. <i>Mt<\/i> 6, 24; 19, 21-26; <i>Lc<\/i> 16, 13) acaba por ser, mais do que nunca, possu\u00eddo e escravizado<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn383\" name=\"_ftnref383\"> [383] <\/a>. Somente reconhecendo a sua depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a Deus Criador e ordenando-os ao bem comum \u00e9 poss\u00edvel conferir aos bens materiais a fun\u00e7\u00e3o de instrumentos \u00fateis ao crescimento dos homens e dos povos.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"Destina\u00e7\u00e3o universal dos bens e op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres\"><\/a>Destina\u00e7\u00e3o universal dos bens e op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>182<\/b> <i>O princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens requer que se cuide com particular solicitude dos pobres, daqueles que se acham em posi\u00e7\u00e3o de marginalidade e, em todo caso, das pessoas cujas condi\u00e7\u00f5es de vida lhes impedem um crescimento adequado<\/i>. A esse prop\u00f3sito deve ser reafirmada, em toda a sua for\u00e7a, a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn384\" name=\"_ftnref384\"> [384] <\/a>. \u00abTrata-se de uma op\u00e7\u00e3o, ou de uma <i>forma especial<\/i> de primado na pr\u00e1tica da caridade crist\u00e3, testemunhada por toda a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. Ela concerne a vida de cada crist\u00e3o, enquanto deve ser imita\u00e7\u00e3o da vida de Cristo; mas aplica-se igualmente \u00e0s nossas <i>responsabilidades sociais<\/i> e, por isso, ao nosso viver e \u00e0s decis\u00f5es que temos de tomar, coerentemente, acerca da propriedade e do uso dos bens. Mais ainda: hoje, dada a dimens\u00e3o mundial que a quest\u00e3o social assumiu, este amor preferencial, com as decis\u00f5es que ele nos inspira, n\u00e3o pode deixar de abranger as imensas multid\u00f5es de famintos, de mendigos, sem-teto, sem assist\u00eancia m\u00e9dica e, sobretudo, sem esperan\u00e7a de um futuro melhor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn385\" name=\"_ftnref385\"> [385] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>183<\/b> <i>A mis\u00e9ria humana \u00e9 o sinal manifesto da condi\u00e7\u00e3o de fragilidade do homem e da sua necessidade de salva\u00e7\u00e3o<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn386\" name=\"_ftnref386\"> [386] <\/a>. Dela teve compaix\u00e3o Cristo Salvador, que se identificou com os Seus \u00abirm\u00e3os mais pequeninos\u00bb (<i>Mt<\/i> 25, 40.45): \u00abJesus Cristo reconhecer\u00e1 seus eleitos pelo que tiverem feito pelos pobres. Temos o sinal da presen\u00e7a de Cristo quando \u201cos pobres s\u00e3o evangelizados\u201d (<i>Mt<\/i>. 11, 5)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn387\" name=\"_ftnref387\"> [387] <\/a>.<\/p><p>Jesus diz \u00ab pobres sempre os tereis convosco, mas a Mim nem sempre Me tereis\u00bb (<i>Mt<\/i> 26,11; cf. <i>Mc<\/i> 14, 7;<i> Jo <\/i>12,1-8) n\u00e3o para contrapor ao servi\u00e7o dos pobres a aten\u00e7\u00e3o que se Lhe devota. O realismo crist\u00e3o, enquanto por um lado aprecia os louv\u00e1veis esfor\u00e7os que se fazem para vencer a pobreza, por outro p\u00f5e em guarda contra posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e messianismos que alimentam a ilus\u00e3o de que se possa suprimir deste mundo de maneira total o problema da pobreza. Isto acontecer\u00e1 somente no Seu retorno, quando Ele estar\u00e1 de novo conosco para sempre. Neste interregno, <i>os pobres ficam confiados a n\u00f3s e sobre esta responsabilidade seremos julgados no fim<\/i> (Cf. <i>Mt<\/i> 25, 31-46): \u00abNosso Senhor adverte-nos de que seremos separados dele se deixarmos de ir ao encontro das necessidades dos pobres e dos pequenos que s\u00e3o Seus irm\u00e3os\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn388\" name=\"_ftnref388\"> [388] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>184<\/b> <i>O amor da Igreja pelos pobres inspira-se no Evangelho das bem-aventuran\u00e7as, na pobreza de Jesus e na Sua aten\u00e7\u00e3o aos pobres. Tal amor refere-se \u00e0 pobreza material e tamb\u00e9m \u00e0s numerosas formas de pobreza cultural e religiosa<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn389\" name=\"_ftnref389\"> [389] <\/a>. A Igreja, \u00abdesde as suas origens, apesar das falhas de muitos de seus membros, n\u00e3o deixou nunca de trabalhar por alivi\u00e1-los, defend\u00ea-los e libert\u00e1-los. Ela o faz por meio de in\u00fameras obras de benefic\u00eancia, que continuam a ser, sempre e por toda parte, indispens\u00e1veis\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn390\" name=\"_ftnref390\"> [390] <\/a>. Inspirada no preceito evang\u00e9lico: \u00ab Recebestes de gra\u00e7a, de gra\u00e7a dai \u00bb (<i>Mt<\/i> 10,8), a Igreja ensina a socorrer o pr\u00f3ximo nas suas v\u00e1rias necessidades e difunde na comunidade humana in\u00fameras <i>obras de miseric\u00f3rdia corporais e espirituais<\/i>. \u00abDentre estes gestos de miseric\u00f3rdia, a esmola dada aos pobres \u00e9 um dos principais testemunhos da caridade fraterna. \u00c9 tamb\u00e9m uma pr\u00e1tica de justi\u00e7a que agrada a Deus\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn391\" name=\"_ftnref391\"> [391] <\/a>, ainda que a pr\u00e1tica da caridade n\u00e3o se reduza \u00e0 esmola, mas implique a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o social e pol\u00edtica do problema da pobreza. Sobre esta rela\u00e7\u00e3o entre caridade e justi\u00e7a o ensinamento da Igreja retorna constantemente: \u00abQuando damos aos pobres as coisas indispens\u00e1veis, n\u00e3o praticamos com eles grande generosidade pessoal, mas lhes devolvemos o que \u00e9 deles. Cumprimos um dever de justi\u00e7a e n\u00e3o um ato de caridade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn392\" name=\"_ftnref392\"> [392] <\/a>. Os Padres Conciliares recomendam fortemente que se cumpra tal dever \u00abpara que n\u00e3o ofere\u00e7amos como dom de caridade aquilo que j\u00e1 \u00e9 devido por justi\u00e7a\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn393\" name=\"_ftnref393\"> [393] <\/a>. O amor pelos os pobres \u00e9 certamente \u00abincompat\u00edvel com o amor imoderado pelas riquezas ou o uso ego\u00edstico delas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn394\" name=\"_ftnref394\"> [394] <\/a>(Cf. <i>Tg<\/i> 5,1-6).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>IV. O PRINC\u00cdPIO DE SUBSIDIARIEDADE<\/b><\/span><\/p><p><span style=\"color: #663300\"><a name=\"a) Origem e significado\"><\/a>a)<b> Origem e significado<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>185.<\/b> <i>A subsidiariedade est\u00e1 entre as mais constantes e caracter\u00edsticas diretrizes da doutrina social da Igreja<\/i>, presente desde a primeira grande enc\u00edclica social<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn395\" name=\"_ftnref395\"> [395] <\/a>. \u00c9 imposs\u00edvel promover a dignidade da pessoa sem que se cuide da fam\u00edlia, dos grupos, das associa\u00e7\u00f5es, das realidades territoriais locais, em outras palavras, daquelas express\u00f5es agregativas de tipo econ\u00f4mico, social, cultural, desportivo, recreativo, profissional, pol\u00edtico, \u00e0s quais as pessoas d\u00e3o vida espontaneamente e que lhes tornam poss\u00edvel um efetivo crescimento social<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn396\" name=\"_ftnref396\"> [396] <\/a>. \u00c9 este o \u00e2mbito da <i>sociedade civil<\/i>, entendida como o conjunto das rela\u00e7\u00f5es entre indiv\u00edduos e entre sociedades interm\u00e9dias, que se realizam de forma origin\u00e1ria e gra\u00e7as \u00e0 \u00aba subjetividade criativa do cidad\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn397\" name=\"_ftnref397\"> [397] <\/a>. A rede destas rela\u00e7\u00f5es inerva o tecido social e constitui a base de uma verdadeira comunidade de pessoas, tornando poss\u00edvel o reconhecimento de formas mais elevadas de sociabilidade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn398\" name=\"_ftnref398\"> [398] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>186<\/b> <i>A exig\u00eancia de tutelar e de promover as express\u00f5es origin\u00e1rias da sociabilidade \u00e9 real\u00e7ada pela Igreja na Enc\u00edclica <\/i>\u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/pius_xi\/encyclicals\/documents\/hf_p-xi_enc_19310515_quadragesimo-anno_po.html\">Quadragesimo anno<\/a><\/i>\u00bb, <i>na qual o princ\u00edpio de subsidiariedade \u00e9 indicado como princ\u00edpio important\u00edssimo da filosofia social<\/i>\u00bb: \u00abuma vez que n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito tolher aos indiv\u00edduos o que eles podem realizar com as for\u00e7as e a ind\u00fastria pr\u00f3pria para confi\u00e1-lo \u00e0 comunidade, assim tamb\u00e9m \u00e9 injusto remeter a uma sociedade maior e mais alta aquilo que as comunidades menores e inferiores podem fazer ... porque o objeto natural de todo e qualquer intervento da sociedade mesma consiste em ajudar de maneira supletiva os membros do corpo social, n\u00e3o j\u00e1 destru\u00ed-las e absorv\u00ea-las\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn399\" name=\"_ftnref399\"> [399] <\/a>.<\/p><p><i>Com base neste princ\u00edpio, todas as sociedades de ordem superior devem p\u00f4r-se em atitude de ajuda <\/i>(\u00ab<i>subsidium<\/i>\u00bb) \u2014 <i>e portanto de apoio, promo\u00e7\u00e3o e incremento <\/i>\u2014 <i>em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s menores<\/i>. Desse modo os corpos sociais interm\u00e9dios podem cumprir adequadamente as fun\u00e7\u00f5es que lhes competem, sem ter que ced\u00ea-las injustamente a outros entes sociais de n\u00edvel superior, pelas quais acabariam por ser absorvidos e substitu\u00eddos, e por ver-se negar, ao fim e ao cabo, dignidade pr\u00f3pria e espa\u00e7o vital.<\/p><p>\u00c0 subsidiariedade entendida em <i>sentido positivo<\/i>, como ajuda econ\u00f4mica, institucional, legislativa oferecida \u00e0s entidades sociais menores, corresponde uma s\u00e9rie de <i>implica\u00e7\u00f5es em negativo<\/i>, que imp\u00f5em ao Estado abster-se de tudo o que, de fato, restringir o espa\u00e7o vital das c\u00e9lulas menores e essenciais da sociedade. N\u00e3o se deve suplantar a sua iniciativa, liberdade e responsabilidade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"Indica\u00e7\u00f5es concretas\"><\/a>Indica\u00e7\u00f5es concretas<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>187.<\/b> <i>O princ\u00edpio de subsidiariedade protege as pessoas dos abusos das inst\u00e2ncias sociais superiores e solicita estas \u00faltimas a ajudar os indiv\u00edduos e os corpos interm\u00e9dios a desempenhar as pr\u00f3prias fun\u00e7\u00f5es. Este princ\u00edpio imp\u00f5e-se porque cada pessoa, fam\u00edlia e corpo interm\u00e9dio tem algo de original para oferecer \u00e0 comunidade<\/i>. A experi\u00eancia revela que a nega\u00e7\u00e3o da subsidiariedade, ou a sua limita\u00e7\u00e3o em nome de uma pretensa democratiza\u00e7\u00e3o ou igualdade de todos na sociedade, limita e, \u00e0s vezes, tamb\u00e9m anula, o esp\u00edrito de liberdade e de iniciativa.<\/p><p>Com o princ\u00edpio de subsidiariedade est\u00e3o em <i>contraste<\/i> formas de centraliza\u00e7\u00e3o, de burocratiza\u00e7\u00e3o, de assistencialismo, de presen\u00e7a injustificada e excessiva do Estado e do aparato p\u00fablico: \u00abAo intervir diretamente, irresponsabilizando a sociedade, o Estado assistencial provoca a perda de energias humanas e o aumento exagerado do sector estatal, dominando mais por l\u00f3gicas burocr\u00e1ticas do que pela preocupa\u00e7\u00e3o de servir os usu\u00e1rios com um acr\u00e9scimo enorme das despesas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn400\" name=\"_ftnref400\"> [400] <\/a>. A falta de reconhecimento ou o reconhecimento inadequado da iniciativa privada, tamb\u00e9m econ\u00f4mica, e da sua fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, bem como os monop\u00f3lios, concorrem para mortificar o princ\u00edpio de subsidiariedade.<\/p><p>\u00c0 atua\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio de subsidiariedade <i>correspondem<\/i>: o respeito e a promo\u00e7\u00e3o efetiva do primado da pessoa e da fam\u00edlia; a valoriza\u00e7\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es e das organiza\u00e7\u00f5es interm\u00e9dias, nas pr\u00f3prias op\u00e7\u00f5es fundamentais e em todas as que n\u00e3o podem ser delegadas ou assumidas por outros; o incentivo oferecido \u00e0 iniciativa privada, de tal modo que cada organismo social, com as pr\u00f3prias peculiaridades, permane\u00e7a ao servi\u00e7o do bem comum; a articula\u00e7\u00e3o pluralista da sociedade e a representa\u00e7\u00e3o das suas for\u00e7as vitais; a salvaguarda dos direitos humanos e das minorias; a descentraliza\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica e administrativa; o equil\u00edbrio entre a esfera p\u00fablica e a privada, com o conseq\u00fcente reconhecimento da fun\u00e7\u00e3o <i>social<\/i> do privado; uma adequada responsabiliza\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o no seu \u00abser parte\u00bb ativa da realidade pol\u00edtica e social do Pa\u00eds.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>188.<\/b> <i>Diversas circunst\u00e2ncias podem aconselhar que o Estado exer\u00e7a uma fun\u00e7\u00e3o de supl\u00eancia<\/i>.<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn401\" name=\"_ftnref401\"> [401] <\/a>Pense-se, por exemplo, nas situa\u00e7\u00f5es em que \u00e9 necess\u00e1rio que o Estado mesmo promova a economia, por causa da impossibilidade de a sociedade civil assumir autonomamente a iniciativa; pense-se tamb\u00e9m nas realidades de grave desequil\u00edbrio e injusti\u00e7a social, em que s\u00f3 a interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica pode criar condi\u00e7\u00f5es de maior igualdade, de justi\u00e7a e de paz. \u00c0 luz do princ\u00edpio de subsidiariedade, por\u00e9m, esta supl\u00eancia institucional n\u00e3o se deve prolongar e estender al\u00e9m do estritamente necess\u00e1rio, j\u00e1 que encontra justifica\u00e7\u00e3o somente no <i>car\u00e1ter excepcional<\/i> da situa\u00e7\u00e3o. Em todo caso, o bem comum corretamente entendido, cujas exig\u00eancias n\u00e3o dever\u00e3o de modo algum estar em contraste com a tutela e a promo\u00e7\u00e3o do primado da pessoa e das suas principais express\u00f5es sociais, dever\u00e1 continuar a ser o crit\u00e9rio de discernimento acerca da aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio de subsidiariedade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>V. A PARTICIPA\u00c7\u00c3O<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"Significado e valor\"><\/a>Significado e valor<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>189.<\/b> <i>Conseq\u00fc\u00eancia caracter\u00edstica da subsidiariedade \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn402\" name=\"_ftnref402\"> [402] <\/a><i>, que se exprime, essencialmente, em uma s\u00e9rie de atividades mediante as quais o cidad\u00e3o, como indiv\u00edduo ou associado com outros, diretamente ou por meio de representantes, contribui para a vida cultural, econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social da comunidade civil a que pertence<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn403\" name=\"_ftnref403\"> [403] <\/a><i>: a participa\u00e7\u00e3o \u00e9 um dever a ser conscientemente exercitado por todos, de modo respons\u00e1vel e em vista do bem comum<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn404\" name=\"_ftnref404\"> [404] <\/a>.<\/p><p><i>Ela n\u00e3o pode ser delimitada ou reduzida a alguns conte\u00fados particulares da vida social<\/i>, dada a sua import\u00e2ncia para o crescimento, humano antes de tudo, em \u00e2mbitos como o mundo do trabalho e as atividades econ\u00f4micas nas suas din\u00e2micas internas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn405\" name=\"_ftnref405\"> [405] <\/a>, a informa\u00e7\u00e3o e a cultura e, em grau m\u00e1ximo, a vida social e pol\u00edtica at\u00e9 aos n\u00edveis mais altos, como s\u00e3o aqueles dos quais depende a colabora\u00e7\u00e3o de todos os povos para a edifica\u00e7\u00e3o de uma comunidade internacional solid\u00e1ria<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn406\" name=\"_ftnref406\"> [406] <\/a>. Nesta perspectiva, torna-se imprescind\u00edvel a exig\u00eancia de favorecer a participa\u00e7\u00e3o sobretudo dos menos favorecidos, bem como a altern\u00e2ncia dos dirigentes pol\u00edticos, a fim de evitar que se instaurem privil\u00e9gios ocultos; \u00e9 necess\u00e1ria ademais uma forte tens\u00e3o moral para que a gest\u00e3o da vida p\u00fablica seja fruto da co-responsabilidade de cada um em rela\u00e7\u00e3o ao bem comum.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"Participa\u00e7\u00e3o e democracia\"><\/a>Participa\u00e7\u00e3o e democracia<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>190<\/b> <i>A participa\u00e7\u00e3o na vida comunit\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 somente uma das maiores aspira\u00e7\u00f5es do cidad\u00e3o, chamado a exercitar livre e responsavelmente o pr\u00f3prio papel c\u00edvico <\/i>com<i> e <\/i>pelos<i> outros<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn407\" name=\"_ftnref407\"> [407] <\/a>, <i>mas tamb\u00e9m uma das pilastras de todos os ordenamentos democr\u00e1ticos, al\u00e9m de ser uma das maiores garantias de perman\u00eancia da democracia<\/i>. O governo democr\u00e1tico, com efeito, \u00e9 definido a partir da atribui\u00e7\u00e3o por parte do povo de poderes e fun\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o exercitados em seu nome, por sua conta e em seu favor; \u00e9 evidente, portanto, que <i>toda democracia deve ser participativa<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn408\" name=\"_ftnref408\"> [408] <\/a>. Isto implica que os v\u00e1rios sujeitos da comunidade civil, em todos os seus n\u00edveis, sejam informados, ouvidos e envolvidos no exerc\u00edcio das fun\u00e7\u00f5es que ela desempenha.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>191<\/b> <i>A participa\u00e7\u00e3o pode ser obtida em todas as poss\u00edveis rela\u00e7\u00f5es entre o cidad\u00e3o e as institui\u00e7\u00f5es: para tanto, particular aten\u00e7\u00e3o deve ser dada aos contextos hist\u00f3ricos e sociais em que esta pode verdadeiramente atuar-se<\/i>. A supera\u00e7\u00e3o dos obst\u00e1culos culturais, jur\u00eddicos e sociais que n\u00e3o raro se interp\u00f5em como verdadeiras barreiras \u00e0 <i>participa\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria<\/i> dos cidad\u00e3os \u00e0 sorte da pr\u00f3pria comunidade exige uma aut\u00eantica obra informativa e educativa<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn409\" name=\"_ftnref409\"> [409] <\/a>. Merecem uma preocupada considera\u00e7\u00e3o, neste sentido, todas as atitudes que levam o cidad\u00e3o a formas participativas insuficientes ou incorretas e \u00e0 generalizada desafei\u00e7\u00e3o por tudo o que concerne \u00e0 esfera da vida social e pol\u00edtica: atente-se, por exemplo, para as tentativas dos cidad\u00e3os de \u00abnegociar\u00bb com as institui\u00e7\u00f5es as condi\u00e7\u00f5es mais vantajosas para si, como se estas \u00faltimas estivessem ao servi\u00e7o das necessidades ego\u00edsticas, e para a praxe de limitar-se \u00e0 express\u00e3o da op\u00e7\u00e3o eleitoral, chegando tamb\u00e9m, em muitos casos, a abster-se dela<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn410\" name=\"_ftnref410\"> [410] <\/a>.<\/p><p>No \u00e2mbito da participa\u00e7\u00e3o, uma ulterior <i>fonte de preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 representada pelos pa\u00edses de regime totalit\u00e1rio ou ditatorial<\/i>, em que o fundamento do direito a participar da vida p\u00fablica \u00e9 negado na raiz, porque considerado como uma amea\u00e7a para o pr\u00f3prio Estado<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn411\" name=\"_ftnref411\"> [411] <\/a>; por outros pa\u00edses em que tal direito \u00e9 s\u00f3 formalmente declarado, mas concretamente n\u00e3o se pode exercer; por outros ainda nos quais a elefant\u00edase do aparato burocr\u00e1tico nega de fato ao cidad\u00e3o a possibilidade de se propor como um verdadeiro ator da vida social e pol\u00edtica<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn412\" name=\"_ftnref412\"> [412] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>VI. O PRINC\u00cdPIO DE SOLIDARIEDADE<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\"><a name=\"a) Significado e valor\"><\/a>a)<b> Significado e valor<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>192<\/b> <i>A solidariedade confere particular relevo \u00e0 intr\u00ednseca sociabilidade da pessoa humana, \u00e0 igualdade de todos em dignidade e direitos, ao caminho comum dos homens e dos povos para uma unidade cada vez mais convicta<\/i>. Nunca como hoje, houve uma consci\u00eancia t\u00e3o generalizada do <i>liame de interdepend\u00eancia entre os homens e os povos<\/i>, que se manifesta em qualquer n\u00edvel<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn413\" name=\"_ftnref413\"> [413] <\/a>. A rapid\u00edssima multiplica\u00e7\u00e3o das vias e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o \u00abem tempo real\u00bb, como s\u00e3o os telem\u00e1ticos, os extraordin\u00e1rios progressos da inform\u00e1tica, o crescente volume dos interc\u00e2mbios comerciais e das informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o a testemunhar que, pela primeira vez desde o in\u00edcio da hist\u00f3ria da humanidade, ao menos tecnicamente, \u00e9 j\u00e1 poss\u00edvel estabelecer rela\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m entre pessoas muito distantes umas das outras ou desconhecidos.<\/p><p><i>Em face do fen\u00f4meno da interdepend\u00eancia e da sua constante dilata\u00e7\u00e3o, subsistem, por outro lado, em todo o mundo, desigualdades muito fortes entre pa\u00edses desenvolvidos e pa\u00edses em desenvolvimento<\/i>, alimentadas tamb\u00e9m por diversas formas de explora\u00e7\u00e3o, de opress\u00e3o e de corrup\u00e7\u00e3o, que influem negativamente na vida interna e internacional de muitos Estados. <i>O processo de acelera\u00e7\u00e3o da interdepend\u00eancia entre as pessoas e os povos deve ser acompanhado com um empenho no plano \u00e9tico-social igualmente intensificado<\/i>, para evitar as nefastas conseq\u00fc\u00eancias de uma situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a de dimens\u00f5es planet\u00e1rias, destinada a repercutir muito negativamente at\u00e9 nos pr\u00f3prios pa\u00edses atualmente mais favorecidos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn414\" name=\"_ftnref414\"> [414] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"A solidariedade como princ\u00edpio social e como virtude moral\"><\/a>A solidariedade como princ\u00edpio social e como virtude moral<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>193<\/b> <i>As novas rela\u00e7\u00f5es de interdepend\u00eancia entre homens e povos, que s\u00e3o de fato formas de solidariedade, devem transformar-se em rela\u00e7\u00f5es tendentes a uma verdadeira e pr\u00f3pria solidariedade \u00e9tico-social<\/i>, que \u00e9 a exig\u00eancia moral \u00ednsita a todas as rela\u00e7\u00f5es humanas. A solidariedade, portanto, se apresenta sob dois aspectos complementares: o de <i>princ\u00edpio social<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn415\" name=\"_ftnref415\"> [415] <\/a>e o de <i>virtude moral<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn416\" name=\"_ftnref416\"> [416] <\/a>.<\/p><p>A solidariedade deve ser tomada antes de mais nada, no seu valor de princ\u00edpio social ordenador das institui\u00e7\u00f5es, em base ao qual devem ser superadas as \u00abestruturas de pecado\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn417\" name=\"_ftnref417\"> [417] <\/a>, que dominam os rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas e os povos, devem ser superadas e transformadas em estruturas de solidariedade, mediante a cria\u00e7\u00e3o ou a oportuna modifica\u00e7\u00e3o de leis, regras do mercado, ordenamentos.<\/p><p><i>A solidariedade \u00e9 tamb\u00e9m uma verdadeira e pr\u00f3pria virtude moral<\/i>, n\u00e3o \u00abum sentimento de compaix\u00e3o vaga ou de enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas pr\u00f3ximas ou distantes. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 a <i>determina\u00e7\u00e3o firme e perseverante<\/i> de se empenhar pelo <i>bem comum<\/i>; ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque <i>todos<\/i> n\u00f3s somos verdadeiramente respons\u00e1veis <i>por todos<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn418\" name=\"_ftnref418\"> [418] <\/a>. A solidariedade eleva-se ao grau de <i>virtude social<\/i> fundamental, pois se coloca na dimens\u00e3o da justi\u00e7a, virtude orientada por excel\u00eancia para o <i>bem comum<\/i>, e na \u00abaplica\u00e7\u00e3o em prol do bem do pr\u00f3ximo, com a disponibilidade, em sentido evang\u00e9lico, para \u201cperder-se\u201d em benef\u00edcio do pr\u00f3ximo em vez de o explorar, e para \u201cservi-lo\u201d em vez de o oprimir para proveito pr\u00f3prio (cf. <i>Mt <\/i>10, 40-42; 20, 25; <i>Mc<\/i> 10, 42-45; <i>Lc<\/i> 22, 25-27)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn419\" name=\"_ftnref419\"> [419] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b> <a name=\"Solidariedade e crescimento comum dos homens\"><\/a>Solidariedade e crescimento comum dos homens<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>194<\/b> <i>A mensagem da doutrina social acerca da solidariedade p\u00f5e de realce a exist\u00eancia de estreitos v\u00ednculos entre solidariedade e bem comum, solidariedade e destina\u00e7\u00e3o universal dos bens, solidariedade e igualdade entre os homens e os povos, solidariedade e paz no mundo<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn420\" name=\"_ftnref420\"> [420] <\/a>. O termo \u00absolidariedade\u00bb, amplamente empregado pelo Magist\u00e9rio<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn421\" name=\"_ftnref421\"> [421] <\/a>, exprime em s\u00edntese a exig\u00eancia de reconhecer, no conjunto dos liames que unem os homens e os grupos sociais entre si, o espa\u00e7o oferecido \u00e0 liberdade humana para prover ao crescimento comum, de que todos partilhem. A aplica\u00e7\u00e3o nesta dire\u00e7\u00e3o se traduz no positivo contributo que n\u00e3o se h\u00e1 de deixar faltar \u00e0 causa comum e na busca dos pontos de poss\u00edvel acordo, mesmo quando prevalece uma l\u00f3gica de divis\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o; na disponibilidade a consumir-se pelo bem do outro, para al\u00e9m de todo individualismo e particularismo<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn422\" name=\"_ftnref422\"> [422] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>195<\/b> <i>O princ\u00edpio da solidariedade comporta que os homens do nosso tempo cultivem uma maior consci\u00eancia do d\u00e9bito que t\u00eam para com a sociedade na qual est\u00e3o inseridos<\/i>: s\u00e3o devedores daquelas condi\u00e7\u00f5es que tornam poss\u00edvel viv\u00edvel a exist\u00eancia humana, bem como do patrim\u00f4nio, indivis\u00edvel e indispens\u00e1vel, constitu\u00eddo da cultura, do conhecimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico, dos bens materiais e imateriais, de tudo aquilo que a hist\u00f3ria da humanidade produziu. Um tal d\u00e9bito h\u00e1 de ser honrado nas v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es do agir social, de modo que o caminho dos homens n\u00e3o se interrompa, mas continue aberto \u00e0s gera\u00e7\u00f5es presentes e \u00e0s futuras, chamadas juntas, umas e outras, a compartilhar na solidariedade do mesmo dom.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d)<b> <a name=\"A solidariedade na vida e na mensagem de Jesus Cristo\"><\/a>A solidariedade na vida e na mensagem de Jesus Cristo<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>196<\/b> <i>O v\u00e9rtice insuper\u00e1vel da perspectiva indicada \u00e9 a vida de Jesus de Nazar\u00e9, o Homem novo, solid\u00e1rio com a humanidade at\u00e9 \u00e0 \u00abmorte de cruz\u00bb<\/i> (<i>Fil<\/i> 2,8): n\u2019Ele \u00e9 sempre poss\u00edvel reconhecer o Sinal vivente daquele amor incomensur\u00e1vel e transcendente do <i>Deus-conosco<\/i>, que assume as enfermidades do seu povo, caminha com ele, salva-o e o constitui na unidade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn423\" name=\"_ftnref423\"> [423] <\/a>. N\u2019Ele a solidariedade alcan\u00e7a as dimens\u00f5es do mesmo agir de Deus. N\u2019Ele, e gra\u00e7as a Ele, tamb\u00e9m a vida social pode ser redescoberta, mesmo com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es e ambig\u00fcidade, como lugar de vida e de esperan\u00e7a, enquanto sinal de uma gra\u00e7a que de continuo \u00e9 a todos oferecida e que, enquanto dono, invita \u00e0s formas mais altas e abrangentes de partilha.<\/p><p><i>Jesus de Nazar\u00e9 faz resplandecer aos olhos de todos os homens o nexo entre solidariedade e caridade, iluminando todo o seu significado<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn424\" name=\"_ftnref424\"> [424] <\/a>: \u00ab\u00c0 luz da f\u00e9, a solidariedade tende a superar-se a si mesma, a revestir as dimens\u00f5es <i>especificamente crist\u00e3s<\/i> da gratuidade total, do perd\u00e3o e da reconcilia\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3ximo, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um ser humano com os seus direitos e a sua igualdade fundamental em rela\u00e7\u00e3o a todos os demais; mas torna-se a <i>imagem viva<\/i> de Deus Pai, resgatada pelo sangue de Jesus Cristo e tornada objeto da a\u00e7\u00e3o permanente do Esp\u00edrito Santo. Por isso, ele deve ser amado, ainda que seja inimigo, com o mesmo amor com que o ama o Senhor; e \u00e9 preciso estarmos dispostos ao sacrif\u00edcio por ele, mesmo ao sacrif\u00edcio supremo: \u201cdar a vida pelos pr\u00f3prios irm\u00e3os\u201d (cf. 1<i> Jo <\/i>3, 16)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn425\" name=\"_ftnref425\"> [425] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>VII. OS VALORES FUNDAMENTAIS DA VIDA SOCIAL<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"Rela\u00e7\u00e3o entre princ\u00edpios e valores\"><\/a>Rela\u00e7\u00e3o entre princ\u00edpios e valores<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>197<\/b> <i>A doutrina social da Igreja, ademais dos princ\u00edpios que devem presidir \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o de uma sociedade digna do homem, indica tamb\u00e9m valores fundamentais<\/i>. A rela\u00e7\u00e3o entre princ\u00edpios e valores \u00e9 indubitavelmente de reciprocidade, na medida em que os valores sociais expressam o apre\u00e7o que se deve atribuir \u00e0queles determinados aspectos do bem moral que os princ\u00edpios se prop\u00f5em conseguir, oferecendo-se como pontos de refer\u00eancia para a oportuna estrutura\u00e7\u00e3o e a condu\u00e7\u00e3o ordenada da vida social. Os valores requerem, portanto, quer a pr\u00e1tica dos princ\u00edpios fundamentais da vida social, quer o exerc\u00edcio pessoal das virtudes, e, portanto, das atitudes morais correspondentes aos valores mesmos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn426\" name=\"_ftnref426\"> [426] <\/a>.<\/p><p><i>Todos os valores sociais s\u00e3o inerentes \u00e0 dignidade da pessoa humana, da qual favorecem o aut\u00eantico desenvolvimento e s\u00e3o, essencialmente: a verdade, a liberdade, a justi\u00e7a, o amor<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn427\" name=\"_ftnref427\"> [427] <\/a>. A sua pr\u00e1tica constitui a via segura e necess\u00e1ria para alcan\u00e7ar um aperfei\u00e7oamento pessoal e uma conviv\u00eancia social mais humana; eles constituem a refer\u00eancia imprescind\u00edvel para os respons\u00e1veis pela coisa p\u00fablica, chamados a realizar \u00abas reformas substanciais das estruturas econ\u00f4micas, pol\u00edticas, culturais e tecnol\u00f3gicas e as mudan\u00e7as necess\u00e1rias nas institui\u00e7\u00f5es\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn428\" name=\"_ftnref428\"> [428] <\/a>. O respeito pela leg\u00edtima autonomia das realidades terrestres faz com que a Igreja n\u00e3o se reserve compet\u00eancias espec\u00edficas de ordem t\u00e9cnica o temporal<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn429\" name=\"_ftnref429\"> [429] <\/a>, mas n\u00e3o a impede de se pronunciar para mostrar como, nas diferentes op\u00e7\u00f5es do homem, tais valores s\u00e3o afirmados ou, vice-versa, negados<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn430\" name=\"_ftnref430\"> [430] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"A verdade\"><\/a>A verdade<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>198<\/b> <i>Os homens est\u00e3o obrigados de modo particular a tender continuamente \u00e0 verdade, a respeit\u00e1-la e a testemunh\u00e1-la responsavelmente<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn431\" name=\"_ftnref431\"> [431] <\/a>. <i>Viver na verdade<\/i>tem um significado especial nas rela\u00e7\u00f5es sociais: a conviv\u00eancia entre os seres humanos em uma comunidade \u00e9 efetivamente ordenada, fecunda e condizente com a sua dignidade de pessoas quando se funda na verdade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn432\" name=\"_ftnref432\"> [432] <\/a>. Quanto mais as pessoas e os grupos sociais se esfor\u00e7am por resolver os problemas sociais segundo a verdade, tanto mais se afastam do arb\u00edtrio e se conformam \u00e0s exig\u00eancias objetivas da moralidade.<\/p><p><i>O nosso tempo exige uma intensa atividade educativa<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn433\" name=\"_ftnref433\"> [433] <\/a><i>e um correspondente empenho por parte de todos, para que a investiga\u00e7\u00e3o da verdade<\/i>, n\u00e3o redut\u00edvel ao conjunto ou a alguma das diversas opini\u00f5es, seja promovida em todos os \u00e2mbitos, e prevale\u00e7a sobre toda tentativa de relativizar-lhe as exig\u00eancias ou de causar-lhe qualquer tipo de ofensa<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn434\" name=\"_ftnref434\"> [434] <\/a>. \u00c9 uma quest\u00e3o que incumbe especialmente ao mundo da comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica e ao da economia. Neles, o uso descomedido do dinheiro faz com que surjam quest\u00f5es cada vez mais urgentes, que necessariamente reclamam uma necessidade de transpar\u00eancia e honestidade no agir pessoal e social.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b> <a name=\"A liberdade\"><\/a>A liberdade<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>199<\/b> <i>A liberdade \u00e9 no homem sinal alt\u00edssimo da imagem divina e, conseq\u00fcentemente, sinal da sublime dignidade de toda pessoa humana<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn435\" name=\"_ftnref435\"> [435] <\/a>: \u00abA liberdade se exerce no relacionamento entre os seres humanos. Toda pessoa humana, criada \u00e0 imagem de Deus, tem o direito natural de ser reconhecida como ser livre e respons\u00e1vel. Todos devem a cada um esta obriga\u00e7\u00e3o de respeito. O direito ao exerc\u00edcio da liberdade \u00e9 uma exig\u00eancia insepar\u00e1vel da dignidade da pessoa humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn436\" name=\"_ftnref436\"> [436] <\/a>. N\u00e3o se deve restringir o significado da liberdade, considerando-a numa perspectiva puramente individualista e reduzindo-a ao exerc\u00edcio arbitr\u00e1rio e incontrolado da pr\u00f3pria autonomia pessoal: \u00abLonge de realizar-se na total autonomia do eu e na aus\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es, a liberdade s\u00f3 existe verdadeiramente quando la\u00e7os rec\u00edprocos, regidos pela verdade e pela justi\u00e7a, unem as pessoas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn437\" name=\"_ftnref437\"> [437] <\/a>. A compreens\u00e3o da liberdade torna-se profunda e ampla na medida em que \u00e9 tutelada, tamb\u00e9m no \u00e2mbito social, na totalidade das suas dimens\u00f5es.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>200<\/b> <i>O valor da liberdade, enquanto express\u00e3o da singularidade de cada pessoa humana, \u00e9 respeitado e honrado na medida em que se consente a cada membro da sociedade realizar a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o pessoal<\/i>; buscar a verdade e professar as pr\u00f3prias id\u00e9ias religiosas, culturais e pol\u00edticas; manifestar as pr\u00f3prias opini\u00f5es; decidir o pr\u00f3prio estado de vida e, na medida do poss\u00edvel, o pr\u00f3prio trabalho; assumir iniciativas de car\u00e1ter econ\u00f4mico, social e pol\u00edtico. Isto deve acontecer dentro de um \u00abs\u00f3lido contexto jur\u00eddico\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn438\" name=\"_ftnref438\"> [438] <\/a>, nos limites do bem comum e da ordem p\u00fablica e, em todo caso, sob o signo da responsabilidade.<\/p><p><i>A liberdade deve desdobrar-se, por outro lado, tamb\u00e9m como capacidade de recusa de tudo o que \u00e9 moralmente negativo, seja qual for a forma em que se apresente<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn439\" name=\"_ftnref439\"> [439] <\/a>, como capacidade de efetivo desapego de tudo o que possa obstar o crescimento pessoal, familiar e social. A plenitude da liberdade consiste na capacidade de dispor de si em vista do aut\u00eantico bem, no horizonte do bem comum universal<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn440\" name=\"_ftnref440\"> [440] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d)<b> <a name=\"A justi\u00e7a\"><\/a>A justi\u00e7a<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>201<\/b> <i>A justi\u00e7a \u00e9 um valor, que acompanha o exerc\u00edcio da correspondente virtude moral cardeal<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn441\" name=\"_ftnref441\"> [441] <\/a>. Segundo a sua formula\u00e7\u00e3o mais cl\u00e1ssica, \u00abela consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao pr\u00f3ximo o que lhes \u00e9 devido\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn442\" name=\"_ftnref442\"> [442] <\/a>. Do ponto de vista subjetivo a justi\u00e7a se traduz na atitude <i>determinada pela vontade de reconhecer o outro como pessoa<\/i>, ao passo que, do ponto de vista objetivo, essa constitui <i>o crit\u00e9rio determinante da moralidade no \u00e2mbito inter-subjetivo e social<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn443\" name=\"_ftnref443\"> [443] <\/a>.<\/p><p><i>O Magist\u00e9rio social evoca a respeito das formas cl\u00e1ssicas da justi\u00e7a: <\/i>a <i>comutativa, <\/i>a <i>distributiva, <\/i>a <i>legal<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn444\" name=\"_ftnref444\"> [444] <\/a>. Um relevo cada vez maior no Magist\u00e9rio tem adquirido a justi\u00e7a social<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn445\" name=\"_ftnref445\"> [445] <\/a>, que representa um verdadeiro e pr\u00f3prio desenvolvimento da <i>justi\u00e7a geral<\/i>, reguladora dos rela\u00e7\u00f5es sociais com base no crit\u00e9rio da observ\u00e2ncia da <i>lei<\/i>. A <i>justi\u00e7a social<\/i>, exig\u00eancia conexa com a <i>quest\u00e3o social<\/i>, que hoje se manifesta em uma dimens\u00e3o mundial, diz respeito aos aspectos sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos e, sobretudo, \u00e0 dimens\u00e3o estrutural dos problemas e das respectivas solu\u00e7\u00f5es<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn446\" name=\"_ftnref446\"> [446] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>202<\/b> <i>A justi\u00e7a mostra-se particularmente importante no contexto atual, em que o valor da pessoa, da sua dignidade e dos seus direitos, a despeito das proclama\u00e7\u00f5es de intentos, \u00e9 seriamente amea\u00e7ado pela generalizada tend\u00eancia a recorrer exclusivamente aos crit\u00e9rios da utilidade e do ter<\/i>. Tamb\u00e9m a justi\u00e7a, com base nestes crit\u00e9rios, \u00e9 considerada de modo redutivo, ao passo que adquire um significado mais pleno e aut\u00eantico na antropologia crist\u00e3. A justi\u00e7a, com efeito, n\u00e3o \u00e9 uma simples conven\u00e7\u00e3o humana, porque o que \u00e9 \u00abjusto\u00bb n\u00e3o \u00e9 originariamente determinado pela lei, mas pela identidade profunda do ser humano<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn447\" name=\"_ftnref447\"> [447] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>203<\/b> <i>A plena verdade sobre o homem permite superar a vis\u00e3o contratualista da justi\u00e7a, que \u00e9 vis\u00e3o limitada, e abrir tamb\u00e9m para a justi\u00e7a o horizonte da solidariedade e do amor<\/i>: \u00ab<i>A justi\u00e7a sozinha n\u00e3o basta<\/i>; e pode mesmo chegar a negar-se a si pr\u00f3pria, se n\u00e3o se abrir \u00e0quela for\u00e7a mais profunda que \u00e9 o amor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn448\" name=\"_ftnref448\"> [448] <\/a>. Ao valor da justi\u00e7a a doutrina social da Igreja acosta o da solidariedade, enquanto via privilegiada da paz. Se a paz \u00e9 fruto da justi\u00e7a, \u00abhoje poder-se-ia dizer, com a mesma justeza e com a mesma for\u00e7a de inspira\u00e7\u00e3o b\u00edblica (cf. <i>Is<\/i> 32, 17; <i>Tg<\/i> 3, 18), <i>Opus solidarietatis pax<\/i>: a paz \u00e9 o fruto da solidariedade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn449\" name=\"_ftnref449\"> [449] <\/a>. A meta da <i>paz<\/i>, com efeito, \u00abser\u00e1 certamente alcan\u00e7ada com a realiza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social e internacional; mas contar-se-\u00e1 tamb\u00e9m com a pr\u00e1tica das virtudes que favorecem a conviv\u00eancia e nos ensinam a viver unidos, a fim de, <i>unidos<\/i>, construirmos dando e recebendo, uma sociedade nova e um mundo melhor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn450\" name=\"_ftnref450\"> [450] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b><a name=\"VIII. A VIA DA CARIDADE\"><\/a>VIII. A VIA DA CARIDADE<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>204<\/b> <i>Entre as virtudes no seu conjunto e, em particular, entre virtudes, valores sociais e caridade, subsiste um profundo liame, que deve ser cada vez mais acuradamente reconhecido<\/i>. A caridade, n\u00e3o raro confinada ao \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es de proximidade, ou limitada aos aspectos somente subjetivos do agir para o outro, deve ser reconsiderada no seu aut\u00eantico valor de <i>crit\u00e9rio supremo e universal de toda a \u00e9tica social<\/i>. Dentre todos os caminhos, mesmo os procurados e percorridos para enfrentar as formas sempre novas da atual <i>quest\u00e3o social<\/i>, o \u00ab mais excelente de todos\u00bb (1<i> Cor <\/i>12,31) \u00e9 <i>a via tra\u00e7ada pela caridade<\/i>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>205<\/b> <i>Os valores da verdade, da justi\u00e7a, do amor e da liberdade nascem e se desenvolvem do manancial interior da caridade<\/i>: a conviv\u00eancia humana \u00e9 ordenada, fecunda de bens e condizente com a dignidade do homem, quando se funda na verdade; realiza-se segundo a justi\u00e7a, ou seja, no respeito efetivo pelos direitos e no leal cumprimento dos respectivos deveres; \u00e9 realizada na liberdade que condiz com a dignidade dos homens, levados pela sua mesma natureza racional a assumir a responsabilidade pelo pr\u00f3prio agir; \u00e9 vivificada pelo amor, que faz sentir como pr\u00f3prias as car\u00eancias e as exig\u00eancias alheias e torna sempre mais intensas a comunh\u00e3o dos valores espirituais e a solicitude pelas necessidades materiais<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn451\" name=\"_ftnref451\"> [451] <\/a>. Estes valores constituem pilastras das quais recebe solidez e consist\u00eancia o edif\u00edcio do viver e do agir: s\u00e3o valores que determinam a qualidade de toda a a\u00e7\u00e3o e institui\u00e7\u00e3o social.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>206<\/b> <i>A caridade pressup\u00f5e e transcende a justi\u00e7a<\/i>: esta \u00faltima \u00abdeve ser completada pela caridade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn452\" name=\"_ftnref452\"> [452] <\/a>. Se a justi\u00e7a \u00ab\u00e9, em si mesma, apta para \u201cservir de \u00e1rbitro\u201d entre os homens na rec\u00edproca reparti\u00e7\u00e3o justa dos bens materiais, o amor, pelo contr\u00e1rio, e somente o amor (e portanto tamb\u00e9m o amor benevolente que chamamos \u201cmiseric\u00f3rdia\u201d), \u00e9 capaz de restituir o homem a si pr\u00f3prio\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn453\" name=\"_ftnref453\"> [453] <\/a>. <i>N\u00e3o se podem regular as rela\u00e7\u00f5es humanas unicamente com a medida da justi\u00e7a<\/i>: \u00abA experi\u00eancia do passado e do nosso tempo demonstra que a justi\u00e7a, por si s\u00f3, n\u00e3o basta e que pode at\u00e9 levar \u00e0 nega\u00e7\u00e3o e ao aniquilamento de si pr\u00f3pria, se n\u00e3o se permitir <i>\u00e0quela for\u00e7a mais profunda, que \u00e9 o amor<\/i> plasmar a vida humana nas suas v\u00e1rias dimens\u00f5es. Foi precisamente a experi\u00eancia da realidade hist\u00f3rica que levou \u00e0 formula\u00e7\u00e3o do axioma: <i>summum ius, summa iniuria<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn454\" name=\"_ftnref454\"> [454] <\/a>. A justi\u00e7a, com efeito, \u00abem toda a gama das rela\u00e7\u00f5es entre os homens, deve submeter-se, <i>por assim dizer, a uma \u201ccorre\u00e7\u00e3o\u201d not\u00e1vel<\/i>, por parte daquele amor que, como proclama S. Paulo, \u201c\u00e9 paciente\u201d e \u201cbenigno\u201d, ou por outras palavras, que encerra em si as caracter\u00edsticas do <i>amor misericordioso<\/i>, t\u00e3o essenciais para o Evangelho como para o Cristianismo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn455\" name=\"_ftnref455\"> [455] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>207<\/b> <i>Nenhuma legisla\u00e7\u00e3o, nenhum sistema de regras ou de pactos conseguir\u00e1 persuadir homens e povos a viver na unidade, na fraternidade e na paz, nenhuma argumenta\u00e7\u00e3o poder\u00e1 superar o apelo da caridade<\/i>. Somente a caridade, na sua qualidade de \u00ab<i>forma virtutum<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn456\" name=\"_ftnref456\"> [456] <\/a>, pode animar e plasmar o agir social no contexto de um mundo cada vez mais complexo. Para que tudo isto aconte\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio que se cuide de mostrar a caridade n\u00e3o s\u00f3 como inspiradora da a\u00e7\u00e3o individual, mas tamb\u00e9m como for\u00e7a capaz de suscitar novas vias para enfrentar os problemas do mundo de hoje e para e renovar profundamente desde o interior das estruturas, organiza\u00e7\u00f5es sociais, ordenamentos jur\u00eddicos. Nesta perspectiva, a caridade se torna <i>caridade social e pol\u00edtica<\/i>: a caridade social nos leva a amar o bem comum<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn457\" name=\"_ftnref457\"> [457] <\/a>e a buscar efetivamente o bem de todas as pessoas, consideradas n\u00e3o s\u00f3 individualmente, mas tamb\u00e9m na dimens\u00e3o social que as une.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>208 <\/b><i>A caridade social e pol\u00edtica n\u00e3o se esgota nas rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas, mas se desdobra na rede em que tais rela\u00e7\u00f5es se inserem, que \u00e9 precisamente a comunidade social e pol\u00edtica, e sobre esta interv\u00e9m, mirando ao bem poss\u00edvel para a comunidade no seu conjunto<\/i>. Sob tantos aspectos, o pr\u00f3ximo a ser amado se apresenta \u00ab<i>em sociedade<\/i>\u00bb, de sorte que am\u00e1-lo realmente, prover \u00e0s suas necessidades ou \u00e0 sua indig\u00eancia pode significar algo de diferente do bem que se lhes pode querer no plano puramente inter-individual: <i>am\u00e1-lo no plano social significa, de acordo com as situa\u00e7\u00f5es, valer-se das media\u00e7\u00f5es sociais para melhorar sua vida ou remover os fatores sociais que causam a sua indig\u00eancia<\/i>. Sem d\u00favida alguma, \u00e9 um ato de caridade a obra de miseric\u00f3rdia com que se responde <i>aqui e agora <\/i>a uma necessidade real e impelente do pr\u00f3ximo, mas \u00e9 um ato de caridade igualmente indispens\u00e1vel o empenho com miras a <i>organizar e estruturar a sociedade<\/i> de modo que o pr\u00f3ximo n\u00e3o se venha a encontrar na mis\u00e9ria, sobretudo quando esta se torna a situa\u00e7\u00e3o em que se debate um incomensur\u00e1vel n\u00famero de pessoas e mesmo povos inteiros, situa\u00e7\u00e3o esta que assume hoje as propor\u00e7\u00f5es de uma verdadeira e pr\u00f3pria <i>quest\u00e3o social mundial<\/i>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>________<\/p><div id=\"ftn340\"><div id=\"ftn341\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref341\" name=\"_ftn341\">[341] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da doutrina social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 29-42: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, 35-43.<\/div><div id=\"ftn342\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref342\" name=\"_ftn342\">[342] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 453.<\/div><div id=\"ftn343\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref343\" name=\"_ftn343\">[343] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 72: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 585.<\/div><div id=\"ftn344\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref344\" name=\"_ftn344\">[344] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 513-514.<\/div><div id=\"ftn345\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref345\" name=\"_ftn345\">[345] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da doutrina social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 47: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, 45.<\/div><div id=\"ftn346\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref346\" name=\"_ftn346\">[346] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 26: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1046; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1905-1912; Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 417-421; Id., Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 272-273; Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 46: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 433-435.<\/div><div id=\"ftn347\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref347\" name=\"_ftn347\">[347] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1912.<\/div><div id=\"ftn348\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref348\" name=\"_ftn348\">[348] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 272.<\/div><div id=\"ftn349\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref349\" name=\"_ftn349\">[349] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1907.<\/div><div id=\"ftn350\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref350\" name=\"_ftn350\">[350] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 26: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1046-1047.<\/div><div id=\"ftn351\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref351\" name=\"_ftn351\">[351] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 421.<\/div><div id=\"ftn352\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref352\" name=\"_ftn352\">[352] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 417; Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 46: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 433-435; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 1913.<\/div><div id=\"ftn353\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref353\" name=\"_ftn353\">[353] <\/a>S. Tom\u00e1s de Aquino coloca no n\u00edvel mais alto e mais espec\u00edfico das \u00ab <i>inclinationes naturales<\/i>\u00bb do homem o \u00abconhecer a verdade sobre Deus\u00bb e o \u00abviver em sociedade\u00bb ( <i>Summa theologi\u00e6<\/i>, I-II, q. 94, a.2, Ed. Leon. 7, 170: \u00abSecundum igitur ordinem inclinationum naturalium est ordo praeceptorum legis naturae\u2026 Tertio modo inest homini inclinatio ad bonum secundum naturam rationis, quae est sibi propria; sicut homo habet naturalem inclinationem ad hoc quod veritatem cognoscat de Deo, et ad hoc quod in societate vivat\u00bb).<\/div><div id=\"ftn354\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref354\" name=\"_ftn354\">[354] <\/a>Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 197<\/div><div id=\"ftn355\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref355\" name=\"_ftn355\">[355] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1910.<\/div><div id=\"ftn356\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref356\" name=\"_ftn356\">[356] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 74: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1095-1097; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor<\/i> <i>hominis<\/i>, 17: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 295-300.<\/div><div id=\"ftn357\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref357\" name=\"_ftn357\">[357] <\/a>Cf. Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 133-135; Pio XII, <i>Radiomensagem em comemora\u00e7\u00e3o do 50\u00b0 anivers\u00e1rio da<\/i> \u00ab <i>Rerum novarum<\/i>\u00bb: <i>AAS<\/i> 33 (1941) 200.<\/div><div id=\"ftn358\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref358\" name=\"_ftn358\">[358] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1908.<\/div><div id=\"ftn359\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref359\" name=\"_ftn359\">[359] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 843-845.<\/div><div id=\"ftn360\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref360\" name=\"_ftn360\">[360] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 69: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1090.<\/div><div id=\"ftn361\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref361\" name=\"_ftn361\">[361] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 31: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 831.<\/div><div id=\"ftn362\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref362\" name=\"_ftn362\">[362] <\/a>Cf. Pio XII, <i>Radiomensagem em comemora\u00e7\u00e3o do 50\u00b0 anivers\u00e1rio da<\/i> \u00ab <i>Rerum novarum<\/i>\u00bb: <i>AAS<\/i> 33 (1941) 199-200.<\/div><div id=\"ftn363\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref363\" name=\"_ftn363\">[363] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 525.<\/div><div id=\"ftn364\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref364\" name=\"_ftn364\">[364] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 573.<\/div><div id=\"ftn365\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref365\" name=\"_ftn365\">[365] <\/a>Pio XII, <i>Radiomensagem em comemora\u00e7\u00e3o do 50\u00b0 anivers\u00e1rio da<\/i> \u00ab <i>Rerum novarum<\/i>\u00bb: <i>AAS<\/i> 33 (1941) 199.<\/div><div id=\"ftn366\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref366\" name=\"_ftn366\">[366] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 268.<\/div><div id=\"ftn367\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref367\" name=\"_ftn367\">[367] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 90: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 594.<\/div><div id=\"ftn368\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref368\" name=\"_ftn368\">[368] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 31: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 832.<\/div><div id=\"ftn369\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref369\" name=\"_ftn369\">[369] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 71: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1092-1093; Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 103-104; Pio XII, <i>Radiomensagem em comemora\u00e7\u00e3o do 50\u00b0 anivers\u00e1rio da<\/i> \u00ab <i>Rerum novarum<\/i>\u00bb: <i>AAS<\/i> 33 (1941) 199; Id., <i>Radiomensagem natalina <\/i>(24 de Dezembro de 1942): <i>AAS<\/i> 35 (1943) 17; Id., <i>Radiomensagem <\/i>(1\u00ba de Setembro de 1944): <i>AAS<\/i> 36 (1944) 253; Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 428-429.<\/div><div id=\"ftn370\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref370\" name=\"_ftn370\">[370] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 6: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 800-801.<\/div><div id=\"ftn371\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref371\" name=\"_ftn371\">[371] <\/a>Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 102.<\/div><div id=\"ftn372\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref372\" name=\"_ftn372\">[372] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 613.<\/div><div id=\"ftn373\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref373\" name=\"_ftn373\">[373] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 69: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1090-1092; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2402-2406.<\/div><div id=\"ftn374\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref374\" name=\"_ftn374\">[374] <\/a>Cf. Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 102.<\/div><div id=\"ftn375\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref375\" name=\"_ftn375\">[375] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 22-23: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 268-269.<\/div><div id=\"ftn376\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref376\" name=\"_ftn376\">[376] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 430-431; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Terceira Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano<\/i>, Puebla (28 de Janeiro de 1979), III\/4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 4 de Fevereiro de 1979, pp. 11-12.<\/div><div id=\"ftn377\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref377\" name=\"_ftn377\">[377] <\/a>Cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 191-192. 193-194. 196-197.<\/div><div id=\"ftn378\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref378\" name=\"_ftn378\">[378] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 69: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1090.<\/div><div id=\"ftn379\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref379\" name=\"_ftn379\">[379] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 32: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 832.<\/div><div id=\"ftn380\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref380\" name=\"_ftn380\">[380] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 35: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 837.<\/div><div id=\"ftn381\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref381\" name=\"_ftn381\">[381] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 69: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1090-1092.<\/div><div id=\"ftn382\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref382\" name=\"_ftn382\">[382] <\/a>Cf. Pontif\u00edcio Conselho \u00abJusti\u00e7a e Paz\u00bb, <i>Para uma melhor distribui\u00e7\u00e3o da terra. O desafio da reforma agr\u00e1ria<\/i> (23 de Novembro de 1997), 27-31: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1997, pp. 25-28.<\/div><div id=\"ftn383\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref383\" name=\"_ftn383\">[383] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 27-34. 37: <i>AAS<\/i>80 (1988) 547-560. 563-564; Id., Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 843-845.<\/div><div id=\"ftn384\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref384\" name=\"_ftn384\">[384] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Terceira Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano<\/i>, Puebla (28 de Janeiro de 1979), I\/ 8: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 4 de Fevereiro de 1979, p. 10.<\/div><div id=\"ftn385\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref385\" name=\"_ftn385\">[385] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 572-573; <i>cf.<\/i> Id., Carta encicl. <i>Evangelium vitae<\/i>, 32: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 436-437; Id., Carta apost. <i>Tertio millennio adveniente<\/i>, 51: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 36; Id., Carta apost. <i>Novo millennio ineunte<\/i>, 49-50: <i>AAS<\/i> 93 (2001) 302-303.<\/div><div id=\"ftn386\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref386\" name=\"_ftn386\">[386] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2448.<\/div><div id=\"ftn387\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref387\" name=\"_ftn387\">[387] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2443.<\/div><div id=\"ftn388\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref388\" name=\"_ftn388\">[388] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1033.<\/div><div id=\"ftn389\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref389\" name=\"_ftn389\">[389] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2444.<\/div><div id=\"ftn390\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref390\" name=\"_ftn390\">[390] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2448.<\/div><div id=\"ftn391\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref391\" name=\"_ftn391\">[391] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2447.<\/div><div id=\"ftn392\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref392\" name=\"_ftn392\">[392] <\/a>S. Greg\u00f3rio Magno, <i>Regula pastoralis<\/i>, 3, 21: SC 382, 394 (PL 77, 87): \u00abNam cum quaelibet necessaria indigentibus ministramus, sua illis reddimus, non nostra largimur; iustitiae potius debitum soluimus, quam misericordiae opera implemus\u00bb.<\/div><div id=\"ftn393\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref393\" name=\"_ftn393\">[393] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Decr. <i>Apostolicam actuositatem<\/i>, 8: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 845; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2446.<\/div><div id=\"ftn394\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref394\" name=\"_ftn394\">[394] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2445.<\/div><div id=\"ftn395\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref395\" name=\"_ftn395\">[395] <\/a>Cf. Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 101-102. 123.<\/div><div id=\"ftn396\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref396\" name=\"_ftn396\">[396] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1882.<\/div><div id=\"ftn397\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref397\" name=\"_ftn397\">[397] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 15: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 529; cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 203; Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 439; Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 65: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1086-1087; Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 73. 85-86: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 586. 592-593; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 48: <i>AAS <\/i>83 (1991) 852-854; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1883-1885.<\/div><div id=\"ftn398\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref398\" name=\"_ftn398\">[398] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 49: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 854-856 e tamb\u00e9m Id., Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 15: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 528-530.<\/div><div id=\"ftn399\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref399\" name=\"_ftn399\">[399] <\/a>Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 203; cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 48: <i>AAS <\/i>83 (1991)852-854; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1883.<\/div><div id=\"ftn400\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref400\" name=\"_ftn400\">[400] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 854.<\/div><div id=\"ftn401\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref401\" name=\"_ftn401\">[401] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 852-854.<\/div><div id=\"ftn402\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref402\" name=\"_ftn402\">[402] <\/a>Cf. Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 22.46: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 417. 433-435; Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da doutrina social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 40: Tipografia Policlota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, 41-42.<\/div><div id=\"ftn403\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref403\" name=\"_ftn403\">[403] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 75: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1097-1099.<\/div><div id=\"ftn404\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref404\" name=\"_ftn404\">[404] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1913-1917.<\/div><div id=\"ftn405\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref405\" name=\"_ftn405\">[405] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 423-425; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 612-616; Id., Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 35: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 836-838.<\/div><div id=\"ftn406\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref406\" name=\"_ftn406\">[406] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 44-45: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 575-578.<\/div><div id=\"ftn407\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref407\" name=\"_ftn407\">[407] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>, <i>AAS<\/i> 55 (1963) 278.<\/div><div id=\"ftn408\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref408\" name=\"_ftn408\">[408] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 46: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 850-851.<\/div><div id=\"ftn409\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref409\" name=\"_ftn409\">[409] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1917.<\/div><div id=\"ftn410\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref410\" name=\"_ftn410\">[410] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 30-31: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1049-1050; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 47: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 851-852.<\/div><div id=\"ftn411\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref411\" name=\"_ftn411\">[411] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 44-45: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 848-849.<\/div><div id=\"ftn412\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref412\" name=\"_ftn412\">[412] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 15: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 528-530; cf. Pio XII, <i>Radiomensagem<\/i> (24 de Dezembro de 1952): <i>AAS<\/i> 45 (1953) 37; Paulo VI, <i>Octogesima adveniens<\/i>, 47: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 435-437.<\/div><div id=\"ftn413\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref413\" name=\"_ftn413\">[413] <\/a>\u00c0 <i>interdepend\u00eancia<\/i> pode ser <i>associado<\/i> o cl\u00e1ssico tema da <i>socializa\u00e7\u00e3o<\/i>, muitas vezes examinado pela doutrina social da Igreja; cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 415-417; Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1060-1061; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 14-15: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 612.618.<\/div><div id=\"ftn414\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref414\" name=\"_ftn414\">[414] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 11-22: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 525-540.<\/div><div id=\"ftn415\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref415\" name=\"_ftn415\">[415] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1939-1941.<\/div><div id=\"ftn416\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref416\" name=\"_ftn416\">[416] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1942.<\/div><div id=\"ftn417\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref417\" name=\"_ftn417\">[417] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 36.37: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 561-564; cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Reconciliatio et p\u00e6nitentia<\/i>, 16: <i>AAS<\/i> 77 (1985) 213-217.<\/div><div id=\"ftn418\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref418\" name=\"_ftn418\">[418] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 38: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 565-566.<\/div><div id=\"ftn419\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref419\" name=\"_ftn419\">[419] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 38: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 566. Cf. ainda: Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 8: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 594-598; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 57, 57: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 862-863.<\/div><div id=\"ftn420\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref420\" name=\"_ftn420\">[420] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 17.39.45: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 532-533. 566-568. 577-578. Tamb\u00e9m a solidariedade internacional \u00e9 uma exig\u00eancia de ordem moral; a paz do mundo depende em larga medida desta: cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 83-86: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1107-1110; Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 281; Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o \u00abJusti\u00e7a e Paz\u00bb, <i>Ao servi\u00e7o da comunidade humana: uma considera\u00e7\u00e3o \u00e9tica da d\u00edvida internacional <\/i>(27 de Dezembro de 1986), I, 1, <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 8 de Fevereiro de 1987, p. 5; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 1941 e 2438.<\/div><div id=\"ftn421\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref421\" name=\"_ftn421\">[421] <\/a>A solidariedade, mesmo que ainda falte a express\u00e3o expl\u00edcita, \u00e9 um dos princ\u00edpios basilares da \u00ab <i>Rerum novarum<\/i>\u00bb (cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 [1961] 407). \u00abO princ\u00edpio, que hoje designamos de solidariedade ... v\u00e1rias vezes Le\u00e3o XIII o enuncia, com o nome \u201camizade\u201d, que encontramos j\u00e1 na filosofia grega; desde Pio XI \u00e9 designado pela express\u00e3o mais significativa \u201ccaridade social\u201d, enquanto Paulo VI, ampliando o conceito na linha das m\u00faltiplas dimens\u00f5es atuais da quest\u00e3o social, falava de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d\u00bb (Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>10: <i>AAS<\/i> 83 [1991] 805). A solidariedade \u00e9 um dos princ\u00edpios basilares de todo o ensinamento social da Igreja (Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 73: <i>AAS<\/i> 79 [1987] 586). A partir de Pio XII (cf. Carta encicl. <i>Summi Pontificatus<\/i>: <i>AAS<\/i> 31 [1939] 426-427), o termo \u00ab <i>solidariedade<\/i>\u00bb \u00e9 empregado com crescente freq\u00fc\u00eancia e com amplitude de significado cada vez maior: daquele de \u00ablei\u00bb na mesma Enc\u00edclica, ao de \u00abprinc\u00edpio\u00bb (Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 [1961] 407), de \u00abdever\u00bb (cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 17.48: <i>AAS<\/i> 59 [1967] 265-266. 281) e de \u00abvalor\u00bb (cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 38: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 564-566), e, enfim, ao de \u00abvirtude\u00bb (cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 38. 40: <i>AAS<\/i> 80 [1988] 564-566. 568-569).<\/div><div id=\"ftn422\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref422\" name=\"_ftn422\">[422] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 38: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, p. 40.<\/div><div id=\"ftn423\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref423\" name=\"_ftn423\">[423] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 32: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1051.<\/div><div id=\"ftn424\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref424\" name=\"_ftn424\">[424] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 568: \u00abA <i>solidariedade<\/i> \u00e9 indubitavelmente uma <i>virtude crist\u00e3<\/i>. Na exposi\u00e7\u00e3o que precede j\u00e1 foi poss\u00edvel entrever numerosos pontos de contacto entre ela e a <i>caridade<\/i>, sinal distintivo dos disc\u00edpulos de Cristo (cf. <i>Jo <\/i>13, 35)\u00bb.<\/div><div id=\"ftn425\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref425\" name=\"_ftn425\">[425] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 569.<\/div><div id=\"ftn426\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref426\" name=\"_ftn426\">[426] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1886.<\/div><div id=\"ftn427\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref427\" name=\"_ftn427\">[427] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 26: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1046-1047; Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 265-266.<\/div><div id=\"ftn428\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref428\" name=\"_ftn428\">[428] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal<\/i>, 43: Tipografia Poliglotta Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, pp. 43-44.<\/div><div id=\"ftn429\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref429\" name=\"_ftn429\">[429] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 36: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1053-1054.<\/div><div id=\"ftn430\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref430\" name=\"_ftn430\">[430] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1025-1026; Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 13: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 263-264.<\/div><div id=\"ftn431\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref431\" name=\"_ftn431\">[431] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2467.<\/div><div id=\"ftn432\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref432\" name=\"_ftn432\">[432] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 265-266. 281.<\/div><div id=\"ftn433\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref433\" name=\"_ftn433\">[433] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 61: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1081-1082; Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio,<\/i> 35. 40: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 274-275. 277; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 44: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 575-577. Para a reforma da sociedade \u00aba tarefa priorit\u00e1ria, que condiciona o \u00eaxito de todas as demais, \u00e9 de ordem educativa\u00bb:Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 99: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 599.<\/div><div id=\"ftn434\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref434\" name=\"_ftn434\">[434] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 16: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1037; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2464-2487.<\/div><div id=\"ftn435\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref435\" name=\"_ftn435\">[435] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 17: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1037-1038; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 1705. 1730; Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 28: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 565.<\/div><div id=\"ftn436\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref436\" name=\"_ftn436\">[436] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1738.<\/div><div id=\"ftn437\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref437\" name=\"_ftn437\">[437] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 26: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 564-565.<\/div><div id=\"ftn438\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref438\" name=\"_ftn438\">[438] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 846. A afirma\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 iniciativa econ\u00f4mica, todavia parece corretamente extens\u00edvel tamb\u00e9m aos outros \u00e2mbitos do agir pessoal.<\/div><div id=\"ftn439\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref439\" name=\"_ftn439\">[439] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 17: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 814-815.<\/div><div id=\"ftn440\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref440\" name=\"_ftn440\">[440] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 289-290.<\/div><div id=\"ftn441\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref441\" name=\"_ftn441\">[441] <\/a>Cf. S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae, <\/i>I-II, q. 6: Ed. Leon. 6, 55-63.<\/div><div id=\"ftn442\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref442\" name=\"_ftn442\">[442] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1807. Cf. S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae<\/i>, II-II, q. 58, a. 1:Ed. Leon. 9, 9-10: \u00abiustitia est perpetua et constans voluntas ius suum unicuique tribuendi\u00bb.<\/div><div id=\"ftn443\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref443\" name=\"_ftn443\">[443] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 282-283.<\/div><div id=\"ftn444\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref444\" name=\"_ftn444\">[444] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2411.<\/div><div id=\"ftn445\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref445\" name=\"_ftn445\">[445] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1928-1942, 2425-2449, 2832; Pio XI, Carta encicl. <i>Divini Redemptoris<\/i>: <i>AAS<\/i> 29 (1937) 92.<\/div><div id=\"ftn446\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref446\" name=\"_ftn446\">[446] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 2: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 580-583.<\/div><div id=\"ftn447\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref447\" name=\"_ftn447\">[447] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 568; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>1929 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn448\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref448\" name=\"_ftn448\">[448] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 96 (2004) 121.<\/div><div id=\"ftn449\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref449\" name=\"_ftn449\">[449] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 39: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 568.<\/div><div id=\"ftn450\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref450\" name=\"_ftn450\">[450] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 39: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 568.<\/div><div id=\"ftn451\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref451\" name=\"_ftn451\">[451] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 265-266.<\/div><div id=\"ftn452\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref452\" name=\"_ftn452\">[452] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 96 (2004) 120.<\/div><div id=\"ftn453\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref453\" name=\"_ftn453\">[453] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Dives in misericordia<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 72 (1980) 1223.<\/div><div id=\"ftn454\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref454\" name=\"_ftn454\">[454] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Dives in misericordia<\/i>, 12: <i>AAS<\/i> 72 (1980) 1216.<\/div><div id=\"ftn455\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref455\" name=\"_ftn455\">[455] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Dives in misericordia<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 72 (1980) 1224; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2212 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn456\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref456\" name=\"_ftn456\">[456] <\/a>S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae<\/i>, II-II, q. 23, a. 8: Ed. Leon. 8, 172; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>1827 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn457\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref457\" name=\"_ftn457\">[457] <\/a>Paulo VI, <i>Discurso \u00e0 sede da FAO, no XXV anivers\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o <\/i>(16 de Novembro de 1970): <i>Insegnamenti di Paolo VI,<\/i> vol. VIII, p.1153.<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-42d4a5c e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"42d4a5c\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8dbfb07 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"8dbfb07\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 style=\"text-align: left;\" align=\"center\">SEGUNDA PARTE<\/h3><p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">\u00ab&#8230; a\u00a0doutrina social,\u00a0por si mesma, tem o valor de um\u00a0instrumento de evangeliza\u00e7\u00e3o: enquanto tal, anuncia Deus e o mist\u00e9rio de salva\u00e7\u00e3o em Cristo a cada homem e, pela mesma raz\u00e3o, revela o homem a si mesmo A esta luz, e somente nela, se ocupa do resto dos direitos humanos de cada um e, em particular, do \u00abproletariado\u00bb, da fam\u00edlia e da educa\u00e7\u00e3o, dos deveres do Estado, do ordenamento da sociedade nacional e internacional, da vida econ\u00f4mica, da cultura, da guerra e da paz, do respeito pela vida desde o momento da concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte&#8230;\u00bb\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0067\/_INDEX.HTM\">Centesimus annus<\/a>, 54)<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-aa79d6c elementor-widget elementor-widget-sp_easy_accordion_pro_shortcode\" data-id=\"aa79d6c\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"sp_easy_accordion_pro_shortcode.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<style>#sp-ea-123 .spcollapsing { height: 0; overflow: hidden; transition-property: height;transition-duration: 300ms;}#sp-ea-123.sp-easy-accordion>.sp-ea-single {margin-bottom: 10px; border: 1px solid #e2e2e2; }#sp-ea-123.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.ea-header a {color: #444;}#sp-ea-123.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.sp-collapse>.ea-body {background: #fff; color: #444;}#sp-ea-123.sp-easy-accordion>.sp-ea-single {background: #eee;}#sp-ea-123.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.ea-header a .ea-expand-icon { float: left; color: #444;font-size: 16px;}<\/style><div id=\"sp_easy_accordion-1736876505\"><div id=\"sp-ea-123\" class=\"sp-ea-one sp-easy-accordion\" data-ea-active=\"ea-click\" data-ea-mode=\"vertical\" data-preloader=\"\" data-scroll-active-item=\"\" data-offset-to-scroll=\"0\"><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1230\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1230\" aria-controls=\"collapse1230\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CAP\u00cdTULO V - A FAM\u00cdLIA C\u00c9LULA VITAL DA SOCIEDADE<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1230\" data-parent=\"#sp-ea-123\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1230\"> <div class=\"ea-body\"><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b><a name=\"I. A FAM\u00cdLIA PRIMEIRA SOCIEDADE NATURAL\"><\/a>I. A FAM\u00cdLIA PRIMEIRA SOCIEDADE NATURAL<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>209<\/b> <i>A import\u00e2ncia e a centralidade da fam\u00edlia, em vista da pessoa e da sociedade, \u00e9 repetidamente sublinhada na Sagrada Escritura<\/i>: \u00abN\u00e3o \u00e9 bom que o homem esteja s\u00f3\u00bb (<i>Gn <\/i>2,18). Desde os textos que narram a cria\u00e7\u00e3o do homem (cf. <i>Gn <\/i>1,26-28; 2,7-24), vem \u00e0 tona como \u2014 no des\u00edgnio de Deus \u2014 o casal constitua \u00ab a primeira forma de comunh\u00e3o de pessoas \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn458\" name=\"_ftnref458\"> [458] <\/a>. Eva \u00e9 criada semelhante a Ad\u00e3o, como aquela que, na sua alteridade, o completa (cf. <i>Gn <\/i>2, 18) para formar com ele \u00ab uma s\u00f3 carne \u00bb (cf. <i>Gn <\/i>2, 24)<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn459\" name=\"_ftnref459\"> [459] <\/a>. Ao mesmo tempo, ambos est\u00e3o empenhados na tarefa da procria\u00e7\u00e3o, que faz deles colaboradores do Criador: \u00ab sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra \u00bb (<i>Gn <\/i>1,28). A fam\u00edlia delineia-se, no des\u00edgnio do Criador, como \u00ab<i>lugar prim\u00e1rio da \u201chumaniza\u00e7\u00e3o\u201d<\/i> da pessoa e da sociedade\u00bb e \u00abber\u00e7o da vida e do amor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn460\" name=\"_ftnref460\"> [460] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>210<\/b> <i>Na fam\u00edlia se aprende a conhecer o amor e a fidelidade do Senhor e a necessidade de corresponder-lhe<\/i> (cf. <i>Ex<\/i> 12,25-27; 13,8.14-15; <i>Dt<\/i> 6,20-25; 13,7-11; l <i>Sam<\/i> 3,13); os filhos aprendem as primeiras e mais decisivas li\u00e7\u00f5es da sabedoria pr\u00e1tica com que s\u00e3o conexas as virtudes (cf. <i>Pr<\/i> 1,8-9; 4,1-4; 6,20-21; <i>Sir<\/i> 3,1-16; 7,27-28). Por tudo isso, o Senhor se faz garante do amor e da fidelidade conjugal (cf. <i>Mc<\/i> 2,14-15).<\/p><p><i>Jesus nasceu e viveu em uma fam\u00edlia concreta acolhendo todas as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias desta vida<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn461\" name=\"_ftnref461\"> [461] <\/a><i>e conferiu uma excelsa dignidade ao instituto matrimonial<\/i>, constituindo-o como sacramento da nova alian\u00e7a (cf. <i>Mt<\/i> 19,3-9). Nesta perspectiva, o casal encontra toda a sua dignidade e a fam\u00edlia, a sua pr\u00f3pria solidez.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>211<\/b> <i>Iluminada pela luz da mensagem b\u00edblica, a Igreja considera a fam\u00edlia como a primeira sociedade natural, titular de direitos pr\u00f3prios e origin\u00e1rios, e a p\u00f5e no centro da vida social<\/i>: relegar a fam\u00edlia \u00aba um papel subalterno e secund\u00e1rio, excluindo-a da posi\u00e7\u00e3o que lhe compete na sociedade, significa causar um grave dano ao aut\u00eantico crescimento do corpo social inteiro\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn462\" name=\"_ftnref462\"> [462] <\/a>. Efetivamente, a fam\u00edlia, que nasce da \u00edntima comunh\u00e3o de vida e de amor fundada no matrim\u00f4nio entre um homem e uma mulher<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn463\" name=\"_ftnref463\"> [463] <\/a>, possui uma pr\u00f3pria espec\u00edfica e origin\u00e1ria dimens\u00e3o social, enquanto lugar prim\u00e1rio de rela\u00e7\u00f5es interpessoais, <i>c\u00e9lula primeira e vital da sociedade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn464\" name=\"_ftnref464\"> [464] <\/a>: esta \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o divina que colocada como fundamento da vida das pessoas, como prot\u00f3tipo de todo ordenamento social.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <\/span><b><a name=\"A import\u00e2ncia da fam\u00edlia para a pessoa\"><\/a><span style=\"color: #663300\">A import\u00e2ncia da fam\u00edlia para a pessoa<\/span><\/b><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>212<\/b> <i>A fam\u00edlia \u00e9 importante e central em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa<\/i>. Neste ber\u00e7o da vida e do amor, o homem <i>nasce<\/i> e <i>cresce<\/i>: quando <i>nasce<\/i> uma crian\u00e7a, \u00e0 sociedade \u00e9 oferecido o dom de uma nova pessoa, que \u00e9 \u00abchamada, desde o seu \u00edntimo, \u00e0 <i>comunh\u00e3o <\/i>com os outros e \u00e0 <i>doa\u00e7\u00e3o <\/i>aos outros \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn465\" name=\"_ftnref465\"> [465] <\/a>. Na fam\u00edlia, portanto, o dom rec\u00edproco de si por parte do homem e da mulher unidos em matrim\u00f4nio cria um ambiente de vida no qual a crian\u00e7a pode nascer e \u00abdesenvolver as suas potencialidades, tornar-se consciente da sua dignidade e preparar-se para enfrentar o seu \u00fanico e irrepet\u00edvel destino\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn466\" name=\"_ftnref466\"> [466] <\/a>.<\/p><p><i>No clima de natural afeto que liga os membros de uma comunidade familiar, as pessoas s\u00e3o reconhecidas e responsabilizadas na sua integralidade<\/i>: \u00abprimeira e fundamental estrutura a favor da \u201cecologia humana\u201d \u00e9 a fam\u00edlia, no seio da qual o homem recebe as primeiras e determinantes no\u00e7\u00f5es acerca da verdade e do bem, aprende o que significa amar e ser amado e, conseq\u00fcentemente, o que quer dizer, em concreto, ser uma pessoa\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn467\" name=\"_ftnref467\"> [467] <\/a>. As obriga\u00e7\u00f5es dos seus membros, de fato, n\u00e3o est\u00e3o limitadas pelos termos de um contrato, mas derivam da ess\u00eancia mesma da fam\u00edlia, fundada num pacto conjugal irrevog\u00e1vel e estruturada pelas rela\u00e7\u00f5es que dele derivam ap\u00f3s a gera\u00e7\u00e3o ou a ado\u00e7\u00e3o dos filhos.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"A import\u00e2ncia da fam\u00edlia para a sociedade\"><\/a>A import\u00e2ncia da fam\u00edlia para a sociedade<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>213<\/b> <i>A fam\u00edlia, comunidade natural na qual se experimenta a sociabilidade humana, contribui de modo \u00fanico e insubstitu\u00edvel para o bem da sociedade<\/i>. A comunidade familiar nasce da comunh\u00e3o das pessoas. \u00abA<i> <\/i>\u201c<i>comunh\u00e3o<\/i>\u201d diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o pessoal entre o \u201ceu\u201d e o \u201ctu\u201d. A \u201c<i>comunidade<\/i>\u201d, pelo contr\u00e1rio, supera este esquema na dire\u00e7\u00e3o de uma \u201csociedade\u201d, de um \u201cn\u00f3s\u201d. A fam\u00edlia, comunidade de pessoas, \u00e9, pois, a primeira \u201csociedade\u201d humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn468\" name=\"_ftnref468\"> [468] <\/a>.<\/p><p><i>Uma sociedade \u00e0 medida da fam\u00edlia \u00e9 a melhor garantia contra toda a deriva de tipo individualista ou coletivista, porque nela a pessoa est\u00e1 sempre no centro da aten\u00e7\u00e3o enquanto fim e nunca como meio<\/i>. \u00c9 de todo evidente que o bem das pessoas e o bom funcionamento da sociedade, portanto, est\u00e3o estreitamente conexos \u00abcom uma feliz situa\u00e7\u00e3o da comunidade conjugal e familiar\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn469\" name=\"_ftnref469\"> [469] <\/a>. Sem fam\u00edlias fortes na comunh\u00e3o e est\u00e1veis no compromisso os povos se debilitam. Na fam\u00edlia s\u00e3o inculcados desde os primeiros anos de vida os valores morais, transmite-se o patrim\u00f4nio espiritual da comunidade religiosa e o cultural da na\u00e7\u00e3o. Nela se d\u00e1 a aprendizagem das responsabilidades sociais e da solidariedade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn470\" name=\"_ftnref470\"> [470] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>214<\/b> <i>H\u00e1 que se afirmar a prioridade da fam\u00edlia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade e ao Estado<\/i>. A fam\u00edlia, de fato, ao menos na sua fun\u00e7\u00e3o procriadora, \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o mesma da sua exist\u00eancia. Nas outras fun\u00e7\u00f5es a favor de cada um dos seus membros ela precede, por import\u00e2ncia e valor, as fun\u00e7\u00f5es que a sociedade e o Estado tamb\u00e9m devem cumprir<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn471\" name=\"_ftnref471\"> [471] <\/a>. A fam\u00edlia, sujeito titular de direitos nativos e inviol\u00e1veis, encontra a sua legitima\u00e7\u00e3o na natureza humana e n\u00e3o no reconhecimento do Estado. <i>A fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9, portanto, para a sociedade e para o Estado; antes, a sociedade e o Estado s\u00e3o para a fam\u00edlia<\/i>.<\/p><p><i>Todo modelo social que pretenda servir ao bem do homem n\u00e3o pode prescindir da centralidade e da responsabilidade social da fam\u00edlia. A sociedade e o Estado, nas suas rela\u00e7\u00f5es com a fam\u00edlia, t\u00eam o dever de ater-se ao princ\u00edpio de subsidiariedade<\/i>. Em for\u00e7a de tal princ\u00edpio, as autoridades p\u00fablicas n\u00e3o devem subtrair \u00e0 fam\u00edlia aquelas tarefas que pode bem perfazer sozinha ou livremente associada com outras fam\u00edlias; por outro lado, as autoridades t\u00eam o dever de apoiar a fam\u00edlia, assegurando-lhe todos os aux\u00edlios de que ela necessita para desempenhar de modo adequado a todas as suas responsabilidades<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn472\" name=\"_ftnref472\"> [472] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><h4 align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>II. O MATRIM\u00d4NIO FUNDAMENTO DA FAM\u00cdLIA<\/b><\/span><\/h4><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"O valor do matrim\u00f4nio\"><\/a>O valor do matrim\u00f4nio<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>215<\/b> <i>A fam\u00edlia tem o seu fundamento na livre vontade dos c\u00f4njuges de unir-se em matrim\u00f4nio, no respeito dos significados e dos valores pr\u00f3prios deste instituto, que n\u00e3o depende do homem, mas do pr\u00f3prio Deus<\/i>: \u00ab No intuito do bem, seja dos esposos como da prole e da sociedade, esse v\u00ednculo sagrado n\u00e3o depende do arb\u00edtrio humano. Mas o pr\u00f3prio Deus \u00e9 o autor do matrim\u00f4nio, dotado de v\u00e1rios valores e fins\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn473\" name=\"_ftnref473\"> [473] <\/a>. O instituto do matrim\u00f4nio \u2015 \u00ab \u00edntima comunh\u00e3o de vida e de amor conjugal que o Criador fundou e dotou com Suas leis\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn474\" name=\"_ftnref474\"> [474] <\/a>\u2015 n\u00e3o \u00e9 portanto uma cria\u00e7\u00e3o devida a conven\u00e7\u00f5es humanas e a imposi\u00e7\u00f5es legislativas, mas deve a sua estabilidade ao ordenamento divino<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn475\" name=\"_ftnref475\"> [475] <\/a>. \u00c9 um instituto que nasce, mesmo para a sociedade, \u00abdo ato humano com o qual os c\u00f4njuges se d\u00e3o e recebem mutuamente\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn476\" name=\"_ftnref476\"> [476] <\/a>e se funda sobre a mesma natureza do amor conjugal que, enquanto dom total e exclusivo, de pessoa a pessoa, comporta um compromisso definitivo expresso com o consentimento rec\u00edproco, irrevog\u00e1vel e p\u00fablico<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn477\" name=\"_ftnref477\"> [477] <\/a>. Tal empenho comporta que as rela\u00e7\u00f5es entre os membros da fam\u00edlia sejam caracterizadas pelo sentido da justi\u00e7a e, portanto, pelo respeito dos direitos e deveres rec\u00edprocos.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>216<\/b> <i>Nenhum poder pode abolir o direito natural ao matrim\u00f4nio nem lhe modificar as caracter\u00edsticas e a finalidade<\/i>. O matrim\u00f4nio, com efeito, \u00e9 dotado de caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, origin\u00e1rias e permanentes. N\u00e3o obstante as numerosas mudan\u00e7as que p\u00f4de sofrer no curso dos s\u00e9culos, nas v\u00e1rias culturas, estruturas sociais e atitudes espirituais, em todas as culturas, ali\u00e1s, h\u00e1 um certo sentido da dignidade da uni\u00e3o matrimonial, se bem que n\u00e3o transpare\u00e7a por toda parte com a mesma clareza<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn478\" name=\"_ftnref478\"> [478] <\/a>. Tal dignidade deve ser respeitada nas suas caracter\u00edsticas espec\u00edficas, que exigem ser salvaguardadas de fronte a toda tentativa de deturp\u00e1-la. A sociedade n\u00e3o pode dispor do la\u00e7o matrimonial, com o qual os dois esposos prometem m\u00fatua fidelidade, assist\u00eancia e acolhimento dos filhos, mas est\u00e1 habilitada a disciplinar-lhe os efeitos civis.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>217<\/b> <i>O matrim\u00f4nio tem como tra\u00e7os caracter\u00edsticos<\/i>: a <i>totalidade<\/i>, em for\u00e7a da qual os c\u00f4njuges se doam reciprocamente em todas as componentes da pessoa, f\u00edsicas e espirituais; a <i>unidade<\/i> que os torna \u00abuma s\u00f3 carne\u00bb (<i>Gn <\/i>2,24); a <i>indissolubilidade<\/i> e a <i>fidelidade<\/i> que a doa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca definitiva exige; a <i>fecundidade<\/i> \u00e0 qual ela naturalmente se abre<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn479\" name=\"_ftnref479\"> [479] <\/a>. O sapiente des\u00edgnio de Deus sobre o matrim\u00f4nio \u2014 des\u00edgnio acess\u00edvel \u00e0 raz\u00e3o humana, n\u00e3o obstante as dificuldades devidas \u00e0 dureza do cora\u00e7\u00e3o (cf. <i>Mt<\/i> 19,8; <i>Mc<\/i> 10,5) \u2014 n\u00e3o pode ser avaliado exclusivamente \u00e0 luz dos comportamentos de fato e das situa\u00e7\u00f5es concretas que dele se afastam. \u00c9 uma nega\u00e7\u00e3o radical do des\u00edgnio original de Deus a <i>poligamia<\/i>, \u00abporque contr\u00e1ria \u00e0 igual dignidade pessoal entre o homem e a mulher, que no matrim\u00f4nio se doam com um amor total e por isso mesmo \u00fanico e exclusivo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn480\" name=\"_ftnref480\"> [480] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>218<\/b> <i>O matrim\u00f4nio, na sua verdade \u00abobjetiva\u00bb, est\u00e1 ordenado \u00e0 procria\u00e7\u00e3o e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos filhos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn481\" name=\"_ftnref481\"> [481] <\/a>. A uni\u00e3o matrimonial, de fato, leva a viver em plenitude aquele dom sincero de si, cujo fruto s\u00e3o os filhos, por sua vez dom para os pais, para a fam\u00edlia toda e para toda a sociedade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn482\" name=\"_ftnref482\"> [482] <\/a>. <i>O matrim\u00f4nio, por\u00e9m, n\u00e3o foi institu\u00eddo unicamente em vista da procria\u00e7\u00e3o<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn483\" name=\"_ftnref483\"> [483] <\/a>: o seu car\u00e1ter indissol\u00favel e o seu valor de comunh\u00e3o permanecem mesmo quando os filhos, ainda que vivamente desejados, n\u00e3o chegam a completar a vida conjugal. Neste caso, os esposos \u00abpodem mostrar a sua generosidade adotando crian\u00e7as desamparadas ou prestando relevantes servi\u00e7os em favor do pr\u00f3ximo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn484\" name=\"_ftnref484\"> [484] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"O sacramento do matrim\u00f4nio\"><\/a>O sacramento do matrim\u00f4nio<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>219<\/b> <i>A realidade humana e origin\u00e1ria do matrim\u00f4nio \u00e9 vivida pelos batizados, por institui\u00e7\u00e3o de Cristo, na forma sobrenatural do sacramento, sinal e instrumento de Gra\u00e7a<\/i>. A hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o \u00e9 perpassada pelo tema da alian\u00e7a esponsal, express\u00e3o significativa da comunh\u00e3o de amor entre Deus e os homens e chave simb\u00f3lica para compreender as etapas da grande alian\u00e7a entre Deus e o Seu povo<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn485\" name=\"_ftnref485\"> [485] <\/a>. O centro da revela\u00e7\u00e3o do projeto de amor divino \u00e9 o dom que Deus faz \u00e0 humanidade do Filho Seu Jesus Cristo, \u00abo Esposo que ama e se doa como Salvador da humanidade, unindo-a a Si como seu corpo. Ele revela a verdade origin\u00e1ria do matrim\u00f4nio, a verdade do \u201cprinc\u00edpio\u201d (cf. <i>Gn <\/i>2,24; <i>Mt<\/i> 19,5) e, libertando o homem da dureza do seu cora\u00e7\u00e3o, torna-o capaz de a realizar inteiramente\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn486\" name=\"_ftnref486\"> [486] <\/a>. Do amor esponsal de Cristo pela Igreja, que mostra a sua plenitude na oferta consumada na Cruz, promana a sacramentalidade do matrim\u00f4nio, cuja Gra\u00e7a conforma o amor dos esposos ao Amor de Cristo pela Igreja. O matrim\u00f4nio, enquanto sacramento, \u00e9 uma alian\u00e7a de um homem e uma mulher no amor<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn487\" name=\"_ftnref487\"> [487] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>220 <\/b><i>O sacramento do matrim\u00f4nio assume a realidade humana do amor conjugal em todas as implica\u00e7\u00f5es <\/i>e \u00abhabilita e empenha os c\u00f4njuges e os pais crist\u00e3os a viver a sua voca\u00e7\u00e3o de leigos, e por tanto a \u201cprocurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus\u201d\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn488\" name=\"_ftnref488\"> [488] <\/a>. Intimamente unida \u00e0 Igreja em for\u00e7a do v\u00ednculo sacramental que a torna <i>Igreja dom\u00e9stica<\/i> ou <i>pequena Igreja<\/i>, a fam\u00edlia crist\u00e3 \u00e9 chamada \u00aba ser sinal de unidade para o mundo e a exercer deste modo o seu papel prof\u00e9tico, testemunhando o Reino e a paz de Cristo, para os quais o mundo inteiro caminha\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn489\" name=\"_ftnref489\"> [489] <\/a>.<\/p><p>A caridade conjugal, que promana da caridade mesma de Cristo, oferecida atrav\u00e9s do Sacramento, torna os c\u00f4njuges crist\u00e3os testemunhas de uma sociabilidade nova, inspirada no Evangelho e no Mist\u00e9rio Pascal. A dimens\u00e3o natural do seu amor \u00e9 constantemente purificada, consolidada e elevada pela gra\u00e7a sacramental. Deste modo, os c\u00f4njuges crist\u00e3os, ademais de ajudar-se reciprocamente no caminho de santifica\u00e7\u00e3o, convertem-se em sinal e instrumento da caridade de Cristo no mundo. Com a sua pr\u00f3pria vida eles s\u00e3o chamados a ser testemunhas e anunciadores do significado religioso do matrim\u00f4nio, que a sociedade atual sente sempre mais dificuldade em reconhecer, especialmente quando acolhe vis\u00f5es que tendem a relativizar at\u00e9 mesmo o fundamento natural do instituto matrimonial.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>III. A SUBJETIVIDADE SOCIAL DA FAM\u00cdLIA<\/b><\/span><\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"O amor e a forma\u00e7\u00e3o de uma comunidade de pessoas\"><\/a>O amor e a forma\u00e7\u00e3o de uma comunidade de pessoas<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>221<\/b> <i>A fam\u00edlia prop\u00f5e-se como espa\u00e7o daquela comunh\u00e3o, t\u00e3o necess\u00e1rio em uma comunidade cada vez mais individualista, no qual fazer crescer uma aut\u00eantica comunidade de pessoas<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn490\" name=\"_ftnref490\"> [490] <\/a><i>, gra\u00e7as ao incessante dinamismo do amor, que \u00e9 a dimens\u00e3o fundamental da experi\u00eancia humana e que tem precisamente na fam\u00edlia um lugar privilegiado para manifestar-se<\/i>: \u00abO amor faz com que o homem se realize atrav\u00e9s do dom sincero de si: amar significa dar e receber aquilo que n\u00e3o se pode comprar nem vender, mas apenas livre e reciprocamente oferecer\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn491\" name=\"_ftnref491\"> [491] <\/a>.<\/p><p><i>Gra\u00e7as ao amor, realidade essencial para definir o matrim\u00f4nio e a fam\u00edlia, toda pessoa, homem e mulher, \u00e9 reconhecida, acolhida e respeitada na sua dignidade<\/i>. Do amor nascem rela\u00e7\u00f5es vividas sob o signo da gratuidade, a qual \u00abrespeitando e favorecendo em todos e em cada um a dignidade pessoal como \u00fanico t\u00edtulo de valor, se torna acolhimento cordial, encontro e di\u00e1logo, disponibilidade desinteressada, servi\u00e7o generoso, solidariedade profunda\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn492\" name=\"_ftnref492\"> [492] <\/a>. A exist\u00eancia de fam\u00edlias que vivem em tal esp\u00edrito p\u00f5em a nu as car\u00eancias e as contradi\u00e7\u00f5es de uma sociedade orientada preponderantemente, quando n\u00e3o exclusivamente, por crit\u00e9rios de efici\u00eancia e de funcionalidade. A fam\u00edlia, que vive construindo todos os dias uma rede de rela\u00e7\u00f5es interpessoais, internas e externas, p\u00f5e-se por sua vez como \u00aba primeira e insubstitu\u00edvel escola de sociabilidade, exemplo e est\u00edmulo para as mais amplas rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias na mira do respeito, da justi\u00e7a, do di\u00e1logo, do amor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn493\" name=\"_ftnref493\"> [493] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>222<\/b> <i>O amor se expressa tamb\u00e9m mediante uma pressurosa aten\u00e7\u00e3o para com os anci\u00e3es que vivem na fam\u00edlia: a sua presen\u00e7a pode assumir um grande valor<\/i>. Eles s\u00e3o o exemplo de conex\u00e3o entre as gera\u00e7\u00f5es, uma riqueza para o bem-estar da fam\u00edlia e de toda a sociedade: \u00abN\u00e3o s\u00f3 podem dar testemunho de que existem aspectos da vida, como os valores humanos e culturais, morais e sociais, que n\u00e3o se medem em termos econ\u00f4micos e funcionais, mas oferecer tamb\u00e9m o seu contributo eficaz no \u00e2mbito do trabalho e no da responsabilidade. Trata-se, por fim, n\u00e3o s\u00f3 de fazer algo pelos idosos, mas de aceitar tamb\u00e9m estas pessoas como colaboradores respons\u00e1veis, com modalidades que o tornem realmente poss\u00edvel, como agentes de projetos partilhados, em fase de programa\u00e7\u00e3o, de di\u00e1logo ou de realiza\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn494\" name=\"_ftnref494\"> [494] <\/a>. Como diz a Sagrada Escritura, as pessoas \u00abna velhice ainda dar\u00e3o frutos\u00bb (<i>Sal<\/i> 92, 15). Os anci\u00e3es constituem uma importante escola de vida, capaz de transmitir valores e tradi\u00e7\u00f5es e de favorecer o crescimento dos mais jovens, os quais desse modo aprendem a buscar n\u00e3o somente o pr\u00f3prio bem, mas tamb\u00e9m o de outrem. Se os anci\u00e3es se encontram em uma situa\u00e7\u00e3o de sofrimento e depend\u00eancia, necessitam n\u00e3o s\u00f3 de cuidados m\u00e9dicos e de uma assist\u00eancia apropriada, mas sobretudo de ser tratados com amor.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>223 <\/b><i>O ser humano \u00e9 feito para amar e sem amor n\u00e3o pode viver<\/i>. Quando se manifesta no dom total de duas pessoas na sua complementaridade, o amor n\u00e3o pode ser reduzido \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e aos sentimentos, nem tampouco \u00e0 sua mera express\u00e3o sexual. Uma sociedade que tende cada vez mais a relativizar e a banalizar a experi\u00eancia do amor e da sexualidade, exalta os aspectos ef\u00eameros da vida e obscurece os seus valores fundamentais: torna-se cada vez mais urgente anunciar e testemunhar <i>a verdade<\/i> do amor e da sexualidade conjugal s\u00f3 existe onde se realiza um dom pleno e total das pessoas com as caracter\u00edsticas da <i>unidade<\/i> e da <i>fidelidade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn495\" name=\"_ftnref495\"> [495] <\/a>. Tal verdade, fonte de alegria, de esperan\u00e7a e de vida, permanece impenetr\u00e1vel e inating\u00edvel enquanto se estiver fechado no relativismo e no ceticismo.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>224<\/b> <i>Em face das teorias que consideram a identidade de g\u00eanero somente o produto cultural e social derivante da intera\u00e7\u00e3o entre a comunidade e o indiv\u00edduo, prescindindo da identidade sexual pessoal e sem refer\u00eancia alguma ao verdadeiro significado da sexualidade, a Igreja n\u00e3o se cansar\u00e1 de reafirmar o pr\u00f3prio ensinamento: <\/i>\u00ab<i>Cabe a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar sua identidade sexual<\/i>. A <i>diferen\u00e7a<\/i> e a <i>complementaridade <\/i>f\u00edsicas, morais e espirituais s\u00e3o orientadas para os bens do casamento e para o desabrochar da vida familiar. A harmonia do casal e da sociedade depende, em parte, da maneira como se vivem entre os sexos a complementaridade, a necessidade e o apoio m\u00fatuos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn496\" name=\"_ftnref496\"> [496] <\/a>. Esta \u00e9 uma perspectiva que faz considerar <i>imprescind\u00edvel<\/i> a conforma\u00e7\u00e3o do direito positivo com a lei natural, segundo a qual <i>a identidade sexual \u00e9 indispon\u00edvel<\/i>, porque \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o objetiva para formar um casal no matrim\u00f4nio.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>225<\/b> <i>A natureza do amor conjugal exige a estabilidade da rela\u00e7\u00e3o matrimonial e a sua indissolubilidade. <\/i>A falta destes requisitos prejudica a rela\u00e7\u00e3o de amor exclusivo e total pr\u00f3prio do v\u00ednculo matrimonial, com graves sofrimentos para os filhos, com reflexos dolorosos tamb\u00e9m no tecido social.<\/p><p>A estabilidade e a indissolubilidade da uni\u00e3o matrimonial n\u00e3o devem ser confiadas exclusivamente \u00e0 inten\u00e7\u00e3o e ao empenho de cada uma das pessoas envolvidas: a responsabilidade da tutela e da promo\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia como institui\u00e7\u00e3o natural fundamental, precisamente em considera\u00e7\u00e3o dos seus aspectos vitais e irrenunci\u00e1veis, compete \u00e0 sociedade toda. A necessidade de conferir um car\u00e1ter institucional ao matrim\u00f4nio, fundando-o em um ato p\u00fablico, social e juridicamente reconhecido, deriva de exig\u00eancias basilares de natureza social.<\/p><p><i>A introdu\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio nas legisla\u00e7\u00f5es civis, pelo contr\u00e1rio tem alimentado uma vis\u00e3o relativista do la\u00e7o conjugal<\/i> e se manifestou amplamente como uma verdadeira \u00abchaga social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn497\" name=\"_ftnref497\"> [497] <\/a>. Os casais que conservam e desenvolvem o bem da indissolubilidade \u00abcumprem \u2026 de um modo humilde e corajoso, o dever que lhes foi confiado de ser no mundo um \u201csinal\u201d \u2014 pequeno e precioso sinal, submetido tamb\u00e9m \u00e0s vezes \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o, mas sempre renovado \u2014 da fidelidade infatig\u00e1vel com que Deus e Jesus Cristo amam todos os homens e cada homem\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn498\" name=\"_ftnref498\"> [498] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>226 <\/b><i>A Igreja n\u00e3o abandona a si mesmos aqueles que, ap\u00f3s um div\u00f3rcio, tornaram a se casar. A Igreja reza por eles, anima-os nas dificuldades de ordem espiritual que encontram e os sust\u00e9m na f\u00e9 e na esperan\u00e7a. <\/i>Por parte dessas pessoas, enquanto batizadas, podem, antes devem, participar da vida eclesial: s\u00e3o exortadas a escutar a Palavra de Deus, a freq\u00fcentar o sacrif\u00edcio da Missa, a perseverar na ora\u00e7\u00e3o, a dar incremento \u00e0s obras de caridade e \u00e0s iniciativas da comunidade a favor da justi\u00e7a e da paz, a educar os filhos na f\u00e9, a cultivar o esp\u00edrito e as obras de penit\u00eancia para assim implorar, dia ap\u00f3s dia, a gra\u00e7a de Deus.<\/p><p>A reconcilia\u00e7\u00e3o no sacramento da penit\u00eancia \u2014 que abriria a estrada ao sacramento eucar\u00edstico \u2014 pode ser concedida somente aos que, arrependidos, est\u00e3o sinceramente dispostos a uma forma de vida n\u00e3o mais em contradi\u00e7\u00e3o com a indissolubilidade do matrim\u00f4nio<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn499\" name=\"_ftnref499\"> [499] <\/a>.<\/p><p>Assim agindo, a Igreja professa a pr\u00f3pria fidelidade a Cristo e \u00e0 Sua verdade; ao mesmo tempo se comporta com \u00e2nimo materno em rela\u00e7\u00e3o a estes filhos seus, especialmente para com aqueles que, sem sua culpa, foram abandonados pelo leg\u00edtimo c\u00f4njuge. Com firme confian\u00e7a ela cr\u00ea que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor, e em tal estado ainda vivem, poder\u00e3o obter de Deus a gra\u00e7a da convers\u00e3o e da salva\u00e7\u00e3o, se tiverem perseverado na ora\u00e7\u00e3o, na penit\u00eancia e na caridade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn500\" name=\"_ftnref500\"> [500] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>227<\/b> <i>As uni\u00f5es de fato, cujo n\u00famero tem aumentado progressivamente, baseiam-se em uma falsa concep\u00e7\u00e3o da liberdade de op\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn501\" name=\"_ftnref501\"> [501] <\/a><i>e em uma concep\u00e7\u00e3o de todo privatista do matrim\u00f4nio e da fam\u00edlia<\/i>. O matrim\u00f4nio, de fato, n\u00e3o \u00e9 um simples pacto de conviv\u00eancia, mas uma rela\u00e7\u00e3o com uma dimens\u00e3o social \u00fanica em rela\u00e7\u00e3o a todas as outras, enquanto a fam\u00edlia, provendo \u00e0 procria\u00e7\u00e3o e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos filhos, se configura como instrumento prim\u00e1rio para o crescimento integral de cada pessoa e para a sua positiva inser\u00e7\u00e3o na vida social.<\/p><p><i>A eventual equipara\u00e7\u00e3o legislativa entre fam\u00edlia e \u00abuni\u00f5es de fato\u00bb traduzir-se-ia em um descr\u00e9dito do modelo de fam\u00edlia<\/i>, que n\u00e3o se pode realizar em uma prec\u00e1ria rela\u00e7\u00e3o entre pessoas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn502\" name=\"_ftnref502\"> [502] <\/a>, mas somente em uma uni\u00e3o permanente originada por um matrim\u00f4nio, isto \u00e9, pelo pacto entre um homem e uma mulher, fundado sobre uma escolha rec\u00edproca e livre que implica a plena comunh\u00e3o conjugal orientada para a procria\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>228<\/b> <i>Uma problem\u00e1tica particular ligada \u00e0s uni\u00f5es de fato \u00e9 a concernente \u00e0 demanda de reconhecimento jur\u00eddico das uni\u00f5es homossexuais<\/i>, cada vez mais objeto de debate p\u00fablico. Somente uma antropologia correspondente \u00e0 plena verdade do homem pode dar uma resposta apropriada ao problema, que apresenta diversos aspectos, quer no plano social quer no eclesial<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn503\" name=\"_ftnref503\"> [503] <\/a>. \u00c0 luz de tal antropologia revela-se \u00abcomo \u00e9 incongruente a pretens\u00e3o de atribuir uma realidade \u201cconjugal\u201d \u00e0 uni\u00e3o entre pessoas do mesmo sexo. A ela op\u00f5e-se, antes de tudo, a impossibilidade objetiva de fazer frutificar o con\u00fabio mediante a transmiss\u00e3o da vida, segundo com o projeto inscrito por Deus na pr\u00f3pria estrutura do ser humano. Serve de obst\u00e1culo, al\u00e9m disso, a aus\u00eancia dos pressupostos para aquela complementaridade interpessoal que o Criador quis, tanto no plano f\u00edsico-biol\u00f3gico quanto no plano eminentemente psicol\u00f3gico, entre o homem e a mulher. \u00c9 s\u00f3 na uni\u00e3o entre duas pessoas sexualmente diferentes que se pode realizar o aperfei\u00e7oamento do indiv\u00edduo, numa s\u00edntese de unidade e de m\u00fatua complementa\u00e7\u00e3o psicof\u00edsica\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn504\" name=\"_ftnref504\"> [504] <\/a>.<\/p><p><i>A pessoa homossexual deve ser plenamente respeitada na sua dignidade humana<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn505\" name=\"_ftnref505\"> [505] <\/a><i>e encorajada a seguir o plano de Deus com um empenho particular no exerc\u00edcio da castidade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn506\" name=\"_ftnref506\"> [506] <\/a>. O respeito que se lhes deve n\u00e3o significa legitima\u00e7\u00e3o de comportamentos n\u00e3o conformes com a lei moral, nem tampouco o reconhecimento de um direito ao matrim\u00f4nio entre pessoas do mesmo sexo, com a conseq\u00fcente equipara\u00e7\u00e3o de tal uni\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn507\" name=\"_ftnref507\"> [507] <\/a>: \u00ab Se, do ponto de vista legal, o matrim\u00f4nio entre duas pessoas de sexo diferente for considerado apenas como um dos matrim\u00f4nios poss\u00edveis, o conceito de matrim\u00f4nio sofrer\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o radical, com grave preju\u00edzo para o bem comum. Colocando a uni\u00e3o homossexual num plano jur\u00eddico an\u00e1logo ao do matrim\u00f4nio ou da fam\u00edlia, o Estado comporta-se de modo arbitr\u00e1rio e entra em contradi\u00e7\u00e3o com os pr\u00f3prios deveres\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn508\" name=\"_ftnref508\"> [508] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>229<\/b> <i>A solidez do n\u00facleo familiar \u00e9 um recurso determinante para a qualidade da conviv\u00eancia social, por isso a comunidade civil n\u00e3o pode ficar indiferente de fronte \u00e0s tend\u00eancias desagregadoras que minam na base as suas pilastras fundamentais<\/i>. Se uma legisla\u00e7\u00e3o pode por vezes tolerar comportamentos moralmente inaceit\u00e1veis<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn509\" name=\"_ftnref509\"> [509] <\/a>, <i>n\u00e3o deve jamais debilitar o reconhecimento do matrim\u00f4nio monog\u00e2mico indissol\u00favel qual \u00fanica forma aut\u00eantica da fam\u00edlia<\/i>. \u00c9 portanto necess\u00e1rio que se atue \u00abtamb\u00e9m junto das autoridades p\u00fablicas, para que, resistindo a estas tend\u00eancias desagregadoras da pr\u00f3pria sociedade e prejudiciais \u00e0 dignidade, seguran\u00e7a e bem-estar dos cidad\u00e3os, a opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o seja induzida a menosprezar a import\u00e2ncia institucional do matrim\u00f4nio e da fam\u00edlia\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn510\" name=\"_ftnref510\"> [510] <\/a>.<\/p><p>\u00c9 tarefa da comunidade crist\u00e3 e de todos aqueles que tomam a peito o bem da sociedade reafirmar que \u00aba fam\u00edlia constitui, mais do que uma unidade jur\u00eddica, social e econ\u00f4mica, uma comunidade de amor e de solidariedade, insubstitu\u00edvel para o ensino e a transmiss\u00e3o dos valores culturais, \u00e9ticos, sociais, espirituais e religiosos, essenciais para o desenvolvimento e o bem-estar dos pr\u00f3prios membros e da sociedade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn511\" name=\"_ftnref511\"> [511] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"A fam\u00edlia \u00e9 o santu\u00e1rio da vida\"><\/a>A fam\u00edlia \u00e9 o santu\u00e1rio da vida<\/b><\/span><\/p><p><b>230<\/b> <i>O amor conjugal \u00e9 por sua natureza aberto ao acolhimento da vida<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn512\" name=\"_ftnref512\"> [512] <\/a>. Na tarefa procriadora revela-se de modo eminente a dignidade do ser humano, chamado a ser interprete da bondade e da fecundidade que prov\u00eam de Deus: \u00abA paternidade e a maternidade humana, mesmo sendo <i>biologicamente semelhantes <\/i>\u00e0s de outros seres da natureza, t\u00eam em si mesmas de modo essencial e exclusivo uma \u201c<i>semelhan\u00e7a<\/i>\u201d<i> com Deus<\/i>, sobre a qual se funda a fam\u00edlia, concebida como comunidade de vida humana, como comunidade de pessoas unidas no amor (<i>communio personarum<\/i>)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn513\" name=\"_ftnref513\"> [513] <\/a>.<\/p><p><i>A procria\u00e7\u00e3o expressa a subjetividade social da fam\u00edlia e d\u00e1 in\u00edcio a um dinamismo de amor e de solidariedade entre as gera\u00e7\u00f5es que est\u00e1 na base da sociedade<\/i>. \u00c9 preciso redescobrir o valor social de <i>part\u00edcula <\/i>do bem comum \u00ednsito em cada novo ser humano: cada crian\u00e7a \u00abfaz de si um dom aos irm\u00e3os, \u00e0s irm\u00e3s, aos pais, \u00e0 fam\u00edlia inteira. A sua vida torna-se dom para os pr\u00f3prios doadores da vida, que n\u00e3o poder\u00e3o deixar de sentir a presen\u00e7a do filho, a sua participa\u00e7\u00e3o na exist\u00eancia deles, o seu contributo para o bem comum deles e da fam\u00edlia\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn514\" name=\"_ftnref514\"> [514] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>231<\/b> <i>A fam\u00edlia fundada no matrim\u00f4nio \u00e9 deveras o santu\u00e1rio da vida<\/i>, \u00abo lugar onde a vida, dom de Deus, pode ser convenientemente acolhida e protegida contra os m\u00faltiplos ataques a que est\u00e1 exposta, e pode desenvolver-se segundo as exig\u00eancias de um crescimento humano aut\u00eantico\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn515\" name=\"_ftnref515\"> [515] <\/a>. Determinante e insubstitu\u00edvel \u00e9 e deve ser considerado o seu papel para promover e construir a cultura da vida<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn516\" name=\"_ftnref516\"> [516] <\/a>contra a difus\u00e3o de uma \u00ab \u201c<i>anticiviliza\u00e7\u00e3o<\/i>\u201d<i> <\/i>destruidora, como se confirma hoje por tantas tend\u00eancias e situa\u00e7\u00f5es de fato \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn517\" name=\"_ftnref517\"> [517] <\/a>.<\/p><p><i>As fam\u00edlias crist\u00e3s, em for\u00e7a do sacramento recebido, t\u00eam a miss\u00e3o peculiar de ser testemunhas e anunciadoras do Evangelho da vida<\/i>. \u00c9 um empenho que assume na sociedade o valor de verdadeira e corajosa profecia. \u00c9 por este motivo que \u00abservir o <i>Evangelho da vida<\/i> implica que as fam\u00edlias, nomeadamente tomando parte em apropriadas associa\u00e7\u00f5es, se empenhem por que as leis e as institui\u00e7\u00f5es do Estado n\u00e3o lesem de modo algum o direito \u00e0 vida, desde a sua concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte natural, mas o defendam e promovam\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn518\" name=\"_ftnref518\"> [518] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>232<\/b> <i>A fam\u00edlia contribui de modo eminente para o bem social atrav\u00e9s da paternidade e da maternidade respons\u00e1veis, formas peculiares da especial participa\u00e7\u00e3o dos c\u00f4njuges na obra criadora de Deus<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn519\" name=\"_ftnref519\"> [519] <\/a>. O \u00f4nus de uma semelhante responsabilidade n\u00e3o pode ser invocada para justificar fechamentos ego\u00edsticos, mas deve guiar as escolhas dos c\u00f4njuges para um generoso acolhimento da vida: \u00abEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, econ\u00f4micas, psicol\u00f3gicas e sociais, a paternidade respons\u00e1vel exerce-se tanto com a delibera\u00e7\u00e3o ponderada e generosa de fazer crescer uma fam\u00edlia numerosa, como com a decis\u00e3o, tomada por motivos graves e com respeito pela lei moral, de evitar temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn520\" name=\"_ftnref520\"> [520] <\/a>. As motiva\u00e7\u00f5es que devem guiar os esposos no exerc\u00edcio respons\u00e1vel da paternidade e da maternidade derivam do pleno reconhecimento dos pr\u00f3prios deveres para com Deus, para consigo pr\u00f3prios, para com a fam\u00edlia e para com a sociedade, numa justa hierarquia de valores.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>233<\/b> <i>Quanto aos \u00abmeios\u00bb para atuar a procria\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, h\u00e1 que se excluir como moralmente il\u00edcitos tanto a esteriliza\u00e7\u00e3o como o aborto<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn521\" name=\"_ftnref521\"> [521] <\/a>. Este \u00faltimo, em particular, \u00e9 um abomin\u00e1vel delito e constitui sempre uma desordem moral particularmente grave<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn522\" name=\"_ftnref522\"> [522] <\/a>; longe de ser um direito, \u00e9 antes um triste fen\u00f4meno que contribui gravemente para a difus\u00e3o de uma mentalidade contra a vida, amea\u00e7ando perigosamente uma conviv\u00eancia social justa e democr\u00e1tica<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn523\" name=\"_ftnref523\"> [523] <\/a>.<\/p><p><i>\u00c9 igualmente de excluir o recurso aos meios contraceptivos nas suas diversas formas<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn524\" name=\"_ftnref524\"> [524] <\/a>: <i>tal rejei\u00e7\u00e3o tem o seu fundamento numa concep\u00e7\u00e3o correta e integral da pessoa e da sexualidade humana<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn525\" name=\"_ftnref525\"> [525] <\/a><i>e tem o valor de uma inst\u00e2ncia moral em defesa da verdadeira humaniza\u00e7\u00e3o dos povos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn526\" name=\"_ftnref526\"> [526] <\/a>. As mesmas raz\u00f5es de ordem antropol\u00f3gica justificam, pelo contr\u00e1rio, como l\u00edcito o recurso \u00e0 abstin\u00eancia peri\u00f3dica nos per\u00edodos de fertilidade feminina<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn527\" name=\"_ftnref527\"> [527] <\/a>. Rejeitar a contracep\u00e7\u00e3o e recorrer aos m\u00e9todos naturais de regula\u00e7\u00e3o da fertilidade significa modelar as rela\u00e7\u00f5es interpessoais entre os c\u00f4njuges com base no respeito rec\u00edproco e no total acolhimento, com reflexos positivos tamb\u00e9m para a realiza\u00e7\u00e3o de uma ordem social mais humana.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>234<\/b> <i>O ju\u00edzo acerca do intervalo entre os nascimentos e o n\u00famero dos filhos a procriar compete somente aos esposos<\/i>. Este \u00e9 um seu direito inalien\u00e1vel, a ser exercitado diante de Deus, considerando os deveres para consigo mesmos, para com os filhos j\u00e1 nascidos, a fam\u00edlia e a sociedade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn528\" name=\"_ftnref528\"> [528] <\/a>. A interven\u00e7\u00e3o dos poderes p\u00fablicos, no \u00e2mbito das suas compet\u00eancias, para a difus\u00e3o de uma informa\u00e7\u00e3o apropriada e a ado\u00e7\u00e3o de medidas oportunas em campo demogr\u00e1fico, deve ser efetuada no respeito das pessoas e da liberdade dos casais: ningu\u00e9m os pode substituir nas suas op\u00e7\u00f5es<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn529\" name=\"_ftnref529\"> [529] <\/a>; tampouco o podem fazer as v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es que atuam neste setor.<\/p><p><i>S\u00e3o moralmente conden\u00e1veis como atentados \u00e0 dignidade da pessoa e da fam\u00edlia, todos os programas de ajuda econ\u00f4mica destinados a financiar campanhas de esteriliza\u00e7\u00e3o e de contracep\u00e7\u00e3o ou subordinadas \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de tais campanhas<\/i>. A solu\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es conexas ao crescimento demogr\u00e1fico deve ser antes perseguida no simult\u00e2neo respeito tanto da moral sexual e como da moral social, promovendo uma maior justi\u00e7a e aut\u00eantica solidariedade para dar por todo lado dignidade \u00e0 vida, a come\u00e7ar das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e culturais.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>235<\/b> <i>O desejo de maternidade ou paternidade n\u00e3o funda algum \u00ab direito ao filho \u00bb, ao passo que, pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o evidentes os direitos do nascituro, a quem devem ser garantidas as condi\u00e7\u00f5es \u00f3timas de exist\u00eancia, atrav\u00e9s da estabilidade da fam\u00edlia fundada no matrim\u00f4nio, a complementaridade das duas figuras, paterna e materna<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn530\" name=\"_ftnref530\"> [530] <\/a>. O r\u00e1pido progresso da pesquisa e das aplica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas na esfera da reprodu\u00e7\u00e3o p\u00f5e novas e delicadas quest\u00f5es que chamam em causa a sociedade e as normas que regulam a conviv\u00eancia humana.<\/p><p>\u00c9 preciso reafirmar que n\u00e3o s\u00e3o eticamente aceit\u00e1veis todas as <i>t\u00e9cnicas reprodutivas<\/i> \u2014 quais a doa\u00e7\u00e3o de esperma ou de ov\u00f3citos; a maternidade substitutiva; a fecunda\u00e7\u00e3o artificial heter\u00f3loga \u2014 que prev\u00eaem o recurso ao \u00fatero ou a gametas de pessoas estranhas ao casal conjugal, lesando o direito do filho a nascer de um pai e de uma m\u00e3e que sejam tais tanto do ponto de vista biol\u00f3gico como jur\u00eddico, ou dissociam o ato unitivo do ato procriador recorrendo a t\u00e9cnicas de laborat\u00f3rio, quais a insemina\u00e7\u00e3o e a fecunda\u00e7\u00e3o artificial hom\u00f3loga, de modo que o filho aparece mais como o resultado de um ato t\u00e9cnico do que como o fruto natural do ato humano de plena e total doa\u00e7\u00e3o dos c\u00f4njuges<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn531\" name=\"_ftnref531\"> [531] <\/a>. Evitar o recurso \u00e0s diversas formas da chamada <i>procria\u00e7\u00e3o assistida<\/i>, substitutiva do ato conjugal, significa respeitar \u2014 seja nos pais seja nos filhos que eles pretendem gerar \u2014 a dignidade integral da pessoa humana<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn532\" name=\"_ftnref532\"> [532] <\/a>. S\u00e3o l\u00edcitos, pelo contr\u00e1rio, os meios que se configuram como ajuda ao ato conjugal ou ao conseguimento dos seus efeitos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn533\" name=\"_ftnref533\"> [533] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>236<\/b><i> Uma quest\u00e3o de particular relev\u00e2ncia social e cultural, pelas m\u00faltiplas e graves implica\u00e7\u00f5es morais que apresenta, \u00e9 a referente \u00e0 clonagem humana, termo que, de per si, em sentido gen\u00e9rico, significa reprodu\u00e7\u00e3o de uma entidade biol\u00f3gica geneticamente id\u00eantica \u00e0 de origem<\/i>. Ela tem assumido, no pensamento e na praxe experimental, diversos significados que sup\u00f5em, por sua vez, procedimentos diversos do ponto de vista das modalidades t\u00e9cnicas de realiza\u00e7\u00e3o, bem como finalidades diferentes. Pode significar a simples <i>replica\u00e7\u00e3o <\/i>em laborat\u00f3rio de c\u00e9lulas ou de por\u00e7\u00f5es de ADN. Mas especificamente hoje se entende a reprodu\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos, no estado embrional com modalidades diferentes da fecunda\u00e7\u00e3o natural e de modo que sejam geneticamente id\u00eanticos ao indiv\u00edduo de quem t\u00eam origem. Este tipo de clonagem pode ter a finalidade <i>reprodutiva <\/i>de embri\u00f5es humanos ou a assim chamada <i>terap\u00eautica<\/i>, tendente a utilizar tais embri\u00f5es para fins de pesquisa cient\u00edfica ou mais especificamente para a reprodu\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas tronco.<\/p><p>Do ponto de vista \u00e9tico a simples <i>replica\u00e7\u00e3o <\/i>de c\u00e9lulas normais ou de por\u00e7\u00f5es de ADN n\u00e3o apresenta problemas \u00e9ticos particulares. Bem distinto \u00e9 o ju\u00edzo do Magist\u00e9rio sobre a clonagem propriamente dita. \u00c9 contr\u00e1ria \u00e0 dignidade da procria\u00e7\u00e3o humana porque se realiza em aus\u00eancia total do ato de amor pessoal entre os esposos, sendo uma reprodu\u00e7\u00e3o ag\u00e2mica e assexuada<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn534\" name=\"_ftnref534\"> [534] <\/a>. Em segundo lugar este tipo de reprodu\u00e7\u00e3o representa uma forma de dom\u00ednio total sobre o indiv\u00edduo reproduzido por parte de quem o reproduz<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn535\" name=\"_ftnref535\"> [535] <\/a>. O fato de que seja realizada a clonagem para reproduzir embri\u00f5es dos quais tirar c\u00e9lulas que possam ser usadas para a terapia n\u00e3o atenua a gravidade moral, mesmo porque para tirar tais c\u00e9lulas o embri\u00e3o deve ser primeiro produzido e depois suprimido<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn536\" name=\"_ftnref536\"> [536] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>237 <\/b><i>Os pais, como ministros da vida, n\u00e3o devem nunca olvidar que a dimens\u00e3o espiritual da procria\u00e7\u00e3o merece uma considera\u00e7\u00e3o superior \u00e0 reservada a qualquer outro aspecto<\/i>: \u00abA paternidade e a maternidade representam <i>uma tarefa de natureza conjuntamente f\u00edsica e espiritual<\/i>; atrav\u00e9s delas, passa realmente a genealogia da pessoa, que tem o seu princ\u00edpio eterno em Deus e a Ele deve conduzir\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn537\" name=\"_ftnref537\"> [537] <\/a>. Acolhendo a vida humana na unidade das suas dimens\u00f5es, f\u00edsicas e espirituais, as fam\u00edlias contribuem para a \u00ab<i>comunh\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es<\/i>\u00bb continuidade da esp\u00e9cie e d\u00e3o, deste modo, um contributo essencial e insubstitu\u00edvel para o progresso da sociedade. Por isto, \u00aba fam\u00edlia tem o direito \u00e0 assist\u00eancia da sociedade no que se refere aos seus deveres na procria\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Os casais casados com fam\u00edlia numerosa t\u00eam direito a uma ajuda adequada e n\u00e3o devem ser discriminados\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn538\" name=\"_ftnref538\"> [538] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"A tarefa educativa\"><\/a>A tarefa educativa<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>238.<\/b> Com a obra educativa, a fam\u00edlia forma o homem para a plenitude da sua dignidade pessoal, segundo todas as suas dimens\u00f5es, inclusive a social. A fam\u00edlia constitui, efetivamente, \u00abuna comunidade de amor e de solidariedade, insubstitu\u00edvel para o ensino e a transmiss\u00e3o dos valores culturais, \u00e9ticos, sociais, espirituais e religiosos, essenciais para o desenvolvimento e bem-estar de seus pr\u00f3prios membros e da sociedade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn539\" name=\"_ftnref539\"> [539] <\/a>. Exercendo a sua miss\u00e3o educativa, a fam\u00edlia contribui para o bem comum e constitui a primeira escola das virtudes sociais, de que todas as sociedades necessitam<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn540\" name=\"_ftnref540\"> [540] <\/a>. As pessoas s\u00e3o ajudadas, em fam\u00edlia, a crescer na liberdade e na responsabilidade, requisitos indispens\u00e1veis para se assumir qualquer tarefa na sociedade. Com a educa\u00e7\u00e3o, ademais, s\u00e3o comunicados, para serem assimilados e feitos pr\u00f3prios por cada um, alguns valores fundamentais, necess\u00e1rios para ser cidad\u00e3os livres, honestos e respons\u00e1veis<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn541\" name=\"_ftnref541\"> [541] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>239<\/b> <i>A fam\u00edlia tem um papel de todo original e insubstitu\u00edvel na educa\u00e7\u00e3o dos filhos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn542\" name=\"_ftnref542\"> [542] <\/a>. O amor paterno e materno, colocando-se ao servi\u00e7o dos filhos para extrair deles (\u00ab<i>e-ducere<\/i>\u00bb) o melhor de si, tem a sua plena realiza\u00e7\u00e3o precisamente na tarefa educativa: \u00abo amor dos pais de <i>fonte<\/i> torna-se <i>alma<\/i> e, portanto, <i>norma<\/i>, que inspira e guia toda a a\u00e7\u00e3o educativa concreta, enriquecendo-a com aqueles valores de docilidade, const\u00e2ncia, bondade, servi\u00e7o, desinteresse, esp\u00edrito de sacrif\u00edcio, que s\u00e3o o fruto mais precioso do amor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn543\" name=\"_ftnref543\"> [543] <\/a>.<\/p><p>O direito-dever dos pais de educar a prole se qualifica \u00abcomo <i>essencial<\/i>, ligado como est\u00e1 \u00e0 transmiss\u00e3o da vida humana; como <i>original e prim\u00e1rio<\/i>, em rela\u00e7\u00e3o ao dever de educar dos outros, pela unicidade da rela\u00e7\u00e3o de amor que subsiste entre pais e filhos; como <i>insubstitu\u00edvel<\/i> e <i>inalien\u00e1vel<\/i>, e portanto, n\u00e3o deleg\u00e1vel totalmente a outros ou por outros usurp\u00e1vel\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn544\" name=\"_ftnref544\"> [544] <\/a>. Os pais t\u00eam o direito-dever de oferecer uma educa\u00e7\u00e3o religiosa e uma forma\u00e7\u00e3o moral aos seus filhos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn545\" name=\"_ftnref545\"> [545] <\/a>: direito que n\u00e3o pode ser cancelado pelo Estado, mas deve ser respeitado e promovido; dever prim\u00e1rio, que a fam\u00edlia n\u00e3o pode descurar nem delegar.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>240 <\/b><i>Os pais s\u00e3o os primeiros, mas n\u00e3o os \u00fanicos educadores de seus filhos. Compete-lhes, pois, a eles exercer com sentido de responsabilidade a sua obra educativa em colabora\u00e7\u00e3o estreita e vigilante com os organismos civis e eclesiais<\/i>: \u00aba dimens\u00e3o comunit\u00e1ria, civil e eclesial do homem exige e conduz a uma obra mais ampla e articulada, que seja o fruto da colabora\u00e7\u00e3o ordenada das diversas for\u00e7as educativas. Estas for\u00e7as s\u00e3o todas elas necess\u00e1rias, mesmo que cada uma possa e deva intervir com a sua compet\u00eancia e o seu contributo pr\u00f3prio\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn546\" name=\"_ftnref546\"> [546] <\/a>. Os pais t\u00eam o direito de escolher os instrumentos formativos correspondentes \u00e0s pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es e de buscar os meios que possam ajud\u00e1-los da melhor maneira na sua tarefa de educadores, mesmo no \u00e2mbito espiritual e religioso. As autoridades p\u00fablicas t\u00eam o dever de garantir tal direito e de assegurar as condi\u00e7\u00f5es concretas que consentem o seu exerc\u00edcio<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn547\" name=\"_ftnref547\"> [547] <\/a>. Neste contexto, se coloca antes de mais o tema da colabora\u00e7\u00e3o entre a fam\u00edlia e a institui\u00e7\u00e3o escolar.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>241.<\/b> <i>Os pais t\u00eam o direito de fundar e manter institui\u00e7\u00f5es educativas<\/i>. As autoridades p\u00fablicas devem assegurar que \u00abse distribuam as subven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de modo tal que os pais sejam verdadeiramente livres para exercer o seu direito, sem ter de suportar \u00f4nus injustos. Os pais n\u00e3o devem ser constrangidos a fazer, nem direta nem indiretamente, despesas suplementares que impe\u00e7am ou limitem injustamente o exerc\u00edcio desta liberdade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn548\" name=\"_ftnref548\"> [548] <\/a>. Deve-se, portanto, considerar uma injusti\u00e7a negar a subven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica p\u00fablica \u00e0s escolas n\u00e3o estatais que dela necessitem e que prestam um servi\u00e7o \u00e0 sociedade civil: \u00abQuando o Estado reivindica para si o monop\u00f3lio escolar, ultrapassa os seus direitos e ofende a justi\u00e7a... o Estado n\u00e3o pode, sem cometer injusti\u00e7a, limitar-se a tolerar as escolas ditas privadas. Estas prestam um servi\u00e7o p\u00fablico e, de conseq\u00fc\u00eancia, t\u00eam o direito de ser ajudadas economicamente\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn549\" name=\"_ftnref549\"> [549] <\/a>.<\/p><p><b>242.<\/b> <i>A fam\u00edlia tem a responsabilidade de oferecer uma educa\u00e7\u00e3o integral<\/i>. Toda a verdadeira educa\u00e7\u00e3o, efetivamente, \u00abvisa o aprimoramento da pessoa humana em rela\u00e7\u00e3o a seu fim \u00faltimo e o bem das sociedades de que o homem \u00e9 membro, e em cujas tarefas, uma vez adulto, ter\u00e1 que participar\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn550\" name=\"_ftnref550\"> [550] <\/a>. A integralidade fica assegurada quando os filhos \u2014 com o testemunho de vida e com a palavra \u2014 s\u00e3o educados para o di\u00e1logo, para o encontro, para a sociabilidade, para a legalidade, para a solidariedade e para a paz, mediante o cultivo das virtudes fundamentais da justi\u00e7a e da caridade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn551\" name=\"_ftnref551\"> [551] <\/a>.<\/p><p><i>Na educa\u00e7\u00e3o dos filhos, o papel paterno e o materno s\u00e3o igualmente necess\u00e1rios<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn552\" name=\"_ftnref552\"> [552] <\/a>. Os pais devem, pois, agir conjuntamente. A autoridade deve ser por eles exercida com respeito e delicadeza, mas tamb\u00e9m com firmeza e vigor: deve ser cred\u00edvel, coerente, s\u00e1bia e sempre orientada ao bem integral dos filhos.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>243<\/b> <i>Os pais t\u00eam ainda uma particular responsabilidade na esfera da educa\u00e7\u00e3o sexual<\/i>. \u00c9 de fundamental import\u00e2ncia, para um crescimento equilibrado, que os filhos aprendam de modo ordenado e progressivo o significado da sexualidade e aprendam a apreciar os valores humanos e morais relativos a ela: \u00abPelos la\u00e7os estreitos que ligam a dimens\u00e3o sexual da pessoa e os seus valores \u00e9ticos, o dever educativo deve conduzir os filhos a conhecer e a estimar as normas morais como necess\u00e1ria e preciosa garantia para um crescimento pessoal respons\u00e1vel na sexualidade humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn553\" name=\"_ftnref553\"> [553] <\/a>. Os pais t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de verificar o modo como se realiza a a educa\u00e7\u00e3o sexual nas institui\u00e7\u00f5es educativas, a fim de garantir que um tema t\u00e3o importante e delicado seja abordado de modo apropriado.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d) <b><a name=\"A dignidade e os direitos das crian\u00e7as\"><\/a>A dignidade e os direitos das crian\u00e7as<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>244<\/b> <i>A doutrina social da Igreja indica constantemente a exig\u00eancia de respeitar a dignidade das crian\u00e7as<\/i>: \u00abNa fam\u00edlia, comunidade de pessoas, deve reservar-se uma especial\u00edssima aten\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a, desenvolvendo uma estima profunda pela sua dignidade pessoal como tamb\u00e9m um grande respeito e um generoso servi\u00e7o pelos seus direitos. Isto vale para cada crian\u00e7a, mas adquire uma urg\u00eancia singular quanto mais pequena e desprovida, doente, sofredora ou diminu\u00edda for a crian\u00e7a\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn554\" name=\"_ftnref554\"> [554] <\/a>.<\/p><p><i>Os direitos das crian\u00e7as devem ser protegidos pelos ordenamentos jur\u00eddicos<\/i>. \u00c9 necess\u00e1rio, antes de tudo, o reconhecimento p\u00fablico em todos os pa\u00edses do valor social da inf\u00e2ncia: \u00abNenhum pa\u00eds do mundo, nenhum sistema pol\u00edtico pode pensar ao pr\u00f3prio porvir diversamente, sen\u00e3o atrav\u00e9s da imagem destas novas gera\u00e7\u00f5es, que h\u00e3o de assumir de seus progenitores o mult\u00edplice patrim\u00f4nio dos valores, dos deveres e das aspira\u00e7\u00f5es da na\u00e7\u00e3o \u00e0 qual pertencem, juntamente com o patrim\u00f4nio de toda a fam\u00edlia humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn555\" name=\"_ftnref555\"> [555] <\/a>. O primeiro direito da crian\u00e7a \u00e9 o direito \u00aba nascer numa verdadeira fam\u00edlia\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn556\" name=\"_ftnref556\"> [556] <\/a>, um direito cujo respeito sempre foi problem\u00e1tico e que hoje conhece novas formas de viola\u00e7\u00e3o devidas ao progresso das t\u00e9cnicas gen\u00e9ticas.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>245<\/b> <i>A situa\u00e7\u00e3o de uma grande parte das crian\u00e7as no mundo est\u00e1 longe de ser satisfat\u00f3ria, por falta de condi\u00e7\u00f5es que favore\u00e7am o seu crescimento integral, apesar da exist\u00eancia de um instrumento jur\u00eddico internacional espec\u00edfico para a tutela dos direitos da crian\u00e7a<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn557\" name=\"_ftnref557\"> [557] <\/a>, que empenha quase todos os membros da comunidade internacional. Trata-se de condi\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 falta de servi\u00e7os sanit\u00e1rios, de uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada, de possibilidade de receber um m\u00ednimo de forma\u00e7\u00e3o escolar e de uma casa. Permanecem irresolutos, ademais, alguns problemas grav\u00edssimos: o tr\u00e1fico de crian\u00e7as, o trabalho infantil, o fen\u00f4meno dos \u201cmeninos de rua\u201d, o uso de crian\u00e7as em conflitos armados, o matrim\u00f4nio das meninas, o uso de crian\u00e7as para o com\u00e9rcio de material pornogr\u00e1fico, tamb\u00e9m atrav\u00e9s dos mais modernos e sofisticados instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o social. \u00c9 indispens\u00e1vel combater, em \u00e2mbito nacional e internacional, as grav\u00edssimas ofensas \u00e0 dignidade dos meninos e das meninas derivadas da explora\u00e7\u00e3o sexual, das pessoas dadas \u00e0 pedofilia e das viol\u00eancias de todo e qualquer tipo, sofridas por estas pessoas humanas mais indefesas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn558\" name=\"_ftnref558\"> [558] <\/a>. Trata-se de atos grav\u00edssimos e delituosos, que devem ser eficazmente combatidos, com medidas preventivas e penais, atrav\u00e9s de uma a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica das autoridades.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><b> <\/b><span style=\"color: #663300\"><b> IV. A <span lang=\"pt\">FAM\u00cdLIA PROTAGONISTA DA VIDA SOCIAL<\/span><\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"Solidariedade familiar\"><\/a>Solidariedade familiar<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>246<\/b> <i>A subjetividade social das fam\u00edlias, tanto singularmente tomadas como associadas, exprime-se ademais com m\u00faltiplas manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade e de partilha, n\u00e3o somente entre as pr\u00f3prias fam\u00edlias, como tamb\u00e9m mediante v\u00e1rias formas de participa\u00e7\u00e3o na vida social e pol\u00edtica<\/i>. Trata-se da conseq\u00fc\u00eancia da realidade familiar fundada no amor: nascendo do amor e crescendo no amor, a solidariedade pertence \u00e0 fam\u00edlia como dado constitutivo e estrutural.<\/p><p>\u00c9 uma solidariedade que pode assumir o rosto do servi\u00e7o e da aten\u00e7\u00e3o a quantos vivem na pobreza e na indig\u00eancia, aos \u00f3rf\u00e3os, aos deficientes, aos enfermos, aos anci\u00e3es, a quem est\u00e1 em luto, a todos os que est\u00e3o na d\u00favida, na solid\u00e3o ou no abandono; uma solidariedade que se abre ao acolhimento, \u00e0 guarda ou \u00e0 ado\u00e7\u00e3o; que sabe fazer-se voz de toda a situa\u00e7\u00e3o de mal-estar junto das institui\u00e7\u00f5es, para que estas intervenham de acordo com as pr\u00f3prias finalidades espec\u00edficas.<\/p><p><b>247<\/b> <i>As fam\u00edlias, longe de ser somente objeto de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, podem e devem ser sujeito de tal atividade<\/i>, diligenciando \u00abpara que as leis e as institui\u00e7\u00f5es do Estado n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o ofendam, mas sustentem e defendam positivamente os seus direitos e deveres. Em tal sentido as fam\u00edlias devem crescer na consci\u00eancia de serem \u201cprotagonistas\u201d da chamada \u00abpol\u00edtica familiar\u00bb e assumir a responsabilidade de transformar a sociedade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn559\" name=\"_ftnref559\"> [559] <\/a>. Para tanto, deve ser corroborado o associacionismo familiar<b>:<\/b> \u00abAs fam\u00edlias t\u00eam o direito de formar associa\u00e7\u00f5es com outras fam\u00edlias e institui\u00e7\u00f5es, para desempenhar o papel da fam\u00edlia de modo conveniente e efetivo, como tamb\u00e9m para proteger os direitos, promover o bem e representar os interesses da fam\u00edlia. No plano econ\u00f4mico, social, jur\u00eddico e cultural, deve ser reconhecido o leg\u00edtimo papel das fam\u00edlias e das associa\u00e7\u00f5es familiares na elabora\u00e7\u00e3o e na atua\u00e7\u00e3o dos programas que dizem respeito \u00e0 vida da fam\u00edlia\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn560\" name=\"_ftnref560\"> [560] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"Fam\u00edlia, vida econ\u00f4mica e trabalho\"><\/a>Fam\u00edlia, vida econ\u00f4mica e trabalho<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>248<\/b> <i>A rela\u00e7\u00e3o que intercorre entre a fam\u00edlia e a vida econ\u00f4mica \u00e9 particularmente significativa<\/i>. Por uma parte, com efeito, a \u00ab<i>eco-nomia<\/i>\u00bb nasceu do trabalho dom\u00e9stico: a casa foi por longo tempo, e ainda \u2015 em muitos lugares \u2014 continua a ser, unidade de produ\u00e7\u00e3o e centro de vida. O dinamismo da vida econ\u00f4mica, por outra parte, se desenvolve com a iniciativa das pessoas e se realiza, segundo c\u00edrculos conc\u00eantricos, em redes cada vez mais vastas de produ\u00e7\u00e3o e de troca de bens e de servi\u00e7os, que envolvem em medida crescente as fam\u00edlias. A fam\u00edlia, portanto, h\u00e1 de ser considerada, com todo o direito, como protagonista essencial da vida econ\u00f4mica, orientada n\u00e3o pela l\u00f3gica do mercado, mas segundo a l\u00f3gica da partilha e da solidariedade entre as gera\u00e7\u00f5es.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>249<\/b> <i>Uma rela\u00e7\u00e3o absolutamente particular liga a fam\u00edlia e o trabalho<\/i>: \u00aba fam\u00edlia constitui um dos mais importantes termos de refer\u00eancia, segundo os quais tem de ser formada a ordem s\u00f3cio-\u00e9tica do trabalho humano\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn561\" name=\"_ftnref561\"> [561] <\/a><i>.<\/i>Tal rela\u00e7\u00e3o tem suas ra\u00edzes na rela\u00e7\u00e3o que intercorre entre a pessoa e o seu direito a possuir o fruto do pr\u00f3prio trabalho, e diz respeito n\u00e3o somente ao indiv\u00edduo enquanto tal, mas tamb\u00e9m como membro de uma fam\u00edlia, concebida como \u00ab<i>sociedade dom\u00e9stica<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn562\" name=\"_ftnref562\"> [562] <\/a>.<\/p><p><i>O trabalho \u00e9 essencial enquanto representa a condi\u00e7\u00e3o que torna poss\u00edvel a funda\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia, cujos meios de subsist\u00eancia se obt\u00eam mediante o trabalho<\/i>. O trabalho condiciona tamb\u00e9m o processo de crescimento das pessoas, pois uma fam\u00edlia v\u00edtima do desemprego corre o risco de n\u00e3o realizar plenamente as suas finalidades<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn563\" name=\"_ftnref563\"> [563] <\/a>.<\/p><p><i>O contributo que a fam\u00edlia pode oferecer \u00e0 realidade do trabalho \u00e9 precioso e, sob muitos aspectos, insubstitu\u00edvel<\/i>. \u00c9 um contributo que se expressa quer em termos econ\u00f4micos quer mediante os grandes recursos de solidariedade que a fam\u00edlia possui e que constituem um importante apoio para quem, dentro dela, se acha sem trabalho ou est\u00e1 \u00e0 procura de um emprego. Sobretudo e mais radicalmente, \u00e9 um contributo que se realiza com a educa\u00e7\u00e3o para o sentido do trabalho e mediante a oferta de orienta\u00e7\u00f5es e apoios em face das mesmas op\u00e7\u00f5es profissionais.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>250<\/b> <i>Para tutelar esta rela\u00e7\u00e3o essencial entre fam\u00edlia e trabalho, um elemento a estimar e salvaguardar \u00e9 o sal\u00e1rio-fam\u00edlia<\/i>, ou seja, um sal\u00e1rio suficiente para manter e fazer viver dignamente a fam\u00edlia<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn564\" name=\"_ftnref564\"> [564] <\/a>. Tal sal\u00e1rio deve tamb\u00e9m permitir a realiza\u00e7\u00e3o de uma poupan\u00e7a que favore\u00e7a a aquisi\u00e7\u00e3o de uma certa propriedade, como garantia de liberdade: o direito \u00e0 propriedade \u00e9 estreitamente ligado \u00e0 exist\u00eancia das fam\u00edlias, que se p\u00f5em ao abrigo da necessidade tamb\u00e9m gra\u00e7as \u00e0 poupan\u00e7a e \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de uma propriedade familiar<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn565\" name=\"_ftnref565\"> [565] <\/a>. V\u00e1rios podem ser os modos para concretizar o sal\u00e1rio familiar. Concorrem para determin\u00e1-lo algumas importantes medidas sociais, como os abonos familiares e outros contributos para as pessoas que dependem da fam\u00edlia, como tamb\u00e9m a remunera\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico de um dos genitores<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn566\" name=\"_ftnref566\"> [566] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>251<\/b> <i>Nas rela\u00e7\u00f5es entre fam\u00edlia e trabalho, uma aten\u00e7\u00e3o particular deve ser reservada ao trabalho da mulher em fam\u00edlia, <\/i>o assim chamado <i>trabalho de aten\u00e7\u00e3o<\/i>, que chama em causa tamb\u00e9m as responsabilidades do homem como marido e como pai. O trabalho de aten\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar daquele da m\u00e3e, precisamente porque finalizado e dedicado ao servi\u00e7o da qualidade da vida, constitui um tipo de atividade laboral eminentemente pessoal e personalizante, que deve ser socialmente reconhecida e valorizada<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn567\" name=\"_ftnref567\"> [567] <\/a>, tamb\u00e9m atrav\u00e9s de uma remunera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pelo menos equivalente \u00e0 de outros trabalhos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn568\" name=\"_ftnref568\"> [568] <\/a>. Ao mesmo tempo, \u00e9 necess\u00e1rio eliminar todos os obst\u00e1culos que impedem aos esposos exercer livremente a sua responsabilidade procriadora e, em particular, os que constrangem a mulher a n\u00e3o realizar plenamente as suas fun\u00e7\u00f5es maternas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn569\" name=\"_ftnref569\"> [569] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>252<\/b> <i>O ponto de partida para uma rela\u00e7\u00e3o correta e construtiva entre a fam\u00edlia e a sociedade \u00e9 o reconhecimento da subjetividade e da prioridade social da fam\u00edlia<\/i>. A sua \u00edntima rela\u00e7\u00e3o imp\u00f5e que \u00aba sociedade n\u00e3o abandone o seu dever fundamental de respeitar e de promover a fam\u00edlia\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn570\" name=\"_ftnref570\"> [570] <\/a>. A sociedade e, em particular, as institui\u00e7\u00f5es estatais \u2014 no respeito da prioridade e \u00abanteced\u00eancia\u00bb da fam\u00edlia \u2014 s\u00e3o chamadas <i>a garantir e a favorecer a genu\u00edna identidade da vida familiar<\/i> e a evitar e combater tudo o que a altere ou fira. Isto requer que a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e legislativa salvaguarde os valores da fam\u00edlia, desde a promo\u00e7\u00e3o da intimidade e da conviv\u00eancia familiar, at\u00e9 ao respeito da vida nascente, \u00e0 efetiva liberdade de op\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. A sociedade e o Estado n\u00e3o podem, portanto, nem absorver, nem substituir, nem reduzir a dimens\u00e3o social da fam\u00edlia mesma; deve antes honr\u00e1-la, reconhec\u00ea-la, respeit\u00e1-la e promov\u00ea-la segundo <i>o princ\u00edpio de subsidiariedade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn571\" name=\"_ftnref571\"> [571] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>253<\/b> <i>O servi\u00e7o da sociedade \u00e0 fam\u00edlia se concretiza no reconhecimento, no respeito e na promo\u00e7\u00e3o dos direitos da fam\u00edlia<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn572\" name=\"_ftnref572\"> [572] <\/a>.<i> Tudo isto requer a realiza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas familiares aut\u00eanticas e eficazes<\/i> com interven\u00e7\u00f5es precisas aptas para responder \u00e0s necessidades que derivam dos direitos da fam\u00edlia como tal. Nesse sentido, \u00e9 necess\u00e1rio o pr\u00e9-requisito, essencial e irrenunci\u00e1vel, do <i>reconhecimento<\/i> \u2014 que comporta a tutela, a valoriza\u00e7\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o \u2014 da identidade da fam\u00edlia, <i>sociedade natural fundada sobre o matrim\u00f4nio<\/i>. Tal reconhecimento tra\u00e7a uma linha de demarca\u00e7\u00e3o clara entre a fam\u00edlia propriamente entendida e as outras conviv\u00eancias, que da fam\u00edlia \u2014 pela sua natureza \u2014 n\u00e3o podem merecer nem o nome nem o estatuto.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>254 <\/b><i>O reconhecimento, por parte das institui\u00e7\u00f5es civis e do Estado, da prioridade da fam\u00edlia sobre qualquer outra comunidade e sobre a pr\u00f3pria realidade estatal, leva a superar as concep\u00e7\u00f5es meramente individualistas e a assumir a dimens\u00e3o familiar como perspectiva, cultural e pol\u00edtica, irrenunci\u00e1vel na considera\u00e7\u00e3o das pessoas<\/i>. Isto n\u00e3o se p\u00f5e como alternativa, mas como suporte e tutela dos direitos mesmos que as pessoas t\u00eam individualmente. Tal perspectiva torna poss\u00edvel elaborar crit\u00e9rios normativos para uma solu\u00e7\u00e3o correta dos diversos problemas sociais, pois as pessoas n\u00e3o devem ser consideradas s\u00f3 singularmente, como tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00facleos familiares em que est\u00e3o inseridas, cujos valores espec\u00edficos e exig\u00eancias se devem ter na devida conta.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><div id=\"ftn458\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref458\" name=\"_ftn458\">[458] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 12: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1034.<\/div><div id=\"ftn459\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref459\" name=\"_ftn459\">[459] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1605.<\/div><div id=\"ftn460\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref460\" name=\"_ftn460\">[460] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 469.<\/div><div id=\"ftn461\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref461\" name=\"_ftn461\">[461] <\/a>A Sagrada Fam\u00edlia \u00e9 um exemplo preclaro de \u00abvida familiar. Que Nazar\u00e9 nos ensine o que \u00e9 a fam\u00edlia, a sua comunh\u00e3o de amor, a sua beleza austera e simples, o seu car\u00e1ter sagrado e inviol\u00e1vel; aprendamos de Nazar\u00e9 como \u00e9 preciosa e insubstitu\u00edvel a educa\u00e7\u00e3o familiar e como \u00e9 fundamental e incompar\u00e1vel a sua fun\u00e7\u00e3o no plano social. Enfim, aprendamos uma li\u00e7\u00e3o de trabalho\u00bb: Paulo VI, <i>Discurso em Nazar\u00e9<\/i> (5 de Janeiro de 1964): <i>AAS<\/i> 56 (1964) 168.<\/div><div id=\"ftn462\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref462\" name=\"_ftn462\">[462] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias <i>Gratissimam sane<\/i>, 17: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 906.<\/div><div id=\"ftn463\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref463\" name=\"_ftn463\">[463] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1067-1069.<\/div><div id=\"ftn464\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref464\" name=\"_ftn464\">[464] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decr. <i>Apostolicam actuositatem<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 848..<\/div><div id=\"ftn465\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref465\" name=\"_ftn465\">[465] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 468.<\/div><div id=\"ftn466\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref466\" name=\"_ftn466\">[466] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 39: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 841.<\/div><div id=\"ftn467\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref467\" name=\"_ftn467\">[467] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 39: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 841.<\/div><div id=\"ftn468\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref468\" name=\"_ftn468\">[468] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias <i>Gratissimam sane<\/i> <i>Gratissimam sane<\/i>, 7: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 875; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2206.<\/div><div id=\"ftn469\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref469\" name=\"_ftn469\">[469] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 47: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1067; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2210; 2250.<\/div><div id=\"ftn470\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref470\" name=\"_ftn470\">[470] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2224.<\/div><div id=\"ftn471\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref471\" name=\"_ftn471\">[471] <\/a>Cf. Santa S\u00e9, <i>Carta dos Direitos da Fam\u00edlia<\/i> (22 de Outubro de 1983), Pre\u00e2mbulo, <i>D-E<\/i>: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1983, p. 6.<\/div><div id=\"ftn472\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref472\" name=\"_ftn472\">[472] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 45: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 136-137; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2209.<\/div><div id=\"ftn473\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref473\" name=\"_ftn473\">[473] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1067-1068.<\/div><div id=\"ftn474\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref474\" name=\"_ftn474\">[474] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1067.<\/div><div id=\"ftn475\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref475\" name=\"_ftn475\">[475] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1603; 2203.<\/div><div id=\"ftn476\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref476\" name=\"_ftn476\">[476] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1067.<\/div><div id=\"ftn477\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref477\" name=\"_ftn477\">[477] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1639.<\/div><div id=\"ftn478\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref478\" name=\"_ftn478\">[478] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1603.<\/div><div id=\"ftn479\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref479\" name=\"_ftn479\">[479] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 13: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 93-96.<\/div><div id=\"ftn480\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref480\" name=\"_ftn480\">[480] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 19: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 102.<\/div><div id=\"ftn481\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref481\" name=\"_ftn481\">[481] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 48.50: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1067-1069.1070-1072<\/div><div id=\"ftn482\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref482\" name=\"_ftn482\">[482] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias <i>Gratissimam sane<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 883-886.<\/div><div id=\"ftn483\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref483\" name=\"_ftn483\">[483] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 50: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1070-1072.<\/div><div id=\"ftn484\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref484\" name=\"_ftn484\">[484] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2379.<\/div><div id=\"ftn485\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref485\" name=\"_ftn485\">[485] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 12: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 93: \u00ab\u00c9 por isto que a palavra central da Revela\u00e7\u00e3o, \u201cDeus ama o seu povo\u201d, \u00e9 tamb\u00e9m pronunciada atrav\u00e9s das palavras vivas e concretas com que o homem e a mulher se declaram o seu amor conjugal. O seu v\u00ednculo de amor torna-se a imagem e o s\u00edmbolo da Alian\u00e7a que une Deus e o seu povo (cf. por ex. <i>Os<\/i> 2,21; <i>Jr <\/i>3,6-13; <i>Is<\/i> 54). E o mesmo pecado, que pode ferir o pacto conjugal, torna-se imagem da infidelidade do povo para com o seu Deus: a idolatria \u00e9 prostitui\u00e7\u00e3o (cf. <i>Ez<\/i> 16,25), a infidelidade \u00e9 adult\u00e9rio, a desobedi\u00eancia \u00e0 lei \u00e9 abandono do amor nupcial para com o Senhor. Mas a infidelidade de Israel n\u00e3o destr\u00f3i a fidelidade eterna do Senhor e, portanto, o amor sempre fiel de Deus p\u00f5e-se como exemplar das rela\u00e7\u00f5es do amor fiel que devem existir entre os esposos (cf. <i>Os<\/i> 3)\u00bb.<\/div><div id=\"ftn486\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref486\" name=\"_ftn486\">[486] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 13: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 93-94.<\/div><div id=\"ftn487\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref487\" name=\"_ftn487\">[487] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 47: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1067-1069.<\/div><div id=\"ftn488\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref488\" name=\"_ftn488\">[488] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 47: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 139. A nota interna refere-se a: Conc\u00edlio Vaticano II, <i>Lumen gentium<\/i>, 31: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 37.<\/div><div id=\"ftn489\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref489\" name=\"_ftn489\">[489] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 140; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1656-1657; 2204.<\/div><div id=\"ftn490\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref490\" name=\"_ftn490\">[490] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 18: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 100-101.<\/div><div id=\"ftn491\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref491\" name=\"_ftn491\">[491] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias <i>Gratissimam sane<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 883.<\/div><div id=\"ftn492\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref492\" name=\"_ftn492\">[492] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 43: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 134.<\/div><div id=\"ftn493\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref493\" name=\"_ftn493\">[493] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 43: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 134.<\/div><div id=\"ftn494\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref494\" name=\"_ftn494\">[494] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Carta aos participantes na Segunda Assembl\u00e9ia Mundial sobre o Envelhecimento<\/i>(3 de Abril de 2002): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 20 de Abril de 2002, p. 6; cf. Id., Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 27: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 113-114.<\/div><div id=\"ftn495\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref495\" name=\"_ftn495\">[495] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1067-1069; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1644-1651.<\/div><div id=\"ftn496\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref496\" name=\"_ftn496\">[496] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2333.<\/div><div id=\"ftn497\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref497\" name=\"_ftn497\">[497] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2385; cf. tamb\u00e9m 1650-1651.2384.<\/div><div id=\"ftn498\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref498\" name=\"_ftn498\">[498] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 20: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 104.<\/div><div id=\"ftn499\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref499\" name=\"_ftn499\">[499] <\/a>O respeito devido quer ao sacramento do matrim\u00f4nio, quer aos pr\u00f3prios c\u00f4njuges e aos seus familiares, quer ainda \u00e0 comunidade dos fi\u00e9is, veda a todo pastor, por qualquer que seja o motivo ou pretexto mesmo pastoral, p\u00f4r em andamento, a favor dos divorciados que se casaram novamente, cerim\u00f4nias de todo e qualquer g\u00eanero. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 20: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 104.<\/div><div id=\"ftn500\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref500\" name=\"_ftn500\"><sup>[500] <\/sup><\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 77. 84: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 175-178. 184-186.<\/div><div id=\"ftn501\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref501\" name=\"_ftn501\">[501] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias <i>Gratissimam sane<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 893-896; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2390.<\/div><div id=\"ftn502\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref502\" name=\"_ftn502\">[502] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2390.<\/div><div id=\"ftn503\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref503\" name=\"_ftn503\">[503] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais<\/i> (1\u00b0 de Outubro de 1986), 1-2: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 9 de Novembro de 1986, p. 12.<\/div><div id=\"ftn504\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref504\" name=\"_ftn504\">[504] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Tribunal da Rota Romana<\/i>(21 de Janeiro de 1999), 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 30 de Janeiro de 1999, p. 23.<\/div><div id=\"ftn505\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref505\" name=\"_ftn505\">[505] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Algumas reflex\u00f5es acerca da resposta a propostas legislativas sobre a n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o das pessoas homossexuais <\/i>(23 de Julho de 1992): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 9 de Agosto de 1992, p. 6; Id., Decl. <i>Persona humana<\/i> (29 de Dezembro de 1975), 8: <i>AAS<\/i> 68 (1976) 84-85.<\/div><div id=\"ftn506\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref506\" name=\"_ftn506\">[506] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2357-2359.<\/div><div id=\"ftn507\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref507\" name=\"_ftn507\">[507] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos Bispos da Espanha em visita \u201cad Limina\u201d <\/i>(19 de Fevereiro de 1998), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 7 de Mar\u00e7o de 1998, p. 6; Pontif\u00edcio Conselho para a Fam\u00edlia, <i>Fam\u00edlia, matrim\u00f4nio e \u201cuni\u00f5es de fato\u201d<\/i> (26 de Julho de 2000), 23; Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2000, pp. 42-44; Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Considera\u00e7\u00f5es sobre os projetos de reconhecimento legal das uni\u00f5es entre pessoas homossexuais<\/i> (3 de Junho de 2003): Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2003.<\/div><div id=\"ftn508\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref508\" name=\"_ftn508\">[508] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Considera\u00e7\u00f5es sobre os projetos de reconhecimento legal das uni\u00f5es entre pessoas homossexuais<\/i> (3 de Junho de 2003), 8: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2003, p. 9.<\/div><div id=\"ftn509\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref509\" name=\"_ftn509\">[509] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vitae<\/i>, 71: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 483; S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae<\/i>, I-II, q. 96, a. 2 (\u00abUtrum ad legem humanam pertineat omnia vitia cohibere\u00bb): Ed. Leon. 7, 181.<\/div><div id=\"ftn510\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref510\" name=\"_ftn510\">[510] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 81: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 183.<\/div><div id=\"ftn511\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref511\" name=\"_ftn511\">[511] <\/a>Santa S\u00e9, <i>Carta dos Direitos da Fam\u00edlia<\/i>, 24 de Novembro de 1983, Pre\u00e2mbulo, <i>E<\/i>: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1983, p. 6.<\/div><div id=\"ftn512\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref512\" name=\"_ftn512\">[512] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1652.<\/div><div id=\"ftn513\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref513\" name=\"_ftn513\">[513] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias <i>Gratissimam sane<\/i>, 6: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 874; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2366.<\/div><div id=\"ftn514\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref514\" name=\"_ftn514\">[514] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias <i>Gratissimam sane<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 884.<\/div><div id=\"ftn515\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref515\" name=\"_ftn515\">[515] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 39: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 842.<\/div><div id=\"ftn516\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref516\" name=\"_ftn516\">[516] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vit\u00e6<\/i>, 92: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 505-507.<\/div><div id=\"ftn517\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref517\" name=\"_ftn517\">[517] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias <i>Gratissimam sane<\/i>, 13: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 891.<\/div><div id=\"ftn518\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref518\" name=\"_ftn518\">[518] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vit\u00e6<\/i>, 93: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 507-508.<\/div><div id=\"ftn519\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref519\" name=\"_ftn519\">[519] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 50: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1070-1072; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2367.<\/div><div id=\"ftn520\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref520\" name=\"_ftn520\">[520] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Human\u00e6 vit\u00e6<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 60 (1968) 487; cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 50: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1070-1072.<\/div><div id=\"ftn521\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref521\" name=\"_ftn521\">[521] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Human\u00e6 vit\u00e6<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 60 (1968) 490-491.<\/div><div id=\"ftn522\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref522\" name=\"_ftn522\">[522] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 51: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1072-1073; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2271\u00ad2272; Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias <i>Gratissimam sane<\/i>, 21: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 919-920; Id., Carta encicl. <i>Evangelium vit\u00e6<\/i>, 58.59.61-62: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 466-468.470-472.<\/div><div id=\"ftn523\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref523\" name=\"_ftn523\">[523] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vit\u00e6<\/i>, 72; 101: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 484-485.516-518; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2273.<\/div><div id=\"ftn524\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref524\" name=\"_ftn524\">[524] <\/a>Cf.; Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 51: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1072-1073; Paulo VI, Carta encicl. <i>Human\u00e6 vit\u00e6<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 60 (1968) 490-491; Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 32: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 118-120; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2370; Pio XI, Carta encicl. <i>Casti connubii<\/i>, <i>AAS<\/i> 22 (1930), 559-561.<\/div><div id=\"ftn525\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref525\" name=\"_ftn525\">[525] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Human\u00e6 vit\u00e6<\/i>, 7: <i>AAS<\/i> 60 (1968) 485; Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 32: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 118-120.<\/div><div id=\"ftn526\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref526\" name=\"_ftn526\">[526] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Human\u00e6 vit\u00e6<\/i>, 17: <i>AAS<\/i> 60 (1968) 493-494.<\/div><div id=\"ftn527\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref527\" name=\"_ftn527\">[527] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Human\u00e6 vit\u00e6<\/i>, 16: <i>AAS<\/i> 60 (1968) 491-492; Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 32: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 118-120; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2370.<\/div><div id=\"ftn528\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref528\" name=\"_ftn528\">[528] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 50: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1070-1072; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2368; Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 37: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 275-276.<\/div><div id=\"ftn529\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref529\" name=\"_ftn529\">[529] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2372.<\/div><div id=\"ftn530\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref530\" name=\"_ftn530\">[530] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2378.<\/div><div id=\"ftn531\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref531\" name=\"_ftn531\">[531] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Donum vit\u00e6<\/i>, II, 2.3.5: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 88-89.92-94; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2376-2377.<\/div><div id=\"ftn532\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref532\" name=\"_ftn532\">[532] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Donum vit\u00e6<\/i>, II, 7: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 95-96.<\/div><div id=\"ftn533\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref533\" name=\"_ftn533\">[533] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2375.<\/div><div id=\"ftn534\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref534\" name=\"_ftn534\">[534] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia para a Vida <\/i>(21 de Fevereiro de 2004), 2: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 28 de Fevereiro de 2004, p. 6.<\/div><div id=\"ftn535\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref535\" name=\"_ftn535\">[535] <\/a>Cf. Pontif\u00edcia Academia para a Vida, <i>Reflex\u00f5es sobre a clonagem<\/i>, Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1997; Pontif\u00edcio Conselho \u00ab Justi\u00e7a e Paz\u00bb, <i>La Iglesia ante el Racismo<\/i>, 21, Tipografia Vaticana, Cidade do Vaticano 2001, p. 23.<\/div><div id=\"ftn536\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref536\" name=\"_ftn536\">[536] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao 18\u00ba Congresso Internacional da Sociedade dos Transplantes <\/i>(29 de Agosto de 2000), 8: <i>AAS<\/i> 92 (2000) 826.<\/div><div id=\"ftn537\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref537\" name=\"_ftn537\">[537] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias <i>Gratissimam sane<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 881.<\/div><div id=\"ftn538\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref538\" name=\"_ftn538\">[538] <\/a>Santa S\u00e9, <i>Carta dos Direitos da Fam\u00edlia<\/i>, art. 3, c, Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1983, p. 9. A <i>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos direitos do homem<\/i> afirma que \u00aba fam\u00edlia \u00e9 o n\u00facleo natural e fundamental da sociedade e tem direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da sociedade e do Estado\u00bb (Art. 16.3): <i>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos direitos do homem<\/i>, Fonte: Centro dos Direitos do Homem das Na\u00e7\u00f5es Unidas, publica\u00e7\u00e3o GE.94-15440.<\/div><div id=\"ftn539\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref539\" name=\"_ftn539\">[539] <\/a>Santa S\u00e9, <i>Carta dos Direitos da Fam\u00edlia<\/i>, Pre\u00e2mbulo, <i>E<\/i>: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1983, p. 6.<\/div><div id=\"ftn540\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref540\" name=\"_ftn540\">[540] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decr. <i>Gravissimum educationis<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 731-732; Id., Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 52: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1073-1074; Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 37: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 127-129; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 1653. 2228.<\/div><div id=\"ftn541\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref541\" name=\"_ftn541\">[541] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 43: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 134-135.<\/div><div id=\"ftn542\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref542\" name=\"_ftn542\">[542] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decr. <i>Gravissimum educationis<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 731-732; Id, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 61: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1081-1082; Santa S\u00e9, <i>Carta dos Direitos da Fam\u00edlia<\/i>, art. 5: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1983, p. 10-11; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2223. O <i>C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico<\/i> dedica a este direito-dever dos pais os c\u00e2nones 793-799 e o c\u00e2none 1136.<\/div><div id=\"ftn543\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref543\" name=\"_ftn543\">[543] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 36: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 127.<\/div><div id=\"ftn544\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref544\" name=\"_ftn544\">[544] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 36: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 126; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2221.<\/div><div id=\"ftn545\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref545\" name=\"_ftn545\">[545] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Dignitatis human\u00e6<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 933; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1994<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 159-160.<\/div><div id=\"ftn546\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref546\" name=\"_ftn546\">[546] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 131.<\/div><div id=\"ftn547\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref547\" name=\"_ftn547\">[547] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decr. <i>Gravissimum educationis<\/i>, 6: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 733-734; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2229.<\/div><div id=\"ftn548\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref548\" name=\"_ftn548\">[548] <\/a>Santa S\u00e9, <i>Carta dos Direitos da Fam\u00edlia<\/i>, art. 5, <i>b<\/i>, Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1983, p. 11; cf. tamb\u00e9m: Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Dignitatis human\u00e6<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 933.<\/div><div id=\"ftn549\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref549\" name=\"_ftn549\">[549] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 94: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 595-596.<\/div><div id=\"ftn550\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref550\" name=\"_ftn550\">[550] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, decr. <i>Gravissimum educationis<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 729.<\/div><div id=\"ftn551\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref551\" name=\"_ftn551\">[551] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 43: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 134-135.<\/div><div id=\"ftn552\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref552\" name=\"_ftn552\">[552] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 52: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1073-1074.<\/div><div id=\"ftn553\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref553\" name=\"_ftn553\">[553] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 37: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 128; cf. Pontif\u00edcio Conselho para a Fam\u00edlia, <i>Sexualidade humana: verdade e significado. Orienta\u00e7\u00f5es educativas em fam\u00edlia<\/i> (8 de Dezembro de 1995): Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1995.<\/div><div id=\"ftn554\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref554\" name=\"_ftn554\">[554] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 26: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 111-112.<\/div><div id=\"ftn555\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref555\" name=\"_ftn555\">[555] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Assembl\u00e9ia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (2 de Outubro de 1979), 21: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 7 de Outubro de 1979, p. 10.; cf. tamb\u00e9m Id., <i>Mensagem ao Secretario Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas por ocasi\u00e3o do Encontro Mundial sobre as Crian\u00e7as<\/i> (22 de Setembro de 1990): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1990, p. 13.<\/div><div id=\"ftn556\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref556\" name=\"_ftn556\">[556] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Comit\u00ea dos jornalistas europeus pelos direitos da crian\u00e7a <\/i>(13 de Janeiro de 1979): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 21 de Janeiro de 1979, p. 5.<\/div><div id=\"ftn557\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref557\" name=\"_ftn557\">[557] <\/a>Cf. <i>Conven\u00e7\u00e3o sobre os direitos da crian\u00e7a<\/i>, em vigor desde 1990; ratificada tamb\u00e9m pela Santa S\u00e9.<\/div><div id=\"ftn558\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref558\" name=\"_ftn558\">[558] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1996<\/i>, 2-6: <i>AAS<\/i> 88(1996) 104-107.<\/div><div id=\"ftn559\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref559\" name=\"_ftn559\">[559] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 44: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 136; cf. Santa S\u00e9, <i>Carta dos Direitos da Fam\u00edlia<\/i>, art. 9: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1983, p. 13.<\/div><div id=\"ftn560\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref560\" name=\"_ftn560\">[560] <\/a>Santa S\u00e9, <i>Carta dos Direitos da Fam\u00edlia<\/i>, art. 8, <i>a-b<\/i>: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1983, p. 12.<\/div><div id=\"ftn561\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref561\" name=\"_ftn561\">[561] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 601.<\/div><div id=\"ftn562\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref562\" name=\"_ftn562\">[562] <\/a>Cf. Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 104.<\/div><div id=\"ftn563\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref563\" name=\"_ftn563\">[563] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 600-602.<\/div><div id=\"ftn564\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref564\" name=\"_ftn564\">[564] <\/a>Cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 200; Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 67: <i>AAS <\/i>58 (1966) 1088-1089; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 625-629.<\/div><div id=\"ftn565\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref565\" name=\"_ftn565\">[565] <\/a>Cf. Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 105; Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 193-194.<\/div><div id=\"ftn566\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref566\" name=\"_ftn566\">[566] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 625-629; Santa S\u00e9, <i>Carta dos Direitos da Fam\u00edlia<\/i>, art. 10, <i>a<\/i>: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1983, p. 14.<\/div><div id=\"ftn567\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref567\" name=\"_ftn567\">[567] <\/a>Cf. Pio XII, <i>Alocu\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres sobre a dignidade e a miss\u00e3o da mulher<\/i> (21 de Outubro de 1945): <i>AAS<\/i>, 37 (1945) 284-295;Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 625-629; Id, Carta encicl. <i>Familiaris consortio<\/i>, 23: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 107-109; Santa S\u00e9, <i>Carta dos direitos da fam\u00edlia<\/i>, art. 10, <i>b<\/i>: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1983, p. 14.<\/div><div id=\"ftn568\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref568\" name=\"_ftn568\">[568] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias <i>Gratissimam sane<\/i>, 17: <i>AAS<\/i> 86 (1994) 903-906.<\/div><div id=\"ftn569\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref569\" name=\"_ftn569\">[569] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 625-629; Id., Carta encicl. <i>Familiaris consortio<\/i>, 23: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 107-109.<\/div><div id=\"ftn570\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref570\" name=\"_ftn570\">[570] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Familiaris consortio<\/i>, 45: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 136.<\/div><div id=\"ftn571\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref571\" name=\"_ftn571\">[571] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2211.<\/div><div id=\"ftn572\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref572\" name=\"_ftn572\">[572] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 46: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 137-139.<\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1231\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1231\" aria-controls=\"collapse1231\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CAP\u00cdTULO VI - \u00a0O TRABALHO HUMANO<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1231\" data-parent=\"#sp-ea-123\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1231\"> <div class=\"ea-body\"><ol><li style=\"font-weight: 400\"><strong> ASPECTOS B\u00cdBLICOS<\/strong><\/li><li style=\"font-weight: 400\">a)<strong>A tarefa de submeter a terra<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>255<\/strong> <em>O Antigo Testamento apresenta Deus como criador onipotente<\/em> (cf. <em>G\u00ean<\/em> 2, 2; <em>J\u00f3<\/em> 38-41; <em>Sal<\/em> 103[104]; <em>Sal<\/em> 146-147[147]), <em>que plasma o homem \u00e0 Sua imagem e o convida a cultivar a terra<\/em> (cf. G\u00ean 2, 5-6) <em>e a guardar o jardim do \u00c9den em que o p\u00f4s<\/em> (cf. <em>G\u00ean<\/em> 2, 15). Ao primeiro casal humano Deus confia a tarefa de submeter a terra e de dominar sobre todo ser vivente (cf. <em>Gn <\/em>1, 28). O dom\u00ednio do homem sobre os demais seres viventes n\u00e3o deve todavia ser desp\u00f3tico e destitu\u00eddo de bom senso; pelo contrario ele deve \u00abcultivar e guardar\u00bb (cf. <em>Gn <\/em>2, 15) os bens criados por Deus: bens que o homem n\u00e3o criou, mas os recebeu como um dom precioso posto pelo Criador sob a sua responsabilidade. Cultivara terra significa n\u00e3o abandon\u00e1-la a si mesma; exercer dom\u00ednio sobre ela e guard\u00e1-la, assim como um rei s\u00e1bio cuida do seu povo e um pastor, da sua grei.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><em>No des\u00edgnio do Criador, as realidades criadas, boas em si mesmas, existem em fun\u00e7\u00e3o do homem<\/em>. O deslumbramento ante o mist\u00e9rio da grandeza do homem faz exclamar ao salmista: \u00abque \u00e9 o homem para te lembrares dele, o filho do homem para com ele te preocupares? Quase fizeste dele um ser divino, de gl\u00f3ria e honra o coroaste. Deste-lhe o dom\u00ednio sobre as obras de tuas m\u00e3os, tudo submeteste a seus p\u00e9s\u00bb (<em>Sal<\/em> 8, 5-7).<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>256<\/strong><em> O trabalho pertence \u00e0 condi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria do homem e precede a sua queda; n\u00e3o \u00e9, portanto, nem puni\u00e7\u00e3o nem maldi\u00e7\u00e3o<\/em>. Este se torna fadiga e pena por causa do pecado de Ad\u00e3o e Eva, que quebrantam o seu relacionamento confiante e harmonioso com Deus (cf. <em>Gn <\/em>3, 6-8). A proibi\u00e7\u00e3o de comer \u00abda \u00e1rvore do conhecimento do bem e do mal\u00bb (<em>G\u00ean<\/em> 2, 17) lembra ao homem que ele recebeu tudo como dom e que continua a ser uma criatura e n\u00e3o o Criador. O pecado de Ad\u00e3o e Eva foi provocado precisamente por esta tenta\u00e7\u00e3o: \u00absereis como Deus\u00bb (<em>Gn <\/em>3, 5). Eles quiseram ter o dom\u00ednio absoluto sobre todas as coisas, sem se submeterem \u00e0 vontade do Criador. Desde ent\u00e3o o solo se torna avaro, ingrato, surdamente hostil (cf. <em>Gn <\/em>4, 12); somente com o suor da fronte ser\u00e1 poss\u00edvel extrair dele alimento (cf. <em>Gn <\/em>3, 17.19). N\u00e3o obstante o pecado dos progenitores, permanecem inalterados, todavia, o des\u00edgnio do Criador, o sentido das Suas criaturas e, dentre elas, do homem, chamado a ser cultivador e guardi\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>257<\/strong> <em>O trabalho deve ser honrado porque fonte de riqueza ou pelo menos condi\u00e7\u00f5es de vida decorosas e, em geral, \u00e9 instrumento eficaz contra a pobreza (cf. Pr 10, 4), mas n\u00e3o se deve ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de idolatr\u00e1-lo, pois que nele n\u00e3o se pode encontrar o sentido \u00faltimo e definitivo da vida. O trabalho \u00e9 essencial, mas \u00e9 Deus \u2014 n\u00e3o o trabalho \u2014 a fonte da vida e o fim do homem<\/em>. O princ\u00edpio fundamental da Sabedoria, com efeito, \u00e9 o temor do Senhor; a exig\u00eancia da justi\u00e7a, que da\u00ed deriva, precede a do lucro: \u00ab Vale mais o pouco com o temor do Senhor \/ que um grande tesouro com a inquieta\u00e7\u00e3o \u00bb (<em>Pr<\/em> 15, 16). \u00ab Mais vale o pouco com justi\u00e7a \/ do que grandes lucros com iniq\u00fcidade \u00bb (<em>Pr<\/em> 16, 8).<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>258<\/strong> <em>\u00c1pice do ensinamento b\u00edblico sobre o trabalho \u00e9 o mandamento do repouso sab\u00e1tico<\/em>. Para o homem, ligado \u00e0 necessidade do trabalho, o repouso abre a perspectiva de uma liberdade mais plena, a do S\u00e1bado eterno (cf. <em>Hb<\/em> 4, 9-10). O repouso consente aos homens recordar e reviver as obras de Deus, da Cria\u00e7\u00e3o \u00e0 Reden\u00e7\u00e3o, e reconhecer-se a si pr\u00f3prios como obra Sua (cf. <em>Ef<\/em> 2, 10), dar-Lhe gra\u00e7as pela pr\u00f3pria vida e subsist\u00eancia a Ele, que \u00e9 seu autor.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><em>A mem\u00f3ria e a experi\u00eancia do s\u00e1bado constituem um baluarte contra a escraviza\u00e7\u00e3o do homem ao trabalho, volunt\u00e1rio ou imposto, contra toda forma de explora\u00e7\u00e3o, larvada ou manifesta<\/em>. O repouso sab\u00e1tico, de fato, mais que para consentir a participa\u00e7\u00e3o no culto de Deus, foi institu\u00eddo em defesa do pobre; tem tamb\u00e9m uma fun\u00e7\u00e3o liberat\u00f3ria das degenera\u00e7\u00f5es anti-sociais do trabalho humano. Tal repouso, que pode durar at\u00e9 mesmo um ano, comporta uma expropria\u00e7\u00e3o dos frutos da terra a favor dos pobres e a suspens\u00e3o dos direitos de propriedade dos donos do solo: \u00abDurante seis anos, semear\u00e1s a terra e recolher\u00e1s o produto. Mas, no s\u00e9timo ano, deix\u00e1-la-\u00e1s repousar em alqueive; os pobres de teu povo comer\u00e3o o seu produto, e os animais selvagens comer\u00e3o o resto. Far\u00e1s o mesmo com a tua vinha e o teu olival \u00bb (<em>Ex<\/em> 23, 10-11). Este costume corresponde a uma intui\u00e7\u00e3o profunda: o ac\u00famulo de bens por parte de alguns pode tornar-se uma subtra\u00e7\u00e3o de bens a outros.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">b)<strong>Jesus homem do trabalho<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>259<\/strong> <em>Na Sua prega\u00e7\u00e3o Jesus ensina a apreciar o trabalho<\/em>. Ele mesmo, \u00ab se tornou semelhante a n\u00f3s em tudo, passando a maior parte dos anos da vida sobre a terra junto de um banco de carpinteiro, dedicando-se <em>ao trabalho manual <\/em>\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn573\" name=\"_ftnref573\"> [573] <\/a>, na oficina de Jos\u00e9 (cf. <em>Mt<\/em> 13, 55; <em>Mc<\/em> 6, 3), a quem estava submisso (cf. <em>Lc<\/em> 2, 51). Jesus condena o comportamento do servo indolente, que esconde debaixo da terra o talento (cf. <em>Mt<\/em> 25, 14-30) e louva o servo fiel e prudente que o patr\u00e3o encontra aplicado em cumprir a tarefa que lhe fora confiada (cf. <em>Mt<\/em> 24, 46). <em>Ele descreve a Sua pr\u00f3pria miss\u00e3o como um trabalhar<\/em>: \u00ab Meu Pai continua<em> agindo<\/em> at\u00e9 agora, e eu <em>ajo<\/em> tamb\u00e9m\u00bb (<em>Jo<\/em> 5, 17); e os seus disc\u00edpulos como <em>oper\u00e1rios<\/em> na <em>messe do Senhor<\/em>, que \u00e9 a humanidade a evangelizar (cf. <em>Mt<\/em> 9, 37-38). Para estes oper\u00e1rios vale o princ\u00edpio geral segundo o qual \u00ab o oper\u00e1rio \u00e9 digno do seu sal\u00e1rio\u00bb (<em>Lc<\/em> 10, 7); eles est\u00e3o autorizados a permanecer nas casas em que forem acolhidos, a comer e a beber do que lhes for servido (cf. <em>ibidem<\/em>).<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>260<\/strong> <em>Na Sua prega\u00e7\u00e3o, Jesus ensina aos homens a n\u00e3o se deixarem escravizar pelo trabalho. Eles devem preocupar-se, antes de tudo, com a sua alma; ganhar o mundo o mundo inteiro n\u00e3o \u00e9 o escopo de sua vida<\/em> (cf. <em>Mc<\/em> 8, 36). Os tesouros da terra, com efeito, se consomem, ao passo que os tesouros do c\u00e9u s\u00e3o imperecedouros: a estes se deve ligar o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o (cf. <em>Mt<\/em> 6, 19-21). O trabalho n\u00e3o deve afligir (cf. <em>Mt<\/em> 6, 25.31.34): preocupado e agitado por muitas coisas, o homem corre o risco de negligenciar o Reino de Deus e a Sua justi\u00e7a (cf. <em>Mt<\/em> 6, 33), de que verdadeiramente necessita; tudo mais, inclusive o trabalho, encontra o seu lugar, o seu sentido e o seu valor somente se orientado para esta \u00fanica coisa necess\u00e1ria, que jamais lhe ser\u00e1 tirada (cf. <em>Lc<\/em> 10, 40-42).<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>261<\/strong> Durante o Seu minist\u00e9rio terreno, Jesus trabalha incansavelmente, realizando obras potentes para libertar o homem da doen\u00e7a, do sofrimento e da morte. O s\u00e1bado, que o Antigo Testamento propusera como dia de liberta\u00e7\u00e3o e que, observado s\u00f3 formalmente, era esvaziado do seu aut\u00eantico conte\u00fado, \u00e9 reafirmado por Jesus no seu valor origin\u00e1rio: \u00abO s\u00e1bado foi feito para o homem, e n\u00e3o o homem para o s\u00e1bado! \u00bb (<em>Mc<\/em> 2, 27). Com as curas, realizadas neste dia de repouso (cf. <em>Mt<\/em> 12, 9-14; <em>Mc<\/em> 3, 1-6; <em>Lc<\/em> 6, 6-11; 13, 10-17; 14, 1-6), Ele quer demonstrar que o s\u00e1bado \u00e9 Seu, porque Ele \u00e9 verdadeiramente o Filho de Deus, e que \u00e9 o dia em que se deve dedicar a Deus e aos outros. Libertar do mal, praticar a fraternidade e a partilha \u00e9 conferir ao trabalho o seu significado mais nobre, aquele que permite \u00e0 humanidade encaminhar-se para o S\u00e1bado eterno, no qual o repouso se torna a festa a que o homem interiormente aspira. Precisamente na medida em que orienta a humanidade a fazer experi\u00eancia do s\u00e1bado de Deus e da Sua vida convival, o trabalho inaugura sobre a terra a nova cria\u00e7\u00e3o.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>262 <\/strong><em>A atividade humana de enriquecimento e de transforma\u00e7\u00e3o do universo pode e deve fazer vir \u00e0 tona as perfei\u00e7\u00f5es nele escondidas, que no Verbo incriado t\u00eam o seu princ\u00edpio e o seu modelo<\/em>. Os escritos paulinos e joaninos ressaltam, de fato, a dimens\u00e3o trinit\u00e1ria da cria\u00e7\u00e3o e, em particular, o liame que intercorre entre o Filho-Verbo, o \u00ab <em>Logos<\/em> \u00bb, e a cria\u00e7\u00e3o (cf.<em> Jo <\/em>1, 3; 1<em> Cor <\/em>8, 6; <em>Col<\/em> 1, 15-17). Criado n\u2019Ele e por meio d\u2019Ele, redimido por Ele, o universo n\u00e3o \u00e9 um amontoado casual, mas um \u00abcosmos\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn574\" name=\"_ftnref574\"> [574] <\/a>, cuja ordem o homem deve descobrir, secundar e levar \u00e0 plenitude: \u00abEm Jesus Cristo, o mundo vis\u00edvel, criado por Deus para o homem\u2014 aquele mundo que, entrando nele o pecado, \u201cfoi submetido \u00e0 caducidade\u201d (<em>Rm<\/em> 8, 20; cf. <em>ibid<\/em>., 8, 19-22) \u2015 readquire novamente o v\u00ednculo origin\u00e1rio com a mesma fonte divina da Sapi\u00eancia e do Amor\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn575\" name=\"_ftnref575\"> [575] <\/a>. De tal modo, ou seja, descobrindo, em crescente progress\u00e3o, \u00aba inexplor\u00e1vel riqueza de Cristo\u00bb (<em>Ef <\/em>3, 8), na cria\u00e7\u00e3o, o trabalho humano se transforma num servi\u00e7o prestado \u00e0 grandeza de Deus.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>263 <\/strong><em>O trabalho representa uma dimens\u00e3o fundamental da exist\u00eancia humana como participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 na obra da cria\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m da reden\u00e7\u00e3o. <\/em>Quem suporta a penosa fadiga do trabalho em uni\u00e3o com Jesus, num certo sentido, coopera com o Filho de Deus na Sua obra redentora e se mostra disc\u00edpulo Cristo levando a Cruz, cada dia, na atividade que \u00e9 chamado a levar a cabo. Nesta perspectiva, o trabalho pode ser considerado como um meio de santifica\u00e7\u00e3o e uma anima\u00e7\u00e3o das realidades terrenas no Esp\u00edrito de Cristo<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn576\" name=\"_ftnref576\"> [576] <\/a>.Assim concebido o trabalho \u00e9 express\u00e3o da plena humanidade do homem, na sua condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e na sua orienta\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica: a sua a\u00e7\u00e3o livre e respons\u00e1vel revela a sua \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com o Criador e o seu potencial criativo, enquanto todos os dias combate o desfiguramento do pecado, tamb\u00e9m ganhando o p\u00e3o com o suor da fronte.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">c)<strong>O dever de trabalhar<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>264<\/strong> <em>A consci\u00eancia da transitoriedade da \u00abfigura deste mundo\u00bb <\/em>(cf. 1<em> Cor <\/em>7, 31) <em>n\u00e3o isenta de nenhum empenho hist\u00f3rico, muito menos do trabalho <\/em>(cf. 2<em>Ts <\/em>3, 7-15), <em>que \u00e9 parte integrante da condi\u00e7\u00e3o humana, mesmo n\u00e3o sendo a \u00fanica raz\u00e3o de vida<\/em>. Nenhum crist\u00e3o, pelo fato de pertencer a uma comunidade solid\u00e1ria e fraterna, deve sentir-se no direito de n\u00e3o trabalhar e de viver \u00e0 custa dos outros (cf. 2<em>Ts<\/em> 3, 6-12); todos, antes, s\u00e3o exortados pelo Ap\u00f3stolo Paulo a tomar como \u00ab <em>um ponto de honra<\/em> \u00bb o <em>trabalhar com as pr\u00f3prias m\u00e3os<\/em> de modo a n\u00e3o ser \u00abpesados a ningu\u00e9m\u00bb (1<em> Ts <\/em>4, 11-12) e a praticar uma solidariedade tamb\u00e9m material, compartilhando os frutos do trabalho com \u00ab os necessitados \u00bb (<em>Ef<\/em> 4, 28). S\u00e3o Tiago defende os direitos conculcados dos trabalhadores: \u00abEis que o sal\u00e1rio, que defraudastes dos trabalhadores que ceifavam os vossos campos, clama, e seus gritos dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor dos ex\u00e9rcitos\u00bb (<em>Tg<\/em> 5, 4). Os crentes devem viver o trabalho com o estilo de Cristo e torn\u00e1-lo ocasi\u00e3o de testemunho crist\u00e3o \u00ab em presen\u00e7a dos de fora \u00bb (1<em> Ts <\/em>4, 12).<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>265<\/strong> <em>Os Padres da Igreja nunca consideram o trabalho como <\/em>\u00abopus servile\u00bb<em> \u2015 assim era concebido, pelo contr\u00e1rio, na cultura a eles contempor\u00e2nea \u2015, mas sempre como \u00abopus humanum\u00bb, e tendem a honrar todas as suas express\u00f5es<\/em>. Mediante o trabalho, o homem governa com Deus o mundo, juntamente com Ele \u00e9 sempre seu senhor, e realiza coisas boas para si e para os outros. O \u00f3cio \u00e9 nocivo ao ser do homem, enquanto a atividade favorece ao seu corpo e ao seu esp\u00edrito<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn577\" name=\"_ftnref577\"> [577] <\/a>. O crist\u00e3o \u00e9 chamado a trabalhar n\u00e3o s\u00f3 para conseguir o p\u00e3o, mas tamb\u00e9m por solicitude para com o pr\u00f3ximo mais pobre, ao qual o Senhor ordena dar de comer, de beber, de vestir, acolhimento, aten\u00e7\u00e3o e companhia (cf. <em>Mt<\/em> 25, 35-36)<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn578\" name=\"_ftnref578\"> [578] <\/a>. Cada trabalhador, afirma Santo Ambr\u00f3sio, \u00e8 a m\u00e3o de Cristo que continua a criar e a fazer o bem<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn579\" name=\"_ftnref579\"> [579] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>266<\/strong> <em>Com o seu trabalho e a sua laboriosidade, o homem, part\u00edcipe da arte e da sabedoria divina, torna mais bela a cria\u00e7\u00e3o, o cosmos j\u00e1 ordenado pelo Pai<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn580\" name=\"_ftnref580\"> [580] <\/a>;<em> suscita aquelas energias sociais e comunit\u00e1rias que alimentam o bem comum<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn581\" name=\"_ftnref581\"> [581] <\/a>, <em>a favor sobretudo dos mais necessitados<\/em>. O trabalho humano, finalizado \u00e0 caridade, converte-se em ocasi\u00e3o de contempla\u00e7\u00e3o, transforma-se em devota ora\u00e7\u00e3o, em ascese vigilante e em tr\u00e9pida esperan\u00e7a do dia sem ocaso: \u00abNesta vis\u00e3o superior, o trabalho, pena e ao mesmo tempo premio da atividade humana, comporta uma outra rela\u00e7\u00e3o, aquela essencialmente religiosa, que foi felizmente expressa na f\u00f3rmula beneditina: \u201cOra et labora\u201d! O fato religioso confere ao trabalho humano uma espiritualidade animadora e redentora. Tal parentesco entre trabalho e religi\u00e3o reflete a alian\u00e7a misteriosa mas real que medeia entre o operar humano e o providencial de Deus\u201d<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn582\" name=\"_ftnref582\"> [582] <\/a>.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\"><strong> O VALOR PROF\u00c9TICO DA<br \/>\u00abRERUM NOVARUM\u00bb<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>267<\/strong> <em>O curso da hist\u00f3ria est\u00e1 marcado por profundas transforma\u00e7\u00f5es e por exaltantes conquistas do trabalho, mas tamb\u00e9m pela explora\u00e7\u00e3o de tantos trabalhadores e pelas ofensas \u00e0 sua dignidade. A revolu\u00e7\u00e3o industrial lan\u00e7ou \u00e0 Igreja um grande desafio, ao qual o Magist\u00e9rio social respondeu com a for\u00e7a da profecia, afirmando princ\u00edpios de valor universal e de perene atualidade, em favor do homem que trabalha e de seus direitos<\/em>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\">Destinat\u00e1ria da mensagem da Igreja fora por s\u00e9culos uma sociedade de tipo agr\u00e1rio, caracterizada por ritmos regulares e c\u00edclicos; agora o Evangelho deveria ser anunciado e vivido num novo <em>are\u00f3pago<\/em>, no tumulto dos acontecimentos sociais de uma sociedade mais din\u00e2mica, levando em conta a complexidade dos novos fen\u00f4menos e das impens\u00e1veis transforma\u00e7\u00f5es possibilitadas pela t\u00e9cnica. No centro da solicitude pastoral da Igreja impunha-se mais e mais urgentemente <em>a quest\u00e3o oper\u00e1ria<\/em>, ou seja, o problema da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, conseq\u00fc\u00eancia da nova organiza\u00e7\u00e3o industrial do trabalho, de matriz capitalista, e o problema, n\u00e3o menos grave, da instrumentaliza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, socialista e comunista, das justas reivindica\u00e7\u00f5es do mundo do trabalho. No seio deste horizonte hist\u00f3rico se colocam as reflex\u00f5es e as advert\u00eancias da Enc\u00edclica \u00ab<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum Novarum<\/a><\/em><a name=\"_Toc521315730\"><\/a>\u00bb de Le\u00e3o XIII.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>268<\/strong> <em>A <\/em>\u00ab<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum Novarum<\/a><\/em>\u00bb <em>\u00e9 antes de tudo uma v\u00edvida defesa da inalien\u00e1vel dignidade dos trabalhadores<\/em>, \u00e0 qual anexa a import\u00e2ncia do direito de propriedade, do princ\u00edpio de colabora\u00e7\u00e3o entre as classes, dos direitos dos fracos e dos pobres, das obriga\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e dos empregadores, do direito de associa\u00e7\u00e3o.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><em>As orienta\u00e7\u00f5es ideais expressas na enc\u00edclica refor\u00e7am o empenho de anima\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da vida social, que se manifestou no nascimento e na consolida\u00e7\u00e3o de numerosas iniciativas de alto car\u00e1ter civil<\/em>: uni\u00f5es e centros de estudos sociais, associa\u00e7\u00f5es, sociedades oper\u00e1rias, sindicatos, cooperativas, bancos rurais, seguros, obras de assist\u00eancia. Tudo isto deu um not\u00e1vel impulso \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o do trabalho para a prote\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios, sobretudo das crian\u00e7as e das mulheres; \u00e0 instru\u00e7\u00e3o e \u00e0 melhora dos sal\u00e1rios e da higiene.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>269<\/strong> <em>Desde a <\/em>\u00ab<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum Novarum<\/a><\/em>\u00bb, <em>a Igreja jamais deixou de considerar os problemas do trabalho no contexto de uma quest\u00e3o social que foi progressivamente assumindo dimens\u00f5es mundiais<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn583\" name=\"_ftnref583\"> [583] <\/a>. A Enc\u00edclica \u00ab <em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0068\/_INDEX.HTM\">Laborem exercens<\/a> <\/em>\u00bb<em>, <\/em>enriquece a vis\u00e3o personalista do trabalho caracter\u00edstica dos precedentes documentos sociais, indicando a necessidade de um aprofundamento dos significados e das tarefas que o trabalho comporta, em considera\u00e7\u00e3o do fato de que \u00absurgem sempre novas <em>interroga\u00e7\u00f5es <\/em>e novos <em>problemas, <\/em>nascem novas esperan\u00e7as, como tamb\u00e9m motivos de temor e amea\u00e7as, ligados com esta dimens\u00e3o fundamental da exist\u00eancia humana, pela qual \u00e9 constru\u00edda cada dia a vida do homem, da qual esta recebe a pr\u00f3pria dignidade espec\u00edfica, mas na qual est\u00e1 contido, ao mesmo tempo, o par\u00e2metro constante dos esfor\u00e7os humanos, do sofrimento, bem como dos danos e das injusti\u00e7as que podem impregnar profundamente a vida social no interior de cada uma das na\u00e7\u00f5es e no plano internacional \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn584\" name=\"_ftnref584\"> [584] <\/a>. O trabalho, com efeito, \u00ab chave essencial \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn585\" name=\"_ftnref585\"> [585] <\/a>de toda a quest\u00e3o social, condiciona o desenvolvimento n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m cultural e moral, das pessoas, da fam\u00edlia, da sociedade e de todo o g\u00eanero humano.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>III. A DIGNIDADE DO TRABALHO<\/strong><\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">a)<strong>A dimens\u00e3o subjetiva e objetiva do trabalho<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>270 <\/strong><em>O trabalho humano tem uma d\u00faplice dimens\u00e3o:objetiva e subjetiva<\/em>. Em <em>sentido objetivo \u00e9 <\/em>o conjunto de atividades, recursos, instrumentos e t\u00e9cnicas de que o homem se serve para produzir, para <em>dominar a terra<\/em>, segundo as palavras do Livro do G\u00eanesis. O trabalho em <em>sentido subjetivo<\/em> \u00e9 o agir do homem enquanto ser din\u00e2mico, capaz de levar a cabo v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es que pertencem ao processo do trabalho e que correspondem \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o pessoal: \u00abO homem deve submeter a terra, deve domin\u00e1-la, porque, como \u201cimagem de Deus\u201d, \u00e9 uma pessoa; isto \u00e9, um ser dotado de subjetividade, capaz de agir de maneira programada e racional, capaz de decidir de si mesmo e tendente a realizar-se a si mesmo. \u00c9 como pessoa, pois, que o homem \u00e9 sujeito do trabalho\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn586\" name=\"_ftnref586\"> [586] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><em>O trabalho em sentido objetivo constitui o aspecto contingente da atividade do homem<\/em>, que varia incessantemente nas suas modalidades com o mudar das condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, culturais, sociais e pol\u00edticas. <em>Em sentido subjetivo se configura, por seu turno, como a sua dimens\u00e3o est\u00e1vel<\/em>, porque n\u00e3o depende do que o homem realiza concretamente nem do g\u00eanero de atividade que exerce, mas s\u00f3 e exclusivamente da sua dignidade de ser pessoal. A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 decisiva tanto para compreender qual \u00e9 o fundamento \u00faltimo do valor e da dignidade do trabalho, quanto em vista do problema de uma organiza\u00e7\u00e3o dos sistemas econ\u00f4micos e sociais respeitosa dos direitos do homem.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>271 <\/strong><em>A subjetividade confere ao trabalho a sua peculiar dignidade, que impede de consider\u00e1-lo como uma simples mercadoria ou um elemento impessoal da organiza\u00e7\u00e3o produtiva<\/em>. O trabalho, independentemente do seu menor ou maior valor objetivo, \u00e9 express\u00e3o essencial da pessoa, \u00e9 \u00ab <em>actus personae <\/em>\u00bb. Qualquer forma de materialismo e de economicismo que tentasse reduzir o trabalhador a mero instrumento de produ\u00e7\u00e3o, a simples <em>for\u00e7a de trabalho<\/em>, a valor exclusivamente material, acabaria por desnaturar irremediavelmente a ess\u00eancia do trabalho, privando-o da sua finalidade mais nobre e profundamente humana. <em>A pessoa \u00e9 o par\u00e2metro da dignidade do trabalho<\/em>: \u00ab N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma, realmente, de que o trabalho humano tem um seu valor \u00e9tico, o qual, sem meios termos, permanece diretamente ligado ao fato de aquele que o realiza ser uma pessoa \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn587\" name=\"_ftnref587\"> [587] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><em>A dimens\u00e3o subjetiva do trabalho deve ter a preemin\u00eancia sobre a objetiva<\/em>, porque \u00e9 aquela do homem mesmo que realiza o trabalho, determinando-lhe a qualidade e o valor mais alto. Se faltar esta consci\u00eancia ou se n\u00e3o se quiser reconhecer esta verdade, o trabalho perde o seu significado mais verdadeiro e profundo: neste caso, lamentavelmente freq\u00fcente e difundido, a atividade trabalhista e as mesmas t\u00e9cnicas utilizadas se tornam mais importantes do que o pr\u00f3prio homem e, de aliadas, se transformam em inimigas da sua dignidade.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>272 <\/strong><em>O trabalho n\u00e3o somente procede da pessoa, mas \u00e9 tamb\u00e9m essencialmente ordenado e finalizado a ela. <\/em>Independentemente do seu conte\u00fado objetivo, o trabalho deve ser orientado para o sujeito que o realiza, pois a finalidade do trabalho, de qualquer trabalho, permanece sempre o homem. Ainda que n\u00e3o possa ser ignorada a import\u00e2ncia da componente objetiva do trabalho sob o aspecto da sua qualidade, tal componente, todavia, deve ser subordinada \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do homem, e portanto \u00e0 dimens\u00e3o subjetiva, gra\u00e7as \u00e0 qual \u00e9 poss\u00edvel afirmar que o <em>trabalho \u00e9 para o homem e n\u00e3o o homem para o trabalho<\/em> e que \u00ab<em>a finalidade do trabalho, <\/em>de todo e qualquer trabalho realizado pelo homem \u2014 ainda que seja o trabalho mais humilde de um \u201cservi\u00e7o\u201d e o mais mon\u00f3tono na escala do modo comum de aprecia\u00e7\u00e3o e at\u00e9 o mais marginalizador \u2014 permanece sempre o mesmo homem\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn588\" name=\"_ftnref588\"> [588] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>273<\/strong> <em>O trabalho humano possui tamb\u00e9m uma intr\u00ednseca dimens\u00e3o social<\/em>. O trabalho de um homem, com efeito, se entrela\u00e7a naturalmente com o de outros homens : \u00ab Hoje mais do que nunca, trabalhar \u00e9 um<em> trabalhar com os outros <\/em>e um <em>trabalhar para os outros: <\/em>torna-se cada vez mais um fazer qualquer coisa para algu\u00e9m\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn589\" name=\"_ftnref589\"> [589] <\/a>. Tamb\u00e9m os frutos do trabalho oferecem ocasi\u00e3o de interc\u00e2mbios, de rela\u00e7\u00f5es e de encontro. O trabalho, portanto, n\u00e3o se pode ser avaliado eq\u00fcitativamente se n\u00e3o se leva em conta a sua natureza social: \u00ab j\u00e1 que se n\u00e3o subsiste um corpo realmente social e org\u00e2nico, se a ordem social e jur\u00eddica n\u00e3o protege o exerc\u00edcio da atividade, se as v\u00e1rias partes, dependentes como s\u00e3o entre si, n\u00e3o trabalham de concerto e n\u00e3o se completam mutuamente, se enfim e mais ainda, n\u00e3o se associam, quase que a formar uma coisa s\u00f3, a intelig\u00eancia, o capital e o trabalho, a atividade humana n\u00e3o pode produzir os seus frutos: portanto n\u00e3o pode ela ser com justi\u00e7a avaliada nem remunerada eq\u00fcitativamente, se n\u00e3o se tem em conta a sua natureza social e individual \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn590\" name=\"_ftnref590\"> [590] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>274<\/strong> <em>O trabalho \u00e9 tamb\u00e9m <\/em>\u00ab <em>uma obriga\u00e7\u00e3o, ou seja, um dever do homem <\/em>\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn591\" name=\"_ftnref591\"> [591] <\/a>. O homem deve trabalhar seja porque o Criador lho ordenou, seja para responder \u00e0s exig\u00eancias de manuten\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da sua mesma humanidade. O trabalho se perfila como obriga\u00e7\u00e3o moral em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo, que \u00e9 em primeiro lugar a pr\u00f3pria fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m \u00e0 sociedade, \u00e0 qual se pertence; \u00e0 na\u00e7\u00e3o, da qual se \u00e9 filho ou filha; a toda a fam\u00edlia humana, da qual se \u00e9 membro: somos herdeiros do trabalho de gera\u00e7\u00f5es e ao mesmo tempo art\u00edfices do futuro de todos os homens que viver\u00e3o depois de n\u00f3s.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>275<\/strong> <em>O trabalho confirma a profunda identidade do homem criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus<\/em>: \u00abO homem, ao tornar-se \u2014 mediante o seu trabalho \u2014 cada vez mais senhor da terra, e ao consolidar \u2014 ainda mediante o trabalho \u2014 o seu dom\u00ednio sobre o mundo vis\u00edvel, em qualquer hip\u00f3tese e em todas as fases deste processo, permanece na linha daquela disposi\u00e7\u00e3o original do Criador, a qual se mant\u00e9m necess\u00e1ria e indissoluvelmente ligada ao fato de o homem ter sido criado, como var\u00e3o e mulher, \u201c\u00e0 imagem de Deus\u201d\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn592\" name=\"_ftnref592\"> [592] <\/a>. Isto qualifica a atividade do homem no universo: ele n\u00e3o \u00e9 seu propriet\u00e1rio, mas o fiduci\u00e1rio, chamado a refletir no pr\u00f3prio agir o sinal d\u2019Aquele de que \u00e9 imagem.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">b)<strong>As rela\u00e7\u00f5es entre trabalho e capital<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>276<\/strong> <em>O trabalho, pelo seu car\u00e1ter subjetivo ou pessoal, \u00e9 superior a todo e qualquer outro fator de produ\u00e7\u00e3o: este princ\u00edpio vale, em particular, no que tange ao capital<\/em>. Hoje, o termo \u00abcapital\u00bb tem diversas acep\u00e7\u00f5es: \u00e0s vezes indica os meios materiais de produ\u00e7\u00e3o na empresa, \u00e0s vezes os recursos financeiros investidos numa iniciativa produtiva ou tamb\u00e9m em opera\u00e7\u00f5es nos mercados financeiros. Fala-se tamb\u00e9m, de modo n\u00e3o de todo apropriado, de \u00ab<em>capital humano<\/em>\u00bb, para indicar os recursos humanos, ou seja, os homens mesmos, enquanto capazes de esfor\u00e7o laboral, de conhecimento, de criatividade, de intui\u00e7\u00e3o das exig\u00eancias dos pr\u00f3prios semelhantes, de m\u00fatua compreens\u00e3o enquanto membros de uma organiza\u00e7\u00e3o. Fala-se de \u00ab<em>capital social<\/em>\u00bb quando se quer indicar a capacidade de colabora\u00e7\u00e3o de uma coletividade, fruto do investimento em liames fiduci\u00e1rios rec\u00edprocos. Esta multiplicidade de significados oferece ulteriores elementos para refletir sobre o que possa significar, hoje, a rela\u00e7\u00e3o entre trabalho e capital.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>277 <\/strong><em>A doutrina social tem enfrentado as rela\u00e7\u00f5es entre trabalho e capital, salientando seja a prioridade do primeiro sobre o segundo, seja a sua complementaridade<\/em>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><em>O trabalho tem uma prioridade intr\u00ednseca em rela\u00e7\u00e3o ao capital<\/em>: \u00abEste princ\u00edpio diz respeito diretamente ao pr\u00f3prio processo de produ\u00e7\u00e3o, relativamente ao qual o trabalho \u00e9 sempre uma causa eficiente prim\u00e1ria, enquanto que o \u201ccapital\u201d, sendo o conjunto dos meios de produ\u00e7\u00e3o, permanece apenas um instrumento, ou causa instrumental. Este princ\u00edpio \u00e9 uma verdade evidente, que resulta de toda a experi\u00eancia hist\u00f3rica do homem\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn593\" name=\"_ftnref593\"> [593] <\/a>. Ele \u00abpertence ao patrim\u00f4nio est\u00e1vel da doutrina da Igreja\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn594\" name=\"_ftnref594\"> [594] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><em>Entre capital e trabalho deve haver complementaridade<\/em>: \u00e9 a mesma l\u00f3gica intr\u00ednseca ao processo produtivo a mostrar a necessidade da sua rec\u00edproca compenetra\u00e7\u00e3o e a urg\u00eancia de dar vida a sistemas econ\u00f4micos nos quais a antinomia entre trabalho e capital seja superada<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn595\" name=\"_ftnref595\"> [595] <\/a>. Em tempos nos quais, no interior de um sistema econ\u00f4mico menos complexo, o \u00abcapital\u00bb e o \u00abtrabalho assalariado\u00bb identificavam com uma certa precis\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 dois fatores produtivos, mas tamb\u00e9m e sobretudo duas concretas classes sociais, a Igreja afirmava que ambos s\u00e3o em si leg\u00edtimos<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn596\" name=\"_ftnref596\"> [596] <\/a>: \u00ab de nada vale o capital sem o trabalho, nem o trabalho sem o capital \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn597\" name=\"_ftnref597\"> [597] <\/a>. Trata-se de uma verdade que vale tamb\u00e9m para presente, porque \u00ab \u00e9 inteiramente falso atribuir ou s\u00f3 ao capital ou s\u00f3 ao trabalho o produto do concurso de ambos; e \u00e9 deveras injusto que um deles, negando a efic\u00e1cia do outro, se arrogue a si todos os frutos \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn598\" name=\"_ftnref598\"> [598] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>278<\/strong> <em>Na considera\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre trabalho e capital, sobretudo em face das imponentes transforma\u00e7\u00f5es dos nossos tempos, se deve entender que \u00abo principal recurso\u00bb e o \u00abfator decisivo\u00bb<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn599\" name=\"_ftnref599\"> [599] <\/a><em>nas m\u00e3os do homem \u00e9 o pr\u00f3prio homem<\/em>, e que \u00abo desenvolvimento integral da pessoa humana no trabalho n\u00e3o contradiz, antes favorece a maior produtividade e efic\u00e1cia do pr\u00f3prio trabalho\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn600\" name=\"_ftnref600\"> [600] <\/a>. O mundo do trabalho est\u00e1, efetivamente, descobrindo cada vez mais que o valor do \u00ab<em>capital humano<\/em>\u00bb tem express\u00e3o no conhecimento dos trabalhadores, na sua disponibilidade a tecer rela\u00e7\u00f5es, na criatividade, na pr\u00f3pria qualidade empresarial, na capacidade de enfrentar conscientemente o novo, de trabalhar juntos e de saber perseguir objetivos comuns. Trata-se de qualidades eminentemente pessoais, que pertencem ao sujeito do trabalho mais que aos aspectos objetivos, t\u00e9cnicos, operativos do trabalho mesmo. Tudo isto comporta uma perspectiva nova nas rela\u00e7\u00f5es entre trabalho e capital: pode-se afirmar que, contrariamente ao que acontecia na velha organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, em que o sujeito acabava por ser nivelado ao objeto, \u00e0 m\u00e1quina, nos dias de hoje dimens\u00e3o subjetiva do trabalho tende a ser mais decisiva e importante do que a objetiva.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>279<\/strong> <em>A rela\u00e7\u00e3o entre trabalho e capital n\u00e3o raro apresenta tra\u00e7os de conflituosidade, que assume novas caracter\u00edsticas com o mudar dos contextos sociais e econ\u00f4micos<\/em>. Ontem, o conflito entre capital e trabalho era originado, sobretudo, \u00ab pelo fato de que os oper\u00e1rios punham as suas for\u00e7as \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do grupo dos patr\u00f5es e empres\u00e1rios, e de que este, guiado pelo princ\u00edpio do maior lucro da produ\u00e7\u00e3o, procurava manter o mais baixo poss\u00edvel o sal\u00e1rio para o trabalho executado pelos oper\u00e1rios\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn601\" name=\"_ftnref601\"> [601] <\/a>. <em>Atualmente, a conflituosidade de tal rela\u00e7\u00e3o apresenta aspectos novos e, talvez, mais preocupantes<\/em>: os progressos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos e a mundializa\u00e7\u00e3o dos mercados, de per si fonte de desenvolvimento e de progresso, exp\u00f5em os trabalhadores ao risco de ser explorados pelas engrenagens da economia e pela busca desenfreada de produtividade<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn602\" name=\"_ftnref602\"> [602] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>280 <\/strong><em>N\u00e3o se deve julgar erroneamente que o processo de supera\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia do trabalho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mat\u00e9ria seja capaz por si de superar a aliena\u00e7\u00e3o no trabalho e do trabalho<\/em>. A refer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aos grandes bols\u00f5es de n\u00e3o trabalho, de trabalho clandestino, de trabalho infantil, de trabalho sub-remunerado, de trabalho explorado que ainda persistem, mas tamb\u00e9m \u00e0s novas formas, muito mais sutis, da explora\u00e7\u00e3o dos novos trabalhos, ao super-trabalho, ao trabalho-carreira que \u00e0s vezes rouba espa\u00e7o a dimens\u00f5es igualmente humanas e necess\u00e1rias para a pessoa, \u00e0 excessiva flexibilidade do trabalho que torna prec\u00e1ria e n\u00e3o raro imposs\u00edvel a vida familiar, \u00e0 modularidade do trabalho que corre o risco de ter graves repercuss\u00f5es sobre a percep\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria da pr\u00f3pria exist\u00eancia e sobre a estabilidade das rela\u00e7\u00f5es familiares. Se o homem \u00e9 alienado quando inverte meios e fins, tamb\u00e9m no novo contexto de trabalho imaterial, leve, qualitativo mais que quantitativo, podem dar-se elementos de aliena\u00e7\u00e3o \u00abconforme cres\u00e7a a ... participa\u00e7\u00e3o [do homem] numa aut\u00eantica comunidade humana solid\u00e1ria, ou ent\u00e3o cres\u00e7a o seu isolamento num complexo de rela\u00e7\u00f5es de exacerbada competi\u00e7\u00e3o e de rec\u00edproco alheamento\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn603\" name=\"_ftnref603\"> [603] <\/a>.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">c)<strong>O trabalho, t\u00edtulo de participa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>281 <\/strong><em>A rela\u00e7\u00e3o entre trabalho e capital se expressa tamb\u00e9m atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na propriedade, na gest\u00e3o e dos seus frutos. <\/em>\u00c9 esta uma exig\u00eancia descurada demasiado freq\u00fcentemente, que, pelo contr\u00e1rio, deve ser valorizado ao m\u00e1ximo: \u00abcada um dos que a comp\u00f5em, com base no pr\u00f3prio trabalho, tiver garantido o pleno direito a considerar-se compropriet\u00e1rio do grande \u201cbanco\u201d de trabalho em que se empenha juntamente com todos os demais. E uma das vias para alcan\u00e7ar tal objetivo poderia ser a de associar o trabalho, na medida do poss\u00edvel, \u00e0 propriedade do capital e dar possibilidades de vida a uma s\u00e9rie de corpos intermedi\u00e1rios com finalidades econ\u00f4micas, sociais e culturais: corpos estes que h\u00e3o de usufruir de uma efetiva autonomia em rela\u00e7\u00e3o aos poderes p\u00fablicos e que h\u00e3o de procurar conseguir os seus objetivos espec\u00edficos mantendo entre si rela\u00e7\u00f5es de leal colabora\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, subordinadamente \u00e0s exig\u00eancias do bem comum, e que h\u00e3o de, ainda, apresentar-se sob a forma e com a subst\u00e2ncia de uma comunidade viva; quer dizer, de molde a que neles os respectivos membros sejam considerados e tratados como pessoas e estimulados a tomar parte ativa na sua vida\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn604\" name=\"_ftnref604\"> [604] <\/a>. A nova organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, em que o saber conta mais do que a mera propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o, atesta de maneira concreta que o trabalho, pelo seu car\u00e1ter subjetivo, \u00e9 t\u00edtulo de participa\u00e7\u00e3o: \u00e9 indispens\u00e1vel ancorar-se nesta consci\u00eancia para aquilatar a justa posi\u00e7\u00e3o do trabalho no processo produtivo e para encontrar modalidades de participa\u00e7\u00e3o consoantes com a subjetividade do trabalho nas peculiaridades das v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es concretas<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn605\" name=\"_ftnref605\"> [605] <\/a>.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\"><strong>Rela\u00e7\u00e3o entre trabalho e propriedade privada<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>282 <\/strong><em>O Magist\u00e9rio social da Igreja articula a rela\u00e7\u00e3o entre trabalho e capital tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao instituto da propriedade privada, ao respectivo direito e ao seu uso<\/em>. O direito \u00e0 propriedade privada subordina-se ao princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens e n\u00e3o deve constituir motivo de impedimento ao trabalho e ao crescimento de outrem. A propriedade, que se adquire antes de tudo atrav\u00e9s do trabalho, deve servir ao trabalho. Isto vale de modo particular no que diz respeito \u00e0 posse dos meios de produ\u00e7\u00e3o; mas tal princ\u00edpio concerne tamb\u00e9m aos bens pr\u00f3prios do mundo financeiro, t\u00e9cnico, intelectual, pessoal.<\/p><p style=\"font-weight: 400\">Os meios de produ\u00e7\u00e3o \u00abn\u00e3o podem ser possu\u00eddos contra o trabalho, como n\u00e3o podem ser possu\u00eddos para possuir\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn606\" name=\"_ftnref606\"> [606] <\/a>. A sua posse passa a ser ileg\u00edtima quando a propriedade \u00ab n\u00e3o \u00e9 valorizada ou serve para impedir o trabalho dos outros, para obter um ganho que n\u00e3o prov\u00e9m da expans\u00e3o global do trabalho humano e da riqueza social, mas antes da sua repress\u00e3o, da il\u00edcita explora\u00e7\u00e3o, da especula\u00e7\u00e3o, e da ruptura da solidariedade no mundo do trabalho \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn607\" name=\"_ftnref607\"> [607] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>283<\/strong> <em>A propriedade privada e p\u00fablica, bem como os v\u00e1rios mecanismos do sistema econ\u00f4mico devem ser predispostos para uma economia ao servi\u00e7o do homem<\/em>, de modo que contribuam a atuar o princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens. Nesta perspectiva ganha relevo a quest\u00e3o referente \u00e0 propriedade e ao uso das novas tecnologias e conhecimentos, que constituem, no nosso tempo, uma outra forma particular de propriedade, de import\u00e2ncia n\u00e3o inferior \u00e0 da terra e do capital<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn608\" name=\"_ftnref608\"> [608] <\/a>. Tais recursos, como todos os outros bens, t\u00eam uma <em>destina\u00e7\u00e3o universal<\/em>; tamb\u00e9m estes devem ser inseridos num contexto de normas jur\u00eddicas e de regras sociais que garantam um uso inspirado em crit\u00e9rios de justi\u00e7a, de eq\u00fcidade e de respeito dos direitos do homem. Os novos saberes e as tecnologias, gra\u00e7as \u00e0 sua enorme potencialidade, podem dar um contributo decisivo \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do progresso social, mas correm o risco de se converter em fonte de desemprego e de ampliar a dist\u00e2ncia entre zonas desenvolvidas e zonas de subdesenvolvimento, se permanecem concentrados nos pa\u00edses mais ricos ou nas m\u00e3os de grupos restritos de poder.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">e)<strong>O repouso festivo<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>284 <\/strong><em>O repouso festivo \u00e9 um direito<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn609\" name=\"_ftnref609\"> [609] <\/a><em>.<\/em>Deus \u00ab repousou de toda a obra que fizera \u00bb (<em>G\u00ean <\/em>2, 2): tamb\u00e9m os homens, criados \u00e0 Sua imagem, devem gozar de suficiente repouso e tempo livre que lhes permita cuidar da vida familiar, cultural, social e religiosa<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn610\" name=\"_ftnref610\"> [610] <\/a>. Para tanto contribui a institui\u00e7\u00e3o do dia do Senhor<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn611\" name=\"_ftnref611\"> [611] <\/a>. Os fi\u00e9is, durante o domingo e nos demais dias santos de guarda, devem abster-se de \u00ab trabalhos ou atividades que impedem o culto devido a Deus, a alegria pr\u00f3pria do dia do Senhor, a pr\u00e1tica das obras de miseric\u00f3rdia e o descanso conveniente do esp\u00edrito e do corpo \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn612\" name=\"_ftnref612\"> [612] <\/a>. Necessidades familiares ou exig\u00eancias de utilidade social podem legitimamente isentar do repouso dominical, mas n\u00e3o devem criar h\u00e1bitos prejudiciais \u00e0 religi\u00e3o, \u00e0 vida de fam\u00edlia e \u00e0 sa\u00fade.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>285<\/strong> <em>O domingo \u00e9 um dia a ser santificado com uma caridade operosa, reservando aten\u00e7\u00f5es \u00e0 fam\u00edlia e aos parentes, como aos doentes, aos enfermos, aos idosos<\/em>; n\u00e3o se devem tampouco esquecer aqueles \u00ab irm\u00e3os que t\u00eam as mesmas necessidades e os mesmos direitos e n\u00e3o podem repousar por causa da pobreza e da mis\u00e9ria \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn613\" name=\"_ftnref613\"> [613] <\/a>; <em>ademais \u00e9 um tempo prop\u00edcio para a reflex\u00e3o, o sil\u00eancio, o estudo, que favorecem o crescimento da vida interior e crist\u00e3<\/em>. Os fi\u00e9is devem distinguir-se, tamb\u00e9m neste dia, pela sua modera\u00e7\u00e3o, evitando todos os excessos e as viol\u00eancias que n\u00e3o raro caracterizam as divers\u00f5es de massa<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn614\" name=\"_ftnref614\"> [614] <\/a>. O dia do Senhor deve ser sempre vivido como o dia da liberta\u00e7\u00e3o, que faz participar \u00ab da assembl\u00e9ia festiva dos primeiros inscritos no livro dos c\u00e9us\u00bb (<em>Hb <\/em>12, 22-23) e antecipa a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa definitiva na gl\u00f3ria do c\u00e9u<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn615\" name=\"_ftnref615\"> [615] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>286 <\/strong><em>As autoridades p\u00fablicas t\u00eam o dever de vigiar para que n\u00e3o se subtraia aos cidad\u00e3os, por motivos de produtividade econ\u00f4mica, o tempo destinado ao repouso e aoculto divino<\/em>. Os empregadores t\u00eam uma obriga\u00e7\u00e3o an\u00e1loga em rela\u00e7\u00e3o aos seus empregados<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn616\" name=\"_ftnref616\"> [616] <\/a>. Os crist\u00e3os devem envidar esfor\u00e7os, no respeito \u00e0 liberdade religiosa e ao bem comum de todos, para que as leis reconhe\u00e7am os domingos e os dias de festa da Igreja como feriados: \u00abA todos t\u00eam de dar um exemplo p\u00fablico de ora\u00e7\u00e3o, de respeito e de alegria e defender suas tradi\u00e7\u00f5es como uma contribui\u00e7\u00e3o preciosa para a vida espiritual da sociedade humana\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn617\" name=\"_ftnref617\"> [617] <\/a>. Todo crist\u00e3o dever\u00e1 \u00abevitar impor sem necessidade a outrem o que o impediria de guardar o dia do Senhor\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn618\" name=\"_ftnref618\"> [618] <\/a>.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\"><strong> O DIREITO AO TRABALHO<\/strong><\/li><li style=\"font-weight: 400\">a)<strong>O trabalho \u00e9 necess\u00e1rio<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>287 <\/strong><em>O trabalho \u00e9 um direito fundamental e \u00e9 um bem para o homem<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn619\" name=\"_ftnref619\"> [619] <\/a>: <em>um bem \u00fatil, digno dele porque apto a exprimir e a acrescer a dignidade humana. A Igreja ensina o valor do trabalho n\u00e3o s\u00f3 porque este \u00e9 sempre pessoal, mas tamb\u00e9m pelo car\u00e1ter de necessidade<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn620\" name=\"_ftnref620\"> [620] <\/a>. O trabalho \u00e9 necess\u00e1rio para formar e manter uma fam\u00edlia<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn621\" name=\"_ftnref621\"> [621] <\/a>, para ter direito \u00e0 propriedade<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn622\" name=\"_ftnref622\"> [622] <\/a>, para contribuir para o bem comum da fam\u00edlia humana<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn623\" name=\"_ftnref623\"> [623] <\/a>. A considera\u00e7\u00e3o das implica\u00e7\u00f5es morais que a quest\u00e3o do trabalho comporta na vida social induz a Igreja a qualificar o desemprego como uma \u00ab verdadeira calamidade social \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn624\" name=\"_ftnref624\"> [624] <\/a>, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s jovens gera\u00e7\u00f5es.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>288<\/strong> <em>O trabalho \u00e9 um bem de todos, que deve ser dispon\u00edvel para todos aqueles que s\u00e3o capazes de trabalhar. O \u00ab pleno emprego \u00bb \u00e9, portanto, um objetivo obrigado para todo o ordenamento econ\u00f4mico orientado para a justi\u00e7a e para o bem comum<\/em>. Uma sociedade em que o direito ao trabalho seja esvaecido ou sistematicamente negado e no qual as medidas de pol\u00edtica econ\u00f4mica n\u00e3o consintam aos trabalhadores alcan\u00e7ar n\u00edveis satisfat\u00f3rios de emprego, \u00ab n\u00e3o pode conseguir nem a sua legitima\u00e7\u00e3o \u00e9tica nem a paz social \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn625\" name=\"_ftnref625\"> [625] <\/a>. Um papel importante e, portanto, uma responsabilidade espec\u00edfica e grave, pertencem, neste \u00e2mbito, ao \u00ab empregador indireto \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn626\" name=\"_ftnref626\"> [626] <\/a>, ou seja \u00e0queles sujeitos \u2015 pessoas ou institui\u00e7\u00f5es de v\u00e1rio tipo \u2015 que est\u00e3o aptas a orientar, no plano nacional ou internacional, a pol\u00edtica do trabalho e da economia.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>289 <\/strong><em>A capacidade de fazer projetos de uma sociedade orientada para o bem comum e projetada para o futuro se mede tamb\u00e9m e sobretudo em base \u00e0s perspectivas de trabalho que ela \u00e9 capaz de oferecer<\/em>. O alto \u00edndice de desemprego, a presen\u00e7a de sistemas de instru\u00e7\u00e3o obsoletos e de dificuldades duradouras no acesso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e ao mercado do trabalho constituem, para muitos jovens sobretudo, um forte obst\u00e1culo na estrada da realiza\u00e7\u00e3o humana e profissional. Quem \u00e9 desempregado ou subempregado, com efeito, sofre as conseq\u00fc\u00eancias profundamente negativas que tal condi\u00e7\u00e3o determina na personalidade e corre o risco de ser posto \u00e0 margem da sociedade, de se tornar uma v\u00edtima da exclus\u00e3o social<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn627\" name=\"_ftnref627\"> [627] <\/a>. Este \u00e9 um drama que afeta, em geral, al\u00e9m dos jovens, as mulheres, os trabalhadores menos especializados, os deficientes, os imigrantes, os ex-carcer\u00e1rios, os analfabetos, todos os sujeitos que encontram maiores dificuldades na busca de uma coloca\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>290 <\/strong><em>A manuten\u00e7\u00e3o do emprego depende cada vez mais das capacidades profissionais<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn628\" name=\"_ftnref628\"> <strong>[628]<\/strong> <\/a>. O sistema de instru\u00e7\u00e3o e de educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve descurar a forma\u00e7\u00e3o humana, t\u00e3o necess\u00e1ria para desempenhar com proveito as tarefas requeridas<\/em>. A necessidade cada vez maior de mudar v\u00e1rias vezes de emprego no arco da vida, obriga o sistema educativo a favorecer a disponibilidade das pessoas para a uma permanente atualiza\u00e7\u00e3o e requalifica\u00e7\u00e3o. Os jovens devem aprender a agir autonomamente, a tornar-se capazes de assumir responsavelmente a tarefa de enfrentar com compet\u00eancias adequadas os riscos ligados a um contexto econ\u00f4mico mut\u00e1vel e n\u00e3o raro imprevis\u00edvel nos seus cen\u00e1rios evolutivos<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn629\" name=\"_ftnref629\"> [629] <\/a>. \u00c9 igualmente indispens\u00e1vel a oferta de oportunas ocasi\u00f5es formativas aos adultos em busca de requalifica\u00e7\u00e3o e aos desempregados. Cada vez mais , o percurso de trabalho das pessoas deve encontrar novas formas concretas de apoio, a come\u00e7ar precisamente do sistema formativo, de modo que seja menos dif\u00edcil atravessar fases de mudan\u00e7a, de incerteza, de precariedade.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">b)<strong>O papel do Estado e da sociedade civil na promo\u00e7\u00e3o do direito ao trabalho<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>291<\/strong> <em>Os problemas do emprego chamam em causa as responsabilidades do Estado, ao qual compete o dever de promover pol\u00edticas ativas do trabalho <\/em>tais que favore\u00e7am a cria\u00e7\u00e3o de oportunidades trabalhistas no territ\u00f3rio nacional, incentivando para tal fim o mundo produtivo. O dever do Estado n\u00e3o consiste tanto em assegurar diretamente o direito ao trabalho de todos os cidad\u00e3os, regulando toda a vida econ\u00f4mica e mortificando a livre iniciativa de cada indiv\u00edduo, quanto em \u00ab secundar a atividades das empresas, criando as condi\u00e7\u00f5es que garantam ocasi\u00f5es de trabalho, estimulando-a onde for insuficiente e apoiando-a nos momentos de crise \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn630\" name=\"_ftnref630\"> [630] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>292<\/strong> <em>Defronte \u00e0s dimens\u00f5es planet\u00e1rias rapidamente assumidas pelas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4mico-financeiras e pelo mercado do trabalho, se deve promover uma colabora\u00e7\u00e3o internacional eficaz entre os Estados<\/em>, mediante tratados, acordos e planos de a\u00e7\u00e3o comuns que salvaguardem o direito ao trabalho tamb\u00e9m nas fases mais criticas do ciclo econ\u00f4mico, em \u00e2mbito nacional e internacional. \u00c9 necess\u00e1rio estar cientes do fato de que o trabalho humano \u00e9 um direito do qual dependem diretamente a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social e da paz civil. Importantes tarefas nesta dire\u00e7\u00e3o cabem \u00e0s Organiza\u00e7\u00f5es internacionais e \u00e0s sindicais: coligando-se nas formas mais oportunas, elas devem empenhar-se, antes de tudo, a tecer \u00abuma trama sempre mais espessa de disposi\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas que protegem o trabalho dos homens, das mulheres, dos jovens, e lhe asseguram, conveniente retribui\u00e7\u00e3o\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn631\" name=\"_ftnref631\"> [631] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>293<\/strong> <em>Para a promo\u00e7\u00e3o do direito ao trabalho, \u00e9 importante, hoje como nos tempos da \u00ab<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum Novarum<\/a>\u00bb, que haja um \u00ab processo livre de auto-organiza\u00e7\u00e3o da sociedade \u00bb<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn632\" name=\"_ftnref632\"> [632] <\/a>. Testemunhos significativos e exemplos de auto-organiza\u00e7\u00e3o podem ser encontradas nas numerosas iniciativas, empresariais e sociais, caracterizadas por formas de participa\u00e7\u00e3o, de coopera\u00e7\u00e3o e de auto-gest\u00e3o, que revelam a fus\u00e3o das energias solid\u00e1rias. Eles se oferecem ao mercado como um variegado setor de atividades trabalhistas que se distinguem por uma aten\u00e7\u00e3o particular \u00e0 componente relacional dos bens produzidos e dos servi\u00e7os dispensados em mult\u00edplices \u00e2mbitos: instru\u00e7\u00e3o, tutela da sa\u00fade, servi\u00e7os sociais de base, cultura. As iniciativas do chamado \u00abterceiro setor\u00bb constituem uma oportunidade sempre mais relevante de desenvolvimento do trabalho e da economia.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">c)<strong>A fam\u00edlia e o direito ao trabalho<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>294<\/strong> <em>O trabalho \u00e9 <\/em>\u00ab <em>o fundamento sobre o qual se edifica a vida familiar, que \u00e9 um direito fundamental e uma voca\u00e7\u00e3o do homem <\/em>\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn633\" name=\"_ftnref633\"> [633] <\/a>: ele assegura os meios de subsist\u00eancia e garante o processo educativo dos filhos<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn634\" name=\"_ftnref634\"> [634] <\/a>. Fam\u00edlia e trabalho, assim estreitamente interdependentes na experi\u00eancia da grande maioria das pessoas, merecem finalmente uma considera\u00e7\u00e3o mais adequada \u00e0 realidade, uma aten\u00e7\u00e3o que as compreenda juntas, sem os limites de uma concep\u00e7\u00e3o privatista da fam\u00edlia e economicista do trabalho. A tal prop\u00f3sito, \u00e9 necess\u00e1rio que as empresas, as organiza\u00e7\u00f5es profissionais, os sindicatos e o Estado se tornem promotores de pol\u00edticas do trabalho que n\u00e3o penalizem, mas favore\u00e7am o n\u00facleo familiar do ponto de vista do emprego. A vida de fam\u00edlia e o trabalho, efetivamente, se condicionam reciprocamente de v\u00e1rio modo. O pendularismo, a dupla jornada de trabalho e a fadiga f\u00edsica e psicol\u00f3gica reduzem o tempo dedicado \u00e0 vida familiar<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn635\" name=\"_ftnref635\"> [635] <\/a>; as situa\u00e7\u00f5es de desemprego t\u00eam repercuss\u00f5es materiais e espirituais sobre as fam\u00edlias, assim como as tens\u00f5es e as crises familiares influem negativamente sobre as atitudes e sobre o rendimento no campo do trabalho.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">d)<strong>As mulheres e o direito ao trabalho<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>295 <\/strong><em>O g\u00eanio feminino \u00e9 necess\u00e1rio em todas as express\u00f5es da vida social, por isso deve ser garantida a presen\u00e7a das mulheres tamb\u00e9m no \u00e2mbito do trabalho<\/em>. O primeiro e indispens\u00e1vel passo em tal dire\u00e7\u00e3o \u00e9 a concreta possibilidade de acesso a uma forma\u00e7\u00e3o profissional. <em>O reconhecimento e a tutela dos direitos das mulheres no contexto do trabalho dependem, em geral, da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, que deve levar em conta a dignidade e a voca\u00e7\u00e3o da mulher<\/em>, cuja \u00ab verdadeira promo\u00e7\u00e3o ... exige que o trabalho seja estruturado de tal maneira que ela n\u00e3o se veja obrigada a pagar a pr\u00f3pria promo\u00e7\u00e3o com o ter de abandonar a sua especificidade e com detrimento da sua fam\u00edlia, na qual ela, como m\u00e3e, tem um papel insubstitu\u00edvel \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn636\" name=\"_ftnref636\"> [636] <\/a><em>. <\/em>\u00c9 uma quest\u00e3o sobre a qual se medem a <em>qualidade da sociedade<\/em> e a <em>efetiva tutela <\/em>do direito das mulheres ao trabalho.<\/p><p style=\"font-weight: 400\">A persist\u00eancia de muitas formas de discrimina\u00e7\u00e3o ofensivas da dignidade e voca\u00e7\u00e3o da mulher na esfera do trabalho \u00e9 devida a uma longa s\u00e9rie de condicionamentos penalizantes para a mulher, que foi e ainda \u00e9 \u00ab deturpada nas suas prerrogativas, n\u00e3o raro marginalizada e, at\u00e9 mesmo, reduzida \u00e0 escravid\u00e3o\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn637\" name=\"_ftnref637\"> [637] <\/a>. Estas dificuldades, lamentavelmen\u00adte, n\u00e3o est\u00e3o superadas, como bem mostram por toda parte as v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es que aviltam as mulheres, sujeitando-as tamb\u00e9m a formas de verdadeira e pr\u00f3pria explora\u00e7\u00e3o. A urg\u00eancia de um efetivo reconhecimento dos direitos das mulheres no trabalho se adverte especialmente sob o aspecto retributivo, assegurativo e previdenci\u00e1rio<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn638\" name=\"_ftnref638\"> [638] <\/a>.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">e)<strong>Trabalho infantil<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>296 <\/strong><em>O trabalho infantil, nas suas formas intoler\u00e1veis, constitui um tipo de viol\u00eancia menos evidente do que outros, mas nem por isso menos terr\u00edvel<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn639\" name=\"_ftnref639\"> [639] <\/a>. Uma viol\u00eancia que, para al\u00e9m de todas as implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e jur\u00eddicas, \u00e9 sempre essencialmente um problema moral. Eis a advert\u00eancia de Le\u00e3o XIII: \u00abQuanto aos infantes, cuide-se n\u00e3o os admitir nas oficinas antes da a idade lhes tenha desenvolvido suficientemente as for\u00e7as f\u00edsicas, intelectuais e morais. As for\u00e7as, que na puer\u00edcia brotam semelhantemente \u00e0 erva em flor, um movimento precoce as dissipa, tornando portanto imposs\u00edvel a pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o dos infantes\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn640\" name=\"_ftnref640\"> [640] <\/a>. A chaga do trabalho infantil, a mais de cem anos de dist\u00e2ncia n\u00e3o foi ainda debelada.<\/p><p style=\"font-weight: 400\">Mesmo com a consci\u00eancia de que, ao menos por ora, em certos pa\u00edses o contributo dado pelo trabalho das crian\u00e7as ao or\u00e7amento familiar e \u00e0s economias nacionais \u00e9 irrenunci\u00e1vel e que, em todo caso, algumas formas de trabalho realizadas a tempo parcial, podem ser frutuosas para as pr\u00f3prias crian\u00e7as, a doutrina social denuncia o aumento da \u00abexplora\u00e7\u00e3o trabalhista dos menores em condi\u00e7\u00f5es de verdadeira escravid\u00e3o\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn641\" name=\"_ftnref641\"> [641] <\/a>. Tal explora\u00e7\u00e3o constitui uma grave viola\u00e7\u00e3o da dignidade humana de que todo indiv\u00edduo, \u00abpor pequeno ou aparentemente insignificante que seja em termos de utilidade\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn642\" name=\"_ftnref642\"> [642] <\/a>, \u00e9 portador.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">f)<strong>A emigra\u00e7\u00e3o e o trabalho<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>297<\/strong> <em>A imigra\u00e7\u00e3o pode ser antes um recurso que um obst\u00e1culo para o desenvolvimento<\/em>. No mundo atual, em que se agrava o desequil\u00edbrio entre pa\u00edses ricos e pa\u00edses pobres e nos quais o progresso das comunica\u00e7\u00f5es reduz rapidamente as dist\u00e2ncias, crescem as migra\u00e7\u00f5es das pessoas em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, provenientes das zonas menos favorecidas da terra: a sua chegada nos pa\u00edses desenvolvidos \u00e9 n\u00e3o raro percebido como uma amea\u00e7a para os elevados n\u00edveis de bem-estar alcan\u00e7ados gra\u00e7as a dec\u00eanios de crescimento econ\u00f4mico. Os imigrados, todavia, na maioria dos casos, respondem a uma demanda de trabalho que, do contr\u00e1rio, ficaria insatisfeita, em setores e em territ\u00f3rios nos quais a m\u00e3o-de-obra local \u00e9 insuficiente ou n\u00e3o est\u00e1 disposta a fornecer o pr\u00f3prio contributo em trabalho.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>298<\/strong> <em>As institui\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses anfitri\u00f5es devem vigiar cuidadosamente para que n\u00e3o se difunda a tenta\u00e7\u00e3o de explorar a m\u00e3o-de-obra estrangeira, privando-a dos direitos garantidos aos trabalhadores nacionais, que devem ser assegurados a todos sem discrimina\u00e7\u00e3o<\/em>. A regulamenta\u00e7\u00e3o dos fluxos migrat\u00f3rios segundo crit\u00e9rios de eq\u00fcidade e de equil\u00edbrio<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn643\" name=\"_ftnref643\"> [643] <\/a>\u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para conseguir que as inser\u00e7\u00f5es sejam feitas com as garantias exigidas pela dignidade da pessoa humana. Os imigrantes devem ser acolhidos enquanto pessoas e ajudados, junto com as suas fam\u00edlias, a integrar-se na vida social<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn644\" name=\"_ftnref644\"> [644] <\/a>. Em tal perspectiva <em>deve ser respeitado e promovido o direito a ver reunida a fam\u00edlia<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn645\" name=\"_ftnref645\"> [645] <\/a>. Ao mesmo tempo, na medida do poss\u00edvel, devem ser favorecidas todas as condi\u00e7\u00f5es que consentem o aumento das possibilidades de trabalho nas pr\u00f3prias regi\u00f5es de origem<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn646\" name=\"_ftnref646\"> [646] <\/a>.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\"><a name=\"_Toc521315740\"><\/a>g)<strong>O mundo agr\u00edcola e o direito ao trabalho<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>299 <\/strong><em>Uma particular aten\u00e7\u00e3o merece o trabalho agr\u00edcola, pelo papel social, cultural e econ\u00f4mico que det\u00e9m nos sistemas econ\u00f4micos de muitos pa\u00edses, pelos numerosos problemas que deve enfrentar no contexto de uma economia cada vez mais globalizada, pela sua crescente import\u00e2ncia na salvaguarda do ambiente natural<\/em>: \u00abportanto, s\u00e3o necess\u00e1rias mudan\u00e7as radicais e urgentes, para restituir \u00e0 agricultura \u2014 e aos homens dos campos \u2014 o seu justo valor como base de uma s\u00e3 economia, no conjunto do desenvolvimento da comunidade social\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn647\" name=\"_ftnref647\"> [647] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\">As profundas e radicais transforma\u00e7\u00f5es em curso no plano social e cultural, tamb\u00e9m na agricultura e no vasto mundo rural, reprop\u00f5em com urg\u00eancia um aprofundamento sobre o significado do trabalho agr\u00edcola nas suas mult\u00edplices dimens\u00f5es. Trata-se de um desafio de not\u00e1vel import\u00e2ncia, que deve ser enfrentado com pol\u00edticas agr\u00edcolas e ambientais capazes de superar uma certa concep\u00e7\u00e3o residual e assistencial e de elaborar novas perspectivas para uma agricultura moderna, apta a cumprir um papel significativo na vida social e econ\u00f4mica.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>300<\/strong><em> Em alguns pa\u00edses \u00e9 indispens\u00e1vel uma redistribui\u00e7\u00e3o da terra, no \u00e2mbito de eficazes pol\u00edticas de reforma agr\u00e1ria, a fim de superar o impedimento que o latif\u00fandio improdutivo, condenado pela doutrina social da Igreja<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn648\" name=\"_ftnref648\"> [648] <\/a>,<em>representa a um aut\u00eantico desenvolvimento econ\u00f4mico<\/em>: \u00abOs pa\u00edses em via de desenvolvimento podem combater eficazmente o atual processo de concentra\u00e7\u00e3o da propriedade da terra, se afrontarem algumas situa\u00e7\u00f5es que se podem classificar como verdadeiros e pr\u00f3prios n\u00f3s estruturais. Tais s\u00e3o as car\u00eancias e os atrasos a n\u00edvel legislativo quanto ao reconhecimento do t\u00edtulo de propriedade da terra e em rela\u00e7\u00e3o ao mercado de cr\u00e9dito; o desinteresse pela investiga\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o em agricultura; a neglig\u00eancia a prop\u00f3sito de servi\u00e7os sociais e de infra-estruturas nas \u00e1reas rurais\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn649\" name=\"_ftnref649\"> [649] <\/a>. Areforma agr\u00e1ria torna-se, portanto, al\u00e9m de uma necessidade pol\u00edtica, uma obriga\u00e7\u00e3o moral, dado que a sua n\u00e3o atua\u00e7\u00e3o obstaculiza nestes pa\u00edses os efeitos ben\u00e9ficos derivantes da abertura dos mercados e, em geral, daquelas ocasi\u00f5es prof\u00edcuas de crescimento que a globaliza\u00e7\u00e3o em curso pode oferecer<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn650\" name=\"_ftnref650\"> [650] <\/a><em>.<\/em><\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\"><strong> DIREITOS DOS TRABALHADORES<\/strong><\/li><li style=\"font-weight: 400\">a)<strong>Dignidade dos trabalhadores e respeito dos seus direitos<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>301<\/strong> <em>Os direitos dos trabalhadores, como todos os demais direitos, se baseiam na natureza da pessoa humana e na sua dignidade transcendente<\/em>. O Magist\u00e9rio social da Igreja houve por bem enumerar alguns deles, auspiciando o seu reconhecimento nos ordenamentos jur\u00eddicos: o direito a uma justa remunera\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn651\" name=\"_ftnref651\"> [651] <\/a>; o direito ao repouso<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn652\" name=\"_ftnref652\"> [652] <\/a>; o direito \u00ab a dispor de ambientes de trabalho e de processos de labora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o causem dano \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica dos trabalhadores nem lesem a sua integridade moral \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn653\" name=\"_ftnref653\"> [653] <\/a>; o direito a ver salvaguardada a pr\u00f3pria personalidade no lugar de trabalho, \u00ab sem serem violados seja de que modo for na pr\u00f3pria consci\u00eancia ou dignidade \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn654\" name=\"_ftnref654\"> [654] <\/a>; o direito a convenientes subven\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para a subsist\u00eancia dos trabalhadores desempregados e das suas fam\u00edlias<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn655\" name=\"_ftnref655\"> [655] <\/a>; do direito \u00e0 pens\u00e3o de aposentadoria ou reforma, ao seguro para a velhice bem como para a doen\u00e7a e ao seguro para os casos de acidentes de trabalho<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn656\" name=\"_ftnref656\"> [656] <\/a>; o direito a disposi\u00e7\u00f5es sociais referentes \u00e0 maternidade<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn657\" name=\"_ftnref657\"> [657] <\/a>; o direito de reunir-se e de associar-se<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn658\" name=\"_ftnref658\"> [658] <\/a>. Tais direitos s\u00e3o freq\u00fcentemente desrespeitados, como confirmam os tristes fen\u00f4menos do trabalho sub-remunerado, desprovido de tutela ou n\u00e3o representado de modo adequado. D\u00e1-se com freq\u00fc\u00eancia que as condi\u00e7\u00f5es de trabalho para homens, mulheres e crian\u00e7as, especialmente nos pa\u00edses em via de desenvolvimento, sejam t\u00e3o desumanas que ofendem a sua dignidade e prejudicam a sua sa\u00fade.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">b)<strong>O direito \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o eq\u00fcitativa e distribui\u00e7\u00e3o da renda<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>302<\/strong> <em>A remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 o instrumento mais importante para realizar a justi\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn659\" name=\"_ftnref659\"> [659] <\/a>. O \u00ab justo sal\u00e1rio \u00e9 o fruto leg\u00edtimo do trabalho \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn660\" name=\"_ftnref660\"> [660] <\/a>; comete grave injusti\u00e7a quem o recusa ou n\u00e3o o d\u00e1 no tempo devido e em propor\u00e7\u00e3o eq\u00fcitativa ao trabalho realizado (cf. <em>Lv <\/em>19, 13; <em>Dt <\/em>24, 14-15; <em>Tg<\/em> 5, 4). O sal\u00e1rio \u00e9 o instrumento que permite ao trabalhador aceder aos bens da terra: \u00ab o trabalho deve ser remunerado de tal modo que permita ao homem e \u00e0 fam\u00edlia levar uma vida digna, tanto material ou social, como cultural ou espiritual, tendo em conta as fun\u00e7\u00f5es e a produtividade de cada um, e o bem comum \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn661\" name=\"_ftnref661\"> [661] <\/a>. O simples acordo entre empregado e empregador acerca do montante da remunera\u00e7\u00e3o n\u00e3o basta para qualificar como \u00ab justa \u00bb a remunera\u00e7\u00e3o concordada, porque ela \u00ab n\u00e3o deve ser inferior ao sustento \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn662\" name=\"_ftnref662\"> [662] <\/a>do trabalhador: a justi\u00e7a natural \u00e9 anterior e superior \u00e0 liberdade do contrato.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>303<\/strong> <em>O bem-estar econ\u00f4mico de um Pa\u00eds n\u00e3o se mede exclusivamente pela quantidade de bens produzidos, mas tamb\u00e9m levando em conta o modo como s\u00e3o produzidos e o grau de equidade na distribui\u00e7\u00e3o das rendas<\/em>, que a todos deveria consentir ter \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o o que \u00e9 necess\u00e1rio para desenvolvimento e o aperfei\u00e7oamento da pr\u00f3pria pessoa. Uma distribui\u00e7\u00e3o eq\u00fcitativa da renda deve ser buscada com base em crit\u00e9rios n\u00e3o s\u00f3 de justi\u00e7a comutativa, mas tamb\u00e9m de justi\u00e7a social, ou seja, considerando, al\u00e9m do valor objetivo das presta\u00e7\u00f5es de trabalho, a dignidade humana dos sujeitos que as realizam. Um bem-estar econ\u00f4mico aut\u00eantico se persegue tamb\u00e9m atrav\u00e9s de adequadas <em>pol\u00edticas sociais de redistribui\u00e7\u00e3o da renda<\/em> que, tendo em conta as condi\u00e7\u00f5es gerais, considerem oportunamente os m\u00e9ritos e as necessidades de cada cidad\u00e3o.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">d)<strong>O direito de greve<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>304 <\/strong><em>A doutrina social reconhece a legitimidade da greve <\/em>\u00ab quando se apresenta como recurso inevit\u00e1vel, e mesmo necess\u00e1rio, em vista de um benef\u00edcio proporcionado \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn663\" name=\"_ftnref663\"> [663] <\/a>, depois de se terem revelado ineficazes todos os outros recursos para a composi\u00e7\u00e3o dos conflitos<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn664\" name=\"_ftnref664\"> [664] <\/a>. A greve, uma das conquistas mais penosas do associacionismo sindical, pode ser definida como a recusa coletiva e concertada, por parte dos trabalhadores, de prestar o seu trabalho, com o objetivo de obter, por meio da press\u00e3o assim exercida sobre os empregadores, sobre o Estado e sobre a opini\u00e3o p\u00fablica, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e da sua situa\u00e7\u00e3o social. Tamb\u00e9m a greve, conquanto se perfile \u00ab como \u2026 uma esp\u00e9cie de ultimato \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn665\" name=\"_ftnref665\"> [665] <\/a>, deve ser sempre um m\u00e9todo pac\u00edfico de reivindica\u00e7\u00e3o e de luta pelos pr\u00f3prios direitos; torna-se \u00ab moralmente inaceit\u00e1vel quando \u00e9 acompanhada de viol\u00eancias ou ainda quando se lhe atribuem objetivos n\u00e3o diretamente ligados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho ou contr\u00e1rios ao bem comum \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn666\" name=\"_ftnref666\"> [666] <\/a>.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\"><strong> SOLIDARIEDADE ENTRE OS TRABALHADORES<\/strong><\/li><li style=\"font-weight: 400\">a)<strong>A import\u00e2ncia dos sindicatos<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>305 <\/strong><em>O Magist\u00e9rio reconhece o papel fundamental cumprido pelos sindicatos dos trabalhadores, cuja raz\u00e3o de ser consiste no direito dos trabalhadores a formar associa\u00e7\u00f5es ou uni\u00f5es para defender os interesses vitais dos homens empregados nas v\u00e1rias profiss\u00f5es. <\/em>Os sindicatos \u00ab cresceram a partir da luta dos trabalhadores, do mundo do trabalho e, sobretudo, dos trabalhadores da ind\u00fastria, pela tutela dos seus justos direitos<em>, <\/em>em confronto com os empres\u00e1rios e os propriet\u00e1rios dos meios de produ\u00e7\u00e3o \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn667\" name=\"_ftnref667\"> [667] <\/a>. As organiza\u00e7\u00f5es sindicais, perseguindo o seu fim especifico ao servi\u00e7o do bem comum, s\u00e3o um fator construtivo de ordem social e de solidariedade e, portanto, <em>um elemento indispens\u00e1vel da vida social<\/em>. O reconhecimento dos direitos do trabalho constitui desde sempre um problema de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o, porque se atua no interior de processos hist\u00f3ricos e institucionais complexos, e ainda hoje pode considerar-se incompleto. Isto torna mais que nunca atual e necess\u00e1rio o exerc\u00edcio de uma aut\u00eantica solidariedade entre os trabalhadores.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>306<\/strong> <em>A doutrina social ensina que as rela\u00e7\u00f5es no interior do mundo do trabalho devem ser caracterizadas pela colabora\u00e7\u00e3o: o \u00f3dio e a luta para eliminar o outro constituem m\u00e9todos de todo inaceit\u00e1veis<\/em>, mesmo porque, em todo o sistema social, s\u00e3o indispens\u00e1veis para o processo de produ\u00e7\u00e3o tanto o <em>trabalho<\/em> quanto o <em>capital<\/em>. \u00c0 luz desta concep\u00e7\u00e3o, a doutrina social \u00abn\u00e3o pensa que os sindicatos sejam somente o reflexo de uma estrutura \u201cde classe\u201d da sociedade, como n\u00e3o pensa que eles sejam o expoente de uma luta de classe, que inevitavelmente governe a vida social\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn668\" name=\"_ftnref668\"> [668] <\/a>. <em>Os sindicatos s\u00e3o propriamente os promotores da luta pela justi\u00e7a social<\/em>, pelos direitos dos homens do trabalho, nas suas especificas profiss\u00f5es: \u00abEsta \u201cluta\u201d deve ser compreendida como um empenhamento normal das pessoas \u201cem prol\u201d do justo bem: [...] n\u00e3o \u00e9 uma luta \u201ccontra\u201d os outros\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn669\" name=\"_ftnref669\"> [669] <\/a>. O sindicato, sendo antes de tudo instrumento de solidariedade e de justi\u00e7a, n\u00e3o pode abusar dos instrumentos de luta; em raz\u00e3o da sua voca\u00e7\u00e3o, deve vencer as tenta\u00e7\u00f5es do corporativismo, saber auto-regular-se e avaliar as conseq\u00fc\u00eancias das pr\u00f3prias op\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao horizonte do bem comum<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn670\" name=\"_ftnref670\"> [670] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>307<\/strong> <em>Ao sindicato, al\u00e9m das fun\u00e7\u00f5es defensivas e reivindicativas, competem tanto uma representa\u00e7\u00e3o com o fim de \u00ab colaborar na boa organiza\u00e7\u00e3o da vida econ\u00f4mica \u00bb, quanto a educa\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia social dos trabalhadores<\/em>, a fim de que estes se sintam parte ativa, segundo as capacidades e aptid\u00f5es de cada um, no conjunto do desenvolvimento econ\u00f4mico e social, bem como na realiza\u00e7\u00e3o do bem comum universal<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn671\" name=\"_ftnref671\"> [671] <\/a>. O sindicato e as outras formas de associacionismo dos trabalhadores devem assumir uma fun\u00e7\u00e3o de colabora\u00e7\u00e3o com os outros sujeitos sociais e interessar-se pela gest\u00e3o da coisa p\u00fablica. As organiza\u00e7\u00f5es sindicais t\u00eam o dever de influenciar o poder pol\u00edtico, de modo a sensibiliz\u00e1-lo devidamente aos problemas do trabalho e a empenh\u00e1-lo a favorecer a realiza\u00e7\u00e3o dos direitos dos trabalhadores. Os sindicatos, todavia, n\u00e3o t\u00eam o car\u00e1ter de \u00ab partidos pol\u00edticos \u00bb que lutam pelo poder, e nem devem tampouco ser submetidos \u00e0s decis\u00f5es dos partidos pol\u00edticos ou haver com estes liames muito estreitos: \u00abem tal situa\u00e7\u00e3o estes perdem facilmente o contato com aquilo que \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, que \u00e9 aquela de assegurar os justos direitos dos homens do trabalho no quadro do bem comum de toda a sociedade, e transformam-se, ao inv\u00e9s, em um instrumento a servi\u00e7o de outros objetivos\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn672\" name=\"_ftnref672\"> [672] <\/a>.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">b)<strong>Novas formas de solidariedade<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>308<\/strong> <em>O contexto socioecon\u00f4mico hodierno, caracterizado por processos de globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira cada vez mais r\u00e1pidos, concita os sindicatos a renovar-se. Atualmente os sindicatos s\u00e3o chamados a atuar de novas formas<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn673\" name=\"_ftnref673\"> [673] <\/a>, ampliando o raio da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o de solidariedade de modo que sejam tutelados, al\u00e9m das categorias de trabalho tradicionais, os trabalhadores com contrato <em>at\u00edpicos<\/em> ou por tempo determinado; os trabalhadores cujo o emprego \u00e9 colocado em perigo pelas fus\u00f5es de empresas que ocorrem com freq\u00fc\u00eancia cada vez maior, tamb\u00e9m em plano internacional; aqueles que n\u00e3o t\u00eam um emprego, os imigrantes, os trabalhadores sazonais, aqueles que por falta de atualiza\u00e7\u00e3o profissional foram exclu\u00eddos do mercado de trabalho e n\u00e3o podem reingressar sem adequados cursos de requalifica\u00e7\u00e3o.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><em>Defronte \u00e0s modifica\u00e7\u00f5es que se deram no mundo do trabalho, a solidariedade poder\u00e1 ser recuperada e qui\u00e7\u00e1 melhor fundada em rela\u00e7\u00e3o ao passado se houver um empenho para uma redescoberta do valor subjetivo do trabalho<\/em>: \u00ab\u00e9 necess\u00e1rio prosseguir a interrogar-se sobre o sujeito do trabalho e sobre as condi\u00e7\u00f5es da sua exist\u00eancia\u00bb. Para tanto, \u00ab\u00e9 preciso que haja sempre novos movimentos de solidariedade dos homens do trabalho e de solidariedade com os homens do trabalho\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn674\" name=\"_ftnref674\"> [674] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>309 <\/strong><em>Procurando \u00abnovas formas de solidariedade\u00bb<\/em><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn675\" name=\"_ftnref675\"> [675] <\/a><em>, as associa\u00e7\u00f5es dos trabalhadores devem orientar-se em dire\u00e7\u00e3o a assun\u00e7\u00e3o de maiores responsabilidades<\/em>, n\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o aos tradicionais mecanismos de redistribui\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da riqueza e da cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas e culturais que consintam a todos os que podem e desejam trabalhar exercer o seu direito ao trabalho, no pleno respeito de sua dignidade de trabalhadores. A supera\u00e7\u00e3o gradual do modelo organizativo baseado no trabalho assalariado na grande empresa, de mais a mais, torna oportuna uma atualiza\u00e7\u00e3o das normas e dos sistemas de seguran\u00e7a social, mediante os quais os trabalhadores estiveram at\u00e9 agora tutelados, sem preju\u00edzo dos seus direitos fundamentais.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>VII. AS \u00abRES NOVAE\u00bb<br \/>DO NOVO MUNDO DO TRABALHO<\/strong><\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">a)<strong>Uma fase de transi\u00e7\u00e3o epocal<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>310<\/strong> <em>Um dos est\u00edmulos mais significativos \u00e0 atual transforma\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 dado pelo fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o, que consente experimentar novas formas de produ\u00e7\u00e3o, com o deslocamento das instala\u00e7\u00f5es em \u00e1reas diferentes daquelas em que s\u00e3o tomadas as decis\u00f5es estrat\u00e9gicas e distantes dos mercados de consumo<\/em>. Dois s\u00e3o os fatores que d\u00e3o impulso a este fen\u00f4meno: a extraordin\u00e1ria velocidade de comunica\u00e7\u00e3o sem limites de espa\u00e7o e de tempo e a relativa facilidade para transportar mercadorias e pessoas de um lado ao outro do globo. Isto comporta uma conseq\u00fc\u00eancia fundamental sobre os processos produtivos: a propriedade \u00e9 cada vez mais distante, n\u00e3o raro, indiferente aos efeitos sociais das op\u00e7\u00f5es que faz. Por outro lado, se \u00e9 verdade que a globaliza\u00e7\u00e3o, a priori, n\u00e3o \u00e9 nem boa nem m\u00e1 em si, mas depende do uso que dela faz o homem<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn676\" name=\"_ftnref676\"> [676] <\/a>, deve-se afirmar que \u00e9 necess\u00e1ria <em>uma globaliza\u00e7\u00e3o das tutelas, dos direitos m\u00ednimos essenciais, da eq\u00fcidade<\/em>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>311 <\/strong><em>Uma das caracter\u00edsticas mais relevantes da nova organiza\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 a fragmenta\u00e7\u00e3o f\u00edsica do ciclo produtivo, promovida para conseguir uma maior efici\u00eancia e maior lucro<\/em>. Nesta perspectiva, as tradicionais coordenadas espa\u00e7o-tempo, no interior das quais se configurava o ciclo produtivo, sofrem uma transforma\u00e7\u00e3o sem precedentes, que determina uma mudan\u00e7a na estrutura mesma do trabalho. Tudo isto tem conseq\u00fc\u00eancias relevantes na vida dos indiv\u00edduos e das comunidades, submetidos a mudan\u00e7as radicais tanto no plano das condi\u00e7\u00f5es materiais como no plano cultural e dos valores. Este fen\u00f4meno est\u00e1 envolvendo, em \u00e2mbito global e local, milh\u00f5es de pessoas, independentemente da profiss\u00e3o que exercem, da sua condi\u00e7\u00e3o social, da prepara\u00e7\u00e3o cultural. A reorganiza\u00e7\u00e3o do tempo, a sua regulariza\u00e7\u00e3o e as mudan\u00e7as em curso no uso do espa\u00e7o \u2014 compar\u00e1veis, pela sua magnitude, \u00e0 primeira revolu\u00e7\u00e3o industrial, na medida em que envolvem todos os setores produtivos, em todos os continentes, independentemente do seu grau de desenvolvimento \u2014 devem considerar-se, portanto, um desafio decisivo, mesmo em n\u00edvel \u00e9tico e cultural, no campo da defini\u00e7\u00e3o de um sistema renovado de tutela do trabalho.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>312<\/strong> <em>A globaliza\u00e7\u00e3o da economia, com a liberaliza\u00e7\u00e3o dos mercados, o acentuar-se da concorr\u00eancia, o aumento de empresas especializadas no fornecimento de produtos e servi\u00e7os, requer maior flexibilidade no mercado do trabalho e na organiza\u00e7\u00e3o e na gest\u00e3o dos processos produtivos.<\/em> No ju\u00edzo sobre esta delicada mat\u00e9ria, parece oportuno reservar uma maior aten\u00e7\u00e3o moral, cultural e no \u00e2mbito dos projetos, ao orientar o agir social e pol\u00edtico sobre as tem\u00e1ticas ligadas \u00e0 identidade e aos conte\u00fados do novo trabalho, num mercado e numa economia que tamb\u00e9m s\u00e3o novos. As modifica\u00e7\u00f5es do mercado do trabalho, n\u00e3o raro, s\u00e3o um efeito da modifica\u00e7\u00e3o do trabalho mesmo e n\u00e3o a sua causa.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>313 <\/strong><em>O trabalho, sobretudo no interior dos sistemas econ\u00f4micos dos pa\u00edses mais desenvolvidos, atravessa uma fase que assinala a passagem de uma economia industrial a uma economia essencialmente concentrada sobre servi\u00e7os e sobre a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica<\/em>. Ocorre que os servi\u00e7os e as atividades caracterizadas por um forte conte\u00fado informativo crescem de modo mais r\u00e1pido do que as dos tradicionais setores prim\u00e1rio e secund\u00e1rio, com conseq\u00fc\u00eancias de largo alcance na organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e das trocas, no conte\u00fado e na forma das presta\u00e7\u00f5es de trabalho e nos sistemas de prote\u00e7\u00e3o social.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><em>Gra\u00e7as \u00e0s inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, o mundo do trabalho se enriquece de profiss\u00f5es novas, enquanto outras desaparecem<\/em>. Na atual fase de transi\u00e7\u00e3o, com efeito, se assiste a uma cont\u00ednua passagem de empregados da industria aos servi\u00e7os. Enquanto perde terreno o modelo econ\u00f4mico e social ligado \u00e0 grande f\u00e1brica e ao trabalho de uma classe oper\u00e1ria homog\u00eanea, melhoram as perspectivas de emprego no terci\u00e1rio e aumentam, em particular, as atividades laborais na reparti\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os \u00e0 pessoa, das presta\u00e7\u00f5es <em>part time<\/em>, interinas e \u00abat\u00edpicas\u00bb, ou seja, formas de trabalho que n\u00e3o s\u00e3o enquadr\u00e1veis nem como trabalho dependente nem como trabalho aut\u00f4nomo.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>314<\/strong> <em>A transi\u00e7\u00e3o em curso assinala a passagem do trabalho contratado por tempo indeterminado, entendido como emprego fixo, a um percurso profissional caracterizado por uma pluralidade de atividades profissionais<\/em>; de um mundo do trabalho compacto, definido e reconhecido, a um universo de trabalhos, variegado, fluido, rico de promessas, mas tamb\u00e9m impregnado de interroga\u00e7\u00f5es preocupantes, especialmente em face da crescente incerteza acerca das perspectivas de emprego, de fen\u00f4menos persistentes de desemprego estrutural, da inadequa\u00e7\u00e3o dos atuais sistemas de seguridade social. As exig\u00eancias da competi\u00e7\u00e3o, da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e da complexidade dos fluxos financeiros devem ser harmonizados com a defesa do trabalhador e dos seus direitos.<\/p><p style=\"font-weight: 400\">A inseguran\u00e7a e a precariedade n\u00e3o dizem respeito somente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de trabalho dos homens que vivem nos pa\u00edses mais desenvolvidos, mas se referem tamb\u00e9m, e sobretudo, \u00e0s realidades economicamente menos avan\u00e7adas do planeta, aos pa\u00edses em via de desenvolvimento e aos pa\u00edses com economias em transi\u00e7\u00e3o. Estes \u00faltimos, al\u00e9m dos complexos problemas ligados com a mudan\u00e7a dos modelos econ\u00f4micos e produtivos, devem enfrentar quotidianamente as dif\u00edceis exig\u00eancias que prov\u00eam da globaliza\u00e7\u00e3o em curso. A situa\u00e7\u00e3o se mostra particularmente dram\u00e1tica para o mundo do trabalho, submetido a vastas e radicais mudan\u00e7as culturais e estruturais, em contextos freq\u00fcentemente desprovidos de suportes legislativos, formativos e de assist\u00eancia social.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>315<\/strong> <em>A descentraliza\u00e7\u00e3o produtiva, que atribui \u00e0s empresas menores mult\u00edplices fun\u00e7\u00f5es, dantes concentrados nas grandes unidades produtivas, faz adquirir vigor e imprime novo impulso \u00e0s pequenas e m\u00e9dias empresas<\/em>. V\u00eam \u00e0 tona assim, ao lado do artesanato tradicional, novas empresas caracterizadas por pequenas unidades produtivas que atuam em setores de produ\u00e7\u00e3o modernos ou em atividades descentradas das empresas maiores. Muitas atividades que ontem exigiam trabalho dependente, hoje s\u00e3o realizadas de formas novas, que favorecem o trabalho independente e se caracterizam por uma maior componente de risco e de responsabilidade<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><em>O trabalho nas pequenas e m\u00e9dias empresas, o trabalho artesanal e o trabalho independente podem constituir uma ocasi\u00e3o para tornar mais humana a experi\u00eancia do trabalho<\/em>, tanto pela possibilidade de estabelecer positivas rela\u00e7\u00f5es interpessoais em comunidades de pequenas dimens\u00f5es, quanto pelas oportunidades oferecidas por uma maior iniciativa e empreendimento; mas n\u00e3o s\u00e3o poucos, nestes setores, os casos de tratamentos injustos, de trabalho mal remunerado e sobretudo inseguro.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>316<\/strong> <em>Nos paises em via de desenvolvimento, ademais, se difundiu, nestes \u00faltimos anos, o fen\u00f4meno da expans\u00e3o de atividades econ\u00f4micas <\/em>\u00ab <em>informais <\/em>\u00bb <em>ou <\/em>\u00ab<em>submersas<\/em>\u00bb<em>, que representa um sinal de crescimento econ\u00f4mico promissor, mas levanta problemas \u00e9ticos e jur\u00eddicos<\/em>. O significativo aumento da oferta de trabalho suscitado por tais atividades deve-se, de fato, \u00e0 aus\u00eancia de especializa\u00e7\u00e3o de grande parte dos trabalhadores locais e ao desenvolvimento desordenado dos setores econ\u00f4micos formais. Um n\u00famero elevado de pessoas fica assim obrigado a trabalhar em condi\u00e7\u00f5es de grave precariedade e num quadro desprovido das regras que tutelam a dignidade do trabalhador. Os n\u00edveis de produtividade, rendas e teor de vida s\u00e3o extremamente baixos e freq\u00fcentemente se revelam insuficientes para garantir aos trabalhadores e \u00e0s suas fam\u00edlias a possibilidade de atingir o limiar da subsist\u00eancia.<\/p><ol><li style=\"font-weight: 400\">b)<strong>Doutrina social e \u00abres novae\u00bb<\/strong><\/li><\/ol><p style=\"font-weight: 400\"><strong>317<\/strong> <em>Em face das imponentes \u00ab res novae \u00bb do mundo do trabalho, a doutrina social da Igreja recomenda, antes de tudo, evitar o erro de considerar que as mudan\u00e7as em curso ocorram de modo determinista<\/em>. O fator decisivo e \u00ab o \u00e1rbitro \u00bb desta complexa fase de mudan\u00e7a \u00e9 <em>uma vez mais o homem<\/em>, que deve continuar a ser o verdadeiro protagonista do seu trabalho. Ele pode e deve assumir de modo criativo e respons\u00e1vel as atuais inova\u00e7\u00f5es e reorganiza\u00e7\u00f5es, de modo que sirvam ao crescimento da pessoa, da fam\u00edlia, das sociedades e da inteira fam\u00edlia humana<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn677\" name=\"_ftnref677\"> [677] <\/a>. \u00c9 esclarecedora para todos a refer\u00eancia \u00e0 <em>dimens\u00e3o subjetiva do trabalho<\/em>, \u00e0 qual a doutrina social da Igreja ensina a dar a devida prioridade, porque o trabalho humano \u00ab procede imediatamente das pessoas criadas \u00e0 imagem de Deus e chamadas a prolongar, ajudando-se mutuamente, a obra da cria\u00e7\u00e3o, dominando a terra \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn678\" name=\"_ftnref678\"> [678] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>318<\/strong><em> As interpreta\u00e7\u00f5es de tipo mecanicista e economicista da atividade produtiva, ainda que prevalentes e em todo caso influentes, resultam superadas pela pr\u00f3pria an\u00e1lise cient\u00edfica dos problemas relacionados com o trabalho<\/em>. Tais concep\u00e7\u00f5es se mostram hoje mais do que ontem de todo inadequadas para interpretar os fatos, que demonstram cada vez mais o valor do trabalho, enquanto atividade livre e criativa do homem. Tamb\u00e9m dos dados concretos deve derivar o impulso para superar sem demora horizontes te\u00f3ricos e crit\u00e9rios operativos restritos e insuficientes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s din\u00e2micas em curso, intrinsecamente incapazes de divisar as concretas e urgentes necessidades humanas na sua vasta gama, que se estende para muito al\u00e9m das categorias somente econ\u00f4micas. A Igreja bem sabe, e desde sempre o ensina, que o homem, \u00e0 diferen\u00e7a dos demais seres vivos, tem necessidades certamente n\u00e3o limitadas somente ao \u00abter\u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn679\" name=\"_ftnref679\"> [679] <\/a>, porque a sua natureza e a sua voca\u00e7\u00e3o est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o indissol\u00favel com o Transcendente. A pessoa humana se entrega \u00e0 aventura da transforma\u00e7\u00e3o das coisas mediante o seu trabalho para satisfazer necessidades e car\u00eancias antes de tudo materiais, mas o faz seguindo um impulso que a impele sempre para al\u00e9m dos resultados conseguidos, em busca do que possa corresponder mais profundamente \u00e0s suas indel\u00e9veis exig\u00eancias interiores.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>319 <\/strong><em>Mudam as formas hist\u00f3ricas em que se exprime o trabalho humano, mas n\u00e3o devem mudar as suas exig\u00eancias permanentes, que se reassumem no respeito dos direitos inalien\u00e1veis do homem que trabalha<\/em>. Defronte ao risco de ver negados estes direitos, devem ser imaginadas e constru\u00eddas <em>novas formas de solidariedade<\/em>, levando em conta a interdepend\u00eancia que liga entre si os homens do trabalho. Quanto mais profundas s\u00e3o as mudan\u00e7as, tanto mais decidido deve ser o empenho da intelig\u00eancia e da vontade para tutelar a dignidade do trabalho, refor\u00e7ando, nos v\u00e1rios n\u00edveis, as institui\u00e7\u00f5es envolvidas. Esta perspectiva consente orientar do melhor modo as atuais transforma\u00e7\u00f5es na dire\u00e7\u00e3o, t\u00e3o necess\u00e1ria, da complementaridade entre a dimens\u00e3o econ\u00f4mica local e a global; entre economia \u00abvelha\u00bb e \u00ab nova \u00bb; entre a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a exig\u00eancia de salvaguardar o trabalho humano; entre o crescimento econ\u00f4mico e a compatibilidade ambiental do desenvolvimento.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>320<\/strong> <em>Para a solu\u00e7\u00e3o das vastas e complexas problem\u00e1ticas do trabalho, que em algumas \u00e1reas assumem dimens\u00f5es dram\u00e1ticas, os cientistas e os homens de cultura s\u00e3o chamados a oferecer o seu contributo especifico, t\u00e3o importante para a escolha de solu\u00e7\u00f5es justas<\/em>. \u00c9 uma responsabilidade que os insta a por em evid\u00eancia as oportunidades e os riscos que se perfilam nas mudan\u00e7as e sobretudo a sugerir linhas de a\u00e7\u00e3o para guiar a mudan\u00e7a no sentido mais favor\u00e1vel ao desenvolvimento da inteira fam\u00edlia humana. Incumbe-lhes a eles o grave encargo de ler e interpretar os fen\u00f4menos sociais com intelig\u00eancia e amor pela verdade, sem preocupa\u00e7\u00f5es ditadas por interesses de grupo ou pessoais. O seu contributo, com efeito, justamente porque de natureza te\u00f3rica, se torna uma refer\u00eancia essencial para a concreta atua\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas econ\u00f4micas<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn680\" name=\"_ftnref680\"> [680] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>321<\/strong> <em>Os atuais cen\u00e1rios de profunda transforma\u00e7\u00e3o do trabalho humano tornam portanto ainda mais urgente um desenvolvimento autenticamente global e solid\u00e1rio<\/em>, capaz de abarcar todas as regi\u00f5es do mundo, inclusive as menos favorecidas. Para estas \u00faltimas, o in\u00edcio de um processo de desenvolvimento solid\u00e1rio de vasto alcance n\u00e3o s\u00f3 representa uma concreta possibilidade para criar novos empregos, mas tamb\u00e9m se configura como uma verdadeira e pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia para povos inteiros: \u00ab\u00c9 necess\u00e1rio globalizar a solidariedade \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn681\" name=\"_ftnref681\"> [681] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><em>Os desequil\u00edbrios econ\u00f4micos e sociais existentes no mundo do trabalho devem ser enfrentados restabelecendo a justa hierarquia dos valores e pondo em primeiro lugar a dignidade da pessoa que trabalha<\/em>: \u00ab As novas realidades, que acometem com vigor o processo produtivo como a globaliza\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as, da economia, do com\u00e9rcio e do trabalho, jamais devem violar a dignidade e a centralidade da pessoa humana, nem a liberdade e a democracia dos povos. A solidariedade, a participa\u00e7\u00e3o e a possibilidade de governar estas mudan\u00e7as radicais constituem, se n\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida a necess\u00e1ria garantia \u00e9tica para que as pessoas e os povos n\u00e3o se tornem instrumentos mas protagonistas do seu futuro. Tudo isto pode ser realizado e, dado que \u00e9 poss\u00edvel, se torna imperioso \u00bb<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn682\" name=\"_ftnref682\"> [682] <\/a>.<\/p><p style=\"font-weight: 400\"><strong>322 <\/strong><em>Mostra-se cada vez mais necess\u00e1ria uma cuidadosa pondera\u00e7\u00e3o da nova situa\u00e7\u00e3o do trabalho no atual contexto da globaliza\u00e7\u00e3o, numa perspectiva que valorize a propens\u00e3o natural dos homens a entabular rela\u00e7\u00f5es<\/em>. A tal prop\u00f3sito, se deve afirmar que a universalidade \u00e9 uma dimens\u00e3o do homem, n\u00e3o das coisas. A t\u00e9cnica poder\u00e1 ser a causa instrumental da globaliza\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 a universalidade da fam\u00edlia humana a sua causa \u00faltima. Portanto, tamb\u00e9m o trabalho tem uma dimens\u00e3o universal pr\u00f3pria, na medida em que se funda na relacionalidade humana. As t\u00e9cnicas, especialmente eletr\u00f4nicas, t\u00eam permitido dilatar este aspecto relacional do trabalho a todo o planeta, imprimindo \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o um ritmo particularmente acelerado. O fundamento \u00faltimo deste dinamismo \u00e9 o homem que trabalha, \u00e9 sempre o elemento subjetivo e n\u00e3o o objetivo. Tamb\u00e9m o trabalho globalizado tem origem, portanto, no fundamento antropol\u00f3gico da intr\u00ednseca dimens\u00e3o relacional do trabalho. Os aspectos negativos da globaliza\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o devem mortificar as possibilidades que se abriram para todos de <em>dar express\u00e3o a um humanismo do trabalho em \u00e2mbito planet\u00e1rio<\/em>, a uma solidariedade do mundo do trabalho neste n\u00edvel, a fim de que, trabalhando em semelhante contexto, dilatado e interconexo, o homem compreenda cada vez mais a sua voca\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria e solid\u00e1ria.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>_______<\/p><div id=\"ftn573\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref573\" name=\"_ftn573\">[573] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 6: <i>AAS <\/i>73 (1981) 591.<\/div><div id=\"ftn574\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref574\" name=\"_ftn574\">[574] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor hominis<\/i>, 1: <i>AAS <\/i>71 (1979) 257.<\/div><div id=\"ftn575\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref575\" name=\"_ftn575\">[575] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor hominis<\/i>, 8: <i>AAS <\/i>71 (1979) 270.<\/div><div id=\"ftn576\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref576\" name=\"_ftn576\">[576] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2427; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 27: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 644-647.<\/div><div id=\"ftn577\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref577\" name=\"_ftn577\">[577] <\/a>Cf. S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, <i>Homilias sobre os Atos<\/i>, in <i>Acta Apostolorum Homiliae<\/i> 35, 3: PG 60, 258.<\/div><div id=\"ftn578\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref578\" name=\"_ftn578\">[578] <\/a>Cf. S\u00e3o Bas\u00edlio Magno, <i>Regulae fusius tractatae<\/i>, 42: PG 31, 1023-1027; Santo Atan\u00e1sio de Alexandria, <i>Vita S. Antonii<\/i>, c. 3: PG 26, 846.<\/div><div id=\"ftn579\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref579\" name=\"_ftn579\">[579] <\/a>Cf. Santo Ambr\u00f3sio, <i>De obitu Valentiniani consolatio<\/i>, 62: PL 16, 1438.<\/div><div id=\"ftn580\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref580\" name=\"_ftn580\">[580] <\/a>Cf. Santo Irineu de Lion, <i>Adversus haereses<\/i>, 5, 32, 2: PG 7, 1210-1211.<\/div><div id=\"ftn581\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref581\" name=\"_ftn581\">[581] <\/a>Cf. Teodoreto de Ciro, <i>De Providentia<\/i>, <i>Orationes <\/i>5-7: PG 83, 625-686.<\/div><div id=\"ftn582\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref582\" name=\"_ftn582\">[582] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso durante a visita a Pom\u00e9zia<\/i>, It\u00e1lia (14 de Setembro de 1979), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 223 de Setembro de 1979, p. 3.<\/div><div id=\"ftn583\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref583\" name=\"_ftn583\">[583] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 2: <i>AAS <\/i>73 (1981) 580-583.<\/div><div id=\"ftn584\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref584\" name=\"_ftn584\">[584] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 1: <i>AAS <\/i>73 (1981) 579.<\/div><div id=\"ftn585\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref585\" name=\"_ftn585\">[585] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 3: <i>AAS <\/i>73 (1981) 584.<\/div><div id=\"ftn586\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref586\" name=\"_ftn586\">[586] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 6: <i>AAS <\/i>73 (1981) 589-590.<\/div><div id=\"ftn587\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref587\" name=\"_ftn587\">[587] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 6: <i>AAS <\/i>73 (1981) 590.<\/div><div id=\"ftn588\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref588\" name=\"_ftn588\">[588] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 6: <i>AAS <\/i>73 (1981) 592; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2428.<\/div><div id=\"ftn589\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref589\" name=\"_ftn589\">[589] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 31: <i>AAS <\/i>83 (1991) 832.<\/div><div id=\"ftn590\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref590\" name=\"_ftn590\">[590] <\/a>Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS <\/i>23 (1931) 200.<\/div><div id=\"ftn591\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref591\" name=\"_ftn591\">[591] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 16: <i>AAS <\/i>73 (1981) 619.<\/div><div id=\"ftn592\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref592\" name=\"_ftn592\">[592] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 4: <i>AAS <\/i>73 (1981) 586.<\/div><div id=\"ftn593\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref593\" name=\"_ftn593\">[593] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 12: <i>AAS <\/i>73 (1981) 606.<\/div><div id=\"ftn594\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref594\" name=\"_ftn594\">[594] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 12: <i>AAS <\/i>73 (1981) 608.<\/div><div id=\"ftn595\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref595\" name=\"_ftn595\">[595] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 13: <i>AAS <\/i>73 (1981) 608-612.<\/div><div id=\"ftn596\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref596\" name=\"_ftn596\">[596] <\/a>Cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS <\/i>23 (1931) 194-198.<\/div><div id=\"ftn597\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref597\" name=\"_ftn597\">[597] <\/a>Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 109.<\/div><div id=\"ftn598\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref598\" name=\"_ftn598\">[598] <\/a>Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS <\/i>23 (1931) 195.<\/div><div id=\"ftn599\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref599\" name=\"_ftn599\">[599] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus, <\/i>32: <i>AAS <\/i>83 (1991) 833.<\/div><div id=\"ftn600\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref600\" name=\"_ftn600\">[600] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus, <\/i>43: <i>AAS <\/i>83 (1991) 847.<\/div><div id=\"ftn601\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref601\" name=\"_ftn601\">[601] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 11: <i>AAS <\/i>73 (1981) 604.<\/div><div id=\"ftn602\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref602\" name=\"_ftn602\">[602] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias Sociais <\/i>(6 de Mar\u00e7o 1999), 2: <i>AAS <\/i>91 (1999) 889.<\/div><div id=\"ftn603\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref603\" name=\"_ftn603\">[603] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 844.<\/div><div id=\"ftn604\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref604\" name=\"_ftn604\">[604] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 14: <i>AAS <\/i>73 (1981) 616.<\/div><div id=\"ftn605\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref605\" name=\"_ftn605\">[605] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 9: <i>AAS <\/i>58 (1966) 1031-1032.<\/div><div id=\"ftn606\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref606\" name=\"_ftn606\">[606] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 14: <i>AAS <\/i>73 (1981) 613.<\/div><div id=\"ftn607\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref607\" name=\"_ftn607\">[607] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus, <\/i>43: <i>AAS <\/i>83 (1991) 847.<\/div><div id=\"ftn608\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref608\" name=\"_ftn608\">[608] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus, <\/i>32: <i>AAS <\/i>83 (1991) 832-833.<\/div><div id=\"ftn609\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref609\" name=\"_ftn609\">[609] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS <\/i>73 (1981) 625-629; Id., Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 9: <i>AAS <\/i>83 (1991) 804.<\/div><div id=\"ftn610\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref610\" name=\"_ftn610\">[610] <\/a>Cf.Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 67: <i>AAS <\/i>58 (1966) 1088-1089.<\/div><div id=\"ftn611\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref611\" name=\"_ftn611\">[611] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2184.<\/div><div id=\"ftn612\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref612\" name=\"_ftn612\">[612] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2185.<\/div><div id=\"ftn613\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref613\" name=\"_ftn613\">[613] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2186.<\/div><div id=\"ftn614\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref614\" name=\"_ftn614\">[614] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2187.<\/div><div id=\"ftn615\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref615\" name=\"_ftn615\">[615] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. <i>Dies Domini<\/i>, 26: <i>AAS <\/i>90 (1998) 729: \u00abA celebra\u00e7\u00e3o do domingo, dia simultaneamente \u201cprimeiro\u201d e \u201coitavo\u201d, orienta o crist\u00e3o para a meta da vida eterna\u00bb.<\/div><div id=\"ftn616\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref616\" name=\"_ftn616\">[616] <\/a>Cf. Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 110.<\/div><div id=\"ftn617\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref617\" name=\"_ftn617\">[617] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2188.<\/div><div id=\"ftn618\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref618\" name=\"_ftn618\">[618] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2187.<\/div><div id=\"ftn619\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref619\" name=\"_ftn619\">[619] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 26: <i>AAS <\/i>58 (1966) 1046-1047; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 9.18: <i>AAS <\/i>73 (1981) 598-600. 622-625; Id., <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias Sociais <\/i>(25 de Abril de 1997), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 24 de Maio de 1997, p. 4; Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 8: <i>AAS <\/i>91 (1999) 382-383.<\/div><div id=\"ftn620\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref620\" name=\"_ftn620\">[620] <\/a>Cf. Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 128.<\/div><div id=\"ftn621\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref621\" name=\"_ftn621\">[621] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 10: <i>AAS <\/i>73 (1981) 600-602.<\/div><div id=\"ftn622\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref622\" name=\"_ftn622\">[622] <\/a>Cf. Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 103; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 14: <i>AAS <\/i>73 (1981) 612-616; Id., Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 31: <i>AAS <\/i>83 (1991) 831-832.<\/div><div id=\"ftn623\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref623\" name=\"_ftn623\">[623] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 16: <i>AAS <\/i>73 (1981) 618-620.<\/div><div id=\"ftn624\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref624\" name=\"_ftn624\">[624] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 18: <i>AAS <\/i>73 (1981) 623.<\/div><div id=\"ftn625\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref625\" name=\"_ftn625\">[625] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 43: <i>AAS <\/i>83 (1991) 848; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2433.<\/div><div id=\"ftn626\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref626\" name=\"_ftn626\">[626] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 17: <i>AAS <\/i>73 (1981) 620-622.<\/div><div id=\"ftn627\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref627\" name=\"_ftn627\">[627] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2436.<\/div><div id=\"ftn628\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref628\" name=\"_ftn628\">[628] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 66: <i>AAS <\/i>58 (1966) 1087-1088.<\/div><div id=\"ftn629\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref629\" name=\"_ftn629\">[629] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 12: <i>AAS <\/i>73 (1981) 605-608.<\/div><div id=\"ftn630\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref630\" name=\"_ftn630\">[630] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 48: <i>AAS <\/i>83 (1991) 853.<\/div><div id=\"ftn631\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref631\" name=\"_ftn631\">[631] <\/a>Paolo VI, <i>Discurso \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho<\/i> (10 de Junho de 1969), 21: <i>AAS <\/i>61 (1969) 500; cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho<\/i> (15 de Junho de 1982), 13: <i>AAS AAS<\/i> 74 (1982) 1004-1005.<\/div><div id=\"ftn632\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref632\" name=\"_ftn632\">[632] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 16: <i>AAS <\/i>83 (1991) 813.<\/div><div id=\"ftn633\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref633\" name=\"_ftn633\">[633] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 10: <i>AAS <\/i>73 (1981) 600.<\/div><div id=\"ftn634\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref634\" name=\"_ftn634\">[634] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 10: <i>AAS <\/i>73 (1981) 600-602; Id., Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 23: <i>AAS <\/i>74 (1982) 107-109.<\/div><div id=\"ftn635\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref635\" name=\"_ftn635\">[635] <\/a>Cf. Santa Sede, <i>Carta dos direitos da fam\u00edlia<\/i>, art. 10: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1983, p. 14.<\/div><div id=\"ftn636\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref636\" name=\"_ftn636\">[636] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS <\/i>73 (1981) 628.<\/div><div id=\"ftn637\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref637\" name=\"_ftn637\">[637] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Carta \u00e0s mulheres<\/i> (29 de Junho de 1995), 3: <i>AAS <\/i>87 (1995) 804.<\/div><div id=\"ftn638\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref638\" name=\"_ftn638\">[638] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 24: <i>AAS <\/i>74 (1982) 109-110.<\/div><div id=\"ftn639\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref639\" name=\"_ftn639\">[639] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1996<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 88 (1996) 106-107.<\/div><div id=\"ftn640\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref640\" name=\"_ftn640\">[640] <\/a>Le\u00e3o XIII, Carta enc\u00edcl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 129.<\/div><div id=\"ftn641\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref641\" name=\"_ftn641\">[641] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1998, <\/i>6: <i>AAS<\/i> 90 (1998) 153.<\/div><div id=\"ftn642\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref642\" name=\"_ftn642\">[642] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem ao Secret\u00e1rio Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas por ocasi\u00e3o do Encontro Mundial sobre as Crian\u00e7as<\/i> (22 de Setembro de 1990): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1990, p. 13.<\/div><div id=\"ftn643\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref643\" name=\"_ftn643\">[643] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2001<\/i>, 13: <i>AAS <\/i>93 (2001) 241; Pontif\u00edcio Conselho Cor Unum \u2013 Pontif\u00edcio Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, <i>Os refugiados, um desafio \u00e0 solidariedade<\/i>, 6: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1992, p. 8.<\/div><div id=\"ftn644\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref644\" name=\"_ftn644\">[644] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2241.<\/div><div id=\"ftn645\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref645\" name=\"_ftn645\">[645] <\/a>Cf. Santa Sede, <i>Carta dos direitos da fam\u00edlia<\/i>, art.12: Tipografia Poliglota Vaticana, Cidade do Vaticano 1983, 14; Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 77: <i>AAS <\/i>74 (1982) 175-178.<\/div><div id=\"ftn646\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref646\" name=\"_ftn646\">[646] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 66: <i>AAS <\/i>58 (1966) 1087-1088; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1993<\/i>, 3: <i>AAS <\/i>85 (1993) 431-433.<\/div><div id=\"ftn647\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref647\" name=\"_ftn647\">[647] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 21: <i>AAS <\/i>73 (1981) 634.<\/div><div id=\"ftn648\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref648\" name=\"_ftn648\">[648] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 23: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 268-269.<\/div><div id=\"ftn649\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref649\" name=\"_ftn649\">[649] <\/a>Pontif\u00edcio Conselho \u00ab Justi\u00e7a e Paz\u00bb, <i>Para uma melhor distribui\u00e7\u00e3o da terra. O desafio da reforma agr\u00e1ria <\/i>(23 de Novembro de 1997), 13: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1997, p. 15.<\/div><div id=\"ftn650\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref650\" name=\"_ftn650\">[650] <\/a>Cf. Pontif\u00edcio Conselho \u00ab Justi\u00e7a e Paz\u00bb, <i>Para uma melhor distribui\u00e7\u00e3o da terra. O desafio da reforma agr\u00e1ria <\/i>(23 de Novembro de 1997), 35: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1997, p. 30-31.<\/div><div id=\"ftn651\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref651\" name=\"_ftn651\">[651] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS <\/i>73 (1981) 625-629.<\/div><div id=\"ftn652\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref652\" name=\"_ftn652\">[652] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS <\/i>73 (1981) 625-629.<\/div><div id=\"ftn653\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref653\" name=\"_ftn653\">[653] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS <\/i>73 (1981) 629.<\/div><div id=\"ftn654\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref654\" name=\"_ftn654\">[654] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 15: <i>AAS <\/i>83 (1991) 812.<\/div><div id=\"ftn655\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref655\" name=\"_ftn655\">[655] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 18: <i>AAS <\/i>73 (1981) 622-625.<\/div><div id=\"ftn656\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref656\" name=\"_ftn656\">[656] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS <\/i>73 (1981) 625-629.<\/div><div id=\"ftn657\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref657\" name=\"_ftn657\">[657] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS <\/i>73 (1981) 625-629.<\/div><div id=\"ftn658\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref658\" name=\"_ftn658\">[658] <\/a>Cf. Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 135; Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS <\/i>23 (1931) 186; Pio XII, Carta encicl. <i>Sertum laetitiae<\/i>: <i>AAS <\/i>31 (1939) 643; Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS <\/i>55 (1963) 262-263; Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 68: <i>AAS <\/i>58 (1966) 1089-1090; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 20: <i>AAS <\/i>73 (1981) 629-632; Id., Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 7: <i>AAS <\/i>83 (1991) 801-802.<\/div><div id=\"ftn659\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref659\" name=\"_ftn659\">[659] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 19: <i>AAS <\/i>73 (1981) 625-629.<\/div><div id=\"ftn660\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref660\" name=\"_ftn660\">[660] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2434.; cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS <\/i>23 (1931) 198-202: \u00abO justo sal\u00e1rio\u00bb \u00e9 o t\u00edtulo do cap\u00edtulo 4 da Parte II.<\/div><div id=\"ftn661\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref661\" name=\"_ftn661\">[661] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 67: <i>AAS <\/i>58 (1966) 1088-1089.<\/div><div id=\"ftn662\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref662\" name=\"_ftn662\">[662] <\/a>Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 131.<\/div><div id=\"ftn663\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref663\" name=\"_ftn663\">[663] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2435.<\/div><div id=\"ftn664\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref664\" name=\"_ftn664\">[664] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Cost. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 68: <i>AAS <\/i>58 (1966) 1089-1090; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 20: <i>AAS <\/i>73 (1981) 629-632; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2430.<\/div><div id=\"ftn665\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref665\" name=\"_ftn665\">[665] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 20: <i>AAS <\/i>73 (1981) 632.<\/div><div id=\"ftn666\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref666\" name=\"_ftn666\">[666] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2435.<\/div><div id=\"ftn667\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref667\" name=\"_ftn667\">[667] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 20: <i>AAS <\/i>73 (1981) 629.<\/div><div id=\"ftn668\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref668\" name=\"_ftn668\">[668] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 20: <i>AAS <\/i>73 (1981) 630.<\/div><div id=\"ftn669\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref669\" name=\"_ftn669\">[669] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 20: <i>AAS <\/i>73 (1981) 630.<\/div><div id=\"ftn670\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref670\" name=\"_ftn670\">[670] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2430.<\/div><div id=\"ftn671\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref671\" name=\"_ftn671\">[671] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 68: <i>AAS <\/i>58 (1966) 1090.<\/div><div id=\"ftn672\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref672\" name=\"_ftn672\">[672] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 20: <i>AAS <\/i>73 (1981) 631.<\/div><div id=\"ftn673\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref673\" name=\"_ftn673\">[673] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Conferencia Internacional para os representantes sindicais<\/i> (2 de Dezembro de 1996), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 17 de Dezembro de 1996, p. 10.<\/div><div id=\"ftn674\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref674\" name=\"_ftn674\">[674] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 8: <i>AAS <\/i>73 (1981) 597.<\/div><div id=\"ftn675\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref675\" name=\"_ftn675\">[675] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem aos participantes do Encontro Internacional sobre o Trabalho<\/i> (14 de Setembro de 2001), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 22 de Setembro de 2001, p. 11.<\/div><div id=\"ftn676\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref676\" name=\"_ftn676\">[676] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias Sociais <\/i>(27 de Abril de 2001), 2: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 5 de Maio de 2001, p. 5.<\/div><div id=\"ftn677\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref677\" name=\"_ftn677\">[677] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 10: <i>AAS <\/i>73 (1981) 600-602.<\/div><div id=\"ftn678\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref678\" name=\"_ftn678\">[678] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2427.<\/div><div id=\"ftn679\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref679\" name=\"_ftn679\">[679] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 35: <i>AAS <\/i>58 (1966)1053; Paolo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 19: <i>AAS <\/i>59 (1967), 266-267; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 20: <i>AAS <\/i>73 (1981)629-632; Id., Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 28: <i>AAS <\/i>80 (1988) 548-550.<\/div><div id=\"ftn680\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref680\" name=\"_ftn680\">[680] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem aos participantes do Encontro Internacional sobre o Trabalho <\/i>(14 de Setembro de 2001), 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 22 de Setembro de 2001, p. 11.<\/div><div id=\"ftn681\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref681\" name=\"_ftn681\">[681] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso do Santo Padre no encontro com os trabalhadores no final da concelebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica <\/i>(1\u00b0 de Maio de 2000), 2: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 6 de Maio de 2000, p. 7.<\/div><div id=\"ftn682\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref682\" name=\"_ftn682\">[682] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Homilia durante a Santa Missa no Jubileu dos trabalhadores<\/i> (1\u00b0 de Maio de 2000), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 6 de Maio de 2000, p. 6.<\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1232\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1232\" aria-controls=\"collapse1232\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CAP\u00cdTULO VII - A VIDA ECON\u00d4MICA<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1232\" data-parent=\"#sp-ea-123\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1232\"> <div class=\"ea-body\"><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>I. ASPECTOS B\u00cdBLICOS<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"O homem, pobreza e riqueza\"><\/a>O homem, pobreza e riqueza<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>323 <\/b><i>No antigo Testamento se percebe uma dupla postura em rela\u00e7\u00e3o aos bens econ\u00f4micos e a riqueza. Por um lado, apre\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o a disponibilidade dos bens materiais considerados necess\u00e1rios para a vida<\/i>: por vezes a abund\u00e2ncia \u2015 mas n\u00e3o a riqueza e o luxo \u2015 \u00e9 vista como uma b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus. Na literatura sapiencial, a pobreza \u00e9 descrita como uma conseq\u00fc\u00eancia negativa do \u00f3cio e da falta de laboriosidade (cf. <i>Prov<\/i> 10,4), mas tamb\u00e9m como fato natural (cf. <i>Prov<\/i> 22,2). <i>Por um outro lado, os bens econ\u00f4micos e a riqueza n\u00e3o s\u00e3o condenados por si mesmo, mas pelo seu mau uso. <\/i>A tradi\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica estigmatiza as fraudes, a usura, a explora\u00e7\u00e3o, as injusti\u00e7as manifestas, freq\u00fcentes em rela\u00e7\u00e3o aos mais pobres (cf. <i>Is<\/i> 58,3-11; <i>Jr <\/i>7,4-7; <i>Os<\/i> 4,1-2; <i>Am<\/i> 2,6-7; <i>Mq <\/i>2,1-2). Tais tradi\u00e7\u00f5es, mesmo considerando um mal a pobreza dos oprimidos, dos fracos, dos indigentes, neles v\u00ea tamb\u00e9m um s\u00edmbolo da situa\u00e7\u00e3o do homem diante de Deus; d\u2019Ele prov\u00eam todos os bens como dom a ser administrado e a ser partilhado.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>324 <\/b><i>Aquele que reconhece a pr\u00f3pria pobreza diante de Deus, qualquer que seja a situa\u00e7\u00e3o que esteja vivendo, \u00e9 objeto de particular aten\u00e7\u00e3o da parte de Deus<\/i>: quando o pobre O procura, o Senhor responde; quando grita, Ele o escuta. Aos pobres se dirigem as promessas divinas: eles ser\u00e3o os herdeiros da alian\u00e7a entre Deus e o seu povo. A interven\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus se atenuar\u00e1 atrav\u00e9s de um novo David (cf. <i>Ez<\/i> 34,22-31), o qual, como e mais que o Rei David, ser\u00e1 defensor dos pobres e promotor da justi\u00e7a; ele estabelecer\u00e1 uma nova alian\u00e7a e escrever\u00e1 uma nova lei no cora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is (cf. <i>Jr <\/i>31,31-34).<\/p><p><i>A pobreza, quando \u00e9 aceita ou procurada com esp\u00edrito religioso, predisp\u00f5em ao reconhecimento e \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o da ordem criatural<\/i>; o \u00abrico\u00bb, nesta perspectiva, \u00e9 aquele que rep\u00f5em a sua confian\u00e7a nas coisas que possui mais que em Deus, o homem que se faz forte pela obra de suas m\u00e3os e que confia somente nesta for\u00e7a. A pobreza assume o valor moral quando se manifesta como humilde disponibilidade e abertura para com Deus, confian\u00e7a n\u2019Ele. Estas atitudes tornam o homem capaz de reconhecer a relatividade dos bens econ\u00f4micos e dos tratados como dons divinos da administra\u00e7\u00e3o e da partilha, porque a propriedade origin\u00e1ria de todos os bens pertence a Deus.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>325<\/b> <i>Jesus assume toda a tradi\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento tamb\u00e9m sobre os bens econ\u00f4micos, sobre a riqueza e sobre a pobreza, conferindo-lhe uma definitiva clareza e plenitude <\/i>(cf. <i>Mt <\/i>6,24 e 13,22; <i>Lc <\/i>6,20-24 e 12,15-21; <i>Rm <\/i>14,6-8 e 1<i> Tm <\/i>4,4). Ele, doando o Seu Esp\u00edrito e mudando o cora\u00e7\u00e3o, vem instaurar o \u00abReino de Deus\u00bb, de modo a tornar poss\u00edvel uma nova conviv\u00eancia na justi\u00e7a, na fraternidade, na solidariedade e na partilha. O Reino inaugurado por Cristo aperfei\u00e7oa a bondade origin\u00e1ria da cria\u00e7\u00e3o e da atividade humana, comprometida pelo pecado. Liberado do mal e reintroduzido na comunh\u00e3o com Deus, cada homem pode continuar a obra de Jesus, com a ajuda do Seu Esp\u00edrito: fazer justi\u00e7a aos pobres, resgatar os oprimidos, consolar os aflitos, buscar ativamente uma nova ordem social, em que se ofere\u00e7am adequadas solu\u00e7\u00f5es \u00e0 pobreza material e venham impedidas mais eficazmente as for\u00e7as que dificultam as tentativas dos mais fracos de liberarem-se de uma condi\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria e de escravid\u00e3o. Quando isto acontece, o Reino de Deus se faz j\u00e1 presente sobre esta terra, embora n\u00e3o lhe perten\u00e7a. Nisto encontrar\u00e3o finalmente cumprimento as promessas dos Profetas.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>326 <\/b><i>\u00c0 luz da Revela\u00e7\u00e3o, a atividade econ\u00f4mica deve ser considerada e desenvolvida como resposta reconhecida \u00e0 voca\u00e7\u00e3o que Deus reserva a cada homem. <\/i>Ele \u00e9 colocado no jardim para cultiv\u00e1-lo e guard\u00e1-lo, usando-o dentro de limites bem precisos (cf. <i>Gn <\/i>2,16-17), no esfor\u00e7o de aperfei\u00e7oamento (cf. <i>Gn <\/i>1,26-30; 2,15-16; <i>Sab<\/i> 9,2-3). Fazendo-se testemunha da grandeza e da bondade do Criador, o homem caminha para a plenitude da liberdade em que Deus o chama. Uma boa administra\u00e7\u00e3o dos dons recebidos, tamb\u00e9m dos dons materiais, \u00e9 obra de justi\u00e7a para consigo mesmo e para com os outros homens: aquilo que se recebe deve ser bem utilizado, conservado, acrescido, tal como ensina a par\u00e1bola dos talentos (cf. <i>Mt<\/i> 25,14-31; <i>Lc<\/i> 19,12-27).<\/p><p><i>A atividade econ\u00f4mica e o progresso material devem ser colocados a servi\u00e7o do homem e da sociedade<\/i>; se a eles nos dedicarmos com a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade dos disc\u00edpulos de Cristo, a pr\u00f3pria economia e o progresso podem ser transformados em lugares de salva\u00e7\u00e3o e de santifica\u00e7\u00e3o; nestes \u00e2mbitos tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel dar express\u00e3o a um amor e a uma solidariedade mais que humanas e contribuir para o crescimento de uma humanidade nova, que prefigure o mundo dos \u00faltimos tempos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn683\" name=\"_ftnref683\"> [683] <\/a>. Jesus sintetiza toda a Revela\u00e7\u00e3o pedindo ao crente <i>enriquecer diante de Deus <\/i>(cf. <i>Lc <\/i>12,21): tamb\u00e9m a economia \u00e9 \u00fatil para este fito, quando n\u00e3o trai a sua fun\u00e7\u00e3o de instrumento para o crescimento global do homem e das sociedades, da qualidade humana da vida.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>327<\/b> A f\u00e9 em Jesus Cristo consente uma correta compreens\u00e3o do progresso social, no contexto de um humanismo integral e solid\u00e1rio. Para tal fim, \u00e9 assaz \u00fatil o contributo da reflex\u00e3o teol\u00f3gica oferecido pelo Magist\u00e9rio social: \u00abA f\u00e9 em Cristo Redentor, ao mesmo tempo que ilumina a partir de dentro a natureza do desenvolvimento, orienta tamb\u00e9m no trabalho de colabora\u00e7\u00e3o. Na Carta de S\u00e3o Paulo aos Colossenses lemos que Cristo \u00e9 \u201co primog\u00eanito de toda a criatura\u201d, e que \u201ctudo foi criado por Ele e para Ele\u201d (1, 15-16). Com efeito, todas as coisas \u201csubsistem n\u2019Ele\u201d, porque \u201cfoi do agrado de Deus que residisse n\u2019Ele toda a plenitude e, por seu interm\u00e9dio, reconciliar consigo todas as coisas\u201d (<i>ibid<\/i>. 1, 20). Neste plano divino, que come\u00e7a na eternidade em Cristo, \u201cimagem\u201d perfeita do Pai, e culmina n\u2019Ele \u201cprimog\u00eanito dos redivivos\u201d (<i>ibid<\/i>. 1, 15. 18), insere-se a nossa hist\u00f3ria, marcada pelo nosso esfor\u00e7o pessoal e coletivo para elevar a condi\u00e7\u00e3o humana, superar os obst\u00e1culos que reaparecem continuamente ao longo do nosso caminho, dispondo-nos assim a participar na plenitude que \u201creside no Senhor\u201d e que Ele comunica \u201cao seu Corpo, que \u00e9 a Igreja\u201d (<i>ibid<\/i>. 1, 18; cf. Ef 1, 22-23); enquanto que o pecado, o qual sempre nos insidia e compromete as nossas realiza\u00e7\u00f5es humanas, \u00e9 vencido e resgatado pela \u201creconcilia\u00e7\u00e3o\u201d operada por Cristo (cf. <i>Col<\/i> 1, 20)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn684\" name=\"_ftnref684\"> [684] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"As riquezas existem para ser partilhadas\"><\/a>As riquezas existem para ser partilhadas<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>328<\/b> <i>Os bens, ainda que legitimamente possu\u00eddos, mant\u00eam sempre uma destina\u00e7\u00e3o universal: \u00e9 imoral toda a forma de acumula\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita, porque em aberto contraste com a destina\u00e7\u00e3o universal consignada por Deus Criador a todos os bens<\/i>. A salva\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9, efetivamente, uma liberta\u00e7\u00e3o integral do homem, liberta\u00e7\u00e3o da necessidade, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00f3prias posses: \u00abO apego ao dinheiro de fato \u00e9 a raiz de todos os males, pelo seu desejo desenfreado alguns se desviaram da f\u00e9\u00bb (1<i> Tm <\/i>6,10). Os Padres da Igreja insistem sobre a necessidade da convers\u00e3o e da transforma\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias dos fi\u00e9is, mais que sobre as exig\u00eancias de mudan\u00e7a das estruturas sociais e pol\u00edticas de seu tempo, solicitando a quem desempenha uma atividade econ\u00f4mica e possui bens a considerar-se administradores de quanto Deus lhes confiou.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>329 <\/b><i>As riquezas realizam a sua fun\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o ao homem quando destinadas a produzir benef\u00edcios para os outros e a sociedade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn685\" name=\"_ftnref685\"> [685] <\/a><i>: <\/i>\u00abComo poder\u00edamos fazer o bem ao pr\u00f3ximo \u2015 interroga-se Clemente de Alexandria \u2015 se todos n\u00e3o possu\u00edssem nada?\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn686\" name=\"_ftnref686\"> [686] <\/a>. Na vis\u00e3o de S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, as riquezas pertencem a alguns, para que estes possam adquirir m\u00e9rito partilhando com os outros<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn687\" name=\"_ftnref687\"> [687] <\/a>. Elas s\u00e3o um bem que vem de Deus: quem o possuir, deve us\u00e1-lo e faze-lo circular, de sorte que tamb\u00e9m os necessitados possam fruir; o mal est\u00e1 no apego desmedido \u00e0s riquezas, no desejo de a\u00e7ambarc\u00e1-las. S\u00e3o Bas\u00edlio Magno convida os ricos a abrir as portas de seus armaz\u00e9ns e exclama: \u00ab Um grande rio se derrama, em mil canais, sobre o terreno f\u00e9rtil: de igual modo, por mil vias, tu faze chegar a riqueza \u00e0 habita\u00e7\u00e3o dos pobres \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn688\" name=\"_ftnref688\"> [688] <\/a>. A riqueza, explica S\u00e3o Bas\u00edlio, \u00e9 como a \u00e1gua que flui mais pura da fonte na medida em que dela se haure com mais freq\u00fc\u00eancia, mas que apodrece se a fonte permanece inutilizada<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn689\" name=\"_ftnref689\"> [689] <\/a>. O rico, dir\u00e1 mais tarde S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno, n\u00e3o \u00e9 mais que um administrador daquilo que possui; dar o necess\u00e1rio a quem necessita \u00e9 obra a ser cumprida com humildade, porque os bens n\u00e3o pertencem a quem os distribui. Quem tem as riquezas somente para si n\u00e3o \u00e9 inocente; dar a quem tem necessidade significa pagar um d\u00e9bito<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn690\" name=\"_ftnref690\"> [690] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b><a name=\"II. MORAL E ECONOMIA\"><\/a>II. MORAL E ECONOMIA<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>330<\/b> <i>A doutrina social da Igreja insiste sobre a conota\u00e7\u00e3o moral da economia. <\/i>Pio XI, em uma p\u00e1gina da Enc\u00edclica \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/pius_xi\/encyclicals\/documents\/hf_p-xi_enc_19310515_quadragesimo-anno_po.html\">Quadragesimo anno<\/a><\/i>\u00bb, enfrenta a rela\u00e7\u00e3o entre economia e a moral: \u00abPois ainda que a economia e a moral \u201cse regulam, cada uma no seu \u00e2mbito, por princ\u00edpios pr\u00f3prios\u201d, \u00e9 erro julgar a ordem econ\u00f4mica e a moral t\u00e3o encontradas e alheias entre si, que de modo nenhum aquela dependa desta. Com efeito, as chamadas leis econ\u00f4micas, deduzidas da pr\u00f3pria natureza das coisas e da \u00edndole do corpo e da alma, determinam os fins que a atividade humana se n\u00e3o pode propor, e os que pode procurar com todos os meios no campo econ\u00f4mico; e a raz\u00e3o mostra claramente, da mesma natureza das coisas e da natureza individual e social do homem, o fim imposto pelo Criador a toda a ordem econ\u00f4mica. Por sua parte, a lei moral manda-nos prosseguir tanto o fim supremo e \u00faltimo em todo o exerc\u00edcio da nossa atividade, como, nos diferentes dom\u00ednios por onde ela se reparte, os fins particulares impostos pela natureza, ou melhor, por Deus autor da mesma; subordinando sempre estes fins \u00e0quele, como pede a boa ordem\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn691\" name=\"_ftnref691\"> [691] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>331<\/b> <i>A rela\u00e7\u00e3o entre moral e economia \u00e9 necess\u00e1ria e intr\u00ednseca: atividade econ\u00f4mica e comportamento moral se compenetram intimamente. A distin\u00e7\u00e3o entre moral e economia n\u00e3o implica uma separa\u00e7\u00e3o entre os dois \u00e2mbitos, mas, ao contr\u00e1rio, uma importante reciprocidade<\/i>. Assim como no \u00e2mbito moral se devem ter em conta as raz\u00f5es e as exig\u00eancias da economia, atuando no campo econ\u00f4mico \u00e9 imperioso abrir-se \u00e0s inst\u00e2ncias morais : \u00abTamb\u00e9m na vida econ\u00f4mico-social se deve respeitar e fomentar a dignidade da pessoa humana, a sua voca\u00e7\u00e3o integral e o bem de toda a sociedade. Pois o homem \u00e9 o autor, o centro e o fim de toda a vida econ\u00f4mico-social \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn692\" name=\"_ftnref692\"> [692] <\/a>. Dar o justo e devido peso \u00e0s raz\u00f5es pr\u00f3prias da economia n\u00e3o significa rejeitar como irracional qualquer considera\u00e7\u00e3o de ordem metaecon\u00f4mica, precisamente porque o fim da economia n\u00e3o est\u00e1 na economia mesma, mas na sua destina\u00e7\u00e3o humana e social<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn693\" name=\"_ftnref693\"> [693] <\/a>. \u00c0 economia, com efeito, tanto no \u00e2mbito cient\u00edfico, como em n\u00edvel de praxe, n\u00e3o \u00e9 confiado o fim da realiza\u00e7\u00e3o do homem e da boa conviv\u00eancia humana, mas uma tarefa parcial: a produ\u00e7\u00e3o, a distribui\u00e7\u00e3o e o consumo dos bens materiais e de servi\u00e7os.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>332 <\/b><i>A dimens\u00e3o moral da economia faz tomar como finalidades indivis\u00edveis, nunca separadas e alternativas, a efici\u00eancia econ\u00f4mica e a promo\u00e7\u00e3o de um desenvolvimento solid\u00e1rio da humanidade<\/i>. A moral, constitutiva da vida econ\u00f4mica, n\u00e3o \u00e9 nem opositiva, nem neutra: inspira-se na justi\u00e7a e na solidariedade, constitui um fator de efici\u00eancia social da pr\u00f3pria economia. \u00c9 um dever desempenhar de modo eficiente a atividade de produ\u00e7\u00e3o dos bens, pois do contr\u00e1rio se desperdi\u00e7am recursos; mas n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel um crescimento econ\u00f4mico obtido em detrimento dos seres humanos, de povos inteiros e de grupos sociais, condenados \u00e0 indig\u00eancia e \u00e0 exclus\u00e3o. A expans\u00e3o da riqueza, vis\u00edvel na disponibilidade dos bens e dos servi\u00e7os, e a exig\u00eancia moral de uma difus\u00e3o eq\u00fcitativa destes \u00faltimos devem estimular o homem e a sociedade como um todo a praticar a virtude essencial da solidariedade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn694\" name=\"_ftnref694\"> [694] <\/a>, para com\u00adbater, no esp\u00edrito da justi\u00e7a e da caridade, onde quer que se revele a sua presen\u00e7a, as \u00abestruturas de pecado\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn695\" name=\"_ftnref695\"> [695] <\/a>que geram e mant\u00e9m pobreza, subdesenvolvimento e degrada\u00e7\u00e3o. Tais estruturas s\u00e3o edificadas e consolidadas por muitos atos concretos de ego\u00edsmo humano.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>333<\/b> <i>Para assumir um car\u00e1ter moral, a atividade econ\u00f4mica deve ter como sujeitos todos os homens e todos os povos<\/i>. Todos t\u00eam o direito de participar da vida econ\u00f4mica e o dever de contribuir, segundo as pr\u00f3prias capacidades, do progresso do pr\u00f3prio pa\u00eds e de toda a fam\u00edlia humana<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn696\" name=\"_ftnref696\"> [696] <\/a>. Se, em certa medida, todos s\u00e3o respons\u00e1veis por todos, cada qual tem o dever de esfor\u00e7ar-se pelo desenvolvimento econ\u00f4mico de todos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn697\" name=\"_ftnref697\"> [697] <\/a>: \u00e9 dever de solidariedade e de justi\u00e7a, mas tamb\u00e9m o caminho melhor para fazer progredir a humanidade toda. Vivida moralmente, a economia \u00e9 pois presta\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o rec\u00edproco, mediante a produ\u00e7\u00e3o dos bens e servi\u00e7os \u00fateis ao crescimento de cada um, e torna-se oportunidade para cada homem de viver a solidariedade e a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00abcomunh\u00e3o com os outros homens para a qual Deus o criou\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn698\" name=\"_ftnref698\"> [698] <\/a>. O esfor\u00e7o de conceber e realizar projetos econ\u00f4mico-sociais capazes de propiciar uma sociedade mais eq\u00fcitativa e um mundo mais humano representa um desafio \u00e1rduo, mas tamb\u00e9m um dever estimulante, para todos os operadores econ\u00f4micos e para os cultores das ci\u00eancias econ\u00f4micas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn699\" name=\"_ftnref699\"> [699] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>334 <\/b><i>Objeto da economia \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o da riqueza e o seu incremento progressivo, em termos n\u00e3o apenas quantitativos, mas qualitativos: tudo isto \u00e9 moralmente correto se orientado para o desenvolvimento global e solid\u00e1rio do homem e da sociedade em que ele vive e atua<\/i>. O desenvolvimento, com efeito, n\u00e3o pode ser reduzido a mero processo de acumula\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os. Ao contrario, a pura acumula\u00e7\u00e3o, ainda que em vista do bem comum, n\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o suficiente par a realiza\u00e7\u00e3o da aut\u00eantica felicidade humana. Nesse sentido, o Magist\u00e9rio social alerta para a ins\u00eddia que um tipo de desenvolvimento t\u00e3o-somente quantitativo esconde, pois a \u00ab<i>excessiva<\/i>disponibilidade de todo o g\u00eanero de bens materiais, em favor de algumas camadas sociais, torna facilmente os homens escravos da \u201cposse\u201d e do gozo imediato... \u00c9 o que se chama a civiliza\u00e7\u00e3o do \u201cconsumo\u201d, ou consumismo...\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn700\" name=\"_ftnref700\"> [700] <\/a>.<\/p><p><b>335 <\/b><i>Na perspectiva do desenvolvimento integral e solid\u00e1rio, pode-se dar uma justa aprecia\u00e7\u00e3o \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o moral que a doutrina social oferece sobre a economia de mercado ou, simplesmente, economia livre<\/i>: \u00abSe por \u201ccapitalismo\u201d se indica um sistema econ\u00f4mico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada e da conseq\u00fcente responsabilidade pelos meios de produ\u00e7\u00e3o, da livre criatividade humana no sector da economia, a resposta \u00e9 certamente positiva, embora talvez fosse mais apropriado falar de \u201ceconomia de empresa\u201d, ou de \u201ceconomia de mercado\u201d, ou simplesmente de \u201ceconomia livre\u201d. Mas se por \u201ccapitalismo\u201d se entende um sistema onde a liberdade no setor da economia n\u00e3o est\u00e1 enquadrada num s\u00f3lido contexto jur\u00eddico que a coloque ao servi\u00e7o da liberdade humana integral e a considere como uma particular dimens\u00e3o desta liberdade, cujo centro seja \u00e9tico e religioso, ent\u00e3o a resposta \u00e9 sem d\u00favida negativa\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn701\" name=\"_ftnref701\"> [701] <\/a>. Assim se define a perspectiva crist\u00e3 acerca das condi\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas da atividade econ\u00f4mica: n\u00e3o s\u00f3 as suas regras, mas a sua qualidade moral e o seu significado.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><b>III. INICIATIVA PRIVADA E EMPRESA<\/b><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>336 <\/b><i>A doutrina social da Igreja considera a liberdade da pessoa em campo econ\u00f4mico um valor fundamental e um direito inalien\u00e1vel a ser promovido e tutelado<\/i>: \u00abCada um tem o <i>direito de iniciativa econ\u00f4mica<\/i>, cada um usar\u00e1 legitimamente de seus talentos para contribuir para uma abund\u00e2ncia que seja de proveito para todos e para colher os justos frutos de seus esfor\u00e7os\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn702\" name=\"_ftnref702\"> [702] <\/a>. Tal ensinamento p\u00f5e de guarda contra as conseq\u00fc\u00eancias negativas que derivariam da mortifica\u00e7\u00e3o ou nega\u00e7\u00e3o do direito de iniciativa econ\u00f4mica: \u00abA experi\u00eancia demonstra-nos que a nega\u00e7\u00e3o deste direito ou a sua limita\u00e7\u00e3o, em nome de uma pretensa \u201cigualdade\u201d de todos na sociedade, \u00e9 algo que reduz, se \u00e9 que n\u00e3o chega mesmo a destruir de fato, o esp\u00edrito de iniciativa, isto \u00e9, <i>a subjetividade criadora do cidad\u00e3o<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn703\" name=\"_ftnref703\"> [703] <\/a>. Nesta perspectiva, a iniciativa livre e respons\u00e1vel em campo econ\u00f4mico pode ser definida como um ato que revela a humanidade do homem enquanto sujeito criativo e relacional. Tal iniciativa deve gozar, portanto, de <i>um espa\u00e7o amplo<\/i>. O Estado tem a obriga\u00e7\u00e3o moral de p\u00f4r v\u00ednculos estreitos somente em vista das incompatibilidades entre a busca do bem comum e o tipo de atividade econ\u00f4mica iniciada ou as suas modalidades de realiza\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn704\" name=\"_ftnref704\"> [704] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>337<\/b> <i>A dimens\u00e3o criativa \u00e9 um elemento essencial do agir humano, tamb\u00e9m em campo empresarial, e se manifesta especialmente na aptid\u00e3o a projetar e a inovar<\/i>: \u00abOrganizar um tal esfor\u00e7o produtivo, planear a sua dura\u00e7\u00e3o no tempo, procurar que corresponda positivamente \u00e0s necessidades que deve satisfazer, assumindo os riscos necess\u00e1rios: tamb\u00e9m esta \u00e9 uma fonte de riqueza na sociedade atual. Assim aparece cada vez mais evidente e determinante o papel do trabalho humano disciplinado e criativo e \u2014 enquanto parte essencial desse trabalho \u2014 <i>das capacidades de iniciativa e de empreendimento<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn705\" name=\"_ftnref705\"> [705] <\/a>. Na base de tal ensinamento deve ser individuada a convic\u00e7\u00e3o de que \u00aba riqueza principal do homem \u00e9, em conjunto com a terra, o <i>pr\u00f3prio homem. <\/i>\u00c9 a sua intelig\u00eancia que o leva a descobrir as potencialidades produtivas da terra e as m\u00faltiplas modalidades atrav\u00e9s das quais podem ser satisfeitas as necessidades humanas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn706\" name=\"_ftnref706\"> [706] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"A empresa e seus fins\"><\/a>A empresa e seus fins<\/b><\/span><\/p><p><b>338 <\/b><i>A empresa deve caracterizar-se pela capacidade de servir o bem comum da sociedade mediante a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os \u00fateis<\/i>. Procurando produzir bens e servi\u00e7os em uma l\u00f3gica de efici\u00eancia e de satisfa\u00e7\u00e3o dos interesses dos diversos sujeitos implicados, ela cria riqueza para toda a sociedade: n\u00e3o s\u00f3 para os propriet\u00e1rios, mas tamb\u00e9m para os outros sujeitos interessados na sua atividade. Al\u00e9m de tal fun\u00e7\u00e3o tipicamente econ\u00f4mica,<i> a empresa cumpre tamb\u00e9m uma fun\u00e7\u00e3o social, criando oportunidades de encontro, de colabora\u00e7\u00e3o, de valoriza\u00e7\u00e3o das capacidades das pessoas envolvidas<\/i>. Na empresa, portanto, a dimens\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para que se possam alcan\u00e7ar objetivos n\u00e3o apenas econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m sociais e morais, a perseguir conjuntamente.<b><\/b><\/p><p><i>O objetivo da empresa deve ser realizado em termos e com crit\u00e9rios econ\u00f4micos, mas n\u00e3o devem ser descurados os aut\u00eanticos valores que permitem o desenvolvimento concreto da pessoa e da sociedade<\/i>. Nesta vis\u00e3o personalista e comunit\u00e1ria, \u00abA empresa n\u00e3o pode ser considerada apenas como uma \u201csociedade de capitais\u201d; \u00e9 simultaneamente uma \u201csociedade de pessoas\u201d, da qual fazem parte, de modo diverso e com espec\u00edficas responsabilidades, quer aqueles que fornecem o capital necess\u00e1rio para a sua atividade, quer aqueles que colaboram com o seu trabalho\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn707\" name=\"_ftnref707\"> [707] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>339<\/b> <i>Os componentes da empresa devem ser conscientes de que a comunidade na qual atuam representa um bem para todos e n\u00e3o uma estrutura que permite satisfazer exclusivamente os interesses pessoais de alguns<\/i>. Somente tal consci\u00eancia permite chegar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma economia verdadeiramente ao servi\u00e7o do homem e de elaborar um projeto de real coopera\u00e7\u00e3o entre as partes sociais.<\/p><p><i>Um exemplo muito importante e significativo na dire\u00e7\u00e3o indicada prov\u00e9m da atividade das empresas cooperativas, das empresas artesanais e das agr\u00edcolas de dimens\u00f5es familiares<\/i>. A doutrina social tem sublinhado o valor do contributo que elas oferecem para a valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho, para o crescimento do sentido de responsabilidade pessoal e social, para a vida democr\u00e1tica, para os valores humanos \u00fateis ao progresso do mercado e da sociedade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn708\" name=\"_ftnref708\"> [708] <\/a>.<\/p><p><b>340<\/b> <i>A doutrina social reconhece a justa fun\u00e7\u00e3o do lucro, como primeiro indicador do bom andamento da empresa<\/i>: \u00abquando esta d\u00e1 lucro, isso significa que os fatores produtivos foram adequadamente usados e as correlativas necessidades humanas devidamente satisfeitas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn709\" name=\"_ftnref709\"> [709] <\/a>. Isto n\u00e3o ofusca a consci\u00eancia do fato de que <i>nem sempre o lucro indica que a empresa est\u00e1 servindo adequadamente a sociedade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn710\" name=\"_ftnref710\"> [710] <\/a>. \u00c9 poss\u00edvel, por exemplo, \u00abque a contabilidade esteja em ordem e simultaneamente os homens, que constituem o patrim\u00f4nio mais precioso da empresa, sejam humilhados e ofendidos na sua dignidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn711\" name=\"_ftnref711\"> [711] <\/a>. \u00c9 o que acontece quando a empresa est\u00e1 inserida em sistemas s\u00f3cio-culturais caracterizados pela explora\u00e7\u00e3o das pessoas, inclinados a fugir \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a social e a violar os direitos dos trabalhadores.<\/p><p><i>\u00c9 indispens\u00e1vel que, no interior da empresa, a leg\u00edtima busca do lucro se harmonize com a irrenunci\u00e1vel tutela da dignidade das pessoas que, a v\u00e1rio t\u00edtulo, atuam na mesma empresa<\/i>. As duas exig\u00eancias n\u00e3o est\u00e3o absolutamente em contraste uma com a outra, pois que, de um lado, n\u00e3o seria realista pensar em garantir o futuro da empresa sem a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os e sem conseguir lucros que sejam fruto da atividade econ\u00f4mica realizada; por outro lado, consentindo crescer \u00e0 pessoa que trabalha, se favorecem uma maior produtividade e efic\u00e1cia do trabalho mesmo. A empresa deve ser uma comunidade solid\u00e1ria<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn712\" name=\"_ftnref712\"> [712] <\/a>n\u00e3o fechada nos interesses corporativos, tender a uma \u00abecologia social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn713\" name=\"_ftnref713\"> [713] <\/a>do trabalho, e contribuir para o bem comum mediante a salvaguarda do meio ambiente natural.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>341 <\/b><i>Se na atividade econ\u00f4mica e financeira a busca de um lucro eq\u00fcitativo \u00e9 aceit\u00e1vel, o recurso \u00e0 usura \u00e9 moralmente condenado<\/i>: \u00abTodo aquele que em seus neg\u00f3cios se der a pr\u00e1ticas usur\u00e1rias e mercantis que provocam a fome e a morte de seus irm\u00e3os (homens) comete indiretamente um homic\u00eddio, que lhe \u00e9 imput\u00e1vel\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn714\" name=\"_ftnref714\"> [714] <\/a>. Tal condena\u00e7\u00e3o estende-se tamb\u00e9m \u00e0s rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas internacionais, especialmente pelo que respeita a situa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses menos avan\u00e7ados, aos quais n\u00e3o podem ser aplicados \u00absistemas financeiros abusivos e mesmo usur\u00e1rios\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn715\" name=\"_ftnref715\"> [715] <\/a>. O Magist\u00e9rio mais recente tem reservado palavras fortes e claras para uma pr\u00e1tica ainda hoje dramaticamente estendida: \u00abn\u00e3o praticar a usura, chaga que ainda nos nossos dias \u00e9 uma realidade vil, capaz de aniquilar a vida de muitas pessoas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn716\" name=\"_ftnref716\"> [716] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>342.<\/b> <i>A empresa se move hoje no quadro de cen\u00e1rios econ\u00f4micos de dimens\u00f5es mais cada vez amplas<\/i>, nos quais os Estados nacionais mostram limites na capacidade de governar os processos de mudan\u00e7a por que passam as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4mico-financeiras internacionais; esta situa\u00e7\u00e3o induz as empresas a <i>assumir responsabilidades novas e maiores em rela\u00e7\u00e3o ao passado<\/i>. Nunca como hoje o seu papel aparece determinante em vista de um desenvolvimento autenticamente solid\u00e1rio e integral da humanidade e \u00e9 igualmente decisivo, neste sentido, o seu n\u00edvel de consci\u00eancia do fato de que o \u00abdesenvolvimento ou se torna comum a todas as partes do mundo, ou ent\u00e3o sofre um processo de regress\u00e3o mesmo nas zonas caracterizadas por um constante progresso. Este fen\u00f4meno \u00e9 particularmente indicativo da natureza do desenvolvimento <i>aut\u00eantico<\/i>: ou nele participam todas as na\u00e7\u00f5es do mundo, ou n\u00e3o ser\u00e1 na verdade desenvolvimento\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn717\" name=\"_ftnref717\"> [717] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"O papel do empres\u00e1rio e do dirigente de empresa\"><\/a>O papel do empres\u00e1rio e do dirigente de empresa<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>343<\/b> <i>A iniciativa econ\u00f4mica \u00e9 express\u00e3o da intelig\u00eancia humana e da exig\u00eancia de responder \u00e0s necessidades do homem de modo criativo e colaborativo. <\/i>Na criatividade e na coopera\u00e7\u00e3o est\u00e1 inscrita a aut\u00eantica concep\u00e7\u00e3o da competi\u00e7\u00e3o empresarial: um <i>cum-petere<\/i>, ou seja, um buscar junto as solu\u00e7\u00f5es mais adequadas para responder do modo mais apropriado \u00e0s necessidades que passo a passo v\u00eam \u00e0 tona. O sentido de responsabilidade que brota da livre iniciativa econ\u00f4mica se configura n\u00e3o s\u00f3 como <i>virtude individual<\/i> indispens\u00e1vel para o crescimento humano do indiv\u00edduo, mas tamb\u00e9m como <i>virtude social<\/i> necess\u00e1ria ao desenvolvimento de uma comunidade solid\u00e1ria: \u00abPara este processo, concorrem importantes virtudes, tais como a dilig\u00eancia, a laboriosidade, a prud\u00eancia em assumir riscos razo\u00e1veis, a confian\u00e7a e fidelidade nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, a coragem na execu\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es dif\u00edceis e dolorosas, mas necess\u00e1rias para o trabalho comum da empresa, e para enfrentar os eventuais reveses da vida \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn718\" name=\"_ftnref718\"> [718] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>344 <\/b><i>Os pap\u00e9is do empres\u00e1rio e do dirigente reveste uma import\u00e2ncia central do ponto de vista social, porque se colocam no cora\u00e7\u00e3o daquela rede de liames t\u00e9cnicos, comerciais, financeiros, culturais, que caracterizam a moderna realidade da empresa. <\/i>Dado que as decis\u00f5es empresariais produzem, em raz\u00e3o da crescente complexidade da atividade empresarial, uma multiplicidade de efeitos conjuntos de grande relev\u00e2ncia n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m social, o exerc\u00edcio das responsabilidades empresariais e dirigenciais exige, al\u00e9m de um esfor\u00e7o cont\u00ednuo de atualiza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, uma constante reflex\u00e3o sobre as motiva\u00e7\u00f5es morais que devem guiar as op\u00e7\u00f5es pessoais de quem esta investido de tais encargos.<\/p><p><i>Os empres\u00e1rios e os dirigentes n\u00e3o podem levar em conta exclusivamente o objetivo econ\u00f4mico da empresa, os crit\u00e9rios de efici\u00eancia econ\u00f4mica, as exig\u00eancias do cuidado do \u00abcapital\u00bb como conjunto dos meios de produ\u00e7\u00e3o: \u00e9 tamb\u00e9m um preciso dever deles o concreto respeito da dignidade humana dos trabalhadores que atuam na empresa<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn719\" name=\"_ftnref719\"> [719] <\/a>. Estes \u00faltimos constituem \u00abo patrim\u00f4nio mais precioso da empresa\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn720\" name=\"_ftnref720\"> [720] <\/a>, o fator decisivo da produ\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn721\" name=\"_ftnref721\"> [721] <\/a>. Nas grandes decis\u00f5es estrat\u00e9gicas e financeiras, de compra ou de venda, de redimensionamento ou fechamento das filiais, na pol\u00edtica das fus\u00f5es, n\u00e3o se pode limitar exclusivamente a crit\u00e9rios de natureza financeira ou comercial.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>345<\/b> <i>A doutrina social insiste na necessidade de que o empres\u00e1rio e o dirigente se empenhem em estruturar a atividade profissional nas suas empresas de modo a favorecer a fam\u00edlia,<\/i> especialmente as m\u00e3es de fam\u00edlia no cumprimento das suas fun\u00e7\u00f5es<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn722\" name=\"_ftnref722\"> [722] <\/a>; <i>respondam, \u00e0 luz de uma vis\u00e3o integral do homem e do desenvolvimento, \u00e0 demanda de qualidade<\/i> \u00abdas mercadorias a produzir e a consumir, qualidade dos servi\u00e7os a ser utilizados, qualidade do ambiente e da vida em geral\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn723\" name=\"_ftnref723\"> [723] <\/a>; invistam, sempre que se apresentarem as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e de estabilidade pol\u00edtica, nos lugares e nos setores produtivos que oferecem a indiv\u00edduos e povos<i> <\/i>\u00aba ocasi\u00e3o de valorizar o pr\u00f3prio trabalho\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn724\" name=\"_ftnref724\"> [724] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>IV. INSTITUI\u00c7\u00d5ES ECON\u00d4MICAS<br \/>AO SERVI\u00c7O DO HOMEM<\/b><\/span><\/p><p><b>346.<\/b> <i>Uma das quest\u00f5es priorit\u00e1rias na economia \u00e9 o emprego dos recursos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn725\" name=\"_ftnref725\"> [725] <\/a><i>, isto \u00e9, de todos aqueles bens e servi\u00e7os cujos sujeitos econ\u00f4micos, produtores e consumidores privados e p\u00fablicos, atribuem um valor para a utilidade destes inerentes no campo da produ\u00e7\u00e3o e do consumo.<\/i> Na natureza os recursos s\u00e3o quantitativamente escassos e isto implica, necessariamente, que cada sujeito econ\u00f4mico, assim como cada sociedade, deva elaborar alguma estrat\u00e9gia para empreg\u00e1-los do modo mais racional poss\u00edvel, seguindo a l\u00f3gica ditada pelo <i>princ\u00edpio de economia.<\/i> Disto dependem seja a efetiva solu\u00e7\u00e3o do problema econ\u00f4mico mais geral, e fundamentalmente, da limita\u00e7\u00e3o dos meios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades individuais e sociais, privados e p\u00fablicos, seja a efici\u00eancia completiva, estrutural e funcional, de todo o sistema econ\u00f4mico. Tal efici\u00eancia chama diretamente em causa a responsabilidade e a capacidade de v\u00e1rios sujeitos, como o mercado, o Estado e os corpos sociais intermedi\u00e1rios.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"O papel do mercado livre\"><\/a>O papel do mercado livre<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>347<\/b> <i>O livre mercado \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o socialmente importante para a sua capacidade de garantir resultados eficientes na produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os<\/i>. Historicamente, o mercado deu provas de saber impulsionar e manter, por longo per\u00edodo, o desenvolvimento econ\u00f4mico. Existem boas raz\u00f5es para acreditar que, em muitas circunst\u00e2ncias, \u00ab<i>o livre mercado<\/i> seja o instrumento mais eficaz para colocar os recursos e responder eficazmente as necessidades\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn726\" name=\"_ftnref726\"> [726] <\/a>. A doutrina social da Igreja aprecia as vantagens seguras que os mecanismos do livre mercado oferecem, seja para uma melhor utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos, seja para facilitar a troca de produtos; estes mecanismos \u00ab sobretudo, colocam no centro a vontade e as prefer\u00eancias da pessoa que no contrato se encontram com aqueles de uma outra pessoa\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn727\" name=\"_ftnref727\"> [727] <\/a>.<\/p><p><i>Um verdadeiro mercado concorrencial \u00e9 um instrumento eficaz para alcan\u00e7ar importantes objetivos de justi\u00e7a<\/i>: moderar os excessos de lucros das empresas singulares; responder \u00e0s exig\u00eancias dos consumidores; realizar uma melhor utiliza\u00e7\u00e3o e economia dos recursos; premiar os esfor\u00e7os empresariais e a habilidade de inova\u00e7\u00e3o; fazer circular a informa\u00e7\u00e3o, em modo que seja verdadeiramente poss\u00edvel confrontar e adquirir os produtos em um contexto de saud\u00e1vel concorr\u00eancia.<\/p><p><b>348<\/b> <i>O livre mercado n\u00e3o pode ser julgado prescindindo dos fins que persegue e doa valores que transmite em n\u00edvel social.<\/i> O mercado, de fato, n\u00e3o pode encontrar em si mesmo o princ\u00edpio da pr\u00f3pria legitima\u00e7\u00e3o. Cabe \u00e0 consci\u00eancia individual e \u00e0 responsabilidade p\u00fablica estabelecer uma justa rela\u00e7\u00e3o entre meios e fim<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn728\" name=\"_ftnref728\"> [728] <\/a>. O <i>benef\u00edcio<\/i> <i>individual<\/i> do operador econ\u00f4mico, se bem que leg\u00edtimo, jamais deve tornar-se o \u00fanico objetivo. Ao lado deste, existe um outro, tamb\u00e9m fundamental e superior, aquele da <i>utilidade social,<\/i> que deve encontrar realiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o em contraste, mas em coer\u00eancia com a l\u00f3gica de mercado. Quando desempenha as importantes fun\u00e7\u00f5es acima recordadas, o livre mercado torna-se funcional ao bem e ao desenvolvimento integral do homem, enquanto a invers\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre meios e fins pode faz\u00ea-lo degenerar em uma institui\u00e7\u00e3o desumana e alienante, com repercuss\u00f5es incontrol\u00e1veis.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>349<\/b> <i>A doutrina social da Igreja, ainda que reconhecendo ao mercado a fun\u00e7\u00e3o de instrumento insubstitu\u00edvel de regula\u00e7\u00e3o no interior do sistema econ\u00f4mico, coloca em evid\u00eancia a necessidade de ancor\u00e1-lo \u00e0 finalidade moral, que assegurem e, ao mesmo tempo, circunscrevam adequadamente o espa\u00e7o de sua autonomia<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn729\" name=\"_ftnref729\"> [729] <\/a>. A id\u00e9ia de que se possa confiar t\u00e3o-somente ao mercado o fornecimento de todas as categorias de bens n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel, porque baseada numa vis\u00e3o redutiva da pessoa e da sociedade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn730\" name=\"_ftnref730\"> [730] <\/a>. Diante do concreto risco de uma \u00ab idolatria \u00bb do mercado, a doutrina social da Igreja lhe ressalta o limite, facilmente revel\u00e1veis em a sua constatada incapacidade de satisfazer as exig\u00eancias humanas importantes, pelas quais h\u00e1 a necessidade de bens que, \u00abpor sua natureza, n\u00e3o s\u00e3o e n\u00e3o podem ser simples mercadorias\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn731\" name=\"_ftnref731\"> [731] <\/a>, bens n\u00e3o negoci\u00e1veis segundo a regra da \u00abtroca de equivalentes\u00bb e a l\u00f3gica do contrato, t\u00edpicas do mercado.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>350<\/b> <i>O mercado assume uma fun\u00e7\u00e3o social e relevante nas sociedades contempor\u00e2neas, por isso \u00e9 importante individuar as potencialidades mais positivas e criar condi\u00e7\u00f5es que permitam a sua concreta expans\u00e3o<\/i>. Os operadores devem ser efetivamente livres para confrontar, avaliar e escolher entre as v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es, todavia a liberdade, no \u00e2mbito econ\u00f4mico, deve ser regulada por um apropriado quadro jur\u00eddico tal da coloc\u00e1-la a servi\u00e7o da liberdade humana integral: \u00aba liberdade econ\u00f4mica \u00e9 apenas um elemento da liberdade humana. Quando aquela se torna aut\u00f4noma, isto \u00e9, quando o homem \u00e9 visto mais como um produtor ou um consumidor de bens do que como um sujeito que produz e consome para viver, ent\u00e3o ela perde a sua necess\u00e1ria rela\u00e7\u00e3o com a pessoa humana e acaba por a alienar e oprimir\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn732\" name=\"_ftnref732\"> [732] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <a name=\"A a\u00e7\u00e3o do Estado\"><\/a><b>A a\u00e7\u00e3o do Estado<\/b><\/span><a name=\"A a\u00e7\u00e3o do Estado\"><\/a><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>351<\/b> <i>A a\u00e7\u00e3o do estado e dos outros poderes p\u00fablicos deve conformar-se com o princ\u00edpio da subsidiariedade para criar situa\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao livre exerc\u00edcio da atividade econ\u00f4mica; esta deve inspirar-se tamb\u00e9m no princ\u00edpio de solidariedade e estabelecer os limites da autonomia das partes para defender a parte mais fr\u00e1geis<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn733\" name=\"_ftnref733\"> [733] <\/a>. A solidariedade sem subsidiariedade pode, de fato, degenerar facilmente em assistencialismo, ao passo que a subsidiariedade sem a solidariedade se exp\u00f5e ao risco de alimentar formas de localismo ego\u00edsta. Para respeitar estes dois fundamentais princ\u00edpios, a interven\u00e7\u00e3o do Estado em \u00e2mbito econ\u00f4mico n\u00e3o deve ser nem a\u00e7ambarcadora, nem remissiva, mas sim apropriada \u00e0s reais exig\u00eancias da sociedade: \u00abO Estado tem o dever de secundar a atividades das empresas, criando as condi\u00e7\u00f5es que garantam ocasi\u00f5es de trabalho, estimulando-a onde for insuficiente e apoiando-a nos momentos de crise. O Estado tem tamb\u00e9m o direito de intervir quando situa\u00e7\u00f5es particulares de monop\u00f3lio criem atrasos ou obst\u00e1culos ao desenvolvimento. Mas, al\u00e9m destas tarefas de harmoniza\u00e7\u00e3o e condu\u00e7\u00e3o do progresso, pode desempenhar <i>fun\u00e7\u00f5es de supl\u00eancia <\/i>em situa\u00e7\u00f5es excepcionais\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn734\" name=\"_ftnref734\"> [734] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>352<\/b> <i>A tarefa fundamental do Estado em \u00e2mbito econ\u00f4mico \u00e9 o de definir um quadro jur\u00eddico apto a regular as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas<\/i>, com a finalidade de \u00absalvaguardar ... as condi\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias de uma livre economia, que pressup\u00f5e uma certa igualdade entre as partes, de modo que uma delas n\u00e3o seja de tal maneira mais poderosa que a outra que praticamente a possa reduzir \u00e0 escravid\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn735\" name=\"_ftnref735\"> [735] <\/a>. A atividade econ\u00f4mica, sobretudo num contexto de livre mercado, n\u00e3o pode desenrolar-se num vazio institucional, jur\u00eddico e pol\u00edtico: \u00abPelo contr\u00e1rio, sup\u00f5e seguran\u00e7a no referente \u00e0s garantias da liberdade individual e da propriedade, al\u00e9m de uma moeda est\u00e1vel e servi\u00e7os p\u00fablicos eficientes\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn736\" name=\"_ftnref736\"> [736] <\/a>. Para cumprir a sua tarefa, o Estado deve elaborar uma legisla\u00e7\u00e3o apropriada, mas tamb\u00e9m orientar cuidadosamente as pol\u00edticas econ\u00f4micas, de modo a n\u00e3o se tornar prevaricador nas v\u00e1rias atividades de mercado, cuja atua\u00e7\u00e3o deve permanecer livre de superestruturas e coer\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias ou, pior, totalit\u00e1rias.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>353<\/b> <i>\u00c9 necess\u00e1rio que mercado e Estado ajam de concerto um com o outro e se tornem complementares. O livre mercado pode produzir efeitos ben\u00e9ficos para a coletividade somente em presen\u00e7a de uma organiza\u00e7\u00e3o do Estado que defina e oriente a dire\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico<\/i>, que fa\u00e7a respeitar regras eq\u00fcitativas e transparentes, que intervenha tamb\u00e9m de modo direto, pelo tempo estritamente necess\u00e1rio<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn737\" name=\"_ftnref737\"> [737] <\/a>, nos casos em que o mercado n\u00e3o consegue obter os resultados de efici\u00eancia desejados e quando se trata de traduzir em ato o princ\u00edpio redistributivo. Na realidade, em alguns \u00e2mbitos, o mercado, apoiando-se nos pr\u00f3prios mecanismos, n\u00e3o \u00e9 capaz de garantir uma distribui\u00e7\u00e3o eq\u00fcitativa de alguns bens e servi\u00e7os essenciais ao crescimento humano dos cidad\u00e3os: neste caso a complementaridade entre Estado e mercado \u00e9 sobremaneira necess\u00e1ria.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>354 <\/b><i>O Estado pode concitar os cidad\u00e3os e as empresas na promo\u00e7\u00e3o do bem comum cuidando de atuar uma pol\u00edtica econ\u00f4mica que favore\u00e7a a participa\u00e7\u00e3o de todos os seus cidad\u00e3os nas atividades produtivas<\/i>. O respeito do princ\u00edpio de subsidiariedade deve mover as autoridades p\u00fablicas a buscar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao desenvolvimento das capacidades de iniciativa individuais, da autonomia e da responsabilidade pessoais dos cidad\u00e3os, abstendo-se de qualquer interven\u00e7\u00e3o que possa constituir um condicionamento ind\u00e9bito das for\u00e7as empresariais.<\/p><p><i>Em vista do bem comum, se deve sempre perseguir com constante determina\u00e7\u00e3o o objetivo de um justo equil\u00edbrio entre liberdade privada e a\u00e7\u00e3o p\u00fablica, entendida quer como interven\u00e7\u00e3o direta na economia, quer como atividade de suporte ao desenvolvimento econ\u00f4mico<\/i>. Em todo o caso, a interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica dever\u00e1 ater-se a crit\u00e9rios de eq\u00fcidade, racionalidade e efici\u00eancia, e n\u00e3o substituir a a\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, contra o seu direito \u00e0 liberdade de iniciativa econ\u00f4mica. O Estado, neste caso, se torna delet\u00e9rio para a sociedade: uma interven\u00e7\u00e3o direta excessivamente a\u00e7ambarcadora acaba por desresponsabilizar os cidad\u00e3os e produz um crescimento excessivo de aparatos p\u00fablicos guiados mais por l\u00f3gicas burocr\u00e1ticas do que pela preocupa\u00e7\u00e3o de satisfazer as necessidades das pessoas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn738\" name=\"_ftnref738\"> [738] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>355<\/b> <i>A coleta fiscal e a despesa p\u00fablica assumem uma import\u00e2ncia econ\u00f4mica crucial para qualquer comunidade civil e pol\u00edtica: o objetivo para o qual tender \u00e9 uma finan\u00e7a p\u00fablica capaz de se propor como instrumento de desenvolvimento e de solidariedade<\/i>. Uma finan\u00e7a p\u00fablica eq\u00fcitativa, eficiente, eficaz, produz efeitos virtuosos sobre a economia, porque consegue favorecer o crescimento do emprego, amparar as atividades empresariais e as iniciativas sem fins lucrativos, e contribui a aumentar a credibilidade do Estado enquanto garante dos sistemas de previd\u00eancia e de prote\u00e7\u00e3o social destinados em particular a proteger os mais fracos.<\/p><p><i>As finan\u00e7as p\u00fablicas se orientam para o bem comum quando se at\u00eam a alguns princ\u00edpios fundamentais<\/i>: <i>o pagamento dos impostos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn739\" name=\"_ftnref739\"> [739] <\/a><i>como especifica\u00e7\u00e3o do dever de solidariedade; racionalidade e eq\u00fcidade na imposi\u00e7\u00e3o dos tributos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn740\" name=\"_ftnref740\"> [740] <\/a>; <i>rigor e integridade na administra\u00e7\u00e3o e na destina\u00e7\u00e3o dos recursos p\u00fablicos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn741\" name=\"_ftnref741\"> [741] <\/a>. Ao redistribuir as riquezas, a finan\u00e7a p\u00fablica deve seguir os princ\u00edpios da solidariedade, da igualdade, da valoriza\u00e7\u00e3o dos talentos, e prestar grande aten\u00e7\u00e3o a amparar as fam\u00edlias, destinando a tal fim uma adequada quantidade de recursos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn742\" name=\"_ftnref742\"> [742] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"O papel dos corpos interm\u00e9dios\"><\/a>O papel dos corpos interm\u00e9dios<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>356<\/b> <i>O sistema econ\u00f4mico-social deve ser caracterizado pela compresen\u00e7a de a\u00e7\u00e3o p\u00fablica e privada, inclu\u00edda a a\u00e7\u00e3o privada sem finalidade de lucro. Configura-se de tal modo uma pluralidade de centros decis\u00f3rios e de l\u00f3gicas de a\u00e7\u00e3o<\/i>. H\u00e1 algumas categorias de bens, coletivos e de uso comum, cuja utiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode depender dos mecanismos do mercado<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn743\" name=\"_ftnref743\"> [743] <\/a>e n\u00e3o \u00e9 nem mesmo de exclusiva compet\u00eancia do Estado. O dever do Estado, em rela\u00e7\u00e3o a estes bens, \u00e9 antes o de valorizar todas as iniciativas sociais e econ\u00f4micas que t\u00eam efeitos p\u00fablicos, promovidos pelas forma\u00e7\u00f5es interm\u00e9dias. A sociedade civil, organizada nos seus corpos interm\u00e9dios, \u00e9 capaz de contribuir para a consecu\u00e7\u00e3o do bem comum pondo-se em uma rela\u00e7\u00e3o de colabora\u00e7\u00e3o e de eficaz complementaridade em rela\u00e7\u00e3o ao Estado e ao mercado, favorecendo assim o desenvolvimento de uma oportuna democracia econ\u00f4mica. Em um semelhante contexto, a interven\u00e7\u00e3o do Estado deve ser caracterizada pelo exerc\u00edcio de uma verdadeira solidariedade, que como tal nunca deve ser separada da subsidiariedade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>357<\/b> <i>As organiza\u00e7\u00f5es privadas sem fins lucrativos t\u00eam um espa\u00e7o espec\u00edfico em \u00e2mbito econ\u00f4mico: nos servi\u00e7os sociais, na instru\u00e7\u00e3o, na sa\u00fade, na cultura. Caracteriza tais organiza\u00e7\u00f5es a corajosa tentativa de unir harmoniosamente efici\u00eancia produtiva e solidariedade<\/i>. Constituem-se, geralmente, em base a um pacto associativo e s\u00e3o express\u00e3o de uma tens\u00e3o ideal comum aos sujeitos que livremente decidem aderir \u00e0s mesmas. O Estado \u00e9 chamado a respeitar a natureza destas organiza\u00e7\u00f5es e a valorizar as caracter\u00edsticas, dando concreta atua\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio de subsidiariedade, que postula precisamente um respeito e uma promo\u00e7\u00e3o da dignidade e da aut\u00f4noma responsabilidade do sujeito \u00absubsidiado\u00bb.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d) <b><a name=\"Poupan\u00e7a e consumo\"><\/a>Poupan\u00e7a e consumo<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><a name=\"_Toc521315771\"><\/a><b>358<\/b> <i>Os consumidores, que em muitos casos disp\u00f5em de amplas margens de poder aquisitivo, bem al\u00e9m do limiar da subsist\u00eancia, e podem influenciar consideravelmente a realidade econ\u00f4mica com a sua livre escolha entre consumo e poupan\u00e7a.<\/i> A possibilidade de influir nas escolhas do sistema econ\u00f4mico est\u00e1 nas m\u00e3os de quem deve decidir sobre o destino dos pr\u00f3prios recursos financeiros. Hoje mais do que no passado, \u00e9 poss\u00edvel avaliar as alternativas dispon\u00edveis n\u00e3o somente em base ao rendimento previsto ou ao seu grau de risco, mas tamb\u00e9m exprimindo um ju\u00edzo de valor sobre os projetos de investimento que os recursos ir\u00e3o financiar, na consci\u00eancia de que \u00aba op\u00e7\u00e3o de investir num lugar em vez de outro, neste sector produtivo e n\u00e3o naquele, \u00e9 sempre uma escolha moral e cultural\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn744\" name=\"_ftnref744\"> [744] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>359<\/b> <i>O uso do pr\u00f3prio poder aquisitivo h\u00e1 de ser exercido no contexto das exig\u00eancias morais da justi\u00e7a e da solidariedade e de responsabilidades sociais precisas<\/i>: \u00e9 preciso n\u00e3o esquecer que \u00abo dever da caridade, isto \u00e9, o dever de acorrer com o \u201csup\u00e9rfluo\u201d, e \u00e0s vezes at\u00e9 com o \u201cnecess\u00e1rio\u201d para garantir o indispens\u00e1vel \u00e0 vida do pobre\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn745\" name=\"_ftnref745\"> [745] <\/a>. Tal responsabilidade confere aos consumidores a possibilidade de dirigir, gra\u00e7as \u00e0 maior circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, o comportamento dos produtores, mediante a decis\u00e3o \u2015individual ou coletiva\u2015 de preferir os produtos de algumas empresas em lugar de outras, levando em conta n\u00e3o apenas os pre\u00e7os e a qualidadedos produtos, mas tamb\u00e9m a exist\u00eancia de corretas condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas empresas, bem como o grau de tutela assegurado para o ambiente natural que o circunda.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>360<\/b> <i>O fen\u00f4meno do consumismo mant\u00e9m uma persistente orienta\u00e7\u00e3o para o \u00abter\u00bb mais que para o \u00abser\u00bb<\/i>. Ele impede de \u00abdistinguir corretamente as formas novas e mais elevadas de satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades humanas, das necessidades artificialmente criadas que se op\u00f5em \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma personalidade madura\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn746\" name=\"_ftnref746\"> [746] <\/a>. Para contrastar este fen\u00f4meno \u00e9 necess\u00e1rio esfor\u00e7ar-se por construir \u00abestilos de vida, nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom, e a comunh\u00e3o com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as op\u00e7\u00f5es do consumo, da poupan\u00e7a e do investimento\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn747\" name=\"_ftnref747\"> [747] <\/a>. \u00c9 ineg\u00e1vel que as influ\u00eancias do contexto social sobre os estilos de vida s\u00e3o not\u00e1veis: por isso o desafio cultural que hoje o consumismo p\u00f5e deve ser enfrentado com maior incisividade, sobretudo se se consideram as gera\u00e7\u00f5es futuras, as quais arriscam ter de viver num ambiente saqueado por causa de um consumo excessivo e desordenado<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn748\" name=\"_ftnref748\"> [748] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>V. AS \u00abRES NOVAE\u00bb<br \/>EM ECONOMIA<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"A globaliza\u00e7\u00e3o: as oportunidades e os riscos\"><\/a>A globaliza\u00e7\u00e3o: as oportunidades e os riscos<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>361<\/b> <i>O nosso tempo \u00e9 marcado pelo complexo fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira<\/i>, isto \u00e9, um processo de crescente integra\u00e7\u00e3o das economias nacionais, no plano do com\u00e9rcio de bens e servi\u00e7os e das transa\u00e7\u00f5es financeiras, no qual um n\u00famero sempre maior de operadores assume um horizonte global pelas op\u00e7\u00f5es que deve efetuar em fun\u00e7\u00e3o das oportunidades de crescimento e de lucro. O novo horizonte da sociedade global n\u00e3o \u00e9 dado simplesmente pela presen\u00e7a de liames econ\u00f4micos e financeiros entre atores nacionais atuantes em pa\u00edses diversos, que, ademais, sempre existiram, quanto principalmente pelo car\u00e1ter invasivo e pela natureza absolutamente in\u00e9dita do sistema de rela\u00e7\u00f5es que se est\u00e1 desenvolvendo. Torna-se cada vez mais decisivo e central o papel dos mercados financeiros, cujas dimens\u00f5es, em seguida \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o das trocas e \u00e0 circula\u00e7\u00e3o dos capitais, cresceram enormemente com uma velocidade impressionante, a ponto de consentir aos operadores transferir \u00abem tempo real\u00bb de uma parte a outra do globo, capitais em grande quantidade. Trata-se de uma realidade multiforme e n\u00e3o simples de decifrar, dado que se desenrola em v\u00e1rios n\u00edveis e evolui constantemente, ao longo de trajet\u00f3rias dificilmente previs\u00edveis.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>362.<\/b> <i>A globaliza\u00e7\u00e3o alimenta novas esperan\u00e7as, mas tamb\u00e9m suscita interroga\u00e7\u00f5es inquietantes<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn749\" name=\"_ftnref749\"> [749] <\/a><i>.<\/i><\/p><p><i>Ela pode produzir efeitos potencialmente ben\u00e9ficos para a humanidade inteira<\/i>: entrela\u00e7ando-se com o impetuoso desenvolvimento das telecomunica\u00e7\u00f5es, o percurso de crescimento do sistema de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e financeiras tem consentido simultaneamente uma not\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o nos custos das telecomunica\u00e7\u00f5es e das novas tecnologias, bem como uma acelera\u00e7\u00e3o no processo de extens\u00e3o em escala planet\u00e1ria dos interc\u00e2mbios comerciais e das transa\u00e7\u00f5es financeiras. Em outras palavras, aconteceu que os dois fen\u00f4menos, globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira e progresso tecnol\u00f3gico t\u00eam se refor\u00e7ado reciprocamente, tornando extremamente r\u00e1pida a din\u00e2mica completiva da atual fase econ\u00f4mica.<\/p><p><i>Analisando o contexto atual, al\u00e9m de divisar as oportunidades que se abrem na era da economia global, se percebem tamb\u00e9m os riscos ligados \u00e0s novas dimens\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es comerciais e financeiras<\/i>. N\u00e3o faltam, efetivamente, ind\u00edcios reveladores de uma tend\u00eancia ao <i>aumento das desigualdades<\/i> quer entre pa\u00edses avan\u00e7ados e pa\u00edses em via de desenvolvimento, quer no interior dos pa\u00edses industrializados. \u00c0 crescente riqueza econ\u00f4mica possibilitada pelos processos descritos acompanha um crescimento da pobreza relativa.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>363 <\/b><i>O zelo pelo bem comum exige que se aproveitem as novas ocasi\u00f5es de redistribui\u00e7\u00e3o de poder e riqueza entre as diversas \u00e1reas do planeta, em benef\u00edcio das mais desfavorecidas e at\u00e9 agora exclu\u00eddas ou \u00e0 margem do progresso social e econ\u00f4mico<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn750\" name=\"_ftnref750\"> [750] <\/a>: \u00abO desafio, em suma, \u00e9 o de assegurar uma globaliza\u00e7\u00e3o na solidariedade, uma globaliza\u00e7\u00e3o sem marginaliza\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn751\" name=\"_ftnref751\"> [751] <\/a>. O pr\u00f3prio progresso tecnol\u00f3gico arrisca repartir iniquamente entre os pa\u00edses os pr\u00f3prios efeitos positivos. As inova\u00e7\u00f5es, com efeito, podem penetrar e difundir-se no interior de uma determinada coletividade, se os seus potenciais benefici\u00e1rios atingem um patamar m\u00ednimo de saber e de recursos financeiros: \u00e9 evidente que, em presen\u00e7a de fortes disparidades entre os pa\u00edses no acesso aos conhecimentos t\u00e9cnico-cient\u00edficos e aos mais recentes produtos tecnol\u00f3gicos, o processo de globaliza\u00e7\u00e3o acaba por alargar, ao inv\u00e9s de reduzir, as dist\u00e2ncias entre os pa\u00edses em termos de desenvolvimento econ\u00f4mico e social. Dada a natureza das din\u00e2micas em curso, a livre circula\u00e7\u00e3o de capitais n\u00e3o \u00e9 de per si suficiente para favorecer a aproxima\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses em via de desenvolvimento em rela\u00e7\u00e3o aos mais avan\u00e7ados.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>364 <\/b><i>O com\u00e9rcio representa uma componente fundamental das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas internacionais, contribuindo de maneira determinante para a especializa\u00e7\u00e3o produtiva e para o crescimento econ\u00f4mico dos diversos pa\u00edses<\/i>. Hoje mais do que nunca o com\u00e9rcio internacional, se oportunamente orientado, promove o desenvolvimento e \u00e9 capaz de criar novos empregos e de fornecer \u00fateis recursos. A doutrina social tem muitas vezes posto em claro as distor\u00e7\u00f5es do sistema comercial internacional<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn752\" name=\"_ftnref752\"> [752] <\/a>que freq\u00fcentemente, por causa das pol\u00edticas protecionistas adotadas pelos pa\u00edses desenvolvidos, discrimina os produtos provenientes dos pa\u00edses mais pobres e impede o crescimento de atividades industriais e a transfer\u00eancia de tecnologias para tais pa\u00edses<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn753\" name=\"_ftnref753\"> [753] <\/a>. A cont\u00ednua deteriora\u00e7\u00e3o nos termos do com\u00e9rcio de mat\u00e9rias primas e o agravar-se da diferen\u00e7a entre pa\u00edses ricos e pobres levou o Magist\u00e9rio chamar a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia dos crit\u00e9rios \u00e9ticos que deveriam orientar as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas internacionais: a busca do bem comum e a destina\u00e7\u00e3o universal dos bens; a equidade nas rela\u00e7\u00f5es comerciais; a aten\u00e7\u00e3o aos direitos e \u00e0s necessidades dos mais pobres nas pol\u00edticas comerciais e de coopera\u00e7\u00e3o internacional. Diversamente, os \u00abpobres ficam sempre pobres e os ricos tornam-se cada vez mais ricos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn754\" name=\"_ftnref754\"> [754] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>365 <\/b><i>Uma solidariedade adequada \u00e0 era da globaliza\u00e7\u00e3o requer a defesa dos direitos humanos<\/i>. A este prop\u00f3sito o Magist\u00e9rio assinala que n\u00e3o s\u00f3 \u00aba perspectiva duma autoridade p\u00fablica internacional ao servi\u00e7o dos direitos humanos, da liberdade e da paz, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se realizou ainda inteiramente, mas h\u00e1 que registrar, infelizmente, a hesita\u00e7\u00e3o bastante freq\u00fcente da comunidade internacional no seu dever de respeitar e aplicar os direitos humanos. Este dever engloba <i>todos<\/i> os direitos fundamentais, n\u00e3o permitindo escolhas arbitr\u00e1rias que conduziriam a formas reais de discrimina\u00e7\u00e3o e de injusti\u00e7a. Ao mesmo tempo, somos testemunhas dum fosso preocupante que se vai alargando entre uma s\u00e9rie de novos \u201cdireitos\u201d promovidos nas sociedades tecnologicamente avan\u00e7adas e os direitos humanos elementares que ainda n\u00e3o s\u00e3o respeitados sobretudo em situa\u00e7\u00f5es de subdesenvolvimento; penso, por exemplo, no direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, \u00e0 casa, \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e \u00e0 independ\u00eancia\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn755\" name=\"_ftnref755\"> [755] <\/a>.<i><\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>366<\/b> <i>A extens\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o deve ser acompanhada por uma tomada de consci\u00eancia mais madura por parte das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, das novas tarefas \u00e0s quais s\u00e3o chamadas em \u00e2mbito mundial.<\/i> Tamb\u00e9m gra\u00e7as a uma a\u00e7\u00e3o incisiva da parte destas organiza\u00e7\u00f5es ser\u00e1 poss\u00edvel manter o atual processo de crescimento da economia e das finan\u00e7as em escala planet\u00e1ria num horizonte que garanta um efetivo respeito dos direitos do homem e dos povos, bem como uma distribui\u00e7\u00e3o eq\u00fcitativa das riquezas, no interior de cada pa\u00eds e entre diferentes pa\u00edses: \u00abA liberdade das transa\u00e7\u00f5es s\u00f3 \u00e9 eq\u00fcitativa quando sujeita \u00e0s exig\u00eancias da justi\u00e7a social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn756\" name=\"_ftnref756\"> [756] <\/a>.<\/p><p><i>Particular aten\u00e7\u00e3o deve ser reservada \u00e0s especificidades locais e \u00e0s diversidades culturais, que correm o risco de serem comprometidas pelos processos econ\u00f4mico-financeiros em curso<\/i>: \u00abA globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode constituir um novo tipo de colonialismo. Pelo contr\u00e1rio, deve respeitar a diversidade das culturas que, no \u00e2mbito da harmonia universal dos povos, s\u00e3o as chaves interpretativas da vida. De forma especial, n\u00e3o deve privar os pobres daquilo que lhes resta de mais precioso, inclusivamente os credos e as pr\u00e1ticas religiosas, porque as convic\u00e7\u00f5es religiosas genu\u00ednas constituem a manifesta\u00e7\u00e3o mais clarividente da liberdade humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn757\" name=\"_ftnref757\"> [757] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>367 <\/b><i>Na \u00e9poca da globaliza\u00e7\u00e3o se deve ressaltar com for\u00e7a a solidariedade entre as gera\u00e7\u00f5es<\/i>: \u00abNo passado, a solidariedade entre as gera\u00e7\u00f5es constitu\u00eda, em muitos pa\u00edses, uma atitude natural por parte da fam\u00edlia; hoje, tornou-se tamb\u00e9m um dever da comunidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn758\" name=\"_ftnref758\"> [758] <\/a>. \u00c8 conveniente que tal solidariedade continue a ser perseguida nas comunidades pol\u00edticas nacionais, mas hoje o problema se p\u00f5e tamb\u00e9m para a comunidade pol\u00edtica global, para que a mundializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se realize em detrimento dos mais necessitados e dos mais fracos. A solidariedade entre as gera\u00e7\u00f5es requer que, na planifica\u00e7\u00e3o global se aja de acordo com o princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens, que torna moralmente il\u00edcito e economicamente contraproducente descarregar os custos atuais nas gera\u00e7\u00f5es vindouras: moralmente il\u00edcito porque significa n\u00e3o assumir as devidas responsabilidades, economicamente contrapro\u00adducente porque a corre\u00e7\u00e3o dos danos \u00e9 mais dispendiosa do que a sua preven\u00e7\u00e3o. Este princ\u00edpio deve ser aplicado sobretudo \u2014 ainda que n\u00e3o apenas \u2014 no campo dos recursos da terra e da salvaguarda da cria\u00e7\u00e3o, hoje particularmente delicado em virtude da globaliza\u00e7\u00e3o, que diz respeito a todo o planeta, entendido como um \u00fanico ecossistema<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn759\" name=\"_ftnref759\"> [759] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"O sistema financeiro internacional\"><\/a>O sistema financeiro internacional<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>368<\/b> <i>Os mercados financeiros n\u00e3o s\u00e3o certamente uma novidade da nossa \u00e9poca: j\u00e1 desde h\u00e1 muito tempo, por v\u00e1rias formas, eles cuidaram de responder \u00e0 exig\u00eancia de financiar atividades produtivas. A experi\u00eancia hist\u00f3rica atesta que, na aus\u00eancia de sistemas financeiros adequados, n\u00e3o teria havido crescimento econ\u00f4mico<\/i>. Os investimentos em larga escala, t\u00edpicos das modernas economias de mercado, n\u00e3o teriam sido poss\u00edveis sem o papel fundamental de intermedia\u00e7\u00e3o exercido pelos mercados financeiros, que permitiu, entre outras coisas, apreciar as fun\u00e7\u00f5es positivas da poupan\u00e7a para o desenvolvimento integral do sistema econ\u00f4mico e social. Se, por um lado, a cria\u00e7\u00e3o daquilo que se tem definido como o \u00abmercado global dos capitais\u00bb produziu efeitos ben\u00e9ficos, gra\u00e7as ao fato de que a maior mobilidade dos capitais consentiu \u00e0s atividades produtivas alcan\u00e7ar mais facilmente a disponibilidade de recursos, por outro lado a maior mobilidade tamb\u00e9m aumentou o risco de crises financeiras. O desenvolvimento da atividade financeira, cujas transa\u00e7\u00f5es superaram sobejamente, em volume, as transa\u00e7\u00f5es reais, corre o risco de seguir uma l\u00f3gica voltada sobre si mesma, sem conex\u00e3o com a base real da economia.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>369<\/b> <i>Uma economia financeira, cujo fim \u00e9 ela pr\u00f3pria, est\u00e1 destinada a contradizer as suas finalidades, pois que se priva das pr\u00f3prias ra\u00edzes e da pr\u00f3pria raz\u00e3o constitutiva, ou seja, do seu papel origin\u00e1rio e essencial de servi\u00e7o \u00e0 economia real e, ao fim e ao cabo, de desenvolvimento das pessoas e das comunidades humanas<\/i>. O quadro completo manifesta-se ainda mais preocupante \u00e0 luz da configura\u00e7\u00e3o fortemente assim\u00e9trica que caracteriza o sistema financeiro internacional: os processos de inova\u00e7\u00e3o e de desregulamenta\u00e7\u00e3o dos mercados financeiros tendem, de fato, a consolidar-se somente em algumas partes do globo. Isto \u00e9 fonte de graves preocupa\u00e7\u00f5es de natureza \u00e9tica, porque os pa\u00edses exclu\u00eddos dos processos descritos, mesmo n\u00e3o gozando dos benef\u00edcios destes produtos, n\u00e3o est\u00e3o entretanto protegidos de eventuais conseq\u00fc\u00eancias negativas da instabilidade financeira sobre os seus sistemas econ\u00f4micos reais, sobretudo se fr\u00e1geis e com atraso no desenvolvimento<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn760\" name=\"_ftnref760\"> [760] <\/a>.<\/p><p>A improvisa acelera\u00e7\u00e3o dos processos quais o enorme incremento no valor das carteiras administradas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras e o r\u00e1pido proliferar de novos e sofisticados instrumentos financeiros torna <i>deveras urgente divisar solu\u00e7\u00f5es institucionais capazes de favorecer eficazmente a estabilidade do sistema, sem reduzir-lhe as potencialidades e a efici\u00eancia<\/i>. \u00c9 indispens\u00e1vel introduzir um quadro normativo que consinta tutelar tal estabilidade em todas as suas complexas articula\u00e7\u00f5es, promover a concorr\u00eancia entre os intermedi\u00e1rios e assegurar a m\u00e1xima transpar\u00eancia em benef\u00edcio dos investidores.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"O papel da comunidade internacional na \u00e9poca da economia global\"><\/a>O papel da comunidade internacional na \u00e9poca da economia global<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>370<\/b> <i>A perda de centralidade por parte dos atores estatais deve coincidir com um maior empenho da comunidade no exerc\u00edcio de um decidido papel de orienta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e financeira.<\/i> Uma importante conseq\u00fc\u00eancia do processo de globaliza\u00e7\u00e3o consiste, com efeito, na gradual perda de efic\u00e1cia do Estado na\u00e7\u00e3o na condu\u00e7\u00e3o das din\u00e2micas econ\u00f4mico-financeiras nacionais. Os Governos de cada Pa\u00eds v\u00eaem a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o em campo econ\u00f4mico e social sempre mais fortemente condicionada pelas expectativas dos mercados internacionais dos capitais e pelos sempre mais prementes pedidos de credibilidade provenientes do mundo financeiro. Por causa dos novos liames entre os operadores globais, as tradicionais medidas defensivas dos Estados parecem condenadas insucesso e, em face das novas \u00e1reas da competi\u00e7\u00e3o, passa ao segundo plano a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de mercado nacional.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>371 <\/b><i>Quanto mais o sistema econ\u00f4mico-financeiro mundial alcan\u00e7a n\u00edveis elevados de complexidade organizativa e funcional, tanto mais se imp\u00f5e como priorit\u00e1ria a tarefa de regular tais processos, orientando-os \u00e0 consecu\u00e7\u00e3o do bem comum da fam\u00edlia humana. Vem \u00e0 tona concretamente a exig\u00eancia de que, al\u00e9m dos Estados nacionais, seja a comunidade internacional a assumir esta delicada fun\u00e7\u00e3o, com instrumentos pol\u00edticos e jur\u00eddicos adequados e eficazes.<\/i><\/p><p>\u00c9 portanto indispens\u00e1vel que as institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e financeiras internacionais saibam individuar as solu\u00e7\u00f5es institucionais mais apropriadas e elaborem as estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o mais oportunas com o escopo de orientar uma mudan\u00e7a que, fosse sofrida passivamente e abandonada a si mesma, provocaria \u00eaxitos dram\u00e1ticos sobretudo em detrimento dos estratos mais fracos e indefesos da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p><p>Nos organismos internacionais devem ser eq\u00fcitativamente representados os interesses da grande fam\u00edlia humana; \u00e9 necess\u00e1rio que estas institui\u00e7\u00f5es, \u00abao avaliarem as conseq\u00fc\u00eancias das suas decis\u00f5es, tenham em devida conta aqueles povos e pa\u00edses que t\u00eam escasso peso no mercado internacional, mas em si concentram as necessidades mais graves e dolorosas, e necessitam de maior apoio para o seu desenvolvimento\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn761\" name=\"_ftnref761\"> [761] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>372<\/b> <i>Tamb\u00e9m a pol\u00edtica, a par da economia, deve saber estender o pr\u00f3prio raio de a\u00e7\u00e3o para al\u00e9m dos confins nacionais, adquirindo rapidamente aquela dimens\u00e3o operativa mundial que lhe pode consentir orientar os processos em curso \u00e0 luz de par\u00e2metros n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m morais<\/i>. O objetivo de fundo ser\u00e1 o de guiar tais processos assegurando o respeito da dignidade do homem e o desenvolvimento completo da sua personalidade, no horizonte do bem comum<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn762\" name=\"_ftnref762\"> [762] <\/a>. A assun\u00e7\u00e3o de uma tal tarefa comporta a responsabilidade de acelerar a consolida\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es existentes assim como a cria\u00e7\u00e3o de novos \u00f3rg\u00e3os aos quais confiar tais responsabilidades<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn763\" name=\"_ftnref763\"> [763] <\/a>. O desenvolvimento econ\u00f4mico, efetivamente, pode ser duradouro somente na medida em que se desdobra no interior de um quadro claro e definido de normas e de um amplo projeto de crescimento moral, civil e cultural de toda a <a name=\"_Toc521315776\"><\/a>fam\u00edlia humana.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d) <b><a name=\"Um desenvolvimento integral e solid\u00e1rio\"><\/a>Um desenvolvimento integral e solid\u00e1rio<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>373 <\/b><i>Uma das tarefas fundamentais dos atores da economia internacional \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o de um desenvolvimento integral e solid\u00e1rio para a humanidade<\/i>, vale dizer, \u00abpromover todos os homens e o homem todo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn764\" name=\"_ftnref764\"> [764] <\/a>.<i> <\/i>Tal tarefa exige uma concep\u00e7\u00e3o da economia que garanta, no plano internacional, a distribui\u00e7\u00e3o eq\u00fcitativa dos recursos e responda \u00e0 consci\u00eancia da interdepend\u00eancia \u2015 econ\u00f4mica, pol\u00edtica e cultural \u2015 que de agora em diante une definitivamente os povos entre eles e faz com que se sintam ligados a um \u00fanico destino<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn765\" name=\"_ftnref765\"> [765] <\/a>. Os problemas sociais assumem cada vez mais uma dimens\u00e3o planet\u00e1ria: a paz, a ecologia, a alimenta\u00e7\u00e3o, a droga, as doen\u00e7as. Estado algum j\u00e1 os enfrentar e resolver sozinho. As gera\u00e7\u00f5es atuais tocam com as m\u00e3os a necessidade da solidariedade e advertem concretamente a necessidade de superar a cultura individualista<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn766\" name=\"_ftnref766\"> [766] <\/a>. Nota-se sempre mais difusamente a exig\u00eancia de modelos de desenvolvimento que prevejam n\u00e3o apenas \u00abelevar todos os povos ao n\u00edvel que hoje gozam somente os pa\u00edses mais ricos, mas de construir no trabalho solid\u00e1rio uma vida mais digna, fazer crescer efetivamente a dignidade e a criatividade de cada pessoa, a sua capacidade de corresponder \u00e0 pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o e, portanto, ao apelo de Deus \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn767\" name=\"_ftnref767\"> [767] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>374<\/b> <i>Um desenvolvimento mais humano e solid\u00e1rio favorecer\u00e1 tamb\u00e9m aos pr\u00f3prios pa\u00edses mais ricos<\/i>. Tais pa\u00edses \u00abadvertem com freq\u00fc\u00eancia uma esp\u00e9cie de desorienta\u00e7\u00e3o existencial, uma incapacidade de viver e de gozar retamente o sentido da vida, embora na abund\u00e2ncia de bens materiais, uma aliena\u00e7\u00e3o e perda da pr\u00f3pria humanidade em muitas pessoas, que se sentem reduzidas ao papel de engrenagens no mecanismo da produ\u00e7\u00e3o e do consumo e n\u00e3o encontram o modo de afirmar a pr\u00f3pria dignidade de homens, feitos \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus\u00bb <a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn768\" name=\"_ftnref768\">[768] <\/a>. Os pa\u00edses ricos mostraram ter a capacidade de criar bem-estar material, mas, n\u00e3o raro, \u00e0s custas do homem e das faixas sociais mais d\u00e9beis: \u00abn\u00e3o se pode ignorar que as fronteiras da riqueza e da pobreza passam pelo interior das pr\u00f3prias sociedades, quer desenvolvidas, quer em vias de desenvolvimento. De fato, assim como existem desigualdades sociais at\u00e9 aos extremos da mis\u00e9ria em pa\u00edses ricos, assim, em contraposi\u00e7\u00e3o, nos pa\u00edses menos desenvolvidos tamb\u00e9m se v\u00eaem, n\u00e3o raro, manifesta\u00e7\u00f5es de ego\u00edsmo e de ostenta\u00e7\u00e3o de riqueza, t\u00e3o desconcertantes quanto escandalosas\u00bb <a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn769\" name=\"_ftnref769\">[769] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">e) <b><a name=\"A necessidade de uma grande obra educativa e cultural\"><\/a>A necessidade de uma grande obra educativa e cultural<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>375 <\/b><i>Para a doutrina social, a economia <\/i>\u00ab<i>\u00e9 apenas um aspecto e uma dimens\u00e3o da complexa atividade humana<\/i>. Se ela for absolutizada, se a produ\u00e7\u00e3o e o consumo das coisas acabar por ocupar o centro da vida social, tornando-se o \u00fanico valor verdadeiro da sociedade, n\u00e3o subordinado a nenhum outro, a causa ter\u00e1 de ser procurada n\u00e3o tanto no pr\u00f3prio sistema econ\u00f4mico, quanto no fato de que todo o sistema s\u00f3cio-cultural, ignorando a dimens\u00e3o \u00e9tica e religiosa, ficou debilitado, limitando-se apenas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o dos bens e dos servi\u00e7os\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn770\" name=\"_ftnref770\"> [770] <\/a>. A vida do homem, a par da vida social da coletividade, n\u00e3o pode ser reduzida a uma dimens\u00e3o material\u00edstica, ainda que os bens materiais sejam extremamente necess\u00e1rios quer para a mera sobreviv\u00eancia, quer para o melhoramento do teor de vida: \u00abaumentar o senso de Deus e o conhecimento de si mesmo \u00e9 a base de todo <i>desenvolvimento completo da sociedade humana<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn771\" name=\"_ftnref771\"> [771] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>376<\/b> <i>Em face do r\u00e1pido andamento do progresso t\u00e9cnico-econ\u00f4mico e da mutabilidade, igualmente r\u00e1pida, dos processos de produ\u00e7\u00e3o e de consumo, o Magist\u00e9rio adverte a exig\u00eancia de propor uma grande obra educativa e cultural<\/i>: \u00abO pedido de uma exist\u00eancia qualitativamente mais satisfat\u00f3ria e mais rica \u00e9, em si mesmo, leg\u00edtimo; mas devemos sublinhar as novas responsabilidades e os perigos conexos com esta fase hist\u00f3rica... Individuando novas necessidades e novas modalidades para a sua satisfa\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio deixar-se guiar por uma imagem integral do homem, que respeite todas as dimens\u00f5es do seu ser e subordine as necessidades materiais e instintivas \u00e0s interiores e espirituais... O sistema econ\u00f4mico, em si mesmo, n\u00e3o possui crit\u00e9rios que permitam distinguir corretamente as formas novas e mais elevadas de satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades humanas, das necessidades artificialmente criadas que se op\u00f5em \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma personalidade madura. Torna-se por isso necess\u00e1ria e urgente, uma<i> grande obra educativa e cultural, <\/i>que abranja a educa\u00e7\u00e3o dos consumidores para um uso respons\u00e1vel do seu poder de escolha, a forma\u00e7\u00e3o de um alto sentido de responsabilidade nos produtores, e, sobretudo, nos profissionais dos <i>mass-media<\/i>, al\u00e9m da necess\u00e1ria interven\u00e7\u00e3o das Autoridades p\u00fablicas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn772\" name=\"_ftnref772\"> [772] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>_________<\/p><div id=\"ftn683\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref683\" name=\"_ftn683\">[683] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 25-27: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 638-647.<\/div><div id=\"ftn684\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref684\" name=\"_ftn684\">[684] <\/a>Jo\u00e3o PauloII, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis,<\/i> 31: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 554-555.<\/div><div id=\"ftn685\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref685\" name=\"_ftn685\">[685] <\/a>Cf. Hermas, <i>Pastor<\/i>, Liber Tertium, <i>Similitudo I<\/i>: PG 2, 954.<\/div><div id=\"ftn686\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref686\" name=\"_ftn686\">[686] <\/a>Clemente de Alexandria, <i>Quis dives salvetur<\/i>, 13: PG 9, 618.<\/div><div id=\"ftn687\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref687\" name=\"_ftn687\">[687] <\/a>Cf. S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, <i>Homiliae XXI de Statuis ad populum Antiochenum habitae<\/i>, 2, 6-8: PG 49, 41-46.<\/div><div id=\"ftn688\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref688\" name=\"_ftn688\">[688] <\/a>S. Bas\u00edlio Magno, <i>Homilia in illud Lucae, Destruam horrea mea<\/i>, 5: PG 31, 271.<\/div><div id=\"ftn689\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref689\" name=\"_ftn689\">[689] <\/a>Cf. S. Bas\u00edlio Magno, <i>Homilia in illud Lucae, Destruam horrea mea<\/i>, 5: PG 31, 271.<\/div><div id=\"ftn690\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref690\" name=\"_ftn690\">[690] <\/a>Cf. S. Greg\u00f3rio Magno, <i>Regula pastoralis<\/i>, 3, 21: PL 77, 87-89. T\u00edtulo do \u00a7 21: \u00abQuomodo admonendi qui aliena non appetunt, sed sua retinent; et qui sua tribuentes, aliena tamen rapiunt\u00bb.<\/div><div id=\"ftn691\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref691\" name=\"_ftn691\">[691] <\/a>Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 190-191.<\/div><div id=\"ftn692\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref692\" name=\"_ftn692\">[692] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 63: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1084.<\/div><div id=\"ftn693\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref693\" name=\"_ftn693\">[693] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2426.<\/div><div id=\"ftn694\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref694\" name=\"_ftn694\">[694] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis,<\/i> 40: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 568-569.<\/div><div id=\"ftn695\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref695\" name=\"_ftn695\">[695] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis,<\/i> 36: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 561.<\/div><div id=\"ftn696\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref696\" name=\"_ftn696\">[696] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 65: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1086-1087.<\/div><div id=\"ftn697\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref697\" name=\"_ftn697\">[697] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis,<\/i> 32: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 556-557.<\/div><div id=\"ftn698\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref698\" name=\"_ftn698\">[698] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>41: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 844.<\/div><div id=\"ftn699\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref699\" name=\"_ftn699\">[699] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2000<\/i>, 15-16: <i>AAS<\/i> 92(2000) 366-367.<\/div><div id=\"ftn700\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref700\" name=\"_ftn700\">[700] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicituto rei socialis<\/i>, 28: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 548.<\/div><div id=\"ftn701\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref701\" name=\"_ftn701\">[701] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>42: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 845-846.<\/div><div id=\"ftn702\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref702\" name=\"_ftn702\">[702] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2429; cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes, <\/i>63: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1084-1085; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i> 48: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 852-854; Id., Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis,<\/i> 15: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 528-530; Id., Carta encicl. <i>Laborem exercens<\/i>, 17: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 620-622; Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 413-415.<\/div><div id=\"ftn703\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref703\" name=\"_ftn703\">[703] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis,<\/i> 15: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 529. Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2429.<\/div><div id=\"ftn704\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref704\" name=\"_ftn704\">[704] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>16: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 813-814.<\/div><div id=\"ftn705\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref705\" name=\"_ftn705\">[705] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>32: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 833.<\/div><div id=\"ftn706\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref706\" name=\"_ftn706\">[706] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>32: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 833.<\/div><div id=\"ftn707\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref707\" name=\"_ftn707\">[707] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>43: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 847.<\/div><div id=\"ftn708\">[708] Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 422-423.<\/div><div id=\"ftn709\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref709\" name=\"_ftn709\">[709] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>35: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 837.<\/div><div id=\"ftn710\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref710\" name=\"_ftn710\">[710] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2424.<\/div><div id=\"ftn711\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref711\" name=\"_ftn711\">[711] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>35: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 837.<\/div><div id=\"ftn712\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref712\" name=\"_ftn712\">[712] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>43: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 846-848.<\/div><div id=\"ftn713\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref713\" name=\"_ftn713\">[713] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>38: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 841.<\/div><div id=\"ftn714\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref714\" name=\"_ftn714\">[714] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2269.<\/div><div id=\"ftn715\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref715\" name=\"_ftn715\">[715] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2438.<\/div><div id=\"ftn716\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref716\" name=\"_ftn716\">[716] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso na Audi\u00eancia geral <\/i>(4 de Fevereiro de 2004), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 6-7 de Fevereiro de 2004, p. 12.<\/div><div id=\"ftn717\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref717\" name=\"_ftn717\">[717] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis,<\/i> 17: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 532.<\/div><div id=\"ftn718\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref718\" name=\"_ftn718\">[718] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>32: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 833.<\/div><div id=\"ftn719\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref719\" name=\"_ftn719\">[719] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2432.<\/div><div id=\"ftn720\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref720\" name=\"_ftn720\">[720] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>35: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 837.<\/div><div id=\"ftn721\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref721\" name=\"_ftn721\">[721] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>32-33: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 832-835.<\/div><div id=\"ftn722\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref722\" name=\"_ftn722\">[722] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Laborem exercens ,<\/i>19: <i>AAS<\/i> 73 (1981) 625-629.<\/div><div id=\"ftn723\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref723\" name=\"_ftn723\">[723] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>36: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 838.<\/div><div id=\"ftn724\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref724\" name=\"_ftn724\">[724] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>36: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 840.<\/div><div id=\"ftn725\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref725\" name=\"_ftn725\">[725] <\/a>Quanto ao uso dos recursos e dos bens, a doutrina social da Igreja prop\u00f5e o seu ensinamento sobre a destina\u00e7\u00e3o universal dos bens e a propriedade privada; cf. Cap\u00edtulo Quarto, III.<\/div><div id=\"ftn726\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref726\" name=\"_ftn726\">[726] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>34: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 835.<\/div><div id=\"ftn727\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref727\" name=\"_ftn727\">[727] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>40: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 843.<\/div><div id=\"ftn728\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref728\" name=\"_ftn728\">[728] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>41: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 843-845.<\/div><div id=\"ftn729\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref729\" name=\"_ftn729\">[729] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 429-430.<\/div><div id=\"ftn730\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref730\" name=\"_ftn730\">[730] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>34: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 835-836.<\/div><div id=\"ftn731\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref731\" name=\"_ftn731\">[731] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i> 40: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 843; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2425.<\/div><div id=\"ftn732\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref732\" name=\"_ftn732\">[732] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>39: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 843.<\/div><div id=\"ftn733\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref733\" name=\"_ftn733\">[733] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>15: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 811-813.<\/div><div id=\"ftn734\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref734\" name=\"_ftn734\">[734] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i> 48: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 853; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2431.<\/div><div id=\"ftn735\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref735\" name=\"_ftn735\">[735] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>15: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 811.<\/div><div id=\"ftn736\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref736\" name=\"_ftn736\">[736] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i> 48: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 852-853; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2431.<\/div><div id=\"ftn737\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref737\" name=\"_ftn737\">[737] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>48: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 852-854.<\/div><div id=\"ftn738\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref738\" name=\"_ftn738\">[738] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>48: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 852-854.<\/div><div id=\"ftn739\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref739\" name=\"_ftn739\">[739] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 30: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1049-1050.<\/div><div id=\"ftn740\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref740\" name=\"_ftn740\">[740] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 433-434, 438.<\/div><div id=\"ftn741\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref741\" name=\"_ftn741\">[741] <\/a>Cf. Pio XI, Carta encicl. <i>Divini Redemptoris<\/i>: <i>AAS<\/i> 29 (1937) 103-104.<\/div><div id=\"ftn742\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref742\" name=\"_ftn742\">[742] <\/a>Cf. Pio XII, <i>Radiomensagem em comemora\u00e7\u00e3o do 50\u00b0 anivers\u00e1rio da<\/i> \u00ab <i>Rerum novarum<\/i>\u00bb: <i>AAS<\/i> 33 (1941) 202;Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>49: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 854-856; Id., Exort. apost. <i>Familiaris consortio<\/i>, 45: <i>AAS<\/i> 74 (1982) 136-137.<\/div><div id=\"ftn743\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref743\" name=\"_ftn743\">[743] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>40: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 843.<\/div><div id=\"ftn744\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref744\" name=\"_ftn744\">[744] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>36: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 839-840.<\/div><div id=\"ftn745\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref745\" name=\"_ftn745\">[745] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>36: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 839.<\/div><div id=\"ftn746\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref746\" name=\"_ftn746\">[746] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>36: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 839.<\/div><div id=\"ftn747\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref747\" name=\"_ftn747\">[747] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>36: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 839.<\/div><div id=\"ftn748\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref748\" name=\"_ftn748\">[748] <\/a>Cf.Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>37: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 840.<\/div><div id=\"ftn749\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref749\" name=\"_ftn749\">[749] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Ecclesia in America<\/i>, 20: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 756.<\/div><div id=\"ftn750\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref750\" name=\"_ftn750\">[750] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos membros da Funda\u00e7\u00e3o \u00abCentesimus Annus\u00bb <\/i>(9 de Maio de 1998), 2: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 23 de Maio de 1998, p. 15.<\/div><div id=\"ftn751\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref751\" name=\"_ftn751\">[751] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1998<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 90 (1998) 150.<\/div><div id=\"ftn752\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref752\" name=\"_ftn752\">[752] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 61: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 287.<\/div><div id=\"ftn753\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref753\" name=\"_ftn753\">[753] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 43: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 574-575.<\/div><div id=\"ftn754\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref754\" name=\"_ftn754\">[754] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 57: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 285.<\/div><div id=\"ftn755\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref755\" name=\"_ftn755\">[755] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2003, <\/i>5: <i>AAS<\/i> 95 (2003) 343.<\/div><div id=\"ftn756\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref756\" name=\"_ftn756\">[756] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 59: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 286.<\/div><div id=\"ftn757\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref757\" name=\"_ftn757\">[757] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias Sociais <\/i>(27 de Abril de 2001), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 5 de Maio de 2001, p. 5.<\/div><div id=\"ftn758\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref758\" name=\"_ftn758\">[758] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias Sociais <\/i>(11 de Abril de 2002), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 20 de Abril de 2002, p. 4.<\/div><div id=\"ftn759\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref759\" name=\"_ftn759\">[759] <\/a>Cf.Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso por ocasi\u00e3o da Audi\u00eancia aos membros das Associa\u00e7\u00f5es Crist\u00e3s dos Trabalhadores Italianos <\/i>(27 de Abril de 2002), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 4 de Maio de 2002, p. 6.<\/div><div id=\"ftn760\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref760\" name=\"_ftn760\">[760] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias Sociais<\/i> (25 de Abril de 1997), 6: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 24 de Maio de 1997, p. 4.<\/div><div id=\"ftn761\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref761\" name=\"_ftn761\">[761] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>58: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 864.<\/div><div id=\"ftn762\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref762\" name=\"_ftn762\">[762] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 43-44: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 431-433.<\/div><div id=\"ftn763\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref763\" name=\"_ftn763\">[763] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2440; Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 78: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 295; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis,<\/i> 43: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 574-575.<\/div><div id=\"ftn764\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref764\" name=\"_ftn764\">[764] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 264.<\/div><div id=\"ftn765\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref765\" name=\"_ftn765\">[765] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2437-2438.<\/div><div id=\"ftn766\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref766\" name=\"_ftn766\">[766] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2000<\/i>, 13-14: <i>AAS<\/i> 92 (2000) 365-366.<\/div><div id=\"ftn767\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref767\" name=\"_ftn767\">[767] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i> 29: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 828-829; cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 40-42: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 277-278.<\/div><div id=\"ftn768\">[768] Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso de 1\u00b0 de Maio de 1991<\/i>: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 5 de Maio de 1991, p. 20; cf. Id., Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 9: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 520-523.<\/div><div id=\"ftn769\">[769] Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis,<\/i> 14: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 526-527.<\/div><div id=\"ftn770\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref770\" name=\"_ftn770\">[770] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>39: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 842.<\/div><div id=\"ftn771\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref771\" name=\"_ftn771\">[771] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2441.<\/div><div id=\"ftn772\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref772\" name=\"_ftn772\">[772] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>36: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 838-839.<\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1233\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1233\" aria-controls=\"collapse1233\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CAP\u00cdTULO VIII - A COMUNIDADE POL\u00cdTICA<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1233\" data-parent=\"#sp-ea-123\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1233\"> <div class=\"ea-body\"><p style=\"text-align: left\" align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>I. ASPECTOS B\u00cdBLICOS<\/b><\/span><\/p><p align=\"left\"><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"O senhorio de Deus\"><\/a>O senhorio de Deus<\/b><\/span><\/p><p><b>377 <\/b><i>O povo de Israel, na fase inicial da sua hist\u00f3ria, n\u00e3o tem reis, como os demais povos, porque reconhece t\u00e3o-somente o senhorio de Iahweh. \u00c9 Deus que interv\u00e9m na hist\u00f3ria atrav\u00e9s de homens carism\u00e1ticos<\/i>, conforme testemunha o Livro dos Ju\u00edzes. Ao \u00faltimo destes homens, Samuel, o povo pedir\u00e1 um rei semelhante (cf. 1 <i>Sam <\/i>8, 5; 10, 18-19). Samuel p\u00f5e os Israelitas de sobreaviso acerca das conseq\u00fc\u00eancias de um exerc\u00edcio desp\u00f3tico da realeza (cf. 1 <i>Sam <\/i>8, 11-18); contudo, o poder r\u00e9gio pode ser experimentado como dom de Iahweh que como dom de Iahweh que vem em socorro de seu povo (cfr 1 <i>Sam <\/i>9, 16). Finalmente, Saul receber\u00e1 a un\u00e7\u00e3o real (cf. 1 <i>Sam <\/i>10, 1-12). O epis\u00f3dio evidencia as tens\u00f5es que levaram Israel a uma concep\u00e7\u00e3o de realeza diferente da dos povos vizinhos: o rei, escolhido por Iahweh (cf. <i>Dt<\/i> 17, 15: 1 <i>Sam <\/i>9, 16) e por Ele consagrado (cf. 1 <i>Sam <\/i>16, 12-13) ser\u00e1 visto como Seu filho (cf. <i>Sal<\/i> 2, 7) e dever\u00e1 tornar vis\u00edvel o senhorio e o des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o (cf. <i>Sal<\/i> 72). Dever\u00e1 ainda fazer-se defensor dos fracos e assegurar ao povo a justi\u00e7a: as den\u00fancias dos profetas apontar\u00e3o precisamente para as inadimpl\u00eancias dos reis (cfr 1 <i>Re<\/i> 21; Am 2, 6-8; <i>Mi<\/i> 3, 1-4).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>378 <\/b><i>O prot\u00f3tipo de rei escolhido por Iahweh \u00e9 Davi, cuja condi\u00e7\u00e3o humilde o relato b\u00edblico ressalta com complac\u00eancia <\/i>(cf. 1 <i>Sam <\/i>16, 1-13). Davi \u00e9 o deposit\u00e1rio da promessa (cf. 2 <i>Sam <\/i>7, 13 ss; Sal 89, 2-38; 132, 11-18), que o coloca na origem de uma tradi\u00e7\u00e3o real, precisamente a tradi\u00e7\u00e3o \u00abmessi\u00e2nica\u00bb, a qual n\u00e3o obstante todos os pecados e as infidelidades do mesmo Davi e de seus sucessores, culmina em Jesus Cristo, o \u00abungido de Iahweh\u00bb (isto \u00e9, \u00abconsagrado do Senhor\u00bb cf. 1 <i>Sam <\/i>2, 35; 24, 7.11; 26, 9.16; Ex. 30, 22-32) por excel\u00eancia, filho de Davi (cf. as duas genealogias em<i> Mt <\/i>1, 1-17 e<i> Lc <\/i>3, 23-38; ver tamb\u00e9m<i> Rm <\/i>1, 3).<\/p><p><i>O fracasso, no plano hist\u00f3rico, da realeza n\u00e3o ocasionar\u00e1 o desaparecimento do ideal de um rei que, em fidelidade a Iahweh, governe com sabedoria e exer\u00e7a a justi\u00e7a<\/i>. Esta esperan\u00e7a reaparece repetidas vezes nos Salmos (cf. <i>Sal<\/i> 2; 18; 20; 21; 72). Nos or\u00e1culos messi\u00e2nicos \u00e9 esperado, para um tempo escatol\u00f3gico, a figura de um rei dotado do Esp\u00edrito do Senhor, pleno de sapi\u00eancia e em condi\u00e7\u00e3o de trazer justi\u00e7a aos pobres (cf. <i>Is<\/i> 11, 2-5; <i>Jr <\/i>23, 5-6). Verdadeiro pastor do povo de Israel (cf. <i>Ez<\/i> 34, 23-24; 37, 24) levar\u00e1 a paz aos povos (cf. <i>Zc<\/i> 9, 9-10). Na literatura sapiencial, o rei \u00e9 apresentado como aquele que emite justos ju\u00edzos e aborrece a iniq\u00fcidade (cf. <i>Pr<\/i> 16, 12), julga os pobres com equidade (cf. <i>Pr<\/i> 29, 14) e \u00e9 amigo do homem de cora\u00e7\u00e3o puro (cf. <i>Pr<\/i> 22, 11). Torna mais expl\u00edcito o an\u00fancio de tudo quanto os Evangelhos e os demais autores do Novo Testamento v\u00eaem realizado em Jesus de Nazar\u00e9, encarna\u00e7\u00e3o definitiva da figura do rei descrita no Antigo Testamento.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"Jesus e a autoridade pol\u00edtica\"><\/a>Jesus e a autoridade pol\u00edtica<\/b><\/span><\/p><p><b>379 <\/b><i>Jesus rejeita o poder opressivo e desp\u00f3tico dos grandes sobre na\u00e7\u00f5es <\/i>(cf. <i>Mc <\/i>10, 42) <i>e suas pretens\u00f5es de fazerem-se chamar benfeitores <\/i>(cf. <i>Lc <\/i>21, 25), <i>mas nunca contesta diretamente as autoridades de seu tempo<\/i>. Na diatribe sobre o tributo a ser pago a C\u00e9sar (cf. <i>Mc <\/i>12, 13-17;<i> Mt <\/i>22, 15-22;<i> Lc <\/i>20, 20-26), Ele afirma que se deve dar a Deus o que \u00e9 de Deus, condenando implicitamente toda tentativa de divinizar e de absolutizar o poder temporal: somente Deus pode exigir tudo do homem. Ao mesmo tempo o poder temporal tem o direito \u00e0quilo que lhe \u00e9 devido: Jesus n\u00e3o considera injusto o tributo a C\u00e9sar.<\/p><p><i>Jesus, o Messias prometido, combateu e desbaratou a tenta\u00e7\u00e3o de um messianismo pol\u00edtico, caracterizado pelo dom\u00ednio sobre as na\u00e7\u00f5es <\/i>(cf.<i> Mt <\/i>4, 8-11;<i> Lc <\/i>4, 5-8). Ele \u00e9 o Filho do Homem que veio \u00abpara servir e entregar a pr\u00f3pria vida\u00bb (<i>Mc <\/i>10, 45; cf. <i>Mt <\/i>20, 24-28;<i> Lc <\/i>22, 24-27). Aos disc\u00edpulos que discutem sobre qual \u00e9 o maior, Jesus ensina a fazer-se \u00faltimo e a servir a todos (cf. <i>Mc <\/i>9, 33-35), indicando aos filhos de Zebedeu, Tiago e Jo\u00e3o, que ambicionam sentar-se \u00e0 Sua direita, o caminho da cruz (cf. <i>Mc <\/i>10, 35-40;<i> Mt <\/i>20, 20-23).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"As primeiras comunidades crist\u00e3s\"><\/a>As primeiras comunidades crist\u00e3s<\/b><\/span><\/p><p><b>380 <\/b><i>A submiss\u00e3o, n\u00e3o passiva, mas por raz\u00f5es de consci\u00eancia<\/i>(<i>Rm <\/i>13, 5) <i>ao poder constitu\u00eddo corresponde \u00e0 ordem estabelecida por Deus<\/i>. S\u00e3o Paulo define as rela\u00e7\u00f5es e os deveres dos crist\u00e3os para com as autoridades (cf.<i> Rm <\/i>13, 1-7). Insiste no dever c\u00edvico de pagar os tributos: \u00abPagai a cada um o que lhe compete: o imposto, a quem deveis o imposto; o tributo, a quem deveis o tributo; o temor e o respeito, a quem deveis o temor e o respeito\u00bb (<i>Rm <\/i>13, 7). O Ap\u00f3stolo certamente n\u00e3o pretende legitimar todo poder, pretende antes ajudar os crist\u00e3os a \u00ab<i>fazer o bem diante de todos os homens<\/i>\u00bb (<i>Rm <\/i>12, 7), tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es com a autoridade, na medida em que esta est\u00e1 ao servi\u00e7o de Deus para o bem da pessoa (cf.<i> Rm <\/i>13, 4; 1<i> Tm <\/i>2, 1-1;<i> Tt <\/i>3, 1) e \u00abpara fazer justi\u00e7a e exercer a ira contra aquele que pratica o mal\u00bb (<i>Rm <\/i>13, 4).<\/p><p>S\u00e3o Pedro exorta os crist\u00e3os a submeter-se \u00ab<i>a toda autoridade humana por amor a Deus<\/i>\u00bb (1<i> Pe<\/i> 2, 13). O rei e os seus governadores t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de \u00abpunir os malfeitores e premiar os bons\u00bb (cf. 1<i> Pe <\/i>2, 14). A sua autoridade deve ser \u00abhonrada\u00bb, isto \u00e9, reconhecida, porque Deus exige um comportamento reto, que \u00ab<i>emude\u00e7a a ignor\u00e2ncia dos insensatos<\/i>\u00bb (1<i> Pe <\/i>2, 15). A liberdade n\u00e3o pode ser usada para cobrir a pr\u00f3pria mal\u00edcia, mas para servir a Deus (cf. <i>ibidem<\/i>). Trata-se portanto de uma obedi\u00eancia livre e respons\u00e1vel a uma autoridade que faz respeitar a justi\u00e7a, assegurando o bem comum.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>381<\/b> <i>A ora\u00e7\u00e3o pelos governantes, recomendada por S\u00e3o Paulo durante as persegui\u00e7\u00f5es, indica explicitamente o que a autoridade pol\u00edtica deve garantir: uma vida calma e tranq\u00fcila a transcorrer com toda a piedade e dignidade<\/i> (cf. 1<i> Tm <\/i>2, 1-2). Os crist\u00e3os devem estar \u00abprontos para qualquer boa obra\u00bb (<i>Tt<\/i> 3, 1), sabendo \u00abdar provas de toda mansid\u00e3o para com todos os homens\u00bb<i> <\/i>(<i>Tt 3, 2<\/i>),<i> <\/i>conscientes de ter sido salvos n\u00e3o pelas suas obras, mas pela miseric\u00f3rdia de Deus. Sem \u00abo batismo da regenera\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o, pelo Esp\u00edrito Santo, que nos foi concedido em profus\u00e3o, por meio de Cristo, nosso Salvador\u00bb (<i>Tt 3, 5-6<\/i>),<i> <\/i>todos os homens s\u00e3o \u00abinsensatos, rebeldes, transviados, escravos de paix\u00f5es de toda a esp\u00e9cie, vivendo na mal\u00edcia e na inveja, detest\u00e1veis, odiando-nos uns aos outros\u00bb (<i>Tt<\/i> 3, 3). N\u00e3o se deve esquecer a mis\u00e9ria da condi\u00e7\u00e3o humana, marcada pelo pecado e resgatada pelo amor de Deus.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>382 <\/b><i>Quando o poder humano sai dos limites da vontade de Deus, se autodiviniza e exige submiss\u00e3o absoluta, torna-se a Besta do Apocalipse, imagem do poder imperial perseguidor<\/i>, \u00e9brio \u00abdo sangue dos santos e dos m\u00e1rtires de Jesus\u00bb (<i>Ap<\/i>. 17, 6). A Besta tem a seu servi\u00e7o o \u00abfalso profeta\u00bb (<i>Ap<\/i>. 19, 20), que impele os homens a ador\u00e1-la com portentos que seduzem. Esta vis\u00e3o indica profeticamente todas as ins\u00eddias usadas por Satan\u00e1s para governar os homens, insinuando-se no seu esp\u00edrito com a mentira. Mas Cristo \u00e9 o Cordeiro Vencedor de todo poder que se absolutiza no curso da hist\u00f3ria humana. Em face de tais poderes, S\u00e3o Jo\u00e3o recomenda a resist\u00eancia dos m\u00e1rtires: dessa maneira, os fi\u00e9is testemunham que o poder corrupto e sat\u00e2nico \u00e9 vencido, porque j\u00e1 n\u00e3o tem ascend\u00eancia alguma sobre eles.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>383 <\/b><i>A Igreja proclama que Cristo, vencedor da morte, reina sobre o universo que Ele mesmo resgatou. O Seu reino se estende a todo o tempo presente e ter\u00e1 fim somente quando tudo for entregue ao Pai e a hist\u00f3ria humana se consumar com o ju\u00edzo final<\/i>(cf. 1<i> Cor <\/i>15, 20-28). Cristo revela \u00e0 autoridade humana, sempre tentada ao dom\u00ednio, o seu significado aut\u00eantico e completo de servi\u00e7o. Deus \u00e9 o \u00fanico Pai e Cristo o \u00fanico mestre para todos os homens, que s\u00e3o irm\u00e3os. A soberania pertence a Deus. O Senhor, todavia, \u00abn\u00e3o quis reter para Si o exerc\u00edcio de todos os poderes. Confia a cada criatura as fun\u00e7\u00f5es que esta \u00e9 capaz de exercer, segundo as capacidades da pr\u00f3pria natureza. Este modo de governo deve ser imitado na vida social. O comportamento de Deus no governo do mundo, que demonstra t\u00e3o grande considera\u00e7\u00e3o pela liberdade humana, deveria inspirar a sabedoria dos que governam as comunidades humanas. Estes devem comportar-se como ministros da provid\u00eancia divina\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn773\" name=\"_ftnref773\"> [773] <\/a>.<\/p><p>A mensagem b\u00edblica inspira incessantemente o pensamento crist\u00e3o sobre o poder pol\u00edtico, recordando que esse tem sua origem em Deus e, como tal, \u00e9 parte integrante da ordem por Ele criada. Tal ordem \u00e9 percebida pelas consci\u00eancias e se realiza na vida social mediante a verdade, a justi\u00e7a e a solidariedade, que conduzem \u00e0 paz<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn774\" name=\"_ftnref774\"> [774] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>II. O FUNDAMENTO<br \/>E O FIM DA COMUNIDADE POL\u00cdTICA <\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"Comunidade pol\u00edtica, pessoa humana e povo\"><\/a>Comunidade pol\u00edtica, pessoa humana e povo<\/b><\/span><\/p><p><b>384 <\/b><i>A pessoa humana \u00e9 fundamento e fim da conviv\u00eancia pol\u00edtica<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn775\" name=\"_ftnref775\"> [775] <\/a>. Dotada de racionalidade, \u00e9 respons\u00e1vel pelas pr\u00f3prias escolhas e capaz de perseguir projetos que d\u00e3o sentido \u00e0 sua vida, tanto no plano individual como no plano social. A abertura para a Transcend\u00eancia e para os outros \u00e9 o tra\u00e7o que a caracteriza e distingue: somente em rela\u00e7\u00e3o com a Transcend\u00eancia e com os outros a pessoa humana alcan\u00e7a a plena e completa realiza\u00e7\u00e3o de si. Isto significa que para o homem, criatura naturalmente social e pol\u00edtica, \u00aba vida social ... n\u00e3o \u00e9 qualquer coisa de acidental\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn776\" name=\"_ftnref776\"> [776] <\/a>, mas uma dimens\u00e3o essencial e incancel\u00e1vel.<\/p><p><i>A comunidade pol\u00edtica procede, portanto, da natureza das pessoas, cuja consci\u00eancia<\/i> \u00ab<i>manifesta e obriga peremptoriamente a observar<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn777\" name=\"_ftnref777\"> [777] <\/a><i>a ordem esculpida por Deus em todas as Suas criaturas<\/i>: \u00abuma ordem moral e religiosa, que, mais do que todos e quaisquer valores materiais, influi na dire\u00e7\u00e3o e nas solu\u00e7\u00f5es que deve dar aos problemas da vida individual e comunit\u00e1ria, dentro das comunidades nacionais e nas rela\u00e7\u00f5es entre estas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn778\" name=\"_ftnref778\"> [778] <\/a>. Tal ordem deve ser gradualmente descoberta e desenvolvida pela humanidade. A comunidade pol\u00edtica, realidade conatural aos homens, existe para obter um fim comum, inating\u00edvel de outra forma: o crescimento em plenitude de cada um de seus membros, chamados a colaborar de modo est\u00e1vel para a realiza\u00e7\u00e3o do bem comum<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn779\" name=\"_ftnref779\"> [779] <\/a>, sob o impulso da sua tens\u00e3o natural para a verdade e para o bem.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>385<\/b> <i>A comunidade pol\u00edtica tem na refer\u00eancia ao povo a sua aut\u00eantica dimens\u00e3o<\/i>: ela \u00ab\u00e9, e deve ser na realidade, a unidade org\u00e2nica e organizadora de um verdadeiro povo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn780\" name=\"_ftnref780\"> [780] <\/a>. O povo n\u00e3o \u00e9 uma multid\u00e3o amorfa, uma massa inerte a ser manipulada e instrumentalizada, mas sim um conjunto de pessoas, cada uma das quais \u2015<i> <\/i>\u00abdo pr\u00f3prio lugar e a seu modo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn781\" name=\"_ftnref781\"> [781] <\/a>\u2015 tem a possibilidade de formar a pr\u00f3pria opini\u00e3o a respeito da coisa p\u00fablica e a liberdade de exprimir a pr\u00f3pria sensibilidade pol\u00edtica e de faz\u00ea-la valer em maneira consoante com o bem comum. O povo \u00abvive da plenitude da vida dos homens que o comp\u00f5em, cada um dos quais .... \u00e9 uma pessoa consciente das pr\u00f3prias responsabilidades e das pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn782\" name=\"_ftnref782\"> [782] <\/a>. Os que pertencem a uma comunidade pol\u00edtica, mesmo sendo <i>organicamente<\/i> unidos entre si, conservam, n\u00e3o obstante, uma insuprim\u00edvel <i>autonomia<\/i> no \u00e2mbito da exist\u00eancia pessoal e dos fins a perseguir.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>386 <\/b><i>O que, em primeiro lugar, caracteriza um povo \u00e9 a partilha de vida e de valores, que \u00e9 fonte de comunh\u00e3o no \u00e2mbito espiritual e moral<\/i>: \u00ab\u00c9 que acima de tudo, ... h\u00e1 de considerar-se a conviv\u00eancia humana como realidade eminentemente espiritual: como intercomunica\u00e7\u00e3o de conhecimentos \u00e0 luz da verdade, exerc\u00edcio de direitos e cumprimento de deveres, incentivo e apelo aos bens morais, gozo comum do belo em todas as suas leg\u00edtimas express\u00f5es, permanente disposi\u00e7\u00e3o de fundir em tesouro comum o que de melhor cada qual possua, anelo de assimila\u00e7\u00e3o pessoal de valores espirituais. Valores esses, nos quais se vivifica e orienta tudo o que diz respeito \u00e0 cultura, ao desenvolvimento econ\u00f4mico, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es sociais, aos movimentos e regimes pol\u00edticos, \u00e0 ordem jur\u00eddica e aos demais elementos, atrav\u00e9s dos quais se articula e se exprime a conviv\u00eancia humana em incessante evolu\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn783\" name=\"_ftnref783\"> [783] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>387 <\/b><i>A cada povo corresponde em geral uma na\u00e7\u00e3o, mas, por raz\u00f5es diversas, nem sempre as fronteiras nacionais coincidem com os confins \u00e9tnicos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn784\" name=\"_ftnref784\"> [784] <\/a>. <i>Aparece destarte a quest\u00e3o das minorias, que historicamente tem originado n\u00e3o poucos conflitos. O Magist\u00e9rio afirma que as minorias constituem grupos com direitos e deveres espec\u00edficos. <\/i>Em primeiro lugar, um grupo minorit\u00e1rio tem direito \u00e0 sua pr\u00f3pria exist\u00eancia: \u00abEste direito pode ser desatendido de diversas maneiras, at\u00e9 aos casos extremos em que \u00e9 negado, mediante formas manifestas ou indiretas de genoc\u00eddio\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn785\" name=\"_ftnref785\"> [785] <\/a>. Ademais, as minorias t\u00eam o direito de manter a sua cultura, incluindo a l\u00edngua, bem como as suas convic\u00e7\u00f5es religiosas, incluindo a celebra\u00e7\u00e3o do culto. Ao reivindicar legitimamente os pr\u00f3prios direitos, as minorias podem ser levadas a procurar uma maior autonomia ou at\u00e9 mesmo a independ\u00eancia: em tais delicadas circunst\u00e2ncias, di\u00e1logo e negocia\u00e7\u00e3o constituem o caminho para alcan\u00e7ar a paz. Em todo caso, o recurso ao terrorismo \u00e9 injustific\u00e1vel e prejudicaria a causa que se pretende defender. As minorias em tamb\u00e9m deveres a cumprir, entre eles, antes de mais, a coopera\u00e7\u00e3o para o bem comum do Estado em que est\u00e3o inseridas. Em particular, \u00ab um grupo minorit\u00e1rio tem o dever de promover a liberdade e a dignidade de cada um dos seus membros, e de respeitar as op\u00e7\u00f5es de cada indiv\u00edduo seu, mesmo quando algu\u00e9m decidisse passar \u00e0 cultura majorit\u00e1ria\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn786\" name=\"_ftnref786\"> [786] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"Tutelar e promover os direitos humanos\"><\/a>Tutelar e promover os direitos humanos<\/b><\/span><\/p><p><b>388 <\/b><i>Considerar a pessoa humana como fundamento e fim da comunidade pol\u00edtica significa esfor\u00e7ar-se, antes de mais, pelo reconhecimento e pelo respeito da sua dignidade mediante a tutela e a promo\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais e inalien\u00e1veis do homem<\/i>: \u00ab No tempo moderno, a atua\u00e7\u00e3o do bem comum encontra a sua indica\u00e7\u00e3o de fundo nos direitos e nos deveres da pessoa\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn787\" name=\"_ftnref787\"> [787] <\/a>. Nos direitos humanos est\u00e3o condensadas as principais exig\u00eancias morais e jur\u00eddicas que devem presidir \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da comunidade pol\u00edtica. Tais direitos constituem uma norma objetiva que est\u00e1 na base do direito positivo e que n\u00e3o pode ser ignorada pela comunidade pol\u00edtica, porque a pessoa lhe \u00e9 ontol\u00f3gica e teleologicamente anterior: o direito positivo deve garantir a satisfa\u00e7\u00e3o das exig\u00eancias humanas fundamentais.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>389.<\/b> <i>A comunidade pol\u00edtica persegue o bem comum atuando com vista \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um ambiente humano em que aos cidad\u00e3os seja oferecida a possibilidade de um real exerc\u00edcio dos direitos humanos e de um pleno cumprimento dos respectivos deveres<\/i>: \u00abAtesta a experi\u00eancia que, faltando por parte dos poderes p\u00fablicos uma atua\u00e7\u00e3o apropriada com \u201crespeito \u00e0 economia, \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a instru\u00e7\u00e3o\u201d, sobretudo nos tempos atuais, as desigualdades entre os cidad\u00e3os tendem a exasperar-se cada vez mais, os direitos da pessoa tendem a perder todo seu conte\u00fado e compromete-se, ainda por cima, o cumprimento do dever\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn788\" name=\"_ftnref788\"> [788] <\/a>.<\/p><p><i>A plena realiza\u00e7\u00e3o do bem comum requer que a comunidade pol\u00edtica desenvolva, no \u00e2mbito dos direitos humanos, uma a\u00e7\u00e3o d\u00faplice e complementar, de defesa e de promo\u00e7\u00e3o<\/i>: \u00abEvite-se que, atrav\u00e9s de prefer\u00eancias outorgadas a indiv\u00edduos ou grupos, se criem situa\u00e7\u00f5es de privil\u00e9gio. Nem se venha a instaurar o absurdo de, ao intentar a autoridade tutelar os direitos da pessoa, chegue a coarct\u00e1-los\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn789\" name=\"_ftnref789\"> [789] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"A conviv\u00eancia baseada na amizade civil\"><\/a>A conviv\u00eancia baseada na amizade civil<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>390 <\/b><i>O significado profundo da conviv\u00eancia civil e pol\u00edtica n\u00e3o emerge imediatamente do elenco dos direitos e deveres da pessoa<\/i>. <i>Tal conviv\u00eancia s\u00f3 adquire todo o seu significado se for baseada na amizade civil e na fraternidade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn790\" name=\"_ftnref790\"> [790] <\/a>. De fato, o campo do direito \u00e9 o do interesse tutelado e do respeito exterior, da prote\u00e7\u00e3o dos bens materiais e da sua reparti\u00e7\u00e3o de acordo com regras estabelecidas; o campo da amizade \u00e9, pelo contr\u00e1rio, o do desinteresse, do desprendimento dos bens materiais, da sua doa\u00e7\u00e3o, da disponibilidade interior \u00e0s exig\u00eancias do outro<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn791\" name=\"_ftnref791\"> [791] <\/a>. <i>A amizade civil<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn792\" name=\"_ftnref792\"> [792] <\/a>, assim entendida, \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o mais aut\u00eantica do princ\u00edpio de fraternidade, que \u00e9 insepar\u00e1vel do de liberdade e de igualdade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn793\" name=\"_ftnref793\"> [793] <\/a>. Trata-se de um princ\u00edpio que permaneceu em grande parte n\u00e3o realizado nas sociedades pol\u00edticas modernas e contempor\u00e2neas, sobretudo por causa da influ\u00eancia exercida pelas ideologias individualistas e coletivistas.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>391 <\/b><i>Uma comunidade \u00e9 solidamente fundada quando tende para a promo\u00e7\u00e3o integral da pessoa e do bem comum: neste caso, o direito \u00e9 definido, respeitado e vivido tamb\u00e9m de acordo com as modalidades da solidariedade e da dedica\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo<\/i>. A justi\u00e7a exige que cada um possa gozar dos pr\u00f3prios bens e dos pr\u00f3prios direitos e pode ser considerada como a medida m\u00ednima do amor<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn794\" name=\"_ftnref794\"> [794] <\/a>. A conviv\u00eancia torna-se tanto mais humana quanto mais \u00e9 caracterizada pelo esfor\u00e7o em prol de uma consci\u00eancia mais madura do ideal para o qual deve tender, a saber, a \u00abciviliza\u00e7\u00e3o do Amor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn795\" name=\"_ftnref795\"> [795] <\/a>.<\/p><p><i>O homem \u00e9 uma pessoa, n\u00e3o s\u00f3 um indiv\u00edduo<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn796\" name=\"_ftnref796\"> [796] <\/a>. O termo \u00abpessoa\u00bb indica uma <\/i>\u00ab<i>natureza dotada de intelig\u00eancia e vontade livre<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn797\" name=\"_ftnref797\"> [797] <\/a><i>: \u00e9 portanto uma realidade bem superior \u00e0 de um sujeito que se exprime nas necessidades produzidas pela mera dimens\u00e3o material<\/i>. Com efeito, a pessoa humana, mesmo participando ativamente na obra que tem por objetivo a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades no seio da sociedade familiar, civil e pol\u00edtica, n\u00e3o encontra a sua realiza\u00e7\u00e3o completa enquanto n\u00e3o supera a l\u00f3gica da necessidade para projetar-se na l\u00f3gica da gratuidade e do dom, a qual corresponde mais plenamente \u00e0 sua ess\u00eancia e \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>392 <\/b><i>O preceito evang\u00e9lico da caridade ilumina os crist\u00e3os sobre o significado mais profundo da conviv\u00eancia pol\u00edtica<\/i>. Para torn\u00e1-la verdadeiramente humana, \u00abnada existe de mais importante que desenvolver o sentimento \u00edntimo da justi\u00e7a, da bondade, a dedica\u00e7\u00e3o ao bem comum e tornar mais s\u00f3lidas as convic\u00e7\u00f5es fundamentais acerca da verdadeira natureza da comunidade pol\u00edtica e tamb\u00e9m acerca do reto exerc\u00edcio e dos limites da autoridade p\u00fablica\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn798\" name=\"_ftnref798\"> [798] <\/a>. O objetivo que os fi\u00e9is se devem propor \u00e9 o <i>da realiza\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias entre as pessoas<\/i>. A vis\u00e3o crist\u00e3 da sociedade pol\u00edtica confere o maior relevo ao valor da <i>comunidade<\/i>, seja como modelo organizativo da conviv\u00eancia, seja como estilo de vida quotidiana.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>III. A AUTORIDADE POL\u00cdTICA<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"O fundamento da autoridade pol\u00edtica\"><\/a>O fundamento da autoridade pol\u00edtica<\/b><\/span><\/p><p><b>393 <\/b><i>A Igreja tem se confrontado com diversas concep\u00e7\u00f5es de autoridade, tendo sempre o cuidado de defender e propor um modelo fundado na natureza social das pessoas<\/i>: \u00abCom efeito, Deus criou os homens sociais por natureza e, j\u00e1 que sociedade alguma pode \u201csubsistir sem um chefe que, com o mesmo impulso eficaz, encaminhe todos para o fim comum, conclui-se que a comunidade humana tem necessidade de uma autoridade que a governe. Esta, assim como a sociedade, se origina da natureza, e por isso mesmo, vem de Deus\u201d\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn799\" name=\"_ftnref799\"> [799] <\/a>. <i>A autoridade pol\u00edtica \u00e9, portanto, necess\u00e1ria<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn800\" name=\"_ftnref800\"> [800] <\/a><i>em fun\u00e7\u00e3o das tarefas que lhe s\u00e3o atribu\u00eddas e deve ser uma componente positiva e insubstitu\u00edvel da conviv\u00eancia civil<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn801\" name=\"_ftnref801\"> [801] <\/a><i>.<\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>394 <\/b><i>A autoridade pol\u00edtica deve garantir a vida ordenada e reta da comunidade, sem tomar o lugar da livre atividade dos indiv\u00edduos e dos grupos, mas disciplinando-a e orientando-a, no respeito e na tutela da independ\u00eancia dos sujeitos individuais e sociais, para a realiza\u00e7\u00e3o do bem comum<\/i>. A autoridade pol\u00edtica \u00e9 o instrumento de coordena\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o mediante o qual os indiv\u00edduos e os corpos interm\u00e9dios se devem orientar para uma ordem cujas rela\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es e procedimentos estejam ao servi\u00e7o do crescimento humano integral. O exerc\u00edcio da autoridade pol\u00edtica, com efeito, \u00abquer no interior da comunidade como tal, quer nos organismos que representam o Estado, deve desenrolar-se sempre dentro dos limites da ordem moral, em vistas do bem comum \u2015 considerado dinamicamente \u2015 segundo a ordem jur\u00eddica legitimamente institu\u00edda ou a instituir. Ent\u00e3o, os cidad\u00e3os est\u00e3o obrigados em consci\u00eancia a obedecer\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn802\" name=\"_ftnref802\"> [802] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>395 <\/b><i>O sujeito da autoridade pol\u00edtica \u00e9 o povo considerado na sua totalidade como detentor da soberania<\/i>. O povo, de modos diferentes, transfere o exerc\u00edcio da sua soberania para aqueles que elege livremente como seus representantes, mas conserva a faculdade de a fazer valer no controlo da atua\u00e7\u00e3o dos governantes e tamb\u00e9m na sua substitui\u00e7\u00e3o, caso n\u00e3o cumpram de modo satisfat\u00f3rio as suas fun\u00e7\u00f5es. Se bem que este seja um direito v\u00e1lido em qualquer Estado e em qualquer regime pol\u00edtico, o sistema da democracia, gra\u00e7as aos seus procedimentos de controlo, consente e garante uma melhor realiza\u00e7\u00e3o do direito sobredito<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn803\" name=\"_ftnref803\"> [803] <\/a>. No entanto, o mero consenso popular n\u00e3o \u00e9 suficiente para que as modalidades de exerc\u00edcio da autoridade pol\u00edtica sejam consideradas justas.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"A autoridade como for\u00e7a moral\"><\/a>A autoridade como for\u00e7a moral<\/b><\/span><\/p><p><b>396 <\/b><i>A autoridade, pois, deve deixar-se guiar pela lei moral: toda a sua dignidade deriva do desenrolar-se no \u00e2mbito da ordem moral<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn804\" name=\"_ftnref804\"> [804] <\/a>, \u00aba qual tem a Deus como princ\u00edpio e fim\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn805\" name=\"_ftnref805\"> [805] <\/a>. Em raz\u00e3o da necess\u00e1ria refer\u00eancia \u00e0 ordem moral, que a precede e funda, das suas finalidades e dos destinat\u00e1rios, a autoridade n\u00e3o pode ser entendida como uma for\u00e7a que encontra a sua norma em valores de car\u00e1ter puramente sociol\u00f3gico e hist\u00f3rico: \u00abAlgumas, infelizmente, n\u00e3o reconhecem a exist\u00eancia da ordem moral: ordem transcendente, universal e absoluta, de igual valor para todos. Deste modo impossibilitam-se o contato e o entendimento pleno e confiado, \u00e0 luz de uma mesma lei de justi\u00e7a, por todos admitida e observada\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn806\" name=\"_ftnref806\"> [806] <\/a>. Esta ordem \u00abn\u00e3o pode existir sem Deus: separada dele, desintegra-se\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn807\" name=\"_ftnref807\"> [807] <\/a>. \u00c9 precisamente desta ordem que a autoridade obt\u00e9m a virtude de obrigar<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn808\" name=\"_ftnref808\"> [808] <\/a>e a pr\u00f3pria legitimidade moral<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn809\" name=\"_ftnref809\"> [809] <\/a>; n\u00e3o do arb\u00edtrio ou da vontade de poder<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn810\" name=\"_ftnref810\"> [810] <\/a>, e est\u00e1 obrigada a traduzir tal ordem nas a\u00e7\u00f5es concretas para alcan\u00e7ar o bem comum<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn811\" name=\"_ftnref811\"> [811] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>397<\/b> <i>A autoridade deve reconhecer, respeitar e promover os valores humanos e morais essenciais<\/i>. Estes s\u00e3o inatos, \u00abderivam da pr\u00f3pria verdade do ser humano, e exprimem e tutelam a dignidade da pessoa: valores que nenhum indiv\u00edduo, nenhuma maioria e nenhum Estado poder\u00e1 jamais criar, modificar ou destruir\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn812\" name=\"_ftnref812\"> [812] <\/a>. Estes n\u00e3o encontram fundamento nas \u00abmaiorias\u00bb de opini\u00e3o provis\u00f3rias e mut\u00e1veis, mas devem ser simplesmente reconhecidos, respeitados e promovidos como elementos de uma lei moral objetiva, lei natural inscrita no cora\u00e7\u00e3o do homem (cf. <i>Rm<\/i> 2,15), e ponto de refer\u00eancia normativo da mesma lei civil<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn813\" name=\"_ftnref813\"> [813] <\/a>. Quando por um tr\u00e1gico obscurecimento da consci\u00eancia coletiva, o ceticismo chegasse a por em d\u00favida os princ\u00edpios fundamentais da lei moral<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn814\" name=\"_ftnref814\"> [814] <\/a>, o pr\u00f3prio ordenamento estatal e contrapostos seria abalado nos seus fundamentos, ficando reduzido a puro mecanismo de regula\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica dos diversos e contrapostos interesses<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn815\" name=\"_ftnref815\"> [815] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>398 <\/b><i>A autoridade deve exarar leis justas, isto \u00e9, em conformidade com a dignidade da pessoa humana e com os ditames da reta raz\u00e3o<\/i>: \u00abA lei humana \u00e9 tem valor de lei enquanto \u00e9 conforme com a reta raz\u00e3o, e isso p\u00f5e de manifesto que deriva da lei eterna. Quando, pelo contr\u00e1rio, uma lei se afasta da raz\u00e3o, se diz lei in\u00edqua; neste caso, deixa de ser lei e se torna bem mais um ato de viol\u00eancia\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn816\" name=\"_ftnref816\"> [816] <\/a>. A autoridade que comanda segundo raz\u00e3o coloca o cidad\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tanto de sujei\u00e7\u00e3o a um outro homem, mas antes de obedi\u00eancia \u00e0 ordem moral e, portanto, a Deus mesmo que \u00e9 a sua fonte \u00faltima<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn817\" name=\"_ftnref817\"> [817] <\/a>. Quem nega obedi\u00eancia \u00e0 autoridade que age segundo a ordem moral \u00abop\u00f5e-se \u00e0 ordem estabelecida por Deus\u00bb (<i>Rm<\/i> 13, 1-2)<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn818\" name=\"_ftnref818\"> [818] <\/a>. Analogamente a autoridade p\u00fablica, que tem o seu fundamento na natureza humana e pertence \u00e0 ordem preestabelecida por Deus<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn819\" name=\"_ftnref819\"> [819] <\/a>, caso n\u00e3o se esforce por realizar o bem comum, desatende o seu fim pr\u00f3prio e por isso mesmo se deslegitima.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"O direito \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\"><\/a>O direito \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia<\/b><\/span><\/p><p><b>399<\/b> <i>O cidad\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 obrigado em consci\u00eancia a seguir as prescri\u00e7\u00f5es das autoridades civis se forem contr\u00e1rias \u00e0s exig\u00eancias da ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do Evangelho<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn820\" name=\"_ftnref820\"> [820] <\/a>. As leis injustas p\u00f5em os homens moralmente retos frente a dram\u00e1ticos problemas de consci\u00eancia: <i>quanto s\u00e3o chamados a colaborar em a\u00e7\u00f5es moralmente m\u00e1s, t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de recusar-se<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn821\" name=\"_ftnref821\"> [821] <\/a><i>. <\/i>Al\u00e9m de ser um dever moral, esta recusa \u00e9 tamb\u00e9m um direito humano basilar que, precisamente porque tal, a pr\u00f3pria lei civil deve reconhecer e proteger: \u00ab Quem recorre \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia deve ser salvaguardado n\u00e3o apenas de san\u00e7\u00f5es penais, mas ainda de qualquer dano no plano legal, disciplinar, econ\u00f4mico e profissional\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn822\" name=\"_ftnref822\"> [822] <\/a>.<\/p><p><i>\u00c9 um grave dever de consci\u00eancia n\u00e3o prestar colabora\u00e7\u00e3o, nem mesmo formal, \u00e0quelas pr\u00e1ticas que, embora admitidas pela legisla\u00e7\u00e3o civil, contrastam com a lei de Deus<\/i>. Tal colabora\u00e7\u00e3o, com efeito, nunca pode ser justificada, nem invocando o respeito da liberdade alheia, nem se apoiando no fato de que a lei civil a prev\u00ea e exige. \u00c0 responsabilidade moral pelos atos efetuados ningu\u00e9m poder\u00e1 jamais subtrair-se e sobre esta responsabilidade cada qual ser\u00e1 julgado pelo pr\u00f3prio Deus (<i>Rm <\/i>2, 6; 14, 12).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d) <b><a name=\"O direito de resistir\"><\/a>O direito de resistir<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>400 <\/b><i>Reconhecer que o direito natural funda e limita o direito positivo significa admitir que \u00e9 leg\u00edtimo resistir \u00e0 autoridade caso esta viole grave e repetidamente os princ\u00edpios do direito natural<\/i>. Santo Tom\u00e1s de Aquino escreve que \u00abse deve obedecer (...) na medida em que a ordem da justi\u00e7a assim o exija\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn823\" name=\"_ftnref823\"> [823] <\/a>. Portanto, o fundamento do direito de resist\u00eancia \u00e9 direito de natureza.<\/p><p>Diversas podem ser as manifesta\u00e7\u00f5es concretas que a realiza\u00e7\u00e3o de tal direito pode assumir. V\u00e1rios podem ser tamb\u00e9m os <i>fins<\/i> perseguidos. A resist\u00eancia \u00e0 autoridade visa reafirmar a validade de uma diferente vis\u00e3o das coisas, quer quando se procura obter uma mudan\u00e7a parcial, modificando por exemplo algumas leis, quer quando se pugna por uma mudan\u00e7a radical da situa\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>401 <\/b><i>A doutrina social indica os crit\u00e9rios para o exerc\u00edcio da resist\u00eancia<\/i>: \u00abA <i>resist\u00eancia<\/i> \u00e0 opress\u00e3o do poder pol\u00edtico n\u00e3o recorrer\u00e1 legitimamente \u00e0s armas, salvo quando se ocorrerem conjuntamente as seguintes condi\u00e7\u00f5es: 1. em caso de viola\u00e7\u00f5es certas, graves e prolongadas dos direitos fundamentais; 2. depois de ter esgotado todos os outros recursos; 3. sem provocar desordens piores; 4. que haja uma esperan\u00e7a fundada de \u00eaxito; 5. se for imposs\u00edvel prever razoavelmente solu\u00e7\u00f5es melhores\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn824\" name=\"_ftnref824\"> [824] <\/a>. A luta armada \u00e9 contemplada como extremo rem\u00e9dio para p\u00f4r fim a uma \u00abtirania evidente e prolongada que ofendesse gravemente os direitos fundamentais da pessoa humana e prejudicasse o bem comum do pa\u00eds\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn825\" name=\"_ftnref825\"> [825] <\/a>. A gravidade dos perigos que o recurso \u00e0 viol\u00eancia hoje comporta leva a considerar prefer\u00edvel o caminho da <i>resist\u00eancia passiva<\/i>, \u00abmais conforme aos princ\u00edpios morais e n\u00e3o menos prometedor do \u00eaxito\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn826\" name=\"_ftnref826\"> [826] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">e) <b><a name=\"Infligir as penas\"><\/a>Infligir as penas<\/b><\/span><\/p><p><b>402<\/b> <i>Para tutelar o bem comum, a leg\u00edtima autoridade p\u00fablica deve exercitar o direito e o dever de infligir penas proporcionadas \u00e0 gravidade dos delitos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn827\" name=\"_ftnref827\"> [827] <\/a>. O Estado tem pois o d\u00faplice dever de <i>reprimir<\/i> os comportamentos lesivos dos direitos do homem e das regras fundamentais de uma conviv\u00eancia civil, assim como de <i>reparar, <\/i>mediante o sistema das penas, a desordem causada pela a\u00e7\u00e3o delituosa. No <i>Estado de direito<\/i>, o poder de infligir as penas \u00e9 corretamente confiado \u00e0 Magistratura: \u00abAs Constitui\u00e7\u00f5es dos Estados modernos, ao definirem as rela\u00e7\u00f5es que devem existir entre o poder legislativo, o executivo e o judici\u00e1rio, garantem a este \u00faltimo a necessaria independ\u00eancia no \u00e2mbito da lei\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn828\" name=\"_ftnref828\"> [828] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>403 <\/b><i>A pena n\u00e3o serve unicamente para o fim de defender a ordem p\u00fablica e de garantir a seguran\u00e7a das pessoas; esta torna-se, outrossim, um instrumento de corre\u00e7\u00e3o do culpado, um corre\u00e7\u00e3o que assume tamb\u00e9m o valor moral de expia\u00e7\u00e3o quando o culpado aceita voluntariamente a sua pena<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn829\" name=\"_ftnref829\"> [829] <\/a>. A finalidade \u00e0 qual tender, \u00e9 d\u00faplice: de um lado <i>favorecer a reinser\u00e7\u00e3o das pessoas condenadas<\/i>; de outro lado <i>promover uma justi\u00e7a reconciliadora<\/i>, capaz de restaurar as rela\u00e7\u00f5es de conviv\u00eancia harmoniosa quebrantadas pelo ato criminoso.<\/p><p><i>A este prop\u00f3sito, \u00e9 importante a atividade que os capel\u00e3es dos c\u00e1rceres s\u00e3o chamados a desenvolver, n\u00e3o s\u00f3 sob o aspecto especificamente religioso, como tamb\u00e9m em defesa da dignidade das pessoas detidas<\/i>. Lamentavelmente, as condi\u00e7\u00f5es em que cumprem a pena n\u00e3o favorecem sempre o respeito pela sua dignidade; n\u00e3o raro as pris\u00f5es se tornam at\u00e9 mesmo teatro de novos crimes. Contudo, o ambiente dos institutos penais oferece um terreno privilegiado onde testemunhar, uma vez mais, a solicitude crist\u00e3 no campo social: \u00abestava na pris\u00e3o e viestes ver-me\u00bb (<i>Mt <\/i>25, 35-36).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>404 <\/b>A atividade dos of\u00edcios encarregados do acertamento da responsabilidade penal, que \u00e9 sempre de car\u00e1ter pessoal, deve tender \u00e0 rigorosa busca da verdade e deve ser conduzida no pleno respeito dos direitos da pessoa humana: trata-se de assegurar os direitos do culpado como os do inocente. Sempre se deve ter presente o princ\u00edpio jur\u00eddico geral pelo qual n\u00e3o se pode cominar uma pena sem que antes se tenha provado o delito.<\/p><p><i>No curso das investiga\u00e7\u00f5es deve ser escrupulosamente observada a regra que interdita a pr\u00e1tica da tortura<\/i>: \u00abO disc\u00edpulo de Cristo rejeita todo recurso a tais meios, de modo algum justific\u00e1vel e no qual a dignidade do homem \u00e9 aviltada tanto naquele que \u00e9 espancado quanto no seu algoz\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn830\" name=\"_ftnref830\"> [830] <\/a>. Os instrumentos jur\u00eddicos internacionais referentes asos direitos do homem indicam justamente a proibi\u00e7\u00e3o da tortura como um princ\u00edpio que em circunst\u00e2ncia alguma se pode derrogar.<\/p><p>H\u00e1 de ser, outrossim, exclu\u00eddo: \u00ab o recurso a uma deten\u00e7\u00e3o motivada apenas pela tentativa de obter not\u00edcias significativas para o processo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn831\" name=\"_ftnref831\"> [831] <\/a>. Ademais, deve ser assegurada \u00aba rapidez dos processos: uma sua excessiva dura\u00e7\u00e3o torna-se intoler\u00e1vel para os cidad\u00e3os e acaba por se traduzir em uma verdadeira e pr\u00f3pria injusti\u00e7a\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn832\" name=\"_ftnref832\"> [832] <\/a>.<\/p><p><i>Os magistrados est\u00e3o obrigados \u00e0 devida reserva no desenrolar das suas dilig\u00eancias <\/i>para n\u00e3o violar o direito dos inquiridos e para n\u00e3o debilitar o princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia. Dado que um juiz tamb\u00e9m esta sujeito a errar, \u00e9 oportuno que a legisla\u00e7\u00e3o determine uma c\u00f4ngrua indeniza\u00e7\u00e3o para a v\u00edtima de um erro judici\u00e1rio.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>405 <\/b><i>A Igreja v\u00ea como sinal de esperan\u00e7a <\/i>\u00ab<i>a avers\u00e3o cada vez mais difusa na opini\u00e3o p\u00fablica \u00e0 pena de morte <\/i>\u2014 mesmo vista s\u00f3 como instrumento de \u201cleg\u00edtima defesa\u201d social\u2014, tendo em considera\u00e7\u00e3o as possibilidades que uma sociedade moderna disp\u00f5e para reprimir eficazmente o crime, de forma que, enquanto torna inofensivo aquele que o cometeu, n\u00e3o lhe tira definitivamente a possibilidade de se redimir\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn833\" name=\"_ftnref833\"> [833] <\/a>. Embora o ensiamento tradicional da Igreja n\u00e3o exclua \u2015 uma vez comprovadas cabalmente a identidade e da responsabilidade do culpado \u2015 a pena de morte \u00abse esta for a \u00fanica via pratic\u00e1vel para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn834\" name=\"_ftnref834\"> [834] <\/a>, os m\u00e9todos n\u00e3o cruentos de repress\u00e3o e de puni\u00e7\u00e3o s\u00e3o de preferir \u00abporque correspondem melhor \u00e0s condi\u00e7\u00f5es concretas do bem comum e est\u00e3o mais conformes \u00e0 dignidade da pessoa humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn835\" name=\"_ftnref835\"> [835] <\/a>. O crescente n\u00famero de pa\u00edses que adotam medidas para abolir a pena de morte ou para suspender sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma prova do fato de que os casos em que os casos em que \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio suprimir o r\u00e9u \u00abs\u00e3o j\u00e1 muito raros, se n\u00e3o mesmo praticamente inexistentes\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn836\" name=\"_ftnref836\"> [836] <\/a>. A crescente avers\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica \u00e0 pena de morte e \u00e0s v\u00e1rias medidas em vista da sua aboli\u00e7\u00e3o ou da suspens\u00e3o da sua aplica\u00e7\u00e3o, constituem manifesta\u00e7\u00f5es vis\u00edveis de uma maior sensibilidade moral.<\/p><p align=\"center\"><b><span style=\"color: #663300\">IV. O SISTEMA DA BUROCRACIA<\/span><\/b><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>406 <\/b><i>Um ju\u00edzo expl\u00edcito e articulado sobre a democracia se encontra na Enc\u00edclica <\/i>\u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0067\/_INDEX.HTM\">Centesimus annus<\/a><\/i>\u00bb: \u00abA Igreja encara com simpatia o sistema da democracia, enquanto assegura a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os nas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e garante aos governados a possibilidade quer de escolher e controlar os pr\u00f3prios governantes, quer de os substituir pacificamente, quando tal se torne oportuno; ela n\u00e3o pode, portanto, favorecer a forma\u00e7\u00e3o de grupos restritos de dirigentes, que usurpam o poder do Estado a favor dos seus interesses particulares ou dos objetivos ideol\u00f3gicos. Uma aut\u00eantica democracia s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel num Estado de direito e sobre a base de uma reta concep\u00e7\u00e3o da pessoa humana. Aquela exige que se verifiquem as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 promo\u00e7\u00e3o quer dos indiv\u00edduos atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o e da forma\u00e7\u00e3o nos verdadeiros ideais, quer da \u201csubjetividade\u201d da sociedade, mediante a cria\u00e7\u00e3o de estruturas de participa\u00e7\u00e3o e co-responsabilidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn837\" name=\"_ftnref837\"> [837] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"Os valores e a democracia\"><\/a>Os valores e a democracia<\/b><\/span><\/p><p><b>407<\/b> <i>Uma aut\u00eantica democracia n\u00e3o \u00e9 o somente o resultado de um respeito formal de regras, mas \u00e9 o fruto da convicta aceita\u00e7\u00e3o dos valores que inspiram os procedimentos democr\u00e1ticos<\/i>: <i>a dignidade da pessoa humana, o respeito dos direitos do homem, do fato de assumir o \u00ab bem comum \u00bb como fim e crit\u00e9rio regulador da vida pol\u00edtica<\/i>. Se n\u00e3o h\u00e1 um consenso geral sobre tais valores, se perde o significado da democracia e se compromete a sua estabilidade.<\/p><p><i>A doutrina social individua um dos riscos maiores para as atuais democracias no relativismo \u00e9tico, que induz a considerar inexistente um crit\u00e9rio objetivo e universal para estabelecer o fundamento e a correta hierarquia dos valores<\/i>: \u00abHoje tende-se a afirmar que o agnosticismo e o relativismo c\u00e9ptico constituem a filosofia e o comportamento fundamental mais id\u00f4neos \u00e0s formas pol\u00edticas democr\u00e1ticas, e que todos quantos est\u00e3o convencidos de conhecer a verdade e firmemente aderem a ela n\u00e3o s\u00e3o dignos de confian\u00e7a do ponto de vista democr\u00e1tico, porque n\u00e3o aceitam que a verdade seja determinada pela maioria ou seja vari\u00e1vel segundo os diversos equil\u00edbrios pol\u00edticos. A este prop\u00f3sito, \u00e9 necess\u00e1rio notar que, se n\u00e3o existe nenhuma verdade \u00faltima que guie e oriente a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ent\u00e3o as id\u00e9ias e as convic\u00e7\u00f5es podem ser facilmente instrumentalizadas para fins de poder. Uma democracia sem valores converte-se facilmente num totalitarismo aberto ou dissimulado, como a hist\u00f3ria demonstra\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn838\" name=\"_ftnref838\"> [838] <\/a>. A democracia \u00e9 fundamentalmente \u00abum \u201cordenamento\u201d e, como tal, um instrumento, n\u00e3o um fim. O seu car\u00e1ter \u00ab moral \u00bb n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tico, mas depende da conformidade com a lei moral, \u00e0 qual se deve submeter como qualquer outro comportamento humano: por outras palavras, depende da moralidade dos fins que persegue e dos meios que usa\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn839\" name=\"_ftnref839\"> [839] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"Institui\u00e7\u00f5es e democracia\"><\/a>Institui\u00e7\u00f5es e democracia<\/b><\/span><\/p><p><b>408 <\/b><i>O Magist\u00e9rio reconhece a validade do princ\u00edpio concernente \u00e0 divis\u00e3o dos poderes em um Estado<\/i>:\u00ab\u00e9 prefer\u00edvel que cada poder seja equilibrado por outros poderes e outras esferas de compet\u00eancia que o mantenham no seu justo limite. Este \u00e9 o princ\u00edpio do \u201cEstado de direito\u201d, no qual \u00e9 soberana a lei, e n\u00e3o a vontade arbitr\u00e1ria dos homens\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn840\" name=\"_ftnref840\"> [840] <\/a>.<\/p><p><i>No sistema democr\u00e1tico, a autoridade pol\u00edtica \u00e9 respons\u00e1vel diante do povo. <\/i>Os organismos representativos devem estar submetidos a um efetivo controle por parte do corpo social. Este controle \u00e9 poss\u00edvel antes de tudo atrav\u00e9s de elei\u00e7\u00f5es livres, que permitem a escolha assim como a substitui\u00e7\u00e3o dos representantes. A obriga\u00e7\u00e3o, por parte dos eleitos, de <i>prestar contas<\/i> acerca da sua atua\u00e7\u00e3o, garantida pelo respeito dos prazos do mandato eleitoral, \u00e9 elemento constitutivo da representa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<\/p><p><b>409 <\/b><i>No seu campo espec\u00edfico (elabora\u00e7\u00e3o de leis, atividade de governo e controle sobre a mesma), os eleitos devem empenhar-se na busca e na realiza\u00e7\u00e3o de tudo aquilo que possa favorecer ao bom andamento da conviv\u00eancia civil no seu conjunto<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn841\" name=\"_ftnref841\"> [841] <\/a>. A obriga\u00e7\u00e3o que os governantes t\u00eam de responder aos governados n\u00e3o implica de modo algum que os representantes sejam simples agentes passivos dos eleitores. O controle exercido pelos cidad\u00e3os, de fato, n\u00e3o exclui a necess\u00e1ria liberdade de que devem gozar no cumprimento de seu mandato em rela\u00e7\u00e3o aos objetivos a perseguir: estes n\u00e3o dependem exclusivamente de interesses de parte, mas em medida muito maior da fun\u00e7\u00e3o de s\u00edntese e de media\u00e7\u00e3o em vista do bem comum, que constitui uma das finalidades essenciais e irrenunci\u00e1veis da autoridade pol\u00edtica.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"Os componentes morais da representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\"><\/a>Os componentes morais da representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/b><\/span><\/p><p><b>410 <\/b><i>Aqueles que t\u00eam responsabilidades pol\u00edticas n\u00e3o devem esquecer ou subestimar a dimens\u00e3o moral da representa\u00e7\u00e3o<\/i>, que consiste no empenho de compartilhar a sorte do povo e em buscar a solu\u00e7\u00e3o dos problemas sociais. Nesta perspectiva, autoridade respons\u00e1vel<i> <\/i>significa tamb\u00e9m autoridade exercida mediante o recurso \u00e0s virtudes que favorecem <i>o exerc\u00edcio do poder com esp\u00edrito de servi\u00e7o<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn842\" name=\"_ftnref842\"> [842] <\/a>(paci\u00eancia, caridade, modestia, modera\u00e7\u00e3o, esfor\u00e7o de partilha); uma autoridade exercida por pessoas capazes de assumir autenticamente como finalidade do pr\u00f3prio agir o bem comum e n\u00e3o o prest\u00edgio ou a aquisi\u00e7\u00e3o de vantagens pessoais.<\/p><p><b>411<\/b> <i>Entre as deforma\u00e7\u00f5es do sistema democr\u00e1tico, a corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 uma das mais graves<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn843\" name=\"_ftnref843\"> [843] <\/a><i>porque trai, ao mesmo tempo, os princ\u00edpios da moral e as normas da justi\u00e7a social<\/i>; compromete o correto funcionamento do Estado, influindo negativamente na rela\u00e7\u00e3o entre governantes e governados; introduzindo uma crescente desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica e aos seus representantes, com o conseq\u00fcente enfraquecimento das institui\u00e7\u00f5es. A corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica distorce na raiz a fun\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es representativas, porque as usa como terreno de barganha pol\u00edtica entre solicita\u00e7\u00f5es clientelares e favores dos governantes. Deste modo, as op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas favorecem os objetivos restritos de quantos possuem os meios para influenci\u00e1-las e impedem a realiza\u00e7\u00e3o do bem comum de todos os cidad\u00e3os.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>412<\/b> <i>A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, em qualquer n\u00edvel \u2014 nacional, regional, municipal \u2014, como instrumento do Estado, tem por finalidade servir os cidad\u00e3os<\/i>: \u00abPosto ao servi\u00e7o dos cidad\u00e3os, o Estado \u00e9 o gestor dos bens do povo, que deve administrar tendo em vista o bem comum\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn844\" name=\"_ftnref844\"> [844] <\/a>. Contrasta com esta perspectiva o <i>excesso de burocratiza\u00e7\u00e3o<\/i>, que se verifica quando \u00abas institui\u00e7\u00f5es, ao tornarem-se complexas na organiza\u00e7\u00e3o e pretendendo gerir todos os espa\u00e7os dispon\u00edveis, acabam por se esvaziar devido ao funcionalismo impessoal, \u00e0 burocracia exagerada, aos interesses privados injustos e ao desinteresse f\u00e1cil e generalizado\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn845\" name=\"_ftnref845\"> [845] <\/a>. O papel de quem trabalha na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o se deve conceber como algo de impessoal e de burocr\u00e1tico, mas como uma ajuda pressurosa para os cidad\u00e3os, desempenhado com esp\u00edrito de servi\u00e7o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d) <b><a name=\"Instrumentos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\"><\/a>Instrumentos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/b><\/span><\/p><p><b>413 <\/b><i>Os partidos pol\u00edticos t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de favorecer uma participa\u00e7\u00e3o difusa e o acesso de todos \u00e0s responsabilidades p\u00fablicas<\/i>. Os partidos s\u00e3o chamados a interpretar as aspira\u00e7\u00f5es da sociedade civil orientando-as para o bem comum<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn846\" name=\"_ftnref846\"> [846] <\/a>, oferecendo aos cidad\u00e3os a possibilidade efetiva de concorrer para a forma\u00e7\u00e3o das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Os partidos devem ser democr\u00e1ticos no seu interior, capazes de s\u00edntese pol\u00edtica e de formula\u00e7\u00e3o de projetos.<\/p><p><i>Um outro instrumento de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 o referendum, <\/i>em que se realiza uma forma direta de acesso \u00e0s escolhas pol\u00edticas. O instituto da representa\u00e7\u00e3o, de fato, n\u00e3o exclui que os cidad\u00e3os possam ser interpelados diretamente em vista das escolhas de maior relevo da vida social.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">e) <b><a name=\"Informa\u00e7\u00e3o e democracia\"><\/a>Informa\u00e7\u00e3o e democracia<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>414<\/b> <i>A Informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 entre os principais instrumentos de participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. <\/i>N\u00e3o \u00e9 pens\u00e1vel participa\u00e7\u00e3o alguma sem o conhecimento dos problemas da comunidade pol\u00edtica, dos dados de fato e das v\u00e1rias propostas de solu\u00e7\u00e3o dos problemas. \u00c9 necess\u00e1rio assegurar um real pluralismo neste delicado \u00e2mbito da vida social, garantindo uma multiplicidade de formas e de instrumentos no campo da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o, facilitando tamb\u00e9m condi\u00e7\u00f5es de igualdade na posse e no uso de tais instrumentos mediante leis apropriadas. Entre os obst\u00e1culos que se op\u00f5em \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o plena do direito \u00e0 objetividade da informa\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn847\" name=\"_ftnref847\"> [847] <\/a>, merece especial aten\u00e7\u00e3o o fen\u00f4meno das concentra\u00e7\u00f5es editoriais e televisivas, com perigosos efeitos para o inteiro sistema democr\u00e1tico quando a tal fen\u00f4meno correspondem liames cada vez mais estreitos entre a atividade governativa, os poderes financeiros e a informa\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>415 <\/b><i>Os<b> <\/b>meios de comunica\u00e7\u00e3o social devem ser utilizados para edificar e apoiar a comunidade humana, nos v\u00e1rios setores, economico, politico, cultural, educativo, religioso<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn848\" name=\"_ftnref848\"> [848] <\/a>: \u00abA informa\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social est\u00e1 a servi\u00e7o do bem comum. A sociedade tem direito a uma informa\u00e7\u00e3o fundada sobre a verdade, a liberdade, a justi\u00e7a e a solidariedade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn849\" name=\"_ftnref849\"> [849] <\/a>.<\/p><p>A quest\u00e3o essencial concernente ao atual sistema informativo \u00e9 se ele contribui a tornar a pessoa humana verdadeiramente melhor, isto \u00e9, espiritualmente mais madura, mais consciente da dignidade da sua humanidade, mais respons\u00e1vel, mais aberta aos outros, sobretudo aos mais necessitados e aos mais pobres. Um outro aspecto de grande import\u00e2ncia \u00e9 a necessidade de que as novas tecnologias respeitem as leg\u00edtimas diferen\u00e7as culturais.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>416<\/b><i> No mondo dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social as dificuldades intr\u00ednsecas da comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o raro s\u00e3o agigantadas pela ideologia, pelo desejo de lucro e de controle pol\u00edtico, por rivalidades e conflitos entre grupos, e por outros males sociais<\/i>. Os valores e os princ\u00edpios morais valem tamb\u00e9m para o setor das comunica\u00e7\u00f5es sociais: \u00abA dimens\u00e3o \u00e9tica est\u00e1 relacionada n\u00e3o s\u00f3 ao conte\u00fado da comunica\u00e7\u00e3o (a mensagem) e o processo de comunica\u00e7\u00e3o (o modo de comunicar), mas nas quest\u00f5es fundamentais das estruturas e sistemas, que com freq\u00fc\u00eancia incluem grandes problemas de pol\u00edtica que dependem da distribui\u00e7\u00e3o de tecnologia e produtos sofisticados (quem ser\u00e3o os ricos de informa\u00e7\u00e3o e os pobres de informa\u00e7\u00e3o?) \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn850\" name=\"_ftnref850\"> [850] <\/a>.<\/p><p><i>Em todas as tr\u00eas \u00e1reas <\/i>\u2015<i>da mensagem, do processo, das quest\u00f5es estruturais <\/i>\u2015<i>\u00e9 sempre v\u00e1lido um princ\u00edpio moral fundamental: a pessoa e a comunidade humana s\u00e3o o fim e a medida do uso dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social<\/i>. <i>Um segundo princ\u00edpio \u00e9 complementar ao primeiro: o bem das pessoas n\u00e3o pode realizar-se independentemente do bem comum das comunidades a que pertencem<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn851\" name=\"_ftnref851\"> [851] <\/a>. \u00c9 necess\u00e1ria uma participa\u00e7\u00e3o no processo decis\u00f3rio referente \u00e0 pol\u00edtica das comunica\u00e7\u00f5es. Tal participa\u00e7\u00e3o, de forma p\u00fablica, deve ser autenticamente representativa e n\u00e3o voltada a favorecer grupos particulares, quando os meios de comunica\u00e7\u00e3o perseguem fins lucrativos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn852\" name=\"_ftnref852\"> [852] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>V. A COMUNIDADE POL\u00cdTICA<br \/>A SERVI\u00c7O DA COMUNIDADE CIVIL<\/b><\/span><\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"O valor da comunidade civil\"><\/a>O valor da comunidade civil<\/b><\/span><\/p><p><b>417 <\/b><i>A comunidade pol\u00edtica \u00e9 constitu\u00edda para estar ao servi\u00e7o da sociedade civil, da qual deriva<\/i>. Para a distin\u00e7\u00e3o entre comunidade pol\u00edtica e sociedade civil, a Igreja contribuiu sobretudo com sua vis\u00e3o do homem, entendido como ser aut\u00f4nomo, relacional, aberto \u00e0 Transcend\u00eancia, contrastada quer pelas ideologias pol\u00edticas de car\u00e1ter individualista, quer pelas ideologias totalit\u00e1rias tendentes a absorver a sociedade civil na esfera do Estado. O empenho da Igreja em favor do pluralismo social visa a conseguir uma realiza\u00e7\u00e3o mais adequada do bem comum e da pr\u00f3pria democracia, segundo os princ\u00edpios da solidariedade, da subsidiariedade e da justi\u00e7a.<\/p><p><i>A sociedade civil \u00e9 um conjunto de realiza\u00e7\u00f5es e de recursos culturais e associativos, relativamente aut\u00f4nomos em rela\u00e7\u00e3o ao \u00e2mbito tanto pol\u00edtico como econ\u00f4mico<\/i>: \u00abO fim da sociedade civil \u00e9 universal, porque \u00e9 aquele que diz respeito ao bem comum, al qual todos e cada um dos cidad\u00e3os t\u00eam direita na devida propor\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn853\" name=\"_ftnref853\"> [853] <\/a>. Esta caracteriza-se pela pr\u00f3pria capacidade de projeto, orientada a favorecer uma conviv\u00eancia social mais livre e mais justa, em que v\u00e1rios grupos de cidad\u00e3os, mobilizando-se para elaborar e exprimir as pr\u00f3prias orienta\u00e7\u00f5es, para fazer frente \u00e0s suas necessidades fundamentais, para defender leg\u00edtimos interesses.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"O primado da comunidade civil\"><\/a>O primado da comunidade civil<\/b><\/span><\/p><p><b>418 <\/b><i>A comunidade pol\u00edtica e a sociedade civil, embora reciprocamente coligadas e interdependentes, n\u00e3o s\u00e3o iguais na hierarquia dos fins. <\/i>A comunidade pol\u00edtica est\u00e1 essencialmente ao servi\u00e7o da sociedade civil e, em \u00faltima an\u00e1lise, das pessoas e dos grupos que a comp\u00f5em<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn854\" name=\"_ftnref854\"> [854] <\/a>. A sociedade civil, portanto, n\u00e3o pode ser considerada um ap\u00eandice ou uma vari\u00e1vel da comunidade pol\u00edtica: antes, ela tem a preemin\u00eancia, porque justifica radicalmente a exist\u00eancia da comunidade pol\u00edtica.<\/p><p><i>O Estado deve fornecer um quadro jur\u00eddico adequado ao livre exerc\u00edcio das atividades dos sujeitos sociais e estar pronto a intervir, sempre que for necess\u00e1rio, e respeitando o princ\u00edpio de subsidiariedade,<\/i> para orientar para o bem comum a dial\u00e9tica entre as livres associa\u00e7\u00f5es ativas na vida democr\u00e1tica. A sociedade civil \u00e9 heterog\u00eanea e articulada, n\u00e3o desprovida de ambig\u00fcidades e de contradi\u00e7\u00f5es: \u00e9 tamb\u00e9m lugar de embate entre interesses diversos, com o risco de que o mais forte prevale\u00e7a sobre o mais indefeso.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b> <a name=\"A aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio de subsidiariedade\"><\/a>A aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio de subsidiariedade<\/b><\/span><\/p><p><b>419 <\/b><i>A comunidade pol\u00edtica est\u00e1 obrigada regular as pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es com comunidade civil de acordo com o princ\u00edpio de subsidiariedade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn855\" name=\"_ftnref855\"> [855] <\/a>: \u00e9 essencial que o crescimento da vida democr\u00e1tica tenha in\u00edcio no tecido social. As atividades da sociedade civil \u2015 sobretudo <i>voluntariado <\/i>e <i>coopera\u00e7\u00e3o <\/i>no \u00e2mbito do <i>privado-social<\/i>, sinteticamente definido como \u00absetor terci\u00e1rio \u00bb para distingui-lo dos \u00e2mbitos do Estado e do mercado \u2015 constituem as modalidades mais adequadas para desenvolver a dimens\u00e3o social da pessoa, que em tais atividades pode encontrar espa\u00e7o para exprimir-se plenamente. A progressiva expans\u00e3o das iniciativas sociais fora da esfera estatal cria novos espa\u00e7os para a presen\u00e7a ativa e para a a\u00e7\u00e3o direta dos cidad\u00e3os, integrando as fun\u00e7\u00f5es atuadas pelo Estado. Tal importante fen\u00f4meno tem sido freq\u00fcentemente atuado por caminhos e com instrumentos largamente informais, dando vida a modalidades novas e positivas de exerc\u00edcio dos direitos da pessoa, que enriquecem qualitativamente a vida democr\u00e1tica.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>420 <\/b><i>A coopera\u00e7\u00e3o, mesmo nas suas formas menos estruturadas, delineia-se como uma das respostas mais fortes \u00e0 l\u00f3gica do conflito e da concorr\u00eancia sem limites, que hoje se revela prevalente<\/i>. As rela\u00e7\u00f5es que se instauram num clima cooperativo e solid\u00e1rio superam as divis\u00f5es ideol\u00f3gicas, estimulando a busca daquilo que une para al\u00e9m daquilo que divide.<\/p><p><i>Muitas experi\u00eancias de voluntariado constituem um ulterior exemplo de grande valor, que leva a considerar a sociedade civil como lugar onde \u00e9 sempre poss\u00edvel a recomposi\u00e7\u00e3o de uma \u00e9tica p\u00fablica centrada na solidariedade, na colabora\u00e7\u00e3o concreta, no di\u00e1logo fraterno<\/i>. Em face das potencialidades que assim se manifestam, os cat\u00f3licos s\u00e3o chamados a olhar com confian\u00e7a e a oferecer pr\u00f3pria obra pessoal para o bem da comunidade em geral e, em particular, para o bem dos mais fracos e dos mais necessitados. \u00c9 tamb\u00e9m dessa forma que se afirma o princ\u00edpio da \u00absubjetividade da sociedade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn856\" name=\"_ftnref856\"> [856] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><b><span style=\"color: #663300\">VI. O ESTADO<br \/>E AS COMUNIDADES RELIGIOSAS<\/span><\/b><\/p><p align=\"left\"><span style=\"color: #663300\">A)<b> <a name=\"A LIBERDADE RELIGIOSA, UM DIREITO HUMANO FUNDAMENTA\"><\/a>A LIBERDADE RELIGIOSA, UM DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL<\/b><\/span><\/p><p><b>421 <\/b><i>O Conc\u00edlio Vaticano II empenhou da Igreja Cat\u00f3lica na promo\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa<\/i>. A Declara\u00e7\u00e3o \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decl_19651207_dignitatis-humanae_po.html\">Dignitatis humanae<\/a><\/i>\u00bb precisa, no subt\u00edtulo, que entende proclamar \u00abo direito da pessoa e das comunidades \u00e0 liberdade social e civil, em mat\u00e9ria religiosa\u00bb. Para que tal liberdade querida por Deus e inscrita na natureza humana possa ser exercitada, n\u00e3o deve ser obstaculizada, dado que \u00aba verdade n\u00e3o se imp\u00f5e de outro modo sen\u00e3o pela for\u00e7a dessa mesma verdade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn857\" name=\"_ftnref857\"> [857] <\/a>. A dignidade da pessoa e a mesma natureza da busca de Deus exigem que todos os homens gozem de imunidade de toda coa\u00e7\u00e3o no campo religioso<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn858\" name=\"_ftnref858\"> [858] <\/a>. A sociedade e o Estado n\u00e3o devem for\u00e7ar uma pessoa a agir contra a sua consci\u00eancia, nem impedi-la de proceder de acordo com ela<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn859\" name=\"_ftnref859\"> [859] <\/a>. A liberdade religiosa, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 licen\u00e7a moral de aderir ao erro, nem um impl\u00edcito direito ao erro<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn860\" name=\"_ftnref860\"> [860] <\/a>.<b><\/b><\/p><p><b>422 <\/b><i>A liberdade de consci\u00eancia e de religi\u00e3o \u00abdiz respeito ao homem individual e socialmente\u00bb<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn861\" name=\"_ftnref861\"> [861] <\/a>: o direito \u00e0 liberdade religiosa deve ser reconhecido no ordenamento jur\u00eddico e sancionado como direito civil<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn862\" name=\"_ftnref862\"> [862] <\/a>, todavia, n\u00e3o \u00e9 em si um direito ilimitado. Os <i>justos limites<\/i> ao exerc\u00edcio da liberdade religiosa devem ser determinados para cada situa\u00e7\u00e3o social com a prud\u00eancia pol\u00edtica, segundo as exig\u00eancias do bem comum, e ratificados pela autoridade civil mediante normas jur\u00eddicas conformes \u00e0 ordem moral objetiva: tais normas s\u00e3o exigidas \u00abpela tutela eficaz e pac\u00edfica harmonia dos direitos de todos os cidad\u00e3os; pelo suficiente zelo pela honesta paz p\u00fablica, que \u00e9 a ordenada conviv\u00eancia na verdadeira justi\u00e7a; e pela devida salvaguarda da moralidade p\u00fablica\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn863\" name=\"_ftnref863\"> [863] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>423 <\/b><i>Em considera\u00e7\u00e3o dos seus liames hist\u00f3ricos e culturais com uma na\u00e7\u00e3o, uma comunidade religiosa pode receber um especial reconhecimento por parte do estado: mas um tal reconhecimento jur\u00eddico n\u00e3o deve, de modo algum, gerar uma discrimina\u00e7\u00e3o de ordem civil ou social para outros grupos religiosos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn864\" name=\"_ftnref864\"> [864] <\/a>. A vis\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre os Estados e as organiza\u00e7\u00f5es religiosas, promovida pelo Conc\u00edlio Vaticano II, corresponde \u00e0s exig\u00eancias do Estado de direito e \u00e0s normas do direito internacional<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn865\" name=\"_ftnref865\"> [865] <\/a>. A Igreja \u00e9 bem consciente de que tal vis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aceite por todos: o direito \u00e0 liberdade religiosa, infelizmente, \u00ab\u00e9 violado por numerosos Estados, at\u00e9 ao ponto que dar, ou fazer dar, ou receber a catequese passa a ser um delito pass\u00edvel de san\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn866\" name=\"_ftnref866\"> [866] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"left\"><span style=\"color: #663300\">B) <b><a name=\"IGREJA CAT\u00d3LICA E COMUNIDADE POL\u00cdTICA\"><\/a>IGREJA CAT\u00d3LICA E COMUNIDADE POL\u00cdTICA<\/b><\/span><\/p><p align=\"left\"><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"Autonomia e independ\u00eancia\"><\/a>Autonomia e independ\u00eancia<\/b><\/span><\/p><p><b>424<\/b> A Igreja e a comunidade pol\u00edtica, embora exprimindo-se ambas com estruturas organizativas vis\u00edveis, s\u00e3o de natureza diversa quer pela sua configura\u00e7\u00e3o, quer pela finalidade que perseguem. O Conc\u00edlio Vaticano II reafirmou solenemente: \u00abNo terreno que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, a comunidade pol\u00edtica e a Igreja s\u00e3o independentes e aut\u00f4nomas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn867\" name=\"_ftnref867\"> [867] <\/a>. A Igreja organiza-se com formas aptas a satisfazer as exig\u00eancias espirituais dos seus fi\u00e9is, ao passo que as diversas comunidades pol\u00edticas geram rela\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es ao servi\u00e7o de tudo o que se compreende no bem comum temporal. A autonomia e a independ\u00eancia das duas realidades mostram-se claramente, sobretudo na ordem dos fins.<\/p><p>O dever de respeitar a liberdade religiosa imp\u00f5e \u00e0 comunidade pol\u00edtica garantir \u00e0 Igreja o espa\u00e7o de a\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio. A Igreja, por outro lado, n\u00e3o tem um campo de compet\u00eancia espec\u00edfica no que respeita \u00e0 estrutura da comunidade pol\u00edtica: \u00abA Igreja respeita a <i>leg\u00edtima autonomia da ordem democr\u00e1tica,<\/i> mas n\u00e3o \u00e9 sua atribui\u00e7\u00e3o manifestar prefer\u00eancia por uma ou outra solu\u00e7\u00e3o institucional ou constitucional\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn868\" name=\"_ftnref868\"> [868] <\/a>e tampouco \u00e9 tarefa da Igreja entrar no m\u00e9rito dos programas pol\u00edticos, a n\u00e3o ser por eventuais conseq\u00fc\u00eancias religiosas ou morais.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"Colabora\u00e7\u00e3o\"><\/a>Colabora\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p><p><b>425<\/b> <i>A autonomia rec\u00edproca da Igreja e da comunidade pol\u00edtica n\u00e3o comporta uma separa\u00e7\u00e3o tal que exclua a colabora\u00e7\u00e3o entre elas<\/i>: ambas, embora a t\u00edtulos diferentes, est\u00e3o ao servi\u00e7o da voca\u00e7\u00e3o pessoal e social dos mesmos homens. A Igreja e a comunidade pol\u00edtica, com efeito, se exprimem em formas organizativas que n\u00e3o est\u00e3o servi\u00e7o delas pr\u00f3prias, mas ao servi\u00e7o do homem, para consentir-lhe o pleno exerc\u00edcio dos seus direitos, inerentes \u00e0 sua identidade de cidad\u00e3o e de crist\u00e3o, e um correto cumprimento dos correspondentes deveres. A Igreja e a comunidade pol\u00edtica podem desempenhar \u00abtanto mais eficazmente este servi\u00e7o para o bem de todos quanto mais cultivarem entre si uma s\u00e3 colabora\u00e7\u00e3o, tendo em conta as circunst\u00e2ncias de lugar e de tempo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn869\" name=\"_ftnref869\"> [869] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>426<\/b> <i>A Igreja tem o direito ao reconhecimento jur\u00eddico da pr\u00f3pria identidade<\/i>. Precisamente porque a sua miss\u00e3o abra\u00e7a toda a realidade humana, a Igreja, sentindo-se \u00abreal e intimamente solid\u00e1ria do g\u00eanero humano e da sua hist\u00f3ria\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn870\" name=\"_ftnref870\"> [870] <\/a>, reivindica a liberdade de exprimir o seu ju\u00edzo moral sobre tal realidade, todas as vezes que a defesa dos direitos fundamentais da pessoa ou da salva\u00e7\u00e3o das almas assim o exigirem<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn871\" name=\"_ftnref871\"> [871] <\/a>.<\/p><p>A Igreja, portanto, pede: liberdade de express\u00e3o, de ensino, de evangeliza\u00e7\u00e3o; liberdade de manifestar o culto em p\u00fablico; liberdade de organizar-se e ter regulamentos internos pr\u00f3prios; liberdade de escolha, de educa\u00e7\u00e3o, de nomea\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia dos pr\u00f3prios ministros; liberdade de construir edif\u00edcios religiosos; liberdade de adquirir e de possuir bens adequados \u00e0 pr\u00f3pria atividade; liberdade de associar-se para fins n\u00e3o s\u00f3 religiosos, mas tamb\u00e9m educativos, culturais, sanit\u00e1rios e caritativos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn872\" name=\"_ftnref872\"> [872] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>427<\/b> <i>Para prevenir ou apaziguar os poss\u00edveis conflitos entre a Igreja e a comunidade pol\u00edtica, a experi\u00eancia jur\u00eddica da Igreja e do Estado tem delineado formas est\u00e1veis de acordos e instrumentos aptos a garantir rela\u00e7\u00f5es harmoniosas<\/i>. Tal experi\u00eancia \u00e9 um ponto de refer\u00eancia essencial para todos os casos em que o Estado tenha a pretens\u00e3o de invadir o campo de a\u00e7\u00e3o da Igreja, criando obst\u00e1culos para a sua livre atividade at\u00e9 mesmo perseguindo-a abertamente ou, vice-versa, nos casos em que organiza\u00e7\u00f5es eclesiais n\u00e3o ajam corretamente em rela\u00e7\u00e3o ao Estado.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>___________<\/p><div id=\"ftn773\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref773\" name=\"_ftn773\">[773] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1884.<\/div><div id=\"ftn774\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref774\" name=\"_ftn774\">[774] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 266-267.281-291.301-302; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 39: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 566-568.<\/div><div id=\"ftn775\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref775\" name=\"_ftn775\">[775] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 25: <i>AAS <\/i>58 (1966) 1045-1046; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1881; Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Nota Doutrinal sobre quest\u00f5es relativas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e comportamento dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica<\/i> (24 de Novembro de 2002), 3, Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2002, p. 8.<\/div><div id=\"ftn776\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref776\" name=\"_ftn776\">[776] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 25: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1045 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn777\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref777\" name=\"_ftn777\">[777] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 258.<\/div><div id=\"ftn778\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref778\" name=\"_ftn778\">[778] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 450 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn779\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref779\" name=\"_ftn779\">[779] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, <i>Gaudium et epes<\/i>, 74: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1095-1097.<\/div><div id=\"ftn780\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref780\" name=\"_ftn780\">[780] <\/a>Pio XII, <i>Radiomensagem natalina <\/i>(24 de Dezembro de 1944): <i>AAS<\/i> 37 (1945) 13.<\/div><div id=\"ftn781\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref781\" name=\"_ftn781\">[781] <\/a>Pio XII, <i>Radiomensagem natalina <\/i>(24 de Dezembro de 1944): <i>AAS<\/i> 37 (1945) 13.<\/div><div id=\"ftn782\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref782\" name=\"_ftn782\">[782] <\/a>Pio XII, <i>Radiomensagem natalina <\/i>(24 de Dezembro de 1944): <i>AAS<\/i> 37 (1945) 13.<\/div><div id=\"ftn783\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref783\" name=\"_ftn783\">[783] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 266.<\/div><div id=\"ftn784\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref784\" name=\"_ftn784\">[784] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 283.<\/div><div id=\"ftn785\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref785\" name=\"_ftn785\">[785] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz<\/i> <i>1989<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 98.<\/div><div id=\"ftn786\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref786\" name=\"_ftn786\">[786] <\/a>Jo\u00e3o PauloII, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz<\/i> <i>1989<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 101.<\/div><div id=\"ftn787\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref787\" name=\"_ftn787\">[787] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 273; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2237; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2000<\/i>, 6: <i>AAS<\/i> 92 (2000) 362; Id., <i>Discurso por ocasi\u00e3o do 50\u00ba Anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (5 de Outubro de 1995), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1995, p. 3.<\/div><div id=\"ftn788\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref788\" name=\"_ftn788\">[788] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 274.<\/div><div id=\"ftn789\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref789\" name=\"_ftn789\">[789] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 275.<\/div><div id=\"ftn790\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref790\" name=\"_ftn790\">[790] <\/a>Cf. S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Sententiae<\/i> <i>Octavi Libri Ethicorum<\/i>, lect. 1: Ed. Leon. 47, 443:\u00abEst enim naturalis amicitia inter eos qui sunt unius gentis ad invicem, inquantum communicant in moribus et convictu. Quartam rationem ponit ibi: <i>Videtur autem et civitates continere amicitia<\/i>. Et dicit quod per amicitiam videntur conservari civitates. Unde legislatores magis student ad amicitiam conservandam inter cives quam etiam ad iustitiam, quam quandoque intermittunt, puta in poenis inferendis, ne dissensio oriatur. Et hoc patet per hoc quod concordia assimulatur amicitiae, quam quidem, scilicet concordiam, legislatores maxime appetunt, contentionem autem civium maxime expellunt, quasi inimicam salutis civitatis. Et quia tota moralis philosophia videtur ordinari ad bonum civile, ut in principio dictum est, pertinet ad moralem considerare de amicitia\u00bb.<\/div><div id=\"ftn791\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref791\" name=\"_ftn791\">[791] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2212 <i>-<\/i>2213 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn792\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref792\" name=\"_ftn792\">[792] <\/a>Cf. S.Tom\u00e1s de Aquino, <i>De regno. Ad regem Cypri<\/i>, I, 10: Ed. Leon. 42, 461: \u00abomnis autem amicitia super aliqua communione firmatur: eos enim qui conueniunt uel per nature originem uel per morum similitudinem uel per cuiuscumque communionem, uidemus amicitia coniungi\u2026 Non enim conseruatur amore, cum parua uel nulla sit amicitia subiecte multitudinis ad tyrannum, ut prehabitis patet\u00bb.<\/div><div id=\"ftn793\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref793\" name=\"_ftn793\">[793] <\/a>\u00abLiberdade, igualdade, fraternidade\u00bb foi o moto da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. \u00abNa realidade, est\u00e3o aqui ideais crist\u00e3os\u00bb afirmou Jo\u00e3o Paulo II, durante a sua primeira viagem \u00e0 Fran\u00e7a: <i>Homilia <\/i>em Le Bourget (1\u00b0 de Junho de 1980) 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 15 de Junho de 1980, p. 5.<\/div><div id=\"ftn794\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref794\" name=\"_ftn794\">[794] <\/a>Cf. S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa Theologiae<\/i>, I-II, q. 99: Ed. Leon. 7, 199-205; Id., II-II, q. 23, a. 3, ad 1um: Ed Leon. 8, 168.<\/div><div id=\"ftn795\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref795\" name=\"_ftn795\">[795] <\/a>Paulo VI, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1977<\/i>: <i>AAS<\/i> 68 (1976) 709.<\/div><div id=\"ftn796\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref796\" name=\"_ftn796\">[796] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2212.<\/div><div id=\"ftn797\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref797\" name=\"_ftn797\">[797] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta enc. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 259.<\/div><div id=\"ftn798\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref798\" name=\"_ftn798\">[798] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 73: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1095.<\/div><div id=\"ftn799\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref799\" name=\"_ftn799\">[799] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 269. Cf. Le\u00e3oXIII, Carta encicl. <i>Immortale De<\/i>i: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 5 (1885), 120.<\/div><div id=\"ftn800\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref800\" name=\"_ftn800\">[800] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1898; S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>De regno. Ad regem Cypri<\/i>, I,1: Ed. Leon. 42, 450: \u00abSi igitur naturale est homini quod in societate multorum uiuat, necesse est in omnibus esse aliquid per quod multitudo regatur. Multis enim existentibus hominibus et unoquoque id quod est sibi congruum prouidente, multitudo in diuersa dispergetur nisi etiam esset aliquid de eo quod ad bonum multitudinis pertinet curam habens, sicut et corpus hominis et cuiuslibet animalis deflueret nisi esset aliqua uis regitiua communis in corpore, quae ad bonum commune omnium membrorum intenderet. Quod considerans Salomon dixit: \u201cUbi non est gubernator, dissipabitur populus\u201d\u00bb.<\/div><div id=\"ftn801\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref801\" name=\"_ftn801\">[801] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1897; Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 279.<\/div><div id=\"ftn802\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref802\" name=\"_ftn802\">[802] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Cost. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 74: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1096.<\/div><div id=\"ftn803\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref803\" name=\"_ftn803\">[803] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i> 46: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 850-851;Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 271.<\/div><div id=\"ftn804\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref804\" name=\"_ftn804\">[804] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 74 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn805\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref805\" name=\"_ftn805\">[805] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 270; cf. PioXII, <i>Radiomensagem natalina <\/i>(24 de Dezembro de 1944): <i>AAS<\/i> 37 (1945) 15; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2235.<\/div><div id=\"ftn806\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref806\" name=\"_ftn806\">[806] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 449-450.<\/div><div id=\"ftn807\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref807\" name=\"_ftn807\">[807] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 450.<\/div><div id=\"ftn808\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref808\" name=\"_ftn808\">[808] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in Terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 269-270.<\/div><div id=\"ftn809\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref809\" name=\"_ftn809\">[809] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1902 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn810\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref810\" name=\"_ftn810\">[810] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 258-259.<\/div><div id=\"ftn811\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref811\" name=\"_ftn811\">[811] <\/a>Cf. Pio XII, Carta encicl. <i>Summi<\/i> <i>Pontificatus<\/i>: <i>AAS<\/i> 31 (1939) 432-433.<\/div><div id=\"ftn812\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref812\" name=\"_ftn812\">[812] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vitae, <\/i>71: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 483.<\/div><div id=\"ftn813\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref813\" name=\"_ftn813\">[813] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vitae, <\/i>70: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 481-483; Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 258-259. 279-280.<\/div><div id=\"ftn814\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref814\" name=\"_ftn814\">[814] <\/a>Cf. Pio XII, Carta encicl. <i>Summi<\/i> <i>Pontificatus<\/i>: <i>AAS<\/i> 31 (1939) 423.<\/div><div id=\"ftn815\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref815\" name=\"_ftn815\">[815] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vitae, <\/i>70: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 481-483;Id., Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 97 e 99: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1209-1211; Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Nota Doutrinal sobre quest\u00f5es relativas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e comportamento dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica<\/i> (24 de Novembro de 2002), 5-6: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2002, p. 12-15.<\/div><div id=\"ftn816\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref816\" name=\"_ftn816\">[816] <\/a>S.Tom\u00e1s De Aquino, <i>Summa theologiae<\/i>, I-II, q. 93, a. 3, ad 2um: Ed Leon. 7, 164: \u00abLex humana intantum habet rationem legis, inquantum est secundum rationem rectam: et secundum hoc manifestum est quod a lege aeterna derivatur. Inquantum vero a ratione recedit, sic dicitur lex iniqua: et sic non habet rationem legis, sed magis violentiae cuiusdam\u00bb.<\/div><div id=\"ftn817\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref817\" name=\"_ftn817\">[817] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 270.<\/div><div id=\"ftn818\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref818\" name=\"_ftn818\">[818] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1899 <i>-<\/i>1900 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn819\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref819\" name=\"_ftn819\">[819] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Exort. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 74: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1095-1097; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1901.<\/div><div id=\"ftn820\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref820\" name=\"_ftn820\">[820] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2242.<\/div><div id=\"ftn821\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref821\" name=\"_ftn821\">[821] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Carta encicl.<\/i> <i>Evangelium vitae, <\/i>73: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 486-487.<\/div><div id=\"ftn822\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref822\" name=\"_ftn822\">[822] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Carta encicl.<\/i> <i>Evangelium vitae, <\/i>74: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 488.<\/div><div id=\"ftn823\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref823\" name=\"_ftn823\">[823] <\/a>S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae<\/i>, II-II, q. 104, a. 6, ad 3um: Ed. Leon. 9, 392: \u00abprincipibus saecularibus intantum homo oboedire tenetur, inquantum ordo iustitiae requirit\u00bb.<\/div><div id=\"ftn824\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref824\" name=\"_ftn824\">[824] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2243 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn825\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref825\" name=\"_ftn825\">[825] <\/a>PauloVI, <i>Carta encicl.<\/i> <i>Populorum progressio<\/i>, 31: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 272.<\/div><div id=\"ftn826\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref826\" name=\"_ftn826\">[826] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para aDoutrinadaF\u00e9, Instr. <i>Libertatis conscientia<\/i>, 79: <i>AAS<\/i> 79 (1987) 590.<\/div><div id=\"ftn827\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref827\" name=\"_ftn827\">[827] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2266.<\/div><div id=\"ftn828\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref828\" name=\"_ftn828\">[828] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Congresso da Associa\u00e7\u00e3o italiana de Magistrados<\/i> (31 de Mar\u00e7o de 2000), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 8 de Abril de 2000, p. 5.<\/div><div id=\"ftn829\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref829\" name=\"_ftn829\">[829] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2266 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn830\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref830\" name=\"_ftn830\">[830] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha<\/i>, Genebra (15 de Junho de 1982), 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 27 de Junho de 1982, p. 5.<\/div><div id=\"ftn831\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref831\" name=\"_ftn831\">[831] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o italiana de Magistrados<\/i> (31 de Mar\u00e7o de 2000), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 8 de Abril de 2000, p. 5.<\/div><div id=\"ftn832\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref832\" name=\"_ftn832\">[832] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o italiana de Magistrados<\/i> (31 de Mar\u00e7o de 2000), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 8 de Abril de 2000, p. 5..<\/div><div id=\"ftn833\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref833\" name=\"_ftn833\">[833] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vitae<\/i>, 27: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 432.<\/div><div id=\"ftn834\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref834\" name=\"_ftn834\">[834] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2267 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn835\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref835\" name=\"_ftn835\">[835] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2267 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn836\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref836\" name=\"_ftn836\">[836] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vitae, <\/i>56: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 464; cf. tamb\u00e9m Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2001<\/i>: <i>AAS<\/i> 93 (2001) 244: o recurso \u00e0 pena de morte \u00e9 definido \u00abrecurso desnecess\u00e1rio\u00bb, 19.<\/div><div id=\"ftn837\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref837\" name=\"_ftn837\">[837] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>46: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 850.<\/div><div id=\"ftn838\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref838\" name=\"_ftn838\">[838] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>46: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 850.<\/div><div id=\"ftn839\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref839\" name=\"_ftn839\">[839] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vitae<\/i>, 70: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 482.<\/div><div id=\"ftn840\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref840\" name=\"_ftn840\">[840] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Carta encicl.<\/i> <i>Centesimus annus<\/i>, 44: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 848.<\/div><div id=\"ftn841\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref841\" name=\"_ftn841\">[841] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2236 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn842\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref842\" name=\"_ftn842\">[842] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 472-476.<\/div><div id=\"ftn843\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref843\" name=\"_ftn843\">[843] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis,<\/i> 44: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 575-577; Id., Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 852-854; Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 6: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 381-382.<\/div><div id=\"ftn844\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref844\" name=\"_ftn844\">[844] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1998<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 90 (1998) 152.<\/div><div id=\"ftn845\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref845\" name=\"_ftn845\">[845] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 471-472.<\/div><div id=\"ftn846\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref846\" name=\"_ftn846\">[846] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. Past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 75: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1097-1099.<\/div><div id=\"ftn847\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref847\" name=\"_ftn847\">[847] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 260.<\/div><div id=\"ftn848\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref848\" name=\"_ftn848\">[848] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decr. <i>Inter mirifica<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 56 (1964) 146; Paolo VI, Exort. apost. <i>Evangelii nuntiandi<\/i>, 45: <i>AAS<\/i> 68 (1976) 35-36; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptoris missio<\/i>, 37: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 282-286; Pontif\u00edcio Conselho das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, <i>Communio et Progressio<\/i>, 126-134: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 638-640; Id., <i>Aetatis<\/i> <i>novae<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 84 (1992) 455-456; Id. <i>\u00c9tica na publicidade<\/i> (22 de Fevereiro de 1997), 4-8: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1997, pp. 10-15.<\/div><div id=\"ftn849\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref849\" name=\"_ftn849\">[849] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2494; cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decr. <i>Inter mirifica<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 56 (1964) 148-149.<\/div><div id=\"ftn850\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref850\" name=\"_ftn850\">[850] <\/a>Pontif\u00edcio Conselho das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, <i>\u00c9tica nas comunica\u00e7\u00f5es sociais <\/i>(4 de Junho de 2000), 20: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2000, p.24.<\/div><div id=\"ftn851\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref851\" name=\"_ftn851\">[851] <\/a>Cf. Pontif\u00edcio Conselho das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, <i>\u00c9tica nas comunica\u00e7\u00f5es sociais<\/i> (4 de Junho de 2000), 22: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2000, pp. 26-27.<\/div><div id=\"ftn852\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref852\" name=\"_ftn852\">[852] <\/a>Cf. Pontif\u00edcio Conselho das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, <i>\u00c9tica nas comunica\u00e7\u00f5es sociais<\/i> (4 de Junho de 2000), 24: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2000, pp. 29-30.<\/div><div id=\"ftn853\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref853\" name=\"_ftn853\">[853] <\/a>Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 134.<\/div><div id=\"ftn854\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref854\" name=\"_ftn854\">[854] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1910.<\/div><div id=\"ftn855\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref855\" name=\"_ftn855\">[855] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1885 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn856\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref856\" name=\"_ftn856\">[856] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>49: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 855 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn857\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref857\" name=\"_ftn857\">[857] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Dignitatis humanae<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 929.<\/div><div id=\"ftn858\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref858\" name=\"_ftn858\">[858] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Dignitatis humanae<\/i>, 2: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 930-931; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2106.<\/div><div id=\"ftn859\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref859\" name=\"_ftn859\">[859] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Dignitatis humanae<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 931-932.<\/div><div id=\"ftn860\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref860\" name=\"_ftn860\">[860] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2108.<\/div><div id=\"ftn861\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref861\" name=\"_ftn861\">[861] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2105.<\/div><div id=\"ftn862\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref862\" name=\"_ftn862\">[862] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Dignitatis humanae<\/i>, 2: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 930-931; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2108.<\/div><div id=\"ftn863\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref863\" name=\"_ftn863\">[863] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Dignitatis humanae<\/i>, 7: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 935; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2109.<\/div><div id=\"ftn864\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref864\" name=\"_ftn864\">[864] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Dignitatis humanae<\/i>, 6; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2107.<\/div><div id=\"ftn865\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref865\" name=\"_ftn865\">[865] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 380-381.<\/div><div id=\"ftn866\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref866\" name=\"_ftn866\">[866] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Catechesi tradendae<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 1289.<\/div><div id=\"ftn867\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref867\" name=\"_ftn867\">[867] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, <i>Exort. apost.<\/i> <i>Gaudium et spes<\/i>, 76: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1099; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2245.<\/div><div id=\"ftn868\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref868\" name=\"_ftn868\">[868] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus,<\/i>47: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 852.<\/div><div id=\"ftn869\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref869\" name=\"_ftn869\">[869] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, <i>Exort. apost.<\/i> <i>Gaudium et spes<\/i>, 76: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1099.<\/div><div id=\"ftn870\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref870\" name=\"_ftn870\">[870] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, <i>Exort. apost.<\/i> <i>Gaudium et spes<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1026.<\/div><div id=\"ftn871\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref871\" name=\"_ftn871\">[871] <\/a>Cf. <i>CIC<\/i>, c\u00e2non 747, \u00a7 2; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2246 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn872\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref872\" name=\"_ftn872\">[872] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Carta aos Chefes de Estado firmat\u00e1rios do Ato final de Helsinque <\/i>(1\u00b0 de Setembro de 1980), 4: <i>AAS<\/i> 72 (1980) 1256-1258.<\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1234\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1234\" aria-controls=\"collapse1234\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CAP\u00cdTULO IX - A COMUNIDADE INTERNACIONAL<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1234\" data-parent=\"#sp-ea-123\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1234\"> <div class=\"ea-body\"><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>I. ASPECTOS B\u00cdBLICOS<\/b><\/span><\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"A unidade da fam\u00edlia humana\"><\/a>A unidade da fam\u00edlia humana<\/b><\/span><\/p><p><b>428 <\/b><i>Os relatos b\u00edblicos sobre as origens demonstram a unidade do g\u00eanero humano e ensinam que o Deus de Israel \u00e9 o Senhor da hist\u00f3ria e do cosmos: <\/i>a Sua a\u00e7\u00e3o abra\u00e7a todo o mundo e a fam\u00edlia humana inteira, \u00e0 qual \u00e9 destinada a obra da cria\u00e7\u00e3o. A decis\u00e3o de Deus de fazer o homem \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a (cf.<i> Gn <\/i>1,26-27) confere \u00e0 criatura humana uma dignidade \u00fanica, que se estende a todas as gera\u00e7\u00f5es (cf.<i> Gn <\/i>5) e sobre toda a terra (cf.<i> Gn <\/i>10). <i>O Livro do G\u00eanesis mostra, al\u00e9m disso, que o ser humano<\/i> <i>n\u00e3o foi criado isolado, mas no seio de um contexto <\/i>do qual fazem parte integral, o espa\u00e7o vital que lhe assegura a liberdade (o jardim), a disponibilidade de alimentos (as \u00e1rvores do jardim), o trabalho (o mandato para cultivar) e sobretudo a comunidade (o dom de um colaborador semelhante a ele) (cf.<i> Gn <\/i>2,8-24). As condi\u00e7\u00f5es que asseguram plenitude \u00e0 vida humana s\u00e3o, em todo o Antigo Testamento, objeto da b\u00ean\u00e7\u00e3o divina. Deus quer garantir ao homem os bens necess\u00e1rios para o seu crescimento, a possibilidade de expressar-se livremente, o resultado positivo do trabalho, a riqueza de rela\u00e7\u00f5es entre seres semelhantes.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>429 <\/b><i>A alian\u00e7a de Deus com No\u00e9 <\/i>(cf.<i> Gn <\/i>9,1-17), <i>e nele com toda a humanidade, ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o causada pelo dil\u00favio, manifesta que Deus quer manter para a comunidade humana a b\u00ean\u00e7\u00e3o de fecundidade, <\/i>a tarefa de dominar a cria\u00e7\u00e3o e a absoluta dignidade e intangibilidade da vida humana que caracterizaram a primeira cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o obstante nela se tenha introduzido, com o pecado, a degenera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e da injusti\u00e7a, punida com o dil\u00favio. O Livro do G\u00eanesis apresenta com admira\u00e7\u00e3o a variedade dos povos, obra da a\u00e7\u00e3o criadora de Deus (cf.<i> Gn <\/i>10,1-32) e, simultaneamente, estigmatiza a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o por parte do homem da sua condi\u00e7\u00e3o de criatura, com o epis\u00f3dio da torre de Babel (cf.<i> Gn <\/i>11,1-9). Todos os povos, no plano divino, tinham \u00abuma s\u00f3 l\u00edngua e ... as mesmas palavras\u00bb (<i>Gn <\/i>11,1), mas os homens se dividem, voltando as costas ao Criador (cf.<i> Gn <\/i>11,4).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>430 <\/b><i>A alian\u00e7a estabelecida por Deus com Abra\u00e3o, eleito \u00abpai de uma multid\u00e3o de povos\u00bb <\/i>(<i>Gn 17,4<\/i>)<i>, abre o caminho para reuni\u00e3o da fam\u00edlia humana ao seu Criador.<\/i> A hist\u00f3ria salv\u00edfica induz o povo de Israel a pensar que a a\u00e7\u00e3o divina seja restrita \u00e0 sua terra, todavia se consolida pouco a pouco a convic\u00e7\u00e3o de que Deus opera tamb\u00e9m entre outras na\u00e7\u00f5es (cf. <i>Is<\/i> 19,18-25). Os Profetas anunciar\u00e3o para um tempo escatol\u00f3gico a peregrina\u00e7\u00e3o de todos os povos ao templo do Senhor e uma era de paz entre as na\u00e7\u00f5es (cf. <i>Is<\/i> 2,2-5; 66,18-23). Israel, disperso no ex\u00edlio, tomar\u00e1 definitivamente consci\u00eancia de seu papel de testemunha do \u00fanico Deus (cf. <i>Is<\/i> 44,6-8), Senhor do mundo e da hist\u00f3ria dos povos (cf. <i>Is<\/i> 44,24-28).<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"Jesus Cristo prot\u00f3tipo e fundamento da nova humanidade\"><\/a>Jesus Cristo prot\u00f3tipo e fundamento da nova humanidade<\/b><\/span><\/p><p><b>431 <\/b><i>O Senhor Jesus \u00e9 o prot\u00f3tipo e o fundamento da nova humanidade. <\/i>N\u00b4Ele, verdadeira \u00abimagem de Deus\u00bb (2<i> Cor <\/i>4,4), o homem, criado por Deus a Sua imagem e a Sua semelhan\u00e7a, encontra sua realiza\u00e7\u00e3o. <i>No testemunho definitivo de amor que Deus manifestou na cruz de Cristo, todas as barreiras de inimizade j\u00e1 foram derrubadas <\/i>(cf. <i>Ef<\/i> 2,12-18) e para quantos vivem a vida nova em Cristo as diferen\u00e7as raciais e culturais n\u00e3o s\u00e3o mais motivo de divis\u00e3o (cf. <i>Rm<\/i> 10,12; <i>Gal<\/i> 3,26-28; <i>Col<\/i> 3,11).<\/p><p><i>Gra\u00e7as ao Esp\u00edrito, a Igreja conhece o des\u00edgnio divino que abrange todo o g\u00eanero humano <\/i>(cf. <i>At<\/i> 17,26) e que tem por fim reunir, no mist\u00e9rio de uma salva\u00e7\u00e3o realizada sob o senhorio de Cristo (cf. <i>Ef<\/i> 1,8-10), toda a realidade criatural fragmentada e dispersa. Desde o dia de Pentecostes, quando a Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 anunciada aos diversos povos e entendida por cada qual na sua pr\u00f3pria l\u00edngua (cf. <i>At<\/i> 2,6), a Igreja dedica-se \u00e0 pr\u00f3pria tarefa de restaurar e testemunhar a unidade perdida em Babel: gra\u00e7as a este mist\u00e9rio eclesial, a fam\u00edlia humana \u00e9 chamada a recuperar a pr\u00f3pria unidade e a reconhecer a riqueza de suas diferen\u00e7as, para alcan\u00e7ar a \u00abunidade total em Cristo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn873\" name=\"_ftnref873\"> [873] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b> <a name=\"A voca\u00e7\u00e3o universal do cristianismo\"><\/a>A voca\u00e7\u00e3o universal do cristianismo<\/b><\/span><\/p><p><b>432 <\/b><i>A mensagem crist\u00e3 oferece uma vis\u00e3o universal da vida dos homens e dos povos sobre a terra<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn874\" name=\"_ftnref874\"> [874] <\/a><i>, que leva a compreender a unidade da fam\u00edlia humana<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn875\" name=\"_ftnref875\"> [875] <\/a>. Tal unidade n\u00e3o se deve construir com a for\u00e7a das armas, do terror ou da opress\u00e3o, mas \u00e9 antes o \u00eaxito daquele \u00absupremo <i>modelo de unidade<\/i>, reflexo da vida \u00edntima de Deus, uno em tr\u00eas Pessoas, \u00e9 o que n\u00f3s crist\u00e3os designamos com a palavra \u201ccomunh\u00e3o\u201d\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn876\" name=\"_ftnref876\"> [876] <\/a>e uma conquista da <i>for\u00e7a moral e cultural da liberdade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn877\" name=\"_ftnref877\"> [877] <\/a>. A mensagem crist\u00e3 foi decisiva para fazer a humanidade compreender que os povos tendem a unirem-se n\u00e3o apenas em raz\u00e3o das formas de organiza\u00e7\u00e3o, de vicissitudes pol\u00edticas, de projetos econ\u00f4micos ou em nome de uma internacionalismo abstrato e ideol\u00f3gico, mas porque livremente se orientam em dire\u00e7\u00e3o a coopera\u00e7\u00e3o, c\u00f4nscios \u00abde serem membros vivos de uma comunidade mundial\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn878\" name=\"_ftnref878\"> [878] <\/a>, que se deve propor sempre mais e sempre melhor como figura concreta da unidade querida pelo Criador: \u00ab A unidade universal do conv\u00edvio humano \u00e9 um fato perene. \u00c9 que o conv\u00edvio humano tem por membros seres humanos que s\u00e3o todos iguais por dignidade natural. Por conseguinte, \u00e9 tamb\u00e9m perene a exig\u00eancia natural de realiza\u00e7\u00e3o, em grau suficiente, do bem comum<i> universal<\/i>, isto \u00e9, do bem comum de toda a fam\u00edlia humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn879\" name=\"_ftnref879\"> [879] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>II. AS REGRAS FUNDAMENTAIS<br \/>DA COMUNIDADE INTERNACIONAL<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"Comunidade internacional e valores\"><\/a>Comunidade internacional e valores<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>433 <\/b><i>A centralidade da pessoa humana e da aptid\u00e3o natural das pessoas e dos povos a estreitar rela\u00e7\u00f5es entre si s\u00e3o elementos fundamentais para construir uma verdadeira Comunidade internacional, cuja organiza\u00e7\u00e3o deve tender ao efetivo bem comum universal<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn880\" name=\"_ftnref880\"> [880] <\/a>. N\u00e3o obstante seja amplamente difusa a aspira\u00e7\u00e3o por uma aut\u00eantica comunidade internacional, a unidade da fam\u00edlia humana n\u00e3o encontra ainda realiza\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 obstaculizada por ideologias materialistas e nacionalistas que contradizem os valores de que \u00e9 portadora a pessoa considerada integralmente, em todas as suas dimens\u00f5es, materiais e espirituais, individuais e comunit\u00e1rios. De modo particular, \u00e9 moralmente inaceit\u00e1vel qualquer teoria ou comportamento caracterizado pelo racismo ou pela discrimina\u00e7\u00e3o racial<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn881\" name=\"_ftnref881\"> [881] <\/a>.<\/p><p><i>A conviv\u00eancia entre as na\u00e7\u00f5es funda-se nos mesmos valores que devem orientar aquele entre os seres humanos: a verdade, a justi\u00e7a, a solidariedade e a liberdade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn882\" name=\"_ftnref882\"> [882] <\/a>. O ensinamento da Igreja, acerca dos princ\u00edpios constitutivos da Comunidade Internacional, exige que as rela\u00e7\u00f5es entre os povos e as comunidades pol\u00edticas encontrem a sua justa regulamenta\u00e7\u00e3o na raz\u00e3o, na eq\u00fcidade, no direito, no acordo , enquanto que exclui o recurso \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 guerra, a formas de discrimina\u00e7\u00e3o, de intimida\u00e7\u00e3o e de engano<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn883\" name=\"_ftnref883\"> [883] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>434 <\/b><i>O direito se coloca como instrumento de garantia da ordem internacional<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn884\" name=\"_ftnref884\"> [884] <\/a><i>,<\/i>a saber, da conviv\u00eancia entre as comunidades pol\u00edticas que singularmente perseguem o bem comum dos pr\u00f3prios cidad\u00e3os e que coletivamente devem tender ao bem comum de todos os povos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn885\" name=\"_ftnref885\"> [885] <\/a>, na convic\u00e7\u00e3o de que o bem comum de uma na\u00e7\u00e3o \u00e9 insepar\u00e1vel do bem da fam\u00edlia humana inteira<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn886\" name=\"_ftnref886\"> [886] <\/a>.<\/p><p><i>A Comunidade Internacional \u00e9 uma comunidade jur\u00eddica fundada sobre a soberania de cada Estado membro, sem v\u00ednculos de subordina\u00e7\u00e3o que lhes neguem ou limitem a sua independ\u00eancia<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn887\" name=\"_ftnref887\"> [887] <\/a>. Conceber deste modo a comunidade internacional <i>n\u00e3o significa de maneira alguma relativizar e esvaecer as diferentes e peculiares caracter\u00edsticas de um povo, mas favorecer-lhes a express\u00e3o<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn888\" name=\"_ftnref888\"> [888] <\/a>. A valoriza\u00e7\u00e3o das diferentes identidades ajuda a superar as v\u00e1rias formas de divis\u00e3o que tendem a separar os povos e a torn\u00e1-los portadores de um egoismo com efeitos desestabilizadores.<\/p><p><b>435 <\/b><i>O Magist\u00e9rio reconhece a import\u00e2ncia da soberania nacional, concebida antes de tudo como express\u00e3o da liberdade que deve regular as rela\u00e7\u00f5es entre os Estados<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn889\" name=\"_ftnref889\"> [889] <\/a><i>.<\/i>A soberania representa a <i>subjetividade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn890\" name=\"_ftnref890\"> [890] <\/a>de uma na\u00e7\u00e3o sob o aspecto pol\u00edtico, econ\u00f4mico e tamb\u00e9m cultural. A dimens\u00e3o cultural adquire um valor particular como ponto de for\u00e7a para a resist\u00eancia aos atos de agress\u00e3o ou \u00e0s formas de dom\u00ednio que condicionam a liberdade de um Pa\u00eds: a cultura constitui a garantia de conserva\u00e7\u00e3o da identidade de um povo, exprime e promove a sua <i>soberania<\/i> <i>espiritual<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn891\" name=\"_ftnref891\"> [891] <\/a>.<\/p><p><i>A soberania nacional n\u00e3o \u00e9 por\u00e9m um absoluto. As na\u00e7\u00f5es podem renunciar livremente ao exerc\u00edcio de alguns de seus direitos, em vista de um objetivo comum<\/i>, com a consci\u00eancia de formar uma \u00fanica \u00abfam\u00edlia\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn892\" name=\"_ftnref892\"> [892] <\/a>, na qual devem reinar a confian\u00e7a rec\u00edproca, o apoio e o respeito m\u00fatuo. Nessa perspectiva, merece uma considera\u00e7\u00e3o atenta a falta de um acordo internacional que enfrente de modo adequado \u00abos direitos das na\u00e7\u00f5es\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn893\" name=\"_ftnref893\"> [893] <\/a>, cuja prepara\u00e7\u00e3o poderia enfrentar oportunamente quest\u00f5es acerca da justi\u00e7a e da liberdade no mundo contempor\u00e2neo<i>.<\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"Rela\u00e7\u00f5es fundadas na harmonia entre ordem jur\u00eddica e ordem moral\"><\/a>Rela\u00e7\u00f5es fundadas na harmonia entre ordem jur\u00eddica e ordem moral<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>436 <\/b><i>Para realizar e consolidar uma ordem internacional que garanta eficazmente a conviv\u00eancia pac\u00edfica entre os povos, a mesma lei moral, que rege a vida dos homens, deve regular tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es entre os Estados<\/i>: \u00ablei moral cuja observ\u00e2ncia deve ser inculcada e promovida pela opini\u00e3o p\u00fablica de todas as na\u00e7\u00f5es e de todos os Estados com tal unanimidade de voz e de for\u00e7a, que ningu\u00e9m se possa atrever a p\u00f4-la em d\u00favida ou atenuar-lhe o v\u00ednculo obrigat\u00f3rio\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn894\" name=\"_ftnref894\"> [894] <\/a>. \u00c9 necess\u00e1rio que a lei <i>moral universal<\/i>, inscrita no cora\u00e7\u00e3o do homem seja considerada efetiva e inderrog\u00e1vel como viva express\u00e3o da consci\u00eancia que a humanidade tem em comum, uma \u00abgram\u00e1tica\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn895\" name=\"_ftnref895\"> [895] <\/a>capaz de orientar o di\u00e1logo sobre o futuro do mundo.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>437<\/b> O respeito universal dos princ\u00edpios que inspiram um \u00abordinamento giuridico in armonia con l\u2019ordine morale\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn896\" name=\"_ftnref896\"> [896] <\/a>\u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a estabilidade da vida internacional. A busca de uma tal estabilidade favoreceu a elabora\u00e7\u00e3o gradual de um direito das na\u00e7\u00f5es<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn897\" name=\"_ftnref897\"> [897] <\/a>(\u00ab<i>ius gentium<\/i>\u00bb), que pode ser considerado como o \u00abantepassado do direito internacional\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn898\" name=\"_ftnref898\"> [898] <\/a>. A reflex\u00e3o jur\u00eddica e teol\u00f3gica, ancorada no direito natural, formulou \u00abprinc\u00edpios universais que s\u00e3o anteriores e superiores ao direito interno dos Estados\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn899\" name=\"_ftnref899\"> [899] <\/a>, como a unidade do g\u00eanero humano, a igualdade em dignidade de todos os povos, a recusa da guerra para superar as controv\u00e9rsias, a obriga\u00e7\u00e3o de cooperar para o bem comum, a exig\u00eancia de manter f\u00e9 aos compromissos subscritos (\u00ab<i>pacta sunt servanda<\/i>\u00bb). Este \u00faltimo princ\u00edpio deve ser particularmente ressaltado para evitar \u00aba tenta\u00e7\u00e3o de apelar para o direito da for\u00e7a antes que para a for\u00e7a do direito\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn900\" name=\"_ftnref900\"> [900] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>438<\/b> <i>Para resolver os conflitos que insurgem entre as diversas comunidades pol\u00edticas e que comprometem a estabilidade das na\u00e7\u00f5es e a seguran\u00e7a internacional, \u00e9 indispens\u00e1vel referir-se a regras comuns confiadas \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o, renunciando definitivamente \u00e0 id\u00e9ia de buscar a justi\u00e7a mediante o recurso \u00e0 guerra<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn901\" name=\"_ftnref901\"> [901] <\/a>: \u00aba guerra pode terminar sem vencedores nem vencidos num suic\u00eddio da humanidade, e ent\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio rejeitar a l\u00f3gica que a ela conduz, ou seja, a id\u00e9ia de que a luta pela destrui\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio, a contradi\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria guerra s\u00e3o fatores de progresso e avan\u00e7o da hist\u00f3ria\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn902\" name=\"_ftnref902\"> [902] <\/a>.<\/p><p><i>A Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas interditou n\u00e3o somente o recurso \u00e0 for\u00e7a, como tamb\u00e9m a simples amea\u00e7a de us\u00e1-la<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn903\" name=\"_ftnref903\"> [903] <\/a>: tal disposi\u00e7\u00e3o nasceu da tr\u00e1gica experi\u00eancia da Segunda Guerra Mundial. O Magist\u00e9rio, durante aquele conflito, n\u00e3o deixou de individuar alguns fatores indispens\u00e1veis para edificar uma renovada ordem internacional: a liberdade e a integridade territorial de cada na\u00e7\u00e3o; a tutela dos direitos das minorias; uma divis\u00e3o eq\u00fcitativa dos recursos da terra; a rejei\u00e7\u00e3o da guerra e a atua\u00e7\u00e3o do desarme; a observ\u00e2ncia dos pactos concordados; a cessa\u00e7\u00e3o da persegui\u00e7\u00e3o religiosa<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn904\" name=\"_ftnref904\"> [904] <\/a><i>.<\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>439 <\/b><i>Para consolidar o primado do direito, vale acima de tudo o princ\u00edpio da confian\u00e7a rec\u00edproca<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn905\" name=\"_ftnref905\"> [905] <\/a><i>. Nesta perspectiva, os instrumentos normativos para a solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica das controv\u00e9rsias devem ser repensadas de tal modo que lhe sejam refor\u00e7adas o alcance e a obrigatoriedade. <\/i>Os institutos da negocia\u00e7\u00e3o, da media\u00e7\u00e3o, da concilia\u00e7\u00e3o, da arbitragem, que s\u00e3o express\u00f5es da legalidade internacional devem ser apoiadas pela cria\u00e7\u00e3o de \u00abuma autoridade jur\u00eddica plenamente eficiente em um mundo pacificado\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn906\" name=\"_ftnref906\"> [906] <\/a>. Um avan\u00e7o nesta dire\u00e7\u00e3o consentir\u00e1 \u00e0 Comunidade Internacional propor-se n\u00e3o mais como simples momento de agrega\u00e7\u00e3o da vida dos Estados, mas como uma estrutura em que os conflitos possam ser pacificamente resolvidos: \u00abComo dentro dos Estados (...) o sistema da vingan\u00e7a privada e da repres\u00e1lia foi substitu\u00eddo pelo imp\u00e9rio da lei, do mesmo modo \u00e9 agora urgente que um progresso semelhante tenha lugar na Comunidade internacional\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn907\" name=\"_ftnref907\"> [907] <\/a>. Finalmente, o direito internacional \u00abdeve evitar que prevale\u00e7a a lei do mais forte\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn908\" name=\"_ftnref908\"> [908] <\/a>.<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>III. A ORGANIZA\u00c7\u00c3O<br \/>DA COMUNIDADE INTERNACIONAL<\/b><\/span><\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"O valor das Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais\"><\/a>O valor das Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais<\/b><\/span><\/p><p><b>440 <\/b><i>O caminho rumo a uma aut\u00eantica \u00abcomunidade\u00bb internacional, que assumiu uma precisa dire\u00e7\u00e3o com a institui\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas em 1945, \u00e9 acompanhado pela Igreja<\/i>: tal Organiza\u00e7\u00e3o \u00abcontribuiu notavelmente para promover o respeito da dignidade humana, a liberdade dos povos e a exig\u00eancia do desenvolvimento, preparando o terreno cultural e institucional sobre o qual construir a paz\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn909\" name=\"_ftnref909\"> [909] <\/a>. A doutrina social, em geral, considera positivamente o papel das Organiza\u00e7\u00f5es intergovernamentais, em particular daquelas operantes em setores espec\u00edficos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn910\" name=\"_ftnref910\"> [910] <\/a>, ainda que experimentando reservas quando estas enfrentam de modo incorreto os problemas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn911\" name=\"_ftnref911\"> [911] <\/a>. O Magist\u00e9rio recomenda que a a\u00e7\u00e3o dos Organismos Internacionais responda \u00e0s necessidades humanas na vida social e nos \u00e2mbitos relevantes para a pac\u00edfica e ordenada conviv\u00eancia das na\u00e7\u00f5es e dos povos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn912\" name=\"_ftnref912\"> [912] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>441 <\/b><i>A solicitude por uma conviv\u00eancia ordenada e pac\u00edfica da fam\u00edlia humana leva o Magist\u00e9rio a ressaltar a exig\u00eancia de instituir <\/i>\u00ab<i>uma autoridade p\u00fablica universal, reconhecida por todos, com poder eficaz para garantir a seguran\u00e7a, a observ\u00e2ncia da justi\u00e7a e o respeito dos direitos<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn913\" name=\"_ftnref913\"> [913] <\/a>. No curso da hist\u00f3ria, n\u00e3o obstante as mudan\u00e7as de perspectiva das diversas \u00e9pocas, advertiu-se constantemente a necessidade de uma semelhante autoridade para responder aos problemas de dimens\u00e3o mundial postos pela busca do bem comum: \u00e9 essencial que tal autoridade seja o fruto de um acordo e n\u00e3o de uma imposi\u00e7\u00e3o, e que n\u00e3o seja tomado como um \u00absuper-estado global\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn914\" name=\"_ftnref914\"> [914] <\/a>.<\/p><p><i>Uma autoridade pol\u00edtica exercida no quadro da Comunidade Internacional deve ser regida pelo direito, ordenada ao bem comum e respeitar o princ\u00edpio da subsidiariedade:<\/i>\u00abOs poderes p\u00fablicos da comunidade mundial n\u00e3o t\u00eam como fim limitar a esfera de a\u00e7\u00e3o dos poderes p\u00fablicos de cada comunidade pol\u00edtica e nem sequer de substituir-se a eles. Ao inv\u00e9s, devem procurar contribuir para a cria\u00e7\u00e3o, em plano mundial, de um ambiente em que tanto os poderes p\u00fablicos de cada comunidade pol\u00edtica, como os respectivos cidad\u00e3os e grupos interm\u00e9dios, com maior seguran\u00e7a, possam desempenhar as pr\u00f3prias fun\u00e7\u00f5es, cumprir os seus deveres e fazer valer os seus direitos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn915\" name=\"_ftnref915\"> [915] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>442 <\/b><i>Uma pol\u00edtica internacional voltada para o objetivo da paz e do desenvolvimento mediante a ado\u00e7\u00e3o de medidas coordenadas<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn916\" name=\"_ftnref916\"> [916] <\/a>mais do que nunca tornou-se \u00e9 necess\u00e1ria em virtude da globaliza\u00e7\u00e3o dos problemas. O Magist\u00e9rio destaca que a interdepend\u00eancia entre os homens e as na\u00e7\u00f5es adquire uma dimens\u00e3o moral e determina as rela\u00e7\u00f5es no mundo atual sob o aspecto econ\u00f4mico, cultural, pol\u00edtico e religioso. Nesse contexto, seria de desejar uma revis\u00e3o, que \u00abpressup\u00f5e a supera\u00e7\u00e3o das rivalidades pol\u00edticas e a ren\u00fancia a toda a pretens\u00e3o de instrumentalizar as mesmas Organiza\u00e7\u00f5es, que t\u00eam como \u00fanica raz\u00e3o de ser o <i>bem comum<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn917\" name=\"_ftnref917\"> [917] <\/a>, com o objetivo de conseguir \u00ab<i>grau superior de ordena\u00e7\u00e3o a n\u00edvel internacional<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn918\" name=\"_ftnref918\"> [918] <\/a>.<\/p><p><i>Em particular, as estruturas intergovernamentais devem exercitar eficazmente as suas fun\u00e7\u00f5es de controle e de guia no campo da economia<\/i>, pois que alcan\u00e7ar o bem comum torna-se uma meta inating\u00edvel aos Estados individualmente tomados, ainda que dominantes em termos de pot\u00eancia, riqueza e for\u00e7a pol\u00edtica<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn919\" name=\"_ftnref919\"> [919] <\/a>. Os Organismos Internacionais devem ademais garantir aquela igualdade, que \u00e9 o fundamento do direito de todos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no processo do pleno desenvolvimento, no respeito \u00e0s leg\u00edtimas diferen\u00e7as<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn920\" name=\"_ftnref920\"> [920] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>443<\/b> <i>O Magist\u00e9rio avalia positivamente o papel dos agrupamentos que se formaram na sociedade civil para exercer uma importante fun\u00e7\u00e3o de sensibiliza\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica para com os diversos aspectos da vida internacional<\/i>, com uma aten\u00e7\u00e3o especial para o respeito dos direitos do homem, como revela o \u00abo n\u00famero das associa\u00e7\u00f5es privadas, recentemente institu\u00eddas, algumas de alcance mundial, e quase todas empenhadas em seguir, com grande cuidado e louv\u00e1vel objetividade, os acontecimentos internacionais num campo t\u00e3o delicado\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn921\" name=\"_ftnref921\"> [921] <\/a>.<\/p><p>Os Governos deveriam sentir-se encorajados por um semelhante empenho, que visa traduzir em pr\u00e1tica os ideais que inspiram a comunidade internacional, \u00ab sobretudo atrav\u00e9s dos gestos concretos de solidariedade e de paz das numerosas pessoas que trabalham nomeadamente nas<i> Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o-Governamentais <\/i>e nos <i>Movimentos<\/i> a favor dos direitos do homem \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn922\" name=\"_ftnref922\"> [922] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"A personalidade jur\u00eddica da Santa S\u00e9\"><\/a>A personalidade jur\u00eddica da Santa S\u00e9<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>444 <\/b><i>A Santa S\u00e9<\/i>\u2015 <i>ou S\u00e9 Apost\u00f3lica<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn923\" name=\"_ftnref923\"> [923] <\/a>\u2015 <i>goza de plena subjetividade internacional enquanto autoridade soberana que realiza atos juridicamente pr\u00f3prios. Ela exerce uma soberania externa, reconhecida no quadro da Comunidade internacional, que reflete a soberania exercida no seio da Igreja <\/i>e que se caracteriza pela <i>unidade organizativa <\/i>e pela <i>independ\u00eancia<\/i>. A Igreja vale-se das modalidades jur\u00eddicas que se mostrarem necess\u00e1rias ou \u00fateis para o cumprimento da sua miss\u00e3o.<i><\/i><\/p><p><i>A atividade internacional da Santa S\u00e9 manifesta-se objetivamente sob diversos aspectos, entre os quais<\/i>: o direito ativo e passivo de lega\u00e7\u00e3o; o exerc\u00edcio do \u00ab<i>ius contrahendi<\/i>\u00bb, com a estipula\u00e7\u00e3o de tratados; a participa\u00e7\u00e3o em organiza\u00e7\u00f5es intergovernamentais, como por exemplo as pertencentes ao sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas; as iniciativas de media\u00e7\u00e3o em caso de conflitos.Tal atividade entende oferecer um servi\u00e7o desinteressado \u00e0 Comunidade internacional, pois que n\u00e3o busca vantagens de parte, mas tem como fim o bem comum da fam\u00edlia humana toda. Nesse contexto, a Santa S\u00e9 vale-se do pr\u00f3prio pessoal diplom\u00e1tico.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>445 <\/b><i>O servi\u00e7o diplom\u00e1tico da Santa S\u00e9, fruto de uma antiga e consolidada praxe, \u00e9 um instrumento que atua n\u00e3o s\u00f3 pela <\/i>\u00ablibertas Ecclesiae\u00bb<i>, mas tamb\u00e9m pela defesa e promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana, bem como por uma ordem social baseada nos valores <\/i>da justi\u00e7a, da liberdade e do amore: \u00abPor um direito nativo inerente \u00e0 nossa miss\u00e3o espiritual, favorecido por uma secular sucess\u00e3o de acontecimentos hist\u00f3ricos, n\u00f3s enviamos tamb\u00e9m os nossos legados \u00e0s autoridades supremas dos estados nos quais est\u00e1 radicada ou de algum modo \u00e9 presente a Igreja Cat\u00f3lica. \u00c9 bem verdade que as finalidades da Igreja e do Estado s\u00e3o de ordem diferente, e que ambas s\u00e3o sociedades perfeitas, dotadas, portanto, de meios pr\u00f3prios, e s\u00e3o independentes na respectiva esfera de atua\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 tamb\u00e9m verdade que uma e outro agem em benef\u00edcio de um sujeito comum, o homem, chamado por Deus \u00e0 salva\u00e7\u00e3o eterna e posto na terra para permitir-lhe, com o aux\u00edlio da gra\u00e7a, consegui-la com uma vida de trabalho, que lhe proporcione bem-estar, na conviv\u00eancia pac\u00edfica \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn924\" name=\"_ftnref924\"> [924] <\/a>. O bem das pessoas e das comunidades humanas \u00e9 favorecido por um di\u00e1logo estruturado entre a Igreja e as autoridades civis, que se exprime tamb\u00e9m atrav\u00e9s da estipula\u00e7\u00e3o de acordos m\u00fatuos. Tal di\u00e1logo tende a estabelecer ou refor\u00e7ar rela\u00e7\u00f5es de rec\u00edproca compreens\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o, assim como a prevenir ou sanar eventuais desaven\u00e7as, com o objetivo de contribuir para o progresso de cada povo e de toda a humanidade na justi\u00e7a e na paz.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>IV. A COOPERA\u00c7\u00c3O INTERNACIONAL<br \/>PARA O DESENVOLVIMENTO <\/b><\/span><\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b><a name=\"Colabora\u00e7\u00e3o para garantir o direito ao desenvolvimento\"><\/a> Colabora\u00e7\u00e3o para garantir o direito ao desenvolvimento<\/b><\/span><\/p><p><b>446 <\/b><i>A solu\u00e7\u00e3o do problema do desenvolvimento requer a coopera\u00e7\u00e3o entre as comunidades pol\u00edticas<\/i>: \u00abas comunidades pol\u00edticas (...) se condicionam mutuamente e pode, mesmo, afirmar-se que cada uma atinge o pr\u00f3prio desenvolvimento, contribuindo para o desenvolvimento das outras. Por isso \u00e9 que se imp\u00f5em o entendimento e a colabora\u00e7\u00e3o m\u00fatuos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn925\" name=\"_ftnref925\"> [925] <\/a>. O subdesenvolvimento parece uma situa\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel de eliminar, quase uma condena\u00e7\u00e3o fatal, se se considera o fato que este n\u00e3o \u00e9 apenas o fruto de op\u00e7\u00f5es humanas erradas, mas tamb\u00e9m o resultado de<b> \u00ab<\/b><i>mecanismos<\/i> econ\u00f4micos, financeiros e sociais\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn926\" name=\"_ftnref926\"> [926] <\/a>e de \u00abestruturas de pecado\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn927\" name=\"_ftnref927\"> [927] <\/a>que impedem o pleno desenvolvimento dos homens e dos povos.<\/p><p><i>Estas dificuldades, todavia, devem ser enfrentadas com determina\u00e7\u00e3o firme e perseverante, porque o desenvolvimento n\u00e3o \u00e9 apenas uma aspira\u00e7\u00e3o, mas um direito<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn928\" name=\"_ftnref928\"> [928] <\/a><i>que, como todo direito, implica uma obriga\u00e7\u00e3o:<\/i> \u00abA colabora\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento do homem todo e de todos os homens \u00e9, efetivamente, um dever <i>de todos para com todos<\/i> e, ao mesmo tempo, h\u00e1 de ser comum \u00e0s quatro partes do mundo: Este e Oeste, Norte e Sul\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn929\" name=\"_ftnref929\"> [929] <\/a>. Na vis\u00e3o do Magist\u00e9rio, <i>o direito ao desenvolvimento<\/i> se funda nos seguintes princ\u00edpios: unidade de origem e comunh\u00e3o de destino da fam\u00edlia humana; igualdade entre todas as pessoas e todas as comunidades baseada na dignidade humana; destina\u00e7\u00e3o universal dos bens da terra; integralidade da no\u00e7\u00e3o de desenvolvimento; centralidade da pessoa humana; solidariedade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>447 <\/b><i>A doutrina social encoraja formas de coopera\u00e7\u00e3o capazes de incentivar o acesso ao mercado internacional dos pa\u00edses marcados pela pobreza e subdesenvolvimento<\/i>: \u00abH\u00e1 relativamente poucos anos, afirmou-se que o desenvolvimento dos pa\u00edses mais pobres dependeria do seu isolamento do mercado mundial, e da confian\u00e7a apenas nas pr\u00f3prias for\u00e7as. A recente experi\u00eancia demonstrou que os pa\u00edses que foram exclu\u00eddos registraram estagna\u00e7\u00e3o e recess\u00e3o, enquanto conheceram o desenvolvimento aqueles que conseguiram entrar na corrente geral de interliga\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas a n\u00edvel internacional. O maior problema, portanto, parece ser a obten\u00e7\u00e3o de um acesso eq\u00fcitativo ao mercado internacional, n\u00e3o fundado sobre o princ\u00edpio unilateral do aproveitamento dos recursos naturais, mas sobre a valoriza\u00e7\u00e3o dos recursos humanos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn930\" name=\"_ftnref930\"> [930] <\/a>. Entre as causas que predominantemente concorrem em determinar o desenvolvimento e a pobreza, al\u00e9m da impossibilidade de ascender ao mercado internacional<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn931\" name=\"_ftnref931\"> [931] <\/a>, devem ser enumerados o analfabetismo, a inseguran\u00e7a alimentar, a aus\u00eancia de estruturas e servi\u00e7os, a car\u00eancia de medidas para garantir o saneamento b\u00e1sico, a falta de \u00e1gua pot\u00e1vel, a corrup\u00e7\u00e3o, a precariedade das institui\u00e7\u00f5es e da pr\u00f3pria vida pol\u00edtica. Existe uma conex\u00e3o entre a pobreza e a falta, em muitos pa\u00edses, de liberdade, de possibilidade de iniciativa econ\u00f4mica, de administra\u00e7\u00e3o estatal capaz de predispor um sistema adequado de educa\u00e7\u00e3o e de informa\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>448 <\/b><i>O esp\u00edrito da coopera\u00e7\u00e3o internacional exige que acima da estrita l\u00f3gica do mercado esteja a consci\u00eancia de um dever de solidariedade, de justi\u00e7a social e de caridade universal<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn932\" name=\"_ftnref932\"> [932] <\/a>; efetivamente existe \u00ab<i>algo que \u00e9 devido ao homem porque \u00e9 homem, <\/i>com base na sua eminente dignidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn933\" name=\"_ftnref933\"> [933] <\/a><i>. <\/i>A coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 a via que a Comunidade Internacional no seu conjunto deve empenhar-se a percorrer \u00absegundo uma concep\u00e7\u00e3o adequada do bem comum dirigido a toda a fam\u00edlia humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn934\" name=\"_ftnref934\"> [934] <\/a>. Dela derivar\u00e3o efeitos muito positivos: um aumento da confian\u00e7a nas potencialidades das pessoas pobres e, conseq\u00fcentemente, dos pa\u00edses pobres e uma distribui\u00e7\u00e3o dos bens eq\u00fcitativa.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"Luta contra a pobreza\"><\/a>Luta contra a pobreza<\/b><\/span><\/p><p><b>449 <\/b><i>No in\u00edcio do novo mil\u00eanio, a pobreza de milh\u00f5es de homens e mulheres \u00e9 <\/i>\u00ab<i>\u00e9 a quest\u00e3o que, em absoluto, mais interpela a nossa consci\u00eancia humana e crist\u00e3<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn935\" name=\"_ftnref935\"> [935] <\/a><i>.<\/i> A pobreza p\u00f5e um dram\u00e1tico problema de justi\u00e7a: a pobreza, nas suas diferentes formas e conseq\u00fc\u00eancias, caracteriza-se por um crescimento desigual e n\u00e3o reconhece a cada povo \u00abigual direito a \u00bbsentar-se \u00e0 mesa do banquete comum\u00bb\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn936\" name=\"_ftnref936\"> [936] <\/a>. Tal pobreza torna imposs\u00edvel a realiza\u00e7\u00e3o daquele <i>humanismo plen\u00e1rio<\/i> que a Igreja almeja e persegue, para que as pessoas e os povos possam \u00abser mais\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn937\" name=\"_ftnref937\"> [937] <\/a>e viver em \u00abcondi\u00e7\u00f5es mais humanas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn938\" name=\"_ftnref938\"> [938] <\/a>.<\/p><p><i>A luta contra a pobreza encontra uma forte motiva\u00e7\u00e3o na op\u00e7\u00e3o, ou amor preferencial, da Igreja pelos pobres<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn939\" name=\"_ftnref939\"> [939] <\/a><i>.<\/i>Em todo o seu ensinamento social a Igreja n\u00e3o se cansa de reafirmar tamb\u00e9m outros princ\u00edpios fundamentais seus: dentre todos prima o da <i>destina\u00e7\u00e3o universal dos bens<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn940\" name=\"_ftnref940\"> [940] <\/a><i>. <\/i>Com a constante reafirma\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da <i>solidariedade,<\/i> a doutrina social estimula a passar \u00e0 a\u00e7\u00e3o para promover o \u00abbem de todos e de cada um, porque <i>todos<\/i> n\u00f3s somos verdadeiramente respons\u00e1veis <i>por todos<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn941\" name=\"_ftnref941\"> [941] <\/a><i>.<\/i> O princ\u00edpio da solidariedade, tamb\u00e9m na luta contra a pobreza, deve ser sempre oportunamente ladeado pelo da <i>subsidiariedade,<\/i> gra\u00e7as ao qual \u00e9 poss\u00edvel estimular o esp\u00edrito de iniciativa, base fundamental de todo desenvolvimento socioecon\u00f4mico, nos pa\u00edses pobres<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn942\" name=\"_ftnref942\"> [942] <\/a>: aos pobres se deve olhar \u00ab<i>n\u00e3o como um problema, mas como poss\u00edveis sujeitos e protagonistas dum futuro novo e mais humano para todo o mundo<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn943\" name=\"_ftnref943\"> [943] <\/a><i>.<\/i><\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b> <a name=\"A d\u00edvida externa\"><\/a>A d\u00edvida externa<\/b><\/span><\/p><p><b>450 <\/b><i>Deve-se ter presente o direito fundamental dos povos ao desenvolvimento nas quest\u00f5es ligadas \u00e0 crise dos d\u00e9bitos de muitos pa\u00edses pobres<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn944\" name=\"_ftnref944\"> [944] <\/a><i>.<\/i>Tais crises t\u00eam, na sua origem, causas complexas e de v\u00e1rio g\u00eanero, seja de car\u00e1ter internacional \u2015 flutua\u00e7\u00f5es de c\u00e2mbios, especula\u00e7\u00f5es financeiras, neocolonialismo econ\u00f4mico \u2015 seja no interior de cada um dos pa\u00edses endividados \u2015 corrup\u00e7\u00e3o, m\u00e1 gest\u00e3o do dinheiro p\u00fablico, uso indevido dos empr\u00e9stimos recebidos. Os sofrimentos maiores, atribu\u00edveis \u00e0 quest\u00f5es estruturais, mas tamb\u00e9m a comportamentos pessoais, atingem as popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses endividados e pobres, as quais n\u00e3o t\u00eam responsabilidade alguma. A comunidade internacional n\u00e3o pode ignorar uma semelhante situa\u00e7\u00e3o: mesmo reafirmando o princ\u00edpio que o d\u00e9bito contra\u00eddo deve ser honrado, \u00e9 preciso encontrar os caminhos para n\u00e3o comprometer o \u00abfundamental direito dos povos \u00e0 subsist\u00eancia e ao progresso\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn945\" name=\"_ftnref945\"> [945] <\/a><i>.<\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p>______<\/p><div id=\"ftn873\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref873\" name=\"_ftn873\">[873] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 5.<\/div><div id=\"ftn874\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref874\" name=\"_ftn874\">[874] <\/a>Cf. Pio XII, <i>Discurso aos Juristas Cat\u00f3licos sobre as Comunidades dos Estados e dos povos<\/i> (6 de Dezembro de 1953), 2: <i>AAS<\/i> 45 (1953), 795.<\/div><div id=\"ftn875\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref875\" name=\"_ftn875\">[875] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. Apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 80 (1966) 1060-1961.<\/div><div id=\"ftn876\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref876\" name=\"_ftn876\">[876] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 569.<\/div><div id=\"ftn877\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref877\" name=\"_ftn877\">[877] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso por ocasi\u00e3o do 50\u00ba Anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (5 de Outubro de 1995), 12: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1995, p. 4.<\/div><div id=\"ftn878\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref878\" name=\"_ftn878\">[878] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris: AAS<\/i>55 (1963) 296.<\/div><div id=\"ftn879\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref879\" name=\"_ftn879\">[879] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris: AAS<\/i>55 (1963) 292.<\/div><div id=\"ftn880\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref880\" name=\"_ftn880\">[880] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 1911.<\/div><div id=\"ftn881\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref881\" name=\"_ftn881\">[881] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decr. <i>Nostra aetate, <\/i>5: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 743-744; Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris: AAS<\/i>55 (1963) 268 . 281; Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio, <\/i>63: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 288; Id., Carta apost. <i>Octogesima adveniens, <\/i>16: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 413; Pontif\u00edcio Conselho \u00ab Justi\u00e7a e Paz\u00bb, <i>La Iglesia ante el Racismo<\/i>: Tipografia Vaticana, Cidade do Vaticano 2001.<\/div><div id=\"ftn882\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref882\" name=\"_ftn882\">[882] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris:AAS<\/i> 55 (1963) 279-280.<\/div><div id=\"ftn883\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref883\" name=\"_ftn883\">[883] <\/a>Cf. Paulo VI, <i>Discurso \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas <\/i>(4 de Outubro de 1965), 2: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 879-880.<\/div><div id=\"ftn884\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref884\" name=\"_ftn884\">[884] <\/a>Cf. Pio XII, Carta encicl. <i>Summi Pontificatus:<\/i> <i>AAS<\/i> 31 (1939) 438-439.<\/div><div id=\"ftn885\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref885\" name=\"_ftn885\">[885] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 292; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centessimus annus, <\/i>52: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 857-858.<\/div><div id=\"ftn886\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref886\" name=\"_ftn886\">[886] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris:AAS<\/i> 55 (1963) 284.<\/div><div id=\"ftn887\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref887\" name=\"_ftn887\">[887] <\/a>Cf. Pio XII, <i>Alocu\u00e7\u00e3o Natal\u00edcia<\/i> (24 de Dezembro de 1939): <i>AAS<\/i> (1940) 9-11; Id., <i>Discurso aos Juristas Cat\u00f3licos sobre Comunidades dos Estados e dos povos <\/i>(6 de Dezembro de 1953); <i>AAS<\/i> 45 (1953); Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris:AAS<\/i> 55 (1963) 289.<\/div><div id=\"ftn888\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref888\" name=\"_ftn888\">[888] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso por ocasi\u00e3o do 50\u00ba Anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (5 de Outubro de 1995), 10: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1995, p. 4.<\/div><div id=\"ftn889\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref889\" name=\"_ftn889\">[889] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris:<\/i> <i>AAS<\/i> 55 (1963) 289-290; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso por ocasi\u00e3o do 50\u00ba Anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (5 de Outubro de 1995), 15: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1995, p. 5.<\/div><div id=\"ftn890\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref890\" name=\"_ftn890\">[890] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis, <\/i>15: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 528-530.<\/div><div id=\"ftn891\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref891\" name=\"_ftn891\">[891] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 UNESCO <\/i>(2 de Junho de 1980), 14: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 15 de Junho de 1980, pp. 14-15.<\/div><div id=\"ftn892\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref892\" name=\"_ftn892\">[892] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso por ocasi\u00e3o do 50\u00ba Anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (5 de Outubro de 1995), 14: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1995, p. 5; cf. tamb\u00e9m Id., <i>Discurso ao Corpo<br \/>Diplom\u00e1tico<\/i> (13 de Janeiro de 2001), 8: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 20 de Janeiro de 2001, p. 4.<\/div><div id=\"ftn893\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref893\" name=\"_ftn893\">[893] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso por ocasi\u00e3o do 50\u00ba Anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (5 de Outubro de 1995), 6: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1995, p. 4.<\/div><div id=\"ftn894\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref894\" name=\"_ftn894\">[894] <\/a>Pio XII, <i>Radiomensagem natalina <\/i>(24 de Dezembro de 1941): <i>AAS<\/i> 34 (1942) 16.<\/div><div id=\"ftn895\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref895\" name=\"_ftn895\">[895] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso por ocasi\u00e3o do 50\u00ba Anivers\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (5 de Outubro de 1995), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Outubro de 1995, p. 3.<\/div><div id=\"ftn896\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref896\" name=\"_ftn896\">[896] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 277.<\/div><div id=\"ftn897\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref897\" name=\"_ftn897\">[897] <\/a>Cf. Pio XII, Carta encicl. <i>Summi Pontificatus<\/i>: <i>AAS<\/i> 31 (1939) 438-439; Id., <i>Radiomensagem natalina<\/i> (24 de Dezembro de 1941): <i>AAS<\/i> 34 (1942) 16-17; Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. enc. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 290.292.<\/div><div id=\"ftn898\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref898\" name=\"_ftn898\">[898] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Corpo Diplom\u00e1tico<\/i> (12 de Janeiro de 1991), 8: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 20 de Janeiro de 1991, p. 6.<\/div><div id=\"ftn899\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref899\" name=\"_ftn899\">[899] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 5: <i>AAS <\/i>96 (2004) 116.<\/div><div id=\"ftn900\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref900\" name=\"_ftn900\">[900] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 5: <i>AAS <\/i>96 (2004) 117; cf. tamb\u00e9m Id., <i>Mensagem ao Reitor Magn\u00edfico da Pontif\u00edcia Universidade Lateranense <\/i>(21 de Mar\u00e7o de 2002), 6: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 30 de Mar\u00e7o de 2002, p. 6.<\/div><div id=\"ftn901\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref901\" name=\"_ftn901\">[901] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 23: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 820-821.<\/div><div id=\"ftn902\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref902\" name=\"_ftn902\">[902] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 18 <i>AAS<\/i> 83 (1991) 816.<\/div><div id=\"ftn903\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref903\" name=\"_ftn903\">[903] <\/a>Cf. <i>Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas <\/i>(26 de Junho de 1945), artt. 2.4. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 6: <i>AAS <\/i>96 (2004) 117.<\/div><div id=\"ftn904\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref904\" name=\"_ftn904\">[904] <\/a>Cf. Pio XII, <i>Radiomensagem natalina <\/i>(24 de Dezembro de 1941): <i>AAS<\/i> 34 (1942) 18.<\/div><div id=\"ftn905\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref905\" name=\"_ftn905\">[905] <\/a>Cf. Pio XII, <i>Radiomensagem natalina<\/i> (24 de Dezembro de 1945): <i>AAS<\/i> 38 (1946) 22; Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 287-288.<\/div><div id=\"ftn906\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref906\" name=\"_ftn906\">[906] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Corte Internacional de Justi\u00e7a de Haia<\/i> (13 de Maio de 1985), 4: <i>AAS<\/i> 78 (1986) 520.<\/div><div id=\"ftn907\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref907\" name=\"_ftn907\">[907] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 52: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 858.<\/div><div id=\"ftn908\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref908\" name=\"_ftn908\">[908] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 9: <i>AAS <\/i>96 (2004) 120.<\/div><div id=\"ftn909\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref909\" name=\"_ftn909\">[909] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia mundial da Paz 2004<\/i>, 7: <i>AAS <\/i>96 (2004) 118.<\/div><div id=\"ftn910\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref910\" name=\"_ftn910\">[910] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961)426. 439; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 20<sup>a<\/sup> Confer\u00eancia Geral da FAO<\/i> (12 de Novembro de 1979), n. 6: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 18 de Novembro de 1979, p. 6; Id., <i>Alocu\u00e7\u00e3o \u00e0 Unesco <\/i>(2 de Junho de 1980), 5. 8: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas,15 de Junho de 1980, pp. 13-14; Id., <i>Discurso ao Conselho dos Ministros da Confer\u00eancia sobre a Seguran\u00e7a e a Coopera\u00e7\u00e3o na Europa<\/i>(CSCE) (30 de Novembro de 1993), 3. 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas,12 de Dezembro de 1993, p. 3.<\/div><div id=\"ftn911\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref911\" name=\"_ftn911\">[911] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem \u00e0 Senhora Nafis Sadik, Secret\u00e1ria Geral da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento <\/i>(18 de Mar\u00e7o de 1994): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 2 de Abril de 1994, pp. 4.11; Id., <i>Mensagem \u00e0 Senhora Gertrude Mongella, Secret\u00e1ria Geral da IV Confer\u00eancia Mundial da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mulher<\/i> (26 de Maio de 1995): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 10 de Junho de 1995, pp. 6-7.<\/div><div id=\"ftn912\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref912\" name=\"_ftn912\">[912] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 84: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1107-1108.<\/div><div id=\"ftn913\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref913\" name=\"_ftn913\">[913] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 82: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1106; cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 293 e Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 78: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 295.<\/div><div id=\"ftn914\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref914\" name=\"_ftn914\">[914] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2003<\/i>, 6: <i>AAS <\/i>95 (2003) 344.<\/div><div id=\"ftn915\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref915\" name=\"_ftn915\">[915] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 294-295.<\/div><div id=\"ftn916\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref916\" name=\"_ftn916\">[916] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 51-55 e 77-79: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 282-284 e 295-296.<\/div><div id=\"ftn917\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref917\" name=\"_ftn917\">[917] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 43: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 575.<\/div><div id=\"ftn918\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref918\" name=\"_ftn918\">[918] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 43: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 575; cf. Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 7: <i>AAS <\/i>96 (2004) 118.<\/div><div id=\"ftn919\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref919\" name=\"_ftn919\">[919] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 58: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 863-864.<\/div><div id=\"ftn920\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref920\" name=\"_ftn920\">[920] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 33. 39: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 557-559. 566-568.<\/div><div id=\"ftn921\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref921\" name=\"_ftn921\">[921] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 26: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 544-547.<\/div><div id=\"ftn922\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref922\" name=\"_ftn922\">[922] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 7: <i>AAS <\/i>96 (2004) 118.<\/div><div id=\"ftn923\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref923\" name=\"_ftn923\">[923] <\/a>Cf. CIC, c\u00e2non 361.<\/div><div id=\"ftn924\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref924\" name=\"_ftn924\">[924] <\/a>Paulo VI, Carta apost. <i>Sollicitudo omnium ecclesiarum<\/i>: <i>AAS<\/i> 61 (1969) 476.<\/div><div id=\"ftn925\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref925\" name=\"_ftn925\">[925] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961)449; cf. Pio XII, <i>Radiomensagem natalina <\/i>(24 de Dezembro de 1945): <i>AAS<\/i> 38 (1946) 22.<\/div><div id=\"ftn926\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref926\" name=\"_ftn926\">[926] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 16: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 531.<\/div><div id=\"ftn927\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref927\" name=\"_ftn927\">[927] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 36-37. 39: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 561-564. 567.<\/div><div id=\"ftn928\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref928\" name=\"_ftn928\">[928] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 268; Id., Carta. apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 43: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 431-432; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 32-33: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 556-559; Id., Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 35: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 836-838; cf. Tamb\u00e9m Paulo VI, <i>Discurso \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho<\/i> (10 de Junho de 1969), 22: <i>AAS<\/i> 61 (1969) 500-501; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Congresso europeu de doutrina social da Igreja <\/i>(20 de Junho de 1997), 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 5 de Julho de 1997, p. 5; Id., <i>Discurso aos Dirigentes de Sindicatos de Trabalhadores e de Grandes Empresas<\/i> (2 de Maio de 2000), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 6 de Maio de 2000, p. 11.<\/div><div id=\"ftn929\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref929\" name=\"_ftn929\">[929] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 32: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 556.<\/div><div id=\"ftn930\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref930\" name=\"_ftn930\">[930] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 33: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 835.<\/div><div id=\"ftn931\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref931\" name=\"_ftn931\">[931] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 56-61: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 285-287.<\/div><div id=\"ftn932\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref932\" name=\"_ftn932\">[932] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 44: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 279.<\/div><div id=\"ftn933\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref933\" name=\"_ftn933\">[933] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 836.<\/div><div id=\"ftn934\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref934\" name=\"_ftn934\">[934] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 58: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 863.<\/div><div id=\"ftn935\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref935\" name=\"_ftn935\">[935] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz<\/i> <i>2000<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 92 (2000) 366; cf. tamb\u00e9m Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1993<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 429-430.<\/div><div id=\"ftn936\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref936\" name=\"_ftn936\">[936] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 33: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 558. Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 47: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 280.<\/div><div id=\"ftn937\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref937\" name=\"_ftn937\">[937] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 6: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 260; cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 28: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 548-550.<\/div><div id=\"ftn938\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref938\" name=\"_ftn938\">[938] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 20-21: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 267-268.<\/div><div id=\"ftn939\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref939\" name=\"_ftn939\">[939] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Terceira Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano<\/i>, Puebla (28 de Janeiro de 1979), I\/8: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 4 de Fevereiro de 1979, p. 10.<\/div><div id=\"ftn940\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref940\" name=\"_ftn940\">[940] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 268.<\/div><div id=\"ftn941\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref941\" name=\"_ftn941\">[941] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 38: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 566.<\/div><div id=\"ftn942\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref942\" name=\"_ftn942\">[942] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 55: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 284; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 44: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 575-577.<\/div><div id=\"ftn943\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref943\" name=\"_ftn943\">[943] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2000<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 92 (2000) 366.<\/div><div id=\"ftn944\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref944\" name=\"_ftn944\">[944] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. <i>Tertio millennio adveniente, <\/i>51: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 36; Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1998<\/i>, 4: <i>AAS<\/i> 90 (1998) 151-152; Id., <i>Discurso \u00e0 Confer\u00eancia da Uni\u00e3o Interparlamentar, <\/i>30 de Novembro de 1998: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 19 de Dezembro de 1998, p. 23; Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia mundial da Paz 1999,<\/i> 9: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 383-384.<\/div><div id=\"ftn945\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref945\" name=\"_ftn945\">[945] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 35: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 838; cf. tamb\u00e9m o documento <i>Ao servi\u00e7o da comunidade humana: uma considera\u00e7\u00e3o \u00e9tica da d\u00edvida internacional<\/i>, publicado pela Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o \u00abJusti\u00e7a e Paz \u00bb, 27 de Dezembro de 1986: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 8 de Fevereiro de 1987, pp. 5-8.<\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1235\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1235\" aria-controls=\"collapse1235\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CAP\u00cdTULO X - SALVAGUARDAR O AMBIENTE<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1235\" data-parent=\"#sp-ea-123\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1235\"> <div class=\"ea-body\"><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b><a name=\"I. ASPECTOS B\u00cdBLICOS\"><\/a>I. ASPECTOS B\u00cdBLICOS<\/b><\/span><\/p><p><b>451<\/b> <i>A experi\u00eancia viva da presen\u00e7a divina na hist\u00f3ria \u00e9 o fundamento da f\u00e9 do povo de Deus<\/i>: \u00ab\u00c9ramos escravos do Fara\u00f3 no Egito, e o Senhor nos tirou do Egito com m\u00e3o forte\u00bb (<i>Dt <\/i>6<i>,<\/i>21). A reflex\u00e3o sobre a hist\u00f3ria permite reassumir o passado e descobrir a obra de Deus nas pr\u00f3prias ra\u00edzes: \u00abMeu pai era um Arameu errante\u00bb (<i>Dt <\/i>26<i>,<\/i>5); de Deus que pode dizer ao Seu povo: \u00abEu tirei Abra\u00e3o vosso pai, do outro lado do rio\u00bb (<i>Js <\/i>24,3)<i>.<\/i> \u00c9 uma reflex\u00e3o que permite olhar com confian\u00e7a para o futuro, gra\u00e7as \u00e0 promessa e \u00e0 alian\u00e7a que Deus renova continuamente: \u00absereis para mim a por\u00e7\u00e3o escolhida entre todos os povos\u00bb (<i>Ex <\/i>19,5)<i>.<\/i><\/p><p><i>A f\u00e9 de Israel vive no tempo e no espa\u00e7o deste mundo, visto n\u00e3o como um ambiente hostil ou um mal da qual libertar-se, mas freq\u00fcentemente como o pr\u00f3prio dom de Deus, o lugar e o projeto que Ele confia \u00e0 respons\u00e1vel dire\u00e7\u00e3o e operosidade do homem. <\/i>A natureza, obra da cria\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o \u00e9 uma perigosa concorrente. Deus, que fez todas as coisas, viu que cada uma delas \u00ab... era coisa boa\u00bb (<i>Gn <\/i>1,4<i>.<\/i>10<i>.<\/i>12<i>.<\/i>18<i>.<\/i>21<i>.<\/i>25)<i>.<\/i> No v\u00e9rtice da Sua cria\u00e7\u00e3o, como \u00abcoisa muito boa\u00bb (<i>Gn <\/i>1,31)<i>,<\/i> o Criador coloca o homem. S\u00f3 o homem e a mulher, entre todas as criaturas, foram queridos por Deus \u00aba sua imagem\u00bb (<i>Gn <\/i>1,27): a eles o Senhor confia a responsabilidade sobre toda a cria\u00e7\u00e3o, a tarefa de tutelar a harmonia e o desenvolvimento (cf.<i> Gn <\/i>1,26<i>-<\/i>30)<i>.<\/i> O liame especial com Deus explica a privilegiada posi\u00e7\u00e3o do casal humano na ordem da cria\u00e7\u00e3o.<\/p><p><b>452<\/b> <i>A rela\u00e7\u00e3o do homem com o mundo \u00e9 um elemento constitutivo da identidade humana.<\/i> <i>Trata-se de uma rela\u00e7\u00e3o que nasce como fruto da rela\u00e7\u00e3o, ainda mais profunda, do homem com Deus<\/i>. O Senhor quis o ser humano como Seu interlocutor: somente no di\u00e1logo com Deus a criatura humana encontra a pr\u00f3pria verdade, da qual extrai inspira\u00e7\u00e3o e normas para projetar a hist\u00f3ria no mundo, um <i>jardim<\/i> que Deus lhe deu para que seja cultivado e guardado (cf.<i> Gn <\/i>2,15)<i>.<\/i> Nem o pecado elimina tal tarefa, mesmo agravando com dor e sofrimento a nobreza do trabalho (cf.<i> Gn <\/i>3,17<i>-<\/i>19)<i>.<\/i><\/p><p><i>A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre objeto do louvor na ora\u00e7\u00e3o de Israel<\/i>: \u00abComo s\u00e3o numerosas, Senhor, tuas obras! Tudo fizeste com sabedoria\u00bb (<i>Sl <\/i>104,24). A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 entendida como uma <i>nova cria\u00e7\u00e3o,<\/i> que restabelece aquela harmonia e aquela potencialidade de crescimento que o pecado comprometeu: \u00abVou criar novo c\u00e9u e nova terra\u00bb (<i>Is <\/i>65, 17) \u2014 diz o Senhor \u2015\u00ab ent\u00e3o, o deserto se mudar\u00e1 em vergel ... e a justi\u00e7a reinar\u00e1 no vergel ... o meu poso habitar\u00e1 em mans\u00e3o serena\u00bb(<i>Is <\/i>32, 15-18).<\/p><p><b>453<\/b> <i>A salva\u00e7\u00e3o definitiva, que Deus oferece a toda a humanidade mediante o Seu pr\u00f3prio Filho, n\u00e3o se atua fora deste mundo. Mesmo ferido pelo pecado, este \u00e9 destinado a conhecer uma purifica\u00e7\u00e3o radical <\/i>(cf.<i> <\/i>2<i> Pe <\/i>3,10)<i> <\/i>da qual sa\u00edra renovado (cf.<i> Is <\/i>65, 17;<i> <\/i>66<i>, <\/i>22;<i> Ap <\/i>21, 1), transformado finalmente no lugar onde \u00abhabitar\u00e1 a justi\u00e7a\u00bb (cf. 2 <i>Pe<\/i> 3, 13).<\/p><p><i>No Seu minist\u00e9rio p\u00fablico Jesus valoriza os elementos naturais. <\/i>Da natureza Ele \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 s\u00e1bio interprete nas imagens que dela costuma oferecer e nas par\u00e1bolas, mas tamb\u00e9m Senhor (cf. o epis\u00f3dio da tempestade sedada acalmada em <i>Mt<\/i> 14, 22-33; <i>Mc<\/i> 6, 45-52; <i>Lc<\/i> 8, 22-25;<i> Jo <\/i>6, 16-21): o Senhor a coloca ao servi\u00e7o de Seu des\u00edgnio redentor. Ele chama os Seus disc\u00edpulos contemplar as coisas, as esta\u00e7\u00f5es e os homens com a confian\u00e7a dos filhos que sabem n\u00e3o poder ser abandonados por um Pai providente (cf. <i>Lc<\/i> 11, 11-13). <i>Longe de se tornar escravo das coisas, o disc\u00edpulo de Cristo deve saber servir-se delas para criar partilha e fraternidade<\/i> (cf.<i> Lc <\/i>16, 9<i>-<\/i>13)<i>.<\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>454<\/b> <i>O ingresso de Jesus Cristo na hist\u00f3ria do mundo culmina na P\u00e1scoa, onde a mesma natureza participa do drama do Filho de Deus rejeitado e da vit\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/i> (cf. <i>Mt<\/i> 27, 45.51; 28, 2). Atravessando a morte e nela inserindo a novidade resplendente da Ressurrei\u00e7\u00e3o, Jesus inaugura um mundo novo no qual tudo \u00e9 submetido a Ele (cf 1<i> Cor <\/i>15,20-28) e restabelece aquela rela\u00e7\u00e3o de ordem e harmonia que o pecado havia destru\u00eddo. A consci\u00eancia dos desequil\u00edbrios entre o homem e a natureza de ser acompanhada pelo conhecimento de que, em Jesus, se realizou a reconcilia\u00e7\u00e3o do homem e do mundo com Deus, de sorte que cada ser humano consciente do Amor divino, pode reencontrar a paz perdida: \u00abTodo aquele que est\u00e1 em Cristo \u00e9 uma criatura nova. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo\u00bb (2<i> Cor <\/i>5,17). A natureza, que fora criada no Verbo, por meio do mesmo Verbo, feito carne, foi reconciliada com Deus e pacificada (Cf. <i>Col<\/i> 1,15-20).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>455 <\/b><i>N\u00e3o apenas a interioridade do homem \u00e9 sanada, mas toda a sua corporeidade \u00e9 tocada pela for\u00e7a redentora de Cristo<\/i>;<i> a cria\u00e7\u00e3o inteira toma parte na renova\u00e7\u00e3o que brota da P\u00e1scoa do Senhor<\/i>, mesmo entre gemidos das dores do parto (cf. <i>Rm<\/i> 8, 19-23), \u00e0 espera de dar \u00e0 luz \u00abum novo c\u00e9u e uma nova terra\u00bb (<i>Ap <\/i>21, 1) que s\u00e3o o dom do fim dos tempos, da salva\u00e7\u00e3o acabada. Nesse meio tempo, nada \u00e9 estranho a tal salva\u00e7\u00e3o: em qualquer condi\u00e7\u00e3o de vida, o crist\u00e3o \u00e9 chamado a servir a Cristo, a viver segundo o seu Esp\u00edrito, deixando-se guiar pelo amor, princ\u00edpio de uma vida nova, que restitui o mundo e o homem ao projeto das suas origens: \u00ab... o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro. Tudo \u00e9 vosso! Mas v\u00f3s sois de Cristo, e Cristo \u00e9 de Deus\u00bb (1<i> Cor <\/i>3, 22-23).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b><a name=\"II. O HOMEM E O UNIVERSO DAS COISAS\"><\/a>II. O HOMEM E O UNIVERSO DAS COISAS<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>456 <\/b>A vis\u00e3o b\u00edblica inspira as atitudes dos crist\u00e3os em rela\u00e7\u00e3o ao uso da terra, assim como ao desenvolvimento da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica. O Conc\u00edlio Vaticano II afirma que o homem \u00abtem raz\u00e3o o homem, participante da luz da intelig\u00eancia divina, quando afirma que, pela intelig\u00eancia \u00e9 superior ao universo material\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn946\" name=\"_ftnref946\"> [946] <\/a>; os Padres Conciliares reconhecem os progressos feitos gra\u00e7as \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel do engenho humano ao longo dos s\u00e9culos, nas ci\u00eancias emp\u00edricas, nas artes t\u00e9cnicas e nas disciplinas liberais<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn947\" name=\"_ftnref947\"> [947] <\/a>. O homem hoje, \u00abgra\u00e7as sobretudo \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 t\u00e9cnica, estendeu e continuamente estende o seu dom\u00ednio sobre quase toda a natureza\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn948\" name=\"_ftnref948\"> [948] <\/a>.<\/p><p>Porque o homem, \u00abcriado \u00e0 imagem de Deus, recebeu a miss\u00e3o de submeter a terra e todas as coisas que nela existem, de governar o mundo na justi\u00e7a e na santidade, e de, reconhecendo a Deus como Criador de todas as coisas, orientar para Ele o seu ser, bem como o universo inteiro, de tal maneira que, sujeitas todas as coisas ao homem, o nome de Deus seja glorificado em toda a terra\u00bb, o Conc\u00edlio ensina que a \u00aba atividade humana, individual e coletiva, ou aquele esfor\u00e7o gigantesco, com que os homens se atarefam ao longo dos s\u00e9culos para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida, considerado em si mesmo, corresponde \u00e0 vontade de Deus\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn949\" name=\"_ftnref949\"> [949] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>457 <\/b><i>Os resultados da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica s\u00e3o, em si mesmos, positivos<\/i>: os crist\u00e3os \u00ablonge de oporem as conquistas do engenho e do esfor\u00e7o humano ao poder de Deus, e de considerarem a criatura racional como uma esp\u00e9cie de rival do Criador, (...) est\u00e3o, ao contr\u00e1rio, bem persuadidos de que as vit\u00f3rias do g\u00eanero humano s\u00e3o um sinal da grandeza divina e uma conseq\u00fc\u00eancia dos Seus des\u00edgnios inef\u00e1veis\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn950\" name=\"_ftnref950\"> [950] <\/a>. Os Padres conciliares ressaltam tamb\u00e9m o fato de que \u00abquanto mais cresce o poder do homem, tanto mais se alarga o campo das suas responsabilidades, tanto individuais como coletivas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn951\" name=\"_ftnref951\"> [951] <\/a>, e que toda atividade humana deve corresponder, segundo o des\u00edgnio de Deus e a Sua vontade, ao verdadeiro bem da humanidade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn952\" name=\"_ftnref952\"> [952] <\/a>. Nesta perspectiva, o Magist\u00e9rio tem repetidas vezes sublinhado que a Igreja cat\u00f3lica n\u00e3o se op\u00f5e de modo algum ao progresso<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn953\" name=\"_ftnref953\"> [953] <\/a>, antes considera \u00aba ci\u00eancia e a tecnologia ... um produto maravilhoso da criatividade humana, que \u00e9 dom de Deus, uma vez que nos forneceram possibilidades maravilhosas, de que beneficiamos com \u00e2nimo agradecido\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn954\" name=\"_ftnref954\"> [954] <\/a>. Por esta raz\u00e3o, \u00abcomo crentes em Deus, que julgou \u201cboa\u201d a natureza por Ele criada, n\u00f3s gozamos dos progressos t\u00e9cnicos e econ\u00f4micos, que o homem, com a sua intelig\u00eancia, consegue realizar\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn955\" name=\"_ftnref955\"> [955] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>458 <\/b><i>As considera\u00e7\u00f5es do Magist\u00e9rio sobre a ci\u00eancia e sobre a tecnologia em geral valem tamb\u00e9m para a sua aplica\u00e7\u00e3o ao ambiente natural e \u00e0 agricultura<\/i>. A Igreja aprecia \u00abas vantagens adv\u00eam \u2015 e que podem advir ainda \u2015 do estudo e das aplica\u00e7\u00f5es da biologia molecular, completada por outras disciplinas como a gen\u00e9tica e a sua aplica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica na agricultura e na ind\u00fastria\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn956\" name=\"_ftnref956\"> [956] <\/a>. Efetivamente \u00aba t\u00e9cnica poderia constituir, com uma reta aplica\u00e7\u00e3o, um precioso instrumento \u00fatil para resolver graves problemas, a come\u00e7ar pelos da fome e da enfermidade, mediante a produ\u00e7\u00e3o de variedades de plantas mais progredidas e resistentes e de preciosos medicamentos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn957\" name=\"_ftnref957\"> [957] <\/a>. Contudo \u00e9 importante reafirmar o conceito de \u00abreta aplica\u00e7\u00e3o\u00bb, porque \u00abn\u00f3s sabemos que este potencial n\u00e3o \u00e9 neutro: pode ser usado tanto para o progresso do homem como para a sua degrada\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn958\" name=\"_ftnref958\"> [958] <\/a>. Por esta raz\u00e3o, \u00ab\u00e9 necess\u00e1rio ... manter uma atitude de prud\u00eancia e examinar com olhos atentos a natureza, a finalidade e os modos das v\u00e1rias formas de tecnologia aplicada\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn959\" name=\"_ftnref959\"> [959] <\/a>. Os cientistas, portanto, devem usar \u00abverdadeiramente as suas pesquisas e as suas capacidades t\u00e9cnicas em servi\u00e7o da humanidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn960\" name=\"_ftnref960\"> [960] <\/a>, sabendo subordin\u00e1-las \u00abaos princ\u00edpios e valores morais que respeitam e realizam na sua plenitude a dignidade do homem\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn961\" name=\"_ftnref961\"> [961] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>459 <\/b><i>Ponto de refer\u00eancia central para toda aplica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e t\u00e9cnica \u00e9 o respeito ao homem, que deve acompanhar uma indispens\u00e1vel atitude de respeito para com as demais criaturas viventes. <\/i>Tamb\u00e9m quando se pensa a uma altera\u00e7\u00e3o delas, \u00ab \u00e9 preciso ter em conta a <i>natureza de cada ser e as liga\u00e7\u00f5es m\u00fatuas<\/i> entre todos, num sistema ordenado \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn962\" name=\"_ftnref962\"> [962] <\/a>. Neste sentido, as formid\u00e1veis possibilidades da pesquisa biol\u00f3gica suscitam profunda inquietude, porquanto \u00abainda n\u00e3o se esteja em condi\u00e7\u00f5es de avaliar as perturba\u00e7\u00f5es provocadas na natureza por uma indiscriminada manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e pelo imprudente desenvolvimento de novas plantas e de novas formas de vida animal, para n\u00e3o falar j\u00e1 de inaceit\u00e1veis interven\u00e7\u00f5es sobre as origens da pr\u00f3pria vida humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn963\" name=\"_ftnref963\"> [963] <\/a>. Efetivamente, \u00abj\u00e1 se verificou, por\u00e9m, que a aplica\u00e7\u00e3o de algumas dessas descobertas no campo industrial e agr\u00edcola, a longo prazo produzem efeitos negativos. Isto p\u00f4s cruamente em evid\u00eancia que toda e qualquer interven\u00e7\u00e3o numa \u00e1rea determinada do ecossistema n\u00e3o pode prescindir da considerar\u00e3o das suas conseq\u00fc\u00eancias noutras \u00e1reas e, em geral, das conseq\u00fc\u00eancias no bem-estar das futuras gera\u00e7\u00f5es\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn964\" name=\"_ftnref964\"> [964] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>460 <\/b><i>O homem n\u00e3o deve, portanto, esquecer que <\/i>\u00aba sua capacidade de transformar e, de certo modo, criar o mundo com o pr\u00f3prio trabalho ... se desenrola sempre sobre a base da doa\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria das coisas por parte de Deus \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn965\" name=\"_ftnref965\"> [965] <\/a>. Ele n\u00e3o deve \u00abdispor arbitrariamente da terra, submetendo-a sem reservas \u00e0 sua vontade, como se ela n\u00e3o possu\u00edsse uma forma pr\u00f3pria e um destino anterior que Deus lhe deu, e que o homem pode, sim, desenvolver, mas n\u00e3o deve trair\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn966\" name=\"_ftnref966\"> [966] <\/a>. Quando se comporta deste modo, \u00ab em vez de realizar o seu papel de colaborador de Deus na obra da cria\u00e7\u00e3o, o homem substitui-se a Deus, e deste modo acaba por provocar a revolta da natureza, mais tiranizada que governada por ele\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn967\" name=\"_ftnref967\"> [967] <\/a>.<\/p><p>Se o homem interv\u00e9m na natureza sem abusar e sem danific\u00e1-la, se pode dizer que \u00abinterv\u00e9m n\u00e3o para modificar a natureza mas para a ajudar a desenvolver-se segundo a sua ess\u00eancia, aquela da cria\u00e7\u00e3o, a mesma querida por Deus. Trabalhando neste campo, evidentemente delicado, o investigador adere ao des\u00edgnio de Deus. Aprouve a Deus que o homem fosse o rei da cria\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn968\" name=\"_ftnref968\"> [968] <\/a>. No fundo \u00e9 o pr\u00f3prio Deus que oferece ao homem a honra de cooperar com todas as for\u00e7as da intelig\u00eancia na obra da cria\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b><a name=\"III. A CRISE NA RELA\u00c7\u00c3O HOMEM-AMBIENTE\"><\/a>III. A CRISE NA RELA\u00c7\u00c3O HOMEM-AMBIENTE<\/b><\/span><\/p><p><b>461<\/b> <i>A mensagem b\u00edblica e o Magist\u00e9rio eclesial constituem os pontos de refer\u00eancia par\u00e2metro para avaliar os problemas que se p\u00f5em nas rela\u00e7\u00f5es entre o homem e o ambiente<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn969\" name=\"_ftnref969\"> [969] <\/a><i>. <\/i>Na origem de tais problemas pode identificar-se a pretens\u00e3o de exercitar um dom\u00ednio incondicional sobre as coisas por parte do homem, um homem desatento \u00e0quelas considera\u00e7\u00f5es de ordem moral que devem caracterizar cada atividade humana.<\/p><p><i>A tend\u00eancia \u00e0 \u00abexplora\u00e7\u00e3o inconsiderada\u00bb<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn970\" name=\"_ftnref970\"> [970] <\/a><i>dos recursos da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 o resultado de um longo processo hist\u00f3rico e cultural<\/i>: \u00abA \u00e9poca moderna registrou uma capacidade crescente de interven\u00e7\u00e3o transformadora por parte do homem. O aspecto de conquista e de explora\u00e7\u00e3o dos recursos tornou-se predominante e invasivo, e hoje chega a amea\u00e7ar a pr\u00f3pria capacidade acolhedora do ambiente: o ambiente como \u201crecurso\u201d corre o perigo de amea\u00e7ar o ambiente como \u201ccasa\u201d. Por causa dos poderosos meios de transforma\u00e7\u00e3o, oferecidos pela civiliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, parece \u00e0s vezes que o equil\u00edbrio homem-ambiente tenha alcan\u00e7ado um ponto cr\u00edtico\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn971\" name=\"_ftnref971\"> [971] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>462<\/b> <i>A natureza aparece assim como um instrumento nas m\u00e3os do homem, uma realidade que ele deve constantemente manipular, especialmente mediante a tecnologia.<\/i> A partir do pressuposto, que se revelou errado, de que existe uma quantidade ilimitada de energia e de recursos a serem utilizados, que a sua regenera\u00e7\u00e3o seja poss\u00edvel de imediato e que os efeitos negativos das manipula\u00e7\u00f5es da ordem natural podem ser facilmente absorvidos, se difundiu uma concep\u00e7\u00e3o redutiva que l\u00ea o mundo natural em chave mecanicista e o desenvolvimento em chave consumista; o primado atribu\u00eddo ao fazer e ao ter mais do que ao ser causa graves formas de aliena\u00e7\u00e3o humana<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn972\" name=\"_ftnref972\"> [972] <\/a>.<\/p><p><i>Uma semelhante postura n\u00e3o deriva da pesquisa cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica, mas de uma ideologia cientificista e tecnocr\u00e1tica que tende a condicion\u00e1-la<\/i>. A ci\u00eancia e a t\u00e9cnica, com o seu progresso, n\u00e3o eliminam a necessidade de transcend\u00eancia e n\u00e3o s\u00e3o de per si causa da seculariza\u00e7\u00e3o exasperada que conduz ao niilismo: enquanto avan\u00e7am em seu caminho, suscitam interroga\u00e7\u00f5es sobre o seu sentido e fazem crescer a necessidade de respeitar a dimens\u00e3o transcendente da pessoa humana e da pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>463 <\/b><i>Uma correta concep\u00e7\u00e3o do ambiente, se de um lado n\u00e3o pode reduzir de forma utilitarista a natureza mero objeto de manipula\u00e7\u00e3o e desfrute, por outro lado n\u00e3o pode absolutizar a natureza e sobrep\u00f4-la em dignidade \u00e0 pr\u00f3pria pessoa humana<\/i>. Neste \u00faltimo caso, chega-se ao ponto de divinizar a natureza ou a terra, como se pode facilmente divisar em alguns movimentos ecologistas que querem que se d\u00ea um perfil institucional internacionalmente garantido \u00e0s suas concep\u00e7\u00f5es<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn973\" name=\"_ftnref973\"> [973] <\/a>.<\/p><p><i>O Magist\u00e9rio tem motivado a sua contrariedade a uma concep\u00e7\u00e3o do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo<\/i>, porque \u00abse prop\u00f5e eliminar a diferen\u00e7a ontol\u00f3gica e axiol\u00f3gica entre o homem e os outros seres vivos, considerando a biosfera como uma unidade bi\u00f3tica de valor indiferenciado. Chega-se assim a eliminar a superior responsabilidade do homem, em favor de uma considera\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria da \u201cdignidade\u201d de todos os seres vivos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn974\" name=\"_ftnref974\"> [974] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>464 <\/b>Uma vis\u00e3o do homem e das coisas desligadas de qualquer refer\u00eancia \u00e0 transcend\u00eancia conduziu a nega\u00e7\u00e3o do conceito de cria\u00e7\u00e3o e a atribuir ao homem e \u00e0 natureza uma exist\u00eancia completamente aut\u00f4noma. O liame que une o mundo a Deus foi assim quebrado: tal ruptura terminou por desancorar do mundo tamb\u00e9m do homem e, mais radicalmente, empobreceu sua mesma identidade. O ser humano viu-se a considerar-se alheio ao contexto ambiental em que vive. \u00c9 bem clara a conseq\u00fc\u00eancia que da\u00ed decorre: \u00aba rela\u00e7\u00e3o que o homem tem com Deus \u00e9 que determina a rela\u00e7\u00e3o do homem com os seus semelhantes e com o seu ambiente. Eis por que a cultura crist\u00e3 sempre reconheceu nas criaturas, que circundam o homem, outros tantos dons de Deus que devem ser cultivados e conservados, com sentido de gratid\u00e3o para com o Criador. Em particular, as espiritualidades beneditina e franciscana t\u00eam testemunhado esta esp\u00e9cie de parentesco do homem com o ambiente da cria\u00e7\u00e3o, alimentando nele uma atitude de respeito para com toda a realidade do mundo circunstante\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn975\" name=\"_ftnref975\"> [975] <\/a>. H\u00e1 que se ressaltar principalmente a profunda conex\u00e3o existente entre ecologia ambiental e \u00ab<i>ecologia humana<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn976\" name=\"_ftnref976\"> [976] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>465<\/b> <i>O Magist\u00e9rio enfatiza a responsabilidade humana de preservar um ambiente \u00edntegro e saud\u00e1vel para todos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn977\" name=\"_ftnref977\"> [977] <\/a>: \u00abA humanidade de hoje, se conseguir conjugar as novas capacidades cient\u00edficas com uma forte dimens\u00e3o \u00e9tica, ser\u00e1 certamente capaz de promover o ambiente como casa e como recurso, em favor do homem e de todos os homens; ser\u00e1 capaz de eliminar os fatores de polui\u00e7\u00e3o, de assegurar condi\u00e7\u00f5es de higiene e de sa\u00fade adequadas, tanto para pequenos grupos como para vastos aglomerados humanos. A tecnologia que polui pode tamb\u00e9m despoluir, a produ\u00e7\u00e3o que acumula pode distribuir de modo eq\u00fcitativo, com a condi\u00e7\u00e3o de que prevale\u00e7a a \u00e9tica do respeito pela vida e a dignidade do homem, pelos direitos das gera\u00e7\u00f5es humanas presentes e daquelas vindouras\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn978\" name=\"_ftnref978\"> [978] <\/a><i>.<\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>IV. UMA RESPONSABILIDADE COMUM<\/b><\/span><\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b><a name=\"O ambiente, um bem coletivo\"><\/a> O ambiente, um bem coletivo<\/b><\/span><\/p><p><b>466<\/b> <i>A tutela do ambiente constitui um desafio para toda a humanidade: trata-se do dever, comum e universal, de respeitar um bem coletivo<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn979\" name=\"_ftnref979\"> [979] <\/a>, destinado a todos, impedindo que se possa fazer \u00abimpunemente uso das diversas categorias de seres, vivos ou inanimados \u2014 animais, plantas e elementos naturais \u2014 como se quiser, em fun\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias exig\u00eancias\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn980\" name=\"_ftnref980\"> [980] <\/a>. \u00c9 uma responsabilidade que deve amadurecer com base na globalidade da presente crise ecol\u00f3gica e \u00e0 conseq\u00fcente necessidade de enfrent\u00e1-la globalmente, enquanto todos os seres dependem uns dos outros na ordem universal estabelecida pelo Criador: \u00ab\u00e9 preciso ter em conta a <i>natureza de cada ser e as liga\u00e7\u00f5es m\u00fatuas<\/i> entre todos, num sistema ordenado, qual \u00e9 exatamente o cosmos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn981\" name=\"_ftnref981\"> [981] <\/a>.<\/p><p>Esta perspectiva reveste uma particular import\u00e2ncia quando se considera, no contexto dos estreitos liames que unem v\u00e1rios ecossistemas entre si, <i>o valor da biodiversidade<\/i>, que deve ser tratada com sentido de responsabilidade e adequadamente protegida, porque constitui uma extraordin\u00e1ria riqueza para a humanidade toda. A tal prop\u00f3sito, cada um pode facilmente advertir, por exemplo, a import\u00e2ncia da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, \u00abum dos espa\u00e7os mais apreciados do mundo pela sua diversidade biol\u00f3gica, que o torna vital para o equil\u00edbrio ambiental de todo o planeta\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn982\" name=\"_ftnref982\"> [982] <\/a>. <i>As florestas <\/i>contribuem para manter equil\u00edbrios naturais essenciais indispens\u00e1veis para a vida<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn983\" name=\"_ftnref983\"> [983] <\/a>. A sua destrui\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m atrav\u00e9s de inconsiderados inc\u00eandios dolosos acelera o os processos de desertifica\u00e7\u00e3o com perigosas conseq\u00fc\u00eancias para as reservas de \u00e1gua e compromete a vida de muitos povos ind\u00edgenas e o bem-estar das gera\u00e7\u00f5es futuras. Todos, indiv\u00edduos e sujeitos institucionais, devem sentir-se comprometidos a proteger o patrim\u00f4nio florestal e, onde necess\u00e1rio, promover adeguados programas de reflorestamento.<\/p><p><b>467<\/b> <i>A responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o o ao ambiente, patrim\u00f4nio comum do g\u00eanero humano, se estende n\u00e3o apenas \u00e0s exig\u00eancias do presente, mas tamb\u00e9m \u00e0s do futuro: <\/i>\u00abHerdeiros das gera\u00e7\u00f5es passadas e benefici\u00e1rios do trabalho dos nossos contempor\u00e2neos, temos obriga\u00e7\u00f5es para com todos, e n\u00e3o podemos desinteressar-nos dos que vir\u00e3o depois de n\u00f3s aumentar o c\u00edrculo da fam\u00edlia humana. A solidariedade universal \u00e9 para n\u00f3s n\u00e3o s\u00f3 um fato e um beneficio, mas tamb\u00e9m um dever\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn984\" name=\"_ftnref984\"> [984] <\/a>. <i>Trata-se de uma responsabilidade que as gera\u00e7\u00f5es presentes t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s futuras<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn985\" name=\"_ftnref985\"> [985] <\/a>, uma responsabilidade que pertence tamb\u00e9m a cada um dos Estados e \u00e0 Comunidade Internacional.<\/p><p><b>468<\/b> <i>A responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente deve encontrar uma tradu\u00e7\u00e3o adequada em campo jur\u00eddico.<\/i> \u00c9 importante que a Comunidade Internacional elabore regras uniformes para que tal regulamenta\u00e7\u00e3o consinta aos Estados controlar com maior efic\u00e1cia as v\u00e1rias atividades que determinam efeitos negativos no ambiente e preservar os ecossistemas prevendo poss\u00edveis acidentes: \u00abCompete a cada Estado, no \u00e2mbito do pr\u00f3prio territ\u00f3rio, a tarefa de prevenir a degrada\u00e7\u00e3o da atmosfera e da biosfera, exercendo um controlo atento, al\u00e9m do mais, sobre os efeitos das novas descobertas tecnol\u00f3gicas e cient\u00edficas; e ainda, dando aos pr\u00f3prios cidad\u00e3os a garantia de n\u00e3o estarem expostos a agentes inquinantes e a emana\u00e7\u00f5es t\u00f3xicas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn986\" name=\"_ftnref986\"> [986] <\/a>.<\/p><p>O conte\u00fado jur\u00eddico do \u00ab<i>direito a um ambiente s\u00e3o e seguro<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn987\" name=\"_ftnref987\"> [987] <\/a>\u00e9 fruto de uma elabora\u00e7\u00e3o gradual, requerida pela preocupa\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica em disciplinar o uso dos bens da cria\u00e7\u00e3o segundo as exig\u00eancias do bem comum e em uma vontade comum de introduzir san\u00e7\u00f5es para aqueles que poluem. As normas jur\u00eddicas, todavia, por si s\u00f3s n\u00e3o bastam<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn988\" name=\"_ftnref988\"> [988] <\/a>; a par destas, devem amadurecer um forte senso de responsabilidade, bem como uma efetiva mudan\u00e7a nas mentalidades e nos estilos de vida.<\/p><p><b>469 <\/b><i>As autoridades chamadas a tomar decis\u00f5es para afrontar riscos sanit\u00e1rios e ambientais, \u00e0s vezes, se encontram diante de situa\u00e7\u00f5es nas quais os dados cient\u00edficos dispon\u00edveis s\u00e3o contradit\u00f3rios ou quantitativamente escassos: em tal caso pode ser oportuna uma avalia\u00e7\u00e3o inspirada pelo \u00abprinc\u00edpio de precau\u00e7\u00e3o\u00bb, que n\u00e3o comporta a aplica\u00e7\u00e3o de uma regra, mas uma orienta\u00e7\u00e3o ordenada a administrar situa\u00e7\u00f5es de incerteza<\/i>. Esta manifesta a exig\u00eancia de uma decis\u00e3o provis\u00f3ria e modific\u00e1vel com base em novos conhecimentos que eventualmente se venham a alcan\u00e7ar. A decis\u00e3o deve ser proporcional \u00e0s provid\u00eancias j\u00e1 tomadas em vista de outros riscos. As pol\u00edticas cautelat\u00f3rias, baseadas no princ\u00edpio de precau\u00e7\u00e3o, requerem que as decis\u00f5es sejam baseadas em um confronto entre riscos e benef\u00edcios previs\u00edveis para cada poss\u00edvel op\u00e7\u00e3o alternativa, inclusive a decis\u00e3o de n\u00e3o atuar. \u00c0 abordagem baseada no princ\u00edpio de precau\u00e7\u00e3o liga-se a exig\u00eancia de promover todo o esfor\u00e7o para adquirir conhecimentos mais aprofundados, mesmo sabendo que a ci\u00eancia n\u00e3o pode chegar rapidamente a conclus\u00f5es acerca da aus\u00eancia de riscos. As circunst\u00e2ncias de incerteza e a provisoriedade tornam particularmente importante a transpar\u00eancia no processo decis\u00f3rio.<\/p><p><b>470<\/b> <i>A programa\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico deve considerar atentamente a <\/i>\u00ab<i>necessidade de respeitar a integridade e os ritmos da natureza<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn989\" name=\"_ftnref989\"> [989] <\/a><i>, j\u00e1 que os recursos naturais s\u00e3o limitados e alguns n\u00e3o s\u00e3o renov\u00e1veis.<\/i> O atual ritmo de explora\u00e7\u00e3o compromete seriamente a disponibilidade de alguns recursos naturais para o tempo presente e para o futuro<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn990\" name=\"_ftnref990\"> [990] <\/a>. A solu\u00e7\u00e3o do problema ecol\u00f3gico exige que a atividade econ\u00f4mica respeite mais o ambiente, conciliando as exig\u00eancias do desenvolvimento econ\u00f4mico com as da prote\u00e7\u00e3o ambiental. <i>Toda atividade econ\u00f4mica que se valer dos recursos naturais deve tamb\u00e9m preocupar-se com a salvaguarda do ambiente e prever-lhe os custos,<\/i> que devem ser considerados como \u00abum item essencial dos custos da atividade econ\u00f4mica\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn991\" name=\"_ftnref991\"> [991] <\/a>. Neste contexto h\u00e3o de ser consideradas as rela\u00e7\u00f5es entre a atividade humana e as <i>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas <\/i>que, vista a sua complexidade, devem ser oportuna e constantemente em n\u00edvel cient\u00edfico, pol\u00edtico e jur\u00eddico, nacional e internacional. O clima \u00e9 um bem a ser protegido e exige que, no seu comportamento, os consumidores e os que exercem atividade industrial desenvolvam um maior senso de responsabilidade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn992\" name=\"_ftnref992\"> [992] <\/a>.<\/p><p><i>Uma economia respeitosa do ambiente n\u00e3o perseguir\u00e1 unicamente o objetivo da maximiza\u00e7\u00e3o do lucro, porque a prote\u00e7\u00e3o ambiental n\u00e3o pode ser assegurada somente com base no c\u00e1lculo financeiro de custos e benef\u00edcios<\/i>. O ambiente \u00e9 um dos bens que os mecanismos de mercado n\u00e3o s\u00e3o aptos a defender ou a promover adequadamente<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn993\" name=\"_ftnref993\"> [993] <\/a>. Todos os pa\u00edses, sobretudo os desenvolvidos, devem perceber como urgente a obriga\u00e7\u00e3o de reconsiderar as modalidades do uso dos bens naturais. A busca de inova\u00e7\u00f5es capazes de reduzir o impacto sobre o ambiente provocado pela produ\u00e7\u00e3o e pelo consumo deve ser eficazmente incentivada.<\/p><p>Uma aten\u00e7\u00e3o particular dever\u00e1 ser reservada \u00e0s complexas problem\u00e1ticas concernentes aos <i>recursos energ\u00e9ticos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn994\" name=\"_ftnref994\"> [994] <\/a>. As n\u00e3o renov\u00e1veis, exploradas pelos pa\u00edses altamente industrializados e por aqueles que de recente industrializa\u00e7\u00e3o, devem ser postas ao servi\u00e7o de toda a humanidade. Em uma perspectiva moral caracterizada pela eq\u00fcidade e pela solidariedade entre as gera\u00e7\u00f5es, se dever\u00e1, outrossim, continuamente, mediante o contributo da comunidade cient\u00edfica, a identificar novas fontes energ\u00e9ticas, a desenvolver as alternativas e a elevar o n\u00edvel de seguran\u00e7a da energia nuclear<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn995\" name=\"_ftnref995\"> [995] <\/a>. A utiliza\u00e7\u00e3o da energia, pela conex\u00e3o que tem com as quest\u00f5es do desenvolvimento e do ambiente, chama em causa a responsabilidade pol\u00edtica dos estados, da comunidade internacional e dos operadores econ\u00f4micos; tais responsabilidades dever\u00e3o ser iluminadas e guiadas pela busca cont\u00ednua do bem comum universal.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>471<\/b> <i>Uma aten\u00e7\u00e3o especial merece a rela\u00e7\u00e3o que os povos ind\u00edgenas mant\u00eam com a sua terra e os seus recursos: trata-se de uma express\u00e3o fundamental da sua identidade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn996\" name=\"_ftnref996\"> [996] <\/a>.Muitos povos j\u00e1 perderam ou correm o risco de perder, em vantagem de potentes interesses agro-industriais ou em for\u00e7a dos processos de assimila\u00e7\u00e3o e de urbaniza\u00e7\u00e3o, as terras em que vivem<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn997\" name=\"_ftnref997\"> [997] <\/a>, as quais est\u00e1 vinculado o pr\u00f3prio sentido de suas exist\u00eancias<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn998\" name=\"_ftnref998\"> [998] <\/a>. Os direitos dos povos ind\u00edgenas devem ser oportunamente tutelados<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn999\" name=\"_ftnref999\"> [999] <\/a>. Estes povos oferecem um exemplo de vida em harmonia com o ambiente que eles aprenderam a conhecer e preservar<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1000\" name=\"_ftnref1000\"> [1000] <\/a>: a sua extraordin\u00e1ria experi\u00eancia, que \u00e9 uma riqueza insubstitu\u00edvel para toda a humanidade, corre o risco de se perder juntamente com o ambiente do qual se origina.<b><\/b><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"O uso das biotecnologias\"><\/a>O uso das biotecnologias<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>472 <\/b><i>Nos \u00faltimos anos, se imp\u00f4s com for\u00e7a a quest\u00e3o do uso das novas biotecnologias para fins ligados \u00e0 agricultura, \u00e0 zootecnia, \u00e0 medicina e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do ambiente. As novas possibilidades oferecidas pelas atuais t\u00e9cnicas biol\u00f3gicas e biogen\u00e9ticas suscitam, de um lado, esperan\u00e7as e entusiasmos e, de outro lado, alarme e hostilidade<\/i>. As aplica\u00e7\u00f5es das biotecnologias, a sua liceidade do ponto de vista moral, as suas conseq\u00fc\u00eancias para a sa\u00fade do homem, o seu impacto sobre o ambiente e sobre a economia, constituem objeto de estudo aprofundado e de v\u00edvido debate. Trata-se de quest\u00f5es controversas que envolvem cientistas e pesquisadores, pol\u00edticos e legisladores, economistas e ambientalistas, produtores e consumidores. Os crist\u00e3os n\u00e3o ficam indiferentes a estas problem\u00e1ticas, c\u00f4nscios da import\u00e2ncia dos valores em jogo<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1001\" name=\"_ftnref1001\"> [1001] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>473. <\/b><i>A vis\u00e3o crist\u00e3 da cria\u00e7\u00e3o comporta um ju\u00edzo positivo sobre a liceidade das interven\u00e7\u00f5es do homem na natureza, inclusive os outros seres vivos, e, ao mesmo tempo, uma forte chamada ao senso de responsabilidade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1002\" name=\"_ftnref1002\"> [1002] <\/a>. De fato, a natureza n\u00e3o \u00e9 uma realidade sacra ou divina, subtra\u00edda \u00e0 a\u00e7\u00e3o humana. \u00c9, antes, um dom oferecido pelo Criador \u00e0 comunidade humana, confiado \u00e0 intelig\u00eancia e \u00e0 responsabilidade moral do homem. Por isso ele n\u00e3o comete um ato il\u00edcito quando, respeitando a ordem, a beleza e a utilidade de cada ser vivente e da sua fun\u00e7\u00e3o no ecossistema, interv\u00e9m modificando-lhe algumas caracter\u00edsticas e propriedades. S\u00e3o deplor\u00e1veis as interven\u00e7\u00f5es do homem quando danificam os seres viventes ou o ambiente natural, ao passo que s\u00e3o louv\u00e1veis quando se traduzem no seu melhoramento. <i>A liceidade do uso das t\u00e9cnicas biol\u00f3gicas e biogen\u00e9ticas n\u00e3o esgotam toda a problem\u00e1tica \u00e9tica<\/i>: como no que concerne qualquer comportamento humano, \u00e9 necess\u00e1rio avaliar cuidadosamente a sua real utilidade, bem como as poss\u00edveis conseq\u00fc\u00eancias tamb\u00e9m em termos de riscos. No \u00e2mbito das interven\u00e7\u00f5es t\u00e9cnico-cient\u00edficas de forte e ampla incid\u00eancia sobre os organismos viventes, com a possibilidade de not\u00e1veis repercuss\u00f5es a longo prazo, n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito agir com ligeireza e irresponsabilidade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>474 <\/b><i>As modernas biotecnologias t\u00eam um forte impacto social, econ\u00f4mico e pol\u00edtico, no plano local, nacional e internacional: h\u00e3o de ser avaliadas de acordo com os crit\u00e9rios \u00e9ticos que devem sempre orientar as atividades e as rela\u00e7\u00f5es humanas no \u00e2mbito s\u00f3cio-econ\u00f4mico e pol\u00edtico<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1003\" name=\"_ftnref1003\"> [1003] <\/a>. \u00c9 necess\u00e1rio ter na devida conta sobretudo os crit\u00e9rios de justi\u00e7a e solidariedade, aos quais se devem ater antes de tudo os indiv\u00edduos e os grupos que atuam na pesquisa e comercializa\u00e7\u00e3o no campo das biotecnologias. Todavia, n\u00e3o se deve cair no erro de crer que a mera difus\u00e3o dos benef\u00edcios ligados \u00e0s novas tecnologias possa resolver todos os urgentes problemas de pobreza e de subdesenvolvimento que ainda insidiam tantos pa\u00edses do planeta.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>475 <\/b><i>Em um esp\u00edrito de solidariedade internacional, v\u00e1rias medidas podem ser atuadas em rela\u00e7\u00e3o ao uso de novas biotecnologias. <\/i>Deve ser facilitado, em primeiro lugar, <i>o interc\u00e2mbio comercial eq\u00fcitativo, livre de v\u00ednculos injustos<\/i>. A promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento dos povos mais desfavorecidos n\u00e3o ser\u00e1 por\u00e9m aut\u00eantica e eficaz se se reduz ao interc\u00e2mbio de produtos. \u00c9 indispens\u00e1vel favorecer tamb\u00e9m <i>a matura\u00e7\u00e3o de uma necess\u00e1ria autonomia cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica<\/i> por parte daqueles mesmos povos, promovendo tamb\u00e9m <i>os interc\u00e2mbios de conhecimentos cient\u00edficos e as tecnologias bem como a transfer\u00eancia de tecnologias para os pa\u00edses em via de desenvolvimento<\/i>.<\/p><p><b>476 <\/b><i>A solidariedade comporta tamb\u00e9m uma chamada \u00e0 responsabilidade que t\u00eam os pa\u00edses em via de desenvolvimento e em particular, os seus respons\u00e1veis pol\u00edticos, em promover uma pol\u00edtica comercial favor\u00e1vel aos seus povos e o interc\u00e2mbio de tecnologias capazes de melhorar as condi\u00e7\u00f5es alimentares e sanit\u00e1rias. <\/i>Em tais pa\u00edses deve crescer o investimento na pesquisa, com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s caracter\u00edsticas e \u00e0s necessidades particulares do pr\u00f3prio territ\u00f3rio e da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o, sobretudo levando em conta que algumas pesquisas no campo das biotecnologias, potencialmente ben\u00e9ficas, requerem investimentos relativamente modestos. Para este fim seria \u00fatil a cria\u00e7\u00e3o de Organismos nacionais dedicados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do bem comum mediante uma atenta gest\u00e3o dos riscos.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>477 <\/b><i>Os cientistas e t\u00e9cnicos empenhados no setor das biotecnologias s\u00e3o chamados a trabalhar com intelig\u00eancia e perseveran\u00e7a na busca de melhores solu\u00e7\u00f5es para os graves e urgentes problemas da alimenta\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade<\/i>. Eles n\u00e3o se devem esquecer de que as suas atividades dizem respeito a materiais, viventes e n\u00e3o, pertencentes \u00e0 humanidade como um patrim\u00f4nio, destinado tamb\u00e9m \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras; para os crentes se trata de um dom recebido do Criador, confiado \u00e0 intelig\u00eancia e \u00e0 liberdade humanas, tamb\u00e9m estas dons do Alt\u00edssimo. Saibam os cientistas empenhar as suas energias e as suas capacidades em uma busca apaixonada, guiada por uma consci\u00eancia l\u00edmpida e honesta<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1004\" name=\"_ftnref1004\"> [1004] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>478 <\/b><i>Os empres\u00e1rios e respons\u00e1veis pelas entidades p\u00fablicas que se ocupam da pesquisa, da produ\u00e7\u00e3o e do com\u00e9rcio dos produtos derivados das novas biotecnologias devem ter em conta n\u00e3o s\u00f3 o leg\u00edtimo lucro, mas tamb\u00e9m o bem comum<\/i>. Este princ\u00edpio, v\u00e1lido para todo tipo de atividade econ\u00f4mica, torna-se particularmente importante quando se trata de atividades que se relacionam com a alimenta\u00e7\u00e3o, a medicina, a prote\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e do ambiente. Com as suas decis\u00f5es, empres\u00e1rios e respons\u00e1veis pelas entidades p\u00fablicas interessadas podem orientar os progressos no setor das biotecnologias para metas muito promissoras pelo que respeita a luta contra a fome, especialmente nos pa\u00edses mais pobres, a luta contra as doen\u00e7as e a luta pela salvaguarda do ecossistema, patrim\u00f4nio de todos.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>479 <\/b><i>Os pol\u00edticos, os legisladores e os administradores p\u00fablicos t\u00eam a responsabilidade de avaliar as potencialidades, as vantagens e os eventuais riscos conexos com o uso das biotecnologias<\/i>. N\u00e3o \u00e9 de desejar que as suas decis\u00f5es, em plano nacional ou internacional, sejam ditadas por press\u00f5es provenientes de interesses de parte. As autoridades p\u00fablicas devem favorecer tamb\u00e9m uma correta informa\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica e saber, em todo caso, tomar as decis\u00f5es convenientes para o bem comum.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>480 <\/b><i>Tamb\u00e9m os respons\u00e1veis pela informa\u00e7\u00e3o t\u00eam uma tarefa importante, a desempenhar com prud\u00eancia e objetividade<\/i>. A sociedade espera da parte deles uma informa\u00e7\u00e3o completa e objetiva, que ajude os cidad\u00e3os a formar uma opini\u00e3o correta acerca dos produtos biotecnol\u00f3gicos, sobretudo porque se trata de algo que lhes diz respeito diretamente enquanto poss\u00edveis consumidores. Deve-se, portanto, evitar cair na tenta\u00e7\u00e3o de uma informa\u00e7\u00e3o superficial, alimentada por entusiasmos f\u00e1ceis ou por alarmismos injustificados.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"Ambiente e partilha dos bens\"><\/a>Ambiente e partilha dos bens<\/b><\/span><\/p><p><b>481<\/b> <i>Tamb\u00e9m no campo da ecologia a doutrina social convida a ter presente que os bens da terra foram criados por Deus para ser sabiamente usados por todos: tais bens devem ser divididos com equidade, segundo a justi\u00e7a e a caridade<\/i>. Trata-se essencialmente de impedir a injusti\u00e7a de um a\u00e7ambarcamento dos recursos: a avidez, seja esta individual ou coletiva, \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 ordem da cria\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1005\" name=\"_ftnref1005\"> [1005] <\/a>.<i>Os atuais problemas ecol\u00f3gicos, de car\u00e1ter planet\u00e1rio, podem ser eficazmente enfrentados somente atrav\u00e9s de uma coopera\u00e7\u00e3o internacional capaz de garantir uma maior coordena\u00e7\u00e3o do uso dos recursos da terra.<\/i><\/p><p><b>482 <\/b><i>O princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens oferece uma fundamental orienta\u00e7\u00e3o, moral e cultural, para desatar o complexo e dram\u00e1tico n\u00f3 que liga crises ambientais e pobreza. <\/i>A atual crise ambiental atinge particularmente os mais pobres, seja porque vivem naquelas terras sujeitas \u00e0 eros\u00e3o e \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o, ou porque envolvidos em conflitos armados ou ainda constrangidos a migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, seja porque n\u00e3o disp\u00f5em dos meios econ\u00f4micos e tecnol\u00f3gicos para proteger-se das calamidades.<\/p><p>Muit\u00edssimos destes pobres vivem nos sub\u00farbios polu\u00eddos das cidades em alojamentos casuais ou em aglomerados de casas decadentes e perigosas. (<i>slums, bidonvilles, Barrios, favelas<\/i>).<\/p><p>Ademais, tenha-se sempre presente, a situa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses penalizados pelas regras de com\u00e9rcio internacional n\u00e3o eq\u00fcitativo, nos quais prevalece uma escassez de capitais freq\u00fcentemente agravada pelo \u00f4nus da d\u00edvida externa: nestes casos a fome e a pobreza tornam quase inevit\u00e1vel uma explora\u00e7\u00e3o intensiva e excessiva do ambiente.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>483<\/b> <i>O estreito liame que existe entre desenvolvimento dos pa\u00edses mais pobres, crescimento demogr\u00e1fico e uso razo\u00e1vel do ambiente, n\u00e3o \u00e9 utilizado como pretexto para escolas pol\u00edticas e econ\u00f4micas pouco conformes \u00e0 dignidade da pessoa humana. <\/i>No Norte do planeta se assiste a uma \u00aba quebra do \u00edndice de natalidade, com repercuss\u00f5es sobre o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, que se torna incapaz mesmo de se renovar biologicamente\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1006\" name=\"_ftnref1006\"> [1006] <\/a>, ao passo que no Sul a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. Se \u00e9 verdade que a desigual distribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e dos recursos dispon\u00edveis cria obst\u00e1culos ao desenvolvimento e ao uso sustent\u00e1vel do ambiente, deve-se reconhecer que o crescimento demogr\u00e1fico \u00e9 plenamente compat\u00edvel com um desenvolvimento integral e solid\u00e1rio<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1007\" name=\"_ftnref1007\"> [1007] <\/a>: \u00abExiste uma opini\u00e3o vastamente difundida, segundo a qual a pol\u00edtica demogr\u00e1fica \u00e9 apenas uma parte da estrat\u00e9gia global sobre o desenvolvimento. Por conseguinte, \u00e9 importante que qualquer debate acerca de pol\u00edticas demogr\u00e1ficas tenha em considera\u00e7\u00e3o o desenvolvimento presente e futuro, tanto das na\u00e7\u00f5es como das regi\u00f5es. Ao mesmo tempo, \u00e9 imposs\u00edvel p\u00f4r de parte a natureza mesma daquilo que a palavra \u201cdesenvolvimento\u201d significa. Qualquer desenvolvimento digno deste nome deve ser integral, ou seja, deve orientar-se para o verdadeiro bem de cada pessoa e de toda a pessoa\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1008\" name=\"_ftnref1008\"> [1008] <\/a>.<\/p><p><b>484 <\/b><i>O princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens se aplica naturalmente tamb\u00e9m \u00e0 \u00e1gua, considerada nas Sagradas Escrituras como s\u00edmbolo de purifica\u00e7\u00e3o <\/i>(cf. <i>Sal<\/i> 51, 4, <i>Jo<\/i> 13, 8) <i>e de vida<\/i> (cf. <i>Jo<\/i> 3,5; <i>Gal<\/i> 3,27): \u00abComo dom de Deus, a \u00e1gua \u00e9 instrumento vital, imprescind\u00edvel para a sobreviv\u00eancia e, portanto, um direito de todos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1009\" name=\"_ftnref1009\"> [1009] <\/a>. A utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e dos servi\u00e7os conexos deve ser orientada \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades e sobretudo das pessoas que vivem em pobreza. Um acesso limitado \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel incide no bem-estar de um n\u00famero enorme de pessoas e \u00e9 freq\u00fcentemente causa de doen\u00e7as, sofrimentos, conflitos, pobreza e at\u00e9 mesmo de morte: para ser adequadamente resolvida, tal quest\u00e3o \u00abnecessita ... ser enquadrada de forma a estabelecer crit\u00e9rios morais baseados precisamente no valor da vida e no respeito pelos direitos e pela dignidade de todos os seres humanos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1010\" name=\"_ftnref1010\"> [1010] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>485. <\/b><i>A \u00e1gua, pela sua pr\u00f3pria natureza, n\u00e3o pode ser tratada como uma mera mercadoria entre outras e o seu uso deve ser racional e solid\u00e1rio. <\/i>A sua distribui\u00e7\u00e3o se enumera, tradicionalmente entre as responsabilidades dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, porque a \u00e1gua sempre foi considerada como um bem p\u00fablico, caracter\u00edstica que deve ser mantida caso a gest\u00e3o venha a ser confiada ao setor privado. O direito \u00e0 \u00e1gua<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1011\" name=\"_ftnref1011\"> [1011] <\/a>, como todos os direitos do homem, se baseia na dignidade humana, e n\u00e3o em considera\u00e7\u00f5es de tipo meramente quantitativo, que consideram a \u00e1gua t\u00e3o somente como um bem econ\u00f4mico. Sem \u00e1gua a vida \u00e9 amea\u00e7ada. Portanto, o direito \u00e0 \u00e1gua \u00e9 um direito universal e inalien\u00e1vel.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d) <b><a name=\"Novos estilos de vida\"><\/a>Novos estilos de vida<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>486<\/b> <i>Os graves problemas ecol\u00f3gicos exigem uma efetiva mudan\u00e7a de mentalidade que induza a adotar novos estilos de vida<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1012\" name=\"_ftnref1012\"> [1012] <\/a>, \u00abnos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom, e a comunh\u00e3o com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as op\u00e7\u00f5es do consumo, da poupan\u00e7a e do investimento\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1013\" name=\"_ftnref1013\"> [1013] <\/a>. Tais estilos de vida devem ser inspirados na sobriedade, na temperan\u00e7a, na autodisciplina, no plano pessoal e social. \u00c9 necess\u00e1rio sair da l\u00f3gica do mero consumo e promover formas de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e industrial que respeitem a ordem da cria\u00e7\u00e3o e satisfa\u00e7am as necessidades prim\u00e1rias de todos. Uma semelhante atitude, favorecida por uma renovada consci\u00eancia da interdepend\u00eancia que une todos os habitantes da terra, concorre para eliminar diversas causas de desastres ecol\u00f3gicos e garante uma tempestiva capacidade de resposta quando tais desastres atingem povos e territ\u00f3rios<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1014\" name=\"_ftnref1014\"> [1014] <\/a>. A quest\u00e3o ecol\u00f3gica n\u00e3o deve ser abordada somente pelas aterrorizantes perspectivas que o degrado ambiental perfila: esta deve traduzir-se, sobretudo, em uma forte motiva\u00e7\u00e3o para uma aut\u00eantica solidariedade de dimens\u00e3o universal.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>487<\/b> <i>A atitude que deve caracterizar o homem perante a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 essencialmente a da gratid\u00e3o e do reconhecimento: de fato, o mundo nos reconduz ao mist\u00e9rio de Deus que o criou e o sust\u00e9m<\/i>. Se se coloca entre parentes a rela\u00e7\u00e3o com Deus, esvazia-se a natureza do seu significado profundo, depauperando-a. Se, ao contr\u00e1rio, se chega a descobrir a natureza na sua dimens\u00e3o de criatura, \u00e9 poss\u00edvel estabelecer com ela uma rela\u00e7\u00e3o comunicativa, colher o seu significado evocativo e simb\u00f3lico, penetrar assim no horizonte do <i>mist\u00e9rio, <\/i>franqueando ao homem a abertura para Deus, Criador dos c\u00e9us e da terra. <i>O mundo se oferece ao olhar do homem como rastro de Deus, <\/i>lugar no qual se desvela a Sua for\u00e7a criadora, providente e redentora.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>______<\/p><div id=\"ftn946\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref946\" name=\"_ftn946\">[946] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 15: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1036.<\/div><div id=\"ftn947\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref947\" name=\"_ftn947\">[947] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 15: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1036.<\/div><div id=\"ftn948\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref948\" name=\"_ftn948\">[948] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 33: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1052.<\/div><div id=\"ftn949\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref949\" name=\"_ftn949\">[949] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1052.<\/div><div id=\"ftn950\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref950\" name=\"_ftn950\">[950] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1053.<\/div><div id=\"ftn951\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref951\" name=\"_ftn951\">[951] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1053.<\/div><div id=\"ftn952\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref952\" name=\"_ftn952\">[952] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 35: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1053.<\/div><div id=\"ftn953\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref953\" name=\"_ftn953\">[953] <\/a>Cf. &lt;&lt;&lt; 14621 &gt;&gt;&gt;Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso pronunciado durante a visita ao \u00abMercy Maternity Hospital\u00bb<\/i>, Melbourne (28 de Novembro de 1986): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Dezembro de 1986, p. 4.<\/div><div id=\"ftn954\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref954\" name=\"_ftn954\">[954] <\/a>&lt;&lt;&lt; 14623 &gt;&gt;&gt;Jo\u00e3o Paulo II <i>, Discurso pronunciado durante o encontro com os cientistas e representantes da Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i>, Hiroshima (25 de Fevereiro de 1981), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 15 de Mar\u00e7o de 1981, p. 11.&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn955\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref955\" name=\"_ftn955\">[955] <\/a>&lt;&lt;&lt; 14622 &gt;&gt;&gt;Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos trabalhadores das Oficinas Olivetti de Ivrea <\/i>(19 de Mar\u00e7o de 1990), 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 25 de Mar\u00e7o de 1990, p. 5.<\/div><div id=\"ftn956\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref956\" name=\"_ftn956\">[956] <\/a>&lt;&lt;&lt; 14624 &gt;&gt;&gt;Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias <\/i>(3 de Outubro de 1981), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 11 de Outubro de 1981, p. 8.&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn957\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref957\" name=\"_ftn957\">[957] <\/a>&lt;&lt;&lt; 14625 &gt;&gt;&gt;Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos participantes no Congresso promovido pela Academia Nacional das Ci\u00eancias no bicenten\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o <\/i>(21 de Setembro de 1982), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 10 de Outubro de 1982, pp. 12-13. &gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn958\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref958\" name=\"_ftn958\">[958] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II <i>, Discurso pronunciado durante o encontro com os cientistas e representantes da Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i>, Hiroshima (25 de Fevereiro de 1981), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 15 de Mar\u00e7o de 1981, p. 11. &lt;&lt;&lt; 14623 &gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn959\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref959\" name=\"_ftn959\">[959] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos trabalhadores das Oficinas Olivetti de Ivrea <\/i>(19 de Mar\u00e7o de 1990), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 25 de Mar\u00e7o de 1990, p. 4.&lt;&lt;&lt; 14622 &gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn960\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref960\" name=\"_ftn960\">[960] <\/a>&lt;&lt;&lt; 14618 &gt;&gt;&gt;Jo\u00e3o Paulo II, <i>Homilia durante a Celebra\u00e7\u00e3o no Victoriam Racing Club,<\/i>Melbourne (28 de Novembre de 1986), 11: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Dezembro de 1986, p. 4. &gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn961\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref961\" name=\"_ftn961\">[961] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias<\/i> (23 de Outubro de 1982), 6: <i>Insegnamenti di Giovanni Paolo II<\/i>, V, 3 (1982) 898. &lt;&lt;&lt; 14618 &gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn962\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref962\" name=\"_ftn962\">[962] <\/a>&lt;&lt;&lt; 14630 &gt;&gt;&gt;Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 559.&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn963\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref963\" name=\"_ftn963\">[963] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1990<\/i>, 7: <i>AAS<\/i> 82 (1990) 151. &gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn964\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref964\" name=\"_ftn964\">[964] <\/a>&lt;&lt;&lt; 14631 &gt;&gt;&gt;Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1990<\/i>, 6: <i>AAS<\/i> 82 (1990) 150. &gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn965\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref965\" name=\"_ftn965\">[965] <\/a>&lt;&lt;&lt; 14632 &gt;&gt;&gt;Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus, <\/i>37: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 840.&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn966\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref966\" name=\"_ftn966\">[966] <\/a>&lt;&lt;&lt; 14632 &gt;&gt;&gt;Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus, <\/i>37&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 840.&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn967\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref967\" name=\"_ftn967\">[967] <\/a>&lt;&lt;&lt; 14632 &gt;&gt;&gt;Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus, <\/i>37&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 840.&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn968\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref968\" name=\"_ftn968\">[968] <\/a>&lt;&lt;&lt; 14626 &gt;&gt;&gt;Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 35\u00aa Assembl\u00e9ia geral da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Mundial<\/i> (29 de Outubro de 1983), 6: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 13 de Novembro de 1983, p. 7.<\/div><div id=\"ftn969\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref969\" name=\"_ftn969\">[969] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 21: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 416-417.<\/div><div id=\"ftn970\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref970\" name=\"_ftn970\">[970] <\/a>Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 21: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 417.<\/div><div id=\"ftn971\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref971\" name=\"_ftn971\">[971] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos participantes num Congresso sobre \u201cAmbiente e Sa\u00fade\u201d<\/i> (24 de Mar\u00e7o de 1997), 2: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 5 de Abril de 1997, p. 9.<\/div><div id=\"ftn972\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref972\" name=\"_ftn972\">[972] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 28: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 548-550.<\/div><div id=\"ftn973\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref973\" name=\"_ftn973\">[973] <\/a>Cf., por exemplo, Pontif\u00edcio Conselho da Cultura \u2013 Pontif\u00edcio Conselho para o Di\u00e1logo Inter-religioso, <i>Jesus Cristo portador da \u00e1gua viva. Uma reflex\u00e3o sobre o \u00abNew Age\u00bb<\/i>, Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2003, p. 35.<\/div><div id=\"ftn974\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref974\" name=\"_ftn974\">[974] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos participantes num Congresso sobre \u201cAmbiente e Sa\u00fade\u201d<\/i>(24 de Mar\u00e7o de 1997), 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 5 de Abril de 1997, p. 9.<\/div><div id=\"ftn975\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref975\" name=\"_ftn975\">[975] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos participantes num Congresso sobre \u201cAmbiente e Sa\u00fade\u201d<\/i>(24 de Mar\u00e7o de 1997), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 5 de Abril de 1997, p. 9.<\/div><div id=\"ftn976\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref976\" name=\"_ftn976\">[976] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 38: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 841.<\/div><div id=\"ftn977\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref977\" name=\"_ftn977\">[977] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 559-560.<\/div><div id=\"ftn978\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref978\" name=\"_ftn978\">[978] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos participantes num Congresso sobre \u201cAmbiente e Sa\u00fade\u201d<\/i>(24 de Mar\u00e7o de 1997), 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 5 de Abril de 1997, p. 9.<\/div><div id=\"ftn979\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref979\" name=\"_ftn979\">[979] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 843.<\/div><div id=\"ftn980\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref980\" name=\"_ftn980\">[980] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 559.<\/div><div id=\"ftn981\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref981\" name=\"_ftn981\">[981] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 559.<\/div><div id=\"ftn982\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref982\" name=\"_ftn982\">[982] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Ecclesia in America<\/i>, 25: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 760.<\/div><div id=\"ftn983\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref983\" name=\"_ftn983\">[983] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Homilia em Val Visdende (It\u00e1lia) na festa votiva de S\u00e3o Jo\u00e3o Gualberto <\/i>(12 de Julho de 1987): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 19 de Julho de 1987, pp. 1.3.<\/div><div id=\"ftn984\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref984\" name=\"_ftn984\">[984] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 17: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 266.<\/div><div id=\"ftn985\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref985\" name=\"_ftn985\">[985] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 37: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 840.<\/div><div id=\"ftn986\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref986\" name=\"_ftn986\">[986] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1990<\/i>, 9: <i>AAS<\/i> 82 (1990) 152.<\/div><div id=\"ftn987\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref987\" name=\"_ftn987\">[987] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Corte e \u00e0 Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia dos Direitos Humanos<\/i>, Estrasburgo (8 de Outubro de 1988), 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 16 de Outubro de 1988, p. 4; cf. Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1990<\/i>,9: <i>AAS<\/i> 82 (1990) 152; Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>,10: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 384-385.<\/div><div id=\"ftn988\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref988\" name=\"_ftn988\">[988] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>,10: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 384-385.<\/div><div id=\"ftn989\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref989\" name=\"_ftn989\">[989] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 26: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 546.<\/div><div id=\"ftn990\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref990\" name=\"_ftn990\">[990] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 34: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 559-560.<\/div><div id=\"ftn991\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref991\" name=\"_ftn991\">[991] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Alocu\u00e7\u00e3o \u00e0 XXV sess\u00e3o da Confer\u00eancia da F.A.O.<\/i> (16 de Novembro de 1989), 8: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 3 de Dezembro de 1989, p. 5.<\/div><div id=\"ftn992\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref992\" name=\"_ftn992\">[992] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso a um Grupo de estudo da Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias<\/i> (6 de Novembro de 1987): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 15 de Novembro de 1987, p. 1.<\/div><div id=\"ftn993\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref993\" name=\"_ftn993\">[993] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 843.<\/div><div id=\"ftn994\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref994\" name=\"_ftn994\">[994] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos participantes na Assembl\u00e9ia Plen\u00e1ria da Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias<\/i> (28 de Outubro de 1994): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 12 de Novembro de 1994, p. 22.<\/div><div id=\"ftn995\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref995\" name=\"_ftn995\">[995] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos participantes a um Simp\u00f3sio sobre a f\u00edsica<\/i> (18 de Dezembro de 1982): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 9 de Janeiro de 1983, p. 9.<\/div><div id=\"ftn996\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref996\" name=\"_ftn996\">[996] <\/a>Cf. Jo\u00e3o PauloII, <i>Discurso aos povos aut\u00f3ctones da Amaz\u00f4nia<\/i>, Manaus (10 de Julho de 1980): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 27 de Julho de 1980, p. 9.<\/div><div id=\"ftn997\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref997\" name=\"_ftn997\">[997] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Homilia durante a liturgia da Palavra para as popula\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones da Amaz\u00f4nia Peruana<\/i> (5 de Fevereiro de 1985), 4: <i>AAS<\/i> 77 (1985) 897-898; cf. tamb\u00e9m Pontif\u00edcio Conselho \u00ab Justi\u00e7a e Paz\u00bb, <i>Para uma melhor distribui\u00e7\u00e3o da terra. O desafio da reforma agr\u00e1ria <\/i>(23 de Novembro de 1997), 11: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1997, pp. 13-14.<\/div><div id=\"ftn998\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref998\" name=\"_ftn998\">[998] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos abor\u00edgines da Austr\u00e1lia<\/i> (29 de Novembro de 1986), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Dezembro de 1986, p. 8.<\/div><div id=\"ftn999\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref999\" name=\"_ftn999\">[999] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos Ind\u00edgenas da Guatemala<\/i> (7 de Mar\u00e7o de 1983), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 20 de Mar\u00e7o de 1983, 4; Id., <i>Discurso aos povos aut\u00f3ctones do Canad\u00e1 <\/i>(18 de Setembro de 1984), 7-8: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 7 de Outubro de 1984, p. 7; Id., <i>Discurso aos povos aut\u00f3ctones do Equador<\/i> (31 de Janeiro de 1985), II.1: <i>AAS<\/i> 77 (1985) 861; Id., <i>Discurso aos abor\u00edgines da Austr\u00e1lia<\/i> (29 de Novembro de 1986), 10: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Dezembro de 1986, pp. 8-9.<\/div><div id=\"ftn1000\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1000\" name=\"_ftn1000\">[1000] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos abor\u00edgines da Austr\u00e1lia <\/i>(29 de Novembro de 1986), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Dezembro de 1986, p. 8; Id., <i>Discurso aos Amer\u00edndios <\/i>(14 de Setembro de 1987), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 4 de Outubro de 1987, p. 5.<\/div><div id=\"ftn1001\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1001\" name=\"_ftn1001\">[1001] <\/a>Cf. Pontif\u00edcia Academia para a vida, <i>Biotecnologias animais e vegetais. Novas fronteiras e novas responsabilidades<\/i>, Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1999.<\/div><div id=\"ftn1002\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1002\" name=\"_ftn1002\">[1002] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias <\/i>(23 de Outubro de 1982), 6: <i>Insegnamenti di Giovanni Paolo II<\/i>, V, 3 (1982) 898. &lt;&lt;&lt; 14618 &gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn1003\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1003\" name=\"_ftn1003\">[1003] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias <\/i>(3 de Outubro de 1981): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 11 de Outubro de 1981, p. 8.&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn1004\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1004\" name=\"_ftn1004\">[1004] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias <\/i>(23 de Outubro de 1982): <i>Insegnamenti di Giovanni Paolo II<\/i>, V, 3 (1982) 895-898&lt;&lt;&lt; 14618 &gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;; Id., <i>Discurso aos participantes do Congresso promovida pela Academia Nacional das Ci\u00eancias no bicenten\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o <\/i>(21 de Setembro de 1982): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 10 de Outubro de 1982, pp. 12-13. &gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;<\/div><div id=\"ftn1005\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1005\" name=\"_ftn1005\">[1005] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes,<\/i> 69 <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1090-1092; Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 268.<\/div><div id=\"ftn1006\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1006\" name=\"_ftn1006\">[1006] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 25: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 543; cf. Id., Carta encicl. <i>Evangelium vitae<\/i>, 16: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 418.<\/div><div id=\"ftn1007\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1007\" name=\"_ftn1007\">[1007] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 25: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 543-544.<\/div><div id=\"ftn1008\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1008\" name=\"_ftn1008\">[1008] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem \u00e0 Senhora Nafis Sadik, Secret\u00e1ria geral da Conferencia Internacional sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento <\/i>(18 de Mar\u00e7o de 1994) 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 2 de Abril de 1994, p. 4.<\/div><div id=\"ftn1009\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1009\" name=\"_ftn1009\">[1009] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem ao Card. Geraldo Majella Agnelo por ocasi\u00e3o do in\u00edcio da Campanha da Fraternidade da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil <\/i>(19 de Janeiro de 2004): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 28 de Fevereiro de 2004, p. 1.<\/div><div id=\"ftn1010\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1010\" name=\"_ftn1010\">[1010] <\/a><i>Mensagem ao Card. Geraldo Majella Agnelo por ocasi\u00e3o do in\u00edcio da Campanha da Fraternidade da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil <\/i>(19 de Janeiro de 2004): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 28 de Fevereiro de 2004, p. 1.<\/div><div id=\"ftn1011\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1011\" name=\"_ftn1011\">[1011] <\/a>Cf. <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2003<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 95 (2003) 343; Pontif\u00edcio Conselho \u00abJusti\u00e7a e Paz\u00bb, <i>Water, an Essential Element for Life. A Contribution of the Delegation of the Holy See on the occasion of the 3<sup>rd<\/sup> World Water Forum<\/i>, Kyoto, 16-23 de Mar\u00e7o de 2003.<\/div><div id=\"ftn1012\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1012\" name=\"_ftn1012\">[1012] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 36: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 838-840.<\/div><div id=\"ftn1013\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1013\" name=\"_ftn1013\">[1013] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 36: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 839.<\/div><div id=\"ftn1014\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1014\" name=\"_ftn1014\">[1014] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Centro das Na\u00e7\u00f5es Unidas <\/i>(18 de Agosto de 1985), Nairobi, 5: <i>AAS<\/i> 78 (1986) 92.<\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1236\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1236\" aria-controls=\"collapse1236\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CAP\u00cdTULO XI - A PROMO\u00c7\u00c3O DA PAZ<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1236\" data-parent=\"#sp-ea-123\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1236\"> <div class=\"ea-body\"><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>I. <a name=\"ASPECTOS B\u00cdBLICOS\"><\/a>ASPECTOS B\u00cdBLICOS<\/b><\/span><\/p><p><b>488 <\/b><i>Antes de ser um dom de Deus ao homem e um projeto humano conforme o des\u00edgnio divino, a paz \u00e9 antes de tudo, um atributo especial essencial de Deus: <\/i>\u00ab<i>Senhor \u2013 Paz<\/i>\u00bb (<i>Jz<\/i> 6,24)<i>. <\/i>A cria\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um reflexo da gl\u00f3ria divina, almeja a paz. Deus cria todas as coisas e toda a cria\u00e7\u00e3o forma um conjunto harm\u00f4nico, <i>bom <\/i>em todas as suas partes (cf. <i>G\u00ean<\/i> 1,4.10.12.18.21.25.31).<\/p><p>A paz funda-se na rela\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria entre cada ser humano e Deus mesmo, uma rela\u00e7\u00e3o caracterizada pela retid\u00e3o (cf. <i>G\u00ean<\/i> 17,1). Em seguida ao ato volunt\u00e1rio com que o homem altera a ordem divina, o mundo conhece espargimento de sangue e divis\u00e3o: a viol\u00eancia se manifesta nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais (cf. <i>Gn <\/i>4,1-16) e sociais (cf. <i>Gn <\/i>11,1-9)<i>.<\/i> A paz e a viol\u00eancia n\u00e3o podem habitar na mesma morada, onde h\u00e1 viol\u00eancia a\u00ed Deus n\u00e3o pode estar (cf. 1 <i>Cr <\/i>22,8-9).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>489 <\/b><i>Na Revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, a paz \u00e9 muito mais do que a simples aus\u00eancia de guerra: ela representa a plenitude da vida (<\/i>cf. <i>Mt<\/i> 2,5); longe de ser uma constru\u00e7\u00e3o humana, \u00e9 um sumo dom divino oferto a todos os homens, que comporta a obedi\u00eancia ao plano de Deus. A paz \u00e9 o efeito da b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus sobre o Seu povo: \u00abO senhor volte para ti o seu rosto e te d\u00ea a paz\u00bb (<i>Num <\/i>6,26). Tal paz gera fecundidade (cf. <i>Is<\/i> 48,19), bem-estar (cf. <i>Is<\/i> 48,18), aus\u00eancia de medo (cf. <i>Lv<\/i> 54,6) e alegria profunda (cf. <i>Pr <\/i>12,20).<\/p><p><b>490<\/b> <i>A paz \u00e9 a meta da conviv\u00eancia social, como aparece de modo extraordin\u00e1rio na vis\u00e3o messi\u00e2nica da paz: quando todos os povos forem para a casa do Senhor e Ele indicar\u00e1 a eles os seus caminhos, estes poder\u00e3o caminhar ao longo das veredas da paz (<\/i>cf. <i>Is <\/i>2,2-5). Um mundo novo de paz, que abra\u00e7a toda a natureza, \u00e9 prometido para a era messi\u00e2nica (cf. <i>Is <\/i>11,6-9) e o pr\u00f3prio messias \u00e9 definido \u00abPr\u00edncipe da Paz\u00bb (<i>Is 9,5<\/i>)<i>.<\/i> L\u00e1 onde reina a Sua paz, l\u00e1 onde essa vem parcialmente antecipada, \u00abningu\u00e9m poder\u00e1 mais lan\u00e7ar o povo de Deus no medo (cf. <i>Sof<\/i> 3,13). A paz ser\u00e1 ent\u00e3o duradoura, pois quando o rei governa segundo a justi\u00e7a de Deus, a retid\u00e3o germina e a paz abunda \u00abat\u00e9 que cesse a lua de brilhar\u00bb (<i>Sal<\/i> 71,7). Deus aspira dar a paz ao Seu povo: \u00abele diz palavras de paz ao seu povo, para seus fi\u00e9is, e \u00e0queles cujos cora\u00e7\u00f5es se voltam para ele\u00bb (<i>Sl <\/i>84,9). O Salmista, escutando aquilo que Deus tem a dizer ao seu povo sobre a paz, ouve estas palavras: \u00abA bondade e a fidelidade outra vez se ir\u00e3o unir, a justi\u00e7a e a paz de novo se dar\u00e3o as m\u00e3os\u00bb (<i>Sl <\/i>84,11).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>491 <\/b><i>A promessa de paz, que percorre todo o Antigo Testamento, encontra o seu cumprimento na Pessoa mesma de Jesus. <\/i>A paz, de fato, \u00e9 o bem messi\u00e2nico por excel\u00eancia, no qual est\u00e3o compreendidos todos os outros bens salv\u00edficos. A palavra hebraica \u00ab<i>shalom<\/i>\u00bb, no sentido etimol\u00f3gico de \u00abplenitude\u00bb, exprime o conceito de \u00abpaz\u00bb na plenitude do seu significado (cf. <i>Is <\/i>9<i>,<\/i>5 s; <i>Mi <\/i>5,1-4). O reino do Messias \u00e9 precisamente o reino da paz (cf. <i>J\u00f3<\/i> 25,2; <i>Sl <\/i>29,11; 37,11; 71,3.7; 84, 9.11; 118,165; 124,5; 127,6; 147,3; <i>Ct<\/i> 8,10; <i>Is<\/i> 26,3.12; 32,17 s; 52,7; 54,10; 57,19; 60,17; 66,12; <i>Ag <\/i>2,9; <i>Zc <\/i>9,10 <i>et alibi<\/i>). Jesus \u00ab\u00e9 a nossa paz\u00bb (<i>Ef<\/i> 2,14), Ele que abateu o muro divis\u00f3rio da inimizade entre os homens, reconciliando-os com Deus (cf. <i>Ef<\/i> 2,14): assim S\u00e3o Paulo, com simplicidade, indica a raz\u00e3o radical que motiva os crist\u00e3os a uma vida e a uma miss\u00e3o de paz.<\/p><p>Na vig\u00edlia de Sua morte, Jesus fala de Sua rela\u00e7\u00e3o de amor com o Pai e da for\u00e7a unificante que este amor irradia sobre os disc\u00edpulos; \u00e9 um discurso de despedida que mostra o sentido profundo da Sua vida e que pode ser considerado uma s\u00edntese de todo o Seu ensinamento. Sigila o Seu testamento espiritual o dom da paz: \u00abDeixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. N\u00e3o vo-la dou como o mundo a d\u00e1\u00bb (<i>Jo <\/i>14,27). As palavras do Ressuscitado n\u00e3o ressoar\u00e3o diversamente; toda vez que Ele encontrar os Seus, estes receber\u00e3o d\u2019Ele a sauda\u00e7\u00e3o e o dom da paz: \u00abPaz a v\u00f3s\u00bb (<i>Lc <\/i>24,36;<i> Jo <\/i>20,19.21.26).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>492 <\/b><i>A paz de Cristo \u00e9 antes de tudo a reconcilia\u00e7\u00e3o com o Pai, que se atua mediante o miss\u00e3o apost\u00f3lica confiada por Jesus aos Seus disc\u00edpulos; esta tem in\u00edcio com um an\u00fancio de paz: <\/i>\u00abEm toda a casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!\u00bb (<i>Lc <\/i>10,5; cf. <i>Rm<\/i> 1, 7). <i>A paz \u00e9 pois reconcilia\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os, <\/i>porque Jesus, na ora\u00e7\u00e3o que nos ensinou, o \u00ab<i>Pai Nosso<\/i>\u00bb, associa o perd\u00e3o pedido \u00e0 Deus ao oferecido aos irm\u00e3os: \u00abperdoai-nos as nossas ofensas, assim como n\u00f3s perdoamos aos que nos ofenderam\u00bb (<i>Mt<\/i> 6,12). Com esta dupla reconcilia\u00e7\u00e3o o crist\u00e3o pode tornar-se art\u00edfice da paz e, portanto, part\u00edcipe do reino de Deus, segundo quanto o mesmo Jesus proclama: \u00abBem-aventurados os pac\u00edficos porque ser\u00e3o chamados filhos de Deus\u00bb (<i>Mt <\/i>5,9).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>493<\/b> <i>A a\u00e7\u00e3o pela paz nunca \u00e9 dissociada do an\u00fancio do Evangelho, que \u00e9 precisamente <\/i>\u00ab<i>a boa nova da paz\u00bb<\/i> (<i>At<\/i> 10,36; cf. <i>Ef <\/i>6,15), <i>dirigida a todos os homens.<\/i> No centro do \u00abEvangelho da paz\u00bb (<i>Ef <\/i>6,15), est\u00e1 o mist\u00e9rio da Cruz, porque a paz est\u00e1 inserida no sacrif\u00edcio de Cristo (cf. <i>Is <\/i>53,5: \u00abO castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados gra\u00e7as \u00e0s suas chagas\u00bb): Jesus crucificado cancelou a divis\u00e3o, instaurando a paz e a reconcilia\u00e7\u00e3o precisamente \u00abpela virtude da cruz, aniquilando nela a inimizade\u00bb (<i>Ef <\/i>2,16) e dando aos homens a salva\u00e7\u00e3o da Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b><a name=\"II. A PAZ: FRUTO DA JUSTI\u00c7A E DA CARIDADE\"><\/a>II. A PAZ:<br \/>FRUTO DA JUSTI\u00c7A E DA CARIDADE<\/b><\/span><\/p><p><b>494 <\/b><i>A paz \u00e9 um valor<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1015\" name=\"_ftnref1015\"> [1015] <\/a><i>e um dever universal<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1016\" name=\"_ftnref1016\"> [1016] <\/a><i>e encontra o seu fundamento na ordem racional e moral da sociedade que tem as suas ra\u00edzes no pr\u00f3prio Deus, <\/i>\u00abfonte prim\u00e1ria do ser, verdade essencial e bem supremo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1017\" name=\"_ftnref1017\"> [1017] <\/a>. <i>A paz n\u00e3o \u00e9 simplesmente aus\u00eancia de guerra e tampouco um equil\u00edbrio est\u00e1vel entre for\u00e7as advers\u00e1rias<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1018\" name=\"_ftnref1018\"> [1018] <\/a><i>, mas se funda sobre uma correta concep\u00e7\u00e3o de pessoa humana<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1019\" name=\"_ftnref1019\"> [1019] <\/a><i>e exige a edifica\u00e7\u00e3o de uma ordem segundo a justi\u00e7a e a caridade.<\/i><\/p><p><i>A paz \u00e9 fruto da justi\u00e7a <\/i>(cf. <i>Is <\/i>32,17)<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1020\" name=\"_ftnref1020\"> [1020] <\/a>, entendida em sentido amplo como o respeito ao equil\u00edbrio de todas as dimens\u00f5es da pessoa humana. A paz \u00e9 um perigo quando ao homem n\u00e3o \u00e9 reconhecido aquilo que lhe \u00e9 devido enquanto homem, quando n\u00e3o \u00e9 respeitada a sua dignidade e quando a conviv\u00eancia n\u00e3o \u00e9 orientada em dire\u00e7\u00e3o para o bem comum. Para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade pac\u00edfica e para o desenvolvimento integral de indiv\u00edduos, povos e na\u00e7\u00f5es, resulta essencial a defesa e a promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1021\" name=\"_ftnref1021\"> [1021] <\/a>.<\/p><p><i>A paz \u00e9 fruto tamb\u00e9m do amor: <\/i>\u00aba verdadeira paz \u00e9 mais mat\u00e9ria de caridade que de justi\u00e7a, pois a fun\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a \u00e9 somente remover os obst\u00e1culos para a paz, como por exemplo, a injuria e o dano caudados; mas a paz mesma \u00e9 ato pr\u00f3prio e espec\u00edfico da caridade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1022\" name=\"_ftnref1022\"> [1022] <\/a>.<\/p><p><b>495 <\/b><i>A paz se constr\u00f3i dia a dia na busca da ordem querida por Deus<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1023\" name=\"_ftnref1023\"> [1023] <\/a><i>e pode florescer somente quando todos reconhecem as pr\u00f3prias responsabilidades na sua promo\u00e7\u00e3o<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1024\" name=\"_ftnref1024\"> [1024] <\/a><i>. <\/i>Para prevenir conflitos e viol\u00eancias, \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio que a paz comece a ser vivida como valor profundo no \u00edntimo de cada pessoa: assim pode estender-se nas fam\u00edlias e nas diversas formas de agrega\u00e7\u00e3o social, at\u00e9 envolver toda a comunidade pol\u00edtica<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1025\" name=\"_ftnref1025\"> [1025] <\/a>. Em um clima difuso de conc\u00f3rdia e de respeito \u00e0 justi\u00e7a, pode amadurecer uma aut\u00eantica <i>cultura de paz<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1026\" name=\"_ftnref1026\"> [1026] <\/a>, capaz de difundir-se tamb\u00e9m na Comunidade Internacional. A paz \u00e9, portanto, \u00abfruto de uma ordem inscrita na sociedade humana pelo seu Divino Fundador e que os homens, sempre desejosos de uma justi\u00e7a mais perfeita, h\u00e3o de fazer amadurecer\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1027\" name=\"_ftnref1027\"> [1027] <\/a>. Tal ideal de paz \u00abn\u00e3o pode conseguir-se na terra se n\u00e3o se salvaguardar o bem dos indiv\u00edduos e os homens n\u00e3o comunicarem entre si com confian\u00e7a as riquezas do seu esp\u00edrito e das suas faculdades criadoras\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1028\" name=\"_ftnref1028\"> [1028] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>496 <\/b><i>A viol\u00eancia nunca constitui uma resposta justa. <\/i>A Igreja proclama, com a convic\u00e7\u00e3o da sua f\u00e9 em Cristo e com a consci\u00eancia de sua miss\u00e3o, \u00abque a viol\u00eancia \u00e9 um mal, que a viol\u00eancia \u00e9 inaceit\u00e1vel como solu\u00e7\u00e3o para os problemas, que a viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 digna do homem. A viol\u00eancia \u00e9 mentira, pois que se op\u00f5e \u00e0 verdade da nossa f\u00e9, \u00e0 verdade da nossa humanidade. A viol\u00eancia destr\u00f3i o que ambiciona defender: a dignidade, a vida, a liberdade dos seres humanos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1029\" name=\"_ftnref1029\"> [1029] <\/a>.<\/p><p><i>Tamb\u00e9m o mundo atual necessita do testemunho dos profetas n\u00e3o armados, infelizmente objeto de esc\u00e1rnio em toda \u00e9poca<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1030\" name=\"_ftnref1030\"> [1030] <\/a>: \u00abAqueles que renunciam \u00e0 a\u00e7\u00e3o violenta e sangrenta e, para proteger os direitos do homem, recorrem a meios de defesa ao alcance dos mais fracos testemunham a caridade evang\u00e9lica, contanto que isso seja feito sem lesar os direitos e as obriga\u00e7\u00f5es de outros homens e das sociedades. Atestam legitimamente a gravidade dos riscos f\u00edsicos e morais do recurso \u00e0 viol\u00eancia, com seu cortejo de mortes e ru\u00ednas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1031\" name=\"_ftnref1031\"> [1031] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b><a name=\"III. O FALIMENTO DA PAZ: GUERRA\"><\/a>III. O FALIMENTO DA PAZ: GUERRA <\/b><\/span><\/p><p><b>497 <\/b><i>O Magist\u00e9rio condena <\/i>\u00ab<i>a crueldade da guerra<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1032\" name=\"_ftnref1032\"> [1032] <\/a><i>e pede que seja considerada com uma abordagem completamente nova<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1033\" name=\"_ftnref1033\"> [1033] <\/a>: de fato, \u00abn\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel pensar que nesta nossa era at\u00f4mica a guerra seja um meio apto para ressarcir direitos violados\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1034\" name=\"_ftnref1034\"> [1034] <\/a>. A Guerra \u00e9 um \u00abflagelo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1035\" name=\"_ftnref1035\"> [1035] <\/a>e n\u00e3o representa nunca um meio id\u00f4neo para resolver os problemas que surgem entre as na\u00e7\u00f5es: \u00abNunca foi e jamais o ser\u00e1\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1036\" name=\"_ftnref1036\"> [1036] <\/a>, porque gera conflitos novos e mais complexos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1037\" name=\"_ftnref1037\"> [1037] <\/a>. Quando deflagra, a guerra torna-se uma \u00abcarnificina in\u00fatil\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1038\" name=\"_ftnref1038\"> [1038] <\/a>, uma \u00abaventura sem retorno\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1039\" name=\"_ftnref1039\"> [1039] <\/a>, que compromete o presente e coloca em risco o futuro da humanidade: \u00ab<i>Nada se perde com a paz, mas tudo pode ser perdido com a guerra<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1040\" name=\"_ftnref1040\"> [1040] <\/a>. Os danos causados por um conflito armado, de fato, n\u00e3o s\u00e3o apenas materiais, mas tamb\u00e9m morais<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1041\" name=\"_ftnref1041\"> [1041] <\/a>: a guerra \u00e9, ao fim e ao cabo, \u00aba fal\u00eancia de todo o aut\u00eantico humanismo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1042\" name=\"_ftnref1042\"> [1042] <\/a>, \u00ab\u00e9 sempre uma derrota da humanidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1043\" name=\"_ftnref1043\"> [1043] <\/a>: \u00abnunca mais uns contra os outros, nunca mais, nunca!... nunca mais a guerra, nunca mais a guerra! \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1044\" name=\"_ftnref1044\"> [1044] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>498<\/b> A busca de solu\u00e7\u00f5es alternativas \u00e0 guerra para resolver os conflitos internacionais assumiu atualmente um car\u00e1ter de dram\u00e1tica urg\u00eancia, porque \u00aba terr\u00edvel capacidade dos meios de destrui\u00e7\u00e3o, acess\u00edveis j\u00e1 \u00e0s m\u00e9dias e pequenas pot\u00eancias, e a conex\u00e3o cada vez mais estreita entre os povos de toda a terra, tornam muito dif\u00edcil ou praticamente imposs\u00edvel limitar as conseq\u00fc\u00eancias de um conflito\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1045\" name=\"_ftnref1045\"> [1045] <\/a>. \u00c9 portanto essencial a busca das causas que originam um conflito b\u00e9lico, em primeiro lugar as que se ligam a situa\u00e7\u00f5es estruturais de injusti\u00e7a, de mis\u00e9ria, de explora\u00e7\u00e3o, sobre as quais \u00e9 necess\u00e1rio intervir com o objetivo de remov\u00ea-las: \u00abPor isso, o outro nome da paz \u00e9 o <i>desenvolvimento<\/i>. Como existe a responsabilidade coletiva de evitar a guerra, do mesmo modo h\u00e1 a responsabilidade coletiva de promover o desenvolvimento\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1046\" name=\"_ftnref1046\"> [1046] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>499 <\/b><i>Os Estados nem sempre disp\u00f5em dos instrumentos adequados para promover eficazmente a pr\u00f3pria defesa: disso resulta a necessidade e a import\u00e2ncia das Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais e Regionais<\/i>, que devem ser capazes de colaborar para fazer frente aos conflitos e de favorecer a paz, instaurando rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a rec\u00edproca aptas a tornar impens\u00e1vel o recurso da guerra<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1047\" name=\"_ftnref1047\"> [1047] <\/a>: \u00ab\u00c9 l\u00edcito esperar que os homens, por meio de encontros e negocia\u00e7\u00f5es, venham a conhecer melhor os la\u00e7os comuns da natureza que os unem e assim possam compreender a beleza de uma das mais profundas exig\u00eancias da natureza humana, a de que reine entre eles e seus respectivos povos n\u00e3o o temor, mas o amor, um amor que antes de tudo leve os homens a uma colabora\u00e7\u00e3o leal, multiforme, portadora de in\u00fameros bens\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1048\" name=\"_ftnref1048\"> [1048] <\/a>.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"A leg\u00edtima defesa\"><\/a>A leg\u00edtima defesa<\/b><\/span><\/p><p><b>500 <\/b><i>Uma guerra de agress\u00e3o \u00e9 intrinsecamente imoral. No tr\u00e1gico caso em que esta se desencadeie, os respons\u00e1veis por um Estado agredido t\u00eam o direito e o dever de organizar a defesa inclusive recorrendo \u00e0 for\u00e7a das armas<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1049\" name=\"_ftnref1049\"> [1049] <\/a><i>.<\/i>O uso da for\u00e7a, para ser l\u00edcito, deve responder a algumas rigorosas condi\u00e7\u00f5es: \u00abque: \u2015 o dano infligido pelo agressor \u00e0 na\u00e7\u00e3o ou \u00e0 comunidade das na\u00e7\u00f5es seja dur\u00e1vel, grave e certo; \u2015 todos os outros meios de p\u00f4r fim se tenham revelado impratic\u00e1veis ou ineficazes; \u2015 estejam reunidas as condi\u00e7\u00f5es s\u00e9rias de \u00eaxito; \u2015 o emprego das armas n\u00e3o acarrete males e desordens mais graves que o mal a eliminar. O poderio dos meios modernos de destrui\u00e7\u00e3o pesa muito na avalia\u00e7\u00e3o desta condi\u00e7\u00e3o. Estes s\u00e3o os elementos tradicionais enumerados na chamada doutrina da \u201cguerra justa\u201d. A avalia\u00e7\u00e3o dessas condi\u00e7\u00f5es de legitimidade moral cabe ao ju\u00edzo prudencial daqueles que est\u00e3o encarregados do bem comum\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1050\" name=\"_ftnref1050\"> [1050] <\/a>.<\/p><p>Se tal responsabilidade justifica a posse de meios suficientes para exercer <i>o direito \u00e0 defesa<\/i>, permanece para os Estados a obriga\u00e7\u00e3o de fazer todo o poss\u00edvel para \u00abgarantir as condi\u00e7\u00f5es de paz n\u00e3o apenas sobre o pr\u00f3prio territ\u00f3rio, mas em todo o mundo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1051\" name=\"_ftnref1051\"> [1051] <\/a>. N\u00e3o se deve esquecer que \u00abuma coisa \u00e9 utilizar as for\u00e7as militares para justa defesa dos povos, outra coisa \u00e9 querer subjugar outras na\u00e7\u00f5es. O poderio b\u00e9lico n\u00e3o legitima qualquer uso militar ou pol\u00edtico dele mesmo. E depois de lamentavelmente come\u00e7ada a guerra, nem por isso tudo se torna l\u00edcito entre as partes inimigas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1052\" name=\"_ftnref1052\"> [1052] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>501 <\/b><i>A Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, nascida da trag\u00e9dia da Segunda Guerra Mundial e voltada a preservar as gera\u00e7\u00f5es futuras do flagelo da guerra, se baseia na interdi\u00e7\u00e3o generalizada do recurso \u00e0 for\u00e7a para resolver as controv\u00e9rsias entre os Estados, exceto em dois casos: a leg\u00edtima defesa e as medidastomadas pelo Conselho de Seguran\u00e7a no \u00e2mbito das suas responsabilidades para manter a paz. <\/i>Em todo caso, o exerc\u00edcio do direito a defender-se deve respeitar \u00abos limites tradicionais de <i>necessidade <\/i>e de <i>proporcionalidade<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1053\" name=\"_ftnref1053\"> [1053] <\/a>.<\/p><p><i>Quando, ademais, a uma a\u00e7\u00e3o b\u00e9lica preventiva, lan\u00e7ada sem provas evidentes de que uma agress\u00e3o est\u00e1 para ser desferida, essa n\u00e3o pode deixar de levantar graves quest\u00f5es sob o aspecto moral e jur\u00eddico<\/i>. Portanto, somente uma decis\u00e3o dos organismos competentes, com base em rigorosas averigua\u00e7\u00f5es e motiva\u00e7\u00f5es fundadas, pode dar legitima\u00e7\u00e3o internacional ao uso da for\u00e7a armada, identificando determinadas situa\u00e7\u00f5es como uma amea\u00e7a \u00e0 paz e autorizando uma inger\u00eancia na esfera do dom\u00ednio reservado de um Estado.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"Defender a paz\"><\/a>Defender a paz<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>502 <\/b><i>As exig\u00eancias da leg\u00edtima defesa justificam a exist\u00eancia, nos Estados, das for\u00e7as armadas, cuja a\u00e7\u00e3o deve ser posta ao servi\u00e7o da paz: os que com tal esp\u00edrito tutelam a seguran\u00e7a e a liberdade de um Pa\u00eds, d\u00e3o um aut\u00eantico contributo \u00e0 paz<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1054\" name=\"_ftnref1054\"> [1054] <\/a>. Toda a pessoa que presta servi\u00e7o nas for\u00e7as armadas \u00e9 concretamente chamada a defender o bem, a verdade e a justi\u00e7a no mundo; n\u00e3o poucos s\u00e3o aqueles que nas for\u00e7as armadas sacrificaram a pr\u00f3pria vida por tais valores e para defender vidas inocentes. O crescente n\u00famero de militares que atuam no seio de for\u00e7as multinacionais, no \u00e2mbito das \u00abmiss\u00f5es humanit\u00e1rias e de paz\u00bb, promovidas pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, \u00e9 um fato significativo<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1055\" name=\"_ftnref1055\"> [1055] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>503 <\/b><i>Todo membro das for\u00e7as amadas est\u00e1 moralmente obrigado a opor-se \u00e0s ordens que incitam a cumprir crimes contra o direito das na\u00e7\u00f5es e os seus princ\u00edpios universais<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1056\" name=\"_ftnref1056\"> [1056] <\/a>.Os militares permanecem plenamente respons\u00e1veis pelas a\u00e7\u00f5es que cometem em viola\u00e7\u00e3o dos direitos das pessoas e dos povos ou das normas do direito internacional humanit\u00e1rio. Tais atos n\u00e3o podem ser justificadas com o motivo da obedi\u00eancia a ordens superiores.<\/p><p><i>Os objetores de consci\u00eancia, os quais se recusam por principio a efetuar o servi\u00e7o militar nos casos em que este seja obrigat\u00f3rio, porque a sua consci\u00eancia os leva a rejeitar qualquer forma de uso da for\u00e7a, ou mesmo a participa\u00e7\u00e3o em um determinado conflito, devem estar dispon\u00edveis a desempenhar outros tipos de servi\u00e7os<\/i>: \u00abParece justo que as leis prevejam o caso dos que, por imperativos de consci\u00eancia, recusam tomar as armas, desde que entretanto aceitem servir, de outra forma, a comunidade humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1057\" name=\"_ftnref1057\"> [1057] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <\/span><b><a name=\"O dever de proteger os inocentes\"><\/a><span style=\"color: #663300\">O dever de proteger os inocentes<\/span><\/b><\/p><p><b>504<\/b> <i>O direito ao uso da for\u00e7a com o objetivo de leg\u00edtima defesa \u00e9 associado ao dever de proteger e ajudar as v\u00edtimas inocentes que n\u00e3o podem defender-se das agress\u00f5es. <\/i>Nos conflitos da era moderna, freq\u00fcentemente no seio do pr\u00f3prio Estado, <i>as disposi\u00e7\u00f5es do direito internacional humanit\u00e1rio devem ser plenamente respeitados. <\/i>Em muitas circunst\u00e2ncias a popula\u00e7\u00e3o civil \u00e9 atingida, por vezes tamb\u00e9m como objetivo b\u00e9lico. Em alguns casos, \u00e9 brutalmente massacrada ou desenraizada das pr\u00f3prias casas e das pr\u00f3prias terras com transfer\u00eancias for\u00e7adas, sob o pretexto de uma \u00abpurifica\u00e7\u00e3o \u00e9tnica\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1058\" name=\"_ftnref1058\"> [1058] <\/a>inaceit\u00e1vel. Em tais tr\u00e1gicas circunst\u00e2ncias, \u00e9 necess\u00e1rio que as ajudas humanit\u00e1rias cheguem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o civil e que n\u00e3o sejam jamais utilizadas para condicionar os beneficiados: o bem da pessoa humana deve ter preced\u00eancia sobre os interesses das partes em conflito.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>505<\/b> <i>O princ\u00edpio de humanidade, inscrito na consci\u00eancia de cada pessoa e povo, comporta a obriga\u00e7\u00e3o de manter as popula\u00e7\u00f5es civis ao abrigo dos efeitos da guerra: <\/i>\u00abAquele m\u00ednimo de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 dignidade de todo o ser humano, garantido pelo direito internacional humanit\u00e1rio, \u00e9 com muita freq\u00fc\u00eancia violado em nome de exig\u00eancias militares ou pol\u00edticas, que jamais deveriam prevalecer sobre o valor da pessoa humana. Sente-se hoje a necessidade de encontrar um novo consenso sobre os princ\u00edpios humanit\u00e1rios e de consolidar os fundamentos, a fim de impedir o repetir-se de atrocidades e abusos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1059\" name=\"_ftnref1059\"> [1059] <\/a>.<\/p><p>Uma categoria particular de v\u00edtimas da guerra \u00e9 a dos <i>refugiados<\/i>, constrangidos pelos combates a fugir dos lugares em que vivem habitualmente, at\u00e9 mesmo a encontrar abrigo em pa\u00edses diferentes daqueles em que nasceram. A Igreja est\u00e1 do lado deles, n\u00e3o s\u00f3 com a presen\u00e7a pastoral e com o socorro material, mas tamb\u00e9m com o empenho de defender a sua dignidade humana: \u00abA solicitude pelos refugiados deve esfor\u00e7ar-se por reafirmar e sublinhar os direitos humanos, universalmente reconhecidos, e a pedir que para eles sejam efetivamente realizados\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1060\" name=\"_ftnref1060\"> [1060] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>506 <\/b><i>As tentativas de elimina\u00e7\u00e3o de inteiros grupos nacionais, \u00e9tnicos, religiosos ou ling\u00fc\u00edsticos s\u00e3o delitos contra Deus e contra a pr\u00f3pria humanidade e os respons\u00e1veis de tais crimes devem ser chamados a responder diante da justi\u00e7a<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1061\" name=\"_ftnref1061\"> [1061] <\/a><i>. <\/i>O s\u00e9culo XX caracterizou-se tragicamente por v\u00e1rios genoc\u00eddios: daquele dos arm\u00eanios ao dos ucranianos, do dos cambojanos \u00e0queles ocorridos na \u00c1frica e nos B\u00e1lc\u00e3s. Dentre eles se destaca o holocausto do povo hebraico, a Shoah: \u00abos dias da Shoah assinalaram uma verdadeira noite na hist\u00f3ria, registrando crimes inauditos contra Deus e contra o homem\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1062\" name=\"_ftnref1062\"> [1062] <\/a>.<\/p><p><i>A Comunidade Internacional no seu conjunto tem a obriga\u00e7\u00e3o moral de intervir em favor destes grupos, cuja pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia \u00e9 amea\u00e7ada ou daqueles que os direitos fundamentais s\u00e3o maci\u00e7amente violados. <\/i>Os estados, enquanto parte de uma comunidade internacional, n\u00e3o podem ficar indiferentes: ao contr\u00e1rio, se todos os outros meios \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o se revelarem ineficazes, \u00e9 \u00ableg\u00edtimo e at\u00e9 for\u00e7oso empreender iniciativas concretas para desarmar o agressor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1063\" name=\"_ftnref1063\"> [1063] <\/a>.O princ\u00edpio da soberania nacional n\u00e3o pode ser aduzido como motivo para impedir a interven\u00e7\u00e3o em defesa das v\u00edtimas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1064\" name=\"_ftnref1064\"> [1064] <\/a>.As medidas adotadas devem ser realizadas no pleno respeito do direito internacional e do princ\u00edpio fundamental da igualdade entre os Estados.<\/p><p>A Comunidade internacional dotou-se tamb\u00e9m de uma <i>Corte Penal Internacional <\/i>para punir os respons\u00e1veis por atos particularmente graves: crimes de genoc\u00eddio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra, crimes de agress\u00e3o. O Magist\u00e9rio n\u00e3o deixou de encorajar repetidamente tal iniciativa<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1065\" name=\"_ftnref1065\"> [1065] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d) <b><a name=\"Medidas contra quem amea\u00e7a a paz\"><\/a>Medidas contra quem amea\u00e7a a paz<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>507<\/b> <i>As san\u00e7\u00f5es, nas formas previstas do ordenamento internacional contempor\u00e2neo, miram a corrigir o comportamento do governo de um Pa\u00eds que viola as regras da conviv\u00eancia internacional pac\u00edfica e ordenada ou que p\u00f5e em pr\u00e1tica formas graves de opress\u00e3o sobre a popula\u00e7\u00e3o.<\/i> As finalidades das san\u00e7\u00f5es<i> <\/i>devem ser precisadas de modo inequ\u00edvoco e as medidas adotadas devem ser periodicamente verificadas pelos organismos competentes da Comunidade Internacional, para uma objetiva avalia\u00e7\u00e3o da sua efic\u00e1cia e do seu real impacto sobre a popula\u00e7\u00e3o civil. <i>O verdadeiro objetivo de tais medidas \u00e9 abrir o caminho para as tratativas e o di\u00e1logo. As san\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem jamais constituir um instrumento de puni\u00e7\u00e3o direta contra toda uma popula\u00e7\u00e3o<\/i>: n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito que devido \u00e0s san\u00e7\u00f5es venham sofrer inteiras popula\u00e7\u00f5es e especialmente os seus membros mais vulner\u00e1veis. <i>As san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, em particular, s\u00e3o um instrumento a ser utilizado com grande pondera\u00e7\u00e3o e a ser submetidos a r\u00edgidos crit\u00e9rios jur\u00eddicos e \u00e9ticos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1066\" name=\"_ftnref1066\"> [1066] <\/a><i>. O embargo econ\u00f4mico <\/i>deve ser limitado no tempo e n\u00e3o pode ser justificado quando os efeitos que produzem se revelam indiscriminados<i>.<\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">e)<b> <a name=\"O desarmamento\"><\/a>O desarmamento<\/b><\/span><\/p><p><b>508 <\/b><i>A doutrina social prop\u00f5e a meta de um <\/i>\u00ab<i>desarmamento geral, equilibrado e controlado<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1067\" name=\"_ftnref1067\"> [1067] <\/a>. <i>O enorme aumento das armas representa uma amea\u00e7a grave para a estabilidade e a paz. O princ\u00edpio de sufici\u00eancia, em virtude do qual um Estado pode possuir unicamente os meios necess\u00e1rios para a sua leg\u00edtima defesa, deve ser aplicado seja pelos Estados que compram armas, seja por aqueles que as produzem e as fornecem<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1068\" name=\"_ftnref1068\"> [1068] <\/a>. Todo e qualquer ac\u00famulo excessivo de armas ou o seu com\u00e9rcio generalizado n\u00e3o podem ser justificados moralmente; tais fen\u00f4menos devem ser avaliados tamb\u00e9m \u00e0 luz da normativa internacional em mat\u00e9ria de n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio e uso dos diferentes tipos de armamentos. As armas n\u00e3o devem jamais ser consideradas \u00e0 guisa dos outros bens intercambiados em plano mundial ou nos mercados internos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1069\" name=\"_ftnref1069\"> [1069] <\/a>.<\/p><p>O Magist\u00e9rio, ademais, expressou uma avalia\u00e7\u00e3o moral do fen\u00f4meno da <i>dissuas\u00e3o<\/i>: \u00abA <i>acumula\u00e7\u00e3o de armas <\/i>parece a muitos uma maneira paradoxal de dissuadir da guerra os eventuais advers\u00e1rios. V\u00eaem nisso o mais eficaz dos meios suscet\u00edveis de garantir a paz entre as na\u00e7\u00f5es. Este procedimento de dissuas\u00e3o imp\u00f5e severas reservas morais. A <i>corrida aos armamentos <\/i>n\u00e3o garante a paz. Longe de eliminar as causas da guerra, corre o risco de agrav\u00e1-las\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1070\" name=\"_ftnref1070\"> [1070] <\/a>. As pol\u00edticas de dissuas\u00e3o nuclear, t\u00edpicas do per\u00edodo da chamada Guerra Fria, devem ser substitu\u00eddos por medidas concretas de desarmamento, baseadas no di\u00e1logo e na negocia\u00e7\u00e3o multilateral.<\/p><p><b>509 <\/b><i>As armas de destrui\u00e7\u00e3o de massa \u2013 biol\u00f3gicas, qu\u00edmicas e nucleares \u2013 representam uma amea\u00e7a particularmente grave; aqueles que as possuem t\u00eam uma responsabilidade enorme diante de Deus e de toda a humanidade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1071\" name=\"_ftnref1071\"> [1071] <\/a>.O princ\u00edpio da n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o das armas nucleares juntamente com as medidas de desarmamento nuclear, assim como a proibi\u00e7\u00e3o dos testes nucleares, s\u00e3o objetivos estritamente ligados entre si, que devem ser atingidos o mais r\u00e1pido poss\u00edvel mediante controles eficazes no plano internacional<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1072\" name=\"_ftnref1072\"> [1072] <\/a>.A proibi\u00e7\u00e3o de desenvolvimento, de aumento de produ\u00e7\u00e3o, de ac\u00famulo e de emprego das armas qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas, assim como as decis\u00f5es que imp\u00f5em a sua destrui\u00e7\u00e3o, completam o quadro normativo internacional para o abandono de tais armas nefastas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1073\" name=\"_ftnref1073\"> [1073] <\/a>, cujo uso \u00e9 explicitamente reprovado pelo Magist\u00e9rio: \u00abToda a a\u00e7\u00e3o b\u00e9lica, que tende indistintamente para a destrui\u00e7\u00e3o de cidades inteiras e de extensas regi\u00f5es com os seus habitantes, \u00e9 um crime contra Deus e contra o pr\u00f3prio homem, e como tal deve ser condenada firmemente e sem hesita\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1074\" name=\"_ftnref1074\"> [1074] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>510<\/b> <i>O desarmamento deve estender-se \u00e0 interdi\u00e7\u00e3o das armas que infligem efeitos traum\u00e1ticos excessivos ou cujo efeito \u00e9 indiscriminado, assim como as minas anti-homem, um tipo de pequenos dispositivos, desumanamente insidiosos, pois que continuam a provocar v\u00edtimas mesmo muito tempo depois do fim das hostilidades<\/i>: os Estados que as produzem, as comercializam ou as usam ainda s\u00e3o respons\u00e1veis por retardar gravemente a definitiva interdi\u00e7\u00e3o de tais instrumentos mort\u00edferos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1075\" name=\"_ftnref1075\"> [1075] <\/a>. <i>A comunidade internacional deve continuar a empenhar-se na atividade de desativa\u00e7\u00e3o das minas, <\/i>promovendo uma coopera\u00e7\u00e3o eficaz, inclusive a forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, com os pa\u00edses que n\u00e3o disp\u00f5em de meios pr\u00f3prios adequados para efetuar a urgent\u00edssima depura\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios e que n\u00e3o s\u00e3o capazes fornecer uma assist\u00eancia adequada \u00e0s v\u00edtimas das minas.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>511 <\/b><i>Medidas apropriadas s\u00e3o necess\u00e1rias para o controle da produ\u00e7\u00e3o, da venda, da importa\u00e7\u00e3o e da exporta\u00e7\u00e3o de armas leves e individuais, que facilitam muitas manifesta\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. <\/i>A venda e o tr\u00e1fico de tais armas constituem uma s\u00e9ria amea\u00e7a para a paz: estas s\u00e3o as armas mais utilizadas nos conflitos internacionais e a sua disponibilidade faz aumentar o risco de novos conflitos e a intensidade daqueles em curso. A postura dos Estados que aplicam severos controles sobre a transfer\u00eancia internacional de armamentos pesados, mas n\u00e3o prev\u00eaem nunca, ou t\u00e3o-somente em raras ocasi\u00f5es, restri\u00e7\u00f5es sobre o com\u00e9rcio das armas leves e individuais, \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o inaceit\u00e1vel. \u00c9 indispens\u00e1vel e urgente que os governos adotem regras adequadas para controlar a produ\u00e7\u00e3o, o ac\u00famulo, a venda e o tr\u00e1fico de tais armas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1076\" name=\"_ftnref1076\"> [1076] <\/a><i>,<\/i>de modo a fazer frente \u00e0 crescente difus\u00e3o, em larga parte entre grupos de combatentes que n\u00e3o pertencem \u00e0s for\u00e7as militares de um Estado.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>512 <\/b><i>A utiliza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes como soldados em conflitos armados \u2015 n\u00e3o obstante o fato de que a sua jovem idade n\u00e3o deva permitir o se recrutamento \u2015 deve ser denunciada<\/i>. Eles s\u00e3o coagidas com a for\u00e7a a participar dos conflitos, ou ainda o fazem por iniciativa pr\u00f3pria sem ser plenamente c\u00f4nscios das conseq\u00fc\u00eancias. S\u00e3o crian\u00e7as privadas n\u00e3o apenas da instru\u00e7\u00e3o que deveriam receber e de uma inf\u00e2ncia normal, mas tamb\u00e9m adestradas a matar: tudo isto constitui um crime intoler\u00e1vel. O seu emprego nas for\u00e7as combatentes de qualquer tipo deve ser impedido; contemporaneamente, \u00e9 preciso fornecer toda a ajuda poss\u00edvel para a cura, a educa\u00e7\u00e3o e a reabilita\u00e7\u00e3o daqueles que foram envolvidos nos combates.<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1077\" name=\"_ftnref1077\"> [1077]<\/a><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">f)<b> <a name=\"A condena\u00e7\u00e3o ao terrorismo\"><\/a>A condena\u00e7\u00e3o ao terrorismo<\/b><\/span><\/p><p><b>513 <\/b><i>O terrorismo \u00e9 uma das formas mais brutais de viol\u00eancia que atualmente atribula a Comunidade Internacional: semeia \u00f3dio, morte, desejo de vingan\u00e7a e de repres\u00e1lia<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1078\" name=\"_ftnref1078\"> [1078] <\/a>. De estrat\u00e9gia subversiva t\u00edpica somente de algumas organiza\u00e7\u00f5es extremistas, ordenada \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o das coisas e \u00e0 morte de pessoas, o terrorismo se transformou em uma rede obscura de cumplicidades pol\u00edticas, utiliza tamb\u00e9m meios t\u00e9cnicos sofisticados, vale-se freq\u00fcentemente de enormes recursos financeiros e elabora estrat\u00e9gias de vasta escala, atingindo pessoas totalmente inocentes, v\u00edtimas casuais das a\u00e7\u00f5es terroristas<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1079\" name=\"_ftnref1079\"> [1079] <\/a>. Alvos dos ataques terroristas s\u00e3o, em geral, os lugares da vida cotidiana e n\u00e3o objetivos militares no contexto de uma guerra declarada. O terrorismo atua e ataca no escuro, fora das regras com que os homens procuraram disciplinar, por exemplo, mediante o direito internacional humanit\u00e1rio, os seus conflitos: \u00abEm muitos casos, o uso dos m\u00e9todos do terrorismo tem-se como novo sistema de guerra\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1080\" name=\"_ftnref1080\"> [1080] <\/a>. N\u00e3o se devem descurar as causas que podem motivar tal inaceit\u00e1vel forma de reivindica\u00e7\u00e3o. A luta contra o terrorismo pressup\u00f5e o dever moral de contribuir para criar as condi\u00e7\u00f5es a fim de que esse n\u00e3o nas\u00e7a ou se desenvolva.<\/p><p><b>514 <\/b><i>O terrorismo deve ser condenado do modo mais absoluto. Este manifesta o desprezo total da vida humana e nenhuma motiva\u00e7\u00e3o pode justific\u00e1-lo, pois que o homem \u00e9 sempre fim e nunca meio. <\/i>Os atos de terrorismo atentam contra a dignidade do homem e constituem uma ofensa para a humanidade inteira: \u00abExiste por isso um direito a defender-se do terrorismo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1081\" name=\"_ftnref1081\"> [1081] <\/a>. Tal direito n\u00e3o pode, todavia ser exercido no v\u00e1cuo de regras morais e jur\u00eddicas, pois que a luta contra o terrorismo deve ser conduzida no respeito dos direitos do homem e dos princ\u00edpios de um Estado de direito<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1082\" name=\"_ftnref1082\"> [1082] <\/a>. A identifica\u00e7\u00e3o dos culpados deve ser devidamente provada, pois a responsabilidade penal \u00e9 sempre pessoal e, portanto, n\u00e3o pode ser estendida \u00e0s religi\u00f5es, \u00e0s na\u00e7\u00f5es, \u00e0s etnias, \u00e0s quais os terroristas pertencem. A colabora\u00e7\u00e3o internacional contra a atividade terrorista \u00ab<i>n\u00e3o pode exaurir-se meramente em opera\u00e7\u00f5es repressivas e punitivas<\/i>. \u00c9 essencial que o recurso necess\u00e1rio \u00e0 for\u00e7a seja acompanhado por uma an\u00e1lise corajosa e l\u00facida das<i> motiva\u00e7\u00f5es subjacentes aos ataques terroristas<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1083\" name=\"_ftnref1083\"> [1083] <\/a>. \u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m um particular empenho no plano \u00abpol\u00edtico e pedag\u00f3gico\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1084\" name=\"_ftnref1084\"> [1084] <\/a>para revolver, com coragem e determina\u00e7\u00e3o, os problemas que, em algumas dram\u00e1ticas situa\u00e7\u00f5es, possam alimentar o terrorismo: \u00abO recrutamento dos terroristas, de fato, \u00e9 mais f\u00e1cil em contextos sociais onde os direitos s\u00e3o espezinhados e as injusti\u00e7as longamente toleradas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1085\" name=\"_ftnref1085\"> [1085] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>515 <\/b><i>\u00c9 profana\u00e7\u00e3o e blasf\u00eamia proclamar-se terrorista em nome de Deus<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1086\" name=\"_ftnref1086\"> [1086] <\/a><i>.<\/i>Neste caso se instrumentaliza tamb\u00e9m a Deus e n\u00e3o apenas o homem, enquanto se presume possuir totalmente a Sua verdade ao inv\u00e9s de procurar ser possu\u00eddo por ela. Definir \u00abm\u00e1rtires\u00bb aqueles que morrem executando atos terroristas \u00e9 distorcer o conceito de mart\u00edrio, que \u00e9 testemunho de quem se deixa matar por n\u00e3o renunciar a Deus e n\u00e3o de quem mata em nome de Deus.<\/p><p><i>Nenhuma religi\u00e3o pode tolerar o terrorismo e, menos ainda, preg\u00e1-lo<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1087\" name=\"_ftnref1087\"> [1087] <\/a><i>.<\/i> As religi\u00f5es est\u00e3o antes empenhadas em colaborar para remover as causas do terrorismo e para promover a amizade entre os povos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1088\" name=\"_ftnref1088\"> [1088] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b><a name=\"IV. O CONTRIBUTO DA IGREJA PARA A PAZ\"><\/a>IV. O CONTRIBUTO DA IGREJA PARA A PAZ<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>516 <\/b><i>A promo\u00e7\u00e3o da paz no mundo \u00e9 parte integrante da miss\u00e3o com que a Igreja continua a obra redentora de Cristo sobre a terra. <\/i>A Igreja, de fato, \u00e9, \u00abem Cristo, \u201csacramento\u201d, ou seja, <i>sinal e instrumento de paz no mundo e para o mundo<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1089\" name=\"_ftnref1089\"> [1089] <\/a>. A promo\u00e7\u00e3o da verdadeira paz \u00e9 uma express\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 no amor que Deus nutre por cada ser humano. Da f\u00e9 libertadora no amor de Deus derivam uma nova vis\u00e3o do mundo e um novo modo de aproximar-se do outro, seja esse outro um indiv\u00edduo ou um povo inteiro: \u00e9 uma f\u00e9 que muda e renova a vida, inspirada pela paz que Cristo deixou aos Seus disc\u00edpulos (cf.<i> Jo <\/i>14,27).Movida unicamente por tal f\u00e9, a Igreja entende promover a unidade dos crist\u00e3os e uma fecunda colabora\u00e7\u00e3o com os crentes de outras religi\u00f5es. As diferen\u00e7as religiosas n\u00e3o podem e n\u00e3o devem constituir uma causa de conflito: a busca comum da paz por parte de todos os crentes \u00e9 antes um forte fator de unidade entre os povos<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1090\" name=\"_ftnref1090\"> [1090] <\/a>. A Igreja exorta pessoas, povos, Estados e na\u00e7\u00f5es a se tornarem participantes da sua preocupa\u00e7\u00e3o com o restabelecimento e a consolida\u00e7\u00e3o da paz, ressaltando em particular a importante fun\u00e7\u00e3o do direito internacional<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1091\" name=\"_ftnref1091\"> [1091] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>517<\/b> <i>A Igreja ensina que uma verdadeira paz s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s do perd\u00e3o e da reconcilia\u00e7\u00e3o<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1092\" name=\"_ftnref1092\"> [1092] <\/a>. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil perdoar diante das conseq\u00fc\u00eancias da guerra e dos conflitos, porque a viol\u00eancia, especialmente quando conduz \u00abat\u00e9 aos abismos da desumanidade e da desola\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1093\" name=\"_ftnref1093\"> [1093] <\/a>, deixa sempre como heran\u00e7a um pesado fardo de dor, que pode ser aliviado somente por uma reflex\u00e3o profunda, leal e corajosa, comum aos contendores, capaz de enfrentar as dificuldades do presente com uma atitude purificada pelo arrependimento. O peso do passado, que n\u00e3o pode ser esquecido, pode ser aceito somente na presen\u00e7a de um perd\u00e3o reciprocamente oferecido e recebido: trata-se de um percurso longo e dif\u00edcil, mas n\u00e3o imposs\u00edvel<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1094\" name=\"_ftnref1094\"> [1094] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>518<\/b><i> O perd\u00e3o rec\u00edproco n\u00e3o deve anular as exig\u00eancias da justi\u00e7a e nem, t\u00e3o pouco, bloquear o caminho que leva \u00e0 verdade: justi\u00e7a e verdade representam, pelo contr\u00e1rio, os requisitos concretos da reconcilia\u00e7\u00e3o<\/i>. S\u00e3o oportunas as iniciativas que tendem a instituir Organismos judici\u00e1rios internacionais. Semelhantes Organismos, valendo-se do princ\u00edpio da jurisdi\u00e7\u00e3o universal e apoiados em procedimentos adequados, respeitosos dos direitos dos imputados e das v\u00edtimas, podem acertar a verdade sobre crimes perpetrados durante os conflitos armados<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1095\" name=\"_ftnref1095\"> [1095] <\/a>. \u00c9 necess\u00e1rio, todavia, ir al\u00e9m das determina\u00e7\u00f5es dos comportamentos delituosos, tanto ativos como omissivos, e al\u00e9m das decis\u00f5es referentes aos procedimentos de repara\u00e7\u00e3o, para chegar ao restabelecimento de rela\u00e7\u00f5es de rec\u00edproco acolhimento entre os povos divididos, sob o signo da reconcilia\u00e7\u00e3o<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1096\" name=\"_ftnref1096\"> [1096] <\/a>. Ademais, \u00e9 necess\u00e1rio promover o respeito do <i>direito \u00e0 paz<\/i>: tal direito \u00abfavorece a constru\u00e7\u00e3o duma sociedade no interior da qual as rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a s\u00e3o substitu\u00eddas por rela\u00e7\u00f5es de colabora\u00e7\u00e3o em ordem ao bem comum\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1097\" name=\"_ftnref1097\"> [1097] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>519 <\/b><i>A Igreja luta pela paz com a ora\u00e7\u00e3o. <\/i>A ora\u00e7\u00e3o abre o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 a uma profunda rela\u00e7\u00e3o com Deus, como tamb\u00e9m ao encontro com o pr\u00f3ximo sob o signo do respeito, da confian\u00e7a, da compreens\u00e3o, da estima e do amor<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1098\" name=\"_ftnref1098\"> [1098] <\/a>. A ora\u00e7\u00e3o infunde coragem e d\u00e1 apoio a todos \u00abos verdadeiros amigos da paz\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1099\" name=\"_ftnref1099\"> [1099] <\/a>, os quais procuram promov\u00ea-la nas v\u00e1rias circunst\u00e2ncias em que se encontram a viver. A ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9 \u00absimultaneamente cimo para o qual se dirige a a\u00e7\u00e3o da Igreja e a fonte da qual promana toda a sua for\u00e7a\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1100\" name=\"_ftnref1100\"> [1100] <\/a>; em particular a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, \u00abfonte e converg\u00eancia de toda a vida crist\u00e3\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1101\" name=\"_ftnref1101\"> [1101] <\/a>,\u00e9 nascente inesgot\u00e1vel de todo aut\u00eantico compromisso crist\u00e3o pela paz<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1102\" name=\"_ftnref1102\"> [1102] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>520 <\/b><i>Os Dias Mundiais da Paz s\u00e3o celebra\u00e7\u00f5es de particular intensidade para a ora\u00e7\u00e3o de invoca\u00e7\u00e3o da paz e para o compromisso de construir um mundo de paz<\/i>. O Papa Paulo VI as instituiu com o objetivo de \u00abque se dedique aos pensamentos e aos prop\u00f3sitos da Paz uma celebra\u00e7\u00e3o especial, no primeiro dia do ano civil\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1103\" name=\"_ftnref1103\"> [1103] <\/a>. <i>As Mensagens pontif\u00edcias por ocasi\u00e3o de celebra\u00e7\u00e3o anual constituem uma rica fonte de atualiza\u00e7\u00e3o e de desenvolvimento da doutrina social<\/i> e mostram o constante esfor\u00e7o da a\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja em favor da paz: \u00abA Paz imp\u00f5e-se somente com a paz, com aquela paz nunca disjunta dos deveres da justi\u00e7a, mas alimentada pelo sacrifico de si pr\u00f3prio, pela clem\u00eancia, pela miseric\u00f3rdia e pela caridade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1104\" name=\"_ftnref1104\"> [1104] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>________<\/p><div id=\"ftn1015\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1015\" name=\"_ftn1015\">[1015] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1986<\/i>, 1: <i>AAS<\/i> 78 (1986) 278-279.<\/div><div id=\"ftn1016\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1016\" name=\"_ftn1016\">[1016] <\/a>Cf. Paulo VI, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1969:<\/i> <i>AAS<\/i> 60 (1968) 771; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 4: <i>AAS<\/i> 96 (2004) 116.<\/div><div id=\"ftn1017\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1017\" name=\"_ftn1017\">[1017] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1982<\/i>, <i>4:AAS<\/i> 74 (1982) 328.<\/div><div id=\"ftn1018\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1018\" name=\"_ftn1018\">[1018] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. Past. <i>Gaudium et spes<\/i>,78: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1101-1102.<\/div><div id=\"ftn1019\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1019\" name=\"_ftn1019\">[1019] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 51: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 856-857.<\/div><div id=\"ftn1020\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1020\" name=\"_ftn1020\">[1020] <\/a>Cf. Paulo VI, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1972:AAS<\/i> 63 (1971) 868.<\/div><div id=\"ftn1021\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1021\" name=\"_ftn1021\">[1021] <\/a>Cf. Paulo VI, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1969: AAS<\/i> 60 (1968) 772; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 12: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 386-387.<\/div><div id=\"ftn1022\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1022\" name=\"_ftn1022\">[1022] <\/a>Pio XI, Carta encicl. <i>Ubi arcano<\/i>: <i>AAS<\/i> 14 (1922) 686. Na Enc\u00edclica se faz refer\u00eancia a S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae<\/i>, II-II, q. 29 art. 3, ad 3um: Ed. Leon. 8, 238; cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 78: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1101-1102.<\/div><div id=\"ftn1023\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1023\" name=\"_ftn1023\">[1023] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 76: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 294-295<\/div><div id=\"ftn1024\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1024\" name=\"_ftn1024\">[1024] <\/a>Cf. Paulo VI, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1974: AAS<\/i> 65 (1973) 672.<\/div><div id=\"ftn1025\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1025\" name=\"_ftn1025\">[1025] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2317.<\/div><div id=\"ftn1026\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1026\" name=\"_ftn1026\">[1026] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Corpo Diplom\u00e1tico <\/i>(13 de Janeiro de 1997), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 18 de Janeiro de 1997, p. 6.<\/div><div id=\"ftn1027\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1027\" name=\"_ftn1027\">[1027] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. Past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 78 <i>: AAS<\/i> 58 (1966) 1101; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2304.<\/div><div id=\"ftn1028\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1028\" name=\"_ftn1028\">[1028] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. Past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 78 <i>: AAS<\/i> 58 (1966) 1101.<\/div><div id=\"ftn1029\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1029\" name=\"_ftn1029\">[1029] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso em Drogheda<\/i>, Irlanda (29 de Setembro de 1979), 9: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 7 de Outubro de 1979, p. 5; cf. Paulo VI, Exort. apost. <i>Evangelii nuntiandi<\/i>, 37 <i>: AAS<\/i> 68 (1976) 29.<\/div><div id=\"ftn1030\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1030\" name=\"_ftn1030\">[1030] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias<\/i> (12 de Novembro de 1983), 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, 20 de Novembro de 1983, p. 6.<\/div><div id=\"ftn1031\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1031\" name=\"_ftn1031\">[1031] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2306<\/div><div id=\"ftn1032\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1032\" name=\"_ftn1032\">[1032] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. Past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 77 <i>: AAS<\/i> 58 (1966) 1100; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2307-2317.<\/div><div id=\"ftn1033\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1033\" name=\"_ftn1033\">[1033] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. Past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 80 <i>: AAS<\/i> 58 (1966) 1103-1104.<\/div><div id=\"ftn1034\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1034\" name=\"_ftn1034\">[1034] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl <i>Pacem in terris: AAS<\/i> 55 (1963) 291.<\/div><div id=\"ftn1035\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1035\" name=\"_ftn1035\">[1035] <\/a>Le\u00e3o XIII, <i>Alocu\u00e7\u00e3o ao Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 19 (1899) 270-272.<\/div><div id=\"ftn1036\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1036\" name=\"_ftn1036\">[1036] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Encontro com os Oficiais do Vicariato de Roma<\/i> (17 de Janeiro de 1991): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 27 de Janeiro de 1991, p. 22; cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos Bispos de Rito Latino da regi\u00e3o \u00c1rabe <\/i>(1\u00b0 de Outubro de 1990) 4: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 475 <i>.<\/i><\/div><div id=\"ftn1037\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1037\" name=\"_ftn1037\">[1037] <\/a>Cf. PAULO VI, <i>Discurso aos Cardeais <\/i>(24 de Junho de 1965): <i>AAS<\/i> 57 (1965) 643-644.<\/div><div id=\"ftn1038\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1038\" name=\"_ftn1038\">[1038] <\/a>Bento XV, <i>Apelo aos Chefes dos povos beligerantes<\/i> (1\u00b0 de Agosto de 1917): <i>AAS<\/i> 9 (1917) 423.<\/div><div id=\"ftn1039\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1039\" name=\"_ftn1039\">[1039] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Ora\u00e7\u00e3o pela Paz durante a Audi\u00eancia P\u00fablica <\/i>(16 de Janeiro de 1991): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 20 de Janeiro de 1991, p. 1<\/div><div id=\"ftn1040\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1040\" name=\"_ftn1040\">[1040] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris: AAS<\/i> 55 (1963) 288; cf. PIO XII, <i>R\u00e1dio Mensagem <\/i>(24 de de Agosto de de 1939) <i>: AAS<\/i> 31 (1931) 334; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1993<\/i>, 4 <i>: AAS<\/i> 85 (1993) 433-434.<\/div><div id=\"ftn1041\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1041\" name=\"_ftn1041\">[1041] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. Past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 79 <i>: AAS<\/i> 58 (1966) 1102-1103.<\/div><div id=\"ftn1042\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1042\" name=\"_ftn1042\">[1042] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para o Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 11 <i>: AAS<\/i> 91 (1999) 385.<\/div><div id=\"ftn1043\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1043\" name=\"_ftn1043\">[1043] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Corpo Diplom\u00e1tico<\/i> (13 de Janeiro de 2003), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 18 de Janeiro de 2003, p. 6.<\/div><div id=\"ftn1044\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1044\" name=\"_ftn1044\">[1044] <\/a>Paulo VI, <i>Discurso \u00e0 Assembl\u00e9ia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i> (4 de Outubro de 1965), 5: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 881.<\/div><div id=\"ftn1045\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1045\" name=\"_ftn1045\">[1045] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 51 <i>: AAS<\/i> 83 (1991) 857.<\/div><div id=\"ftn1046\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1046\" name=\"_ftn1046\">[1046] <\/a>Giovanni Paolo II, Lett. enc. <i>Centesimus annus<\/i>, 52: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 858.<\/div><div id=\"ftn1047\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1047\" name=\"_ftn1047\">[1047] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris: AAS<\/i>55 (1963) 288-289.<\/div><div id=\"ftn1048\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1048\" name=\"_ftn1048\">[1048] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris: AAS<\/i>55 (1963) 291.<\/div><div id=\"ftn1049\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1049\" name=\"_ftn1049\">[1049] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2265.<\/div><div id=\"ftn1050\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1050\" name=\"_ftn1050\">[1050] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, <i>2309.<\/i><\/div><div id=\"ftn1051\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1051\" name=\"_ftn1051\">[1051] <\/a>Pontif\u00edcio Conselho \u00ab Justi\u00e7a e Paz\u00bb, <i>El comercio internacional de armas <\/i>(1\u00b0 de Maio de 1994), I, 6: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1994, p. 12.<\/div><div id=\"ftn1052\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1052\" name=\"_ftn1052\">[1052] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. Past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 79 <i>: AAS<\/i> 58 (1966) 1103.<\/div><div id=\"ftn1053\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1053\" name=\"_ftn1053\">[1053] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 6: <i>AAS<\/i> 96 (2004) 117.<\/div><div id=\"ftn1054\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1054\" name=\"_ftn1054\">[1054] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 79: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1102-1103; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2310.<\/div><div id=\"ftn1055\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1055\" name=\"_ftn1055\">[1055] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem ao III Encontro internacional dos Ordin\u00e1rios Militares<\/i> (11 de Mar\u00e7o de 1994), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 19 de Mar\u00e7o de 1994, p. 7.<\/div><div id=\"ftn1056\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1056\" name=\"_ftn1056\">[1056] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2313.<\/div><div id=\"ftn1057\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1057\" name=\"_ftn1057\">[1057] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 79: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1103; cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2311.<\/div><div id=\"ftn1058\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1058\" name=\"_ftn1058\">[1058] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Angelus Domini<\/i> (7 de Mar\u00e7o de 1993), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Mar\u00e7o de 1993, p. 1; Id. <i>Discurso ao Conselho dos Ministros OSCE <\/i>(30 de Novembro de 1993), 4: <i>AAS <\/i>86 (1994) 751.<\/div><div id=\"ftn1059\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1059\" name=\"_ftn1059\">[1059] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso durante a Audi\u00eancia Geral<\/i> (11 de Agosto de 1999): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Agosto de 1999, p. 12.<\/div><div id=\"ftn1060\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1060\" name=\"_ftn1060\">[1060] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a Quaresma 1990<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 82 (1990) 802.<\/div><div id=\"ftn1061\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1061\" name=\"_ftn1061\">[1061] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 7: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 382; Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz2000<\/i>, 7: <i>AAS<\/i> 92 (2000) 362.<\/div><div id=\"ftn1062\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1062\" name=\"_ftn1062\">[1062] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Regina coeli<\/i> (18 de Abril de 1993), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas,25 de abril de 1993, p. 2; cf. Comiss\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es Religiosas com o Juda\u00edsmo, <i>N\u00f3s recordamos: uma reflex\u00e3o sobre a Shoah<\/i> (16 de Mar\u00e7o de 1998): Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1998.<\/div><div id=\"ftn1063\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1063\" name=\"_ftn1063\">[1063] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2000<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 92 (2000) 363.<\/div><div id=\"ftn1064\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1064\" name=\"_ftn1064\">[1064] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Corpo Diplom\u00e1tico <\/i>(16 de Janeiro de 1993), 13: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1247-1248; Id., <i>Discurso \u00e0 Confer\u00eancia sobre a Nutri\u00e7\u00e3o<\/i>, <i>promovida pela FAO e pela OMS <\/i>(5 de Dezembro de 1992), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 3 de Janeiro de 1993, p. 7; Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz2004<\/i>, 9: <i>AAS<\/i> 96 (2004) 120.<\/div><div id=\"ftn1065\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1065\" name=\"_ftn1065\">[1065] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Angelus Domini <\/i>(14 de Junho de 1998): <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 20 de Junho de 1998, p. 1; Id., <i>Discursoao Congresso Mundial sobre a Pastoral dos Direitos Humanos<\/i> (4 de Julho de 1998), 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 18 de Julho de 1998, p. 3; Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999,<\/i> 7: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 382; cf. tamb\u00e9m Pio XII, <i>Discurso ao VI Congresso Internacional de Direito Penal <\/i>(3 de Outubro de 1953): <i>AAS<\/i> 45 (1953) 730-744.<\/div><div id=\"ftn1066\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1066\" name=\"_ftn1066\">[1066] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Corpo Diplom\u00e1tico<\/i>(9 de Janeiro de 1995), 7: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 14 de Janeiro de 1995, p. 4.<\/div><div id=\"ftn1067\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1067\" name=\"_ftn1067\">[1067] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para o 40\u00b0 anivers\u00e1rio da ONU<\/i> (14 de Outubro de 1985), 6: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 27 de Outubro de 1985, p. 7.<\/div><div id=\"ftn1068\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1068\" name=\"_ftn1068\">[1068] <\/a>Cf. Pontif\u00edcio Conselho \u00ab Justi\u00e7a e Paz\u00bb, <i>El comercio internacional de armas<\/i>(1\u00b0de Maio de 1994), I, 9-11: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1994, pp. 13-14.<\/div><div id=\"ftn1069\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1069\" name=\"_ftn1069\">[1069] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2316; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Mundo do Trabalho<\/i>, Verona, It\u00e1lia (17 de Abril de 1988), 6: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 24 de Abril de 1988, p. 6.<\/div><div id=\"ftn1070\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1070\" name=\"_ftn1070\">[1070] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2315.<\/div><div id=\"ftn1071\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1071\" name=\"_ftn1071\">[1071] <\/a>Cf.Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>,80: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1103-1104; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2314.<\/div><div id=\"ftn1072\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1072\" name=\"_ftn1072\">[1072] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aoCorpo Diplom\u00e1tico<\/i>(13 de Janeiro de 1996), 7: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas,20 de Janeiro de 1996, p. 3.<\/div><div id=\"ftn1073\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1073\" name=\"_ftn1073\">[1073] <\/a>A Santa S\u00e9 houve por bem tornar-se parte dos instrumentos jur\u00eddicos relativos \u00e0s armas nucleares, biol\u00f3gicas e qu\u00edmicas para apoiar as iniciativas da Comunidade Internacional nesse sentido.<\/div><div id=\"ftn1074\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1074\" name=\"_ftn1074\">[1074] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>,80: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1104.<\/div><div id=\"ftn1075\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1075\" name=\"_ftn1075\">[1075] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 11: <i>AAS<\/i>91 (1999) 385-386.<\/div><div id=\"ftn1076\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1076\" name=\"_ftn1076\">[1076] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 385-386.<\/div><div id=\"ftn1077\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1077\" name=\"_ftn1077\">[1077] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 385-386.<\/div><div id=\"ftn1078\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1078\" name=\"_ftn1078\">[1078] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 2297.<\/div><div id=\"ftn1079\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1079\" name=\"_ftn1079\">[1079] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2002<\/i>, 4 : <i>AAS<\/i> 94 (2002) 134.<\/div><div id=\"ftn1080\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1080\" name=\"_ftn1080\">[1080] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 79: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1102.<\/div><div id=\"ftn1081\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1081\" name=\"_ftn1081\">[1081] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2002<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 94 (2002) 134.<\/div><div id=\"ftn1082\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1082\" name=\"_ftn1082\">[1082] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 8: <i>AAS<\/i> 96 (2004) 119.<\/div><div id=\"ftn1083\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1083\" name=\"_ftn1083\">[1083] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 8: <i>AAS<\/i> 96 (2004) 119.<\/div><div id=\"ftn1084\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1084\" name=\"_ftn1084\">[1084] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 8: <i>AAS<\/i> 96 (2004) 119.<\/div><div id=\"ftn1085\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1085\" name=\"_ftn1085\">[1085] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2002<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 94 (2002) 134.<\/div><div id=\"ftn1086\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1086\" name=\"_ftn1086\">[1086] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos representantes do mundo da cultura, da arte e da ci\u00eancia<\/i>, Astana, Cazaquist\u00e3o (24 de Setembro de 2001), 5: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 29 de Setembro de 2001, p. 11.<\/div><div id=\"ftn1087\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1087\" name=\"_ftn1087\">[1087] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2002<\/i>, 7: <i>AAS<\/i> 94 (2002) 135-136.<\/div><div id=\"ftn1088\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1088\" name=\"_ftn1088\">[1088] <\/a>Cf. <i>Dec\u00e1logo de Assis para a paz<\/i>, n. 1, contido na Carta enviada por Jo\u00e3o Paulo II aos Chefes de Estado e de Governo dia 24 de Fevereiro de 2002: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 9 de Mar\u00e7o de 2002, p. 1.<\/div><div id=\"ftn1089\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1089\" name=\"_ftn1089\">[1089] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2000<\/i>, 20: <i>AAS<\/i> 92 (2000) 369.<\/div><div id=\"ftn1090\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1090\" name=\"_ftn1090\">[1090] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1988<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 282-284.<\/div><div id=\"ftn1091\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1091\" name=\"_ftn1091\">[1091] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 9: <i>AAS<\/i> 96 (2004) 120.<\/div><div id=\"ftn1092\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1092\" name=\"_ftn1092\">[1092] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2002<\/i>, 9: <i>AAS<\/i> 94 (2002) 136-137; Id., <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 96 (2004) 121.<\/div><div id=\"ftn1093\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1093\" name=\"_ftn1093\">[1093] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta <i>No Q\u00fcinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio do in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial<\/i>,2: <i>AAS<\/i> 82 (1990) 51.<\/div><div id=\"ftn1094\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1094\" name=\"_ftn1094\">[1094] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1997<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 89 (1997) 193.<\/div><div id=\"ftn1095\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1095\" name=\"_ftn1095\">[1095] <\/a>Cf. Pio XII, <i>Discurso ao VI Congresso internacional de Direito Penal <\/i>(3 de Outubro de 1953): <i>AAS<\/i> 65 (1953) 730-744; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Corpo Diplom\u00e1tico<\/i> (13 de Janeiro de 1997), 4: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 18 de Janeiro de 1997, p. 6; Id. <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 7: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 382.<\/div><div id=\"ftn1096\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1096\" name=\"_ftn1096\">[1096] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz <\/i>1997, 3.6: <i>AAS<\/i> 89 (1997) 193. 196-197.<\/div><div id=\"ftn1097\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1097\" name=\"_ftn1097\">[1097] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1999<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 385.<\/div><div id=\"ftn1098\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1098\" name=\"_ftn1098\">[1098] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1992<\/i>, <i>4<\/i>: <i>AAS<\/i> 84 (1992) 323-324.<\/div><div id=\"ftn1099\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1099\" name=\"_ftn1099\">[1099] <\/a>Paulo VI, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1968<\/i>: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 1098.<\/div><div id=\"ftn1100\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1100\" name=\"_ftn1100\">[1100] <\/a>Conc\u00edlioVaticano II, Const. <i>Sacrosanctum Concilium<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 56 (1964) 102.<\/div><div id=\"ftn1101\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1101\" name=\"_ftn1101\">[1101] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 15.<\/div><div id=\"ftn1102\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1102\" name=\"_ftn1102\">[1102] <\/a>Acelebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica tem in\u00edcio com uma sauda\u00e7\u00e3o de paz, a sauda\u00e7\u00e3o de Cristo aos disc\u00edpulos. O <i>Gl\u00f3ria<\/i> \u00e9 uma s\u00faplica de paz para todo o povo de Deus sobre a terra. A ora\u00e7\u00e3o pela paz,nas an\u00e1foras da Santa Missa,se articula num apelo pela paz e pela unidade da Igreja; pela pazpara a toda a fam\u00edlia de Deus nesta vida; pelo progresso da paze pela salva\u00e7\u00e3o do mundo. Durante o rito da comunh\u00e3o, a Igreja reza para que o Senhor d\u00ea \u00aba paz aos nossos dias \u00bbe recorda o dom de Cristo que consiste na Sua paz, invocando \u00aba paze a unidade \u00bbdo Seu reino. A Assembl\u00e9ia reza tamb\u00e9m para que o Cordeiro de Deus tire os pecados do mundo e \u00ablhe d\u00ea a paz\u00bb.Antes da comunh\u00e3o, todos na Assembl\u00e9ia se sa\u00fadam com um gesto de paz;a celebra\u00e7\u00e3oEucar\u00edstica se conclui com a despedida da Assembl\u00e9ia na pazdeCristo. Muitas s\u00e3o as ora\u00e7\u00f5es que, durante a Santa Missa,invocama paznomundo; nelas a paz \u00e9, \u00e0s vezes, associada \u00e0justi\u00e7a, como por exemplo no caso da ora\u00e7\u00e3o de abertura do OitavoDomingo doTempo Comum com a qual a Igreja pede a Deus que os eventos deste mundo se realizem sempre sob o signo da justi\u00e7a e da paz, segundo a Sua vontade.<\/div><div id=\"ftn1103\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1103\" name=\"_ftn1103\">[1103] <\/a>Paulo VI, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1968<\/i>: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 1100.<\/div><div id=\"ftn1104\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1104\" name=\"_ftn1104\">[1104] <\/a>Paulo VI, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 1976<\/i>: <i>AAS<\/i> 67 (1975) 671.<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-edec391 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"edec391\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-44f4cec elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"44f4cec\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 style=\"text-align: left;\" align=\"center\">TERCEIRA PARTE<\/h3><p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">\u00abPara a Igreja, a mensagem social do Evangelho n\u00e3o deve ser considerada uma teoria, mas sobretudo um fundamento e uma motiva\u00e7\u00e3o para a a\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p><p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">(<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0067\/_INDEX.HTM\">Centesimus annus<\/a>, 57)<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0fe1114 elementor-widget elementor-widget-sp_easy_accordion_pro_shortcode\" data-id=\"0fe1114\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"sp_easy_accordion_pro_shortcode.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<style>#sp-ea-146 .spcollapsing { height: 0; overflow: hidden; transition-property: height;transition-duration: 300ms;}#sp-ea-146.sp-easy-accordion>.sp-ea-single {margin-bottom: 10px; border: 1px solid #e2e2e2; }#sp-ea-146.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.ea-header a {color: #444;}#sp-ea-146.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.sp-collapse>.ea-body {background: #fff; color: #444;}#sp-ea-146.sp-easy-accordion>.sp-ea-single {background: #eee;}#sp-ea-146.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.ea-header a .ea-expand-icon { float: left; color: #444;font-size: 16px;}<\/style><div id=\"sp_easy_accordion-1736943321\"><div id=\"sp-ea-146\" class=\"sp-ea-one sp-easy-accordion\" data-ea-active=\"ea-click\" data-ea-mode=\"vertical\" data-preloader=\"\" data-scroll-active-item=\"\" data-offset-to-scroll=\"0\"><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1460\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1460\" aria-controls=\"collapse1460\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CAP\u00cdTULO XII - DOUTRINA SOCIAL E A\u00c7\u00c3O ECLESIAL<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1460\" data-parent=\"#sp-ea-146\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1460\"> <div class=\"ea-body\"><p align=\"center\"><b><span style=\"color: #663300\">I. A A\u00c7\u00c3O PASTORAL NO \u00c2MBITO SOCIAL<\/span><\/b><\/p><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"Doutrina social e incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9\"><\/a>Doutrina social e incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>521<\/b> <i>Consciente da for\u00e7a renovadora do cristianismo mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura e \u00e0 realidade social<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1105\" name=\"_ftnref1105\"> [1105] <\/a>,<i> a Igreja oferece o contributo do pr\u00f3prio ensinamento \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da comunidade dos homens, mostrando o significado social do Evangelho<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1106\" name=\"_ftnref1106\"> [1106] <\/a>. Em fins do s\u00e9culo XIX, o Magist\u00e9rio da Igreja enfrentou organicamente as graves quest\u00f5es sociais da \u00e9poca, estabelecendo \u00abum paradigma permanente para a Igreja. Esta, com efeito, tem a sua palavra a dizer perante determinadas situa\u00e7\u00f5es humanas, individuais e comunit\u00e1rias, nacionais e internacionais, para as quais formula uma verdadeira doutrina, um <i>corpus, <\/i>que lhe permite analisar as realidades sociais, pronunciar-se sobre elas e indicar diretrizes para a justa solu\u00e7\u00e3o dos problemas que da\u00ed derivam\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1107\" name=\"_ftnref1107\"> [1107] <\/a>. O pronunciamento de Le\u00e3o XIII sobre a realidade s\u00f3cio-pol\u00edtica de seu tempo com a Enc\u00edclica \u00ab<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum Novarum<\/a><\/i>\u00bb \u00abconferiu \u00e0 Igreja quase um \u00abestatuto de cidadania\u00bb no meio das vari\u00e1veis realidades da vida p\u00fablica, e isto confirmar-se-ia ainda mais em seguida\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1108\" name=\"_ftnref1108\"> [1108] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>522<\/b> <i>A Igreja, com a sua doutrina social, oferece sobretudo uma vis\u00e3o integral e uma plena compreens\u00e3o do homem, em sua dimens\u00e3o pessoal e social<\/i>. A antropologia crist\u00e3, desvelando a dignidade inviol\u00e1vel de toda pessoa, introduz as realidades do trabalho, da economia, da pol\u00edtica em uma perspectiva original, que ilumina os aut\u00eanticos valores humanos e inspira e sust\u00e9m o empenho do testemunho crist\u00e3o nos mult\u00edplices \u00e2mbitos da vida pessoal, cultural e social. Gra\u00e7as \u00e0s \u00abprim\u00edcias do Esp\u00edrito\u00bb (<i>Rm<\/i> 8, 23), o crist\u00e3o se torna \u00abcapaz de cumprir a lei nova do amor (cf. <i>Rm. <\/i>8,1-11). Por este Esp\u00edrito, \u201cpenhor da heran\u00e7a\u201d (<i>Ef <\/i>1, 14) se renova interiormente todo o homem, na perspectiva da \u201creden\u00e7\u00e3o do corpo\u201d (<i>Rm <\/i>8, 23)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1109\" name=\"_ftnref1109\"> [1109] <\/a>. Nesse sentido, a doutrina social p\u00f5e de manifesto como o fundamento da moralidade de todo o agir social consista no desenvolvimento humano da pessoa e individua a norma da a\u00e7\u00e3o social na correspond\u00eancia ao verdadeiro bem da humanidade e no empenho de criar condi\u00e7\u00f5es que permitam a todo homem atuar a sua voca\u00e7\u00e3o integral.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>523 <\/b><i>A antropologia crist\u00e3 anima e sust\u00e9m a obra pastoral de incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, dedicada a renovar a partir de dentro, com a for\u00e7a do Evangelho, os crit\u00e9rios de ju\u00edzo, os valores determinantes, as linhas de pensamento e os modelos de vida do homem contempor\u00e2neo<\/i>: \u00abcom a incultura\u00e7\u00e3o, torna-se um sinal mais transparente daquilo que realmente ela \u00e9, e um instrumento mais apto para a miss\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1110\" name=\"_ftnref1110\"> [1110] <\/a>. O mundo contempor\u00e2neo est\u00e1 marcado por uma fratura entre Evangelho e cultura; uma vis\u00e3o secularizada da salva\u00e7\u00e3o tende a reduzir tamb\u00e9m o cristianismo a \u00abuma sabedoria meramente humana, como se fosse a ci\u00eancia do bom viver\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1111\" name=\"_ftnref1111\"> [1111] <\/a>. A Igreja \u00e9 consciente de dever dar \u00abum <i>grande passo em frente <\/i>na sua evangeliza\u00e7\u00e3o, deve entrar <i>numa nova etapa hist\u00f3rica <\/i>do seu dinamismo mission\u00e1rio\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1112\" name=\"_ftnref1112\"> [1112] <\/a>. Nesta perspectiva pastoral se situa o ensinamento social: \u00abA \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, da qual o mundo moderno tem urgente necessidade ... deve incluir entre as suas componentes essenciais <i>o an\u00fancio da doutrina social da Igreja<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1113\" name=\"_ftnref1113\"> [1113] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"Doutrina social e pastoral social\"><\/a>Doutrina social e pastoral social<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>524<\/b> <i>A refer\u00eancia essencial \u00e0 doutrina social decide da natureza, do enfoque, da articula\u00e7\u00e3o e dos desenvolvimentos da pastoral social.<\/i> Esta \u00e9 express\u00e3o do minist\u00e9rio de evangeliza\u00e7\u00e3o social, propenso a iluminar, estimular e assistir a integral promo\u00e7\u00e3o do homem mediante a pr\u00e1xis da liberta\u00e7\u00e3o crist\u00e3, na sua perspectiva terrena e transcendente. A Igreja vive e atua na hist\u00f3ria, interagindo com a sociedade e a cultura do pr\u00f3prio tempo, para cumprir a sua miss\u00e3o de comunicar a todos os homens a novidade do an\u00fancio crist\u00e3o, na concretude das suas dificuldades, lutas e desafios, de sorte que a f\u00e9 os ilumine para compreend\u00ea-las na verdade de que \u00ababrir-se ao amor de Cristo \u00e9 a verdadeira liberta\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1114\" name=\"_ftnref1114\"> [1114] <\/a>. A pastoral social \u00e9 a express\u00e3o viva e concreta de uma Igreja plenamente consciente da pr\u00f3pria miss\u00e3o evangelizadora das realidades sociais, econ\u00f4micas, culturais e pol\u00edticas do mundo.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>525<\/b> <i>A mensagem social do Evangelho deve orientar a Igreja a desempenhar uma dupla tarefa pastoral: ajudar os homens a descobrir a verdade e a escolher a via seguir; encorajar o esfor\u00e7o dos crist\u00e3os em testemunhar, com solicitude de servi\u00e7o, o Evangelho no campo social<\/i>: \u00abHoje, mais do que nunca, a Palavra de Deus n\u00e3o poder\u00e1 ser anunciada e ouvida sen\u00e3o na medida em que ela for acompanhada do testemunho do poder do Esp\u00edrito Santo, que opera na a\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os ao servi\u00e7o dos seus irm\u00e3os, justamente nos pontos onde se joga a sua exist\u00eancia e o seu futuro\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1115\" name=\"_ftnref1115\"> [1115] <\/a>. A necessidade de uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o leva a Igreja a compreender \u00abque a sua mensagem social encontrar\u00e1 credibilidade primeiro no <i>testemunho das obras <\/i>e s\u00f3 depois na sua coer\u00eancia e l\u00f3gica interna\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1116\" name=\"_ftnref1116\"> [1116] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>526<\/b> <i>A doutrina social dita os crit\u00e9rios fundamentais da a\u00e7\u00e3o pastoral no campo social: anunciar o Evangelho; confrontar a mensagem evang\u00e9lica com a realidade social; projetar a\u00e7\u00f5es voltadas a renovar tais realidades, conformando-as com as exig\u00eancias da moral crist\u00e3<\/i>. Uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o do social requer antes de mais o an\u00fancio do Evangelho: Deus em Jesus Cristo salva homem todo e todos os homens. Tais an\u00fancios revelam o homem a si mesmo e deve transformar-se em princ\u00edpio de interpreta\u00e7\u00e3o das realidades sociais. No an\u00fancio do Evangelho, a dimens\u00e3o social \u00e9 essencial e inelud\u00edvel, embora n\u00e3o sendo a \u00fanica. Esta deve mostrar a inesgot\u00e1vel fecundidade da salva\u00e7\u00e3o crist\u00e3, mesmo que uma conformidade perfeita e definitiva das realidades sociais ao Evangelho n\u00e3o se possa atuar na hist\u00f3ria: nenhum resultado, mesmo o mais conseguido, pode fugir aos limites da liberdade humana e da tens\u00e3o escatol\u00f3gica de cada realidade criada<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1117\" name=\"_ftnref1117\"> [1117] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>527 <\/b><i>A a\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja no \u00e2mbito social deve testemunhar antes de tudo a verdade sobre o homem. <\/i>A antropologia crist\u00e3 permite um discernimento dos problemas sociais, para os quais n\u00e3o se pode encontrar boa solu\u00e7\u00e3o se n\u00e3o se tutela o car\u00e1ter transcendente da pessoa humana, plenamente revelada na f\u00e9<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1118\" name=\"_ftnref1118\"> [1118] <\/a>. <i>A a\u00e7\u00e3o social dos crist\u00e3os deve inspirar-se no princ\u00edpio fundamental da centralidade do homem<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1119\" name=\"_ftnref1119\"> [1119] <\/a>. Da exig\u00eancia de promover a identidade integral do homem nasce a proposta dos grandes valores que presidem uma conviv\u00eancia ordenada e fecunda: verdade, justi\u00e7a, amor e liberdade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1120\" name=\"_ftnref1120\"> [1120] <\/a>. A pastoral social esfor\u00e7a-se para que a renova\u00e7\u00e3o da vida p\u00fablica seja vinculada a um efetivo respeito dos sobreditos valores. De tal modo, a Igreja, mediante o seu multiforme testemunho evang\u00e9lico, visa promover a consci\u00eancia do bem de todos e de cada um como recurso inexaur\u00edvel para o progresso de toda a vida social.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b> <a name=\"Doutrina social e forma\u00e7\u00e3o\"><\/a>Doutrina social e forma\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>528<\/b> <i>A doutrina social \u00e9 um ponto de refer\u00eancia indispens\u00e1vel para uma forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 completa. <\/i>A insist\u00eancia do Magist\u00e9rio em propor tal doutrina como fonte inspiradora do apostolado e da a\u00e7\u00e3o social nasce da persuas\u00e3o de que ela constitui um extraordin\u00e1rio recurso formativo: \u00absobretudo para os fi\u00e9is leigos, de v\u00e1rias formas empenhados no campo social e pol\u00edtico, \u00e9 absolutamente indispens\u00e1vel uma consci\u00eancia mais exata da <i>doutrina social da Igreja<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1121\" name=\"_ftnref1121\"> [1121] <\/a>. Tal patrim\u00f4nio doutrinal n\u00e3o \u00e9 adequadamente ensinado e conhecido: tamb\u00e9m por esta raz\u00e3o n\u00e3o se traduz oportunamente nos comportamentos concretos.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>529<\/b> <i>O valor formativo da doutrina social se reconhece melhor na atividade catequ\u00e9tica<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1122\" name=\"_ftnref1122\"> [1122] <\/a>. A catequese \u00e9 o ensinamento org\u00e2nico e sistem\u00e1tico da doutrina crist\u00e3, dado com o fim de iniciar os fi\u00e9is na plenitude da vida evang\u00e9lica<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1123\" name=\"_ftnref1123\"> [1123] <\/a>. O objetivo \u00faltimo da catequese \u00ab\u00e9 colocar algu\u00e9m n\u00e3o apenas em contato, mas em comunh\u00e3o, em intimidade com Jesus Cristo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1124\" name=\"_ftnref1124\"> [1124] <\/a>, de modo que possa reconhecer a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, da qual prov\u00eam o dom da vida nova em Cristo<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1125\" name=\"_ftnref1125\"> [1125] <\/a>. Em tal perspectiva de fundo, no seu servi\u00e7o de educa\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9, a catequese <i>n\u00e3o deve omitir<\/i>, mas \u00abesclarecer, ao inv\u00e9s, como conv\u00e9m ... algumas realidades, tais como a a\u00e7\u00e3o do homem pela liberta\u00e7\u00e3o sua integral, a busca de uma sociedade mais solid\u00e1ria e fraterna, a luta pela justi\u00e7a e pela constru\u00e7\u00e3o da paz\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1126\" name=\"_ftnref1126\"> [1126] <\/a>. Para este fim \u00e9 necess\u00e1rio oferecer uma apresenta\u00e7\u00e3o integral do Magist\u00e9rio social, em sua hist\u00f3ria, nos seus conte\u00fados e em suas metodologias. Uma leitura direta das enc\u00edclicas sociais, efetuada no contexto eclesial, enriquece a sua recep\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as ao aporte das diversas compet\u00eancias e profissionalismos presentes na comunidade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>530<\/b> <i>Sobretudo no contexto da catequese, \u00e9 importante que o ensino da doutrina social seja orientado para motivar a a\u00e7\u00e3o para a evangeliza\u00e7\u00e3o e a humaniza\u00e7\u00e3o das realidades temporais.<\/i> Com tal doutrina, de fato, a Igreja exprime um saber te\u00f3rico-pr\u00e1tico que ap\u00f3ia o empenho de transforma\u00e7\u00e3o da vida social, para rend\u00ea-la sempre mais conforme ao des\u00edgnio divino. A catequese social visa a forma\u00e7\u00e3o de homens que, respeitosos da ordem moral, sejam amantes da genu\u00edna liberdade, homens que \u00abjulguem as coisas com crit\u00e9rio pr\u00f3prio e \u00e0 luz da verdade, que ordenem as suas atividades segundo o sentido da responsabilidade, fomentem tudo o que \u00e9 verdadeiro e justo, associando de boa vontade a sua a\u00e7\u00e3o \u00e0 dos outros\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1127\" name=\"_ftnref1127\"> [1127] <\/a>. <i>Adquire um extraordin\u00e1rio valor formativo o testemunho oferecido pelo cristianismo vivido<\/i>: \u00ab\u00c9 particularmente a <i>vida de santidade, <\/i>resplandecente em tantos membros do Povo de Deus, humildes e, com freq\u00fc\u00eancia, despercebidos aos olhos dos homens, que constitui o caminho mais simples e fascinante, onde \u00e9 permitido perceber imediatamente a beleza da verdade, a for\u00e7a libertadora do amor de Deus, o valor da fidelidade incondicional a todas as exig\u00eancias da lei do Senhor, mesmo nas circunst\u00e2ncias mais dif\u00edceis \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1128\" name=\"_ftnref1128\"> [1128] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>531<\/b> <i>A doutrina social deve ser colocada na base de uma espera e constante obra de forma\u00e7\u00e3o, sobretudo daquela dirigida aos crist\u00e3os leigos. Tal forma\u00e7\u00e3o deve ter conta o seu empenho na vida civil:<\/i> \u00abaos leigos, pelas suas livres iniciativas e sem esperar passivamente ordens e diretrizes, imbuir de esp\u00edrito crist\u00e3o a mentalidade e os costumes, as leis e as estruturas da sua comunidade de vida\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1129\" name=\"_ftnref1129\"> [1129] <\/a>. <i>O primeiro n\u00edvel <\/i>da obra formativa dirigida aos crist\u00e3os leigos deve render-lhes capazes de enfrentar eficazmente as tarefas cotidianas nos \u00e2mbitos culturais, sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos, desenvolvendo neles o sentido de dever praticado ao servi\u00e7o do bem comum<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1130\" name=\"_ftnref1130\"> [1130] <\/a>. <i>Um segundo n\u00edvel <\/i>diz respeito a forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia pol\u00edtica para preparar os crist\u00e3os leigos ao exerc\u00edcio do poder pol\u00edtico: \u00abAqueles que s\u00e3o ou podem tornar-se capazes de exercer a arte muito dif\u00edcil, mas ao mesmo tempo muito nobre, da pol\u00edtica, devem preparar-se para ela; que eles se entreguem a ela com zelo, sem se preocuparem com o seu interesse pessoal nem com as suas vantagens materiais\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1131\" name=\"_ftnref1131\"> [1131] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>532<\/b> <i>As institui\u00e7\u00f5es educativas cat\u00f3licas podem e devem desempenhar um precioso servi\u00e7o formativo, esfor\u00e7ando-se com especial solicitude pela incultura\u00e7\u00e3o da mensagem crist\u00e3, ou seja, o encontro fecundo entre o Evangelho e os v\u00e1rios saberes. <\/i>A doutrina social \u00e9 um instrumento necess\u00e1rio para uma eficaz educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 ao amor, \u00e0 justi\u00e7a, \u00e0 paz, assim como para amadurecer a consci\u00eancia dos deveres morais e sociais no \u00e2mbito das diversas compet\u00eancias culturais e profissionais.<\/p><p><i>Um importante momento de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 representado pelas \u00abSemanas Sociais\u00bb dos cat\u00f3licos que o Magist\u00e9rio sempre encorajou. <\/i>Elas constituem um lugar qualificado de express\u00e3o e de crescimento dos fi\u00e9is leigos, capazes de promover, em um n\u00edvel alto, o seu espec\u00edfico contributo \u00e1 renova\u00e7\u00e3o da ordem temporal. A iniciativa, experimentada em v\u00e1rios pa\u00edses, \u00e9 um verdadeiro <i>laborat\u00f3rio cultural<\/i> no qual se comunicam e se confrontam reflex\u00f5es e experi\u00eancias, se estudam os problemas emergentes e se individuam novas orienta\u00e7\u00f5es operativas.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>533<\/b> <i>N\u00e3o menos relevante deve ser o esfor\u00e7o por utilizar a doutrina social na forma\u00e7\u00e3o dos presb\u00edteros e dos candidatos ao sacerd\u00f3cio os quais, no horizonte da prepara\u00e7\u00e3o ministerial, devem desenvolver um conhecimento qualificado do ensino e da a\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja no \u00e2mbito social e um vivo interesse pelas quest\u00f5es sociais do pr\u00f3prio tempo.<\/i> O documento da Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>\u00abOrienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da doutrina social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal\u00bb<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1132\" name=\"_ftnref1132\"> [1132] <\/a>, oferece indica\u00e7\u00f5es e disposi\u00e7\u00f5es precisas para uma correta e adequada programa\u00e7\u00e3o dos estudos.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d) <b><a name=\"Promover o di\u00e1logo\"><\/a>Promover o di\u00e1logo<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>534<\/b> <i>A doutrina social \u00e9 um instrumento eficaz de di\u00e1logo entre as comunidades crist\u00e3s e a comunidade civil e pol\u00edtica, <\/i>um instrumento apto para promover e para inspirar atitudes de correta e fecunda colabora\u00e7\u00e3o, segundo modalidades adequadas \u00e0s circunst\u00e2ncias. O esfor\u00e7o das autoridades civis e pol\u00edticas, chamadas a servir a voca\u00e7\u00e3o pessoal e social do homem, de acordo com a pr\u00f3pria compet\u00eancia e com os pr\u00f3prios meios, pode encontrar na doutrina social da Igreja um importante apoio e uma rica fonte de inspira\u00e7\u00e3o.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>535<\/b> <i>A doutrina social \u00e9 um terreno fecundo para o cultivo do di\u00e1logo e da colabora\u00e7\u00e3o no campo ecum\u00eanico, <\/i>que se realizam em diversos \u00e2mbitos, atualmente em vasta escala: na defesa da dignidade da pessoa humana; na promo\u00e7\u00e3o da paz; na luta concreta e eficaz contra as mis\u00e9rias do nosso tempo, tais como a fome e a indig\u00eancia, o analfabetismo, a distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o eq\u00fcitativa dos bens e a car\u00eancia de moradas. Tal multiforme coopera\u00e7\u00e3o acresce a consci\u00eancia da fraternidade em Cristo e facilita o caminho ecum\u00eanico.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>536 <\/b><i>Na comum tradi\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento, a Igreja Cat\u00f3lica sabe poder dialogar com os irm\u00e3os hebreus, tamb\u00e9m mediante a sua doutrina social, para construir juntos um futuro de justi\u00e7a e de paz para todos os homens, filhos do \u00fanico Deus<\/i>. O patrim\u00f4nio espiritual comum favorece o conhecimento m\u00fatuo e a rec\u00edproca estima<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1133\" name=\"_ftnref1133\"> [1133] <\/a>, com base nos quais pode crescer o acordo em vista da supera\u00e7\u00e3o de toda a discrimina\u00e7\u00e3o e da defesa da dignidade humana.<\/p><p><b>537<\/b><i> A doutrina social se caracteriza tamb\u00e9m por um constante apelo ao di\u00e1logo entre todos os crentes das religi\u00f5es do mundo, para que saibam compartilhar a busca de formas mais oportunas de colabora\u00e7\u00e3o<\/i>: as religi\u00f5es t\u00eam um papel importante para a consecu\u00e7\u00e3o da paz, que depende do empenho comum em vista do desenvolvimento integral do homem<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1134\" name=\"_ftnref1134\"> [1134] <\/a>. No esp\u00edrito dos<i> Encontros de ora\u00e7\u00e3o realizados em Assis<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1135\" name=\"_ftnref1135\"> [1135] <\/a>, a Igreja continua a convidar os crentes de outras religi\u00f5es ao di\u00e1logo e a favorecer, em todo o lugar, um testemunho eficaz dos valores comuns a toda a fam\u00edlia humana.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">e) <b><a name=\"Os sujeitos da pastoral social\"><\/a>Os sujeitos da pastoral social<\/b><\/span><\/p><p><b>538<\/b> <i>A Igreja, ao cumprir a sua miss\u00e3o, empenha todo o povo de Deus<\/i>. Nas suas v\u00e1rias articula\u00e7\u00f5es e em cada um dos seus membros, de acordo com os dons e as formas de exerc\u00edcio pr\u00f3prias de cada voca\u00e7\u00e3o, o povo de Deus deve corresponder ao <i>dever <\/i>de anunciar e testemunhar o Evangelho (cf. 1 <i>Cor <\/i>9, 16), ciente de que \u00ab<i>a miss\u00e3o compete a todos os crist\u00e3os<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1136\" name=\"_ftnref1136\"> [1136] <\/a>.<\/p><p><i>Tamb\u00e9m a obra pastoral em \u00e2mbito social \u00e9 destinadaa todos os crist\u00e3os, chamados a transformar-se em sujeitos ativos no testemunho da doutrina social <\/i>e a inserir-se plenamente na consolidada tradi\u00e7\u00e3o de \u00ab atividade fecunda de milh\u00f5es e milh\u00f5es de homens que, estimulados pelo ensinamento do Magist\u00e9rio social, procuraram inspirar-se nele para o pr\u00f3prio compromisso no mundo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1137\" name=\"_ftnref1137\"> [1137] <\/a>. Os crist\u00e3os de hoje, agindo individualmente, ou variamente coordenados em grupos, associa\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es, devem saber propor-se como \u00abum <i>grande movimento empenhado na defesa da pessoa humana <\/i>e na tutela da sua dignidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1138\" name=\"_ftnref1138\"> [1138] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>539<\/b> <i>Na Igreja particular, o primeiro respons\u00e1vel pelo empenho pastoral de evangeliza\u00e7\u00e3o do social \u00e9 o Bispo,<\/i> coadjuvado pelos sacerdotes, pelos religiosos e pelas religiosas, pelos fi\u00e9is leigos. O Bispo tem a responsabilidade de promover, com particular refer\u00eancia \u00e0 realidade local, o ensinamento e a difus\u00e3o da doutrina social, de que se ocupa mediante institui\u00e7\u00f5es apropriadas.<\/p><p><i>A a\u00e7\u00e3o pastoral do Bispo deve encontrar atua\u00e7\u00e3o no minist\u00e9rio dos presb\u00edteros que participam da sua miss\u00e3o de ensinamento, santifica\u00e7\u00e3o e guia da comunidade crist\u00e3<\/i>. Com a programa\u00e7\u00e3o de itiner\u00e1rios formativos oportunos, o presb\u00edtero deve dar a conhecer a doutrina social e promover nos membros da sua comunidade a consci\u00eancia do direito e dever de ser sujeitos ativos de tais doutrinas. Atrav\u00e9s das celebra\u00e7\u00f5es sacramentais, em particular da Eucaristia e da Reconcilia\u00e7\u00e3o, o sacerdote ajuda a viver e empenho social como fruto do Mist\u00e9rio salv\u00edfico. Ele deve animar a a\u00e7\u00e3o pastoral no \u00e2mbito social, curando com particular solicitude a forma\u00e7\u00e3o e o acompanhamento espiritual dos fi\u00e9is empenhados na vida social e pol\u00edtica. O Presb\u00edtero que desempenha o servi\u00e7o pastoral nas pastorais das v\u00e1rias agrega\u00e7\u00f5es eclesiais, especialmente nas de apostolado social, tem o dever de favorecer o crescimento com o necess\u00e1rio ensino da doutrina social.<\/p><p><b>540<\/b> <i>A a\u00e7\u00e3o pastoral no \u00e2mbito social se vale tamb\u00e9m das obras das pessoas consagradas, de acordo com o seu carisma; os seus testemunhos luminosos, particularmente nas situa\u00e7\u00f5es de maior pobreza, constituem para todos uma chamada aos valores da santidade e do servi\u00e7o generoso ao pr\u00f3ximo<\/i>. O dom total de si dos religiosos oferece-se \u00e0 reflex\u00e3o comum tamb\u00e9m como um sinal emblem\u00e1tico e prof\u00e9tico da doutrina social: colocando-se totalmente ao servi\u00e7o do mist\u00e9rio da caridade de Cristo para com o homem e o mundo, os religiosos antecipam e mostram na sua vida alguns tra\u00e7os da humanidade nova que a doutrina social quer propiciar. As pessoas consagradas na castidade, na pobreza e na obedi\u00eancia colocam-se ao servi\u00e7o da caridade pastoral sobretudo com a ora\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 qual contemplam o projeto de Deus sobre o mundo, elevam suplicas ao Senhor para que abra o cora\u00e7\u00e3o de cada homem para acolher em si o dom da humanidade nova, pre\u00e7o do sacrif\u00edcio de Cristo.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>II. DOUTRINA SOCIAL<br \/>E COMPROMISSO DOS CRIST\u00c3OS LEIGOS<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">a)<b> <a name=\"O crist\u00e3o leigo\"><\/a>O crist\u00e3o leigo<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>541<\/b> <i>A conota\u00e7\u00e3o essencial dos crist\u00e3os leigos, fi\u00e9is oper\u00e1rios da vinha do Senhor <\/i>(cf. <i>Mt<\/i> 20,1-16), <i>\u00e9 a \u00edndole secular de sua seq\u00fcela de Cristo, que se realiza propriamente no mundo: <\/i>\u00abaos leigos compete, por voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, buscar o Reino de Deus ocupando-se das coisas temporais e ordenando-as segundo Deus \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1139\" name=\"_ftnref1139\"> [1139] <\/a>. Com o Batismo os leigos s\u00e3o inseridos em Cristo, tornam-se part\u00edcipes de Sua vida e da Sua miss\u00e3o segundo a sua peculiar identidade: \u00abPor leigos entende-se aqui todos os fi\u00e9is, com exce\u00e7\u00e3o daqueles que receberam uma ordem sacra ou abra\u00e7aram o estado religioso aprovado pela Igreja, isto \u00e9, os fi\u00e9is que \u2014 por haverem sido incorporados em Cristo pelo Batismo e constitu\u00eddos em Povo de Deus, e por participarem a seu modo do m\u00fanus sacerdotal, prof\u00e9tico e real de Cristo \u2014 realizam na Igreja e no mundo, na parte que lhes compete, a miss\u00e3o de todo o povo crist\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1140\" name=\"_ftnref1140\"> [1140] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>542<\/b> <i>A identidade do crist\u00e3o leigo nasce e se alimenta dos sacramentos: <\/i>do Batismo, da Crisma e da Eucaristia. O Batismo conforma a Cristo, Filho do Pai, primog\u00eanito de toda a criatura, enviado como Mestre e Redentor a todos os homens. A Crisma ou Confirma\u00e7\u00e3o configura a Cristo, enviado para vivificar a cria\u00e7\u00e3o e cada ser com a efus\u00e3o do Seu Esp\u00edrito. A Eucaristia torna o fiel part\u00edcipe do \u00fanico e perfeito sacrif\u00edcio que Cristo ofereceu ao Pai, na pr\u00f3pria carne, para a salva\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p><p><i>O fiel leigo \u00e9 disc\u00edpulo de Cristo a partir dos sacramentos e em for\u00e7a destes, em virtude de tudo quando Deus operou nele imprimindo-lhe a pr\u00f3pria imagem do Seu Filho, Jesus Cristo. <\/i>Deste dom divino de gra\u00e7a, e n\u00e3o de concess\u00f5es humanas, nasce o tr\u00edplice \u00ab<i>munus<\/i>\u00bb (<i>dom e dever<\/i>)<i>, <\/i>que qualifica o leigo como <i>profeta, sacerdote e rei, <\/i>segundo a sua \u00edndole secular.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>543<\/b> <i>\u00c9 tarefa pr\u00f3pria do fiel leigo anunciar o Evangelho com um exemplar testemunho de vida, radicada em Cristo e vivida nas realidades temporais: <\/i>fam\u00edlia; compromisso profissional no \u00e2mbito do trabalho, da cultura, da ci\u00eancia e da pesquisa; exerc\u00edcio das responsabilidades sociais, econ\u00f4micas, pol\u00edticas. Todas as realidades humanas seculares, pessoais e sociais, ambientes e situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, estruturas e institui\u00e7\u00f5es, s\u00e3o o lugar pr\u00f3prio do viver e do agir dos crist\u00e3os leigos. Estas realidades s\u00e3o destinat\u00e1rias do amor de Deus; o empenhamento dos fi\u00e9is leigos deve corresponder a esta vis\u00e3o e qualificar-se como express\u00e3o da caridade evang\u00e9lica: \u00ab o estar e o agir no mundo s\u00e3o para os fi\u00e9is leigos uma realidade, n\u00e3o s\u00f3 antropol\u00f3gica e sociol\u00f3gica, mas tamb\u00e9m e especificamente teol\u00f3gica e eclesial \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1141\" name=\"_ftnref1141\"> [1141] <\/a>.<i><\/i><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>544 <\/b><i>O testemunho do fiel leigo nasce de um dom de gra\u00e7a, reconhecido, cultivado e amadurecido<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1142\" name=\"_ftnref1142\"> [1142] <\/a>. \u00c9 esta a motiva\u00e7\u00e3o que torna significativa o seu compromisso no mundo e o coloca no ant\u00edpoda da m\u00edstica da a\u00e7\u00e3o, pr\u00f3pria do humanismo ateu, destitu\u00edda de fundamento \u00faltimo e circunscrita em perspectivas puramente temporais. O horizonte escatol\u00f3gico \u00e9 a chave que permite compreender corretamente as realidades humanas: na perspectiva dos bens definitivos, o fiel leigo \u00e9 capaz de fundar com autenticidade a pr\u00f3pria atividade terrena. O n\u00edvel de vida e a maior produtividade econ\u00f4mica n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos indicadores v\u00e1lidos para medir a plena realiza\u00e7\u00e3o do homem nesta vida e valem ainda menos se referidos \u00e0 vida futura: \u00abO homem n\u00e3o est\u00e1 confinado somente \u00e0 ordem temporal, mas, vivendo na hist\u00f3ria humana, guarda integralmente a sua voca\u00e7\u00e3o eterna\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1143\" name=\"_ftnref1143\"> [1143] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b)<b> <a name=\"A espiritualidade do crist\u00e3o leigo\"><\/a>A espiritualidade do crist\u00e3o leigo<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>545<\/b> <i>Os fi\u00e9is leigos s\u00e3o chamados a cultivar uma aut\u00eantica espiritualidade laical, que lhes regenerem como homens e mulheres novos, imersos no mist\u00e9rio de Deus e inseridos na sociedade, santos e santificadores. <\/i>Uma semelhante espiritualidade edifica o mundo segundo o Esp\u00edrito de Jesus: torna capaz de olhar para al\u00e9m da hist\u00f3ria, sem dela se afastar; de cultivar um amor apaixonado por Deus, sem tirar o olhar dos irm\u00e3os, que se conseguem ver como os v\u00ea o Senhor e amar como Ele os ama. \u00c9 uma espiritualidade que foge tanto do <i>espiritualismo intimista <\/i>como <i>do ativismo social <\/i>e sabe exprimir-se em uma s\u00edntese vital que confere unidade, significado e esperan\u00e7a \u00e0 exist\u00eancia, por tantas e v\u00e1rias raz\u00f5es, contradit\u00f3ria e fragmentada. Animados por semelhante espiritualidade, os fi\u00e9is leigos podem contribuir, \u00abdo interior, \u00e0 maneira de fermento, para a santifica\u00e7\u00e3o do mundo, atrav\u00e9s do cumprimento do pr\u00f3prio dever, guiados pelo esp\u00edrito evang\u00e9lico, e a manifestarem Cristo aos outros antes de mais com o testemunho da vida\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1144\" name=\"_ftnref1144\"> [1144] <\/a>.<\/p><p><b>546<\/b> <i>Os crist\u00e3os leigos devem fortificar a sua vida espiritual e moral, amadurecendo as compet\u00eancias exigidas para o cumprimento dos pr\u00f3prios deveres sociais.<\/i> O aprofundamento das motiva\u00e7\u00f5es interiores e a aquisi\u00e7\u00e3o do estilo apropriado ao empenho em campo social e pol\u00edtico s\u00e3o fruto de um percurso din\u00e2mico e permanente de forma\u00e7\u00e3o, orientado antes de tudo a alcan\u00e7ar uma harmonia entre a vida, na sua complexidade, e a f\u00e9. Na experi\u00eancia do crente, de fato, \u00abn\u00e3o pode haver ... duas vidas paralelas: por um lado, a vida chamada \u201cespiritual\u201d, com os seus valores e exig\u00eancias; e, por outro, a chamada vida \u201csecular\u201d, ou seja, a vida da fam\u00edlia, do trabalho, das rela\u00e7\u00f5es sociais, do empenhamento pol\u00edtico e da cultura\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1145\" name=\"_ftnref1145\"> [1145] <\/a>.<\/p><p><i>A s\u00edntese entre f\u00e9 e vida exige um caminho ritmado com sabedoria pelos elementos qualificadores do itiner\u00e1rio crist\u00e3o:<\/i>a refer\u00eancia \u00e0 Palavra de Deus; a celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica do Mist\u00e9rio crist\u00e3o; a ora\u00e7\u00e3o pessoal; a experi\u00eancia eclesial aut\u00eantica, enriquecida pelo particular servi\u00e7o formativo de s\u00e1bios guias espirituais; o exerc\u00edcio das virtudes sociais e o perseverante esfor\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o cultural e profissional.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c)<b><i> <\/i><a name=\"Agir com prud\u00eancia\"><\/a>Agir com prud\u00eancia<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>547<\/b> <i>O fiel leigo deve agir segundo as exig\u00eancias ditadas pela prud\u00eancia: \u00e9 esta a virtude que disp\u00f5em a discernir em cada circunst\u00e2ncia o verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para cumpri-lo. Gra\u00e7as a esta se aplicam corretamente os princ\u00edpios morais aos casos particulares<\/i>. A prud\u00eancia se articula em tr\u00eas momentos: clarifica a situa\u00e7\u00e3o e a avalia\u00e7\u00e3o, inspira a decis\u00e3o e d\u00e1 impulso \u00e0 a\u00e7\u00e3o. O primeiro momento \u00e9 qualificado <i>pela reflex\u00e3o e pela consulta <\/i>para estudar o argumento requerendo o necess\u00e1rio parecer; o segundo \u00e9 <i>o momento de avalia\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise e do ju\u00edzo <\/i>sobre a realidade \u00e0 luz do projeto de Deus; o terceiro momento, aquele <i>da decis\u00e3o, <\/i>se baseia sobre os falsos precedentes e que tornam poss\u00edveis o discernimento das a\u00e7\u00f5es a serem realizadas.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>548<\/b> <i>A prud\u00eancia torna capaz de tomar decis\u00f5es coerentes, com realismo e senso de responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s conseq\u00fc\u00eancias das pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es. <\/i>A vis\u00e3o assaz difusa que identifica a prud\u00eancia com a ast\u00facia, o c\u00e1lculo utilitarista, a desconfian\u00e7a, ou ainda com a covardia e indecis\u00e3o, est\u00e1 muito longe da reta concep\u00e7\u00e3o desta virtude, pr\u00f3pria da raz\u00e3o pr\u00e1tica, que ajuda a decidir com <i>sensatez e coragem <\/i>as atitudes a serem tomadas, tornando-se <i>medida <\/i>das outras virtudes. A prud\u00eancia afirma o bem como dever e mostra o modo como a pessoa se determina a cumpri-la<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1146\" name=\"_ftnref1146\"> [1146] <\/a>. A prud\u00eancia \u00e9, ao fim e ao cabo, uma virtude que exige o exerc\u00edcio maduro do pensamento e da responsabilidade, no conhecimento objetivo da situa\u00e7\u00e3o e na reta vontade que guia as decis\u00f5es<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1147\" name=\"_ftnref1147\"> [1147] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d)<b> <a name=\"Doutrina social e experi\u00eancia associativa\"><\/a>Doutrina social e experi\u00eancia associativa<\/b><\/span><\/p><p><b>549 <\/b><i>A doutrina social da Igreja deve entrar, como parte integrante, no caminho formativo do fiel leigo. A experi\u00eancia demonstra que o trabalho de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, normalmente, no interior das agrega\u00e7\u00f5es laicais eclesiais, que respondem a precisos crit\u00e9rios de eclesialidade<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1148\" name=\"_ftnref1148\"> [1148] <\/a>: \u00abTamb\u00e9m <i>os grupos, as associa\u00e7\u00f5es e os movimentos <\/i>t\u00eam o seu lugar na forma\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is leigos: t\u00eam, com efeito, a possibilidade, cada qual pelos pr\u00f3prios m\u00e9todos, de oferecer uma forma\u00e7\u00e3o profundamente inserida na pr\u00f3pria experi\u00eancia de vida apost\u00f3lica, bem como a oportunidade de integrar, concretizar e especificar a forma\u00e7\u00e3o que os seus adeptos recebem de outras pessoas e comunidades\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1149\" name=\"_ftnref1149\"> [1149] <\/a>. A doutrina social da Igreja ap\u00f3ia e ilumina o papel das associa\u00e7\u00f5es, dos movimentos e dos grupos laicos empenhados em vivificar de modo crist\u00e3o os v\u00e1rios setores da ordem temporal<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1150\" name=\"_ftnref1150\"> [1150] <\/a>: \u00abA comunh\u00e3o eclesial, j\u00e1 presente e operante na a\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, encontra uma express\u00e3o espec\u00edfica no operar associado dos fi\u00e9is leigos, isto \u00e9, na a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria que eles desenvolvem ao participar responsavelmente na vida e na miss\u00e3o da Igreja\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1151\" name=\"_ftnref1151\"> [1151] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>550<\/b> <i>A doutrina social da Igreja \u00e9 important\u00edssima para as agrega\u00e7\u00f5es eclesiais que t\u00eam como objetivo de seu esfor\u00e7o a a\u00e7\u00e3o pastoral no \u00e2mbito social. <\/i>Estas constituem um ponto de refer\u00eancia privilegiado enquanto atuam na vida social em conformidade \u00e0 sua fisionomia eclesial e demonstram deste modo, quanto seja relevante o valor da ora\u00e7\u00e3o, da reflex\u00e3o e do di\u00e1logo para enfrentar as realidades sociais e para melhor\u00e1-las. Vale, em cada caso, a distin\u00e7\u00e3o \u00abentre aquilo que os crist\u00e3os, individualmente ou em grupo, fazem em seu nome, como cidad\u00e3os levados pela consci\u00eancia crist\u00e3, e aquilo que, em uni\u00e3o com os seus pastores, fazem em nome da Igreja\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1152\" name=\"_ftnref1152\"> [1152] <\/a>.<\/p><p><i>Tamb\u00e9m as associa\u00e7\u00f5es de categoria, que unem os associados em nome da voca\u00e7\u00e3o e da miss\u00e3o crist\u00e3 no interior de um determinado ambiente profissional ou cultural, podem desempenhar um precioso trabalho de amadurecimento crist\u00e3o. <\/i>Assim \u2014 por exemplo \u2014 uma associa\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica de m\u00e9dicos forma os seus associados atrav\u00e9s do exerc\u00edcio de discernimento diante a tantos problemas que a ci\u00eancia m\u00e9dica, a biologia e outras ci\u00eancias apresentam \u00e0 compet\u00eancia profissional do m\u00e9dico, mas tamb\u00e9m \u00e0 sua consci\u00eancia e \u00e0 sua f\u00e9. A mesma coisa se pode dizer de associa\u00e7\u00f5es de docentes cat\u00f3licos, de juristas, de empres\u00e1rios, de trabalhadores, mas tamb\u00e9m de desportistas, de ecologistas... \u00c9 em tal contexto que a doutrina social revela sua efic\u00e1cia formativa diante da consci\u00eancia de cada pessoa e da cultura de um Pa\u00eds.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">e)<b> <a name=\"O servi\u00e7o nos diversos \u00e2mbitos da vida social\"><\/a>O servi\u00e7o nos diversos \u00e2mbitos da vida social<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>551<\/b> <i>A presen\u00e7a do fiel leigo no campo social \u00e9 caracterizada pelo servi\u00e7o, sinal e express\u00e3o da caridade que se manifesta na vida familiar, cultural, profissional, econ\u00f4mica, pol\u00edtica, segundo perfis espec\u00edficos:<\/i> obtemperando \u00e0s diversas exig\u00eancias de seu particular \u00e2mbito de atua\u00e7\u00e3o, os fi\u00e9is leigos exprimem a verdade de sua f\u00e9 e, ao mesmo tempo, a verdade da doutrina social da Igreja, que encontra a sua plena realiza\u00e7\u00e3o quando \u00e9 vivida em termos concretos para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas sociais. A mesma credibilidade da doutrina social reside de fato no testemunho das obras, antes mesmo que na sua coer\u00eancia e l\u00f3gica interna<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1153\" name=\"_ftnref1153\"> [1153] <\/a>.<\/p><p><i>Tendo entrado no terceiro mil\u00eanio da era crist\u00e3, os fi\u00e9is leigos se abrem com o seu testemunho a todos os homens com os quais se encarregar\u00e3o dos apelos mais urgentes do nosso tempo<\/i>: \u00abAs propostas que este santo S\u00ednodo acaba de formular, tiradas dos tesouros da doutrina da Igreja, t\u00eam por fim ajudar todos os homens do nosso tempo, quer acreditem em Deus, quer O n\u00e3o reconhe\u00e7am explicitamente, a perceber com maior clareza a plenitude da sua voca\u00e7\u00e3o, a tornar o mundo cada vez mais conforme \u00e0 eminente dignidade do homem, a procurar chegar a uma fraternidade universal apoiada em alicerces profundos e, movidos pelo amor, a responder generosamente e em esfor\u00e7o comum \u00e0s mais urgentes necessidades do nosso tempo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1154\" name=\"_ftnref1154\"> [1154] <\/a>.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">1. <b><a name=\"O servi\u00e7o \u00e0 pessoa humana\"><\/a>O servi\u00e7o \u00e0 pessoa humana<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>552 <\/b><i>Entre os \u00e2mbitos do empenho social dos fi\u00e9is leigos, vem \u00e0 tona antes de tudo o servi\u00e7o \u00e0 pessoa humana<\/i>: a promo\u00e7\u00e3o da dignidade de toda pessoa, o bem mais precioso que o homem possui, \u00e9 a tarefa essencial, antes, em certo sentido \u00e9 \u00aba tarefa central e unificadorado servi\u00e7o que a Igreja, e nela os fi\u00e9is leigos, s\u00e3o chamados a prestar \u00e0 fam\u00edlia dos homens\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1155\" name=\"_ftnref1155\"> [1155] <\/a>.<\/p><p><i>A primeira forma em que se cumpre tal tarefa consiste no empenho e no esfor\u00e7o pela pr\u00f3pria renova\u00e7\u00e3o interior<\/i>, porque a hist\u00f3ria da humanidade n\u00e3o \u00e9 movida por um determinismo impessoal, mas por uma constela\u00e7\u00e3o de sujeitos de cujos atos livres depende a ordem social. As institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o garantem por si, como que mecanicamente, o bem de todos: \u00ab a interna renova\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito crist\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1156\" name=\"_ftnref1156\"> [1156] <\/a><i>deve preceder <\/i>o empenho de melhorar a sociedade \u00absegundo o esp\u00edrito da Igreja, fazendo reflorescer a justi\u00e7a e a caridade social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1157\" name=\"_ftnref1157\"> [1157] <\/a>.<\/p><p><i>Da convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o brota a solicitude para com o homem amado como irm\u00e3o. <\/i>Esta solicitude faz compreender como uma obriga\u00e7\u00e3o o empenho de sanar as institui\u00e7\u00f5es, as estruturas e as condi\u00e7\u00f5es de vida contr\u00e1rias \u00e0 dignidade humana. Os fi\u00e9is leigos devem por isso <i>esfor\u00e7ar-se contemporaneamente pela convers\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es e pelo melhoramento das estruturas<\/i>, levando em conta as situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e usando meios l\u00edcitos, a fim de obter institui\u00e7\u00f5es em que a dignidade de todos os homens seja verdadeiramente respeitada e prometida.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>553 A promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana implica, antes de tudo, a afirma\u00e7\u00e3o do direito inviol\u00e1vel \u00e0 vida, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte natural, primeiro entre todos e condi\u00e7\u00e3o para todos os outros direitos da pessoa<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1158\" name=\"_ftnref1158\"> [1158] <\/a>. O respeito da dignidade pessoal exige, ademais, o reconhecimento da dimens\u00e3o religiosa do homem, que n\u00e3o \u00e9 \u00abuma exig\u00eancia meramente \u201cconfessional\u201d, mas sim, de uma exig\u00eancia que mergulha a sua raiz inextirp\u00e1vel na pr\u00f3pria realidade do homem \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1159\" name=\"_ftnref1159\"> [1159] <\/a>. O reconhecimento efetivo do direito \u00e0 liberdade de consci\u00eancia e \u00e0 liberdade religiosa\u00e9 um dos bens mais altos e dos deveres mais graves de cada povo que queira verdadeiramente assegurar o bem da pessoa e da sociedade<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1160\" name=\"_ftnref1160\"> [1160] <\/a>. No atual contexto cultural, assume singular urg\u00eancia o empenho a defender o matrim\u00f4nio e a fam\u00edlia, que pode ser absolvido adequadamente s\u00f3 na convic\u00e7\u00e3o do valor \u00fanico e insubstitu\u00edvel destas realidades em vista do aut\u00eantico progresso da conviv\u00eancia humana<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1161\" name=\"_ftnref1161\"> [1161] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">2. <b><a name=\"O servi\u00e7o \u00e0 cultura\"><\/a>O servi\u00e7o \u00e0 cultura<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>554<\/b> <i>A cultura deve constituir um campo privilegiado de presen\u00e7a e empenho pela Igreja e pelos crist\u00e3os individuais. <\/i>O destaque entre a f\u00e9 crist\u00e3 e a vida cotidiana \u00e9 julgado pelo Conc\u00edlio Vaticano II como um dos erros mais graves do nosso tempo<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1162\" name=\"_ftnref1162\"> [1162] <\/a>. O extravio do horizonte metaf\u00edsico; a perda da nostalgia de Deus no narcisismo auto-referencial e na fartura de meios de um estilo de vida consumista; o primado conferido \u00e0 tecnologia e \u00e0 pesquisa cient\u00edfica fim em si mesma; a \u00eanfase ao aparente, da busca da imagem, das t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o: todos estes fen\u00f4menos devem ser compreendidos em seu aspecto cultural e colocados em rela\u00e7\u00e3o com o tema central da pessoa humana, do seu crescimento integral, da sua capacidade de comunica\u00e7\u00e3o e de rela\u00e7\u00e3o com os outros homens, do seu cont\u00ednuo interrogar-se sobre grandes quest\u00f5es que circundam a exist\u00eancia. Tenha-se presente que \u00aba cultura \u00e9 aquilo pelo que o homem se torna mais homem, \u201c\u00e9\u201d mais, aproxima-se mais do \u201cser\u201d\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1163\" name=\"_ftnref1163\"> [1163] <\/a>.<\/p><p><b>555 <\/b><i>Um campo particular de empenho dos fi\u00e9is leigos deve ser o cultivo de uma cultura social e pol\u00edtica inspirada no Evangelho<\/i>. A hist\u00f3ria recente tem mostrado a fragilidade e o radical falimento de perspectivas culturais que foram por longo tempo compartilhadas e hegem\u00f4nicas, sobretudo no plano social e pol\u00edtico. Neste \u00e2mbito, especialmente nos dec\u00eanios posteriores \u00e0 Segunda Guerra Mundial, os cat\u00f3licos, em v\u00e1rios pa\u00edses, souberam desenvolver um empenho alto, que testemunha, hoje com evid\u00eancia cada vez maior, a consist\u00eancia da sua inspira\u00e7\u00e3o e do se patrim\u00f4nio de valores. O empenho social e pol\u00edtico dos cat\u00f3licos, com efeito, nunca se limitou \u00e0 mera transforma\u00e7\u00e3o das estruturas, porque a sua base \u00e9 perpassada por uma cultura que acolhe e presta contas das inst\u00e2ncias que derivam da f\u00e9 e da moral, pondo-lhes como fundamento e objetivo de projetos concretos. Quando esta consci\u00eancia vem a faltar, os pr\u00f3prios cat\u00f3licos se condenam \u00e0 di\u00e1spora cultural e tornam insuficientes e redutivas as suas propostas. Apresentar em termos culturais atualizados o patrim\u00f4nio da Tradi\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, os seus valores, os seus conte\u00fados, toda o patrim\u00f4nio espiritual, intelectual e moral do catolicismo \u00e9 tamb\u00e9m hoje a urg\u00eancia priorit\u00e1ria. A f\u00e9 em Jesus Cristo, que se definiu a Si pr\u00f3prio \u00abo caminho, a verdade e a vida\u00bb (<i>Jo<\/i> 14, 6), leva os crist\u00e3os a comprometer-se com empenho sempre renovado na constru\u00e7\u00e3o de cultura social e pol\u00edtica inspirada no Evangelho<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1164\" name=\"_ftnref1164\"> [1164] <\/a>.<\/p><p><b>556<\/b> <i>A perfei\u00e7\u00e3o integral da pessoa e o bem de toda a sociedade s\u00e3o os fins essenciais e o bem de toda a sociedade s\u00e3o os fins essenciais da cultura<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1165\" name=\"_ftnref1165\"> [1165] <\/a>: <i>a dimens\u00e3o \u00e9tica da cultura \u00e9 portanto uma prioridade na a\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica dos fi\u00e9is leigos.<\/i> A desaten\u00e7\u00e3o a tal dimens\u00e3o transforma facilmente a cultura em um instrumento de empobrecimento da humanidade. Uma cultura pode tornar-se est\u00e9ril e encaminhar-se para a decad\u00eancia, quando \u00abse fecha em si pr\u00f3pria e procura perpetuar formas antiquadas de vida, recusando qualquer mudan\u00e7a e confronto com a verdade do homem\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1166\" name=\"_ftnref1166\"> [1166] <\/a>. A forma\u00e7\u00e3o de uma cultura capaz de enriquecer o homem exige, ao contr\u00e1rio, o envolvimento de toda a pessoa, que nela desenvolve a sua criatividade, a sua intelig\u00eancia, o seu conhecimento do mundo e dos homens, e investe, ademais, a sua capacidade autodom\u00ednio, de sacrif\u00edcio pessoal, de solidariedade e de disponibilidade a promover o bem comum<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1167\" name=\"_ftnref1167\"> [1167] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>557<\/b> <i>O empenho social e pol\u00edtico do fiel leigo em campo cultural assume atualmente algumas dire\u00e7\u00f5es precisas. A primeira \u00e9 a que procura garantir a cada um o direito de todos a uma cultura humana e civil<\/i> \u00abde harmonia com a dignidade da pessoa humana, sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, de sexo, de na\u00e7\u00e3o, de religi\u00e3o ou de condi\u00e7\u00e3o social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1168\" name=\"_ftnref1168\"> [1168] <\/a>. Tal direito implica o direito das fam\u00edlias e das pessoas a uma escola livre e aberta; a liberdade de acesso aos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, pela qual deve ser evitada toda forma de monop\u00f3lio e de controle ideol\u00f3gico; a liberdade de pesquisa, de express\u00e3o de pensamento, de debate e de confronto. Na raiz da pobreza de tantos povos, h\u00e1 v\u00e1rias formas de priva\u00e7\u00e3o cultural e de falta de reconhecimento de <i>direitos culturais<\/i>. O empenho pela educa\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o da pessoa constitui desde sempre a primeira solicitude da a\u00e7\u00e3o social dos crist\u00e3os.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>558<\/b> <i>O segundo desafio ao empenho do fiel leigo diz respeito ao conte\u00fado da cultura, ou seja, a verdade.<\/i> A quest\u00e3o da verdade \u00e9 essencial para a cultura, porque permanece em \u00abcada homem o dever de salvaguardar a estrutura de toda a pessoa humana, em que se destacam os valores da intelig\u00eancia, da vontade, da consci\u00eancia e da fraternidade\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1169\" name=\"_ftnref1169\"> [1169] <\/a>. Uma correta antropologia \u00e9 crit\u00e9rio de ilumina\u00e7\u00e3o e de verifica\u00e7\u00e3o para todas as formas culturais hist\u00f3ricas. O empenho do cristianismo no \u00e2mbito cultural se op\u00f5e a todas as vis\u00f5es redutivas e ideol\u00f3gicas do homem e da vida. O dinamismo de abertura \u00e0 verdade \u00e9 garantido antes de tudo pelo fato de que \u00abas culturas das diversas na\u00e7\u00f5es constituem fundamentalmente modos diferentes de enfrentar a quest\u00e3o sobre o sentido da exist\u00eancia pessoal\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1170\" name=\"_ftnref1170\"> [1170] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>559 <\/b><i>Os crist\u00e3os devem prodigar-se em dar plena valoriza\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o religiosa da cultura; tal tarefa \u00e9 muito importante e urgente para a qualidade da vida humana, em \u00e2mbito individual e social. <\/i>A interroga\u00e7\u00e3o que prov\u00e9m do mist\u00e9rio da vida e remete ao mist\u00e9rio maior, o de Deus, est\u00e1 no centro de toda cultura; quando eliminada, se corrompem a cultura e a vida moral das na\u00e7\u00f5es<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1171\" name=\"_ftnref1171\"> [1171] <\/a>. A aut\u00eantica dimens\u00e3o religiosa \u00e9 constitutiva do homem e consente-lhe abrir \u00e0s suas variadas atividades o horizonte em que estas encontram significado e dire\u00e7\u00e3o. A religiosidade ou espiritualidade do homem se manifesta nas formas da cultura, \u00e0s quais confere vitalidade e inspira\u00e7\u00e3o. Testemunham-no as in\u00fameras obras de arte de todos os tempos. Quando \u00e9 negada a dimens\u00e3o religiosa de uma pessoa ou de um povo, a pr\u00f3pria cultura \u00e9 mortificada: por vezes, se chega ao ponto de faz\u00ea-la desaparecer.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>560<\/b> <i>Na promo\u00e7\u00e3o de uma aut\u00eantica cultura os fi\u00e9is leigos reservar\u00e3o grande relevo aos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, considerando sobretudo os conte\u00fados das in\u00fameras escolhas realizadas pelas pessoas:<\/i> tais escolhas, mesmo variando de grupo para grupo e de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo, possuem todas um peso moral e sob este aspecto devem ser avaliadas. Para escolher corretamente, \u00e9 necess\u00e1rio conhecer as normas da ordem moral e aplic\u00e1-las fielmente<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1172\" name=\"_ftnref1172\"> [1172] <\/a>. A Igreja oferece uma longa tradi\u00e7\u00e3o de sabedoria, enraizada na Revela\u00e7\u00e3o divina e na reflex\u00e3o humana<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1173\" name=\"_ftnref1173\"> [1173] <\/a>, cuja orienta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica serve como importante corretivo tanto no que se refere \u00ab\u00e0 solu\u00e7\u00e3o \u201cat\u00e9ia\u201d, que priva o homem de uma das suas componentes fundamentais, a espiritual, quanto no que diz respeito \u00e0s solu\u00e7\u00f5es permissivas e consum\u00edsticas, que buscam, sob v\u00e1rios pretextos, convenc\u00ea-lo da sua independ\u00eancia de toda a lei e de Deus\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1174\" name=\"_ftnref1174\"> [1174] <\/a>. Mais do que julgar os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, esta tradi\u00e7\u00e3o se coloca ao seu servi\u00e7o: \u00aba cultura eclesial da sabedoria, pr\u00f3pria da Igreja, pode salvar a cultura medi\u00e1tica da informa\u00e7\u00e3o, a fim de que n\u00e3o se torne um amontoar-se de fatos sem significado\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1175\" name=\"_ftnref1175\"> [1175] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>561 <\/b><i>Os fi\u00e9is leigos olhar\u00e3o para os <\/i>media <i>como a poss\u00edveis e potentes instrumentos de solidariedade<\/i>: \u00abA solidariedade aparece como uma conseq\u00fc\u00eancia de uma comunica\u00e7\u00e3o verdadeira e justa, e de uma livre circula\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias que favore\u00e7am o conhecimento e o respeito aos outros\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1176\" name=\"_ftnref1176\"> [1176] <\/a>. Isto n\u00e3o ocorre quando os meios de comunica\u00e7\u00e3o social s\u00e3o usados para edificar e manter sistemas econ\u00f4micos ao servi\u00e7o da avidez e da cobi\u00e7a. Diante das graves injusti\u00e7as, a decis\u00e3o de ignorar totalmente alguns aspectos do sofrimento humano reflete uma sele\u00e7\u00e3o indefens\u00e1vel<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1177\" name=\"_ftnref1177\"> [1177] <\/a>. <i>As estruturas e as pol\u00edticas de comunica\u00e7\u00e3o e da distribui\u00e7\u00e3o da tecnologia s\u00e3o fatores que contribuem a fazer sim que algumas pessoas sejam \u201cricas de informa\u00e7\u00e3o\u201d e outras \u201cpobres\u201d de informa\u00e7\u00e3o, em uma \u00e9poca em que a prosperidade e por fim, a sobreviv\u00eancia dependem da informa\u00e7\u00e3o<\/i>. Desse modo, portanto, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social contribuem para as injusti\u00e7as e os desequil\u00edbrios que causam aquela mesma dor que depois reportam como informa\u00e7\u00e3o. A tecnologia da comunica\u00e7\u00e3o e da informa\u00e7\u00e3o, juntamente com a forma\u00e7\u00e3o no seu uso, devem mirar a eliminar estas injusti\u00e7as e estes desequil\u00edbrios.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>562 <\/b><i>Os profissionais dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos a ter deveres \u00e9ticos. Os que deles fruem tamb\u00e9m t\u00eam obriga\u00e7\u00f5es. Os operadores que tentam assumir responsabilidades merecem um p\u00fablico consciente das pr\u00f3prias. <\/i>O primeiro dever dos utentes das comunica\u00e7\u00f5es sociais consiste no discernimento e na sele\u00e7\u00e3o. Os pais, as fam\u00edlias e a Igreja t\u00eam responsabilidades precisas e irrenunci\u00e1veis. Para quantos atuam no campo das comunica\u00e7\u00f5es sociais ressoa forte e claro a admoesta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo: \u00abPor isso, renunciai \u00e0 mentira. Fale cada um a seu pr\u00f3ximo a verdade, pois somos membros uns dos outros... Nenhuma palavra m\u00e1 saia da vossa boca, mas s\u00f3 a que \u00fatil para a edifica\u00e7\u00e3o, sempre que for poss\u00edvel, e benfazeja aos que ouvem\u00bb (<i>Ef<\/i> 4, 25.29). O servi\u00e7o \u00e0 pessoa mediante a edifica\u00e7\u00e3o de uma comunidade humana baseada na solidariedade, na justi\u00e7a e no amor e a difus\u00e3o da verdade sobre a vida humana e sobre a sua realiza\u00e7\u00e3o final em Deus s\u00e3o as exig\u00eancias \u00e9ticas fundamentais dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1178\" name=\"_ftnref1178\"> [1178] <\/a>. \u00c0 luz da f\u00e9, a comunica\u00e7\u00e3o humana deve ser considerada como um percurso de Babel a Pentecostes, ou seja, o empenho, pessoal e social, de superar o colapso da comunica\u00e7\u00e3o (cf. <i>G\u00ean<\/i>11,4-8) abrindo-se ao dom de l\u00ednguas (cf. <i>At <\/i>2,5-11), \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o restabelecida pela for\u00e7a do Esp\u00edrito, enviado pelo Filho.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">3. <b><a name=\"O servi\u00e7o \u00e0 economia\"><\/a>O servi\u00e7o \u00e0 economia<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>563<\/b> <i>Diante da complexidade do contexto econ\u00f4mico contempor\u00e2neo, o fiel leigo se deixar\u00e1 guiar em sua a\u00e7\u00e3o pelos princ\u00edpios do Magist\u00e9rio social<\/i>. \u00c9 necess\u00e1rio que ditos princ\u00edpios sejam conhecidos e acolhidos na atividade econ\u00f4mica mesma: quando estes princ\u00edpios s\u00e3o ignorados, em primeiro lugar o da centralidade da pessoa humana, a pr\u00f3pria qualidade da atividade econ\u00f4mica fica comprometida<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1179\" name=\"_ftnref1179\"> [1179] <\/a>.<\/p><p>O empenho do crist\u00e3o traduzir-se-\u00e1 tamb\u00e9m no esfor\u00e7o de reflex\u00e3o cultural voltada sobretudo para um <i>discernimento concernente aos atuais modelos de desenvolvimento econ\u00f4mico-social<\/i>. A redu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o do desenvolvimento a um problema exclusivamente t\u00e9cnico produziria um esvaziamento de seu verdadeiro conte\u00fado que, na verdade, diz respeito \u00e0 \u00ab dignidade do homem e dos povos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1180\" name=\"_ftnref1180\"> [1180] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>564 <\/b><i>Os cultores da ci\u00eancia econ\u00f4mica, os operadores do setor e os respons\u00e1veis pol\u00edticos devem advertir a urg\u00eancia de se repensar a economia, <\/i>considerando, de uma parte, a dram\u00e1tica pobreza material de milh\u00f5es de pessoas e, por outra, o fato de que \u00ab as atuais estruturas econ\u00f4micas, sociais e culturais sentem dificuldade em assumir as exig\u00eancias dum aut\u00eantico progresso\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1181\" name=\"_ftnref1181\"> [1181] <\/a>. As leg\u00edtimas exig\u00eancias da efici\u00eancia econ\u00f4mica dever\u00e3o ser melhor harmonizadas com as da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da justi\u00e7a social. Em concreto, isto significa tecer de solidariedade as redes das interdepend\u00eancias econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais, que os processos de globaliza\u00e7\u00e3o em curso tendem a acrescentar<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1182\" name=\"_ftnref1182\"> [1182] <\/a>. Neste esfor\u00e7o de repensamento, que se perfila articulado e tende a incidir nas concep\u00e7\u00f5es da realidade econ\u00f4mica, manifestam-se preciosas as agrega\u00e7\u00f5es de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que atuam no campo econ\u00f4mico: associa\u00e7\u00f5es de trabalhadores, de empreendedores e de economistas.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">4. <b><a name=\"O servi\u00e7o \u00e0 pol\u00edtica\"><\/a>O servi\u00e7o \u00e0 pol\u00edtica<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>565<\/b> <i>Para os fi\u00e9is leigos, o compromisso pol\u00edtico \u00e9 uma express\u00e3o qualificada e exigente do compromisso crist\u00e3o ao servi\u00e7o dos outros<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1183\" name=\"_ftnref1183\"> [1183] <\/a>. A persecu\u00e7\u00e3o do bem comum em um esp\u00edrito de servi\u00e7o; o desenvolvimento da justi\u00e7a com uma aten\u00e7\u00e3o particular para com as situa\u00e7\u00f5es de pobreza e sofrimento; o respeito pela autonomia das realidades terrenas; o princ\u00edpio de subsidiariedade; a promo\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo e da paz no horizonte da solidariedade; s\u00e3o estas as orienta\u00e7\u00f5es que os crist\u00e3os leigos devem inspirar a sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Todos os crentes, enquanto titulares de direitos e deveres de cidad\u00e3os, est\u00e3o obrigados a respeitar tais orienta\u00e7\u00f5es; aqueles que t\u00eam encargos diretos e institucionais na gest\u00e3o das complexas problem\u00e1ticas da coisa p\u00fablica, seja nas administra\u00e7\u00f5es locais, seja nas institui\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, dever\u00e3o t\u00ea-los especialmente em conta.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>566 <\/b><i>Os encargos de responsabilidade nas institui\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas exigem um empenho severo e articulado, que saiba p\u00f4r de manifesto, com os contributos de reflex\u00e3o ao debate pol\u00edtico, com o planejamento e com as op\u00e7\u00f5es operativas, a absoluta necessidade de uma qualifica\u00e7\u00e3o moral da vida social e pol\u00edtica<\/i>. Uma aten\u00e7\u00e3o inadequada \u00e0 dimens\u00e3o moral da vida social e pol\u00edtica. Uma aten\u00e7\u00e3o inadequada em rela\u00e7\u00e3o a dimens\u00e3o moral conduz \u00e0 desumaniza\u00e7\u00e3o da vida associada e das institui\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas, consolidando as \u00abestruturas de pecado\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1184\" name=\"_ftnref1184\"> [1184] <\/a>: \u00abViver e agir politicamente em conformidade com a pr\u00f3pria consci\u00eancia n\u00e3o significa acomodar-se passivamente em posi\u00e7\u00f5es estranhas ao empenho pol\u00edtico ou numa esp\u00e9cie de confessionalismo; \u00e9, inv\u00e9s, a express\u00e3o com que os crist\u00e3os d\u00e3o o seu coerente contributo para que, atrav\u00e9s da pol\u00edtica, se instaure um ordenamento social mais justo e coerente com a dignidade da pessoa humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1185\" name=\"_ftnref1185\"> [1185] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>567<\/b> <i>No contexto do compromisso pol\u00edtico do fiel leigo, exige um preciso cuidado a prepara\u00e7\u00e3o ao exerc\u00edcio do poder, que os crentes devem assumir; especialmente quando s\u00e3o chamados a tais encargos pela confian\u00e7a dos cidad\u00e3os, segundo as regras democr\u00e1ticas<\/i>. Estes devem apreciar o sistema da democracia, \u00abenquanto assegura a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os nas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e garante aos governados a possibilidade quer de escolher e controlar os pr\u00f3prios governantes, quer de os substituir pacificamente, quando tal se torne oportuno\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1186\" name=\"_ftnref1186\"> [1186] <\/a>e rejeitar grupos ocultos de poder que pretendem condicionar ou subverter o funcionamento das leg\u00edtimas institui\u00e7\u00f5es. O exerc\u00edcio da autoridade deve assumir o car\u00e1ter de servi\u00e7o, que se deve desempenhar sempre no \u00e2mbito das leis morais para a consecu\u00e7\u00e3o do bem comum<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1187\" name=\"_ftnref1187\"> [1187] <\/a>: quem exerce a autoridade pol\u00edtica deve fazer confluir as energias de todos os cidad\u00e3os rumo a tal objetivo, n\u00e3o de modo autorit\u00e1rio, mas valendo-se da for\u00e7a moral alimentada pela liberdade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>568<\/b> <i>O fiel leigo \u00e9 chamado a divisar, nas situa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas concretas, os passos realisticamente poss\u00edveis para dar atua\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios e aos valores morais pr\u00f3prios da vida social. Isto exige um m\u00e9todo de discernimento<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1188\" name=\"_ftnref1188\"> [1188] <\/a><i>, <\/i>pessoal e comunit\u00e1rio, articulado em torno a algumas passagens cruciais: o conhecimento das situa\u00e7\u00f5es, analisadas com a ajuda das ci\u00eancias sociais e dos instrumentos adequados; a reflex\u00e3o sistem\u00e1tica sobre tais realidades, \u00e0 luz da mensagem imut\u00e1vel do Evangelho e do ensinamento social da Igreja; a individua\u00e7\u00e3o das op\u00e7\u00f5es orientadas a fazer evoluir em sentido positivo a presente situa\u00e7\u00e3o. Da profundidade da escuta e da interpreta\u00e7\u00e3o da realidade podem nascer op\u00e7\u00f5es operativas concretas e eficazes; a estas, todavia, n\u00e3o se deve jamais atribuir um valor absoluto, pois que nenhum problema pode ser resolvido de modo definitivo: \u00abA f\u00e9 nunca pretendeu manietar num esquema r\u00edgido os conte\u00fados socio-pol\u00edticos, bem sabendo que a dimens\u00e3o hist\u00f3rica, em que o homem vive, imp\u00f5e que se admita a exist\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o perfeitas e, em muitos casos, em r\u00e1pida mudan\u00e7a\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1189\" name=\"_ftnref1189\"> [1189] <\/a>.<\/p><p><b>569 <\/b><i>Uma situa\u00e7\u00e3o emblem\u00e1tica para o exerc\u00edcio do discernimento \u00e9 constitu\u00edda pelo funcionamento do sistema democr\u00e1tico, atualmente concebido por muitos numa perspectiva agn\u00f3stica e relativista, que induz a conceber a verdade como produto determinado pela maioria e condicionado por equil\u00edbrios pol\u00edticos<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1190\" name=\"_ftnref1190\"> [1190] <\/a>. Em um semelhante contexto, o discernimento \u00e9 particularmente exigente quando se exerce em \u00e2mbitos como objetividade e a integridade das informa\u00e7\u00f5es, a pesquisa cient\u00edfica e as op\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que incidem na vida dos mais pobres ou em realidades que remetem a exig\u00eancias morais fundamentais e irrenunci\u00e1veis, tais como a sacralidade da vida, a indissolubilidade o matrim\u00f4nio, a promo\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia fundada no matrim\u00f4nio entre um homem e uma mulher.<\/p><p><i>Em tal situa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o \u00fateis alguns crit\u00e9rios fundamentais: <\/i>a distin\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, a conex\u00e3o entre a ordem legal e a ordem moral; a fidelidade \u00e0 pr\u00f3pria identidade e, ao mesmo tempo, a disponibilidade ao di\u00e1logo com todos; a necessidade de que no ju\u00edzo e no compromisso social o crist\u00e3o se refira \u00e0 tr\u00edplice e insepar\u00e1vel fidelidade aos <i>valores naturais, <\/i>respeitando a leg\u00edtima autonomia das realidades temporais, aos <i>valores morais, <\/i>promovendo a consci\u00eancia da dimens\u00e3o \u00e9tica intr\u00ednseca de cada problema social e pol\u00edtico, aos <i>valores sobrenaturais<\/i>, realizando a sua tarefa no esp\u00edrito do Evangelho de Jesus Cristo.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>570 <\/b><i>Quando em \u00e2mbitos e realidades que remetem a exig\u00eancias \u00e9ticas fundamentais se prop\u00f5em ou se efetuam op\u00e7\u00f5es legislativas e pol\u00edticas contr\u00e1rias aos princ\u00edpios e aos valores crist\u00e3os, o Magist\u00e9rio ensina que <\/i>\u00ab<i>a consci\u00eancia crist\u00e3 bem formada n\u00e3o permite a ningu\u00e9m favorecer, com o pr\u00f3prio voto, a atua\u00e7\u00e3o de um programa pol\u00edtico ou de uma s\u00f3 lei, onde os conte\u00fados fundamentais da f\u00e9 e da moral sejam subvertidos com a apresenta\u00e7\u00e3o de propostas alternativas ou contr\u00e1rias aos mesmos<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1191\" name=\"_ftnref1191\"> [1191] <\/a>.<i><\/i><\/p><p>Na considera\u00e7\u00e3o do caso em que n\u00e3o tenha sido poss\u00edvel evitar a atua\u00e7\u00e3o de tais programas pol\u00edticos ou impedir ou ab-rogar tais leis, o Magist\u00e9rio ensina que um parlamentar, cuja absoluta oposi\u00e7\u00e3o pessoal a eles fosse clara e not\u00f3ria a todos, poderia licitamente oferecer o pr\u00f3prio apoio a propostas miradas a <i>limitar os danos <\/i>de tais programas e de tais leis e a diminuir os efeitos negativos no plano da cultura e da moralidade p\u00fablica. A tal prop\u00f3sito, \u00e9 emblem\u00e1tico o caso de uma lei abortista<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1192\" name=\"_ftnref1192\"> [1192] <\/a>. O seu voto, em todo caso, n\u00e3o pode ser interpretado como ades\u00e3o a uma lei in\u00edqua, mas t\u00e3o-somente como um contributo para reduzir as conseq\u00fc\u00eancias negativas de uma disposi\u00e7\u00e3o legislativa cuja completa responsabilidade recai em quem a prop\u00f4s.<b><\/b><\/p><p><i>Tenha-se presente que, em face de das m\u00faltiplas exig\u00eancias morais fundamentais e irrenunci\u00e1veis, o testemunho crist\u00e3o deve considerar-se um dever inderrog\u00e1vel que pode chegar ao sacrif\u00edcio da vida, ao mart\u00edrio, em nome da caridade e da dignidade humana<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1193\" name=\"_ftnref1193\"> [1193] <\/a>. A hist\u00f3ria de vinte s\u00e9culos, inclusive a do \u00faltimo, \u00e9 rica de m\u00e1rtires da verdade crist\u00e3, testemunhos de f\u00e9, de esperan\u00e7a, de caridade evang\u00e9licas. O mart\u00edrio \u00e9 o testemunho da pr\u00f3pria conforma\u00e7\u00e3o pessoal a Jesus crucifixo, que se expressa at\u00e9 na forma suprema de derramar o pr\u00f3prio sangue, de acordo com o ensinamento evang\u00e9lico: \u00abse o gr\u00e3o de trigo, ca\u00eddo na terra... morrer, produz muito fruto\u00bb (<i>Jo <\/i>12, 24).<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>571 <\/b><i>O empenho pol\u00edtico dos cat\u00f3licos \u00e9 freq\u00fcentemente posto em rela\u00e7\u00e3o com a <\/i>\u00ab<i>laicidade<\/i>\u00bb<i>, ou seja, a distin\u00e7\u00e3o entre a esfera pol\u00edtica e a religiosa<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1194\" name=\"_ftnref1194\"> [1194] <\/a>. Tal distin\u00e7\u00e3o \u00ab\u00e9 um valor adquirido e reconhecido pela Igreja, e faz parte do patrim\u00f3nio de civiliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 conseguido\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1195\" name=\"_ftnref1195\"> [1195] <\/a>. A doutrina moral cat\u00f3lica, todavia, exclui claramente a perspectiva de uma laicida concebida como autonomia da lei moral: \u00abA \u201claicidade\u201d, de fato, significa, em primeiro lugar, a atitude de quem respeita as verdades resultantes do conhecimento natural que se tem do homem que vive em sociedade, mesmo que essas verdades sejam contemporaneamente ensinadas por uma religi\u00e3o espec\u00edfica, pois a verdade \u00e9 uma s\u00f3\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1196\" name=\"_ftnref1196\"> [1196] <\/a>. Buscar sinceramente a verdade, promover e defender com meios l\u00edcitos as verdades morais concernentes \u00e0 vida social \u2015 a justi\u00e7a, a liberdade, o respeito \u00e0 vida e aos demais direitos da pessoa \u2015 \u00e9 direito e dever de todos os membros de uma comunidade social e pol\u00edtica.<\/p><p>Quando o Magist\u00e9rio da Igreja se pronuncia sobre quest\u00f5es inerentes \u00e0 vida social e pol\u00edtica, n\u00e3o desatende \u00e1s exig\u00eancias de uma correta interpreta\u00e7\u00e3o da laicidade, porque \u00abn\u00e3o pretende exercer um poder pol\u00edtico nem eliminar a liberdade de opini\u00e3o dos cat\u00f3licos em quest\u00f5es contingentes. Entende, inv\u00e9s \u2015 como \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria \u2015 instruir e iluminar a consci\u00eancia dos fi\u00e9is, sobretudo dos que se dedicam a uma participa\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica, para que o seu operar esteja sempre ao servi\u00e7o da promo\u00e7\u00e3o integral da pessoa e do bem comum. O ensinamento social da Igreja n\u00e3o \u00e9 uma intromiss\u00e3o no governo de cada Pa\u00eds. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, por\u00e9m, que p\u00f5e um dever moral de coer\u00eancia aos fi\u00e9is leigos, no interior da sua consci\u00eancia, que \u00e9 \u00fanica e unit\u00e1ria\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1197\" name=\"_ftnref1197\"> [1197] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>572<\/b> <i>O princ\u00edpio da laicidade comporta o respeito de toda confiss\u00e3o religiosa por parte do Estado, <\/i>\u00ab<i>que assegura o livre exerc\u00edcio das atividades cultuais, espirituais, culturais e caritativas das comunidades dos crentes. Numa sociedade pluralista, a laicidade \u00e9 um lugar de comunica\u00e7\u00e3o entre as diferentes tradi\u00e7\u00f5es espirituais e a na\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1198\" name=\"_ftnref1198\"> [1198] <\/a>. Infelizmente permanecem ainda, inclusive nas sociedades democr\u00e1ticas, express\u00f5es de laicismo intolerante, que hostilizam qualquer forma de relev\u00e2ncia pol\u00edtica e cultural da f\u00e9, procurando desqualificar o empenho social e pol\u00edtico dos crist\u00e3os, porque se reconhecem nas verdades ensinadas pela Igreja e obedecem ao dever moral de ser coerentes com a pr\u00f3pria consci\u00eancia; chega-se tamb\u00e9m e mais radicalmente a negar a pr\u00f3pria \u00e9tica natural. Esta nega\u00e7\u00e3o, que prospecta uma condi\u00e7\u00e3o de anarquia moral cuja conseq\u00fc\u00eancia \u00e9 a prepot\u00eancia do mais forte sobre o mais fraco, n\u00e3o pode ser acolhida por nenhuma forma leg\u00edtima de pluralismo, porque mina as pr\u00f3prias bases da conviv\u00eancia humana. \u00c0 luz deste estado de coisas, \u00aba marginaliza\u00e7\u00e3o do Cristianismo n\u00e3o poderia ajudar ao projeto de uma sociedade futura e \u00e0 conc\u00f3rdia entre os povos; seria, pelo contr\u00e1rio, uma amea\u00e7a para os pr\u00f3prios fundamentos espirituais e culturais da civiliza\u00e7\u00e3o\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1199\" name=\"_ftnref1199\"> [1199] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>573 <\/b><i>Um \u00e2mbito particular de discernimento dos fi\u00e9is leigos diz respeito as escolhas dos instrumentos pol\u00edticos, ou seja, a ades\u00e3o a um partido e \u00e0s outras express\u00f5es da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. \u00c9 preciso operar uma escolha coerente com os valores, tendo em conta as circunst\u00e2ncias efetivas<\/i>. Em todo o caso, qualquer escolha deve ser radicada na caridade e voltada para a busca do bem comum<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1200\" name=\"_ftnref1200\"> [1200] <\/a>. As inst\u00e2ncias da f\u00e9 crist\u00e3 dificilmente s\u00e3o assimil\u00e1veis a uma \u00fanica posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: pretender que um partido ou uma corrente pol\u00edtica correspondam completamente \u00e0s exig\u00eancias da f\u00e9 e da vida crist\u00e3 gera equ\u00edvocos perigosos. O crist\u00e3o n\u00e3o pode encontrar um partido plenamente \u00e0s exig\u00eancias \u00e9ticas que nascem da f\u00e9 e da perten\u00e7a \u00e0 Igreja: a sua ades\u00e3o a uma corrente pol\u00edtica n\u00e3o ser\u00e1 jamais ideol\u00f3gica, mas sempre cr\u00edtica, a fim de que o partido e o seu projeto pol\u00edtico sejam estimulados a realizar formas sempre mais atentas a obter o verdadeiro bem comum, inclusive os fins espirituais do homem<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1201\" name=\"_ftnref1201\"> [1201] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>574<\/b> <i>A distin\u00e7\u00e3o, de um lado, entre inst\u00e2ncias da f\u00e9 e op\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-pol\u00edticas e, de outro lado, as op\u00e7\u00f5es de cada crist\u00e3o e as realizadas pela comunidade crist\u00e3 enquanto tal, implica que a ades\u00e3o a um partido ou corrente pol\u00edtica seja considerada uma decis\u00e3o a t\u00edtulo pessoal, leg\u00edtima ao menos nos limites dos partidos e posi\u00e7\u00f5es n\u00e3o incompat\u00edveis com a f\u00e9 e os valores crist\u00e3os<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1202\" name=\"_ftnref1202\"> [1202] <\/a>. A escolha do partido, da corrente pol\u00edtica, das pessoas a quem confiar a vida p\u00fablica, mesmo empenhando a consci\u00eancia de cada um, n\u00e3o pode ser entendida como uma escolha <i>exclusivamente <\/i>individual: \u00abcabe analisar, com objetividade, a situa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do seu pa\u00eds e procurar ilumin\u00e1-la, com a luz das palavras inalter\u00e1veis do Evangelho; a elas cumpre, haurir princ\u00edpios de reflex\u00e3o, normas para julgar e diretrizes para a a\u00e7\u00e3o, na doutrina social da Igreja\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1203\" name=\"_ftnref1203\"> [1203] <\/a>. Em todo o caso, \u00aba ningu\u00e9m \u00e9 permitido reivindicar exclusivamente, em favor do seu parecer, a autoridade da Igreja\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1204\" name=\"_ftnref1204\"> [1204] <\/a>:<i> <\/i>os crentes devem antes procurar \u00abesclarecer-se mutuamente num di\u00e1logo sincero, guardando a caridade m\u00fatua e tendo, antes de mais, o cuidado do bem comum \u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1205\" name=\"_ftnref1205\"> [1205] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>____<\/p><div id=\"ftn1105\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1105\" name=\"_ftn1105\">[1105] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <i>Diret\u00f3rio geral para a catequese<\/i>, 18: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1997, p. 24.<\/div><div id=\"ftn1106\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1106\" name=\"_ftn1106\">[1106] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptoris missio<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 259-260.<\/div><div id=\"ftn1107\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1107\" name=\"_ftn1107\">[1107] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 799.<\/div><div id=\"ftn1108\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1108\" name=\"_ftn1108\">[1108] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 799.<\/div><div id=\"ftn1109\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1109\" name=\"_ftn1109\">[1109] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 22: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1043.<\/div><div id=\"ftn1110\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1110\" name=\"_ftn1110\">[1110] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptoris missio<\/i>, 52: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 300; Paulo VI, Exort. apost. <i>Evangelii nuntiandi<\/i>, 20: <i>AAS<\/i> 68 (1976) 18-19..<\/div><div id=\"ftn1111\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1111\" name=\"_ftn1111\">[1111] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptoris missio<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 259-260.<\/div><div id=\"ftn1112\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1112\" name=\"_ftn1112\">[1112] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 35: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 458.<\/div><div id=\"ftn1113\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1113\" name=\"_ftn1113\">[1113] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 800.<\/div><div id=\"ftn1114\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1114\" name=\"_ftn1114\">[1114] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptoris missio<\/i>, 11: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 259.<\/div><div id=\"ftn1115\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1115\" name=\"_ftn1115\">[1115] <\/a>Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 51: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 440.<\/div><div id=\"ftn1116\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1116\" name=\"_ftn1116\">[1116] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 57: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 862.<\/div><div id=\"ftn1117\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1117\" name=\"_ftn1117\">[1117] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 48: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 583-584.<\/div><div id=\"ftn1118\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1118\" name=\"_ftn1118\">[1118] <\/a>Cf.Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 76: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1099-1100.<\/div><div id=\"ftn1119\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1119\" name=\"_ftn1119\">[1119] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 453; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 54: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 859-860.<\/div><div id=\"ftn1120\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1120\" name=\"_ftn1120\">[1120] <\/a>Cf.Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Pacem in terris<\/i>: <i>AAS<\/i> 55 (1963) 265-266.<\/div><div id=\"ftn1121\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1121\" name=\"_ftn1121\">[1121] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici,<\/i> 60: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 511.<\/div><div id=\"ftn1122\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1122\" name=\"_ftn1122\">[1122] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <i>Diret\u00f3rio Geral para a Catequese<\/i>, 30: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1997, p. 33.<\/div><div id=\"ftn1123\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1123\" name=\"_ftn1123\">[1123] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Catechesi tradendae<\/i>, 18: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 1291-1292.<\/div><div id=\"ftn1124\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1124\" name=\"_ftn1124\">[1124] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Catechesi tradendae<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 1281.<\/div><div id=\"ftn1125\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1125\" name=\"_ftn1125\">[1125] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <i>Diret\u00f3rio Geral para a Catequese<\/i>, 54: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1997, p. 56.<\/div><div id=\"ftn1126\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1126\" name=\"_ftn1126\">[1126] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Catechesi tradendae<\/i>, 29: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 1301-1302; cf. anche Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, <i>Diret\u00f3rio Geral para a Catequese<\/i>, 17: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1997, p. 23.<\/div><div id=\"ftn1127\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1127\" name=\"_ftn1127\">[1127] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Dignitatis humanae<\/i>, 8: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 935.<\/div><div id=\"ftn1128\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1128\" name=\"_ftn1128\">[1128] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor,<\/i> 107: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1217.<\/div><div id=\"ftn1129\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1129\" name=\"_ftn1129\">[1129] <\/a>Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 81: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 296-297.<\/div><div id=\"ftn1130\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1130\" name=\"_ftn1130\">[1130] <\/a>Cf.Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 75: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1097-1099.<\/div><div id=\"ftn1131\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1131\" name=\"_ftn1131\">[1131] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 75: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1098.<\/div><div id=\"ftn1132\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1132\" name=\"_ftn1132\">[1132] <\/a>30 de Dezembro de 1988, Tipografia Poliglotta Vaticana, Cidade do Vaticano.<\/div><div id=\"ftn1133\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1133\" name=\"_ftn1133\">[1133] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decl. <i>Nostra aetate<\/i>, 4: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 742-743.<\/div><div id=\"ftn1134\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1134\" name=\"_ftn1134\">[1134] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 32: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 556-557.<\/div><div id=\"ftn1135\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1135\" name=\"_ftn1135\">[1135] <\/a>27 de Outubro de 1986; 24 de Janeiro de 2002.<\/div><div id=\"ftn1136\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1136\" name=\"_ftn1136\">[1136] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptoris missio<\/i>, 2: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 250.<\/div><div id=\"ftn1137\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1137\" name=\"_ftn1137\">[1137] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 83 (1991)795.<\/div><div id=\"ftn1138\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1138\" name=\"_ftn1138\">[1138] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 3: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 796.<\/div><div id=\"ftn1139\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1139\" name=\"_ftn1139\">[1139] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 31: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 37.<\/div><div id=\"ftn1140\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1140\" name=\"_ftn1140\">[1140] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 31: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 37.<\/div><div id=\"ftn1141\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1141\" name=\"_ftn1141\">[1141] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 15: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 415.<\/div><div id=\"ftn1142\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1142\" name=\"_ftn1142\">[1142] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 24: <i>AAS <\/i>81 (1989) 433-435.<\/div><div id=\"ftn1143\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1143\" name=\"_ftn1143\">[1143] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 76: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1099.<\/div><div id=\"ftn1144\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1144\" name=\"_ftn1144\">[1144] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II,Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 31: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 37-38.<\/div><div id=\"ftn1145\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1145\" name=\"_ftn1145\">[1145] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 59: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 509.<\/div><div id=\"ftn1146\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1146\" name=\"_ftn1146\">[1146] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1806.<\/div><div id=\"ftn1147\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1147\" name=\"_ftn1147\">[1147] <\/a>O exerc\u00edcio da prud\u00eancia comporta um itiner\u00e1rio formativo para adquirir as necess\u00e1rias qualidades: a \u00ab <i>mem\u00f3ria<\/i>\u00bb como capacidade de conservar as pr\u00f3prias experi\u00eancias passadas de modo objetivo, sem falsifica\u00e7\u00f5es (cf. S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae, <\/i>II-II, q. 49, a. 1: Ed. Leon. 8, 367); a \u00ab <i>docilitas<\/i>\u00bb (docilidade), que \u00e9 a capacidade de deixar-se instruir e de tirar vantagem da experi\u00eancia alheia com base no aut\u00eantico amor pela verdade (cf.S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae, <\/i>II-II, q. 49, a. 3: Ed. Leon. 8, 368-369); a <i>\u00absolertia\u00bb <\/i>(sol\u00e9rcia), isto \u00e9, a habilidade de enfrentar os imprevistos agindo de forma objetiva, para orientar cada situa\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o do bem, vencendo as tenta\u00e7\u00f5es de intemperan\u00e7a, injusti\u00e7a e vileza (cf.S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae, <\/i>II-II, q. 49, a. 4: Ed. Leon. 8, 369-370). Estas condi\u00e7\u00f5es de tipo cognitivo permitem desenvolver os pressupostos necess\u00e1rios ao momento de decis\u00e3o: a <i>\u00abprovidentia\u00bb <\/i>(previd\u00eancia), que \u00e9 a capacidade de avaliar a efic\u00e1cia de um comportamento tendo em vista a obten\u00e7\u00e3o de um fim moral (cf.S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae, <\/i>II-II, q. 49, a. 6: Ed. Leon. 8, 371), e a <i>\u00abcircumspectio\u00bb<\/i> (circunspec\u00e7\u00e3o), ou seja, a capacidade de avaliar as circunst\u00e2ncias que concorrem para constituir a situa\u00e7\u00e3o na qual deve ser efetuada a a\u00e7\u00e3o (cf. S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae, <\/i>II-II, q. 49, a. 7: Ed. Leon. 8, 372). A prud\u00eancia especifica-se, no \u00e2mbito da vida social, em duas formas particulares: a prud\u00eancia <i>\u00abregente\u00bb,<\/i> ou seja, a capacidade de ordenar cada coisa ao m\u00e1ximo de bem para a sociedade (cf. S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae, <\/i>II-II, q. 50, a. 1: Ed. Leon. 8, 374), e a prud\u00eancia <i>\u00abpol\u00edtica\u00bb<\/i> que leva o cidad\u00e3o a obedecer, seguindo as indica\u00e7\u00f5es da autoridade (cf. S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae, <\/i>II-II, q. 50, a. 2: Ed. Leon. 8, 375), sem comprometer a pr\u00f3pria dignidade de pessoa (cf. S. Tom\u00e1s de Aquino, <i>Summa theologiae, <\/i>II-II, qq. 47-56: Ed. Leon. 8, 348-406).<\/div><div id=\"ftn1148\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1148\" name=\"_ftn1148\">[1148] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 30: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 446-448.<\/div><div id=\"ftn1149\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1149\" name=\"_ftn1149\">[1149] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 62: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 516-517.<\/div><div id=\"ftn1150\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1150\" name=\"_ftn1150\">[1150] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 455.<\/div><div id=\"ftn1151\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1151\" name=\"_ftn1151\">[1151] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 29: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 443.<\/div><div id=\"ftn1152\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1152\" name=\"_ftn1152\">[1152] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 76: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1099.<\/div><div id=\"ftn1153\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1153\" name=\"_ftn1153\">[1153] <\/a>Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 454; Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 57: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 862-863.<\/div><div id=\"ftn1154\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1154\" name=\"_ftn1154\">[1154] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 91: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1113.<\/div><div id=\"ftn1155\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1155\" name=\"_ftn1155\">[1155] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 37: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 460.<\/div><div id=\"ftn1156\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1156\" name=\"_ftn1156\">[1156] <\/a>Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 218.<\/div><div id=\"ftn1157\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1157\" name=\"_ftn1157\">[1157] <\/a>Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 218.<\/div><div id=\"ftn1158\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1158\" name=\"_ftn1158\">[1158] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. <i>Donum vitae<\/i> (22 de Fevereiro de 1987): <i>AAS<\/i> 80 (1988) 70-102.<\/div><div id=\"ftn1159\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1159\" name=\"_ftn1159\">[1159] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 39: AAS 81 (1989) 466.<\/div><div id=\"ftn1160\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1160\" name=\"_ftn1160\">[1160] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost <i>Christifideles laici<\/i>, 39: AAS 81 (1989) 466.<\/div><div id=\"ftn1161\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1161\" name=\"_ftn1161\">[1161] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost <i>Familiaris consortio<\/i>, 42-48: AAS 74 (1982) 134-140.<\/div><div id=\"ftn1162\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1162\" name=\"_ftn1162\">[1162] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II,Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 43: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1062.<\/div><div id=\"ftn1163\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1163\" name=\"_ftn1163\">[1163] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 UNESCO<\/i> (2 de Junho de 1980), 7: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 15 de Junho de 1980, p. 14.<\/div><div id=\"ftn1164\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1164\" name=\"_ftn1164\">[1164] <\/a>Cf.Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Nota Doutrinal sobre algumas quest\u00f5es relativas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e comportamento dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica<\/i> (24 de Novembro de 2002), 7: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2002, p. 16-17.<\/div><div id=\"ftn1165\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1165\" name=\"_ftn1165\">[1165] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II,Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 59: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1079-1080.<\/div><div id=\"ftn1166\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1166\" name=\"_ftn1166\">[1166] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 50: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 856.<\/div><div id=\"ftn1167\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1167\" name=\"_ftn1167\">[1167] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso \u00e0 UNESCO<\/i> (2 de Junho de 1980), 11: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 15 de Junho de 1980, p. 14.<\/div><div id=\"ftn1168\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1168\" name=\"_ftn1168\">[1168] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 60: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1081.<\/div><div id=\"ftn1169\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1169\" name=\"_ftn1169\">[1169] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 61: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1082.<\/div><div id=\"ftn1170\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1170\" name=\"_ftn1170\">[1170] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 24: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 822.<\/div><div id=\"ftn1171\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1171\" name=\"_ftn1171\">[1171] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 24: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 821-822.<\/div><div id=\"ftn1172\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1172\" name=\"_ftn1172\">[1172] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decr. <i>Inter mirifica<\/i>, 4: <i>AAS<\/i> 56 (1964) 146.<\/div><div id=\"ftn1173\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1173\" name=\"_ftn1173\">[1173] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Fideset<\/i> <i>ratio<\/i>, 36-48: <i>AAS<\/i> 91 (1999) 33-34.<\/div><div id=\"ftn1174\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1174\" name=\"_ftn1174\">[1174] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimusannus<\/i>, 55: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 861.<\/div><div id=\"ftn1175\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1175\" name=\"_ftn1175\">[1175] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para o XXXIII<\/i> <i>Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/i>, 1999, 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 6 de Fevereiro de 1999, p. 2.<\/div><div id=\"ftn1176\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1176\" name=\"_ftn1176\">[1176] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/i>2495.<\/div><div id=\"ftn1177\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1177\" name=\"_ftn1177\">[1177] <\/a>Cf.Pontif\u00edcio Conselho das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, <i>\u00c9tica nas Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/i>, 14: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2000, pp. 16-17.<\/div><div id=\"ftn1178\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1178\" name=\"_ftn1178\">[1178] <\/a>Cf. Pontif\u00edcio Conselho das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, <i>\u00c9tica nas Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/i>, 33: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2000, pp. 43-44.<\/div><div id=\"ftn1179\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1179\" name=\"_ftn1179\">[1179] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Nota Doutrinal sobre algumas quest\u00f5es relativas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e comportamento dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica<\/i> (24 de Novembro de 2002), 3: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2002, p. 8.<\/div><div id=\"ftn1180\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1180\" name=\"_ftn1180\">[1180] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 570.<\/div><div id=\"ftn1181\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1181\" name=\"_ftn1181\">[1181] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2000<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 92 (2000) 366.<\/div><div id=\"ftn1182\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1182\" name=\"_ftn1182\">[1182] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2000<\/i>, 17: <i>AAS<\/i> 92 (2000) 367-368.<\/div><div id=\"ftn1183\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1183\" name=\"_ftn1183\">[1183] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens,<\/i>46: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 433-436.<\/div><div id=\"ftn1184\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1184\" name=\"_ftn1184\">[1184] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 36: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 561-563.<\/div><div id=\"ftn1185\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1185\" name=\"_ftn1185\">[1185] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Nota Doutrinal sobre algumas quest\u00f5es relativas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e comportamento dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica<\/i> (24 de Novembro de 2002), 6: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2002, p. 14.<\/div><div id=\"ftn1186\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1186\" name=\"_ftn1186\">[1186] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 46: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 850.<\/div><div id=\"ftn1187\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1187\" name=\"_ftn1187\">[1187] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II,Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 74: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1095-1097.<\/div><div id=\"ftn1188\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1188\" name=\"_ftn1188\">[1188] <\/a>Cf. Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <i>Orienta\u00e7\u00f5es para o estudo e o ensino da Doutrina Social da Igreja na forma\u00e7\u00e3o sacerdotal,<\/i> n. 8: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1988, 13-14.<\/div><div id=\"ftn1189\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1189\" name=\"_ftn1189\">[1189] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Nota Doutrinal sobre algumas quest\u00f5es relativas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e comportamento dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica<\/i> (24 de Novembro de 2002), 7: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2002, p. 17.<\/div><div id=\"ftn1190\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1190\" name=\"_ftn1190\">[1190] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 46: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 850- 851.<\/div><div id=\"ftn1191\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1191\" name=\"_ftn1191\">[1191] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Nota Doutrinal sobre algumas quest\u00f5es relativas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e comportamento dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica<\/i> (24 de Novembro de 2002), 4: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2002, p. 9.<\/div><div id=\"ftn1192\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1192\" name=\"_ftn1192\">[1192] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Evangelium vitae<\/i>, 73: <i>AAS<\/i> 87 (1995) 486-487.<\/div><div id=\"ftn1193\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1193\" name=\"_ftn1193\">[1193] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 39: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 466-468.<\/div><div id=\"ftn1194\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1194\" name=\"_ftn1194\">[1194] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Const. apost. <i>Gaudium et spes<\/i>, 76: <i>AAS<\/i> 58 (1996) 1099-1100.<\/div><div id=\"ftn1195\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1195\" name=\"_ftn1195\">[1195] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Nota Doutrinal sobre algumas quest\u00f5es relativas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e comportamento dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica<\/i> (24 de Novembro de 2002), 6: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2002, p. 12.<\/div><div id=\"ftn1196\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1196\" name=\"_ftn1196\">[1196] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Nota Doutrinal sobre algumas quest\u00f5es relativas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e comportamento dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica<\/i> (24 de Novembro de 2002), 6: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2002, p. 13.<\/div><div id=\"ftn1197\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1197\" name=\"_ftn1197\">[1197] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Nota Doutrinal sobre algumas quest\u00f5es relativas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e comportamento dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica<\/i> (24 de Novembro de 2002), 6: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2002, p. 13-14.<\/div><div id=\"ftn1198\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1198\" name=\"_ftn1198\">[1198] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso ao Corpo Diplom\u00e1tico <\/i>(12 de Janeiro de 2004), 3: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 17 de Janeiro de 2004, p. 7.<\/div><div id=\"ftn1199\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1199\" name=\"_ftn1199\">[1199] <\/a>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, <i>Nota Doutrinal sobre algumas quest\u00f5es relativas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e comportamento dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica<\/i> (24 de Novembro de 2002), 6: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2002, p. 15.<\/div><div id=\"ftn1200\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1200\" name=\"_ftn1200\">[1200] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 46: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 433-435.<\/div><div id=\"ftn1201\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1201\" name=\"_ftn1201\">[1201] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 46: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 433-435.<\/div><div id=\"ftn1202\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1202\" name=\"_ftn1202\">[1202] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 50: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 439-440.<\/div><div id=\"ftn1203\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1203\" name=\"_ftn1203\">[1203] <\/a>Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 4: <i>AAS<\/i> 63 (1971) 403-404.<\/div><div id=\"ftn1204\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1204\" name=\"_ftn1204\">[1204] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II,Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 43: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1063.<\/div><div id=\"ftn1205\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1205\" name=\"_ftn1205\">[1205] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II,Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 43: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1063.<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1ef0795 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"1ef0795\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6f6754d elementor-widget elementor-widget-sp_easy_accordion_pro_shortcode\" data-id=\"6f6754d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"sp_easy_accordion_pro_shortcode.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<style>#sp-ea-153 .spcollapsing { height: 0; overflow: hidden; transition-property: height;transition-duration: 300ms;}#sp-ea-153.sp-easy-accordion>.sp-ea-single {margin-bottom: 10px; border: 1px solid #e2e2e2; }#sp-ea-153.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.ea-header a {color: #444;}#sp-ea-153.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.sp-collapse>.ea-body {background: #fff; color: #444;}#sp-ea-153.sp-easy-accordion>.sp-ea-single {background: #eee;}#sp-ea-153.sp-easy-accordion>.sp-ea-single>.ea-header a .ea-expand-icon { float: left; color: #444;font-size: 16px;}<\/style><div id=\"sp_easy_accordion-1736943592\"><div id=\"sp-ea-153\" class=\"sp-ea-one sp-easy-accordion\" data-ea-active=\"ea-click\" data-ea-mode=\"vertical\" data-preloader=\"\" data-scroll-active-item=\"\" data-offset-to-scroll=\"0\"><div class=\"ea-card sp-ea-single\"><h3 class=\"ea-header\"><a class=\"collapsed\" id=\"ea-header-1530\" role=\"button\" data-sptoggle=\"spcollapse\" data-sptarget=\"#collapse1530\" aria-controls=\"collapse1530\" href=\"#\" aria-expanded=\"false\" tabindex=\"0\"><i aria-hidden=\"true\" role=\"presentation\" class=\"ea-expand-icon eap-icon-ea-expand-plus\"><\/i> CONCLUS\u00c3O - POR UMA CIVILIZA\u00c7\u00c3O DO AMOR<\/a><\/h3><div class=\"sp-collapse spcollapse spcollapse\" id=\"collapse1530\" data-parent=\"#sp-ea-153\" role=\"region\" aria-labelledby=\"ea-header-1530\"> <div class=\"ea-body\"><p><span style=\"color: #663300\">a) <b><a name=\"A ajuda da Igreja ao homem contempor\u00e2neo\"><\/a>A ajuda da Igreja ao homem contempor\u00e2neo<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>575<\/b> <i>Adverte-se e se vive uma nova necessidade de sentido na sociedade contempor\u00e2nea<\/i>. \u00abCom efeito, sempre o homem desejar\u00e1 saber, ao menos confusamente, qual o significado da sua vida, da sua atividade e da sua morte\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1206\" name=\"_ftnref1206\"> [1206] <\/a>. Revelam-se \u00e1rduas as tentativas de responder \u00e0 exig\u00eancia de projetar o futuro no novo contexto das rela\u00e7\u00f5es internacionais, cada vez mais complexas e interdependentes, mas tamb\u00e9m menos ordenadas e pac\u00edficas. A vida e a morte das pessoas parecem confiadas unicamente ao progresso cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico que avan\u00e7a muito mais velozmente do que a capacidade humana de estabelecer os seus fins e avaliar os seus custos. Muitos fen\u00f4menos indicam, contudo, que \u00abo sentimento de progressiva insatisfa\u00e7\u00e3o, que se difunde nos pa\u00edses de alto n\u00edvel de vida, desfaz a ilus\u00e3o do sonhado para\u00edso terrestre. E, ao mesmo tempo, v\u00e3o os homens tomando consci\u00eancia cada vez mais clara dos direitos inviol\u00e1veis e universais da pessoa, e vai-se tornando mais viva a aspira\u00e7\u00e3o a estreitar rela\u00e7\u00f5es mais justas e mais humanas\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1207\" name=\"_ftnref1207\"> [1207] <\/a>.<\/p><p><b>576<\/b> <i>\u00c0s interroga\u00e7\u00f5es de fundo sobre o sentido e sobre o fim da aventura humana a Igreja responde com o an\u00fancio do Evangelho de Cristo, que subtrai a dignidade da pessoa humana ao flutuar das opini\u00f5es, assegurando a liberdade do homem como nenhuma lei humana pode fazer<\/i>. O Conc\u00edlio Vaticano II indicou que a miss\u00e3o da Igreja no mundo contempor\u00e2neo consiste em ajudar cada ser humano a descobrir em Deus o significado \u00faltimo da sua exist\u00eancia: a Igreja bem sabe que: \u00abs\u00f3 Deus, a quem Ela serve, satisfaz os desejos mais profundos do cora\u00e7\u00e3o humano, que nunca se sacia plenamente s\u00f3 com alimentos terrestres\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1208\" name=\"_ftnref1208\"> [1208] <\/a>. Somente Deus, que criou o homem \u00e0 Sua imagem e o resgatou do pecado, pode oferecer \u00e0s interroga\u00e7\u00f5es humanas mais radicais uma resposta plenamente adequada por meio da Revela\u00e7\u00e3o plenamente realizada no Seu Filho feito homem: o Evangelho, com efeito, \u00abanuncia e proclama a liberdade dos filhos de Deus, rejeita toda a servid\u00e3o que, em \u00faltima an\u00e1lise, prov\u00e9m do pecado, respeita escrupulosamente a dignidade da consci\u00eancia e a sua livre ades\u00e3o; adverte, sem desfalecimento, que todos os talentos humanos devem frutificar ao servi\u00e7o de Deus e para o bem da humanidade e, finalmente, confia cada um ao amor de todos\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1209\" name=\"_ftnref1209\"> [1209] <\/a>.<\/p><p><span style=\"color: #663300\">b) <b><a name=\"Tornar a partir da f\u00e9 em Cristo\"><\/a>Tornar a partir da f\u00e9 em Cristo<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>577<\/b> <i>A f\u00e9 em Deus e em Jesus Cristo ilumina os princ\u00edpios morais que s\u00e3o<\/i> \u00ab<i>o \u00fanico e insubstitu\u00edvel alicerce daquela estabilidade e tranq\u00fcilidade, daquela ordem externa, e interna, privada e p\u00fablica, \u00fanica que pode gerar e salvaguardar a prosperidade dos Estados<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1210\" name=\"_ftnref1210\"> [1210] <\/a>. A vida social deve ser ancorada no des\u00edgnio divino: \u00abA dimens\u00e3o teol\u00f3gica revela-se necess\u00e1ria para interpretar e resolver os problemas atuais da conviv\u00eancia humana\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1211\" name=\"_ftnref1211\"> [1211] <\/a>. Em face das graves formas de explora\u00e7\u00e3o e de injusti\u00e7a social \u00abtorna-se sempre mais ampla e sentida a <i>necessidade de uma radical renova\u00e7\u00e3o <\/i>pessoal e social, capaz de assegurar justi\u00e7a, solidariedade, honestidade, transpar\u00eancia. \u00c9 certamente longa e dura, a estrada a percorrer; numerosos e ingentes s\u00e3o os esfor\u00e7os a cumprir para levar a cabo uma tal renova\u00e7\u00e3o, inclusive pela multiplicidade e gravidade das causas que geram e alimentam as situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a hoje presentes no mundo. Mas, como ensina a hist\u00f3ria e a experi\u00eancia de cada um, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil identificar na base destas situa\u00e7\u00f5es, causas propriamente \u201cculturais\u201d, isto \u00e9, relacionadas com determinadas vis\u00f5es do homem, da sociedade e do mundo. Na verdade, no \u00e2mago da <i>quest\u00e3o cultural <\/i>est\u00e1 o <i>sentido moral, <\/i>que, por sua vez, se fundamenta e se realiza no <i>sentido religioso<\/i>\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1212\" name=\"_ftnref1212\"> [1212] <\/a>. Tamb\u00e9m pelo que diz respeito \u00e0 \u00abquest\u00e3o social\u00bb, n\u00e3o se pode aceitar \u00aba esperan\u00e7a ing\u00eanua de que possa haver uma f\u00f3rmula m\u00e1gica para os grandes desafios do nosso tempo; n\u00e3o ser\u00e1 uma f\u00f3rmula a salvar-nos, mas uma Pessoa, e a certeza que Ela nos infunde: <i>Eu estarei convosco!<\/i> Sendo assim, n\u00e3o se trata de inventar um \u201cprograma novo\u201d. O programa j\u00e1 existe: \u00e9 o mesmo de sempre, expresso no Evangelho e na Tradi\u00e7\u00e3o viva. Concentra-se, em \u00faltima an\u00e1lise, no pr\u00f3prio Cristo, que temos de conhecer, amar, imitar, para n\u2019Ele viver a vida trinit\u00e1ria e com Ele transformar a hist\u00f3ria at\u00e9 \u00e0 sua plenitude na Jerusal\u00e9m celeste\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1213\" name=\"_ftnref1213\"> [1213] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">c) <b><a name=\"Uma firme esperan\u00e7a\"><\/a>Uma firme esperan\u00e7a<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>578<\/b> <i>A Igreja ensina ao homem que Deus lhe oferece a real possibilidade de superar o mal e de alcan\u00e7ar o bem<\/i>. O Senhor redimiu o homem, resgatou-o por um \u00ab<i>grande pre\u00e7o<\/i>\u00bb (1<i> Cor <\/i>6,20). O sentido e o fundamento do empenho crist\u00e3o no mundo derivam de tal certeza, capaz de <i>acender a esperan\u00e7a<\/i> n\u00e3o obstante o pecado que marca profundamente a hist\u00f3ria humana: a promessa divina garante que o mundo <i>n\u00e3o permanece fechado em si mesmo, mas est\u00e1 aberto para o Reino de Deus<\/i>. A Igreja conhece os efeitos do \u00abmist\u00e9rio da iniq\u00fcidade\u00bb ( 2<i> Ts <\/i>2,7), mas sabe tamb\u00e9m que \u00abh\u00e1 na pessoa humana qualidades e energias suficientes, h\u00e1 nela \u201cbondade\u201d fundamental (cf. <i>G\u00ean<\/i> 1, 31), porque \u00e9 imagem do Criador, colocada sob o influxo redentor de Cristo, que \u201cse uniu de certo modo a cada homem\u201d, e porque a a\u00e7\u00e3o eficaz do Esp\u00edrito Santo \u201cenche o mundo\u201d (<i>Sab<\/i> 1, 7)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1214\" name=\"_ftnref1214\"> [1214] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>579<\/b> <i>A esperan\u00e7a crist\u00e3 imprime um grande impulso ao compromisso em campo social, infundindo confian\u00e7a na possibilidade de construir um mundo melhor, na consci\u00eancia de que n\u00e3o pode existir um \u00abpara\u00edso terrestre\u00bb<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1215\" name=\"_ftnref1215\"> [1215] <\/a>. Os crist\u00e3os, especialmente os fi\u00e9is leigos, s\u00e3o exortados a comportar-se de modo que \u00abfa\u00e7am brilhar a for\u00e7a do Evangelho na vida quotidiana, familiar e social. Eles apresentam-se como filhos da promessa, quando fortes na f\u00e9 e na esperan\u00e7a, aproveitam o tempo presente (cf. <i>Ef<\/i> 5,16; <i>Col<\/i> 4,5) e com paci\u00eancia esperam a gl\u00f3ria futura (cf.<i> Rm <\/i>8,25). N\u00e3o escondam esta esperan\u00e7a no interior da alma, mas exprimam-na mesmo atrav\u00e9s das estruturas da vida social, por uma renova\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e pela luta \u201ccontra os dominadores deste mundo tenebroso e contra os esp\u00edritos do mal\u201d (<i>Ef<\/i> 6,12)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1216\" name=\"_ftnref1216\"> [1216] <\/a>. As motiva\u00e7\u00f5es religiosas de tal empenho podem n\u00e3o ser compartilhadas, mas as convic\u00e7\u00f5es morais que dele decorrem constituem um ponto de encontro entre os crist\u00e3os e todos os homens de boa vontade.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><span style=\"color: #663300\">d) <b><a name=\"Construir a \u00abciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u00bb\"><\/a>Construir a \u00abciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u00bb<\/b><\/span><\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>580<\/b> <i>Finalidade imediata da doutrina social \u00e9 a de propor os princ\u00edpios e os valores que possam suster uma sociedade digna do homem. Entre estes princ\u00edpios, o da solidariedade em certa medida compreende todos os demais<\/i>: ele constitui \u00abum dos princ\u00edpios basilares da concep\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1217\" name=\"_ftnref1217\"> [1217] <\/a>.<\/p><p><i>Tal princ\u00edpio \u00e9 iluminado pelo primado da caridade <\/i>\u00absinal distintivo dos disc\u00edpulos de Cristo (cf.<i> Jo <\/i>13, 35)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1218\" name=\"_ftnref1218\"> [1218] <\/a>. Jesus \u00abnos ensina que a lei fundamental da perfei\u00e7\u00e3o humana e, portanto, da transforma\u00e7\u00e3o do mundo, \u00e9 o mandamento novo do amor\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1219\" name=\"_ftnref1219\"> [1219] <\/a>(cf. <i>Mt<\/i> 22, 40;<i> Jo <\/i>15,12; <i>Col<\/i> 3,14; <i>Tg<\/i> 2,8). O comportamento da pessoa \u00e9 plenamente humano quando nasce do amor, manifesta o amor, e \u00e9 ordenado ao amor. Esta verdade vale tamb\u00e9m no \u00e2mbito social: \u00e9 necess\u00e1rio que os crist\u00e3os sejam testemunhas profundamente convictos e saibam mostrar, com a sua vida, como o amor seja a \u00fanica for\u00e7a (cf. 1<i> Cor <\/i>12,31-14,1) que pode guiar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o pessoal e social e mover a hist\u00f3ria rumo ao bem.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>581<\/b> <i>O amor deve estar presente e penetrar todas as rela\u00e7\u00f5es sociais<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1220\" name=\"_ftnref1220\"> [1220] <\/a>: especialmente aqueles que t\u00eam o dever de prover ao bem dos povos \u00abalimentem em si e acendam nos outros, nos grandes e nos pequenos, a caridade, senhora e rainha de todas as virtudes. A salva\u00e7\u00e3o deve ser principalmente fruto de uma efus\u00e3o da caridade; entendemos dizer aquela caridade crist\u00e3 que compendia em si todo o Evangelho e que, sempre pronta a sacrificar-se pelo pr\u00f3ximo, \u00e9 o ant\u00eddoto mais seguro contra o orgulho e o ego\u00edsmo do s\u00e9culo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1221\" name=\"_ftnref1221\"> [1221] <\/a>. Este amor pode ser chamado \u00abcaridade social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1222\" name=\"_ftnref1222\"> [1222] <\/a>ou \u00abcaridade pol\u00edtica\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1223\" name=\"_ftnref1223\"> [1223] <\/a>e deve ser estendido a todo o g\u00eanero humano<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1224\" name=\"_ftnref1224\"> [1224] <\/a>. O \u00abamor social\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1225\" name=\"_ftnref1225\"> [1225] <\/a>encontra-se nos ant\u00edpodas do ego\u00edsmo e do individualismo: sem absolutizar a vida social, como acontece nas vis\u00f5es achatadas sobre as leituras exclusivamente sociol\u00f3gicas, n\u00e3o se pode esquecer que o desenvolvimento integral da pessoa e o crescimento social se condicionam reciprocamente. O ego\u00edsmo, portanto, \u00e9 o mais delet\u00e9rio inimigo de uma sociedade ordenada: a hist\u00f3ria mostra qual devasta\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es se produz quando o homem n\u00e3o \u00e9 capaz de reconhecer outro valor e outra realidade efetiva al\u00e9m dos bens materiais, cuja busca obsessiva sufoca e impede a sua capacidade de doar-se.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>582<\/b> <i>Para tornar a sociedade mais humana, mais digna da pessoa, \u00e9 necess\u00e1rio revalorizar o amor na vida social \u2014 no plano pol\u00edtico, econ\u00f4mico, cultural \u2014, fazendo dele a norma constante e suprema do agir<\/i>. Se a justi\u00e7a \u00ab\u00e9, em si mesma, apta para \u201cservir de \u00e1rbitro\u201d entre os homens na rec\u00edproca reparti\u00e7\u00e3o justa dos bens materiais, o amor, pelo contr\u00e1rio, e somente o amor (e portanto tamb\u00e9m o amor benevolente que chamamos \u201cmiseric\u00f3rdia\u201d), \u00e9 capaz de restituir o homem a si pr\u00f3prio\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1226\" name=\"_ftnref1226\"> [1226] <\/a>. N\u00e3o se podem regular as rela\u00e7\u00f5es humanas \u00bbunicamente com a medida da justi\u00e7a. Esta, em toda a gama das rela\u00e7\u00f5es entre os homens, deve submeter-se, <i>por assim dizer, a uma \u00abcorre\u00e7\u00e3o\u00bb not\u00e1vel<\/i>, por parte daquele amor que, como proclama S. Paulo, \u00ab\u00e9 paciente\u00bb e \u00abbenigno\u00bb, ou por outras palavras, que encerra em si as caracter\u00edsticas do amor misericordioso, t\u00e3o essenciais para o Evangelho como para o Cristianismo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1227\" name=\"_ftnref1227\"> [1227] <\/a>. Nessa perspectiva, o Magist\u00e9rio recomenda vivamente a solidariedade porque \u00e9 capaz de garantir o bem comum, ajudando o desenvolvimento integral das pessoas: a caridade \u00abfaz ver no pr\u00f3ximo um outro tu mesmo\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1228\" name=\"_ftnref1228\"> [1228] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p><b>583<\/b> <i>S\u00f3 a caridade pode transformar completamente o homem<\/i><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1229\" name=\"_ftnref1229\"> [1229] <\/a>. Uma semelhante transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa anula\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o terrena em uma espiritualidade desencarnada<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1230\" name=\"_ftnref1230\"> [1230] <\/a>. Quem cr\u00ea poder conformar-se com a virtude sobrenatural do amor sem levar em conta o seu correspondente fundamento natural, que inclui os deveres de justi\u00e7a, engana-se a si mesmo: \u00abA caridade representa o maior mandamento social. Respeita o outro e seus direitos. Exige a pr\u00e1tica da justi\u00e7a, e s\u00f3 ela nos torna capazes de pratic\u00e1-la. Inspira uma vida de autodoa\u00e7\u00e3o: \u00abQuem procurar ganhar sua vida vai perd\u00ea-la, e quem a perder vai conserv\u00e1-la\u00bb (<i>Lc<\/i> 17,33)\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1231\" name=\"_ftnref1231\"> [1231] <\/a>. Tampouco pode a caridade esgotar-se unicamente na dimens\u00e3o terrena das rela\u00e7\u00f5es humanas e das rela\u00e7\u00f5es sociais, porque toda a sua efic\u00e1cia deriva da refer\u00eancia a Deus: \u00abAo entardecer desta vida, comparecerei diante de V\u00f3s com as m\u00e3os vazias, pois n\u00e3o Vos pe\u00e7o, Senhor, que contabilizeis as minhas obras. Todas as nossas justi\u00e7as t\u00eam manchas aos Vossos olhos. Quero, portanto, revestir-me da Vossa <i>justi\u00e7a<\/i> e receber do Vosso <i>amor<\/i> a posse eterna de <i>V\u00f3s mesmo<\/i>\u2026\u00bb<a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftn1232\" name=\"_ftnref1232\"> [1232] <\/a>.<\/p><p>&nbsp;<\/p><p>_________<\/p><div id=\"ftn1206\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1206\" name=\"_ftn1206\">[1206] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1059.<\/div><div id=\"ftn1207\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1207\" name=\"_ftn1207\">[1207] <\/a>Jo\u00e3oXXIII, Carta encicl. <i>Mater et Magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 451.<\/div><div id=\"ftn1208\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1208\" name=\"_ftn1208\">[1208] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1059.<\/div><div id=\"ftn1209\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1209\" name=\"_ftn1209\">[1209] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 41: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1059-1060.<\/div><div id=\"ftn1210\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1210\" name=\"_ftn1210\">[1210] <\/a>PioXII, Carta encicl. <i>Summi Pontificatus<\/i>: <i>AAS<\/i> 31 (1939) 425.<\/div><div id=\"ftn1211\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1211\" name=\"_ftn1211\">[1211] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 55: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 860-861.<\/div><div id=\"ftn1212\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1212\" name=\"_ftn1212\">[1212] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Veritatis splendor<\/i>, 98: <i>AAS<\/i> 85 (1993) 1210; cf. Id., Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 24: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 821-822.<\/div><div id=\"ftn1213\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1213\" name=\"_ftn1213\">[1213] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. <i>Novo millennio ineunte<\/i>, 29: <i>AAS<\/i> 93 (2001) 285.<\/div><div id=\"ftn1214\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1214\" name=\"_ftn1214\">[1214] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 47: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 580.<\/div><div id=\"ftn1215\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1215\" name=\"_ftn1215\">[1215] <\/a>Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 451.<\/div><div id=\"ftn1216\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1216\" name=\"_ftn1216\">[1216] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 35: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 40.<\/div><div id=\"ftn1217\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1217\" name=\"_ftn1217\">[1217] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 10: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 805-806.<\/div><div id=\"ftn1218\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1218\" name=\"_ftn1218\">[1218] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Sollicitudo rei socialis<\/i>, 40: <i>AAS<\/i> 80 (1988) 568.<\/div><div id=\"ftn1219\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1219\" name=\"_ftn1219\">[1219] <\/a>Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past. <i>Gaudium et spes<\/i>, 38: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 1055-1056; cf.Id., Const. dogm. <i>Lumen gentium<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 57 (1965) 47-48; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 826.<\/div><div id=\"ftn1220\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1220\" name=\"_ftn1220\">[1220] <\/a>Cf. <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1889.<\/div><div id=\"ftn1221\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1221\" name=\"_ftn1221\">[1221] <\/a>Le\u00e3o XIII, Carta encicl. <i>Rerum novarum<\/i>: <i>Acta Leonis XIII<\/i>, 11 (1892) 143; cf. BentoXV, Carta encicl. <i>Pacem Dei<\/i>: <i>AAS<\/i> 12 (1920), 215.<\/div><div id=\"ftn1222\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1222\" name=\"_ftn1222\">[1222] <\/a>Cf. S. Tom\u00e1s de Aquino, QD <i>De caritate<\/i>, a. 9, c; Pio XI, Carta encicl. <i>Quadragesimo anno<\/i>: <i>AAS<\/i> 23 (1931) 206-207;Jo\u00e3o XXIII, Carta encicl. <i>Mater et magistra<\/i>: <i>AAS<\/i> 53 (1961) 410; Paulo VI, <i>Discurso \u00e0 FAO<\/i> (16 de Novembro de 1970), 11: <i>AAS<\/i> 62 (1970) 837-838; Jo\u00e3o Paulo II, <i>Discurso aos membros da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o \u00abIustitia et Pax\u00bb<\/i> (9 de Fevereiro de 1980), 7: <i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>, ed. em Portugu\u00eas, 24 de Fevereiro de 1980, p. 3.<\/div><div id=\"ftn1223\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1223\" name=\"_ftn1223\">[1223] <\/a>Cf. Paulo VI, Carta apost. <i>Octogesima adveniens<\/i>, 46 <i>: AAS<\/i> 63 (1971) 433-435.<\/div><div id=\"ftn1224\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1224\" name=\"_ftn1224\">[1224] <\/a>Cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Decr. <i>Apostolicam actuositatem<\/i>, 8: <i>AAS<\/i> 58 (1966) 844-845; Paulo VI, Carta encicl. <i>Populorum progressio<\/i>, 44: <i>AAS<\/i> 59 (1967) 279; Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. <i>Christifideles laici<\/i>, 42: <i>AAS<\/i> 81 (1989) 472-476; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1939.<\/div><div id=\"ftn1225\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1225\" name=\"_ftn1225\">[1225] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Redemptor hominis<\/i>, 15: <i>AAS<\/i> 71 (1979) 288.<\/div><div id=\"ftn1226\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1226\" name=\"_ftn1226\">[1226] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Dives in misericordia<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 72 (1980) 1223.<\/div><div id=\"ftn1227\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1227\" name=\"_ftn1227\">[1227] <\/a>Jo\u00e3o Paulo II, <i>Mensagem para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz 2004<\/i>, 10: <i>AAS <\/i>96 (2004) 121; cf. Id., Carta encicl. <i>Dives in misericordia<\/i>, 14: <i>AAS<\/i> 72 (1980) 1224; <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2212.<\/div><div id=\"ftn1228\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1228\" name=\"_ftn1228\">[1228] <\/a>S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, Homilia <i>De perfecta caritate<\/i>, 1, 2: <i>PG<\/i> 56, 281-282.<\/div><div id=\"ftn1229\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1229\" name=\"_ftn1229\">[1229] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. <i>Novo millennio ineunte<\/i>, 49-51: <i>AAS<\/i> 93 (2001) 302-304.<\/div><div id=\"ftn1230\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1230\" name=\"_ftn1230\">[1230] <\/a>Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta encicl. <i>Centesimus annus<\/i>, 5: <i>AAS<\/i> 83 (1991) 798-800.<\/div><div id=\"ftn1231\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1231\" name=\"_ftn1231\">[1231] <\/a><i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, 1889.<br \/><a title=\"\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/#_ftnref1232\" name=\"_ftn1232\">[1232] <\/a>Santa Teresa do Menino Jesus, <i>Ato de oferecimento ao Amor misericordioso<\/i>: <i>Preghiere<\/i>: <i>Opere complete, <\/i>Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1997, p. 942-943, citado no <i>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica,<\/i> 2011.<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COMP\u00caNDIO\u00a0DA DOUTRINA SOCIAL\u00a0\u00a0DA IGREJA A JO\u00c3O PAULO II\u00a0MESTRE DE DOUTRINA SOCIAL\u00a0TESTEMUNHA EVANG\u00c9LICA\u00a0DE JUSTI\u00c7A E DE PAZ CARTA DO CARDEAL ANGELO SODANO CARTA DO CARDEAL ANGELO SODANO AO CARDEAL RENATO RAFFAELE MARTINO PRESIDENTE DO PONTIF\u00cdCIO CONSELHO\u00a0\u00abJUSTI\u00c7A E PAZ\u00bb \u00a0Do Vaticano, 29 de Junho de 2004. 559.332 Senhor Cardeal, No decorrer da sua hist\u00f3ria, e em particular [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-259","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=259"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/259\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":266,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/259\/revisions\/266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/dsi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}