Opinião: «Catequizar com Esperança; Caminhar à Luz do Ressuscitado», por Olímpia Mairos

Com larga experiência na catequese, e membro do Secretariado Diocesano da Catequese de Vila Real, Olímpia Mairos comenta a Nota Pastoral para esta Semana Nacional da Educação Cristã a partir da sua experiência de caminho

 

Vivemos num tempo em que o futuro, tantas vezes, parece incerto e sombrio. Mas é precisamente aí que a minha fé me recorda que não caminho sozinha: o olhar cristão é um olhar de esperança, aquele que vê para além das sombras e reconhece, mesmo na dor, o brilho discreto da glória futura.

Sou catequista — e nesta vocação descubro o chamamento a ser reflexo e embaixadora da esperança. Todos os dias peço a Deus que me ajude a ver nos meus catequizandos não apenas o que são hoje, mas o que podem ser no amor de Cristo. Educar na Fé, para mim, é caminhar lado a lado, semear luz no coração dos outros, mesmo quando o terreno parece árido.

Aprendi que a esperança não é uma ilusão, mas uma força viva que o Espírito Santo faz brotar em nós. É essa esperança que me faz acreditar que o amor é sempre possível, que o perdão cura, que o diálogo constrói, e que cada gesto de ternura transforma o mundo.

Em tempos em que tantos vivem sem rumo, marcados pelo medo ou pela pressa do imediato, sinto-me chamada a catequizar com paciência e confiança, acreditando que Deus age, mesmo quando os frutos ainda não se veem. Como dizia Bento XVI, “a nossa esperança é também esperança para os outros” — e é por isso que cada encontro, cada sorriso, cada escuta é, em si, um pequeno milagre.

Lançar a âncora, isto é, confiar, acreditar, entregar é desafio constante na missão catequética e que exige também perseverança — estar agarrada à corda da esperança, como nos incentivou Francisco é o compromisso — confiando que ela está firme, sustentando-me.

Quero continuar a ser testemunha de que a alegria é fruto da esperança. Não uma alegria superficial, mas a serenidade de quem sabe que o Ressuscitado caminha connosco. Catequizar com esperança é acreditar que cada criança, cada jovem, é imagem do Criador e que a missão do catequista é ajudar à descoberta desse tesouro e conduzir ao encontro com Jesus.

Hoje, mais do que nunca, quero ser profeta de amor e de esperança, ajudando a reconstruir os vínculos, a despertar o sentido e a mostrar que, mesmo num mundo dominado pela tecnologia, o coração humano continua a ser o verdadeiro centro de toda a aprendizagem.

Confio esta missão à Virgem Maria, Mãe da Esperança, para que me ensine a escutar, a acolher e a servir com alegria. Porque é no serviço e na entrega que a esperança se faz viva e é nela que desejo permanecer, como peregrina de um futuro luminoso, guiado pelo Amor que nunca falha.

Imagem: Celebração Mistagógica|JNC2024

Olímpia Mairos, subdiretora do SDEC Vila Real

Educris|11.10.2025

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