
Durante a missa do Jubileu da Espiritualidade, celebrada este domingo na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV apelou aos cristãos para que mantenham “sempre presente Jesus Cristo” e façam da espiritualidade mariana um caminho de simplicidade, ternura e compromisso com os pobres
Na homilia proferida perante milhares de fiéis reunidos no Vaticano, o Papa Leão XIV recordou as palavras do apóstolo Paulo a Timóteo – “Tem sempre bem presente Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos” – como o centro de toda a vida cristã. “Só isso importa e faz a diferença entre as espiritualidades humanas e o caminho de Deus”, afirmou o Pontífice, sublinhando que o domingo deve “encher o sentir e o pensar dos cristãos com a memória incandescente de Jesus”, transformando a convivência e o modo de habitar o mundo.
A partir da leitura da cura de Naaman, o Sírio, o Papa evocou a lição do Evangelho sobre a fé e a gratuidade do amor divino. Citando o Papa Francisco, Leão XIV alertou para o risco de se viver “aparentemente vivo, mas fechado e isolado na própria doença”, quando a fé é usada como armadura para esconder fragilidades. “Jesus liberta-nos desse perigo — Ele que nasce e morre nu, que oferece o seu dom sem exigir reconhecimento”, disse.
O Papa dedicou também parte significativa da homilia à espiritualidade mariana, que descreveu como “serviço ao Evangelho” e expressão da simplicidade de Deus. “O afeto por Maria de Nazaré torna-nos, com Ela, discípulos de Jesus, educa-nos a voltar para Ele e a reconhecer o Ressuscitado nos acontecimentos da vida”, afirmou, destacando o papel de Maria como modelo de humildade e compromisso com os humildes. “A espiritualidade mariana mergulha-nos na história sobre a qual o céu se abriu”, acrescentou, numa referência ao Magnificat.
Leão XIV advertiu ainda contra “formas de culto que não ligam aos outros e anestesiam o coração”, insistindo que a fé autêntica deve traduzir-se em encontro e solidariedade, não em exclusão. “Tenhamos cuidado com toda a instrumentalização da fé, que faz correr o risco de transformar os diferentes – muitas vezes os pobres – em inimigos, em ‘leprosos’ a evitar e rejeitar”, disse.
Ao concluir, o Papa apelou aos fiéis para que mantenham viva a espiritualidade cristã e a devoção popular, fazendo delas “um motor de renovação e transformação” no espírito do Jubileu. “Que Maria Santíssima, nossa esperança, interceda por nós e nos oriente sempre para Jesus, o Senhor crucificado. N’Ele, há salvação para todos”, declarou.
Imagem: Vatican MEDIA
Educris|12.10.2025




