Ângelus: «A Quaresma é ‘itinerário luminoso’ de renovação interior e comunhão», afirma o Papa

Na reflexão antes do Ângelus, o Pontífice convidou à oração, jejum, esmola e silêncio como caminhos de verdadeira felicidade.

Antes da recitação do Ângelus deste domingo, primeiro da Quaresma, na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV apresentou o tempo quaresmal como “um itinerário luminoso” de conversão, purificação e renovação da vida à luz do Evangelho.

Partindo do relato das tentações de Jesus no deserto (cf. Mt 4, 1-11), o Santo Padre recordou que Cristo, conduzido pelo Espírito, experimenta a fome e o peso da condição humana, enfrentando as insídias do demónio.

“Ele experimenta o mesmo cansaço que todos nós vivenciamos no nosso caminho e, resistindo ao demónio, mostra-nos como vencer os seus enganos”, afirmou.

Renovar a obra-prima da própria vida

A liturgia deste domingo, explicou o Papa, convida a olhar para a Quaresma como um tempo de cooperação com Deus na realização da “obra-prima única da nossa vida”. Trata-se de permitir que o Senhor “remova as manchas e cure as feridas que o pecado pode ter causado”, fazendo florescer a existência “até à plenitude do amor, fonte exclusiva da verdadeira felicidade”, insistiu.

Reconhecendo que se trata de um percurso exigente, o Pontífice alertou para a tentação de “procurar gratificações fáceis”, como a riqueza, a fama ou o poder — “míseros substitutos da alegria para a qual fomos criados” — que acabam por deixar o coração “insatisfeito, inquieto e vazio”.

Penitência que enriquece

Evocando o ensinamento de São Paulo VI na Constituição apostólica Paenitemini, o Papa sublinhou que a penitência, longe de empobrecer, “enriquece a nossa humanidade, purificando-a e fortalecendo-a” no caminho que tem como meta o amor e o abandono confiante no Senhor. Ao mesmo tempo que nos torna conscientes das nossas limitações, acrescentou, a penitência dá-nos a força para as superar e viver uma comunhão mais intensa com Deus e entre nós.

Neste sentido, exortou os fiéis a praticar generosamente a oração, o jejum e as obras de misericórdia. Convidou também a redescobrir o valor do silêncio.

“Dêmos espaço ao silêncio: silenciemos um pouco as televisões, os rádios, os smartphones. Meditemos a Palavra de Deus, aproximemo-nos dos Sacramentos; escutemos a voz do Espírito Santo, que nos fala ao coração, e escutemo-nos uns aos outros, nas famílias, nos locais de trabalho, nas comunidades.

O Papa propôs ainda uma atenção concreta aos mais frágeis — idosos, pobres e doentes — e a renúncia ao supérfluo, partilhando com quem carece do necessário. Citando Santo Agostinho, recordou que uma oração vivida “com humildade e caridade, com jejum e esmola” alcança o Céu e traz paz ao coração.

Concluindo, confiou o caminho quaresmal à Virgem Maria, “Mãe que sempre assiste os seus filhos nas provações”, convidando todos a viverem este tempo de graça como oportunidade de renovação espiritual e de crescimento na comunhão.

Educris|23.02.2026

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