
O seminário de trabalho dos «Encontros do Mediterrâneo» decorre em Marselha até ao próximo domingo, reunindo responsáveis e representantes de escolas católicas de oito países da bacia mediterrânica. Iniciativa pretende reforçar os “laços de fraternidade” e “promover uma cultura de paz”num contexto internacional marcado por tensões e conflitos
O primeiro dia foi dedicado à partilha de projetos educativos e sociais que procuram transformar a escola num espaço de convivência e reconciliação. Entre eles destacou-se o projecto ALWAN – Cidadania activa e inclusiva da diversidade na escola, que envolve 86 escolas católicas do Líbano, Iraque e França, incentivando os alunos a comprometerem-se com o respeito pela diversidade cultural e religiosa. Também o «Manifesto Mediterrâneo para a Paz», coordenado pela Oficina Internacional para a Educação Católica (OIEC), mereceu destaque, unindo estudantes de Marrocos, França, Líbano e Síria num apelo conjunto à convivência pacífica.
Na conferência da tarde o padre Christian Salenson, professor no ISTR de Marselha, refletiu sobre o Mediterrâneo como “um espaço teológico sublime”, onde Deus se manifesta nas três religiões monoteístas. Sublinhou que este mar “é lugar de revelação, de diálogo e de hospitalidade”, e apontou o Evangelho, a paz e a diversidade como palavras-chave para compreender a vocação espiritual e humana desta região.
O secretário-geral da Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC), Jorge Cotovio, destacou a importância destes encontros “num momento em que a paz parece ser uma miragem”.
“O Mediterrâneo abraça histórica e geograficamente muitos países, mas nem sempre os abraça afetivamente. O impulso do Papa Francisco está a transformar este mar, tantas vezes de divisão, num pretexto para a união”, afirmou, elogiando “o número admirável de projectos que aproximam povos, inclusive em zonas de alta tensão, como o Iraque”.
O encontro termina com a chegada simbólica a Marselha de alunos do projecto “Bel Espoir”, vindos de barco, integrados no Festival pela Paz no Mediterrâneo, que incluirá ateliês, conferências e oficinas dedicadas à convivência e ao diálogo intercultural.
Educris|24.10.2025




