{"id":1001704748,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11055-homilia-do-papa-francisco-na-missa-da-noite-de-natal-"},"modified":"2025-11-07T16:34:42","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:42","slug":"homilia-do-papa-francisco-na-missa-da-noite-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-francisco-na-missa-da-noite-de-natal\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco na Missa da Noite de Natal"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_natal_2018_181227012246.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p>Na homilia da noite de Natal o Papa Francisco explicou que Deus &#8220;<span>n\u00e3o cavalga a grandeza, mas desce na pequenez&#8221; pois esta &#8220;\u00e9 a estrada que escolheu para chegar at\u00e9 n\u00f3s&#8221;<\/span><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre<\/p>\n<p>Na noite, acende-se uma luz. Aparece um anjo, a gl\u00f3ria do Senhor envolve os pastores e finalmente chega o an\u00fancio h\u00e1 s\u00e9culos esperado: \u00abHoje (\u2026) nasceu-vos um Salvador, que \u00e9 o Messias Senhor\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 11). Mas surpreende aquilo que o anjo acrescenta para indicar aos pastores como encontrar Deus que veio \u00e0 terra. \u00abIsto vos servir\u00e1 de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura\u00bb (2, 12). Eis o sinal: um menino. E \u00e9 tudo: um menino na tosca pobreza duma manjedoura. Cessam luzes, fulgor, coros de anjos. S\u00f3 um menino. Nada mais! Como predissera Isa\u00edas: \u00abUm menino nasceu para n\u00f3s\u00bb (<em>Is<\/em>\u00a09, 5).<\/p>\n<p>O Evangelho insiste neste contraste. Narra o nascimento de Jesus, come\u00e7ando por C\u00e9sar Augusto, que ordena o recenseamento de toda a terra: mostra o primeiro imperador na sua\u00a0<em>grandeza<\/em>. Mas, logo a seguir, leva-nos a Bel\u00e9m, onde, de grande, n\u00e3o h\u00e1 nada: apenas um menino pobre envolto em panos, rodeado por pastores. E ali est\u00e1 Deus, na\u00a0<em>pequenez<\/em>. Eis a mensagem: Deus n\u00e3o cavalga a grandeza, mas desce na pequenez. A pequenez \u00e9 a estrada que escolheu para chegar at\u00e9 n\u00f3s, tocar-nos o cora\u00e7\u00e3o, salvar-nos e levar-nos de volta para aquilo que conta.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, ao parar diante do pres\u00e9pio, fixemo-nos no centro: deixemos para tr\u00e1s luzes e decora\u00e7\u00f5es \u2013 que s\u00e3o belas \u2013 e contemplemos o Menino. Na sua pequenez, est\u00e1 Deus inteiro. Reconhe\u00e7amo-Lo: \u00abMenino, v\u00f3s sois Deus, Deus-Menino\u00bb. Deixemo-nos invadir por este espanto alvoro\u00e7ado. Aquele que abra\u00e7a o universo, precisa de ser tomado nos bra\u00e7os. Ele, que fez o sol, tem de ser aquecido. A ternura em pessoa precisa de ser mimada. O amor infinito tem um cora\u00e7\u00e3o min\u00fasculo, que emite batimentos leves. A Palavra eterna \u00e9 infante, isto \u00e9, incapaz de falar. O P\u00e3o da vida tem de ser nutrido. O criador do mundo n\u00e3o tem onde morar. Hoje inverte-se tudo: Deus vem, pequenino, ao mundo. A sua grandeza oferece-se na pequenez.<\/p>\n<p>E n\u00f3s \u2013 perguntemo-nos \u2013 sabemos acolher esta estrada de Deus? \u00c9 o desafio de Natal: Deus revela-Se, mas os homens n\u00e3o O compreendem. Faz-Se pequeno aos olhos do mundo\u2026 e n\u00f3s continuamos a procurar a grandeza segundo o mundo, talvez at\u00e9 em nome d\u2019Ele. Deus abaixa-Se\u2026 e n\u00f3s queremos subir para o pedestal. O Alt\u00edssimo indica a humildade\u2026 e n\u00f3s pretendemos sobressair. Deus vai \u00e0 procura dos pastores, dos invis\u00edveis\u2026 n\u00f3s buscamos visibilidade, fazermo-nos ver. Jesus nasce para servir\u2026 e n\u00f3s passamos os anos atr\u00e1s do sucesso. Deus n\u00e3o busca for\u00e7a nem poder; pede ternura e pequenez interior.<\/p>\n<p>Eis o que devemos pedir a Jesus no Natal:\u00a0<em>a gra\u00e7a da pequenez<\/em>. \u00abSenhor, ensinai-nos a amar a pequenez. Ajudai-nos a compreender que \u00e9 a estrada para a verdadeira grandeza\u00bb. Mas que significa, concretamente, acolher a pequenez? Em primeiro lugar, significa acreditar que Deus quer vir\u00a0<em>\u00e0s pequenas coisas da nossa vida<\/em>, quer habitar nas realidades quotidianas, nos gestos simples que realizamos em casa, na fam\u00edlia, na escola, no trabalho. \u00c9 na nossa exist\u00eancia ordin\u00e1ria que Ele quer realizar coisas extraordin\u00e1rias. Trata-se duma mensagem de grande esperan\u00e7a: Jesus convida-nos a valorizar e redescobrir as pequenas coisas da vida. Se Ele est\u00e1 l\u00e1 connosco, que nos falta? Ent\u00e3o deixemos para tr\u00e1s o lamento por causa da grandeza que n\u00e3o temos. Renunciemos \u00e0s lam\u00farias e rostos amuados, \u00e0 avidez que nos deixa insatisfeitos. A pequenez, a maravilha daquela Crian\u00e7a pequenina: esta \u00e9 a mensagem.<\/p>\n<p>Mais ainda! Jesus n\u00e3o quer vir s\u00f3 \u00e0s pequenas coisas da nossa vida, mas tamb\u00e9m\u00a0<em>\u00e0 nossa pequenez<\/em>: ao nosso sentir-nos fracos, fr\u00e1geis, inadequados, talvez at\u00e9 errados. Irm\u00e3 e irm\u00e3o, se, como em Bel\u00e9m, te circunda a escurid\u00e3o da noite, se em redor notas uma indiferen\u00e7a fria, se as feridas que trazes dentro te gritam \u00abcontas pouco, n\u00e3o vales nada, nunca ser\u00e1s amado como queres\u00bb, nesta noite \u2013 se tu sentes isto \u2013 tens a resposta de Deus, que te diz: \u00abAmo-te assim como \u00e9s. A tua pequenez n\u00e3o Me assusta, as tuas fragilidades n\u00e3o Me preocupam. Fiz-Me pequeno por ti. Para ser o teu Deus, tornei-Me teu irm\u00e3o. Amado irm\u00e3o, amada irm\u00e3, n\u00e3o tenhas medo de Mim, mas reencontra em Mim a tua grandeza. Estou perto de ti e a \u00fanica coisa que te pe\u00e7o \u00e9 isto: confia em Mim e d\u00e1-Me guarida no teu cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>Acolher a pequenez significa mais uma coisa: abra\u00e7ar Jesus\u00a0<em>nos pequenos de hoje<\/em>. Ou seja, am\u00e1-Lo nos \u00faltimos, servi-Lo nos pobres. S\u00e3o eles os mais parecidos com Jesus, nascido pobre. E \u00e9 nos pobres que Ele quer ser honrado. Nesta noite de amor, um \u00fanico medo nos assalte: ferir o amor de Deus, feri-lo desprezando os pobres com a nossa indiferen\u00e7a. S\u00e3o os prediletos de Jesus, que nos h\u00e3o de acolher um dia no C\u00e9u. Uma poetisa escreveu: \u00abQuem n\u00e3o encontrou o C\u00e9u c\u00e1 em baixo, falh\u00e1-lo-\u00e1 l\u00e1 em cima\u00bb (E. Dickinson,\u00a0<em>Poems<\/em>, XVII). N\u00e3o percamos de vista o C\u00e9u, cuidemos de Jesus agora, acarinhando-O nos necessitados, porque Se identificou com eles.<\/p>\n<p>Fixando de novo o pres\u00e9pio, vemos que, no seu nascimento, Jesus est\u00e1 rodeado precisamente pelos pequenos, pelos pobres. S\u00e3o o<em>s pastores<\/em>. Eram os mais simples; e foram os que estiveram mais perto do Senhor. Encontraram-No, porque \u00abpernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 8). Estavam l\u00e1 para trabalhar, porque eram pobres e a sua vida n\u00e3o tinha hor\u00e1rio, dependia do rebanho. N\u00e3o podiam viver como e onde queriam, mas regulavam-se de acordo com as exig\u00eancias das ovelhas que cuidavam. E Jesus nasceu l\u00e1 pr\u00f3ximo deles, perto dos esquecidos das periferias. Vem onde a dignidade do homem \u00e9 posta \u00e0 prova. Vem nobilitar os exclu\u00eddos, revelando-Se primeiramente a eles: n\u00e3o a personalidades cultas e importantes, mas a gente pobre que trabalhava. Nesta noite, Deus vem encher de dignidade a dureza do trabalho. Recorda-nos como \u00e9 importante dar dignidade ao homem com o trabalho, mas tamb\u00e9m\u00a0<em>dar dignidade ao trabalho do homem<\/em>, porque o homem \u00e9 senhor e n\u00e3o escravo do trabalho. No dia da Vida, repitamos: chega de mortes no trabalho! Empenhemo-nos para que cessem.<\/p>\n<p>Olhemos uma \u00faltima vez para o pres\u00e9pio, alongando a vista at\u00e9 \u00e0s suas extremidades, onde j\u00e1 se vislumbram os\u00a0<em>Magos<\/em>\u00a0que v\u00eam, peregrinos, para adorar o Senhor. Olhemos e compreendamos que, \u00e0 volta de Jesus, tudo se comp\u00f5e numa unidade: n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3 os \u00faltimos, os pastores, mas tamb\u00e9m os eruditos e os ricos, os Magos. Em Bel\u00e9m, est\u00e3o juntos pobres e ricos, quem adora como os Magos e quem trabalha como os pastores. Tudo se harmoniza quando, no centro, est\u00e1 Jesus: n\u00e3o as nossas ideias sobre Jesus, mas Ele mesmo, o Vivente. Ent\u00e3o, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s,\u00a0<em>voltemos a Bel\u00e9m<\/em>, voltemos \u00e0s origens: \u00e0 essencialidade da f\u00e9, ao primeiro amor, \u00e0 adora\u00e7\u00e3o e \u00e0 caridade. Olhemos os Magos que v\u00eam em peregrina\u00e7\u00e3o e, como Igreja sinodal, a caminho, vamos a Bel\u00e9m, onde est\u00e1 Deus no homem e o homem em Deus; onde o Senhor ocupa o primeiro lugar e \u00e9 adorado; onde os \u00faltimos ocupam o lugar mais pr\u00f3ximo d\u2019Ele; onde pastores e Magos est\u00e3o juntos numa fraternidade mais forte do que qualquer distin\u00e7\u00e3o. Que Deus nos conceda ser uma Igreja adoradora, pobre, fraterna. Isto \u00e9 o essencial. Voltemos a Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Faz-nos bem ir l\u00e1, d\u00f3ceis ao Evangelho de Natal, que apresenta a Sagrada Fam\u00edlia, os pastores e os Magos: s\u00e3o, todos, pessoas a caminho. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, ponhamo-nos a caminho, porque a vida \u00e9 uma peregrina\u00e7\u00e3o. Ergamo-nos, despertemos porque, nesta noite, acendeu-se uma luz. \u00c9 uma luz suave e lembra-nos que, na nossa pequenez, somos filhos amados, filhos da luz (cf.\u00a0<em>1 Tes<\/em>\u00a05, 5). Irm\u00e3os e irm\u00e3s, alegremo-nos juntos, porque ningu\u00e9m apagar\u00e1 jamais esta luz, a luz de Jesus, que, desde esta noite, brilha no mundo.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em italiano<\/p>\n<p>24.12.2021<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na homilia da noite de Natal o Papa Francisco explicou que Deus &#8220;n\u00e3o cavalga a grandeza, mas desce na pequenez&#8221; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1350851082,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-1001704748","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1001704748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1001704748"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1001704748\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294995993,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1001704748\/revisions\/4294995993"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1350851082"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1001704748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1001704748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1001704748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}