{"id":100290954,"date":"2022-10-19T00:00:00","date_gmt":"2022-10-19T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/11708-audiencia-geral-reler-a-propria-vida-educa-o-olhar-afirma-o-papa"},"modified":"2022-10-19T00:00:00","modified_gmt":"2022-10-19T00:00:00","slug":"audiencia-geral-reler-a-propria-vida-educa-o-olhar-afirma-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-reler-a-propria-vida-educa-o-olhar-afirma-o-papa\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00abReler a pr\u00f3pria vida educa o olhar\u00bb, afirma o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_151014013621.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Em nova catequese sobre o tema do discernimento, o Papa Francisco destacou o modo como, tantas vezes, &#8220;o bem est\u00e1 escondido&#8221;, e desafiou os crentes ao exerc\u00edcio de &#8220;reler os momentos bons e os momentos escuros&#8221; pois, o discernimento &#8220;\u00e9 o cora\u00e7\u00e3o que nos fala de Deus&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a catequese do Papa<\/p>\n<p><strong>Catequeses sobre o discernimento 6.\u00a0Os elementos do discernimento. O livro da pr\u00f3pria vida<\/strong><\/p>\n<p><em>Prezados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bem-vindos e bom dia!<\/em><\/p>\n<p>Nas catequeses destas semanas insistimos sobre os pressupostos para fazer um bom discernimento. Na vida devemos tomar decis\u00f5es, sempre, e para tomar decis\u00f5es devemos percorrer um caminho, uma estrada de discernimento. Cada atividade importante tem as suas \u201cinstru\u00e7\u00f5es\u201d a seguir, que devem ser conhecidas para que possam produzir os efeitos necess\u00e1rios. Hoje meditemos sobre outro ingrediente indispens\u00e1vel para o discernimento:\u00a0<em>a pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida.\u00a0<\/em>Conhecer a pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida \u00e9 um ingrediente \u2013 digamos assim \u2013 indispens\u00e1vel para o discernimento.<\/p>\n<p>A nossa vida \u00e9 o \u201clivro\u201d mais precioso que nos foi confiado, um livro que muitos infelizmente n\u00e3o leem, ou que o fazem demasiado tarde, antes de morrer. No entanto, \u00e9 precisamente nesse livro que se encontra aquilo que se procura inutilmente por outros caminhos. Santo Agostinho, um grande investigador da verdade, compreendeu-o exatamente relendo a sua vida, observando nela os passos silenciosos e discretos, mas incisivos, da presen\u00e7a do Senhor. No final deste percurso, anotar\u00e1 com admira\u00e7\u00e3o: \u00abTu estavas dentro de mim, e eu fora. L\u00e1, eu procurava-te. Deformado, lan\u00e7ava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Tu estavas comigo, mas eu n\u00e3o estava contigo\u00bb (<em>Confiss\u00f5es<\/em>\u00a0X, 27.38). Daqui deriva o seu convite a cultivar a vida interior, para encontrar o que se procura: \u00abVolta para ti mesmo. No homem interior habita a verdade\u00bb (<em>A verdadeira religi\u00e3o,<\/em>\u00a0XXXIX, 72). Este \u00e9 um convite que faria a todos v\u00f3s, inclusive a mim mesmo: \u201cEntra em ti mesmo. L\u00ea a tua vida.\u00a0 L\u00ea dentro de ti, como foi o teu percurso. Com serenidade. Entra em ti mesmo\u201d.<\/p>\n<p>Muitas vezes, tamb\u00e9m n\u00f3s vivemos a experi\u00eancia de Agostinho, de nos encontrarmos presos em pensamentos que nos afastam de n\u00f3s mesmos, mensagens estereotipadas que nos ferem: por exemplo, \u201cNada valho\u201d \u2013 e desanimas; \u201ctudo corre mal comigo\u201d, e deprimes-te; \u201cnunca farei nada de bom\u201d, e desencorajas-te; e assim \u00e9 a vida. Estas frases pessimistas que te desanimam! Ler a pr\u00f3pria hist\u00f3ria significa tamb\u00e9m reconhecer a presen\u00e7a destes elementos \u201ct\u00f3xicos\u201d, mas para depois ampliar a trama da nossa narra\u00e7\u00e3o, aprendendo a observar outras coisas, tornando-a mais rica, mais respeitadora da complexidade, conseguindo at\u00e9 captar os modos discretos como Deus age na nossa vida. Certa vez conheci uma pessoa da qual havia quem dissesse que merecia o pr\u00e9mio Nobel da negatividade: tudo era terr\u00edvel, tudo, e procurava sempre motivos para desanimar. Era uma pessoa amargurada e no entanto possu\u00eda muitas qualidades. Depois, esta pessoa encontrou outra pessoa que a ajudou muito e cada vez que se lamentava de algo, esta \u00faltima dizia: \u201cAgora, para compensar, diz alguma coisa positiva de ti\u201d. E ele: \u201cAh, sim&#8230; tenho tamb\u00e9m esta qualidade\u201d, e pouco a pouco ajudou-o a ir em frente, a ler bem a pr\u00f3pria vida, quer nos aspetos negativos quer nos positivos. Devemos ler a nossa vida, e assim vemos o que n\u00e3o \u00e9 positivo e tamb\u00e9m as coisas boas que Deus semeia em n\u00f3s.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Vimos que o discernimento tem uma abordagem\u00a0<em>narrativa:<\/em>\u00a0n\u00e3o se limita \u00e0 a\u00e7\u00e3o pontual; insere-a num contexto: de onde vem este pensamento? O que sinto agora, de onde vem? Para onde me leva o que estou a pensar agora? Quando tive a ocasi\u00e3o de o encontrar precedentemente? \u00c9 algo novo que sinto agora, ou que j\u00e1 senti outras vezes? Porqu\u00ea \u00e9 mais insistente do que outros? \u00a0O que me quer dizer a vida com isto?<\/p>\n<p>A narra\u00e7\u00e3o das vicissitudes da nossa vida permite tamb\u00e9m compreender matizes e detalhes importantes, que podem revelar-se ajudas valiosas at\u00e9 ent\u00e3o ocultas. Por exemplo, uma leitura, um servi\u00e7o, um encontro, \u00e0 primeira vista considerados de pouca import\u00e2ncia, sucessivamente transmitem uma paz interior, transmitem a alegria de viver e sugerem outras iniciativas de bem. Deter-se e reconhecer que isto \u00e9 indispens\u00e1vel para o discernimento. Parar \u00e9 reconhecer: \u00e9 importante para o discernimento, \u00e9 uma obra de recolha daquelas p\u00e9rolas preciosas e escondidas que o Senhor disseminou no nosso terreno.<\/p>\n<p>O bem est\u00e1 escondido, sempre, pois o bem tem pudor e esconde-se: o bem est\u00e1 escondido; \u00e9 silencioso, requer uma escava\u00e7\u00e3o lenta e cont\u00ednua. Pois o estilo de Deus \u00e9 discreto: a Deus apraz o escondimento, a discri\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se imp\u00f5e; \u00e9 como o ar que respiramos, n\u00e3o o vemos, mas faz-nos viver, e s\u00f3 nos damos conta dele quando nos falta.<\/p>\n<p>Habituar-se a reler a pr\u00f3pria vida educa o olhar, agu\u00e7a-o, permite notar os pequenos milagres que o bom Deus realiza para n\u00f3s todos os dias. Quando prestamos aten\u00e7\u00e3o, observamos outros rumos poss\u00edveis que revigoram o gosto interior, a paz e a criatividade. Acima de tudo, torna-nos mais livres dos estere\u00f3tipos t\u00f3xicos. Diz-se sabiamente que o homem que n\u00e3o conhece o seu passado est\u00e1 condenado a repeti-lo. \u00c9 curioso: se n\u00e3o conhecermos a estrada percorrida, o passado, repetimo-lo sempre, somos circulares. A pessoa que caminha circularmente nunca vai em frente, n\u00e3o h\u00e1 caminho, \u00e9 como o c\u00e3o que se morde a cauda, sempre vai assim, e repete as a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Podemos perguntar-nos: j\u00e1 contei a algu\u00e9m a minha vida? Esta \u00e9 uma bonita experi\u00eancia dos namorados, que quando a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00e9ria contam a vida um ao outro&#8230; Trata-se de uma das formas de comunica\u00e7\u00e3o mais belas e \u00edntimas, narrar a pr\u00f3pria vida. Ela permite-nos descobrir coisas at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas, pequenas e simples, mas, como diz o Evangelho, \u00e9 precisamente das pequenas coisas que nascem as grandes (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a016, 10).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a vida dos santos constitui uma ajuda preciosa para reconhecer o estilo de Deus na pr\u00f3pria vida: permite familiarizar com o seu modo de agir. O comportamento de alguns santos interpela-nos, mostrando-nos novos significados e oportunidades. Foi o que aconteceu, por exemplo, a Santo In\u00e1cio de Loyola. Quando descreve a descoberta fundamental da sua vida, acrescenta uma importante observa\u00e7\u00e3o: \u00abPor experi\u00eancia, deduziu que alguns pensamentos o deixaram triste e outros, alegre; e pouco a pouco aprendeu a conhecer a diversidade dos pensamentos, a diversidade dos esp\u00edritos que nele se agitavam\u00bb (<em>Autob.,<\/em>\u00a0n. 8). Conhecer o que acontece dentro de n\u00f3s, conhecer, estar atentos.<\/p>\n<p>O discernimento \u00e9 a leitura narrativa dos momentos bons e dos momentos escuros, das consola\u00e7\u00f5es e desola\u00e7\u00f5es que experimentamos ao longo da nossa vida. No discernimento \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o que nos fala de Deus, e n\u00f3s devemos aprender a compreender a sua linguagem. Perguntemo-nos, no final do dia, por exemplo: o que aconteceu hoje no meu cora\u00e7\u00e3o? Alguns pensam que fazer este exame de consci\u00eancia \u00e9 fazer a contabilidade dos pecados que cometemos \u2013 e cometemos muitos \u2013 mas \u00e9 tamb\u00e9m perguntar-se \u201co que aconteceu dentro de mim, tive alegrias? O que me causou alegria? Fiquei triste? Qual o motivo da tristeza? E assim aprender a\u00a0<em>discernir<\/em>\u00a0o que acontece dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Imagem: Vatican MEDIA<\/p>\n<p>Educris|19.10.2022<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nova catequese sobre o tema do discernimento, o Papa Francisco destacou o modo como, tantas vezes, &#8220;o bem est\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":744973813,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[67],"class_list":["post-100290954","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-divulgacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100290954","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=100290954"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100290954\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/744973813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100290954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=100290954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100290954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}