{"id":1018447560,"date":"2022-09-14T00:00:00","date_gmt":"2022-09-14T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11646-cazaquistao-ser-cristao-significa-viver-sem-venenos-advoga-o-papa"},"modified":"2022-09-14T00:00:00","modified_gmt":"2022-09-14T00:00:00","slug":"cazaquistao-ser-cristao-significa-viver-sem-venenos-advoga-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/cazaquistao-ser-cristao-significa-viver-sem-venenos-advoga-o-papa\/","title":{"rendered":"Cazaquist\u00e3o: \u00abSer crist\u00e3o significa viver sem venenos\u00bb, advoga o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_casaquistao_220915100303.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Na homilia desta manh\u00e3, na pra\u00e7a da Expo em Nur-Sultan, capital do Cazaquist\u00e3o, Francisco fez mem\u00f3ria das &#8220;serpentes do deserto&#8221; e recordou &#8220;o caminho conturbado da persegui\u00e7\u00e3o&#8221; para lembrar que &#8220;a paz nunca est\u00e1 conquistada duma vez por todas&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre<\/p>\n<p>A cruz \u00e9 um pat\u00edbulo de morte, mas, neste dia de festa, celebramos a exalta\u00e7\u00e3o da Cruz de Cristo. Porque, naquele madeiro, Jesus tomou sobre Si o nosso pecado e o mal do mundo, e derrotou-os com o seu amor. \u00c9 por isso que fazemos festa hoje. A Palavra de Deus que escutamos narra-nos isso mesmo, contrapondo, por um lado, as serpentes que mordem e, por outro, a serpente que salva. Detenhamo-nos sobre estas duas imagens.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar,\u00a0<em>as serpentes que mordem<\/em>. Atacam o povo, que se deixou cair mais uma vez no pecado da murmura\u00e7\u00e3o. Murmurar contra Deus n\u00e3o significa apenas falar mal e lamentar-se d\u2019Ele; quer dizer tamb\u00e9m, e mais profundamente, que, no cora\u00e7\u00e3o dos israelitas, esmoreceu a confian\u00e7a n\u2019Ele, na sua promessa. Com efeito, o povo de Deus encontrava-se a caminhar no deserto rumo \u00e0 Terra Prometida e sente-se dominado pelo cansa\u00e7o, n\u00e3o suporta a viagem (cf.\u00a0<em>Nm<\/em>\u00a021, 4). Ent\u00e3o desanima, perde a esperan\u00e7a e, a certa altura, \u00e9 como se esquecesse a promessa do Senhor: aquelas pessoas j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam a for\u00e7a de acreditar que \u00e9 Ele quem guia o seu caminho para uma terra rica e fecunda.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que o povo, tendo-se esgotado a confian\u00e7a em Deus, acaba mordido por serpentes que matam. Eles lembram-se da primeira serpente de que fala a B\u00edblia no livro do G\u00e9nesis: o tentador que envenena o cora\u00e7\u00e3o do homem para o fazer duvidar de Deus. De facto o diabo, precisamente sob a forma de serpente, enfeiti\u00e7a Ad\u00e3o e Eva, gera neles a desconfian\u00e7a convencendo-os de que Deus n\u00e3o \u00e9 bom, antes \u00e9 invejoso da sua liberdade e felicidade. E agora, no deserto, voltam as serpentes, \u00abserpentes ardentes\u00bb (<em>Nm<\/em>\u00a021, 6); isto \u00e9, volta o pecado das origens: os israelitas duvidam de Deus, n\u00e3o se fiam d\u2019Ele, murmuram, rebelam-se contra Aquele que lhes deu a vida e, assim, v\u00e3o ao encontro da morte. Eis aonde leva a desconfian\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, esta primeira parte da narra\u00e7\u00e3o pede para vermos atentamente os momentos da nossa hist\u00f3ria pessoal e comunit\u00e1ria nos quais veio a faltar a confian\u00e7a no Senhor e entre n\u00f3s. Quantas vezes estiolamos, desanimados e impacientes, nos nossos desertos, perdendo de vista a meta do caminho! Aqui, no Cazaquist\u00e3o, tamb\u00e9m existe o deserto que, a par da paisagem espl\u00eandida que nos oferece, fala-nos simultaneamente do cansa\u00e7o, da aridez que \u00e0s vezes trazemos no cora\u00e7\u00e3o: s\u00e3o os momentos de cansa\u00e7o e de prova, em que j\u00e1 n\u00e3o temos for\u00e7as para olhar para cima, olhar para Deus; s\u00e3o as situa\u00e7\u00f5es de vida pessoal, eclesial e social em que somos mordidos pela serpente da desconfian\u00e7a, injetando em n\u00f3s os venenos da desilus\u00e3o e do desconsolo, do pessimismo e da resigna\u00e7\u00e3o, fechando-nos no nosso eu, apagando o entusiasmo.<\/p>\n<p>Mas, na hist\u00f3ria desta terra, n\u00e3o faltaram outras mordeduras dolorosas: penso nas serpentes ardentes da viol\u00eancia, da persegui\u00e7\u00e3o ate\u00edsta, penso naquele caminho por vezes conturbado durante o qual foi amea\u00e7ada a liberdade do povo e ferida a sua dignidade. Faz-nos bem guardar a recorda\u00e7\u00e3o daquilo que sofremos: certas brumas, \u00e9 preciso n\u00e3o as cancelar da mem\u00f3ria; caso contr\u00e1rio, pode-se pensar que sejam \u00e1gua passada e que o caminho do bem esteja delineado para sempre. E n\u00e3o! A paz nunca est\u00e1 conquistada duma vez por todas; h\u00e1 de ser conquistada cada dia, como tamb\u00e9m a conviv\u00eancia entre etnias e tradi\u00e7\u00f5es religiosas diversas, o desenvolvimento integral, a justi\u00e7a social. E, para que o Cazaquist\u00e3o cres\u00e7a ainda mais \u00abna fraternidade, no di\u00e1logo e na compreens\u00e3o (&#8230;) para \u201clan\u00e7ar pontes\u201d de coopera\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria com os outros povos, na\u00e7\u00f5es e culturas\u00bb (S. Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/speeches\/2001\/september\/documents\/hf_jp-ii_spe_20010922_kazakhstan-astana-arrival.html\">Discurso na cerim\u00f3nia de boas-vindas<\/a><\/em>, 22\/IX\/2001), h\u00e1 necessidade do empenho de todos. E ainda antes h\u00e1 necessidade dum renovado ato de confian\u00e7a no Senhor: olhar para cima, olhar para Ele, aprender com o seu amor universal e crucificado.<\/p>\n<p>Passamos assim \u00e0 segunda imagem:\u00a0<em>a serpente que salva<\/em>. Enquanto o povo vai morrendo por causa das serpentes ardentes, Deus escuta a ora\u00e7\u00e3o de intercess\u00e3o de Mois\u00e9s e diz-lhe: \u00abFaz para ti uma serpente abrasadora e coloca-a num poste. Suceder\u00e1 que todo aquele que tiver sido mordido, se olhar para ela, ficar\u00e1 vivo\u00bb (<em>Nm<\/em>\u00a021, 8). De facto, \u00abquando algu\u00e9m era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, vivia\u00bb (21, 9). Poder\u00edamos, por\u00e9m, interrogar-nos: porque \u00e9 que Deus, em vez de dar estas instru\u00e7\u00f5es laboriosas a Mois\u00e9s, n\u00e3o destruiu simplesmente as serpentes venenosas? Este modo de proceder revela-nos o seu modo de agir perante o mal, o pecado e a difid\u00eancia da humanidade. Ent\u00e3o como agora, na grande batalha espiritual que habita a hist\u00f3ria at\u00e9 ao fim, Deus n\u00e3o aniquila as baixezas que o homem segue livremente: as serpentes venenosas n\u00e3o desaparecem, continuam a existir; est\u00e3o \u00e0 espreita, sempre podem morder. Que mudou ent\u00e3o? Que faz Deus?<\/p>\n<p>Jesus explica-o no Evangelho: \u00abAssim como Mois\u00e9s ergueu a serpente no deserto, assim tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio que o Filho do Homem seja erguido ao alto, a fim de que todo o que n\u2019Ele cr\u00ea tenha a vida eterna\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a03, 14-15). Eis aqui a viragem! Chegou entre n\u00f3s a serpente que salva: Jesus, elevado no poste da cruz, n\u00e3o permite \u00e0s serpentes venenosas, que nos assaltam, n\u00e3o lhes permite levar-nos \u00e0 morte. Perante as nossas baixezas, Deus aponta- nos uma nova altura: se mantivermos o olhar voltado para Jesus, as mordeduras do mal j\u00e1 n\u00e3o nos podem dominar, porque Ele, na cruz, tomou sobre Si o veneno do pecado e da morte, e aniquilou a sua for\u00e7a destruidora. Aqui temos o que fez o Pai perante a propaga\u00e7\u00e3o do mal no mundo; deu-nos Jesus, que Se aproximou de n\u00f3s como nunca poder\u00edamos ter imaginado: \u00abAquele que n\u00e3o havia conhecido o pecado, Deus O fez pecado por n\u00f3s\u00bb (<em>2 Cor<\/em>\u00a05, 21). Tal \u00e9 a grandeza infinita da miseric\u00f3rdia divina: Jesus que Se \u00abfez pecado\u00bb em nosso favor, Jesus que na cruz \u2013 poder\u00edamos dizer \u2013 \u00abSe fez serpente\u00bb a fim de que, olhando para Ele, possamos resistir \u00e0s mordeduras venenosas das serpentes malignas que nos assaltam.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, esta \u00e9 a estrada, a estrada da nossa salva\u00e7\u00e3o, do nosso renascimento e ressurrei\u00e7\u00e3o: olhar para Jesus crucificado. Daquela altura, podemos ver de maneira nova a nossa vida e a hist\u00f3ria dos nossos povos. Porque, a partir da Cruz de Cristo, aprendemos o amor, n\u00e3o o \u00f3dio; aprendemos a compaix\u00e3o, n\u00e3o a indiferen\u00e7a; aprendemos o perd\u00e3o, n\u00e3o a vingan\u00e7a. Os bra\u00e7os abertos de Jesus s\u00e3o o abra\u00e7o de ternura com que Deus nos quer acolher. E mostram-nos a fraternidade que somos chamados a viver entre n\u00f3s e com todos. Indicam-nos o caminho, o caminho crist\u00e3o: n\u00e3o o da imposi\u00e7\u00e3o e constri\u00e7\u00e3o, da for\u00e7a e da exuber\u00e2ncia; nunca o que levanta a cruz de Cristo contra outros irm\u00e3os e irm\u00e3s por quem Ele deu a vida! \u00c9 outro o caminho de Jesus, o caminho da salva\u00e7\u00e3o:\u00a0<em>\u00e9 o caminho do amor humilde, gratuito e universal<\/em>, sem \u00abse\u00bb nem \u00abmas\u00bb.<\/p>\n<p>Sim, porque, no madeiro da cruz, Cristo tirou o veneno \u00e0 serpente do mal, e ser crist\u00e3o significa\u00a0<em>viver sem venenos<\/em>: n\u00e3o nos mordermos entre n\u00f3s, n\u00e3o murmurar, n\u00e3o acusar, n\u00e3o criticar os outros, n\u00e3o disseminar as obras do mal, n\u00e3o poluir o mundo com o pecado e a desconfian\u00e7a que vem do Maligno. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, renascemos do lado aberto de Jesus na cruz: n\u00e3o haja em n\u00f3s qualquer veneno de morte (cf.\u00a0<em>Sab<\/em>\u00a01, 14). Pelo contr\u00e1rio, rezemos para que, pela gra\u00e7a de Deus, possamos tornar-nos cada vez mais crist\u00e3os: testemunhas alegres de vida nova, de amor, de paz.<\/p>\n<p>Educris|14.09.2022<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na homilia desta manh\u00e3, na pra\u00e7a da Expo em Nur-Sultan, capital do Cazaquist\u00e3o, Francisco fez mem\u00f3ria das &#8220;serpentes do deserto&#8221; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1727324077,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-1018447560","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1018447560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1018447560"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1018447560\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1727324077"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1018447560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1018447560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1018447560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}