{"id":1044400983,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/10773-domingo-xxvi-do-tempo-comum-cada-copo-de-agua-conta"},"modified":"2025-11-07T16:33:48","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:48","slug":"domingo-xxvi-do-tempo-comum-cada-copo-de-agua-conta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxvi-do-tempo-comum-cada-copo-de-agua-conta\/","title":{"rendered":"Domingo XXVI do Tempo Comum: \u00abCada Copo de \u00e1gua conta\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. A li\u00e7\u00e3o do Livro dos N\u00fameros deste Domingo XXVI (N\u00fameros 11,25-29) mostra-nos um Mois\u00e9s, n\u00e3o dono de nada nem de ningu\u00e9m, nada ciumento ou invejoso, mas livre, cheio de bem e de bondade, completamente a c\u00e9u aberto, desejoso de ver, com olhos puros, o Esp\u00edrito de Deus a operar maravilhas em todas as pessoas e atrav\u00e9s de todas as pessoas. Josu\u00e9 representa, neste texto, a figura sombria do ciumento.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O Evangelho deste mesmo Domingo XXVI (Marcos 9,38-48) segue o mesmo rumo, e mostra-nos um Jesus feliz por ver que o bem saltou as fronteiras do pequeno grupo que o seguia, sendo praticado tamb\u00e9m por pessoas de fora. Jo\u00e3o encarna aqui a figura do Josu\u00e9 do texto supracitado do Livro dos N\u00fameros, e quer o bem todo para Jesus e o seu grupo, vendo com maus olhos que tamb\u00e9m outros o possam realizar, talvez sobretudo porque os pr\u00f3prios disc\u00edpulos tinham pouco antes fracassado (Marcos 9,18.28-29) onde agora veem algu\u00e9m de fora ter sucesso.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Nas palavras de Jo\u00e3o, o facto \u00e9 o seguinte: os disc\u00edpulos de Jesus viram algu\u00e9m a expulsar dem\u00f3nios no nome de Jesus, e trataram logo de o impedir. A raz\u00e3o apresentada para fundamentar este impedimento, tem, por\u00e9m, o seu qu\u00ea de estranho e surpreendente. Na verdade, Jo\u00e3o refere, com todas as letras, que o grupo dos disc\u00edpulos impediu o homem an\u00f3nimo de continuar a sua atividade \u00abem nome de Jesus\u00bb, \u00abporque n\u00e3o nos seguia\u00bb (<em>ouk \u00eakolo\u00fathei h\u00eam\u00een<\/em>) (Marcos 9,38). O problema reside todo neste \u00abporque n\u00e3o nos seguia\u00bb. Trata-se, de facto, de uma f\u00f3rmula estranha e surpreendente, porque, no Evangelho, fala-se sempre de \u00abseguir Jesus\u00bb, e n\u00e3o \u00aba n\u00f3s\u00bb, inclusive no \u00fanico paralelo desta passagem, apresentado em Lucas 9,49, em que se l\u00ea: \u00abporque n\u00e3o segue connosco\u00bb (<em>ouk akolouthe\u00ee meth\u2019 h\u00eam\u00f4n<\/em>). V\u00ea-se bem que estes disc\u00edpulos de Jesus ainda n\u00e3o perceberam a li\u00e7\u00e3o da humildade e do servi\u00e7o do Domingo passado, querendo eles pr\u00f3prios estar indevidamente \u00abno meio\u00bb, ocupando ou usurpando o primeiro lugar. Sempre este nosso doentio gosto de querermos estar sempre no centro das aten\u00e7\u00f5es! Salta \u00e0 vista que este texto not\u00e1vel funciona como um espelho: mostra-nos menos a figura do exorcista an\u00f3nimo e mais a figura patronal assumida pelos disc\u00edpulos de Jesus, que se julgam donos exclusivos de algumas fun\u00e7\u00f5es e defendem ciosamente esse\u00a0<em>status<\/em>.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. V\u00ea-se, no fundo da tela, que n\u00e3o basta querer o bem. Querer o bem nem sempre \u00e9 bom. Por paradoxal que pare\u00e7a, querer o bem pode ser mau. \u00c9 de facto mau, quando queremos o bem s\u00f3 para n\u00f3s, ciumenta e invejosamente. \u00c0s vezes, os nossos maus olhos levam-nos a retirar o bem do alcance dos outros, e at\u00e9 a destru\u00ed-lo, para que os outros n\u00e3o possam usufruir dele, e n\u00e3o possam nem sequer realiz\u00e1-lo, beneficiando outros! Ora, o bem que divide e exclui nunca \u00e9 bem. O bem mostra-se tal apenas quando faz comunh\u00e3o, fraternidade, mesa, p\u00e3o, \u00e1gua, pura alegria entre irm\u00e3os.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Um simples copo de \u00e1gua, dado com amor, pode trazer pela m\u00e3o a eternidade. A\u00ed est\u00e1 outra soberana li\u00e7\u00e3o de Jesus. Toda a aten\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e0s nossas m\u00e3os, p\u00e9s, olhos, entranhas, cora\u00e7\u00e3o. A m\u00e3o, que indica a nossa a\u00e7\u00e3o, pode fazer o bem ou o mal. Se faz o mal, \u00e9 melhor cort\u00e1-la, como faz o lavrador cuidadoso aos ramos secos das videiras e das \u00e1rvores de fruto. O p\u00e9, que indica o nosso caminhar, pode levar-nos por e para maus caminhos. Se nos conduz para o abismo, \u00e9 melhor cort\u00e1-lo. O olho, que indica os nossos desejos de bem e de amor ou de cobi\u00e7a, \u00f3dio, raivas e ci\u00fames, pode levar-nos \u00e0 mesa da alegria fraterna ou ao ci\u00fame e \u00e0 inveja. Estas \u00faltimas maneiras de ver levam-nos ao mal, e, portanto, ao sentimento venenoso de queremos o bem s\u00f3 para n\u00f3s. A\u00ed est\u00e1 como querer o bem nem sempre \u00e9 bom; pode ser mau. E \u00e9 melhor arrancar pela raiz este veneno mortal.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. A li\u00e7\u00e3o de Tiago (5,1-6), que lemos e abandonamos este Domingo (no pr\u00f3ximo Domingo come\u00e7a a ler-se a Carta aos Hebreus) mostra bem, numa linguagem dur\u00edssima, que o rico \u00e9 o que quer o bem s\u00f3 para si, retirando-o (roubando-o!) aos outros. Autoexclui-se da comunh\u00e3o, da bondade e da alegria da mesa fraterna. O resultado \u00e9 a tra\u00e7a, o mofo, a ferrugem, a podrid\u00e3o, recuperando assim, em termos prof\u00e9ticos e sapienciais, muitos motivos patentes no Antigo Testamento. O pequeno texto da Carta de Tiago usa 119 imperativos, dos quais se ouvem tr\u00eas no texto de hoje. Permanentes chamadas de aten\u00e7\u00e3o para este mundo em que poucos t\u00eam quase tudo, e a maioria n\u00e3o tem quase nada. O texto da Carta de Tiago \u00e9 claramente tardio, de finais do s\u00e9culo I ou princ\u00edpios do s\u00e9culo II, mas vale para todos os tempos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Esta linguagem dur\u00edssima aproxima-se de quanto, no texto do Evangelho de hoje aparece retratado na \u00abgeena\u00bb (Marcos 9,43.45.47), do aramaico\u00a0<em>g\u00eahinnam<\/em>, hebraico\u00a0<em>g\u00ea-hinnom<\/em>, que \u00e9 o nome de um vale situado a sul de Jerusal\u00e9m, lugar pag\u00e3o onde se realizava o culto a Moloch, onde os \u00edmpios Acaz e Manass\u00e9s tinham sacrificado os seus pr\u00f3prios filhos (2 Cr\u00f3nicas 28,3; 33,6). O piedoso rei Josias, no decurso da sua reforma religiosa, acabou com estes cultos pag\u00e3os, e destinou este lugar para queimar as entranhas dos animais. \u00c9 daqui que vem o espet\u00e1culo t\u00e9trico da putrefa\u00e7\u00e3o, vermes, fumo, fogo, (Jeremias 7,31-34; 19,1-13; 32,35), \u00abvermes que n\u00e3o morrem, fogo que n\u00e3o se apaga\u00bb (Marcos 9,44.46.48), que fornecer\u00e3o a linguagem adequada para dizer o inferno. A chapa original encontra-se em Isa\u00edas 66,24, \u00faltimo vers\u00edculo do profeta.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. A\u00ed est\u00e1, no ponto e em contraponto, a li\u00e7\u00e3o soberana do Evangelho de Jesus: um simples copo de \u00e1gua, dado com amor, pode trazer pela m\u00e3o a eternidade.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. O Salmo 19 \u00e9, no seu todo, uma estupenda \u00abm\u00fasica teol\u00f3gica\u00bb, como dizia Hermann Gunkel. Apresenta-se em dois quadros, que formam um belo d\u00edptico que canaliza o louvor do orante. O primeiro quadro, composto pelos v. 2-7, \u00e9 um hino ao Deus Criador. O segundo, que re\u00fane os v. 8-15, \u00e9 um hino \u00e0 Lei de Deus. Na verdade, Deus ilumina e aquece o universo com o fulgor do sol, e ilumina e acalenta o homem com o fulgor da sua Palavra contida na sua Lei revelada. Hoje contemplamos e cantamos o segundo quadro. Quem tem ouvidos, oi\u00e7a ent\u00e3o, e cante.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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