{"id":1046287743,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/34-destaques\/7332-vaticano-guardar-e-prosseguir-o-anuncio-do-evangelho"},"modified":"2025-11-07T16:32:07","modified_gmt":"2025-11-07T16:32:07","slug":"vaticano-guardar-e-prosseguir-o-anuncio-do-evangelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/vaticano-guardar-e-prosseguir-o-anuncio-do-evangelho\/","title":{"rendered":"Vaticano: &#8220;Guardar&#8221; e &#8220;prosseguir&#8221; o an\u00fancio do Evangelho"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_conselho_171012095857.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p>No discurso perante os participantes do encontro por ocasi\u00e3o do XXV anivers\u00e1rio do <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, <\/em>o Papa Francisco lembrou que a Igreja tem o dever de &#8220;guardar e prosseguir&#8221; o an\u00fancio do Evangelho lembrando que a &#8220;tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma realidade viva&#8221; devendo, por isso, a Igreja &#8220;abrir a doutrina&#8221; \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito e n\u00e3o ter a tenta\u00e7\u00e3o de &#8220;a prender e fechar numa leitura r\u00edgida e im\u00fat\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a alocu\u00e7\u00e3o do Papa Francisco.<\/p>\n<p><em>Senhores Cardeais,<br \/>Amados Irm\u00e3os no episcopado e no sacerd\u00f3cio,<br \/>Senhores Embaixadores,<br \/>ilustres Professores<br \/>Irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/em><\/p>\n<p>Sa\u00fado-vos cordialmente e agrade\u00e7o a D. Fisichella as am\u00e1veis palavras que me dirigiu.<\/p>\n<p><span>O vig\u00e9simo quinto anivers\u00e1rio da Constitui\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u00a0<\/span><em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_constitutions\/documents\/hf_jp-ii_apc_19921011_fidei-depositum.html\">Fidei depositum<\/a><\/em><span>, com a qual\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/vatican\/pt\/holy-father\/giovanni-paolo-ii.html\">S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II<\/a><span>\u00a0promulgava o\u00a0<\/span><em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/em><span>, trinta anos depois da abertura do Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, \u00e9 uma significativa ocasi\u00e3o para verificar o caminho entretanto percorrido. N\u00e3o foi primariamente para condenar os erros que\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/vatican\/pt\/holy-father\/giovanni-xxiii.html\">S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII<\/a><span>\u00a0sonhara e quisera o Conc\u00edlio, mas sobretudo para permitir que a Igreja chegasse finalmente a apresentar, com uma linguagem renovada, a beleza da sua f\u00e9 em Jesus Cristo. \u00ab\u00c9 necess\u00e1rio primeiramente \u2013 afirmava o Papa, no seu\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/speeches\/1962\/documents\/hf_j-xxiii_spe_19621011_opening-council.html\"><em>Discurso de abertura<\/em>\u00a0<\/a><span>\u2013 que a Igreja n\u00e3o se aparte do patrim\u00f3nio sagrado das verdades, recebidas dos seus maiores; mas, ao mesmo tempo, deve tamb\u00e9m olhar para o presente, para as novas condi\u00e7\u00f5es e formas de vida do mundo, que abriram novos caminhos ao apostolado cat\u00f3lico\u00bb (11\/X\/1962). \u00abO nosso dever \u2013 continuava o Pont\u00edfice \u2013 \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 guardar este tesouro precioso, como se nos preocup\u00e1ssemos unicamente da antiguidade, mas tamb\u00e9m dedicar-nos com vontade pronta e sem temor \u00e0quele trabalho que o nosso tempo exige, prosseguindo assim o caminho que a Igreja percorre h\u00e1 vinte s\u00e9culos\u00bb (\u00a0<\/span><em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/speeches\/1962\/documents\/hf_j-xxiii_spe_19621011_opening-council.html\">ibid<\/a>.<\/em><span>).<\/span><\/p>\n<p>\u00ab<em>Guardar<\/em>\u00bb e \u00ab<em>prosseguir<\/em>\u00bb \u00e9 a incumb\u00eancia que cabe \u00e0 Igreja por sua pr\u00f3pria natureza, a fim de que a verdade contida no an\u00fancio do Evangelho feito por Jesus possa alcan\u00e7ar a sua plenitude at\u00e9 ao fim dos s\u00e9culos. Tal \u00e9 a\u00a0<em>gra\u00e7a<\/em>\u00a0que foi concedida ao Povo de Deus; mas \u00e9 igualmente uma\u00a0<em>tarefa\u00a0<\/em>e uma\u00a0<em>miss\u00e3o<\/em>, cuja responsabilidade carregamos: anunciar de modo novo e mais completo o Evangelho de sempre aos nossos contempor\u00e2neos. Assim, com a alegria que provem da esperan\u00e7a crist\u00e3 e munidos do \u00abrem\u00e9dio da miseric\u00f3rdia\u00bb (<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/speeches\/1962\/documents\/hf_j-xxiii_spe_19621011_opening-council.html\">ibid<\/a>.<\/em>), vamos ao encontro dos homens e mulheres do nosso tempo para lhes permitir a descoberta da inexaur\u00edvel riqueza encerrada na pessoa de Jesus Cristo.<\/p>\n<p><span>Ao apresentar o\u00a0<\/span><em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/em><span>, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II afirmava que ele \u00abdeve ter em conta as explicita\u00e7\u00f5es da doutrina que, no decurso dos tempos, o Esp\u00edrito Santo sugeriu \u00e0 Igreja. \u00c9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio que ajude a iluminar, com a luz da f\u00e9, as novas situa\u00e7\u00f5es e os problemas que no passado ainda n\u00e3o tinham surgido\u00bb (Const. apost.\u00a0<\/span><em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_constitutions\/documents\/hf_jp-ii_apc_19921011_fidei-depositum.html\">Fidei depositum<\/a><\/em><span>, 3). Por isso, este<\/span><em>Catecismo\u00a0<\/em><span>constitui um instrumento importante n\u00e3o apenas porque apresenta aos crentes os ensinamentos de sempre para crescerem na compreens\u00e3o da f\u00e9, mas tamb\u00e9m e sobretudo porque pretende aproximar os nossos contempor\u00e2neos, com suas problem\u00e1ticas novas e diversas, da Igreja, comprometida na apresenta\u00e7\u00e3o da f\u00e9 como resposta significante para a exist\u00eancia humana neste momento hist\u00f3rico particular. Assim, n\u00e3o basta encontrar uma nova linguagem para expressar a f\u00e9 de sempre; \u00e9 necess\u00e1rio e urgente tamb\u00e9m que, perante os novos desafios e perspetivas que se abrem \u00e0 humanidade, a Igreja possa exprimir as novidades do Evangelho de Cristo que, embora contidas na Palavra de Deus, ainda n\u00e3o vieram \u00e0 luz. Trata-se daquele tesouro feito de \u00abcoisas novas e velhas\u00bb referido por Jesus, quando convidara os seus disc\u00edpulos a ensinar o novo por Ele trazido, sem transcurar o antigo (cf.\u00a0<\/span><em>Mt\u00a0<\/em><span>13, 52).<\/span><\/p>\n<p>Uma das p\u00e1ginas mais belas do evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o \u00e9 aquela que nos d\u00e1 a chamada \u00abora\u00e7\u00e3o sacerdotal\u00bb de Jesus. Antes de enfrentar a paix\u00e3o e a morte, dirige-Se ao Pai manifestando a sua obedi\u00eancia na realiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o que Lhe fora confiada. As suas palavras s\u00e3o um hino ao amor, incluindo tamb\u00e9m o pedido de que sejam guardados e protegidos os disc\u00edpulos (cf.\u00a0<em>Jo\u00a0<\/em>17, 12-15). Ao mesmo tempo, por\u00e9m, Jesus reza por todas as pessoas que no futuro h\u00e3o de acreditar n\u2019Ele, gra\u00e7as \u00e0 prega\u00e7\u00e3o dos seus disc\u00edpulos, para que tamb\u00e9m elas sejam congregadas e conservadas na unidade (cf.\u00a0<em>Jo\u00a0<\/em>17, 20-23). Na frase \u00abesta \u00e9 a vida eterna: que Te conhe\u00e7am a Ti, \u00fanico Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste\u00bb (<em>Jo\u00a0<\/em>17, 3), toca-se o auge da miss\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p><span>Como bem sabemos, conhecer Deus n\u00e3o \u00e9 primariamente um exerc\u00edcio te\u00f3rico da raz\u00e3o humana, mas um desejo inextingu\u00edvel impresso no cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa. \u00c9 o conhecimento que provem do amor, porque encontramos o Filho de Deus no nosso caminho (cf. Carta enc.\u00a0<\/span><em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20130629_enciclica-lumen-fidei.html\">Lumen fidei<\/a><\/em><span>, 28). Jesus de Nazar\u00e9 caminha connosco para nos introduzir, com a sua palavra e os seus sinais, no mist\u00e9rio profundo do amor do Pai. Este conhecimento fortalece-se dia ap\u00f3s dia com a certeza, que nos d\u00e1 a f\u00e9, de nos sentirmos amados e, consequentemente, inseridos num des\u00edgnio repleto de sentido. Quem ama quer conhecer melhor a pessoa amada, para descobrir a riqueza que se esconde nela e que dia a dia aparece como uma realidade sempre nova.<\/span><\/p>\n<p>Por este motivo, o nosso\u00a0<em>Catecismo<\/em>\u00a0apresenta-se, \u00e0 luz do amor, como uma experi\u00eancia de conhecimento, de confian\u00e7a e de abandono ao mist\u00e9rio. Ao delinear os pontos estruturais da sua composi\u00e7\u00e3o, o\u00a0<em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>\u00a0retoma um texto do\u00a0<em>Catecismo Romano<\/em>; assume-o, propondo-o como chave de leitura e concretiza\u00e7\u00e3o: \u00abA finalidade da doutrina e do ensino deve fixar-se toda no amor, que n\u00e3o acaba. Podemos expor muito bem o que se deve crer, esperar ou fazer; mas, sobretudo, devemos p\u00f4r sempre em evid\u00eancia o amor de nosso Senhor, de modo que cada qual compreenda que qualquer ato de virtude perfeitamente crist\u00e3o, n\u00e3o tem outra origem nem outro fim sen\u00e3o o amor\u00bb (<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prologo%201-25_po.html\"><em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, n. 25<\/a>).<\/p>\n<p><span>Nesta linha de pensamento, apraz-me fazer refer\u00eancia a um tema que deveria encontrar, no\u00a0<\/span><em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/em><span>, um espa\u00e7o mais adequado e coerente com as finalidades agora expressas. Penso concretamente na\u00a0<\/span><em>pena de morte<\/em><span>. Esta problem\u00e1tica n\u00e3o pode ficar reduzida a mera recorda\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da doutrina, sem se fazer sobressair, por um lado, o progresso na doutrina operado pelos \u00faltimos Pont\u00edfices e, por outro, a renovada consci\u00eancia do povo crist\u00e3o, que recusa uma postura de anu\u00eancia quanto a uma pena que lesa gravemente a dignidade humana. Deve afirmar-se energicamente que a condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pena de morte \u00e9 uma medida desumana que, independentemente do modo como for realizada, humilha a dignidade pessoal. Em si mesma, \u00e9 contr\u00e1ria ao Evangelho, porque voluntariamente se decide suprimir uma vida humana que \u00e9 sempre sagrada aos olhos do Criador e cujo verdadeiro juiz e garante, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e9 apenas Deus. Nunca homem algum, \u00abnem sequer o homicida, perde a sua dignidade pessoal\u00bb (\u00a0<\/span><em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2015\/documents\/papa-francesco_20150320_lettera-pena-morte.html\">Carta ao Presidente da Comiss\u00e3o Internacional contra a Pena de Morte<\/a><\/em><span>, 20\/III\/2015), porque Deus \u00e9 um Pai que sempre espera o regresso do filho, o qual, sabendo que errou, pede perd\u00e3o e come\u00e7a uma vida nova. Por conseguinte, a ningu\u00e9m se pode tirar n\u00e3o s\u00f3 a vida, mas at\u00e9 a pr\u00f3pria possibilidade de um resgate moral e existencial que redunda em proveito para a comunidade.<\/span><\/p>\n<p>Nos s\u00e9culos passados em que se confrontava com uma pobreza dos instrumentos de defesa e a maturidade social n\u00e3o conhecera ainda o devido desenvolvimento positivo, o recurso \u00e0 pena de morte aparecia como consequ\u00eancia l\u00f3gica da aplica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a que se devia seguir. No pr\u00f3prio Estado Pontif\u00edcio, infelizmente, recorreu-se a este rem\u00e9dio extremo e desumano, descurando o primado da miseric\u00f3rdia sobre a justi\u00e7a. Assumimos as responsabilidades do passado, reconhecendo que aqueles meios eram ditados por uma mentalidade mais legalista que crist\u00e3. A preocupa\u00e7\u00e3o por conservar \u00edntegros os poderes e as riquezas materiais levara a sobrestimar o valor da lei, impedindo que se chegasse a uma maior profundidade na compreens\u00e3o do Evangelho. Mas, permanecer neutrais hoje perante as novas exig\u00eancias de reafirma\u00e7\u00e3o da dignidade pessoal, tornar-nos-ia mais culp\u00e1veis.<\/p>\n<p><span>Aqui n\u00e3o estamos perante qualquer contradi\u00e7\u00e3o com a doutrina do passado, porque a defesa da dignidade da vida humana desde o primeiro instante da conce\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte natural sempre encontrou, no ensinamento da Igreja, a sua voz coerente e autorizada. O desenvolvimento harm\u00f3nico da doutrina, por\u00e9m, requer que se abandone tomadas de posi\u00e7\u00e3o em defesa de argumentos que agora se apresentem decididamente contr\u00e1rios \u00e0 nova compreens\u00e3o da verdade crist\u00e3. Ali\u00e1s, como j\u00e1 recordava S\u00e3o Vicente de L\u00e9rins, \u00abtalvez algu\u00e9m pergunte: N\u00e3o haver\u00e1 progresso algum dos conhecimentos religiosos na Igreja de Cristo? H\u00e1, sem d\u00favida, e muito grande. Com efeito, quem ser\u00e1 t\u00e3o mal\u00e9volo para com a humanidade e t\u00e3o inimigo de Deus que pretenda impedir este progresso?\u00bb (\u00a0<\/span><em>Commonitorium<\/em><span>, 23.1:\u00a0<\/span><em>PL<\/em><span>\u00a050, 667). Por isso \u00e9 necess\u00e1rio reiterar que, por muito grave que possa ter sido o delito cometido, a pena de morte \u00e9 inadmiss\u00edvel, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa.<\/span><\/p>\n<p>\u00abA Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gera\u00e7\u00f5es tudo aquilo que ela \u00e9 e tudo quanto acredita\u00bb (Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html\">Dei Verbum<\/a><\/em>, 8). No Conc\u00edlio, os Padres n\u00e3o podiam encontrar afirma\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica mais feliz para expressar a natureza e miss\u00e3o da Igreja. N\u00e3o s\u00f3 na \u00abdoutrina\u00bb mas tamb\u00e9m na \u00abvida\u00bb e no \u00abculto\u00bb, \u00e9 oferecida aos crentes a capacidade de ser Povo de Deus. Com uma sequ\u00eancia evolutiva de verbos, a Constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica sobre a Divina Revela\u00e7\u00e3o exprime a din\u00e2mica resultante do processo: \u00abesta Tradi\u00e7\u00e3o\u00a0<em>progride<\/em>\u00a0(\u2026)<em>, cresce<\/em>\u00a0(\u2026),<em>\u00a0tende continuamente<\/em>\u00a0para a plenitude da verdade divina, at\u00e9 que nela se realizem as palavras de Deus\u00bb (<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html\">ibid<\/a>.<\/em>).<\/p>\n<p><span>A Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma realidade viva; e somente uma vis\u00e3o parcial pode conceber o \u00abdep\u00f3sito da f\u00e9\u00bb como algo de est\u00e1tico. A Palavra de Deus n\u00e3o pode ser conservada em naftalina, como se se tratasse de uma velha coberta que \u00e9 preciso proteger da tra\u00e7a! N\u00e3o. A Palavra de Deus \u00e9 uma realidade din\u00e2mica, sempre viva, que progride e cresce, porque tende para uma perfei\u00e7\u00e3o que os homens n\u00e3o podem deter. Esta lei do progresso \u2013 segundo a f\u00f3rmula feliz de S\u00e3o Vicente de L\u00e9rins: \u00ab\u00a0<\/span><em>annis consolidetur, dilatetur tempore, sublimetur aetate<\/em><span>\u00a0\u2013 fortalece-se com o decorrer dos anos, cresce com o andar dos tempos, desenvolve-se atrav\u00e9s das idades\u00bb (<\/span><em>Commonitorium<\/em><span>, 23.9:\u00a0<\/span><em>PL<\/em><span>\u00a050, 668) \u2013 pertence \u00e0 condi\u00e7\u00e3o peculiar da verdade revelada, enquanto transmitida pela Igreja, e\u00a0<\/span><em>n\u00e3o significa de modo algum uma mudan\u00e7a\u00a0<\/em><span>de doutrina.<\/span><\/p>\n<p>N\u00e3o se pode conservar a doutrina sem a fazer progredir, nem se pode prend\u00ea-la a uma leitura r\u00edgida e imut\u00e1vel, sem humilhar a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Deus que, \u00abmuitas vezes e de muitos modos, falou aos nossos pais, nos tempos antigos\u00bb (<em>Heb\u00a0<\/em>1, 1), \u00abdialoga sem interrup\u00e7\u00e3o com a esposa do seu amado Filho\u00bb (<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html\">Dei Verbum<\/a><\/em>, 8). E n\u00f3s somos chamados a assumir esta voz com uma atitude de \u00abreligiosa escuta\u00bb (<em>ibid.<\/em>, 1), para permitir que a nossa exist\u00eancia eclesial progrida, com o mesmo entusiasmo dos prim\u00f3rdios, rumo aos novos horizontes que o Senhor pretende fazer-nos alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p><span>Agrade\u00e7o-vos este encontro e o vosso trabalho, pe\u00e7o-vos que rezem por mim e de cora\u00e7\u00e3o vos aben\u00e7oo. Obrigado.<\/span><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/speeches\/2017\/october\/documents\/papa-francesco_20171011_convegno-nuova-evangelizzazione.html\">italiano<\/a><\/p>\n<p>Foto: Osservatore Romano<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No discurso perante os participantes do encontro por ocasi\u00e3o do XXV anivers\u00e1rio do Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, o Papa Francisco [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3965805296,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[65],"class_list":["post-1046287743","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-catequese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1046287743","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1046287743"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1046287743\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294993890,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1046287743\/revisions\/4294993890"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3965805296"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1046287743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1046287743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1046287743"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}