{"id":1135490843,"date":"2025-05-09T00:00:00","date_gmt":"2025-05-09T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/13928-vaticano-uma-igreja-que-seja-farol-que-ilumine-as-noites-do-mundo-leao-xiv"},"modified":"2025-05-09T00:00:00","modified_gmt":"2025-05-09T00:00:00","slug":"vaticano-uma-igreja-que-seja-farol-que-ilumine-as-noites-do-mundo-leao-xiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/vaticano-uma-igreja-que-seja-farol-que-ilumine-as-noites-do-mundo-leao-xiv\/","title":{"rendered":"Vaticano: \u00abUma Igreja que seja farol que ilumine as noites do mundo\u00bb, Le\u00e3o XIV"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/cardeais_missa_pro_ecclesia_250509035441.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Na Missa pro Ecclesia, com os cardeais reunidos na Capela, o novo papa desafiou ao testemunho da f\u00e9 \u201cem contextos onde ela \u00e9 considerada absurda\u201d e convidou a um olhar sobre o mundo, enquanto \u201clugar que nos foi confiado\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia, na \u00edntegra, a homilia do papa Le\u00e3o XIV<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTu \u00e9s o Cristo, o Filho do Deus vivo\u201d (cf Mt 16,16). Com estas palavras, Pedro, interrogado pelo Mestre juntamente com os outros disc\u00edpulos sobre a sua f\u00e9 n\u2019Ele, resume a heran\u00e7a que a Igreja, atrav\u00e9s da sucess\u00e3o apost\u00f3lica, conservou, aprofundou e transmitiu ao longo de dois mil anos.<\/p>\n<p>Jesus \u00e9 o Cristo, o Filho do Deus vivo, isto \u00e9, o \u00fanico Salvador e aquele que nos revela o rosto do Pai.<\/p>\n<p>Nele, Deus, para Se aproximar dos homens, revelou-se a n\u00f3s no olhar confiante de uma crian\u00e7a, na mente inquieta de um jovem, nos tra\u00e7os maduros de um homem (cf. Conc\u00edlio Vaticano II, Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral Gaudium et Spes, 22), at\u00e9 aparecer ao seu povo, depois da ressurrei\u00e7\u00e3o, com o seu corpo glorificado. Ele mostrou-nos, assim, um modelo de humanidade santa que todos podemos imitar, juntamente com a promessa de um destino eterno que, no entanto, ultrapassa todos os nossos limites e capacidades.<\/p>\n<p>Pedro, na sua resposta, abra\u00e7a ambos: o dom de Deus e o caminho que se deve seguir para se deixar transformar, dimens\u00f5es insepar\u00e1veis ??da salva\u00e7\u00e3o, confiadas \u00e0 Igreja para proclamar para o bem da humanidade. A n\u00f3s os confia, escolhidos por Ele antes de sermos formados no ventre materno (cf. Jr 1,5), regenerados na \u00e1gua do Batismo e, al\u00e9m dos nossos limites e sem m\u00e9rito algum, conduzidos at\u00e9 aqui e daqui enviados, para que o Evangelho seja anunciado a todas as criaturas (cf. Mc 16,15).<\/p>\n<p>Deus, de modo particular, chamando-me atrav\u00e9s do vosso voto para suceder ao primeiro dos Ap\u00f3stolos, confia-me este tesouro, para que, com a vossa ajuda, eu possa ser seu fiel administrador para todo o Corpo m\u00edstico da Igreja; para que esta seja cada vez mais a cidade edificada sobre um monte (cf. Ap 21, 10), arca de salva\u00e7\u00e3o que navega pelas mar\u00e9s da hist\u00f3ria, farol que ilumina as noites do mundo. E isto n\u00e3o se deve tanto \u00e0 magnific\u00eancia das suas estruturas e \u00e0 grandeza das suas constru\u00e7\u00f5es \u2013 como os monumentos em que nos encontramos \u2013, mas sim \u00e0 santidade dos seus membros, daquele \u00abpovo habilitado a anunciar as maravilhas daquele que os chamou das trevas para a sua luz admir\u00e1vel\u00bb (cf. 1 Pd 2, 9).<\/p>\n<p>Entretanto, acima da conversa em que Pedro faz a sua profiss\u00e3o de f\u00e9, h\u00e1 outra quest\u00e3o: &#8220;O que as pessoas dizem&#8221;, pergunta Jesus, &#8220;sobre o Filho do Homem?&#8221; &#8220;Quem eles dizem que eu sou?&#8221; (cf. Mt 16:13). N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o trivial; pelo contr\u00e1rio, diz respeito a um aspeto importante do nosso minist\u00e9rio: a realidade em que vivemos, com os seus limites e suas potencialidades, as suas quest\u00f5es e suas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;O que dizem os homens sobre o Filho do Homem? Quem dizem que \u00e9?&#8221; (cf. Mt 16:13). Pensando na cena que estamos refletindo, podemos encontrar duas respostas poss\u00edveis para essa pergunta, que esbo\u00e7am duas atitudes.<\/p>\n<p>Primeiro, h\u00e1 a resposta do mundo. Mateus destaca que a conversa entre Jesus e os seus seguidores sobre a sua identidade acontece na bela cidade de Cesareia de Filipe, rica em pal\u00e1cios luxuosos, situada em um cen\u00e1rio natural encantador aos p\u00e9s do monte Hermon, mas tamb\u00e9m sede de c\u00edrculos cru\u00e9is de poder e palco de trai\u00e7\u00f5es e infidelidades. Esta imagem fala a um mundo que considera Jesus uma pessoa de total insignific\u00e2ncia, no m\u00e1ximo um personagem curioso, que pode causar espanto com o seu modo inusitado de falar e agir. E assim, quando a sua presen\u00e7a se torna inc\u00f3moda, devido \u00e0s exig\u00eancias de honestidade e moralidade que Ele exige, este mundo n\u00e3o hesitar\u00e1 em rejeit\u00e1-lo e elimin\u00e1-lo.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m outra resposta poss\u00edvel para a pergunta de Jesus, a das pessoas comuns. Para eles, o Nazareno n\u00e3o \u00e9 um charlat\u00e3o, \u00e9 um homem \u00edntegro, um homem corajoso, que fala bem e diz coisas justas, como outros grandes profetas da hist\u00f3ria de Israel. \u00c9 por isso que eles seguem esse caminho, pelo menos at\u00e9 onde podem, sem muitos riscos e inconveni\u00eancias. Mas eles consideram-no s\u00f3 um homem e, por isso, no momento do perigo, na Paix\u00e3o, eles tamb\u00e9m o abandonam e v\u00e3o embora, desiludidos.<\/p>\n<p>A relev\u00e2ncia dessas duas atitudes \u00e9 impressionante. Ambas incorporam ideias que podemos encontrar facilmente \u2014 talvez expressas em linguagem diferente, mas id\u00eanticas em subst\u00e2ncia \u2014 na boca de muitos homens e mulheres do nosso tempo.<\/p>\n<p>Hoje, tamb\u00e9m h\u00e1 muitos contextos em que a f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 considerada absurda, algo para pessoas fracas e pouco inteligentes, contextos em que outras op\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a s\u00e3o preferidas \u00e0 que ela oferece, como tecnologia, dinheiro, sucesso, poder ou prazer.<\/p>\n<p>Falamos de ambientes onde n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil testemunhar e proclamar o Evangelho, e onde aqueles que creem s\u00e3o ridicularizados, impedidos e desprezados ou, na melhor das hip\u00f3teses, tolerados e lamentados. E, no entanto, precisamente por isso, estes s\u00e3o os lugares onde a miss\u00e3o \u00e9 mais urgente, porque a falta de f\u00e9 muitas vezes traz consigo trag\u00e9dias como a perda do sentido da vida, o esquecimento da miseric\u00f3rdia, a viola\u00e7\u00e3o da dignidade humana nas suas formas mais dram\u00e1ticas, a crise da fam\u00edlia e tantas outras feridas que trazem n\u00e3o pouco sofrimento \u00e0 nossa sociedade.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltam contextos em que Jesus, embora apreciado como homem, \u00e9 reduzido s\u00f3 a uma esp\u00e9cie de l\u00edder carism\u00e1tico ou a um super-homem, e isso n\u00e3o s\u00f3 entre os n\u00e3o crentes, mas tamb\u00e9m entre muitos batizados, que assim acabam vivendo, nesse contexto, um ate\u00edsmo de facto.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o mundo que nos foi confiado e no qual, como o Papa Francisco muitas vezes nos ensinou, somos chamados a testemunhar a f\u00e9 alegre em Jesus, nosso Salvador. Por isso, \u00e9 essencial que tamb\u00e9m n\u00f3s repitamos: \u00abTu \u00e9s o Cristo, o Filho do Deus vivo\u00bb (cf. Mt 16, 16).<\/p>\n<p>\u00c9 essencial fazer isso antes de tudo em nosso relacionamento pessoal com Ele, em nosso compromisso com uma jornada di\u00e1ria de convers\u00e3o. Mas tamb\u00e9m, como Igreja, vivendo juntos a nossa perten\u00e7a ao Senhor e levando a Boa Nova a todos (cf. CONC\u00cdLIO VATICANO II, Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica Lumen gentium, 1).<\/p>\n<p>Digo isto, antes de tudo, por mim mesmo, como sucessor de Pedro, ao iniciar a minha miss\u00e3o como Bispo da Igreja em Roma, chamado a presidir \u00e0 Igreja universal na caridade, segundo a c\u00e9lebre express\u00e3o de Santo In\u00e1cio de Antioquia (cf. Carta aos Romanos, Pref\u00e1cio). Ele, conduzido acorrentado a esta cidade, lugar do seu iminente sacrif\u00edcio, escreveu aos crist\u00e3os que ali se encontravam: \u00abnaquele momento serei verdadeiramente disc\u00edpulo de Cristo, quando o mundo j\u00e1 n\u00e3o ver\u00e1 o meu corpo\u00bb (Carta aos Romanos, IV, 1). Referia-se a ser devorado pelas feras do circo \u2014 e foi isso que aconteceu \u2014, mas as suas palavras evocam, num sentido mais lato, um compromisso irrevog\u00e1vel para quem exerce um minist\u00e9rio de autoridade na Igreja: desaparecer para que Cristo permane\u00e7a, fazer-se pequeno para que Ele seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30), gastar-se at\u00e9 o fim para que ningu\u00e9m perca a oportunidade de conhec\u00ea-lo e am\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Que Deus me conceda esta gra\u00e7a, hoje e sempre, com a ajuda da terna intercess\u00e3o de Maria, M\u00e3e da Igreja\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Traduzido do original em italiano<\/p>\n<p>Imagem: Vatican MEDIA<\/p>\n<p>Educris|09.05.2025<\/p>\n<\/p>\n<p><iframe allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\" height=\"578\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GF6fkp7M1v0\" title=\"Primeira missa do Papa #Le\u00e3oXIV com os cardeais na Capela Sistina! #vaticano #missa #papa #shorts\" width=\"325\"><\/iframe> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Missa pro Ecclesia, com os cardeais reunidos na Capela, o novo papa desafiou ao testemunho da f\u00e9 \u201cem contextos 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