{"id":1137180533,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11898-audiencia-geral-igreja-e-chamada-a-ir-ao-encontro-dos-que-se-desviaram-pede-francisco-"},"modified":"2025-11-07T16:34:44","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:44","slug":"audiencia-geral-igreja-e-chamada-a-ir-ao-encontro-dos-que-se-desviaram-pede-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-igreja-e-chamada-a-ir-ao-encontro-dos-que-se-desviaram-pede-francisco\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00abIgreja \u00e9 chamada a ir ao encontro dos que se desviaram\u00bb, pede Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_21_180228094731.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>O Papa deu hoje continuidade ao ciclo de catequeses sobre o \u2018zelo apost\u00f3lico\u2019. Na sua reflex\u00e3o desta manh\u00e3, Francisco convidou os crentes a perceberem o modo como Jesus \u00e9 Bom Pastor, olhando para os que se perderam do rebanho, n\u00e3o como inimigos mas \u201csente saudade de n\u00f3s\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Catequeses.\u00a0A paix\u00e3o pela evangeliza\u00e7\u00e3o: o zelo apost\u00f3lico do crente &#8211; 2. Jesus modelo do an\u00fancio<\/strong><\/p>\n<p><em>Prezados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia e bem-vindos todos!<\/em><\/p>\n<p>Na\u00a0quarta-feira passada demos in\u00edcio\u00a0a um ciclo de catequeses sobre a paix\u00e3o de evangelizar, isto \u00e9, sobre o zelo apost\u00f3lico que deve animar a Igreja e cada crist\u00e3o. Hoje olhemos para o modelo insuper\u00e1vel do an\u00fancio:\u00a0<em>Jesus<\/em>. O Evangelho do dia de Natal definia-o \u201cVerbo de Deus\u201d (cf.\u00a0<em>Jo\u00a0<\/em>1, 1). O facto de Ele ser o Verbo, ou seja, a Palavra, indica-nos um aspeto essencial de Jesus: Ele est\u00e1 sempre em rela\u00e7\u00e3o, em sa\u00edda, nunca isolado, sempre em rela\u00e7\u00e3o, em sa\u00edda; com efeito, a palavra existe para ser transmitida, comunicada. Assim \u00e9 Jesus, Palavra eterna do Pai comunicada a n\u00f3s, transmitida a n\u00f3s. Cristo n\u00e3o s\u00f3 tem palavras de vida, mas faz da sua vida uma Palavra, uma mensagem: ou seja, vive sempre voltado para o Pai e para n\u00f3s. Olhando sempre para o Pai que O enviou e olhando para n\u00f3s aos quais Ele foi enviado.<\/p>\n<p>Efetivamente, se olharmos para os seus dias, descritos nos Evangelhos, veremos que em primeiro lugar h\u00e1 intimidade com o Pai, a ora\u00e7\u00e3o, por isso Jesus levanta-se cedo, quando ainda est\u00e1 escuro, e retira-se em \u00e1reas desertas para rezar (cf.\u00a0<em>Mc\u00a0<\/em>1, 35;\u00a0<em>Lc\u00a0<\/em>4, 42) para falar com o Pai. Todas as decis\u00f5es e escolhas importantes s\u00e3o feitas depois de ter rezado (cf.\u00a0<em>Lc\u00a0<\/em>6, 12; 9, 18). Precisamente nesta rela\u00e7\u00e3o, na ora\u00e7\u00e3o que o une ao Pai no Esp\u00edrito, Jesus descobre o sentido do seu ser homem, da sua exist\u00eancia no mundo pois Ele est\u00e1 em miss\u00e3o por n\u00f3s, enviado pelo Pai para n\u00f3s.<\/p>\n<p>A este prop\u00f3sito, \u00e9 interessante o primeiro gesto p\u00fablico que Ele faz, ap\u00f3s os anos de vida escondida em Nazar\u00e9. Jesus n\u00e3o realiza um grande prod\u00edgio, n\u00e3o lan\u00e7a uma mensagem espetacular, mas mistura-se com as pessoas que iam ser batizadas por Jo\u00e3o. Assim, oferece-nos a chave do seu agir no mundo: despender-se pelos pecadores, tornando-se solid\u00e1rio para connosco sem dist\u00e2ncias, na partilha total da vida. Com efeito, falando da sua miss\u00e3o, dir\u00e1 que n\u00e3o veio \u00abpara ser servido, mas para servir e dar a sua vida\u00bb (<em>Mc\u00a0<\/em>10, 45). Todos os dias, depois da ora\u00e7\u00e3o, Jesus dedica toda a sua jornada ao an\u00fancio do Reino de Deus e dedica-o \u00e0s pessoas, sobretudo \u00e0s mais pobres e fr\u00e1geis, aos pecadores e doentes (cf.\u00a0<em>Mc\u00a0<\/em>1, 32-39). Isto \u00e9, Jesus est\u00e1 em contacto com o Pai na ora\u00e7\u00e3o e depois est\u00e1 em contacto com todas as pessoas para a miss\u00e3o, para a catequese, para ensinar o caminho do Reino de Deus.<\/p>\n<p>Pois bem, se quisermos representar com uma imagem o seu estilo de vida, n\u00e3o teremos dificuldade em encontr\u00e1-la: \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus que no-la oferece, como acab\u00e1mos de ouvir, falando de si como do\u00a0<em>bom Pastor<\/em>, aquele que &#8211; diz &#8211; \u00abd\u00e1 a sua vida pelas ovelhas\u00bb (<em>Jo\u00a0<\/em>10, 11), este \u00e9 Jesus. Com efeito, ser pastor n\u00e3o era apenas um trabalho, que exigia tempo e muito esfor\u00e7o; era um verdadeiro estilo de vida: vinte e quatro horas por dia, vivendo com o rebanho, acompanhando-o \u00e0s pastagens, dormindo entre as ovelhas, cuidando das mais fracas. Em s\u00edntese, Jesus n\u00e3o faz algo por n\u00f3s, mas d\u00e1 tudo, d\u00e1 a vida por n\u00f3s. O seu \u00e9\u00a0<em>um cora\u00e7\u00e3o pastoral\u00a0<\/em>(cf.\u00a0<em>Ez\u00a0<\/em>34, 15). \u00c9 pastor com todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Com efeito, para resumir numa palavra a a\u00e7\u00e3o da Igreja, usa-se muitas vezes precisamente o termo \u201cpastoral\u201d. E para avaliar a nossa pastoral, devemos confrontar-nos com o modelo, confrontar-nos com Jesus, Jesus bom Pastor. Em primeiro lugar, podemos perguntar-nos: imitamo-lo bebendo das fontes da ora\u00e7\u00e3o, para que o nosso cora\u00e7\u00e3o esteja em sintonia com o seu? A intimidade com Ele \u00e9, como sugeria o bonito volume do abade Chautard,\u00a0<em>\u00aba alma de todo o apostolado\u00bb<\/em>. O pr\u00f3prio Jesus disse claramente aos seus disc\u00edpulos: \u00abSem mim nada podeis fazer!\u00bb (<em>Jo\u00a0<\/em>15, 5). Quem est\u00e1 com Jesus, descobre que o seu cora\u00e7\u00e3o pastoral bate sempre por quantos est\u00e3o perdidos, desviados, distantes. E o nosso? Quantas vezes a nossa atitude com pessoas que s\u00e3o um pouco dif\u00edceis ou que s\u00e3o um pouco complicadas se exprime com estas palavras: \u201cMas \u00e9 um problema dele, que se arranje\u2026\u201d. Mas Jesus nunca disse isto, ao contr\u00e1rio, sempre foi ao encontro de todos os marginalizados, dos pecadores. Era acusado por isto, por estar com os pecadores, pois levava at\u00e9 eles a salva\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Ouvimos a par\u00e1bola da ovelha tresmalhada, contida no cap\u00edtulo 15 do Evangelho de Lucas (cf. vv. 4-7). Jesus fala tamb\u00e9m da moeda perdida e do filho pr\u00f3digo. Se quisermos treinar o nosso zelo apost\u00f3lico, devemos ter sempre ao alcance o cap\u00edtulo 15 de Lucas. \u00a0Lede com frequ\u00eancia este trecho, nele podemos entender o que significa o zelo apost\u00f3lico. Ali descobrimos que Deus n\u00e3o contempla o redil das suas ovelhas, nem as amea\u00e7a para que n\u00e3o se v\u00e3o embora. Pelo contr\u00e1rio, se uma sai e se perde, n\u00e3o a abandona, mas procura-a. N\u00e3o diz: \u201cFoi-se, a culpa \u00e9 dela, que se arranje\u201d. O cora\u00e7\u00e3o pastoral reage de outra maneira: o cora\u00e7\u00e3o pastoral\u00a0<em>sofre,\u00a0<\/em>o cora\u00e7\u00e3o pastoral\u00a0<em>arrisca<\/em>.\u00a0<em>Sofre:\u00a0<\/em>sim, Deus sofre por aquele que parte, e na medida em que chora por ele, ama-o ainda mais. O Senhor sofre quando nos distanciamos do seu cora\u00e7\u00e3o. Sofre por quem n\u00e3o conhece a beleza do seu amor, nem o calor do seu abra\u00e7o. Mas, em resposta a este sofrimento, n\u00e3o se fecha, mas\u00a0<em>arrisca:\u00a0<\/em>deixa as noventa e nove ovelhas que est\u00e3o a salvo e aventura-se em busca da \u00fanica que se perdeu, fazendo assim algo arriscado e at\u00e9 irracional, mas em sintonia com o seu cora\u00e7\u00e3o pastoral, que tem saudades de quantos se foram. A nostalgia por aqueles que se foram \u00e9 cont\u00ednua em Jesus. E quando sentimos que algu\u00e9m deixou a Igreja o que dizemos? \u201cQue se arranje\u201d. N\u00e3o, Jesus ensina-nos as saudades daqueles que v\u00e3o embora; Jesus n\u00e3o sente raiva nem ressentimento, mas uma irredut\u00edvel nostalgia de n\u00f3s. Jesus sente saudades de n\u00f3s e este \u00e9 o zelo de Deus!<\/p>\n<p>E eu pergunto-me: n\u00f3s, ser\u00e1 que temos sentimentos semelhantes? Talvez vejamos como advers\u00e1rios ou inimigos aqueles que deixaram o rebanho. \u201cE este? \u2013 N\u00e3o, foi para outra parte, perdeu a f\u00e9, espera-o o inferno\u2026\u201d, e estamos tranquilos. Encontrando-os na escola, no trabalho, nas ruas da cidade, por que n\u00e3o pensar, ao contr\u00e1rio, que temos uma boa oportunidade de lhes testemunhar a alegria de um Pai que os ama e nunca os esqueceu? N\u00e3o para fazer proselitismo, n\u00e3o! Mas que lhe chegue a Palavra do Pai, para caminhar juntos. Evangelizar n\u00e3o \u00e9 fazer proselitismo: fazer proselitismo \u00e9 algo pag\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 religioso nem evang\u00e9lico. H\u00e1 uma boa palavra para aqueles que deixaram o rebanho e somos n\u00f3s que temos a honra e o dever de lhas levar, de dizer aquela palavra. Pois \u00e9\u00a0<em>a\u00a0<\/em>Palavra, Jesus, que nos pede isto, aproximarmo-nos sempre, com o cora\u00e7\u00e3o aberto, a todos, pois Ele \u00e9 assim. Talvez sigamos e amemos Jesus h\u00e1 muito tempo, sem nunca nos perguntarmos se compartilhamos os seus sentimentos, se\u00a0<em>sofremos\u00a0<\/em>e\u00a0<em>arriscamos,\u00a0<\/em>em sintonia com o cora\u00e7\u00e3o de Jesus, com este cora\u00e7\u00e3o pastoral, pr\u00f3ximo do cora\u00e7\u00e3o pastoral de Jesus! N\u00e3o se trata de fazer proselitismo, disse, para que outros sejam \u201cdos nossos\u201d, n\u00e3o, isto n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o: trata-se de amar a fim de que sejam filhos felizes de Deus. Pe\u00e7amos na ora\u00e7\u00e3o a gra\u00e7a de um cora\u00e7\u00e3o pastoral, aberto, que se p\u00f5e pr\u00f3ximo de todos, para levar a mensagem do Senhor e tamb\u00e9m sentir as saudades de Cristo por cada um. Pois a nossa vida sem este amor que sofre e arrisca, n\u00e3o est\u00e1 bem: se n\u00f3s crist\u00e3os n\u00e3o temos este amor que sofre e arrisca, correremos o perigo de nos apascentarmos unicamente a n\u00f3s pr\u00f3prios. Os pastores que s\u00e3o pastores de si mesmos, e n\u00e3o pastores do rebanho, s\u00e3o penteadores de ovelhas \u201crequintadas\u201d. N\u00e3o devemos ser pastores de n\u00f3s mesmos, mas pastores de todos.<\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media (Arquivo)<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em Italiano<\/p>\n<p>18.01.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa deu hoje continuidade ao ciclo de catequeses sobre o \u2018zelo apost\u00f3lico\u2019. 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