{"id":1153579275,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13211-domingo-xxi-do-tempo-comum-o-dom-maior-de-jesus-e-a-vida-eterna-"},"modified":"2025-11-07T16:34:02","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:02","slug":"domingo-xxi-do-tempo-comum-o-dom-maior-de-jesus-e-a-vida-eterna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxi-do-tempo-comum-o-dom-maior-de-jesus-e-a-vida-eterna\/","title":{"rendered":"Domingo XXI do Tempo Comum: \u00abO dom maior de Jesus \u00e9 a vida eterna\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Js 24,1-2.15-17.18; Sl 34; Ef 5,21-32; Jo 6,60-69<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Neste Domingo XXI do Tempo Comum, escutaremos a sexta e \u00faltima Parte do Cap\u00edtulo VI do Quarto Evangelho, que contempla os \u00faltimos vers\u00edculos (Jo\u00e3o 6,60-69), e estende a discuss\u00e3o antes havida da multid\u00e3o (Jo\u00e3o 6,25-40) e dos judeus (Jo\u00e3o 6,41-58) com Jesus, tamb\u00e9m aos disc\u00edpulos em geral, que entram agora em cena em Jo\u00e3o 6,60 para, pouco depois, sa\u00edrem de cena, para fora da a\u00e7\u00e3o de Jesus, em Jo\u00e3o 6,66, sendo ent\u00e3o a vez de \u00abos Doze\u00bb e de Pedro entrarem tamb\u00e9m em cena (Jo\u00e3o 6,67-69).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Veja-se a grada\u00e7\u00e3o: multid\u00e3o, judeus, \u00abmuitos dos seus disc\u00edpulos\u00bb, \u00abos Doze\u00bb e Pedro. Curiosamente, os \u00abmuitos dos seus disc\u00edpulos\u00bb, numa esp\u00e9cie de imbrica\u00e7\u00e3o, retomam a atitude dos judeus, que os precederam em cena:\u00a0<em>murmuram<\/em>\u00a0(<em>gogg\u00fdz\u00f4<\/em>) como eles contra o esc\u00e2ndalo da incarna\u00e7\u00e3o e das origens divinas de Jesus (Jo\u00e3o 6,61): como \u00e9 que se pode conciliar o dizer de Jesus \u00abEu desci do c\u00e9u\u00bb com a realidade de todos conhecida de que Jesus era o filho de Jos\u00e9, sendo de todos conhecidos o seu pai e a sua m\u00e3e? (Jo\u00e3o 6,41-42). Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m os disc\u00edpulos de Jesus classificam como\u00a0<em>duro<\/em>\u00a0(<em>skl\u00ear\u00f3s<\/em>), incompreens\u00edvel, intrag\u00e1vel, exigente (Jo\u00e3o 6,60) o discurso de Jesus sobre a sua carne-vida dada em alimento para a vida verdadeira. \u00c9 de real\u00e7ar que o termo \u00abcarne\u00bb (<em>s\u00e1rx<\/em>) regista treze ocorr\u00eancias no Evangelho de Jo\u00e3o, com duas val\u00eancias diferentes: quando se refere \u00e0 \u00abcarne\u00bb de Jesus, e quando se refere \u00e0 humana natureza. Tornar-se \u00abcarne\u00bb do Filho \u00e9 vital para o mundo (cf. Jo\u00e3o 1,14; 6,51.52.53.54.55.56.63); por seu lado, a \u00abcarne\u00bb humana mostra-se limitada, pertence \u00e0 esfera terrena, e n\u00e3o serve para dar a vida eterna, mas t\u00e3o-somente para perpetuar a descend\u00eancia terrena (cf. Jo\u00e3o 1,13; 3,6; 6,63; 8,15; 17,2). Ter\u00e1 de ser o Filho do Homem, quando subir ao lugar onde estava antes, a dar o Esp\u00edrito vivificante (Jo\u00e3o 6,62-63; cf. 7,39; 17,2). No seu modo de ser terreno, Jesus n\u00e3o pode dar a vida eterna, porque a \u00abcarne\u00bb em si mesma n\u00e3o serve para nada (Jo\u00e3o 62-63). Jesus explica bem que da \u00abcarne\u00bb enquanto tal nada h\u00e1 a esperar, porque a \u00abcarne\u00bb, isto \u00e9, o ser humano enquanto tal \u00e9 perec\u00edvel e caminha para a morte. Da \u00abcarne\u00bb humana, perec\u00edvel, n\u00e3o se pode esperar a vida imperec\u00edvel, que vem para n\u00f3s apenas do Esp\u00edrito que vem de Deus (cf. Jo\u00e3o 3,6) atrav\u00e9s da \u00abcarne\u00bb glorificada de Jesus (cf. Jo\u00e3o 7,39; Atos 2,32-33).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Al\u00e9m de \u00abmurmurar\u00bb como os judeus de Cafarnaum e do deserto (Jo\u00e3o 6,41-43.61; cf. \u00caxodo 15,24; 16,2.7-8; 17,3; N\u00fameros 14,2.27.29.36), muitos dos disc\u00edpulos n\u00e3o seguem o exemplo do servo-disc\u00edpulo do Senhor, que \u00abn\u00e3o volta para tr\u00e1s\u00bb (cf. Isa\u00edas 50,5), e abandonam Jesus e \u00abvoltam para tr\u00e1s\u00bb (<em>ap\u00ealthon eis t\u00e0 \u00f4p\u00eds\u00f4<\/em>) (Jo\u00e3o 6,66), configurando-se como n\u00e3o-disc\u00edpulos, e copiando a atitude do povo do \u00caxodo que, no deserto, tamb\u00e9m pretende voltar para tr\u00e1s, para o Egito, para as panelas de carne e para as cebolas (\u00caxodo 14,12; 16,3; 17,3; N\u00fameros 14,3-4). Ora, o disc\u00edpulo verdadeiro \u00e9 aquele que vai atr\u00e1s de Jesus, seguindo-o, e n\u00e3o o que volta para tr\u00e1s, abandonando-o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. De notar ainda que, no caso de \u00abmuitos dos seus disc\u00edpulos\u00bb (Jo\u00e3o 6,60), e de forma diferente da multid\u00e3o e dos judeus, \u00e9 Jesus que faz a pergunta e d\u00e1 a resposta. Os disc\u00edpulos apenas murmuram (Jo\u00e3o 6,61), n\u00e3o ouvem, n\u00e3o querem ouvir, n\u00e3o respondem e v\u00e3o-se embora. No caso dos Doze, \u00e9 Jesus que faz a pergunta, e \u00e9 Pedro que, em nome dos Doze e em contraponto com todos os grupos anteriores, n\u00e3o se limita apenas a responder, mas profere uma verdadeira confiss\u00e3o de f\u00e9 (Jo\u00e3o 6,68-69).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. O percurso feito atrav\u00e9s da paisagem liter\u00e1ria, tem\u00e1tica e teol\u00f3gica de Jo\u00e3o 6, revelou-se intenso e exigente. Ouvimos Jesus revelar: \u00ab<em>Eu sou o p\u00e3o da vida<\/em>\u00bb (Jo\u00e3o 6,35.48) e \u00ab<em>Eu sou o p\u00e3o vivo descido do c\u00e9u<\/em>\u00bb (Jo\u00e3o 6,41.51), e retirar da\u00ed um rol de consequ\u00eancias em termos da\u00a0<em>sua carne<\/em>\u00a0e do\u00a0<em>seu sangue dados<\/em>\u00a0para a vida do mundo. Jesus compreende ent\u00e3o que os judeus e os seus disc\u00edpulos murmuravam por causa disso (Jo\u00e3o 6,61), e o narrador foi-nos informando que muitos deles se afastaram de Jesus (Jo\u00e3o 6,66). \u00c9 ent\u00e3o a hora decisiva de Jesus perguntar aos Doze, que s\u00e3o aqui mencionados pela primeira vez, e voltar\u00e3o a s\u00ea-lo apenas mais uma vez, depois da Ressurrei\u00e7\u00e3o, em Jo\u00e3o 20,24: \u00abV\u00f3s tamb\u00e9m quereis ir embora?\u00bb (Jo\u00e3o 6,67), ao que Sim\u00e3o Pedro responder\u00e1 exemplarmente: \u00abSenhor,\u00a0<em>a quem iremos<\/em>?\u00a0<em>Tu tens palavras de vida eterna,<\/em>\u00a0e n\u00f3s acreditamos e sabemos que Tu \u00e9s<em>\u00a0o Santo de Deus<\/em>\u00bb (Jo\u00e3o 6,68-69). Pedro compreendeu que o dom decisivo de Jesus \u00e9 a\u00a0<em>vida eterna<\/em>, e define Jesus na sua rela\u00e7\u00e3o \u00fanica com o Pai. Na verdade, \u00abSanto\u00bb \u00e9 o que pertence a Deus. Portanto, se Jesus \u00e9\u00a0<em>o Santo de Deus<\/em>, com artigo definido, ent\u00e3o pertence completamente a Deus e est\u00e1 unido a Ele de modo total e \u00fanico, encontrando-se no mesmo plano da santidade de Deus (cf. Jo\u00e3o 17,11; 1 Jo\u00e3o 2,20; Apocalipse 3,7). O modo dessa uni\u00e3o vai sendo esclarecido ao longo do inteiro Evangelho: Jesus \u00e9 o Filho de Deus. Na sua confiss\u00e3o de f\u00e9, Pedro salienta o elemento decisivo e fundamental: a rela\u00e7\u00e3o de Jesus com Deus, a perten\u00e7a total e \u00fanica de Jesus a Deus. E \u00e9 por isso que Jesus tem palavras de\u00a0<em>vida eterna<\/em>, e \u00e9 tamb\u00e9m por isso que \u00e9 insensato afastar-se d\u2019Ele. Pedro compreendeu e leu bem os sinais: o dom maior de Jesus \u00e9 a vida eterna.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. O leitor que seguiu atentamente tudo desde o princ\u00edpio, desde a primeira pergunta pedag\u00f3gica de Jesus: \u00ab<em>Onde<\/em>\u00a0<em>compraremos<\/em>\u00a0p\u00e3o para que eles comam?\u00bb, e que assistiu ao falhan\u00e7o das respostas dos disc\u00edpulos, e que ter\u00e1, porventura, verificado a sua pr\u00f3pria incapacidade para responder, e que prestou depois toda a aten\u00e7\u00e3o ao desempenho de Jesus, e que viu entretanto a deser\u00e7\u00e3o de judeus e disc\u00edpulos dececionados, ter\u00e1 com certeza compreendido a \u00faltima resposta de Sim\u00e3o Pedro: \u00abSenhor, a quem iremos? Tu tens palavras de\u00a0<em>vida eterna<\/em>\u00bb como a verdadeira resposta \u00e0 primeira pergunta pedag\u00f3gica de Jesus. Com a resposta de Pedro, fica estabelecida a conjun\u00e7\u00e3o entre palavra e alimento.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Vendo bem, neste Cap\u00edtulo VI do Evangelho de Jo\u00e3o, que hoje atinge o seu \u00e1pice, as diversas rea\u00e7\u00f5es aos acontecimentos de Jesus, a que a exegese chama \u00abcrise galilaica\u00bb, antecipam e leem j\u00e1 as crises sucessivas que v\u00e3o aparecer na \u00abfase judaica\u00bb de Jesus, e depois, tamb\u00e9m na Igreja. Trata-se sempre da grande decis\u00e3o de f\u00e9 pr\u00f3 ou contra a humildade da Incarna\u00e7\u00e3o, da Cruz e da Eucaristia. A Palavra de Jesus que se ouve aqui, e continua a ouvir-se ainda hoje, ser\u00e1 sempre como um bisturi que divide, julga e purifica. N\u00e3o deve, portanto, o leitor fugir desta interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica divina. Deve, antes, expor-se a ela.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. A mesma grande decis\u00e3o ou incis\u00e3o est\u00e1 patente no grande texto de Josu\u00e9 24,1-18. Josu\u00e9 profere diante de todo o povo reunido um dos mais belos e completos \u00abm\u00f3dulos narrativos\u00bb de toda a Escritura, mostrando ao povo que foi Deus que conduziu a inteira hist\u00f3ria de Israel, com amor poderoso, desde o outro lado do Rio Eufrates, chamando e conduzindo os passos de Abra\u00e3o, libertando depois o povo da opress\u00e3o do Egito, guiando-o pelo deserto, libertando-o dos inimigos poderosos que o amea\u00e7avam por todos os lados, e fazendo-o entrar na Terra de Cana\u00e3 (Josu\u00e9 24,2-14). Depois desta recita\u00e7\u00e3o maravilhosa, que tem sempre Deus por sujeito, que inicia a sua a\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00e3o com os patriarcas, ao contr\u00e1rio dos \u00abm\u00f3dulos narrativos\u00bb deuteronomistas que come\u00e7am habitualmente com a liberta\u00e7\u00e3o do Egito (cf. Deuteron\u00f3mio 4,37-38; 26,5-10), Josu\u00e9 abre o tempo das decis\u00f5es, em que \u00abservir\u00bb \u00e9 a palavra-chave, que se ouve por 14 vezes. Servir ou n\u00e3o servir, eis a quest\u00e3o posta por Josu\u00e9 ao povo: \u00abSe n\u00e3o vos agrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir\u00bb (Josu\u00e9 24,15a). Josu\u00e9 avan\u00e7a a sua escolha e decis\u00e3o: \u00abEu e a minha fam\u00edlia serviremos o Senhor!\u00bb (Josu\u00e9 24,15b). Ent\u00e3o, o povo repassa outra vez na mem\u00f3ria do cora\u00e7\u00e3o todos os benef\u00edcios que lhe fez o Senhor, desde a liberta\u00e7\u00e3o do Egito, aos sinais e prod\u00edgios realizados em seu favor, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o assegurada pelo Senhor ao longo do caminho percorrido e perante os advers\u00e1rios (Josu\u00e9 24,16-18a), para afirmar logo convictamente: \u00abN\u00f3s tamb\u00e9m serviremos o Senhor\u00bb (Josu\u00e9 24,18b).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. E, na Carta aos Ef\u00e9sios 5,21-32, o \u00abservi\u00e7o\u00bb chama-se amor. O texto hoje lido constitui um extrato de um dos \u00abC\u00f3digos familiares\u00bb, que se encontram nas chamadas Cartas editadas de S. Paulo. Estas Cartas que remontam a Paulo, mas que s\u00e3o editadas depois da sua morte, j\u00e1 n\u00e3o traduzem o esfor\u00e7o evangelizador patente nas Cartas aut\u00eanticas, mas procuram levar o Evangelho a situa\u00e7\u00f5es concretas da vida, como sejam a fam\u00edlia e o trabalho. O texto de hoje real\u00e7a sobretudo a rela\u00e7\u00e3o marido-esposa, que deve retratar a rela\u00e7\u00e3o sublime e salutar Cristo-Igreja. Mas, se a leitura continuasse, tamb\u00e9m ver\u00edamos o Evangelho a renovar as rela\u00e7\u00f5es pais-filhos e patr\u00f5es-empregados.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Voltamos, pelo terceiro Domingo consecutivo, \u00e0 m\u00fasica do Salmo 34, e a entoar uma vez mais o refr\u00e3o: \u00abSaboreai e vede que Bom \u00e9 o Senhor\u00bb (v. 9). Desta vez para nos apercebermos melhor que Deus atende sempre com solicitude os gritos de socorro do justo perseguido (vv. 16.18), ao mesmo tempo que apaga da terra a mem\u00f3ria dos malfeitores (vv. 17.22). Esta certeza \u00e9 muitas vezes a \u00fanica e a \u00faltima defesa do justo que sofre \u00e0s m\u00e3os dos \u00edmpios. Os Salmos de impreca\u00e7\u00e3o, ou as suas partes mais violentas, foram abolidos da ora\u00e7\u00e3o oficial, como se n\u00e3o fossem, na verdade, Palavra inspirada. Pecado nosso, que assim mostramos n\u00e3o compreender o realismo e a efic\u00e1cia da ora\u00e7\u00e3o b\u00edblica, e dificultamos aos aflitos e aos afligidos o poder extravasar diante de Deus as suas amarguras, e deixamos os violentos a maquinar tranquilamente as suas crueldades, como se Deus n\u00e3o visse nem ouvisse nem lhes pedisse contas.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Js 24,1-2.15-17.18; Sl 34; Ef 5,21-32; Jo 6,60-69 1. 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