{"id":1174345386,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/10280-domingo-i-da-quaresma-deserto-lugar-de-prova-e-de-graca"},"modified":"2025-11-07T16:33:44","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:44","slug":"domingo-i-da-quaresma-deserto-lugar-de-prova-e-de-graca-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-i-da-quaresma-deserto-lugar-de-prova-e-de-graca-2\/","title":{"rendered":"Domingo I da Quaresma: \u00abDeserto, lugar de prova e de Gra\u00e7a\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. S\u00f3 secundariamente a Quaresma \u00abprepara\u00bb para a Ressur\u00adrei\u00e7\u00e3o do Senhor. Na verdade, todos os \u00abTempos\u00bb e todos os Domingos do Ano Lit\u00fargico \u2013 portanto, tamb\u00e9m a Quaresma e os seus Domingos \u2013 est\u00e3o\u00a0<em>depois<\/em>\u00a0da Ressurrei\u00e7\u00e3o e\u00a0<em>por causa<\/em>\u00a0da Ressurrei\u00e7\u00e3o. E \u00e9 s\u00f3 sob a intensa luz do Senhor Ressusci\u00adtado com o Esp\u00edrito Santo (Batismo consumado: Lucas 12,49?50) que a Igreja \u2013 e cada um de n\u00f3s \u2013 pode celebrar autenti\u00adcamente a sua f\u00e9, proceder \u00e0 correta \u00ableitura\u00bb das Escri\u00adturas e encetar a \u00abcaminhada\u00bb quaresmal. Neste sentido, todos os batizados s\u00e3o chamados a refazer com Cristo bati\u00adzado o seu programa batismal, cujo conte\u00fado e itiner\u00e1rio conhecemos: desde o Batismo no Jord\u00e3o, passando pela Trans\u00adfigura\u00e7\u00e3o \/ Confirma\u00e7\u00e3o no Tabor, at\u00e9 \u00e0 Cruz e\u00e0 Gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o (Batismo consumado!), escutando e anunciando sempre e cada vez mais intensamente o Evangelho do Reino e fazendo sempre e cada vez mais intensamente as \u00abobras\u00bb do Reino (Atos dos Ap\u00f3stolos 10,37-43: texto emblem\u00e1tico). Os catec\u00famenos, acompanhados sempre pela Assembleia dos batizados, \u00abpre\u00adparam?se\u00bb intensamente para a Noite Pascal Batismal, in\u00edcio e meta da vida crist\u00e3.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O Evangelho deste Domingo I da Quaresma (Marcos 1,12-15) oferece-nos a figura de Jesus, acabado de apresentar pelo Pai como \u00abo Filho meu, o amado, em quem est\u00e1 o meu comprazimento\u00bb (Marcos 1,11), como sintetizador perfeito da vida do povo de Israel e da nossa. Eis, portanto, Jesus impelido pelo Esp\u00edrito no deserto, durante quarenta dias tentado por satan\u00e1s, em harmonia com os animais selvagens, servido pelos anjos (Marcos 1,12-13). Excelente analepse em que o narrador faz Jesus descer ao ch\u00e3o de Israel, para assumir as suas fragilidades, elevando a dura realidade do pecado do povo no deserto, e do nosso pecado, a um registo de salva\u00e7\u00e3o. O deserto foi lugar de tenta\u00e7\u00e3o e de queda para o povo de Israel durante quarenta anos, o tempo de uma gera\u00e7\u00e3o, uma vida inteira, o tempo todo. Mas o deserto era tamb\u00e9m o lugar da gra\u00e7a, pois era Deus que no deserto conduzia o seu povo, como se recita no velho \u00abcredo\u00bb de Israel. Esquecendo a gra\u00e7a de Deus que nos conduz, facilmente nos atolamos na areia do deserto, e n\u00e3o se passa a prova. Eis, ent\u00e3o, que Jesus desce a esse ch\u00e3o arenoso, ao nosso ch\u00e3o, experimenta a nossa condi\u00e7\u00e3o. Atravessa e supera a prova, impelido pelo Esp\u00edrito da gra\u00e7a. Novo aceno. O homem, eu e tu, n\u00f3s, recebemos de Deus o mandato do dom\u00ednio manso da terra e dos animais (G\u00e9nesis 1,26 e 28). Sem sucesso. Mas tamb\u00e9m aqui, neste ch\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o, Jesus desce ao nosso n\u00edvel, e salva o nosso fracasso, soberanamente convivendo com os animais selvagens. Mensagem de Paz e Harmonia. O texto de Marcos n\u00e3o perde tempo a descrever o conte\u00fado das tenta\u00e7\u00f5es, nem a a\u00e7\u00e3o dos atores, como vemos em Mateus (4,1-11) e Lucas (4,1-13). Marcos apenas faz descer o Filho de Deus ao nosso ch\u00e3o arenoso e escorregadio, mostrando bem a sua comunh\u00e3o connosco e o seu dom\u00ednio manso, novo e seguro. Do mesmo modo que, pouco depois, estando n\u00f3s atarefados e aflitos em pleno mar encapelado, filmar\u00e1 Jesus a dormir serenamente na nossa barca, \u00e0 popa (lugar de comando), com a cabe\u00e7a suavemente deitada numa almofada (Marcos 4,35-41).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Note-se tamb\u00e9m que o \u00abdeserto\u00bb b\u00edblico, mencionado no texto, n\u00e3o se ajusta ao que dizem os dicion\u00e1rios ou enciclop\u00e9dias. At\u00e9 contradiz esses dizeres. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 um lugar geogr\u00e1fico, mas teol\u00f3gico, pois \u00e9 apresentado com\u00a0<em>muita \u00e1gua<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 3,23), cumprindo Isa\u00edas 35,6-7, 41,18 e 43,19-20, com\u00a0<em>\u00e1rvores\u00a0<\/em>(<em>canas<\/em>) (Mateus 11,7; Lucas 7,24) e\u00a0<em>relva verde<\/em>\u00a0(Marcos 6,39), cumprindo Isa\u00edas 35,1 e 7 e 41,19. \u00c9 um lugar provis\u00f3rio e preliminar, preambular, longe do que \u00e9 nosso, onde se est\u00e1 \u00aba c\u00e9u aberto\u00bb com Deus, onde troar\u00e1 a voz do seu mensageiro (Isa\u00edas 40,3), de Jo\u00e3o Batista (Mateus 3,1-3), do pr\u00f3prio Messias segundo uma tradi\u00e7\u00e3o judaica recolhida em Mateus 24,26. O deserto \u00e9 o lugar onde se pode come\u00e7ar a ver a \u00abobra\u00bb nova de Deus (Isa\u00edas 43,19). Mas \u00e9 um lugar provis\u00f3rio, onde estamos de passagem, e n\u00e3o definitivo, para se habitar l\u00e1 (\u00e0 maneira dos Ess\u00e9nios). Sendo um lugar provis\u00f3rio e de passagem, aponta para o definitivo, que \u00e9 a Terra Prometida, onde Deus far\u00e1 habitar e descansar o seu povo fiel. Este deserto \u00e9 uma met\u00e1fora da nossa vida, onde sabemos que estamos de passagem. O deserto \u00e9 todo igual: n\u00e3o tem pontos de refer\u00eancia nem marcos de sinaliza\u00e7\u00e3o. Quer dizer que s\u00f3 podemos prosseguir rumo \u00e0 Terra Prometida e \u00e0 Vida verdadeira, se tivermos um bom guia. A\u00ed est\u00e1 o deserto como lugar onde temos de saber escutar a \u00abVoz do fino sil\u00eancio\u00bb de Deus e ler atentamente o mapa da sua Palavra. Agora temos a companhia do Filho, que veio em nosso aux\u00edlio.\u00a0<\/p>\n<div id=\"inline-ad-0-video\">\n<div class=\"iowo-adv\">\n<div class=\"iowo-adv__sound-icon iowo-adv__sound-icon_off\">4. Mas, aten\u00e7\u00e3o. Depois do pequeno, mas consolador filme a que acab\u00e1mos de assistir, em que vimos Jesus a descer ao nosso ch\u00e3o, assumindo e salvando os nossos fracassos, preparemo-nos para ouvir pela primeira vez a sua voz. Sendo os seus primeiros dizeres, s\u00e3o, naturalmente, prol\u00e9pticos e program\u00e1ticos para o inteiro Evangelho de Marcos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Mas antes de ouvirmos, pela primeira vez, a voz de Jesus, anotemos desde j\u00e1 dois not\u00e1veis dizeres do narrador, que atravessam em filigrana o inteiro Evangelho de Marcos, unindo os caminhos e os destinos de Jo\u00e3o Batista, de Jesus e dos seus disc\u00edpulos, portanto, tamb\u00e9m os nossos. O primeiro \u00e9 este: \u00abDepois de Jo\u00e3o\u00a0<em>ter sido entregue<\/em>\u00a0(<em>paradoth\u00eanai<\/em>: inf. aor. pass. de\u00a0<em>parad\u00edd\u00f4mi<\/em>)\u00bb (Marcos 1,14). Trata-se de uma prolepse, que serve para ver j\u00e1 o que ir\u00e1 suceder a Jesus, acerca de quem o verbo ser\u00e1 usado 13 vezes (Marcos 3,19; 9,31; 10,33; 14,10.11.18.21.41.42.44; 15,1.10.15), e aos seus disc\u00edpulos (Marcos 13,9.11.12). O segundo \u00e9 o uso do verbo\u00a0<em>anunciar<\/em>\u00a0(<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) para traduzir o afazer primeiro de Jesus (Marcos 1,14). E, mais uma vez, este verbo \u00e9 um fio condutor que une Jesus (Marcos 1,14.38.39), Jo\u00e3o Batista (Marcos 1,4.7), os Doze (Marcos 3,14; 6,12), algumas pessoas curadas por Jesus (Marcos 1,45; 5,20; 7,36) e a Igreja de Jesus (Marcos 13,10; 14,9). Fica, portanto, claro que, antes de pregar, ensinar e curar, Jesus, os seus disc\u00edpulos, a sua Igreja, s\u00e3o mensageiros, s\u00e3o constitu\u00eddos mensageiros, isto \u00e9, s\u00e3o pessoas enviadas e estreitamente vinculadas a quem as envia, em nome de quem anunciam em voz alta e clara a mensagem de que s\u00e3o incumbidos. A clara vincula\u00e7\u00e3o a quem os envia e nos envia \u00e9 mesmo mais importante do que a mensagem a transmitir. E \u00e9 dito o conte\u00fado da mensagem: \u00abO Evangelho de Deus\u00bb (Marcos 1,14). Sem equ\u00edvocos ent\u00e3o: a primeira coisa que fica expressa com esta linguagem, \u00e9 que Jesus, o seu precursor (Jo\u00e3o Batista) e seguidores (disc\u00edpulos), se apresentam completamente vinculados a Deus e ao seu Evangelho [= \u00abNot\u00edcia Feliz\u00bb], vivem de Deus e da Sua Not\u00edcia Boa, n\u00e3o agem por conta pr\u00f3pria, n\u00e3o s\u00e3o emissores da sua pr\u00f3pria sabedoria ou opini\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. E a\u00ed est\u00e1 ent\u00e3o o primeiro dizer de Jesus, articulado em duas declara\u00e7\u00f5es insepar\u00e1veis: \u00abFoi cumprido (<em>pepl\u00earotai<\/em>: perf. pass. de\u00a0<em>pl\u00ear\u00f3\u00f4<\/em>) o tempo (<em>ho kair\u00f3s<\/em>),\/ e fez-se pr\u00f3ximo (<em>\u00eaggiken<\/em>: perf. de\u00a0<em>egg\u00edz\u00f4<\/em>) o Reino de Deus (<em>he basile\u00eda to\u00fb theo\u00fb<\/em>)\u00bb (Marcos 1,15). O acento cai sobre os dois perfeitos que abrem enfaticamente as declara\u00e7\u00f5es de Jesus, e revelam que o Evangelho \u00e9 em primeiro lugar o an\u00fancio da iniciativa divina, Deus em a\u00e7\u00e3o, que abre ao homem novas e belas perspetivas. O perfeito passivo (<em>pepl\u00earotai<\/em>), que qualifica o\u00a0<em>kair\u00f3s<\/em>, indica bem que Jesus n\u00e3o se refere a qualquer segmento de tempo cronol\u00f3gico, mas \u00e0quele espec\u00edfico do cumprimento, posto expressamente sob a interven\u00e7\u00e3o definitiva de Deus. S\u00f3 Deus pode agir sobre o tempo cronol\u00f3gico, tornando-o\u00a0<em>kair\u00f3s<\/em>, tempo gr\u00e1vido de alegria e de esperan\u00e7a, entenda-se, da Palavra amante de Deus que, entrando em n\u00f3s, reclama a nossa resposta amante que transforma a nossa vida. Uma vez mais, o an\u00fancio precede a ordem: Jesus n\u00e3o come\u00e7a com normas e exig\u00eancias, mas assinala quanto Deus j\u00e1 fez e est\u00e1 a fazer, por sua gratuita iniciativa, em nosso favor. S\u00f3 depois, e como normal consequ\u00eancia, surgem na boca de Jesus dois imperativos: \u00abConvertei-vos\u00bb (<em>matanoe\u00eete<\/em>) e acreditai (<em>piste\u00faete<\/em>) no Evangelho\u00bb (Marcos 1,15), que traduzem o que compete aos homens fazer. Jesus n\u00e3o \u00e9 um moralista, mas um Evangelizador.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Ap\u00f3s o drama do dil\u00favio (G\u00e9nesis 9,8-15), Deus fala a No\u00e9 e aos seus filhos (G\u00e9nesis 9,8), portanto, a toda a humanidade, anunciando que vai estabelecer a sua alian\u00e7a de PAZ, n\u00e3o apenas com No\u00e9 e os seus filhos, mas tamb\u00e9m com todo o universo criado (G\u00e9nesis 9,9-11), inclusive com os animais selvagens (G\u00e9nesis 9,10): grandiosa abertura para o Evangelho de hoje. Com os animais selvagens, mas tamb\u00e9m com as aves e os animais dom\u00e9sticos. Sinal desta nova era de paz: Deus dep\u00f5e o seu \u00abarco-de-guerra\u00bb (arco-\u00edris) nas nuvens (G\u00e9nesis 9,12-17). O Des\u00edgnio de Deus anunciado ser\u00e1 inexoravelmente cumprido. A paz para todos e para sempre, inaugurada em Cristo e sempre presente no seu programa filial batismal, tem de estar igualmente presente no programa filial batismal de cada batizado. O texto do G\u00e9nesis que hoje cai nos nossos ouvidos cont\u00e9m por duas vezes \u00abE Deus disse!\u00bb. Conta-se que um disc\u00edpulo de um rabino hass\u00eddico, sempre que ouvia o seu mestre ler na B\u00edblia \u00abE Deus disse\u00bb, ficava de tal modo entusiasmado, que sa\u00eda da escola e dan\u00e7ava a gritar: \u00abE Deus disse! E Deus disse!\u00bb. A\u00ed est\u00e1 um bom motivo para estarmos mais atentos \u00e0 B\u00edblia, mas tamb\u00e9m a tantos homens e mulheres em cuja boca se vai ouvindo: \u00abE Deus disse!\u00bb. Mas compreendamos ainda que, na B\u00edblia, este \u00abE Deus disse!\u00bb n\u00e3o \u00e9 apenas coisa de Deus e dos homens. Tamb\u00e9m dos anjos, das aves, dos animais dom\u00e9sticos e selvagens, todos parceiros de Deus na sua alian\u00e7a, como hoje ouvimos, mas tamb\u00e9m das plantas e das \u00e1rvores (Deuteron\u00f3mio 20,19), dos passarinhos nos seus ninhos (Deuteron\u00f3mio 22,6-7), do cabrito no leite da sua m\u00e3e (\u00caxodo 23,10), e at\u00e9 da carism\u00e1tica burra de Bala\u00e3o (N\u00fameros 22,25.28).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. \u00abNa f\u00e9 todos estes morreram, sem terem obtido a realiza\u00e7\u00e3o da promessa. Mas viram-na e acenaram-lhe de longe\u00bb (Hebreus 11,13). Bel\u00edssimo cen\u00e1rio de esperan\u00e7a! Todo o Antigo Testamento acena para Cristo, sua esperan\u00e7a, sua vida espiritual (<em>zo\u00ea<\/em>, e n\u00e3o\u00a0<em>b\u00edos<\/em>) (1 Pedro 3,18) e salva\u00e7\u00e3o (1 Pedro 3,20). E como Deus n\u00e3o desilude, Cristo acena agora a todo o Antigo Testamento, levando a salva\u00e7\u00e3o de Deus a todos os homens e a todos os lugares, iluminando tamb\u00e9m a at\u00e9 ent\u00e3o impenetr\u00e1vel regi\u00e3o da morte (1 Pedro 3,18-20). Verdadeiramente acreditar em Cristo \u00e9 sermos seus contempor\u00e2neos e seus irm\u00e3os, \u00abfilhos no Filho\u00bb, obra do Esp\u00edrito em n\u00f3s, que faz de n\u00f3s filhos, e n\u00e3o netos, contempor\u00e2neos e irm\u00e3os do Ressuscitado, e n\u00e3o meros continuadores. Todos: os de ontem, os de hoje e os de amanh\u00e3, para que \u00absem n\u00f3s\u00bb n\u00e3o se chegue \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o (Hebreus 11,40). Pedro d\u00e1 testemunho desta for\u00e7a do Evangelho e da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo que nos constitui em \u00abnova cria\u00e7\u00e3o\u00bb pelo Batismo (1 Pedro 3,21-22).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Os acordes do Salmo 25, que hoje cantamos, trazem \u00e0 tona os rumos e os caminhos de Deus, que s\u00e3o sempre bondade, verdade, ternura e miseric\u00f3rdia \u2013 caminhos intransitivos, entenda-se \u2013, que se v\u00e3o insinuando mansamente dentro de n\u00f3s, mais ou menos como deixou escrito, no seu Di\u00e1rio, com data de 23 de janeiro de 1948, o grande escritor franc\u00eas George Bernanos: \u00abQue do\u00e7ura pensar que, embora ofendendo-o, n\u00e3o deixamos de desejar, desde o mais profundo santu\u00e1rio da alma, aquilo que Ele deseja\u00bb.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-2\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ao entrarmos no tempo santo da Quaresma,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Devemos ter a coragem de atravessar a poeira dos caminhos<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Intransitivos do nosso cora\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Isto \u00e9, de limpar as mentiras, \u00f3dios, raivas, viol\u00eancias, banalidades,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que tantas vezes preenchem os nossos dias.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A Quaresma \u00e9 tempo de nos expormos<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ao vendaval criador e purificador do Esp\u00edrito,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Sem termos a pretens\u00e3o de o querer transformar em ar condicionado.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Toma em tuas m\u00e3os, Senhor,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A nossa terra ardida.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Beija-a.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Sopra nela outra vez o teu alento,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A tua aragem,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E veremos nela outra vez impressa a tua imagem.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Tu sabes bem, Senhor, que somos fr\u00e1geis.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Mas contigo por perto,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Seremos fortes e \u00e1geis,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Capazes de abrir estradas no deserto,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A c\u00e9u aberto.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. S\u00f3 secundariamente a Quaresma \u00abprepara\u00bb para a Ressur\u00adrei\u00e7\u00e3o do Senhor. Na verdade, todos os \u00abTempos\u00bb e todos os Domingos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":920925217,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-1174345386","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1174345386","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1174345386"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1174345386\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994764,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1174345386\/revisions\/4294994764"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/920925217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1174345386"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1174345386"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1174345386"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}