{"id":1182819439,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/7174-festa-da-transfiguracao-do-senhor"},"modified":"2025-11-07T16:33:04","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:04","slug":"festa-da-transfiguracao-do-senhor-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/festa-da-transfiguracao-do-senhor-2\/","title":{"rendered":"Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. A Igreja celebra hoje, dia 6 de agosto, este ano Dia de Domingo, a Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor. Batizado no Jord\u00e3o, tentado no deserto, mas Vitorioso, Jesus come\u00e7ou a executar o seu programa filial batismal que tem por meta a Cruz Gloriosa (Batismo consumado!) em que n\u00f3s somos por Ele batizados com o fogo e com o Esp\u00edrito Santo (sempre o luminoso texto de Lucas 12,49-50). Entre o Jord\u00e3o e a Cruz Gloriosa a\u00ed est\u00e1 Hoje, a meio caminho do seu itiner\u00e1rio, o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o (Mateus 17,1-9) \u2013 Luz incriada e inacess\u00edvel (Mateus 17,2; cf. Salmo 104,2; 1 Tim\u00f3teo 6,16) que investe a Humanidade de Jesus: experi\u00eancia moment\u00e2nea da Ressurrei\u00e7\u00e3o \u2013, mediante a qual o Pai confirma o Filho na sua miss\u00e3o filial batismal, j\u00e1 iniciada, mas ainda n\u00e3o consumada. Que a Transfigura\u00e7\u00e3o deve ser vista \u00e0 luz da Ressurrei\u00e7\u00e3o, fica bem patente no dizer das Igrejas do Oriente que chamam \u00e0 Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o, que se celebra no dia 6 de Agosto, \u00aba P\u00e1scoa do ver\u00e3o\u00bb. Mas est\u00e1 tamb\u00e9m claro na ordem taxativa de Jesus ao descer do monte, que aponta tamb\u00e9m para a Ressurrei\u00e7\u00e3o: \u00abA ningu\u00e9m digais esta vis\u00e3o at\u00e9 que o Filho do Homem seja Ressuscitado dos mortos\u00bb (Mateus 17,9).<\/p>\n<p>2. Jesus imp\u00f5e, portanto, na nossa pauta musical pausa e bemol, e mostra-nos a clave em que deve ser vivida, compreendida e transmitida a vida crist\u00e3. N\u00e3o podemos dizer a Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor, antes da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. E n\u00e3o podemos, porque n\u00e3o sabemos. E n\u00e3o sabemos, porque \u00e9 s\u00f3 o Ressuscitado que faz vir o Esp\u00edrito Santo sobre n\u00f3s. Veja-se a li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos: \u00abEste Jesus, Deus o Ressuscitou, e disto todos n\u00f3s somos testemunhas. Exaltado \u00e0 direita de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Esp\u00edrito Santo, derramou-o, e \u00e9 o que vedes e ouvis\u00bb (Atos 2,32-33). E o coment\u00e1rio preciso e precioso do narrador \u00e0s palavras que Jesus acabava de proferir: \u00abIsto disse do Esp\u00edrito que haviam de receber os que tinham acreditado n\u2019Ele, pois n\u00e3o havia ainda Esp\u00edrito [para n\u00f3s], porque Jesus ainda n\u00e3o tinha sido glorificado\u00bb (Jo\u00e3o 7,39). Pausa e bemol, porque importa que n\u00e3o sejamos n\u00f3s a falar. Importa que seja o Esp\u00edrito Santo a falar em n\u00f3s. Toda a aten\u00e7\u00e3o, neste sentido, para o grande dizer de Jesus: \u00abQuando vos entregarem, n\u00e3o vos preocupeis com ou como falais (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>). Ser-vos-\u00e1 dado naquela hora o que falar (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>). Na verdade, n\u00e3o sois v\u00f3s que falais (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>), mas ser\u00e1 o Esp\u00edrito do vosso PAI que falar\u00e1 (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>) em v\u00f3s\u00bb (Mateus 10,19-20).<\/p>\n<p>3. A tradi\u00e7\u00e3o situa o \u00abmonte alto\u00bb, que abre o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o (Mateus 17,1), no Tabor, um monte de forma arredondada que se ergue nos seus 582 metros no meio da plan\u00edcie galilaica de Jesrael ou Esdrelon. No sop\u00e9 do Tabor ainda hoje se encontra a aldeia palestiniana de\u00a0<em>Daburiyya<\/em>, cujo eco evoca a personagem b\u00edblica mais importante desta regi\u00e3o, a profetisa D\u00e9bora (Ju\u00edzes 4,4-5,31). As Igrejas do Oriente conhecem este epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o por \u00abMetamorfose\u00bb (<em>metam\u00f3rph\u00f4sis<\/em>), a partir das palavras do texto: \u00abE transformou-se (<em>metemorph\u00f4th\u00ea<\/em>) diante deles [= Pedro, Tiago e Jo\u00e3o], e resplandeceu o seu rosto como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz\u00bb (Mateus 17,2). O branco \u00e9 a cor divina. E a luz \u00e9 o seu vestido, conforme o estupendo dizer do Salmo 104,2: \u00abVestido de Luz como de um manto\u00bb. E, nesse cone de luz, o Ap\u00f3stolo exorta-nos: \u00abCaminhai como filhos da luz\u00bb, e lembra-nos que \u00abo fruto da luz \u00e9 toda a bondade, justi\u00e7a e verdade\u00bb (Ef\u00e9sios 5,8 e 9).<\/p>\n<p>4. Batizado para a Cruz Gloriosa, Confirmado para a Cruz Gloriosa. As mesmas palavras do Pai no Batismo e na Transfigura\u00e7\u00e3o: \u00abo Filho Meu\u00bb, \u00abo Amado\u00bb (Mateus 3,17; 17,5), agora seguidas pelo imperativo \u00abEscutai-o!\u00bb, dirigido a todos os disc\u00edpulos: Jesus \u00e9 tamb\u00e9m o \u00abProfeta novo\u00bb, como Mois\u00e9s, prometido em Deuteron\u00f3mio 18,15-18. Testemunham a cena grandiosa da Transfigura\u00e7\u00e3o tr\u00eas disc\u00edpulos \u2013 como dispunha a Lei antiga: duas ou tr\u00eas testemunhas (Deuteron\u00f3mio 17,6) \u2013, os quais s\u00e3o igualmente confirmados para a sua miss\u00e3o futura (ap\u00f3s a Ressurrei\u00e7\u00e3o com a d\u00e1diva do Esp\u00edrito) de dar testemunho d\u2019Ele. Aparecem Mois\u00e9s e Elias que falam com Jesus Transfigurado: \u00e9 para Ele que aponta todo o Antigo Testamento! As \u00abEscrituras\u00bb, Mois\u00e9s, todos os Profetas e os Salmos, falam acerca d\u2019Ele! (Lucas 24,27 e 44; Jo\u00e3o 5,39 e 46; Atos dos Ap\u00f3stolos 10,43). \u00c9 o \u00absegundo as Escrituras\u00bb que os disc\u00edpulos tamb\u00e9m devem testemunhar. Pedro, sempre ele, em nome dos disc\u00edpulos de ent\u00e3o e de sempre, tenta impedir Jesus de prosseguir a sua miss\u00e3o filial batismal at\u00e9 \u00e0 Cruz: \u00abSenhor, bom \u00e9 estarmos AQUI\u2026 Levantarei AQUI tr\u00eas tendas\u00bb (Mateus 17,4). AQUI significa deter-se no provis\u00f3rio, no preliminar e no pen\u00faltimo, e recusar caminhar para o definitivo e o \u00faltimo! Marcos 9,6 e Lucas 9,33 anotam criteriosamente que \u00abn\u00e3o sabia o que dizia\u00bb. N\u00e3o sabia, porque ainda n\u00e3o tinha sido batizado com o Esp\u00edrito Santo e com o fogo; quando o for, saber\u00e1 tamb\u00e9m ele, disc\u00edpulo fiel, batizado e confirmado, levar por diante a miss\u00e3o filial batismal em que foi investido, e dar\u00e1 testemunho at\u00e9 ao sangue.<\/p>\n<p>5. A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a Transfigura\u00e7\u00e3o tornada permanente, eterna. Todos os batizados est\u00e3o destinados \u00e0 mesma Ressurrei\u00e7\u00e3o, Transfigura\u00e7\u00e3o, do Senhor: a Diviniza\u00e7\u00e3o por gra\u00e7a.<\/p>\n<p>6. Da li\u00e7\u00e3o do Livro de Daniel 7,9-10.13-14 e respetivo contexto imediatamente anterior (7,3-8) e posterior (7,15-27), faz transbordar a indescrit\u00edvel riqueza do nosso Deus, solenemente sentado no seu trono de Luz e de Fogo purificador, que inutiliza o poder das quatro bestas enormes sa\u00eddas do mar com aspeto terr\u00edvel, e que t\u00eam o aspeto de um le\u00e3o com asas de \u00e1guia, de um urso com costelas na boca, de um leopardo alado com quatro cabe\u00e7as, e de um monstro met\u00e1lico aterrorizador, com enormes dentes de ferro que tudo tritura e espezinha. Tinha ainda dez chifres na cabe\u00e7a, mas nasceu-lhe entretanto um outro mais pequeno e insolente, com uma boca que proferia palavras arrogantes. Estas bestas representam quatro imp\u00e9rios: babil\u00f3nio, medo, persa e grego (de Alexandre Magno e seus sucessores). Os dez chifres s\u00e3o os reis da dinastia Sel\u00eaucida, e o d\u00e9cimo primeiro \u00e9 Ant\u00edoco IV Epif\u00e2nio (175-163). O tribunal divino toma assento para julgar o arrogante Ant\u00edoco, que \u00e9 morto e destru\u00eddo. E v\u00ea-se ent\u00e3o, em contraponto com as bestas que saem do mar, s\u00edmbolo da desordem e do mal, o Filho do Homem que vem sobre as nuvens, do mundo celeste, portanto. A ele \u00e9 entregue o reino eterno, n\u00e3o assente no poder prepotente da brutalidade, mas no poder manso do Amor (Daniel 7,13-14). Fica bem claro que todos os nossos imp\u00e9rios prepotentes e ferozes, por mais fortes que pare\u00e7am, caem face \u00e0 do\u00e7ura da Palavra e da Atitude do Filho do Homem, que dissolve no Amor, que \u00e9 o poder manso que lhe \u00e9 dado para sempre, as nossas raivas e viol\u00eancias, manifesta\u00e7\u00f5es das bestas bravas que nos habitam. O Filho do Homem vence, sem combater, este combate. \u00c9 assim que caem as quatro bestas ferozes que sobem do mar (Daniel 7,3), s\u00edmbolo da confus\u00e3o e do mal, e que deixar\u00e1 naturalmente de existir quando forem desenhados os novos mapas de um novo c\u00e9u e de uma nova terra (Apocalipse 21,1).<\/p>\n<p>7. O dom\u00ednio do Filho do Homem que nos ama (Apocalipse 1,5), o dom\u00ednio do Amor, \u00e9 Primeiro e \u00daltimo (Apocalipse 1,8). Entre o Primeiro e o \u00daltimo instala-se o pen\u00faltimo, que \u00e9 o dom\u00ednio velho e podre da viol\u00eancia das bestas ferozes que nos habitam. O Bem \u00e9 desde sempre e \u00e9 para sempre. \u00c9 Primeiro e \u00e9 \u00daltimo. O Bem n\u00e3o come\u00e7ou, portanto. O que come\u00e7ou foi o mal que se foi insinuando nas pregas do nosso cora\u00e7\u00e3o empedernido e enrugado. Mas o que come\u00e7a, tamb\u00e9m acaba. Os imp\u00e9rios da nossa viol\u00eancia, malvadez e estupidez caem, imagine-se, vencidos por um Amor que \u00e9 desde sempre e para sempre, e que vence, sem combater, a nossa tirania e prepot\u00eancia!<\/p>\n<p>8. Entenda-se bem que tem de ser sem combater. Porque, se combatesse, usaria os nossos m\u00e9todos violentos, o que s\u00f3 aumentaria a viol\u00eancia. \u00c9 assim que Jesus, o Filho do Homem, atravessa as p\u00e1ginas dos Evangelhos e da nossa hist\u00f3ria e da nossa vida, entregando-se por Amor \u00e0 nossa viol\u00eancia, abra\u00e7ando-a e, portanto, absorvendo-a, absolvendo-a e dissolvendo-a.<\/p>\n<p>9. Pedro, na sua 2 Carta 1,16-19, coloca-se como Testemunha ocular, quer do poder do amor que Jesus recebeu de Deus Pai, quer da sua manifesta\u00e7\u00e3o gloriosa no monte santo, que confirma a palavra dos profetas. Pedro exorta-nos a prestar aten\u00e7\u00e3o a esta palavra, que \u00e9 como uma luz que brilha no escuro, at\u00e9 que surja a \u00abEstrela da Manh\u00e3\u00bb, que \u00e9 Cristo (Apocalipse 22,16).<\/p>\n<p>10. Canta-se Hoje o Salmo 97, que canta o Senhor na a\u00e7\u00e3o de reinar, isto \u00e9, de salvar, de justificar, de perdoar, de recriar, de trazer a prosperidade e o bem-estar ao seu povo e aos seus fi\u00e9is. Deus, como Rei, manifesta-se circundado pelos seus assistentes c\u00f3smicos (nuvens, trevas, fogo, rel\u00e2mpagos) e hist\u00f3ricos (justi\u00e7a, direito, gl\u00f3ria) (vv. 1-6). Face a t\u00e3o esplendorosa manifesta\u00e7\u00e3o, os \u00eddolos e id\u00f3latras caem por terra (vv. 7-9), e os fi\u00e9is exultam de alegria (vv. 10-12). Os fi\u00e9is e justos s\u00e3o definidos com sete express\u00f5es particularmente significativas: 1) aqueles que amam o Senhor; 2) aqueles que odeiam o mal; 3) aqueles que s\u00e3o fi\u00e9is (<em>h<sup>a<\/sup>s\u00eed\u00eem<\/em>); 4) aqueles que s\u00e3o justos (<em>tsadd\u00eeq\u00eem<\/em>); 5) os retos de cora\u00e7\u00e3o; 6) homens de alegria; 7) aqueles que celebram o \u00abmemorial da sua santidade\u00bb (<em>zeqer qodsh\u00f4<\/em>). Comenta bem o Livro dos Mist\u00e9rios, de Qumran, que perante a manifesta\u00e7\u00e3o e inaugura\u00e7\u00e3o deste Reino novo de Deus, \u00aba impiedade recuar\u00e1 diante da justi\u00e7a, como as trevas recuar\u00e3o diante da luz; a impiedade desaparecer\u00e1 para sempre, e a justi\u00e7a, como o sol, apresentar-se-\u00e1 como princ\u00edpio de ordem no mundo\u00bb (1Q27, I,5-7).<\/p>\n<p>11. A Festa que a Igreja hoje celebra \u00e9 antiga e fortemente impressiva no Oriente. Celebra-se a Imagem de Cristo Transfigurado, e que nos Transfigura. Da\u00ed, a import\u00e2ncia da Contempla\u00e7\u00e3o. O Ocidente conheceu esta Festa tardiamente e celebrou-a esporadicamente, com oscila\u00e7\u00f5es locais e de calend\u00e1rio. A Igreja Universal celebra esta Festa apenas desde 1457.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. A Igreja celebra hoje, dia 6 de agosto, este ano Dia de Domingo, a Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor. 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