{"id":120681382,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/7403-domingo-xxxi-do-tempo-comumestilo-fraternal-e-maternal"},"modified":"2025-11-07T16:33:08","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:08","slug":"domingo-xxxi-do-tempo-comumestilo-fraternal-e-maternal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxxi-do-tempo-comumestilo-fraternal-e-maternal\/","title":{"rendered":"Domingo XXXI do Tempo Comum:\u00abEstilo fraternal e maternal\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. Neste Domingo XXXI do Tempo Comum, continuamos a ouvir Jesus a ensinar no Templo, no \u00c1trio dos Gentios, seguindo o Evangelho de Mateus 23,1-12. O Cap\u00edtulo 23 do Evangelho de Mateus apresenta-se assim arrumado: 1) 23,1-12, em que Jesus dirige o seu ensinamento \u00e0s multid\u00f5es e aos seus disc\u00edpulos (Mateus 23,1), primeiro a todos (Mateus 23,2-7), depois particularmente aos seus disc\u00edpulos (Mateus 23,8-12), pondo diante de uns e de outros a figura oca dos escribas e fariseus, a sua busca de notoriedade e de aplauso, apresentando-os como uma esp\u00e9cie de caricatura do seu verdadeiro disc\u00edpulo, que deve ser humilde, servi\u00e7al, filho de Deus e irm\u00e3o numa fam\u00edlia de irm\u00e3os; 2) 23,13-36, em que Jesus se dirige directamente aos escribas e fariseus com sete \u00abais\u00bb, sendo o \u00abai\u00bb uma f\u00f3rmula de desgra\u00e7a com que os profetas anunciam a ru\u00edna que est\u00e1 j\u00e1 a\u00ed \u00e0 porta; 3) 23,37-39, em que Jesus se lamenta sobre Jerusal\u00e9m, com aquele c\u00e9lebre \u00abJerusal\u00e9m, Jerusal\u00e9m, quantas vezes eu quis reunir os teus filhos como a galinha re\u00fane os pintainhos\u2026, mas agora a tua casa ficar\u00e1 deserta\u00bb, que constitui uma esp\u00e9cie de ponte para o Cap\u00edtulo 24, em que logo no vers\u00edculo primeiro Jesus sai do Templo.<\/p>\n<p>2. No Evangelho de Mateus, o mundo dos escribas e dos fariseus \u00e9 sempre pintado com cores escuras e sombrias. O \u00fanico bom escriba que o Evangelho de Mateus conhece \u00e9 aquele que se tornou disc\u00edpulo: \u00abTodo o escriba que se tornou disc\u00edpulo do Reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante ao propriet\u00e1rio que do seu tesouro tira coisas novas e coisas velhas\u00bb (Mateus 13,52; cf. 23,34).<\/p>\n<p>3. Portanto, o disc\u00edpulo de Jesus \u2013 e n\u00f3s, hoje \u2013 n\u00e3o devemos preocuparmos com o estatuto nem correr atr\u00e1s de honras, ambi\u00e7\u00e3o e carreirismo, da notoriedade tornada vis\u00edvel nas filact\u00e9rias (<em>t<sup>e<\/sup>phill\u00eem<\/em>), pequenas caixas de couro que continham textos-chave da Escritura (Deuteron\u00f3mio 6,8 e 11,18), e que se atavam \u00e0 fronte e ao bra\u00e7o esquerdo, para ficar mais perto do cora\u00e7\u00e3o, ou as franjas de cor azul ou violeta (<em>ts\u00eets\u00eet<\/em>), que pendiam das vestes (N\u00fameros 15,38-39), mais tarde do\u00a0<em>tall\u00eet<\/em>\u00a0(manto que os judeus piedosos vestem para a ora\u00e7\u00e3o). Convenhamos em que \u00e9 bem intencionada a prescri\u00e7\u00e3o, mas acaba por resultar em pura ostenta\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>4. \u00c9 verdade que ecoa um mundo novo nestes dizeres: \u00abMas v\u00f3s n\u00e3o vos fa\u00e7ais chamar por\u00a0<em>Rabb\u00ee<\/em>, literalmente \u00abmeu maior\u00bb, pois um s\u00f3 \u00e9 o vosso Mestre (<em>did\u00e1skalos<\/em>), e v\u00f3s sois todos irm\u00e3os\u00bb (Mateus 23,8). A ningu\u00e9m chameis \u00abPai\u00bb, a ningu\u00e9m chameis \u00abGuia\u00bb (<em>kath\u00eag\u00eat\u00eas<\/em>), que \u00e9 aquele que indica o caminho, pois \u00abum s\u00f3\u00bb, \u00abum s\u00f3\u00bb, \u00abum s\u00f3\u00bb (tr\u00eas vezes surge esta express\u00e3o no texto de hoje) \u00e9 o vosso Mestre, o vosso Pai, o vosso Guia. Em conson\u00e2ncia, no Evangelho de Mateus, o t\u00edtulo de \u00abMestre\u00bb nunca \u00e9 dado a Jesus pelos seus disc\u00edpulos, mas apenas pelos de fora; e o t\u00edtulo de\u00a0<em>Rabb\u00ee<\/em>\u00a0s\u00f3 se ouve nos l\u00e1bios de Judas, depois da sua apostasia (Mateus 26,25 e 49). Por sua vez, o termo \u00abGuia\u00bb s\u00f3 aparece aqui em todo o Novo Testamento, e \u00e9 desconhecido no texto dos LXX.<\/p>\n<p>5. Salta \u00e0 vista que devemos proceder sempre com simplicidade e verdade, sem protagonismo, ostenta\u00e7\u00e3o ou ambi\u00e7\u00e3o, e que, por detr\u00e1s de n\u00f3s, de tudo o que fazemos ou dizemos, deve ver-se sempre o Senhor Jesus, de quem devemos ser pura transpar\u00eancia. Se assim fosse, e assim deve ser, como seria belo e bem diferente este nosso mundo!<\/p>\n<p>6. Sempre em linha com o Evangelho, Malaquias 2,10 pergunta hoje de forma certeira: \u00abN\u00e3o temos todos um \u00fanico Pai? Por que agimos ent\u00e3o com maldade uns para com os outros?\u00bb. Pergunta certeira, que nos obriga a depor as armas da viol\u00eancia e da mentira e nos obriga a investir mais, muito mais, na luta (<em>ag\u00f4n<\/em>) do amor (<em>ag\u00e1p\u00eas<\/em>).<\/p>\n<p>7. Enfim, a\u00ed est\u00e1 hoje S. Paulo (1 Tessalonicenses 2,7-13) a recordar diante de n\u00f3s, para que nunca mais esque\u00e7amos e a implementemos, a sua metodologia de anunciador do Evangelho. Fala de Deus com particular afeto e proximidade, sobrepondo as met\u00e1foras da crian\u00e7a e da m\u00e3e, da depend\u00eancia e pequenez e da dedica\u00e7\u00e3o condescendente (1 Ts 2,7). Ap\u00f3stolos como crian\u00e7as (<em>n\u00e9pios<\/em>), sem preconceitos ou prest\u00edgio a defender, que tudo recebem com simplicidade e alegria, e ap\u00f3stolos como m\u00e3es cheias de ternura, que se d\u00e3o completamente aos seus filhos.\u00a0<em>N\u00e9pios<\/em>\u00a0significa, \u00e0 letra, \u00abcrian\u00e7a de peito\u00bb, e, em sentido translato, \u00abimaturo\u00bb, \u00abinocente\u00bb, \u00abdependente\u00bb, que de per si, n\u00e3o tem nenhum valor. E\u00a0<em>troph\u00f3s<\/em>\u00a0n\u00e3o significa exatamente \u00abm\u00e3e\u00bb, mas \u00abama-de-leite\u00bb. Mas como \u00e9 dito logo a seguir que acalenta os pr\u00f3prios filhos, ent\u00e3o \u00e9 uma \u00abama\u00bb que \u00e9 m\u00e3e, uma m\u00e3e que amamenta, que se d\u00e1 totalmente aos seus filhos. Evangelho total: o dom da salva\u00e7\u00e3o (<em>euagg\u00e9lion<\/em>) e o dom da pr\u00f3pria vida (<em>psych\u00ea<\/em>) (1 Ts 2,8). N\u00e3o se pode dar o Evangelho sem dar a vida. O dom da vida n\u00e3o significa, neste contexto, disposi\u00e7\u00e3o para o mart\u00edrio estrito, mas condividir (<em>metado\u00fbnai<\/em>) diariamente aquilo que constitui a vida: o tempo, as energias, a sa\u00fade. O tempo significa amor. \u00c0queles ou \u00e0quilo a que concedo tempo, concedo amor. \u00c9, portanto, f\u00e1cil sabermos quem amamos ou o que amamos. Foi assim, de forma intensa, afetuosa, maternal, personificada, um-a-um, a tempo inteiro e de corpo inteiro, que Paulo transmitiu o Evangelho aos Tessalonicenses e em toda a parte.<\/p>\n<p>8. O Salmo 131, em que o orante se diz assim: \u00abEstou tranquilo e sereno\/, como crian\u00e7a desmamada (<em>gam\u00fbl<\/em>),\/ no colo da sua m\u00e3e;\/ como crian\u00e7a desmamada,\/ est\u00e1 em mim a minha alma\u00bb, serve de fundamento maravilhoso a um dos mais belos fios de ouro da espiritualidade crist\u00e3, habitualmente denominado por \u00abinf\u00e2ncia espiritual\u00bb, o \u00abpequeno caminho\u00bb, \u00abo permanecer pequeno\u00bb, \u00abo estar nos bra\u00e7os de Jesus\u00bb, que Santa Teresinha do Menino Jesus exalta na sua \u00abHist\u00f3ria de uma alma\u00bb. N\u00e3o se trata de uma quietude irracional e cega, semelhante \u00e0 do rec\u00e9m-nascido, depois de ter mamado no seio da sua m\u00e3e. O texto fala de uma crian\u00e7a desmamada (<em>gamul<\/em>). E \u00e9 sabido que, no Oriente, o desmame oficial acontecia tarde, pelos tr\u00eas anos, e dava origem a uma grande festa familiar (cf. G\u00e9nesis 21,8; 1 Samuel 1,22-24). Tamb\u00e9m o famoso Padre Jesu\u00edta franc\u00eas, L\u00e9once de Grandmaison (1868-1927), se segurava neste fio de ouro, e rezava assim: \u00abSanta Maria, M\u00e3e de Deus, conserva em mim um cora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a, puro e transparente, como uma nascente\u00bb.<\/p>\n<p>9. Que anda por aqui um mundo novo, l\u00e1 isso anda. Que entre ele em n\u00f3s, e que entremos nele tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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