{"id":1243582922,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/11812-imaculada-conceicao-da-virgem-santa-maria-"},"modified":"2025-11-07T16:33:53","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:53","slug":"imaculada-conceicao-da-virgem-santa-maria-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imaculada-conceicao-da-virgem-santa-maria-2\/","title":{"rendered":"Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Gn 3,9-15.20; Sl 98; Rm 15,4-9; Lc 1,26-38<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. \u00abFazendo mem\u00f3ria da Toda Santa, imaculada, sobre bendita, gloriosa Senhora nossa, M\u00e3e de Deus e Sempre Virgem Maria, juntamente com todos os Santos, consagramo-nos n\u00f3s e toda a nossa vida a Cristo Deus\u00bb. Assim se conclui, no rito bizantino, a ora\u00e7\u00e3o que abre a celebra\u00e7\u00e3o deste Dia, \u00e0 qual a assembleia responde: \u00aba Ti, Senhor!\u00bb. \u00c9 o \u00ab<em>fiat<\/em>\u00bb, o \u00abfa\u00e7a-se\u00bb dito por Maria (Lucas 1,38), a Serva do Senhor, a ecoar tamb\u00e9m no nosso cora\u00e7\u00e3o e a brotar dos nossos l\u00e1bios. \u00c9 o eco daquele \u00abfa\u00e7a-se\u00bb de Deus na primeira p\u00e1gina da Escritura Santa a ecoar no cora\u00e7\u00e3o de Maria e no nosso tamb\u00e9m. \u00c9 aquele \u00abSim\u00bb imenso que atravessa as primeiras 452 palavras da Escritura Santa (G\u00e9nesis 1,1-2,4a), onde n\u00e3o se l\u00ea um \u00fanico \u00abN\u00e3o\u00bb. \u00abTudo, na verdade, foi feito pelo Verbo\u00bb (Jo\u00e3o 1,3), \u00abn\u2019Ele foram criadas todas as coisas\u00bb (Colossenses 1,16), e o Verbo incarnado, Jesus Cristo, no dizer do Ap\u00f3stolo, \u00abfoi sempre Sim, e nunca n\u00e3o\u00bb (2 Cor\u00edntios 1,19). A\u00ed est\u00e1 a filigrana que faz vibrar a melodia e mostra a verdadeira harmonia da Escritura. Imensa sintonia a ecoar hoje em tantos cora\u00e7\u00f5es! As partituras desta m\u00fasica divina v\u00eam hoje de Lucas 1,26-38, G\u00e9nesis 3,9-15.20, Romanos 15,4-9 e do Salmo 98.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. \u00c9 bom sabermos e sentirmos que as Igrejas do Oriente e do Ocidente, embora divididas entre si, nos dias 8 e 9 de Dezembro (8 no Ocidente e 9 no Oriente), nove meses antes da Festa da sua Natividade (8 de Setembro), juntam as suas vozes em maravilhosa harmonia para celebrar a M\u00e3e de Deus no singular privil\u00e9gio da Concei\u00e7\u00e3o Imaculada da sua humanidade.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Bem sabemos, al\u00e9m disso, que os Coptos dedicam a Maria o inteiro m\u00eas de\u00a0<em>Kiahq<\/em>, que coincide mais ou menos com o nosso m\u00eas de Dezembro, e os Caldeus, os Antioquenos e os Maronitas celebram, tamb\u00e9m nesta altura do ano, e durante pelo menos quatro Domingos, o tempo do chamado\u00a0<em>S\u00fbbbar\u00e2<\/em>\u00a0ou \u00abAnuncia\u00e7\u00e3o\u00bb ou \u00abEvangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb, Vinda de Deus ao nosso mundo, not\u00edcia ap\u00f3s not\u00edcia, para abrir as nossas trincheiras e fazer nascer em n\u00f3s um mundo novo, um c\u00e2ntico novo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. \u00abOnde est\u00e1s?\u00bb, pergunta o Deus-Que-Vem por amor ao encontro da sua criatura dileta (G\u00e9nesis 3,9). \u00abTive medo e escondi-me\u00bb, respondemos n\u00f3s, amedrontados (G\u00e9nesis 3,10). A narrativa exemplar de G\u00e9nesis 3, que hoje lemos, desvenda todas as nossas in\u00fateis estrat\u00e9gias de defesa, e faz-nos ver como n\u00f3s nos escondemos de n\u00f3s mesmos e de Deus, e como alijamos facilmente as nossas culpas sobre os outros. Correto, limpo, terap\u00eautico, salvador, era assumirmos e confessarmos humildemente as nossas culpas. Mas n\u00e3o. Fugimos, escondemo-nos de n\u00f3s e de Deus, e respondemos: \u00abFoi a mulher\u00bb, \u00abfoi aquele\u00bb, \u00abfoi aquela\u00bb, e, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00abfoste Tu, foste Tu, Deus\u00bb (G\u00e9nesis 3,12), porque foste Tu que me deste a maravilha de um irm\u00e3o, de uma irm\u00e3, e foi esse irm\u00e3o dado por Ti, essa irm\u00e3 dada por Ti, que me deu a comer aquele fruto, fruto de um furto! \u00c9s Tu, portanto, e em \u00faltima an\u00e1lise, o culpado. A\u00ed estamos n\u00f3s a fugir de n\u00f3s mesmos, e a acusar os outros! E se n\u00e3o assumimos as nossas culpas, como podemos corrigir os nossos erros, e como podemos chegar a descobrir a realidade humana e divina do perd\u00e3o? Sim, porque quando nos escondemos de Deus, estamos tamb\u00e9m a esconder Deus e os seus dons, a Alegria, o Amor, o Perd\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Sim, esta hist\u00f3ria tem a ver connosco. Estando o Rabi Shneur Zalman (1745-1812) preso em S. Petersburgo, entrou na sua cela o comandante da guarda, e p\u00f4s-se a conversar com ele sobre assuntos diversos. No final, perguntou: \u00abComo se deve interpretar que Deus Omnisciente pergunte a Adam: \u201cOnde est\u00e1s?\u201d\u00bb. \u00abVoc\u00ea acredita, respondeu o Rabi, que a Escritura \u00e9 eterna e que diz respeito a todos os tempos, a todas as gera\u00e7\u00f5es e a todas as pessoas?\u00bb. \u00abSim, acredito\u00bb, disse o comandante da guarda. \u00abEnt\u00e3o, respondeu o Rabi, em cada tempo Deus pergunta a cada homem: \u201cOnde est\u00e1s no teu mundo? Dos dias e dos anos que te foram atribu\u00eddos, j\u00e1 passaram muitos: entretanto, at\u00e9 onde \u00e9 que tu chegaste no teu mundo?\u201d. Deus disse, por exemplo: \u201cV\u00ea, j\u00e1 h\u00e1 46 anos que andas aqui. Onde te encontras?\u201d\u00bb. Ao ouvir o n\u00famero exato dos seus anos, o comandante sentiu dificuldade em controlar-se, p\u00f4s a m\u00e3o no ombro do Rabi, e exclamou: \u00abBravo!\u00bb. Mas o seu cora\u00e7\u00e3o tremia.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. \u00c9 usual dizer-se que esta conhecida p\u00e1gina do Livro do G\u00e9nesis narra a entrada do mal no cora\u00e7\u00e3o do homem e no mundo. Mas do que se trata mesmo \u00e9 da import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o do homem com Deus, e diz-nos que o mal entra no mundo quando o homem quebra esta rela\u00e7\u00e3o e se desliga de Deus. Por isso tamb\u00e9m, da\u00ed para a frente, a Escritura Santa ocupa-se em mostrar que a resposta a dar ao mal n\u00e3o \u00e9 apenas o bem, mas o santo. Entenda-se: n\u00e3o o homem fechado sobre si, autossuficiente e autorreferencial, mas completamente aberto e voltado para Deus, de quem por amor tudo recebe e se recebe. E completamente voltado para os outros, a quem tudo entrega por amor. Como Maria, a figura deste luminoso Dia.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Em perfeita sintonia, a\u00ed est\u00e1 o Ap\u00f3stolo a dizer o fundamental: \u00abque Deus nos escolheu para sermos santos\u00bb (Ef\u00e9sios 1,4) e para nos dar, atrav\u00e9s de Jesus Cristo, a nossa verdadeira identidade, a filia\u00e7\u00e3o divina (<em>hyiothes\u00eda<\/em>) (Ef\u00e9sios 1,5). Entrando assim, por gra\u00e7a, na casa de Deus (Ef\u00e9sios 4,19), andaremos sempre na sua presen\u00e7a. Ele \u00e9 o Deus Santo que nos santifica. Escutemos tamb\u00e9m a melodia admir\u00e1vel em que o Ap\u00f3stolo nos faz entrar na Carta aos Romanos 15,4-9. Como seria belo um mundo pautado por uma verdadeira fraternidade em que todos viv\u00eassemos sob o impulso e o alento carinhoso e criador de Deus. Na verdade, todos respiramos o mesmo alento, que o texto grego diz com o belo termo composto\u00a0<em>homothymad\u00f3n<\/em>\u00a0(Romanos 15,6), que junta\u00a0<em>hom\u00f3s<\/em>\u00a0[= mesma] e\u00a0<em>thym\u00f3s<\/em>\u00a0[= alma], sendo que\u00a0<em>thym\u00f3s<\/em>\u00a0deriva de\u00a0<em>th\u00fd\u00f4<\/em>\u00a0[= soprar]. E que mundo maravilhoso surgiria, rompendo a crosta do ego\u00edsmo e da dureza de cora\u00e7\u00e3o, se \u00abnos acolh\u00eassemos uns aos outros, como Cristo nos acolheu a n\u00f3s\u00bb (Romanos 15,7). A\u00ed est\u00e1 ent\u00e3o a comunidade humana irmanada e reunida, porque todos recebemos de Deus o mesmo alento, o mesmo sopro criador (G\u00e9nesis 2,7), e com uma s\u00f3 boca (<em>en hen\u00ec st\u00f3mati<\/em>) e a uma s\u00f3 voz cantamos os louvores do nosso Deus (Romanos 15,6), autor de tantas maravilhas (\u00caxodo 15,11)! Esta linguagem e esta harmonia enchem por inteiro a comunidade primitiva (Atos 1,14; 2,46; 5,12).\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. O \u00edcone desta santidade, neste mundo, \u00e9 Maria, no grande texto da Anuncia\u00e7\u00e3o (Lucas 1,26-38). Vale a pena contempl\u00e1-la demoradamente, como fazem as Igrejas do Oriente e do Ocidente. Ao contr\u00e1rio de n\u00f3s, Maria, visitada por Deus, n\u00e3o foge, n\u00e3o se esconde de si mesma, n\u00e3o se esconde de Deus, n\u00e3o esconde Deus na sua vida. Tinha consagrado a Deus toda a sua vida, a sua virgindade. N\u00e3o sendo usual no mundo judaico do seu tempo, esta maneira de viver est\u00e1, por\u00e9m, solidamente documentada por parte de homens e mulheres quer no mundo judaico dos \u00faltimos s\u00e9culos a.C. quer no mundo judaico e crist\u00e3o dos primeiros s\u00e9culos d.C. O tratado\u00a0<em>Niddah<\/em>\u00a01,4 da\u00a0<em>Mishnah<\/em>\u00a0judaica, j\u00e1 fala da \u00abvirgem casada\u00bb, e os Padres da Igreja antiga, entre os quais Ireneu de Li\u00e3o, Tertuliano, Greg\u00f3rio de Niza, Jer\u00f3nimo, falam da virgindade perp\u00e9tua a que Maria se teria dedicado j\u00e1 antes da Anuncia\u00e7\u00e3o, de pleno acordo com Jos\u00e9, ao mesmo tempo seu esposo e seu protetor. A n\u00e3o ser assim, n\u00e3o se compreenderia aquela obje\u00e7\u00e3o de Maria: \u00abComo ser\u00e1 isso, se eu n\u00e3o conhe\u00e7o homem?\u00bb (Lucas 1,34). Se o matrim\u00f3nio de Maria tivesse em vista, como era usual, a procria\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o faria sentido a obje\u00e7\u00e3o de Maria, uma vez que mais dia, menos dia, sempre haveria de ter um filho. Ao contr\u00e1rio do homem do G\u00e9nesis e desta sociedade em que vivemos, Maria n\u00e3o se esconde de Deus nem esconde Deus. Exp\u00f5e-se, na sua verdade e simplicidade, ao imenso clar\u00e3o de Deus. \u00c9 assim que se exp\u00f5e a Deus e que exp\u00f5e Deus, recebendo e aceitando com amor intenso a sua nova Voca\u00e7\u00e3o que lhe vem de Deus. Maria vai ser a M\u00e3e, n\u00e3o de um filho, mas do Filho h\u00e1 muito ansiado, esperado e anunciado nas p\u00e1ginas da Escritura Santa Antiga. \u00c9 o Filho de Deus, totalmente consubstancial a Deus, e \u00e9 o Filho de Maria, totalmente consubstancial \u00e0 sua M\u00e3e. Santa Maria, M\u00e3e de Deus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Por isso, \u00abAlegra-te, Maria\u00bb [= \u00ab<em>Cha\u00eere Maria<\/em>\u00bb; \u00ab<em>Ave Maria<\/em>\u00bb], \u00abn\u00e3o tenhas medo\u00bb, \u00abo Senhor est\u00e1 contigo\u00bb (Lucas 1, 28 e 30). Alguns anos mais tarde, as mulheres que v\u00e3o ao t\u00famulo de Jesus ouvir\u00e3o tamb\u00e9m a mesma m\u00fasica divina: \u00abAlegrai-vos\u00bb, \u00abn\u00e3o tenhais medo\u00bb (Mateus 28,5 e 9). E n\u00f3s, Assembleia Santa que hoje se re\u00fane para celebrar os mist\u00e9rios do seu Senhor e tamb\u00e9m de Maria, M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e, estamos tamb\u00e9m permanentemente a ouvir esta divina melodia. Portanto, irm\u00e3os amados em Cristo, Alegrai-vos, n\u00e3o tenhais medo, o Senhor est\u00e1 no meio de n\u00f3s!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. \u00abEis a serva do Senhor; fa\u00e7a-se em mim segundo a tua Palavra\u00bb (Lucas 1,38). Em toda a Escritura Santa, nenhuma mulher, exceto Maria, aparece chamada \u00aba serva do Senhor\u00bb. Deus chama, mas n\u00e3o imp\u00f5e. A Maria, e a cada um de n\u00f3s. Podemos sempre aceitar Deus ou esconder-nos de Deus. Deixar Deus entrar, ou fechar-lhe a porta. Maria aceitou, e, por isso, todas as gera\u00e7\u00f5es a proclamar\u00e3o Bem-aventurada (Lucas 1,48). \u00c9 o que estamos hoje e aqui a fazer: Feliz \u00e9s tu, Maria, pioneira de um mundo novo, porque acreditaste em tudo quanto te foi dito da parte do Senhor (Lucas 1,45)! Feliz tamb\u00e9m aquele que ouve a Palavra de Deus e a p\u00f5e em pr\u00e1tica (Lucas 11,28)!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Memorial desta beleza incandescente \u00e9 a Bas\u00edlica da Anuncia\u00e7\u00e3o, em Nazar\u00e9. Esta grandiosa Bas\u00edlica, em tr\u00eas planos, foi inaugurada em 25 de Mar\u00e7o de 1969, e foi visitada, ainda as obras estavam em curso, em 1964, pelo Papa Paulo VI. Escava\u00e7\u00f5es feitas antes desta grandiosa constru\u00e7\u00e3o puseram a descoberto, e podem ver-se ainda hoje, os majestosos pilares de uma Catedral levantada em 1099, pelo pr\u00edncipe cruzado Tancredo, bem como o pavimento em mosaico de uma igreja bizantina, que pode ser datada do ano 450. Mas, descendo mais fundo, at\u00e9 \u00e0s entranhas da atual Bas\u00edlica, acede-se \u00e0 Gruta da Anuncia\u00e7\u00e3o, sob cujo altar se l\u00ea a inscri\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Verbum caro hic factum est<\/em>\u00a0[\u00abAqui o Verbo se fez carne\u00bb], e a outros lugares de culto antigos, talvez j\u00e1 do s\u00e9culo II. Numa grafite antiga foi encontrada a grava\u00e7\u00e3o XE MAPIA, abrevia\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Cha\u00eere Maria<\/em>, a primeira Ave-Maria da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. Foi o Conc\u00edlio de Basileia (1439) que sugeriu a defini\u00e7\u00e3o do dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, proclamado depois por Pio IX em 08 de Dezembro de 1854, atrav\u00e9s da bula\u00a0<em>Ineffabilis Deus<\/em>. Note-se que o termo \u00abconce\u00e7\u00e3o\u00bb, na linguagem b\u00edblica, indica a totalidade da exist\u00eancia. O velho orante do Salmo 71, olhando retrospetivamente para a sua vida de fidelidade e de amor, exclama extasiado: \u00abSobre ti me apoiei desde o ventre, desde as entranhas de minha m\u00e3e\u00bb (Salmo 71,6). Assim tamb\u00e9m, a exist\u00eancia de Maria est\u00e1, desde o seu in\u00edcio, sob a prote\u00e7\u00e3o de Deus, marcada com o selo de Deus, n\u00e3o estando nunca sob o selo do\u00a0<em>pecado original<\/em>, que mostra a exist\u00eancia humana marcada por um projeto alternativo ao de Deus, em que cada exist\u00eancia humana, eu, o meu pai, os filhos que aparecer\u00e3o sobre a face da terra, queremos ser por nossas pr\u00f3prias for\u00e7as \u00abcomo deus, conhecedores do bem e mal\u00bb (G\u00e9nesis 3,5).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">13. Esta celebra\u00e7\u00e3o da M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e e Padroeira Principal de Portugal \u00e9 um desafio imenso para o homem \u00abem fuga\u00bb deste tempo, que se esconde de si mesmo, que continua a esconder-se de Deus, e que pretende esconder Deus, retirando-o da via p\u00fablica e da vida p\u00fablica. Atravessamos verdadeiramente a \u00abnoite do mundo\u00bb (<em>Weltnacht<\/em>), diz Martin Heidegger, onde \u00abCada um est\u00e1 sozinho no cora\u00e7\u00e3o da terra\/ atravessado por um raio de sol:\/ e \u00e9 logo noite\u00bb, como bem escreve o escritor italiano Salvatore Quasimodo. Homem deste tempo \u00e0s escuras, engessado, triste, exilado, escondido, anestesiado, medicado, volta para a Luz, reentra em tua casa, no teu cora\u00e7\u00e3o despeda\u00e7ado. H\u00e1 de seguramente por l\u00e1 haver ainda, ca\u00edda no fundo da alma, uma l\u00e1grima dorida e uma m\u00e3o de M\u00e3e \u00e0 tua espera!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026..<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Senhora de dezembro,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Maria, minha M\u00e3e,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Passa hoje o dia<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Da tua Imaculada Concei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-3\">\u00a0<\/p>\n<p>An\u00fancios<\/p>\n<div class=\"ata-slot-container-wrapper\">\u00a0<\/p>\n<div class=\"ata-controls\" id=\"inline-ad-3__controls\"><span class=\"ata-controls__complain-btn\" id=\"inline-ad-3__complain-btn\">REPORT THIS AD<\/span><span class=\"ata-controls__privacy-btn\" id=\"inline-ad-3__privacy-btn\">PRIVACIDADE<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026..<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Senhora de dezembro,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Dos dias frios e fr\u00e1geis,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Dos passos firmes e \u00e1geis,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Do cora\u00e7\u00e3o que velava<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00c0 espera de quem te amava.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026..<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Assim te entregaste a Deus,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">De cora\u00e7\u00e3o inteiro,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Como um tinteiro<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Todo derramado numa p\u00e1gina.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026..<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Tu \u00e9s a mais bela p\u00e1gina de Deus,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A Deus doada, apresentada, dedicada,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">M\u00e3e da vida consagrada,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Imaculada,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ensina-me a tua tabuada,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A tua nova alegria,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A luz do Evangelho que te aquece e alumia.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026..<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Eu te sa\u00fado, Maria,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Neste dia da tua Imaculada Concei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ave-Maria.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026..<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gn 3,9-15.20; Sl 98; Rm 15,4-9; Lc 1,26-38 1. \u00abFazendo mem\u00f3ria da Toda Santa, imaculada, sobre bendita, gloriosa Senhora nossa, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":920925217,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-1243582922","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1243582922","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1243582922"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1243582922\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994875,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1243582922\/revisions\/4294994875"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/920925217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1243582922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1243582922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1243582922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}