{"id":1272111552,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/57-destaques\/3708-homenagem-a-d-antonio-marcelino-nao-morro-nem-que-me-matem"},"modified":"2025-11-11T12:09:52","modified_gmt":"2025-11-11T12:09:52","slug":"homenagem-a-d-antonio-marcelino-nao-morro-nem-que-me-matem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homenagem-a-d-antonio-marcelino-nao-morro-nem-que-me-matem\/","title":{"rendered":"Homenagem a D. Ant\u00f3nio Marcelino &#8220;\u00abN\u00e3o morro nem que me matem&#8221;"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/d_antonio_marcelino_2_131010055302.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><span style=\"font-family: Calibri;\"><span style=\"font-size: small;\">Quantas vezes ouvi eu esta frase a D. Ant\u00f3nio Marcelino! Dita com <em>garra<\/em>, convic\u00e7\u00e3o, inquietude, f\u00e9! <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Calibri;\">T\u00ea-la-ia ouvido num contexto de escola cat\u00f3lica \u2013 qui\u00e7\u00e1, a grande paix\u00e3o da sua vida! \u2013 mas aplicava-se a tudo por onde andou: educa\u00e7\u00e3o, fam\u00edlia, comunica\u00e7\u00e3o social, a\u00e7\u00e3o s\u00f3cio caritativa, etc.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Calibri;\">Um homem desta estirpe realmente nunca morre, mesmo que a doen\u00e7a ou as conting\u00eancias existenciais o matem. Ele deixa ensinamentos, estilos e testemunhos de vida que nos penetram e marcam o nosso caminhar. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Calibri;\">A educa\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica em Portugal acaba de perder, se n\u00e3o o maior, pelo menos um dos seus mais ilustres defensores e promotores. Ainda antes de ser prelado, D. Ant\u00f3nio, sob a inspira\u00e7\u00e3o do seu bispo, D. Agostinho de Moura, foi um apaixonado pela Escola Cat\u00f3lica. Relembro bem este epis\u00f3dio vivenciado por ele, em pleno per\u00edodo revolucion\u00e1rio sequente ao 25 de abril, e que me contou h\u00e1 tempos:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Calibri;\">\u00abVivi de perto o assalto e o estrangulamento dos col\u00e9gios ou escolas cat\u00f3licas da Diocese de Portalegre e Castelo Branco que teve o seu auge de \u00f3dio e de loucura em Proen\u00e7a-a-Nova. Uma escola constru\u00edda de raiz que levava j\u00e1 ent\u00e3o os alunos at\u00e9 ao ensino superior. Assaltada por militares que a guardavam armados, dentro e fora da escola, obrigando os professores a dar aulas. Fui l\u00e1 com o Vig\u00e1rio Geral porque o Bispo estava no estrangeiro. Dirigi-me ao quartel dos bombeiros onde estavam os chefes militares da c\u00e9lebre V Divis\u00e3o. Apresentamo-nos a um oficial miliciano, porque estava ausente o c\u00e9lebre capit\u00e3o Calvinho que chefiara o assalto. De modo direto perguntei: \u2018Em nome de qu\u00ea ou de quem se assalta uma escola que serve o povo e n\u00e3o pertence ao Estado\u2019 \u2013 \u2018Em nome de qu\u00ea, seu fascista, pois em nome da revolu\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea merecia era j\u00e1 levar um tiro para se calar\u2019. Estava armado. Aproximei-me dele e retorqui: \u2018Pois se a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 para assaltar e destruir o que serve o povo, sem respeito por nada e por ningu\u00e9m que o tem sempre defendido e ajudado a promover, eu sou mesmo fascista. N\u00e3o perca tempo, atire e mate se for capaz.\u2019 E fiquei \u00e0 frente dele. Baixou a arma e virou-me as costas\u00bb.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Calibri;\">Como bispo, como crist\u00e3o, D. Ant\u00f3nio Marcelino sempre acreditou que as escolas cat\u00f3licas s\u00e3o um meio privilegiado de evangeliza\u00e7\u00e3o da juventude e das suas fam\u00edlias. E sofria quando sentia alguma desconfian\u00e7a a este respeito, sobretudo se ela advinha de setores ligados \u00e0 Igreja. Por isso lutou, com entusiasmo, para que as escolas cat\u00f3licas fossem fi\u00e9is \u00e0 sua (extraordin\u00e1ria) miss\u00e3o apost\u00f3lica, tivessem diretores e professores enformados pela antropologia crist\u00e3. Por isso lutou para que as escolas trabalhassem em coopera\u00e7\u00e3o, em comunh\u00e3o, potenciando sinergias. Ele bem sabia que nada disto era f\u00e1cil, mau grado estarmos a falar de estruturas eclesiais. Ele bem sabia que, infelizmente, as escolas cat\u00f3licas, apesar de ministrarem ensino e educa\u00e7\u00e3o de qualidade, tamb\u00e9m enfermam dos pecados da Igreja. Mas nunca desistiu. Mesmo quando se resignou, em 2006, D. Ant\u00f3nio aceitou integrar a Comiss\u00e3o Episcopal de Educa\u00e7\u00e3o (e Doutrina da F\u00e9) ficando com a responsabilidade direta das escolas cat\u00f3licas. E era v\u00ea-lo, com a sua provecta idade, a dirigir reuni\u00f5es e programas e projetos e sonhos e inquieta\u00e7\u00f5es. At\u00e9 aos 83 anos. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Calibri;\">A Igreja, as escolas cat\u00f3licas e muit\u00edssimas pessoas aprenderam imenso com D. Ant\u00f3nio. Eu pr\u00f3prio tive o privil\u00e9gio de o ter como amigo e de colher muitos ensinamentos e conselhos que t\u00eam afetado a minha vida. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Calibri;\">Mas D. Ant\u00f3nio n\u00e3o morreu. N\u00e3o era ele que dizia \u00abn\u00e3o morro nem que me matem\u00bb? A doen\u00e7a matou-o, mas ele vive e continua no C\u00e9u o seu minist\u00e9rio episcopal, porque nos continua a \u201cvigiar\u201d. Obrigado, Senhor D. Ant\u00f3nio Marcelino, por uma vida cheia de anos, e anos cheios de vida!<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"right\"><em><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Calibri;\">Jorge Cotovio<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Calibri;\">Secret\u00e1rio da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa das Escolas Cat\u00f3licas<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p align=\"right\">\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantas vezes ouvi eu esta frase a D. Ant\u00f3nio Marcelino! Dita com garra, convic\u00e7\u00e3o, inquietude, f\u00e9! 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