{"id":1279088075,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8276-homilia-do-papa-francisco-no-ii-dia-mundial-dos-pobres"},"modified":"2025-11-07T16:34:32","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:32","slug":"homilia-do-papa-francisco-no-ii-dia-mundial-dos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-francisco-no-ii-dia-mundial-dos-pobres\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco no II Dia Mundial dos Pobres"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_sao_pedro_branco_181118071752.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco no II Dia Mundial dos Pobres, XXXII Domingo do Tempo Comum.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Vejamos as tr\u00eas a\u00e7\u00f5es que Jesus realiza no Evangelho.<\/p>\n<p>A primeira. Em pleno dia, sai: retira-se da multid\u00e3o no momento do sucesso, quando estava a ser aclamado por ter multiplicado os p\u00e3es. E enquanto os disc\u00edpulos queriam gozar a gl\u00f3ria, ele imediatamente for\u00e7a-os a sair e a dispensar a multid\u00e3o (cf. Mt 14, 22-23). Procurado por pessoas, vai sozinho; quando tudo estava &#8220;em declive&#8221;, sai para a montanha para rezar. Depois, no meio da noite, desce da montanha e junta.se aos seus caminhando sobre as \u00e1guas agitadas pelo vento. Em tudo Jesus vai contra a corrente: primeiro deixa o sucesso, depois a tranquilidade. Ensina-nos a coragem de sair: deixar o sucesso que faz inchar o cora\u00e7\u00e3o e a tranquilidade que adormece a alma.<\/p>\n<p>Ir para onde? At\u00e9 Deus, rezando, e at\u00e9 aqueles que tem necessidade, amando. S\u00e3o os verdadeiros tesouros da vida: Deus e o pr\u00f3ximo. Subir a Deus e descer at\u00e9 aos irm\u00e3os, aqui est\u00e1 a rota indicado por Jesus. Assim se distingue das pastagens imperturb\u00e1veis, nas plan\u00edcies confort\u00e1veis ??da vida, do viver ociosamente, de bra\u00e7os cruzados, para as pequenas satisfa\u00e7\u00f5es do quotidiano. Os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o s\u00e3o feitos para a tranquilidade previs\u00edvel de uma vida normal. Como o Senhor Jesus, eles vivem o seu caminho, leves, prontos para deixar as gl\u00f3rias do momento, atentos para n\u00e3o se apegarem aos bens que passam. O crist\u00e3o sabe que a sua casa est\u00e1 noutro lugar, sabe que \u00e9 j\u00e1 agora &#8211; como recordou o ap\u00f3stolo Paulo na segunda leitura &#8211; &#8220;concidad\u00e3o dos santos e familiares de Deus&#8221; (cf. Ef 2:19). Ele \u00e9 um viajante \u00e1gil da exist\u00eancia. N\u00f3s n\u00e3o vivemos para acumular, a nossa gl\u00f3ria est\u00e1 em deixar o que passa para segurar o que resta. Pedimos a Deus que assemelhe a Igreja \u00e0 descrita na primeira leitura: sempre em movimento, perita em partir e fiel no servi\u00e7o (cf. Atos 28, 11-14). Provoca-nos, Senhor, da calma ociosa, da quieta bonan\u00e7a dos nossos portos seguros. Arranca-nos das amarras da autorreferencia\u00e7\u00e3o que pesa sobre a vida, libertam-nos da busca dos nossos sucessos. Ensina-nos Senhor a saber deixar para afinar a rota da vida na tua: para Deus e para o pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>A segunda a\u00e7\u00e3o: no meio da noite, Jesus encoraja. Ele vai ter com os seus, imersos na escurid\u00e3o, caminhando \u00absobre o mar\u00bb (v. 25). Na realidade, era um lago, mas o mar, com a profundidade das suas trevas subterr\u00e2neas, evocava as for\u00e7as do mal naquela \u00e9poca. Jesus, por outras palavras, vai ao encontro dos seus espezinhando os inimigos malignos do homem. Aqui est\u00e1 o significado deste sinal: n\u00e3o \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o comemorativa do poder, mas a revela\u00e7\u00e3o, para n\u00f3s, da certeza de que Jesus, somente Ele, Jesus, vence os nossos maiores inimigos: o diabo, o pecado, a morte, o medo, o mundanismo. Hoje tamb\u00e9m nos diz: \u00abToma coragem, sou eu, n\u00e3o temas\u00bb (v. 27).<\/p>\n<p>A barca da nossa vida \u00e9 muitas vezes sacudida pelas ondas e abalada pelos ventos e, quando as \u00e1guas est\u00e3o calmas, logo se agitam novamente. Ent\u00e3o apanhamos com as tempestades do momento, que parecem ser os nossos \u00fanicos problemas. Mas o problema n\u00e3o \u00e9 a tempestade do momento, \u00e9 como se navega na vida. O segredo de navegar bem \u00e9 convidar Jesus a bordo. O leme da vida deve ser dado a ele, para que ele possa administrar a rota. S\u00f3 ele d\u00e1 vida na morte e esperan\u00e7a na dor; somente Ele cura o cora\u00e7\u00e3o com perd\u00e3o e liberta do medo com a confian\u00e7a. Convidemos hoje Jesus para a barca da vida. Como os disc\u00edpulos, n\u00f3s experimentaremos que com ele a bordo os ventos se acalmam (ver verso 32) e nunca causam um naufr\u00e1gio. Com ele a bordo nunca seremos n\u00e1ufragos! E \u00e9 somente com Jesus que nos tornamos capazes de nos encorajar tamb\u00e9m. H\u00e1 uma grande necessidade de pessoas que saibam consolar, mas n\u00e3o com palavras vazias, mas com palavras de vida, com gestos de vida. Em nome de Jesus, o verdadeiro consolo \u00e9 dado. N\u00e3o com um incentivo formal e \u00f3bvio, mas a presen\u00e7a de Jesus restaura. Encoraja, Senhor: Consolados por ti, seremos verdadeiramente consoladores dos outros.<\/p>\n<p>E terceira a\u00e7\u00e3o de Jesus: no meio da tempestade, ele estende a m\u00e3o (cfr. V. 31). Ele agarra Pedro que, temeroso, duvidou e, se afundando, gritando: \u00abSenhor, salva-me!\u00bb (V. 30). Podemos colocar-nos no lugar de Pedro: somos pessoas de pouca f\u00e9 e estamos aqui para implorar pela salva\u00e7\u00e3o. Somos pobres na vida real e precisamos da m\u00e3o estendida do Senhor, que nos tira do mal. Este \u00e9 o come\u00e7o da f\u00e9: esvaziar a orgulhosa convic\u00e7\u00e3o de acreditar-se apto, capaz, aut\u00f3nomo, e reconhecer-se necessitado da salva\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 cresce neste clima, um clima que \u00e9 adaptado por estar com aqueles que n\u00e3o est\u00e3o no pedestal, mas que precisam e pedem ajuda. Por esta raz\u00e3o, a f\u00e9 viva no contato com os necessitados \u00e9 importante para todos n\u00f3s. N\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica, n\u00e3o \u00e9 a moda de um pontificado, \u00e9 uma necessidade teol\u00f3gica. \u00c9 reconhecer-se como mendigos da salva\u00e7\u00e3o, irm\u00e3os e irm\u00e3s de todos, mas especialmente dos pobres, amados pelo Senhor. Assim se atinge o esp\u00edrito do Evangelho: \u00abo esp\u00edrito de pobreza e de amor &#8211; diz o Conc\u00edlio &#8211; \u00e9 de facto a gl\u00f3ria e o sinal da Igreja de Cristo\u00bb (Const. Gaudium et Spes, 88).<\/p>\n<p>Jesus ouviu o grito de Pedro. Pe\u00e7amos a gra\u00e7a de escutar o grito daqueles que vivem em \u00e1guas tempestuosas. O grito dos pobres: \u00e9 o grito estrangulado das crian\u00e7as que n\u00e3o podem vir \u00e0 luz, dos pequenos que sofrem com a fome, dos meninos j\u00e1 habituados ao rugido das bombas em vez de estarem acostumados aos gritos felizes dos jogos. \u00c9 o grito dos idosos descartados e deixados sozinhos. \u00c9 o grito daqueles que enfrentam as tempestades da vida sem uma presen\u00e7a amiga. \u00c9 o grito daqueles que devem fugir, deixando a casa e a terra sem a certeza de um local de repouso. \u00c9 o grito de popula\u00e7\u00f5es inteiras, tamb\u00e9m privadas dos enormes recursos naturais dispon\u00edveis para eles. \u00c9 o grito dos muitos L\u00e1zaros que choram, enquanto poucos se banqueteiam com aquilo que por justi\u00e7a pertence a todos. A injusti\u00e7a \u00e9 a raiz perversa da pobreza. O clamor dos pobres torna-se mais forte a cada dia, mas a cada dia ouve-se menos. Todos os dias o choro \u00e9 mais alto, mas a cada dia \u00e9 menos ouvido, esmagado pelo barulho de algumas pessoas ricas, que s\u00e3o sempre menos e sempre mais ricas.<\/p>\n<p>Diante da dignidade humana atropelada, muitas vezes se permanece com os bra\u00e7os para baixo ou ainda com os bra\u00e7os cruzados, impotentes diante da for\u00e7a sombria do mal. Mas o crist\u00e3o n\u00e3o pode ficar de bra\u00e7os cruzados, indiferente, ou de bra\u00e7os abertos, fatalista, n\u00e3o. O crente estende a m\u00e3o, como Jesus faz com ele. Com Deus, o clamor dos pobres \u00e9 ouvido. E eu pergunto: e em n\u00f3s? Temos olhos para ver, ouvidos para ouvir, m\u00e3os estendidas para ajudar, ou repetimos que &#8220;volta amanh\u00e3&#8221;? \u00abO pr\u00f3prio Cristo, na pessoa dos pobres, reclama em voz alta a caridade dos seus disc\u00edpulos\u00bb (ibid.). Ele pede-nos para o reconhecer \u00a0na fome e na sede, num estranho e despojado de dignidade, doente e preso (cf. Mt 25,35-36).<\/p>\n<p>O Senhor estende a m\u00e3o: \u00e9 um gesto gratuito, n\u00e3o esperado. \u00c9 assim que \u00e9 feito. N\u00f3s n\u00e3o somos chamados a fazer o bem apenas para aqueles que nos amam. Retribuir \u00e9 normal, mas Jesus pede para ir mais longe (cf. Mt 5, 46): dar \u00e0queles que n\u00e3o t\u00eam como devolver, isto \u00e9, amar de gra\u00e7a (cf. Lc 6, 32-36). Vamos olhar para os nossos dias: entre tantas coisas, fazemos algo de gra\u00e7a, algo para aqueles que n\u00e3o t\u00eam como retribuir? Esta ser\u00e1 a nossa m\u00e3o estendida, a nossa verdadeira riqueza no c\u00e9u.<\/p>\n<p>Segura a nossa m\u00e3o, Senhor, segura-a. Ajuda-nos a amar como Tu amas Ensina-nos a deixar o que \u00e9 passageiro, a encorajar os que est\u00e3o ao nosso redor, a dar livremente aos necessitados. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2018\/documents\/papa-francesco_20181118_omelia-gionatamondiale-poveri.html\" target=\"_blank\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>18.11.2018<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco no II Dia Mundial dos Pobres, XXXII Domingo do Tempo Comum. \u00a0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294987947,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-1279088075","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1279088075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1279088075"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1279088075\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294995711,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1279088075\/revisions\/4294995711"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294987947"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1279088075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1279088075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1279088075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}