{"id":1282154980,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/10527-a-igreja-e-primado-da-graca-nao-de-direita-ou-esquerda-papa-francisco"},"modified":"2025-11-07T16:34:40","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:40","slug":"a-igreja-e-primado-da-graca-nao-de-direita-ou-esquerda-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/a-igreja-e-primado-da-graca-nao-de-direita-ou-esquerda-papa-francisco\/","title":{"rendered":"A Igreja \u00e9 \u00abprimado da gra\u00e7a\u00bb n\u00e3o de \u00abdireita ou esquerda\u00bb, Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_vermelho_200629092103.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><strong><em>Neste Domingo de Pentecostes o Papa Francisco celebrou a eucaristia na Bas\u00edlica de S\u00e3o pedro, no Vaticano. Na sua homilia o Papa explicou o aparecimento da Igreja a partir da descida do Esp\u00edrito Santo e desafiou os crentes a \u201cpercecionarem o todo\u201d e a n\u00e3o ficarem ref\u00e9m \u201cdos \u2018 ismos\u2019 pr\u00f3prios das ideologias que dividem\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco<\/span><\/p>\n<p><span>\u00abVir\u00e1 o Par\u00e1clito, que Eu vos hei de enviar da parte do Pai\u00bb (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a015, 26). Com estas palavras, Jesus promete aos disc\u00edpulos o Esp\u00edrito Santo, o dom supremo, o dom dos dons; e fala do Esp\u00edrito, usando uma palavra particular, misteriosa:\u00a0<em>Par\u00e1clito<\/em>. Debrucemo-nos hoje sobre esta palavra, que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de traduzir pois encerra v\u00e1rios significados. Substancialmente, Par\u00e1clito significa duas coisas:\u00a0<em>Consolador<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Advogado<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span>1.\u00a0<em>O Par\u00e1clito \u00e9 o Consolador<\/em>. Todos n\u00f3s, especialmente em momentos dif\u00edceis como este que estamos a atravessar devido \u00e0 pandemia, procuramos consola\u00e7\u00f5es. Muitas vezes, por\u00e9m, recorremos s\u00f3 a consola\u00e7\u00f5es terrenas, que depressa se extinguem, s\u00e3o consola\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas. Hoje Jesus oferece-nos a consola\u00e7\u00e3o do C\u00e9u, o Esp\u00edrito, o \u00abConsolador perfeito\u00bb (<em>Sequ\u00eancia<\/em>). Qual \u00e9 a diferen\u00e7a? As consola\u00e7\u00f5es do mundo s\u00e3o como os anest\u00e9sicos: oferecem um al\u00edvio moment\u00e2neo, mas n\u00e3o curam o mal profundo que temos dentro. Insensibilizam, distraem, mas n\u00e3o curam pela raiz. Agem \u00e0 superf\u00edcie, ao n\u00edvel dos sentidos, dificilmente ao n\u00edvel do cora\u00e7\u00e3o. Com efeito, s\u00f3 d\u00e1 paz ao cora\u00e7\u00e3o quem nos faz sentir amados tal como somos. E o Esp\u00edrito Santo, o amor de Deus, faz isso: como Esp\u00edrito que \u00e9, age no nosso esp\u00edrito, desce ao mais \u00edntimo de n\u00f3s mesmos. visita \u00abo \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o\u00bb, pois \u00e9 \u00abdas almas h\u00f3spede am\u00e1vel\u00bb (<em>ibid.<\/em>). \u00c9 a ternura de Deus em pessoa, que n\u00e3o nos deixa sozinhos; e o facto de estar com quem vive sozinho, j\u00e1 \u00e9 consolar.<\/span><\/p>\n<p><span>Irm\u00e3, irm\u00e3o, se sentes o negrume da solid\u00e3o, se trazes dentro um peso que sufoca a esperan\u00e7a, se tens no cora\u00e7\u00e3o uma ferida que queima, se n\u00e3o encontras a via de sa\u00edda, abre-te ao Esp\u00edrito. Como dizia S\u00e3o Boaventura, \u00abonde houver maior tribula\u00e7\u00e3o, Ele leva maior consola\u00e7\u00e3o. N\u00e3o faz como o mundo, que na prosperidade consola e adula, mas na adversidade tro\u00e7a e condena\u00bb (<em>Serm\u00e3o na Oitava da Ascens\u00e3o<\/em>). Assim faz o mundo, assim faz sobretudo o esp\u00edrito maligno, o diabo: primeiro, lisonjeia-nos e faz-nos sentir invenc\u00edveis \u2013 as lisonjas do diabo, que fazem crescer a vaidade \u2013, depois atira-nos ao ch\u00e3o e faz-nos sentir errados: joga connosco. Faz todo o poss\u00edvel por nos derrubar, enquanto o Esp\u00edrito do Ressuscitado nos quer levantar. Olhemos os Ap\u00f3stolos: estavam sozinhos naquela manh\u00e3, estavam sozinhos e perdidos, com as portas fechadas pelo medo; viviam no temor, tendo diante dos olhos todas as suas fragilidades e fracassos, os seus pecados: tinham renegado Jesus Cristo. Os anos transcorridos com Jesus n\u00e3o conseguiram mud\u00e1-los, continuavam a ser os mesmos. Depois, recebem o Esp\u00edrito e tudo muda: os problemas e defeitos permanecem os mesmos, mas eles j\u00e1 n\u00e3o os temem porque n\u00e3o temem sequer quem pretende fazer-lhes mal. Sentem-se intimamente consolados, e querem fazer transbordar a consola\u00e7\u00e3o de Deus. Antes eram medrosos, agora s\u00f3 t\u00eam medo de n\u00e3o testemunhar o amor recebido. Jesus profetizara-o: o Esp\u00edrito \u00abdar\u00e1 testemunho a meu favor. E v\u00f3s tamb\u00e9m haveis de dar testemunho\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a015, 26-27).<\/span><\/p>\n<p><span>Avancemos um passo. Tamb\u00e9m n\u00f3s somos chamados a dar testemunho no Esp\u00edrito Santo, a\u00a0<em>tornar-nos par\u00e1clitos<\/em>, isto \u00e9 consoladores. Sim, o Esp\u00edrito pede-nos para darmos corpo \u00e0 sua consola\u00e7\u00e3o. E como podemos faz\u00ea-lo? N\u00e3o fazendo grandes discursos, mas aproximando-nos das pessoas; n\u00e3o com palavras empoladas, mas com a ora\u00e7\u00e3o e a proximidade. Lembremo-nos de que a proximidade, a compaix\u00e3o e a ternura s\u00e3o o estilo de Deus, sempre. O Par\u00e1clito diz \u00e0 Igreja que hoje \u00e9\u00a0<em>o tempo da consola\u00e7\u00e3o<\/em>. \u00c9 o tempo do an\u00fancio feliz do Evangelho, mais do que do combate ao paganismo. \u00c9 o tempo para levar a alegria do Ressuscitado, n\u00e3o para nos lamentarmos do drama da seculariza\u00e7\u00e3o. \u00c9 o tempo para derramar amor sobre o mundo, sem abra\u00e7ar o mundanismo. \u00c9 o tempo para testemunhar a miseric\u00f3rdia, mais do que para inculcar regras e normas. \u00c9 o tempo do Par\u00e1clito! \u00c9 o tempo da liberdade do cora\u00e7\u00e3o, no Par\u00e1clito.<\/span><\/p>\n<p><span>2. Depois,\u00a0<em>o Par\u00e1clito \u00e9 o Advogado<\/em>. No contexto hist\u00f3rico de Jesus, o advogado n\u00e3o exercia as suas fun\u00e7\u00f5es como hoje: em vez de falar pelo acusado, costumava ficar junto dele sugerindo-lhe ao ouvido os argumentos para se defender. Assim faz o Par\u00e1clito, \u00abo Esp\u00edrito da verdade\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a015, 26), que n\u00e3o nos substitui, mas defende-nos das falsidades do mal, inspirando-nos pensamentos e sentimentos. F\u00e1-lo com delicadeza, sem nos for\u00e7ar: prop\u00f5e, n\u00e3o Se imp\u00f5e. O esp\u00edrito da falsidade, o maligno, faz o contr\u00e1rio: procura constranger-nos, quer fazer-nos acreditar que somos sempre obrigados a ceder \u00e0s m\u00e1s sugest\u00f5es e aos impulsos dos v\u00edcios. Esforcemo-nos ent\u00e3o por acolher tr\u00eas sugest\u00f5es t\u00edpicas do Par\u00e1clito, do nosso Advogado. S\u00e3o tr\u00eas ant\u00eddotos basilares contra tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es atualmente muito difusas.<\/span><\/p>\n<p><span>O primeiro conselho do Esp\u00edrito Santo \u00e9: \u00abVive no presente\u00bb; no presente, n\u00e3o no passado nem no futuro. O Par\u00e1clito afirma\u00a0<em>o primado do hoje<\/em>, contra a tenta\u00e7\u00e3o de fazer-se paralisar pelas amarguras e nostalgias do passado, ou de focar-se nas incertezas do amanh\u00e3 e deixar-se obcecar pelos temores do futuro. O Esp\u00edrito lembra-nos a gra\u00e7a do presente. N\u00e3o h\u00e1 tempo melhor para n\u00f3s: agora e aqui onde estamos \u00e9 o \u00fanico e irrepet\u00edvel momento para fazer bem, fazer da vida uma d\u00e1diva. Vivamos no presente!<\/span><\/p>\n<p><span>Depois o Par\u00e1clito aconselha: \u00abProcura o todo\u00bb. O todo, n\u00e3o a parte. O Esp\u00edrito n\u00e3o molda indiv\u00edduos fechados, mas funde-nos como Igreja na multiforme variedade dos carismas, numa unidade que nunca \u00e9 uniformidade. O Par\u00e1clito afirma\u00a0<em>o primado do todo<\/em>. \u00c9 no todo, na comunidade que o Esp\u00edrito gosta de agir e inovar. Olhemos para os Ap\u00f3stolos. Eram muito diferentes entre eles: por exemplo, havia Mateus, um publicano que colaborara com os Romanos, e Sim\u00e3o, chamado o Zelote, que a eles se opunha. Tinham ideias pol\u00edticas opostas, vis\u00f5es do mundo diferentes. Mas, quando recebem o Esp\u00edrito, aprendem a dar o primado n\u00e3o aos seus pontos de vista humanos, mas ao todo de Deus. Hoje, se dermos ouvidos ao Esp\u00edrito, deixaremos de nos focar em conservadores e progressistas, tradicionalistas e inovadores, de direita e de esquerda; se fossem estes os crit\u00e9rios, significava que na Igreja se esquecia o Esp\u00edrito. O Par\u00e1clito impele \u00e0 unidade, \u00e0 conc\u00f3rdia, \u00e0\u00a0<em>harmonia das diversidades<\/em>. Faz-nos sentir parte do mesmo Corpo, irm\u00e3os e irm\u00e3s entre n\u00f3s. Procuremos o todo! E o inimigo quer que a diversidade se transforme em oposi\u00e7\u00e3o e por isso faz com que se torne ideologia. Devemos dizer \u00abn\u00e3o\u00bb \u00e0s ideologias, \u00absim\u00bb ao todo.<\/span><\/p>\n<p><span>Por fim, o terceiro grande conselho: \u00abColoca Deus antes do teu eu\u00bb. Est\u00e1 aqui o passo decisivo da vida espiritual, que n\u00e3o \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de m\u00e9ritos e obras nossas, mas humilde acolhimento de Deus. O Par\u00e1clito afirma\u00a0<em>o primado da gra\u00e7a<\/em>. S\u00f3 deixaremos espa\u00e7o ao Senhor, se nos esvaziarmos de n\u00f3s mesmos; s\u00f3 nos encontramos a n\u00f3s mesmos, se nos entregamos a Ele; s\u00f3 como pobres em esp\u00edrito \u00e9 que nos tornamos ricos de Esp\u00edrito Santo. Isto vale tamb\u00e9m para a Igreja. Com as nossas for\u00e7as, n\u00e3o salvamos ningu\u00e9m, nem sequer a n\u00f3s mesmos. Se estiverem em primeiro lugar os nossos projetos, as nossas estruturas e os nossos planos de reforma, ent\u00e3o decairemos no funcionalismo, no pragmatismo, no horizontalismo e n\u00e3o produziremos fruto. Os \u00abismos\u00bb s\u00e3o ideologias que dividem, que separam. A Igreja n\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o humana \u2013 \u00e9 humana, mas n\u00e3o \u00e9 apenas uma organiza\u00e7\u00e3o humana \u2013, a Igreja \u00e9 o templo do Esp\u00edrito Santo. Jesus trouxe o fogo do Esp\u00edrito \u00e0 terra, e a Igreja reforma-se com a un\u00e7\u00e3o, a gratuidade da un\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a, com a for\u00e7a da ora\u00e7\u00e3o, com a alegria da miss\u00e3o, com a beleza desarmante da pobreza. Coloquemos Deus em primeiro lugar!<\/span><\/p>\n<p><span>Esp\u00edrito Santo, Esp\u00edrito Par\u00e1clito, consolai os nossos cora\u00e7\u00f5es. Fazei-nos mission\u00e1rios da vossa consola\u00e7\u00e3o, par\u00e1clitos de miseric\u00f3rdia para o mundo. \u00d3 nosso Advogado, suave Sugeridor da alma, tornai-nos testemunhas do hoje de Deus, profetas de unidade para a Igreja e a humanidade, ap\u00f3stolos apoiados na vossa gra\u00e7a, que tudo cria e tudo renova. Amen.<\/span><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2021\/documents\/papa-francesco_20210523_omelia-pentecoste.html\" target=\"_blank\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste Domingo de Pentecostes o Papa Francisco celebrou a eucaristia na Bas\u00edlica de S\u00e3o pedro, no Vaticano. 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