{"id":1293936696,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/9046-homilia-jesus-e-o-maior-dom-da-historia"},"modified":"2025-11-07T16:34:35","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:35","slug":"homilia-jesus-e-o-maior-dom-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-jesus-e-o-maior-dom-da-historia\/","title":{"rendered":"Homilia: \u00abJesus \u00e9 o maior dom da hist\u00f3ria\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/vatican_pope_christmas_j22_141225111535.jpg\" \/><\/p>\n<p><p><em>O Papa Francisco celebrou hoje a Eucaristia da noite de Natal no Vaticano. Na sua homilia o Papa desafiou os crentes a&#8221;acolher o dom&#8221; que \u00e9 o nascimento de Jesus e considerou Jesus o &#8220;maior dom da hist\u00f3ria&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a alocu\u00e7\u00e3o do Santo Padre.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00abHabitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles\u00bb (<em>Is<\/em>\u00a09, 1). Esta profecia da Primeira Leitura realizou-se no Evangelho: de facto, enquanto os pastores velavam de noite nas suas terras, \u00aba gl\u00f3ria do Senhor refulgiu em volta deles\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 9). Na noite da terra, apareceu uma luz vinda do C\u00e9u. Que significa esta luz que se manifestou na escurid\u00e3o? No-lo sugere o ap\u00f3stolo Paulo quando diz: \u00abManifestou-se a gra\u00e7a de Deus\u00bb. Nesta noite, a gra\u00e7a de Deus, \u00abportadora de salva\u00e7\u00e3o para todos os homens\u00bb (<em>Tt<\/em>\u00a02, 11), envolveu o mundo.<\/p>\n<p>Mas, que \u00e9 esta gra\u00e7a? \u00c9 o amor divino, o amor que transforma a vida, renova a hist\u00f3ria, liberta do mal, infunde paz e alegria. Nesta noite, foi-nos mostrado o amor de Deus: \u00e9 Jesus. Em Jesus, o Alt\u00edssimo fez-Se pequenino, para ser amado por n\u00f3s. Em Jesus, Deus fez-Se Menino, para Se deixar abra\u00e7ar por n\u00f3s. Mas podemos ainda perguntar-nos: Porque \u00e9 que S\u00e3o Paulo chama \u00abgra\u00e7a\u00bb \u00e0 vinda de Deus ao mundo? Para nos dizer que \u00e9 completamente gratuita. Enquanto aqui, na terra, tudo parece seguir a l\u00f3gica do dar para receber, Deus chega de gra\u00e7a. O seu amor ultrapassa qualquer possibilidade de neg\u00f3cio: nada fizemos para o merecer, e nunca poderemos retribu\u00ed-lo.<\/p>\n<p><em>Manifestou-se a gra\u00e7a de Deus<\/em>. Nesta noite, damo-nos conta de que, n\u00e3o sendo n\u00f3s capazes da altura d\u2019Ele, por amor nosso desceu \u00e0 nossa pequenez; vivendo preocupados apenas com os nossos interesses, veio Ele habitar entre n\u00f3s. O Natal lembra-nos que Deus continua a amar todo o homem, mesmo o pior. Hoje diz a mim, a ti, a cada um de n\u00f3s: \u00abAmo-te e sempre te amarei; \u00e9s precioso aos meus olhos\u00bb. Deus n\u00e3o te ama, porque pensas certo e te comportas bem; ama-te\u2026 e basta! O seu amor \u00e9 incondicional, n\u00e3o depende de ti. Podes ter ideias erradas, podes t\u00ea-las combinado de todas as cores, mas o Senhor n\u00e3o desiste de te querer bem. Quantas vezes pensamos que Deus \u00e9 bom, se formos bons; e castiga-nos, se formos maus; mas n\u00e3o \u00e9 assim! Nos nossos pecados, continua a amar-nos. O seu amor n\u00e3o muda, n\u00e3o \u00e9 melindroso; \u00e9 fiel, \u00e9 paciente. Eis o dom que encontramos no Natal: com maravilha, descobrimos que no Senhor est\u00e1 toda a gratuidade poss\u00edvel, toda a ternura poss\u00edvel. A sua gl\u00f3ria n\u00e3o nos encandeia, nem a sua presen\u00e7a nos assusta. Nasce pobre de tudo, para nos conquistar com a riqueza do seu amor.<\/p>\n<p><em>Manifestou-se a gra\u00e7a de Deus<\/em>. Gra\u00e7a \u00e9 sin\u00f3nimo de beleza. Nesta noite, na beleza do amor de Deus redescobrimos tamb\u00e9m a nossa beleza, porque somos\u00a0<em>os amados de Deus<\/em>. No bem e no mal, na sa\u00fade e na doen\u00e7a, felizes ou tristes, sempre aparecemos lindos a seus olhos: n\u00e3o pelo que fazemos, mas pelo que somos. Em n\u00f3s, h\u00e1 uma beleza indel\u00e9vel, intang\u00edvel; uma beleza incancel\u00e1vel, que \u00e9 o n\u00facleo do nosso ser. Deus no-lo recorda hoje, tomando amorosamente a nossa humanidade e assumindo-a, \u00abdesposando-a\u00bb para sempre.<\/p>\n<p>A \u00abgrande alegria\u00bb, anunciada aos pastores nesta noite, \u00e9 verdadeiramente \u00abpara todo o povo\u00bb. Naqueles pastores, que santos n\u00e3o eram certamente, estamos tamb\u00e9m n\u00f3s, com as nossas fragilidades e fraquezas. Deus, tal como chamou a eles, chama a n\u00f3s tamb\u00e9m, porque nos ama. E, nas noites da vida, diz-nos como a eles: \u00abN\u00e3o temais\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 10). Coragem, n\u00e3o percais a confian\u00e7a nem a esperan\u00e7a; n\u00e3o penseis que amar seja tempo perdido! Nesta noite, o amor venceu o medo, manifestou-se uma nova esperan\u00e7a; a luz gentil de Deus venceu as trevas da arrog\u00e2ncia humana. Humanidade, Deus ama-te e, por ti, fez-Se homem; j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1s sozinha.<\/p>\n<p>Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, que fazer perante esta gra\u00e7a? Uma coisa s\u00f3:\u00a0<em>acolher o dom<\/em>. Antes que ir \u00e0 procura de Deus, deixemo-nos procurar por Ele, que nos procura primeiro. N\u00e3o partamos das nossas capacidades, mas da sua gra\u00e7a, porque \u00e9 Ele, Jesus, o Salvador. Fixemos o olhar no Menino e deixemo-nos envolver pela sua ternura. As desculpas para n\u00e3o nos deixarmos amar por Ele, desapareceram: aquilo que est\u00e1 torto na vida, aquilo que n\u00e3o funciona na Igreja, aquilo que corre mal no mundo n\u00e3o poder\u00e1 mais servir-nos de justifica\u00e7\u00e3o. Passou a segundo plano, pois frente ao amor louco de Jesus, a um amor todo ele mansid\u00e3o e proximidade, n\u00e3o h\u00e1 desculpas. E, assim, a quest\u00e3o no Natal \u00e9 esta: \u00abDeixo-me amar por Deus? Abandono-me ao seu amor que vem salvar-me?\u00bb<\/p>\n<p>Um dom t\u00e3o grande merece tanta gratid\u00e3o! Acolher a gra\u00e7a \u00e9 saber\u00a0<em>agradecer<\/em>. Frequentemente, por\u00e9m, as nossas vidas transcorrem alheias \u00e0 gratid\u00e3o. Hoje \u00e9 o dia justo para nos aproximarmos do sacr\u00e1rio, do pres\u00e9pio, da manjedoura, e dizermos obrigado. Acolhamos o dom que \u00e9 Jesus, para depois\u00a0<em>nos tornarmos dom<\/em>\u00a0como Jesus. Tornar-se dom \u00e9 dar sentido \u00e0 vida, sendo este o melhor modo para mudar o mundo: n\u00f3s mudamos, a Igreja muda, a hist\u00f3ria muda, quando come\u00e7amos a querer mudar, n\u00e3o os outros, mas a n\u00f3s mesmos, fazendo da nossa vida um dom.<\/p>\n<p>Assim no-lo mostra Jesus nesta noite: n\u00e3o mudou a Hist\u00f3ria for\u00e7ando algu\u00e9m ou \u00e0 for\u00e7a de palavras, mas com o dom da sua vida. N\u00e3o esperou que nos torn\u00e1ssemos bons para nos amar, mas deu-Se gratuitamente a n\u00f3s. Por nossa vez, n\u00e3o esperemos que o pr\u00f3ximo se torne bom para lhe fazermos bem, que a Igreja seja perfeita para a amarmos, que os outros tenham considera\u00e7\u00e3o por n\u00f3s para os servirmos. Comecemos n\u00f3s. Isto \u00e9 acolher o dom da gra\u00e7a. E a santidade consiste precisamente em preservar esta gratuidade.<\/p>\n<p>Conta uma graciosa hist\u00f3ria que, no nascimento de Jesus, os pastores acorriam \u00e0 gruta com v\u00e1rios dons. Cada um levava o que tinha, ora os frutos do seu trabalho, ora algo precioso. Mas, enquanto todos se prodigalizavam com generosidade, havia um pastor que n\u00e3o tinha nada. Era muito pobre, n\u00e3o tinha nada para oferecer. E enquanto todos se emulavam na apresenta\u00e7\u00e3o dos seus dons, ele mantinha-se aparte, com vergonha. A dada altura, S\u00e3o Jos\u00e9 e Nossa Senhora sentiram dificuldade para receber todos os dons \u2013 eram tantos \u2013 , especialmente Maria que devia segurar nos bra\u00e7os o Menino. Ent\u00e3o, vendo com as m\u00e3os vazias aquele pastor, pediu-lhe que se aproximasse e colocou-lhe Jesus nas m\u00e3os. Ao acolh\u00ea-Lo, aquele pastor deu-se conta de ter recebido aquilo que n\u00e3o merecia: ter nas m\u00e3os o maior dom da Hist\u00f3ria. Olhou para as suas m\u00e3os, aquelas m\u00e3os que lhe pareciam sempre vazias: tornaram-se o ber\u00e7o de Deus. Sentiu-se amado e, superando a vergonha, come\u00e7ou a mostrar aos outros Jesus, porque n\u00e3o podia guardar para si o dom dos dons.<\/p>\n<p>Querido irm\u00e3o, querida irm\u00e3, se as tuas m\u00e3os te parecem vazias, se v\u00eas o teu cora\u00e7\u00e3o pobre de amor, esta \u00e9 a tua noite.\u00a0<em>Manifestou-se a gra\u00e7a de Deus<\/em>, para resplandecer na tua vida. Acolhe-a e brilhar\u00e1 em ti a luz do Natal.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em italiano<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Francisco celebrou hoje a Eucaristia da noite de Natal no Vaticano. 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