{"id":1305578800,"date":"2023-02-02T00:00:00","date_gmt":"2023-02-02T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11941-congo-5-conselhos-do-papa-francisco-aos-jovens-e-catequistas"},"modified":"2023-02-02T00:00:00","modified_gmt":"2023-02-02T00:00:00","slug":"congo-5-conselhos-do-papa-francisco-aos-jovens-e-catequistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/congo-5-conselhos-do-papa-francisco-aos-jovens-e-catequistas\/","title":{"rendered":"Congo: 5 conselhos do Papa Francisco aos jovens e catequistas"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_congo_2023_2_230202072146.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Papa Francisco discursou hoje, no est\u00e1dio dos m\u00e1rtires, em Kinshasa, perante milhares de catequistas e jovens procedentes de toda a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, e deixou-lhes 5 conselhos \u201cpara identificar prioridades no meio das in\u00fameras e persuasivas vozes que circulam\u201d<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, o discurso do Papa no terceiro dia da 40\u00aa Viagem Apost\u00f3lica de Francisco.<\/p>\n<p>Obrigado pela vossa amizade, a vossa dan\u00e7a e as vossas palavras! Estou feliz por ter podido fixar-vos nos olhos, saudar-vos e aben\u00e7oar-vos, enquanto as vossas m\u00e3os levantadas para o c\u00e9u faziam festa.<\/p>\n<p>Agora quero pedir-vos para durante alguns momentos olhardes, n\u00e3o para mim, mas concretamente para as vossas m\u00e3os: abri as palmas das m\u00e3os e fixai nelas os olhos. Amigos, Deus colocou nas vossas m\u00e3os o dom da vida, o futuro da sociedade e deste grande pa\u00eds. Irm\u00e3o, irm\u00e3, as tuas m\u00e3os parecem-te pequenas e fr\u00e1geis, vazias e inaptas para tarefas t\u00e3o grandes? Quero, por\u00e9m, fazer-te notar uma coisa: todas as m\u00e3os s\u00e3o semelhantes, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma igual a outra; ningu\u00e9m tem m\u00e3os iguais \u00e0s tuas. Por isso, tu \u00e9s uma riqueza \u00fanica, irrepet\u00edvel e incompar\u00e1vel. Ningu\u00e9m, na hist\u00f3ria, te pode substituir. Pergunta-te ent\u00e3o: Para que servem estas minhas m\u00e3os? Para construir ou destruir, dar ou reter, amar ou odiar? V\u00ea! Podes apertar a m\u00e3o e fech\u00e1-la, torna-se um punho; ou podes abri-la e coloc\u00e1-la \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de Deus e dos outros. Aqui est\u00e1 a op\u00e7\u00e3o fundamental, desde os tempos antigos, desde Abel que ofereceu com generosidade os frutos do seu trabalho, enquanto Caim levantou a m\u00e3o contra o irm\u00e3o e o matou (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a04, 8). Jovem que sonhas com um futuro diferente, \u00e9 das tuas m\u00e3os que nasce o amanh\u00e3; das tuas m\u00e3os, pode vir a paz que falta a este pa\u00eds. Mas, concretamente, como fazer? Quero sugerir-vos alguns \u00abingredientes para construir o futuro\u00bb: justamente cinco, que podeis associar aos dedos duma m\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao polegar, o dedo mais pr\u00f3ximo do cora\u00e7\u00e3o, corresponde\u00a0<em>a ora\u00e7\u00e3o<\/em>, que faz pulsar a vida. Pode parecer uma coisa abstrata, distante da realidade concreta dos problemas. Mas a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro ingrediente, e o fundamental, porque sozinhos nada conseguimos fazer. N\u00e3o somos omnipotentes e, quando algu\u00e9m julga que o \u00e9, acaba por falhar miseravelmente. \u00c9 como uma \u00e1rvore desenraizada: mesmo que seja grande e robusta, sozinha n\u00e3o se aguenta de p\u00e9. Por isso mesmo, \u00e9 preciso radicar-se na ora\u00e7\u00e3o, na escuta da Palavra de Deus, que nos permite crescer cada dia em profundidade, dar fruto e transformar o ar polu\u00eddo que respiramos em oxig\u00e9nio vivificante. Para o conseguir, cada \u00e1rvore precisa dum elemento simples e essencial: a \u00e1gua. Pois bem! A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00aba \u00e1gua da alma\u00bb: \u00e9 humilde, n\u00e3o se v\u00ea, mas d\u00e1 vida. Quem reza, amadurece interiormente e sabe erguer o olhar para o Alto, lembrando-se de que foi feito para o C\u00e9u.<\/p>\n<p>Irm\u00e3o, irm\u00e3, h\u00e1 necessidade de ora\u00e7\u00e3o, duma\u00a0<em>ora\u00e7\u00e3o viva<\/em>. N\u00e3o te dirijas a Jesus como a um ser distante e estranho de quem se tem medo, mas como ao maior amigo, que deu a vida por ti. Conhece-te, confia em ti e ama-te, sempre. Se O contemplas suspenso na cruz para te salvar, compreendes quanto vales para Ele. E podes confiar-Lhe, colocando sobre a sua cruz as tuas cruzes, os teus medos, as tuas preocupa\u00e7\u00f5es. Abra\u00e7\u00e1-los-\u00e1; j\u00e1 o fez h\u00e1 dois mil anos, e aquela cruz, que hoje suportas, j\u00e1 fazia parte da d\u2019Ele. Portanto, n\u00e3o tenhas medo de tomar o crucifixo nas m\u00e3os e apert\u00e1-lo ao peito, de derramar as tuas l\u00e1grimas por Jesus. E n\u00e3o te esque\u00e7as de fixar o seu rosto, o rosto dum Deus jovem, vivo, ressuscitado! Sim, Jesus venceu o mal; fez, da cruz, a ponte para a ressurrei\u00e7\u00e3o. Por isso, cada dia levanta as m\u00e3os para Ele a fim de O louvar e bendizer; grita-Lhe as esperan\u00e7as do teu cora\u00e7\u00e3o, confia-Lhe os segredos mais \u00edntimos da vida: a pessoa que amas, as feridas que guardas dentro, os sonhos que tens no cora\u00e7\u00e3o. Fala-Lhe do teu bairro, dos vizinhos, dos professores, dos companheiros, dos amigos e colegas; do teu pa\u00eds. Deus gosta desta ora\u00e7\u00e3o viva, concreta, feita com o cora\u00e7\u00e3o. Permite-Lhe intervir, entrar nos sulcos da vida dum modo especial, ou seja, com a sua \u00abfor\u00e7a de paz\u00bb. Esta tem um nome; sabeis quem \u00e9? \u00c9 o Esp\u00edrito Santo, Aquele que consola e d\u00e1 vida. \u00c9 o motor da paz, \u00e9 a verdadeira for\u00e7a de paz. Por isso mesmo, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a arma mais poderosa que existe. Transmite-te o conforto e a esperan\u00e7a de Deus. Abre-te sempre novas possibilidades e ajuda-te a superar os medos. \u00c9 verdade! Quem reza vence o medo e assume o pr\u00f3prio futuro. Acreditais nisto? Quereis escolher a ora\u00e7\u00e3o como vosso segredo, como \u00e1gua da alma, como \u00fanica arma a trazer convosco, como companheira de viagem todos os dias?<\/p>\n<p>Agora fixemos o segundo dedo, o indicador. Com ele, indicamos algo aos outros. Os outros,\u00a0<em>a comunidade<\/em>: aqui est\u00e1 o segundo ingrediente. Amigos, n\u00e3o deixeis que a vossa juventude seja arruinada pela solid\u00e3o e o isolamento. Imaginai-vos sempre juntos, e sereis felizes, porque a comunidade \u00e9 o caminho para estar bem connosco mesmos, para ser fi\u00e9is \u00e0 pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o. As escolhas individualistas, pelo contr\u00e1rio, no in\u00edcio parecem aliciadoras, mas depois deixam dentro apenas um grande vazio. Pensai nas drogas: escondes-te dos outros, da vida verdadeira, para te sentires omnipotente; e, no fim, encontras-te privado de tudo. Mas pensai tamb\u00e9m na depend\u00eancia do ocultismo e da feiti\u00e7aria, que enredam nas grinfas do medo, da vingan\u00e7a e da raiva. N\u00e3o vos deixeis fascinar por falsos para\u00edsos ego\u00edstas, constru\u00eddos sobre apar\u00eancias, ganhos f\u00e1ceis ou religiosidades distortas.<\/p>\n<p>E guardai-vos da tenta\u00e7\u00e3o de apontar o dedo contra algu\u00e9m, de excluir o outro por ser de origem diferente da vossa; guardai-vos do regionalismo, do tribalismo, que parecem refor\u00e7ar-vos no vosso grupo quando, pelo contr\u00e1rio, representam a nega\u00e7\u00e3o da comunidade. Sabeis como acontece: primeiro, cr\u00ea-se nos preconceitos sobre os outros, depois justifica-se o \u00f3dio e em seguida a viol\u00eancia, no fim encontramo-nos no meio da guerra. Mas tu \u2013 pergunto \u2013 j\u00e1 terias falado com pessoas dos outros grupos ou sempre estiveste fechado no teu? Terias j\u00e1 escutado as hist\u00f3rias dos outros, debru\u00e7ando-te sobre as suas tribula\u00e7\u00f5es? Claro, \u00e9 mais f\u00e1cil condenar algu\u00e9m do que compreend\u00ea-lo; mas o caminho que Deus indica para construir um mundo melhor passa pelo outro, pelo conjunto, pela comunidade. \u00c9 fazer Igreja, alargar os horizontes, ver em cada um o meu pr\u00f3ximo, cuidar do outro. V\u00eas algu\u00e9m sozinho, atribulado, negligenciado? Aproxima-te dele, n\u00e3o para lhe fazeres ver como \u00e9s bom, mas para lhe dar o teu sorriso e oferecer-lhe a tua amizade.<\/p>\n<p>David, disseste que v\u00f3s jovens quereis, e justamente, estar\u00a0<em>conectados com os outros<\/em>, mas que as redes sociais frequentemente vos confundem. \u00c9 verdade! O mundo virtual n\u00e3o \u00e9 suficiente, n\u00e3o nos podemos contentar em interagir com pessoas distantes ou mesmo falsas. A vida real n\u00e3o se toca com um dedo no ecr\u00e3. \u00c9 triste ver jovens que passam horas diante dum telem\u00f3vel: depois de largarem aquele espelho, se olhares para o seu rosto, ver\u00e1s que n\u00e3o sorri, o olhar tornou-se cansado e enjoado. Nada e ningu\u00e9m pode substitui a for\u00e7a de estar juntos, a luz dos olhos, a alegria da partilha! \u00c9 essencial falar e ouvirmo-nos: n\u00e3o vos contenteis com o ecr\u00e3 onde cada um procura o que lhe interessa; em vez disso descobri cada dia a beleza de vos deixardes maravilhar pelos outros, as suas hist\u00f3rias e as suas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Tentemos agora experimentar o que significa fazer comunidade. Durante alguns momentos, por favor, dai a m\u00e3o a quem est\u00e1 ao vosso lado. Senti-vos uma \u00fanica Igreja, um \u00fanico Povo. Sente que o teu bem depende do bem do outro, que \u00e9 multiplicado se for posto em conjunto. Sente-te guardado pelo irm\u00e3o e pela irm\u00e3, por algu\u00e9m que te aceita assim como \u00e9s e quer cuidar de ti. E sente-te respons\u00e1vel pelos outros, parte viva duma grande rede de fraternidade, onde nos apoiamos reciprocamente e tu \u00e9s indispens\u00e1vel. Sim! \u00c9s indispens\u00e1vel e respons\u00e1vel pela tua Igreja e pelo teu pa\u00eds; fazes parte duma hist\u00f3ria maior, que te chama a ser protagonista: criador de comunh\u00e3o, campe\u00e3o de fraternidade, corajoso sonhador dum mundo mais unido.<\/p>\n<p>Nesta aventura, n\u00e3o estais sozinhos; apoia-vos a Igreja inteira, espalhada por todo o mundo. Trata-se dum desafio dif\u00edcil, mas poss\u00edvel. E tendes tamb\u00e9m amigos que, das bancadas do C\u00e9u, vos impelem para estas metas. Sabeis quem s\u00e3o? Os santos. Penso, por exemplo, no Beato Isidoro Bakanja, na Beata Maria Clementina Anuarita, em S\u00e3o Kizito e nos seus companheiros: testemunhas da f\u00e9, m\u00e1rtires que nunca cederam \u00e0 l\u00f3gica da viol\u00eancia, mas confessaram, com a vida, a for\u00e7a do amor e do perd\u00e3o. Os seus nomes, escritos no C\u00e9u, ficar\u00e3o na hist\u00f3ria, enquanto o fechamento e a viol\u00eancia sempre revertem em detrimento de quem os comete. Sei que j\u00e1 v\u00e1rias vezes demonstrastes saber erguer-vos para defender, mesmo \u00e0 custa de grandes sacrif\u00edcios, os direitos humanos e a esperan\u00e7a duma vida melhor para todos no pa\u00eds. Agrade\u00e7o-vos por isso e honro a mem\u00f3ria de tantos que perderam a vida ou a sa\u00fade por estas nobres causas. E encorajo-vos: avan\u00e7ai juntos, sem medo, como comunidade!<\/p>\n<p>Ora\u00e7\u00e3o, comunidade\u2026 E chegamos ao dedo central, que se alonga um pouco mais al\u00e9m dos outros para de certo modo nos lembrar uma coisa imprescind\u00edvel. \u00c9 o ingrediente fundamental para um futuro que esteja \u00e0 altura das vossas expectativas. \u00c9\u00a0<em>a honestidade<\/em>! Ser crist\u00e3o \u00e9 testemunhar Cristo. Ora o primeiro modo de o fazer \u00e9 viver retamente, como Ele quer. Isto significa n\u00e3o se deixar enredar nos la\u00e7os da corrup\u00e7\u00e3o. O crist\u00e3o s\u00f3 pode ser honesto, sen\u00e3o trai a sua identidade. Sem honestidade, n\u00e3o somos disc\u00edpulos e testemunhas de Jesus; somos pag\u00e3os, id\u00f3latras que se adoram a si pr\u00f3prios em vez de Deus, que se servem dos outros em vez de servir os outros.<\/p>\n<p>Mas \u2013 pergunto \u2013 como se vence o c\u00e2ncer da corrup\u00e7\u00e3o, que parece expandir-se sem nunca parar? S\u00e3o Paulo ajuda-nos, com uma frase simples e genial, que podeis repetir at\u00e9 a recordar de cor. \u00c9 esta: \u00abN\u00e3o te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem\u00bb (<em>Rm<\/em>\u00a012, 21).\u00a0<em>N\u00e3o te deixes vencer pelo mal<\/em>: n\u00e3o vos deixeis manipular por indiv\u00edduos ou grupos que procuram servir-se de v\u00f3s para manter o vosso pa\u00eds na espiral da viol\u00eancia e da instabilidade, para continuarem a control\u00e1-lo sem considera\u00e7\u00e3o por ningu\u00e9m.\u00a0<em>Mas vence o mal com o bem<\/em>: sede v\u00f3s os transformadores da sociedade, os conversores do mal em bem, do \u00f3dio em amor, da guerra em paz. Quereis s\u00ea-lo? Se quiserdes, \u00e9 poss\u00edvel\u2026 E sabeis porqu\u00ea? Porque cada um de v\u00f3s tem um tesouro que ningu\u00e9m vos pode roubar: s\u00e3o as vossas op\u00e7\u00f5es. Sim! Tu\u00a0<em>\u00e9s<\/em>\u00a0o resultado das op\u00e7\u00f5es que realizas, e sempre podes escolher a coisa certa a fazer. Somos livres para escolher: n\u00e3o permitais que a vossa vida seja arrastada pela torrente polu\u00edda, n\u00e3o vos deixeis levar como tronco seco num rio sujo. Indignai-vos, sem nunca ceder aos aliciamentos persuasivos, mas envenenados, da corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vem-me \u00e0 mente o testemunho dum jovem como v\u00f3s, Floribert Bwana Chui: h\u00e1 quinze anos \u2013 contava ele apenas 26 \u2013 foi morto em Goma por ter bloqueado a passagem de alimentos estragados, que teriam danificado a sa\u00fade das pessoas. Poderia deixar correr, n\u00e3o o teriam descoberto e ainda ganharia qualquer coisa naquilo. Mas, como crist\u00e3o, rezou, pensou nos outros e escolheu ser honesto, dizendo n\u00e3o \u00e0 imund\u00edcie da corrup\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 conservar as m\u00e3os limpas, enquanto as m\u00e3os, que ganham em tr\u00e1ficos il\u00edcitos, ficam ensanguentadas. Se algu\u00e9m te entregar um envelope prometendo favores e riquezas, n\u00e3o caias na armadilha, n\u00e3o te deixes enganar, n\u00e3o te deixes engolir pelo p\u00e2ntano do mal.\u00a0<em>N\u00e3o te deixes vencer pelo mal<\/em>, n\u00e3o acredites nas tramoias obscuras do dinheiro, que te fazem precipitar na noite. Ser honesto \u00e9 brilhar como de dia, \u00e9 espalhar a luz de Deus, \u00e9 viver a bem-aventuran\u00e7a da justi\u00e7a:\u00a0<em>vence o mal com o bem<\/em>!<\/p>\n<p>Passamos ao quarto dedo: o anular. Nele se colocam as alian\u00e7as nupciais. Mas, se pensarmos bem, o anular \u00e9 tamb\u00e9m o dedo mais fr\u00e1gil, aquele que tem mais dificuldade para se levantar. Lembra-nos que as grandes metas da vida, a come\u00e7ar pelo amor, passam por fragilidades, canseiras e dificuldades. Devem ser vividas, enfrentadas com paci\u00eancia e confian\u00e7a, sem nos sobrecarregarmos com problemas in\u00fateis, como, por exemplo, transformar o valor simb\u00f3lico do dote num valor quase de mercado. Mas nas nossas fragilidades, nas crises, qual \u00e9 a for\u00e7a que nos faz continuar?\u00a0<em>O perd\u00e3o<\/em>. Pois perdoar quer dizer saber recome\u00e7ar. Perdoar n\u00e3o significa esquecer o passado, mas n\u00e3o se resignar com o facto de poder repetir-se. \u00c9 mudar o curso da hist\u00f3ria. \u00c9 levantar quem caiu. \u00c9 aceitar a ideia de que ningu\u00e9m \u00e9 perfeito e que todos \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 eu \u2013 t\u00eam o direito de recome\u00e7ar.<\/p>\n<p>Amigos, para criar um futuro novo, precisamos de dar e receber o perd\u00e3o. \u00c9 o que faz o crist\u00e3o: n\u00e3o se limita a amar aqueles que o amam, mas sabe interromper, com o perd\u00e3o, a espiral das vingan\u00e7as pessoais e tribais. Penso no Beato Isidoro Bakanja, um irm\u00e3o vosso que foi torturado longamente porque n\u00e3o renunciara a testemunhar a sua piedade e propusera o cristianismo a outros jovens. Nunca cedeu a sentimentos de \u00f3dio e, ao dar a vida, perdoou ao seu carrasco. Quem perdoa leva Jesus mesmo aonde n\u00e3o \u00e9 acolhido, introduz amor onde o amor \u00e9 rejeitado. Quem perdoa constr\u00f3i o futuro. Mas como tornar-se capaz de perd\u00e3o? Deixando-se perdoar por Deus. Sempre que nos confessamos, somos os primeiros a receber em n\u00f3s aquela for\u00e7a que muda a hist\u00f3ria. Da parte de Deus, somos perdoados sempre e gratuitamente; quanto a n\u00f3s, \u00e9-nos dito \u2013 como se l\u00ea no Evangelho \u2013 \u00abvai e faz tu tamb\u00e9m o mesmo\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a010, 37). Caminha, pondo fim ao rancor, sem veneno, sem \u00f3dio. Caminha, assumindo o estilo de Deus, o \u00fanico que renova a hist\u00f3ria. Caminha e acredita que, com Deus, sempre se pode recome\u00e7ar, sempre se pode voltar a partir, sempre se pode perdoar!<\/p>\n<p>Ora\u00e7\u00e3o, comunidade, honestidade, perd\u00e3o. Chegamos ao \u00faltimo dedo: o mindinho. Tu poderias dizer: sou pequeno, e o bem que possa fazer n\u00e3o passa duma gota no oceano. Mas \u00e9 precisamente a pequenez, o fazer-se pequenino que atrai Deus. H\u00e1 uma palavra-chave neste sentido:\u00a0<em>servi\u00e7o<\/em>. Quem serve, faz-se pequenino. Como uma semente min\u00fascula que parece desaparecer na terra e, em vez disso, d\u00e1 fruto. Segundo Jesus, o servi\u00e7o \u00e9 o poder que transforma o mundo. Deste modo, a simples pergunta que poderias at\u00e9 atar ao dedo, para n\u00e3o te esqueceres de a fazer cada dia, \u00e9 esta:\u00a0<em>Eu, que posso fazer pelos outros?<\/em>\u00a0Ou seja: como posso servir a Igreja, a minha comunidade, o meu pa\u00eds? Olivier, disseste-nos que nalgumas regi\u00f5es isoladas sois v\u00f3s, os catequistas, que servis diariamente a comunidade dos fi\u00e9is e que isto, na Igreja, deve ser \u00abtarefa de todos\u00bb. \u00c9 verdade! E \u00e9 belo servir os outros, cuidar deles, fazer algo gratuitamente, como Deus faz connosco. Quero agradecer-vos, queridos catequistas: para muitas comunidades, sois vitais como a \u00e1gua! Fazei-as crescer sempre com a clareza da vossa ora\u00e7\u00e3o e do vosso servi\u00e7o. Servir n\u00e3o \u00e9 ficar de bra\u00e7os cruzados, \u00e9 mobilizar-se. Muitos movem-se, porque seduzidos pelos pr\u00f3prios interesses; v\u00f3s n\u00e3o tendes medo de vos mobilizar em prol do bem, investir no bem, no an\u00fancio do Evangelho, preparando-vos com paix\u00e3o e adequadamente, dando vida a projetos organizados e de longo prazo. E n\u00e3o tendes medo de fazer ouvir a vossa voz, porque, nas vossas m\u00e3os, est\u00e1 o futuro e tamb\u00e9m o presente. V\u00f3s estais mesmo no ponto central do presente!<\/p>\n<p>Amigos, deixei-vos cinco conselhos para identificar prioridades no meio das in\u00fameras e persuasivas vozes que circulam. Muitas vezes na vida, como na circula\u00e7\u00e3o estradal, \u00e9 a desordem que cria engarrafamentos e in\u00fateis bloqueios, que fazem perder tempo e energias e alimentam a c\u00f3lera. Ao contr\u00e1rio, faz-nos bem, mesmo na confus\u00e3o, dar ao cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 vida pontos firmes, dire\u00e7\u00f5es est\u00e1veis, para iniciar um futuro diferente, sem se deixar levar pelos ventos do oportunismo. Queridos amigos, jovens e catequistas, agrade\u00e7o-vos pelo que sois e fazeis: pelo vosso entusiasmo, a vossa luz e a vossa esperan\u00e7a. Quero dizer-vos uma \u00faltima coisa: nunca desanimeis! Jesus confia em v\u00f3s e nunca vos deixa sozinhos. A alegria que hoje tendes, guardai-a e n\u00e3o deixeis que se apague. Como dizia Floribert aos seus amigos, quando estavam deprimidos: \u00abPega no Evangelho e l\u00ea-o! Consolar-te-\u00e1, dar-te-\u00e1 alegria\u00bb. Juntos, sa\u00ed do pessimismo, que paralisa. A Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo espera, das vossas m\u00e3os, um futuro diverso, porque o futuro est\u00e1 nas vossas m\u00e3os. O vosso pa\u00eds voltar\u00e1 a ser, gra\u00e7as a v\u00f3s, um jardim fraterno, o cora\u00e7\u00e3o de paz e liberdade da \u00c1frica! Obrigado!<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/speeches\/2023\/february\/documents\/20230202-giovani-catechisti-repdem-congo.html\" target=\"_blank\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p>\n<p>Educris|02.02.2023<\/p>\n<\/p>\n<p><span style=\"font-size:14px; font-weight:bold; text-decoration:underline;\">Recursos:<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa Francisco discursou hoje, no est\u00e1dio dos m\u00e1rtires, em Kinshasa, perante milhares de catequistas e jovens procedentes de toda a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2876322766,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-1305578800","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1305578800","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1305578800"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1305578800\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2876322766"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1305578800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1305578800"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1305578800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}