{"id":1310403970,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/14175-domingo-xxii-do-tempo-comum-trata-de-mudar-de-vida"},"modified":"2025-11-07T16:34:05","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:05","slug":"domingo-xxii-do-tempo-comum-trata-de-mudar-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxii-do-tempo-comum-trata-de-mudar-de-vida\/","title":{"rendered":"Domingo XXII do Tempo Comum: \u00abTrata de mudar de vida!\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>Sir 3,19-21.30-31; Sl 68; Hb 12,18-19.22-24; Lc 14,1.7-14<\/p>\n<p>1. Imaginemos o final de uma manh\u00e3 de ver\u00e3o batida por um vento quente, e que se est\u00e1 a celebrar um casamento hebraico com um n\u00famero elevado de convidados que se empurram uns aos outros \u00e0 volta da tenda nupcial, sob a qual, na presen\u00e7a do rabino, o noivo introduz o anel no dedo da noiva, enquanto profere a f\u00f3rmula do Talmude: \u00abCom este anel, ficas-me consagrada segundo a Lei de Mois\u00e9s e de Israel\u00bb. Seguir-se-\u00e1 a leitura e a assinatura da\u00a0<em>k<sup>e<\/sup>tubah<\/em>, o documento legal que garante os direitos e os deveres dos c\u00f4njuges.<\/p>\n<p>2. Ali ao lado, as mesas aguardam os convidados para o almo\u00e7o festivo. Alguns j\u00e1, entretanto, come\u00e7aram a ocupar os lugares mais prop\u00edcios \u00e0 fotografia de\u00a0<em>jet-set<\/em>\u00a0com lugar assegurado nas primeiras p\u00e1ginas dos jornais do dia seguinte, enquanto outros procuram aproximar-se o mais poss\u00edvel dos esposos para, depois da ora\u00e7\u00e3o das sete b\u00ean\u00e7\u00e3os rituais a Deus por ter criado a maravilha do amor humano, poderem assistir ao gesto de quebrar um copo de vinho, que \u00e9 um gesto muito popular e significativo, que pretende recordar aos jovens esposos que ningu\u00e9m, nem sequer dois jovens enamorados e felizes, conhecer\u00e1 sempre uma alegria plena que nunca seja visitada por laivos de tristeza e dor.<\/p>\n<p>3. O cen\u00e1rio descrito pode servir para situar o Evangelho deste Domingo XXII do Tempo Comum (Lucas 14,1.7-14), com Jesus a esquadrinhar aquelas faces oxidadas pela mentira e toldadas por latas e latas de tinta e montes e montes de apar\u00eancias. E a partir das hipocrisias que se cruzam diante dos seus olhos, Jesus adverte os convidados que se atropelam na tentativa de ocupar os primeiros lugares: \u00abProcurai os \u00faltimos lugares!\u00bb (Lucas 14,10), muito na linha da multissecular sabedoria de Israel: \u00abN\u00e3o te vanglories diante do rei,\/ nem ocupes o lugar dos grandes,\/ pois \u00e9 melhor para ti que te digam: \u201cSobe para aqui!\u201d,\/ do que seres humilhado diante de um nobre\u00bb (Prov\u00e9rbios 25,6-7). O que Jesus tem em vista \u00e9 esta muito humana e instintiva vangl\u00f3ria de nos sentirmos superiores aos outros, de o podermos mostrar, e de sermos reconhecidos como tal. Esta busca de prest\u00edgio, este desejo v\u00e3o de ostentar superioridade, pode ver-se at\u00e9, imagine-se, no pr\u00f3prio funeral e na pedra tumular!<\/p>\n<p>4. E, voltando-se depois para o fariseu que o tinha convidado, Jesus desequilibra-lhe a maneira mundana de ver e de fazer, e p\u00f5e-lhe diante dos olhos a assimetria do Reino de Deus: \u00abQuando deres um banquete, n\u00e3o convides os teus amigos, nem os teus irm\u00e3os, nem os teus parentes, nem os teus vizinhos ricos\u00bb (Lucas 14,12). Por esta l\u00f3gica sim\u00e9trica [hoje convido-te eu a ti; amanh\u00e3 convidas-me tu a mim], os pobres ficam sempre de fora, porque n\u00e3o podem, por sua vez, convidar os ricos! Um pobre convidar um rico seria fazer baixar o rico ao seu n\u00edvel, e constituiria mesmo um desprest\u00edgio para a fam\u00edlia o rico! A assimetria do Reino de Deus vira tudo do avesso e ao contr\u00e1rio: \u00abconvida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos, e ser\u00e1s feliz por eles n\u00e3o terem com que te retribuir\u00bb (Lucas 14,14). Como se v\u00ea, aos quatro grupos de pessoas que d\u00e3o lustro ao nosso \u00abego\u00bb, Jesus contrap\u00f5e outros quatro grupos de pessoas habitualmente exclu\u00eddas, n\u00e3o s\u00f3 por n\u00e3o trazerem nenhum lustro ao nosso \u00abego\u00bb, mas at\u00e9 por criarem algum embara\u00e7o. Mas \u00e9 por esta brecha de GRA\u00c7A aberta no nosso quotidiano, que entra Deus e o mundo novo de Deus, diz Jesus.<\/p>\n<p>5. A literatura talm\u00fadica p\u00f5e-nos esta assimetria da bondade diante dos olhos do modo mais radical poss\u00edvel, quando fala da \u00abmiseric\u00f3rdia da verdade\u00bb a prop\u00f3sito do sepultamento de um cad\u00e1ver de que nenhum familiar pr\u00f3ximo do defunto p\u00f4de ou quis ocupar-se. Diz o Talmude: \u00abSe o Sumo-sacerdote, quando se dirige para o Templo para celebrar o\u00a0<em>Y\u00f4m Kipp\u00fbr<\/em>, se vem a deparar com um cad\u00e1ver, n\u00e3o deve hesitar em \u201ctornar-se impuro\u201d no contacto com o cad\u00e1ver, porque a \u201cmiseric\u00f3rdia da verdade\u201d prevalece sobre a liturgia do\u00a0<em>Y\u00f4m Kipp\u00fbr<\/em>\u00bb. O que faz, neste caso, o Sumo-sacerdote \u00e9 s\u00edmbolo de uma miseric\u00f3rdia absolutamente gratuita, pois o morto nada pode retribuir-lhe. Este ato de miseric\u00f3rdia quebra todos os cadeados do c\u00edrculo encantado do nosso \u00abeu\u00bb, e abre-nos para a verdadeira imita\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>6. A\u00ed est\u00e1 outra vez a ecoar a velha e assim\u00e9trica sabedoria de Israel, que vem na torrente do Livro de Ben Sira, que um neto recolhe dos ensinamentos do seu av\u00f4: \u00abQuanto mais importante fores, mais deves humilhar-te,\/ para achares gra\u00e7a diante do Senhor [\u2026]. A \u00e1gua apaga a chama,\/ a esmola apaga os pecados\u00bb (Ben Sira 3,20 e 30). S\u00e3o ensinamentos preciosos que atravessam a Escritura Santa. \u00c9 fazendo assim, diz bem a Carta aos Hebreus, hoje tamb\u00e9m lida, que atingis a vossa meta, aproximando-vos de Deus, de Jesus, dos santos e de milh\u00f5es de anjos reunidos em festa\u00bb (Hebreus 12,22-24).<\/p>\n<p>7. N\u00e3o nos esque\u00e7amos de que \u00abdar esmola\u00bb (<em>ele\u00eamos\u00fdn\u00ea<\/em>) \u00e9 \u00abfazer GRA\u00c7A\u00bb (<em>ele\u00ea\u00f4<\/em>). \u00c9, portanto, imitar Deus, a quem rezamos ou cantamos:\u00a0<em>K\u00fdrie el\u00e9\u00eason<\/em>\u00a0[= \u00abSenhor, faz-nos GRA\u00c7A\u00bb], isto \u00e9, embala-nos nos teus bra\u00e7os maternais e olha para n\u00f3s com um olhar maternal.<\/p>\n<p>8. Em Jesus, a GRA\u00c7A \u00e9 acess\u00edvel a todos, pois Ele olha com olhos de GRA\u00c7A para todos: ricos e pobres, justos e pecadores, s\u00e3os e doentes. Tamb\u00e9m para os fariseus. Note-se que o Evangelho de Lucas, que \u00e9 o Evangelho da GRA\u00c7A de Deus aberto para todos, \u00e9 o \u00fanico a p\u00f4r Jesus por tr\u00eas vezes \u00e0 mesa com fariseus (veja-se 7,36; 11,37; 14,1).<\/p>\n<p>9. O Salmo 68 constitui um imenso cat\u00e1logo das maravilhas de Deus, expostas numa linguagem viv\u00edssima, saltitante, incontrol\u00e1vel, como conv\u00e9m a Deus. Os Cruzados fizeram dele o seu hino de batalha. A parte que ser\u00e1 cantada neste Domingo exalta Deus como aquele que faz estremecer os justos de incontida alegria, o qual, na sua santidade, se apresenta como Pai dos \u00f3rf\u00e3os e defensor das vi\u00favas, que d\u00e1 uma casa aos sem-abrigo, faz sair os prisioneiros ao som de m\u00fasica, e deixa os rebeldes no deserto, derrama a sua chuva sobre a sua heran\u00e7a, envolve o pobre no seu manto de bondade. Riqueza c\u00e9nica, crom\u00e1tica, r\u00edtmica, encantat\u00f3ria. O Salmo \u00e9 unanimemente considerado o mais dif\u00edcil do Salt\u00e9rio. Mas \u00e9 sobretudo uma impressionante obra de amor e de f\u00e9 que canta a a\u00e7\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria, \u00e0 frente do seu povo, e no meio do seu povo, sempre em favor do seu povo.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sir 3,19-21.30-31; Sl 68; Hb 12,18-19.22-24; Lc 14,1.7-14 1. Imaginemos o final de uma manh\u00e3 de ver\u00e3o batida por um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2378586270,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-1310403970","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1310403970","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1310403970"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1310403970\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294995016,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1310403970\/revisions\/4294995016"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2378586270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1310403970"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1310403970"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1310403970"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}