{"id":1324560232,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/11683-domingo-xxviii-do-tempo-comum-um-coracao-samaritano-"},"modified":"2025-11-07T16:33:52","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:52","slug":"domingo-xxviii-do-tempo-comum-um-coracao-samaritano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxviii-do-tempo-comum-um-coracao-samaritano\/","title":{"rendered":"Domingo XXVIII do Tempo Comum: \u00abUm cora\u00e7\u00e3o Samaritano\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">2 Rs 5,14-17; Sl 98; 2 Tm 2,8-13; Lc 17,11-19<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. De h\u00e1 muito que seguimos Jesus no seu caminho para Jerusal\u00e9m. No seu caminho, que \u00e9 o nosso itiner\u00e1rio ou curr\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que devemos p\u00f4r toda a aten\u00e7\u00e3o em tudo o que se passa. No epis\u00f3dio do Evangelho proclamado no Domingo passado (XXVII do Tempo Comum), Lucas 17,5-10, fomos n\u00f3s que pedimos a Jesus: \u00abAumenta a nossa f\u00e9!\u00bb (Lucas 17,5). E Ele foi ao campo buscar a met\u00e1fora da semente pequenina e do servi\u00e7o humilde e dedicado do servo que serve em tudo e sempre o seu Senhor.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. No seguimento imediato, o Evangelho proclamado neste Domingo XXVIII do Tempo Comum, Lucas 17,11-19, continua a glosar a tem\u00e1tica da f\u00e9, e p\u00f5e diante de n\u00f3s dez leprosos que empregam todas as suas for\u00e7as para, com voz grande, se fazerem ouvir por Jesus. \u00c9 a Jesus que dirigem o seu pedido, nestes termos: \u00abJesus, Mestre, Faz-nos Gra\u00e7a!\u00bb (Lucas 17,13). Aquele \u00abFaz-nos Gra\u00e7a!\u00bb soa, no texto grego,\u00a0<em>el\u00e9\u00eason h\u00eam\u00e3s<\/em>, cujo eco ainda hoje ressoa no nosso \u00ab<em>K\u00fdrie, el\u00e9\u00eason<\/em>\u00bb (\u00abSenhor, Faz Gra\u00e7a\u00bb). \u00abFazer Gra\u00e7a\u00bb \u00e9 um dizer muito b\u00edblico, que o pensamento ocidental desconhece, com que n\u00f3s pedimos a Deus que, como uma m\u00e3e cheia de ternura, nos embale nos seus bra\u00e7os e olhe para n\u00f3s com o seu olhar carregado de bondade maternal. Note-se, por\u00e9m, que esta rela\u00e7\u00e3o maternal, carinhosa e gratuita, n\u00e3o assenta em nenhum determinismo. N\u00e3o \u00e9 movida pelos la\u00e7os do sangue ou beleza atraente ou simpatia, para o valor, de acordo com a pedagogia grega, mas \u00e9 devida a todos, at\u00e9 aos inimigos e \u00e0queles com quem n\u00e3o simpatizamos e exclu\u00edmos das nossas rela\u00e7\u00f5es, os pobres, o estrangeiro, o \u00f3rf\u00e3o, a vi\u00fava, os refugiados, os descartados, para o desvalor, de acordo com a pedagogia b\u00edblica.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Note-se que os leprosos, devido \u00e0 sua doen\u00e7a contagiosa, eram exclu\u00eddos da sociedade, literalmente excomungados, e obrigados a andar longe dos povoados, n\u00e3o se podendo aproximar de ningu\u00e9m. E, \u00e0 vista de algu\u00e9m, deviam gritar: \u00abImpuro, impuro!\u00bb, para que as pessoas se desviassem deles, de acordo com as prescri\u00e7\u00f5es que podemos ver no Livro do Lev\u00edtico 13,45-46.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. O Evangelho diz-nos que se trata de um grupo de dez leprosos, certamente judeus e samaritanos. J\u00e1 sabemos que os judeus n\u00e3o se d\u00e3o com os samaritanos (cf. Jo\u00e3o 4,9). Mas aqui, afinal, andam juntos uns e outros. \u00c9 bem verdade que a doen\u00e7a, a mis\u00e9ria, a dor e o sofrimento juntam as pessoas, sem olhar a credos e ra\u00e7as! E o grito que lan\u00e7am juntos a Jesus \u00e9 igualmente estranho e significativo, dado que, no seu grito, chamam a Jesus Mestre (<em>epist\u00e1ta<\/em>) (cf. Lucas 17,13), eles que t\u00eam necessidade de cura e n\u00e3o de ensinamentos, pois, ainda que o desejassem, nem sequer podiam ir \u00e0 escola. Ent\u00e3o \u00e9 como se estes leprosos estivessem a pensar em n\u00f3s, a fazer-nos compreender que Jesus veio sobretudo curar os males do esp\u00edrito e iluminar o escuro dos cora\u00e7\u00f5es, desfazer os preconceitos que toldam tantas vezes a nossa vida quotidiana!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. \u00c9 claro que Jesus escuta o seu pedido (n\u00f3s \u00e9 que n\u00e3o sei!), e manda que se v\u00e3o apresentar aos sacerdotes, para que estes, dentro das suas compet\u00eancias de autoridade sanit\u00e1ria de controlo (Lev\u00edtico 13,2-3; 14,2-32), os pudessem declarar curados da lepra. Note-se bem que Jesus os manda apresentar-se aos sacerdotes, antes de os curar, como quem diz que requeria deles uma f\u00e9 total na sua capacidade de os curar. Eles partem, sinal da plena confian\u00e7a que depositam em Jesus, pois, quando se p\u00f5em a caminho, ainda continuam possu\u00eddos pela lepra. Na verdade, \u00e9 depois de partirem, enquanto caminham, que se sentem curados! (Lucas 17,14).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. O centro do epis\u00f3dio come\u00e7a agora. Os holofotes do narrador p\u00f5em em grande destaque um dos dez leprosos que, sentindo-se curado, interrompeu a sua viagem e voltou para tr\u00e1s, louvando a Deus com voz grande, e veio agradecer a Jesus, prostrando-se aos seus p\u00e9s! O narrador informa-nos que era um samaritano (Lucas 17,15-16), portanto her\u00e9tico, estrangeiro, exclu\u00eddo, marginalizado, descartado, da regi\u00e3o \u00abdaquele est\u00fapido povo que habita em Siqu\u00e9m\u00bb, para o dizer com as palavras de Ben Sira 50,26. \u00c9-nos permitido deduzir ainda que este samaritano se sente pobre e devedor a Deus pela gra\u00e7a concedida, enquanto que os restantes, talvez todos judeus, n\u00e3o sentiram tal necessidade, bem pelo contr\u00e1rio, porque o seu pensamento teol\u00f3gico os levava a pensar que era Deus que estava em d\u00edvida para com eles, e que, portanto, Jesus n\u00e3o ter\u00e1 feito mais do que devia!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Jesus louva a f\u00e9 deste exclu\u00eddo, e deixa entender que a f\u00e9 n\u00e3o consiste simplesmente em cumprir ordens, mas tamb\u00e9m em proclamar a boa nova da salva\u00e7\u00e3o, em reconhecer a gra\u00e7a recebida diante daquele que a concedeu, com uma voz t\u00e3o grande como o grito com que antes se lha pediu. Esta voz nova de louvor e de alegria precede mesmo o cumprimento dos ritos de purifica\u00e7\u00e3o, precede qualquer rito, interrompe qualquer viagem, passa \u00e0 frente de qualquer neg\u00f3cio. \u00c9 j\u00e1 a segunda vez que Lucas nos mostra um samaritano a interromper a sua viagem. A primeira vez foi naquela estrada que descia de Jerusal\u00e9m para Jeric\u00f3, quando um samaritano se debru\u00e7ou por amor sobre um homem meio morto (cf. Lucas 10,33-34). O viajante mesmo \u00e9 Jesus. O seu disc\u00edpulo, atento e sens\u00edvel, segue o Mestre, e, ao seguir o Mestre, corta estradas velhas, abre estradas novas! Parte sempre de Jesus, chega sempre a Jesus, princ\u00edpio e meta de todo o seu caminhar discipular.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. O contraponto musical vem naturalmente do s\u00edrio Naam\u00e3, que se v\u00ea curado da sua lepra seguindo as instru\u00e7\u00f5es do profeta Eliseu, a quem recorre (2 Reis 5,14-17). Na verdade, Naam\u00e3 tem de se desfazer, primeiro, de todas as evid\u00eancias e de todo o tom negocial e diplom\u00e1tico, tem de cair abaixo da sua import\u00e2ncia, das suas vestes de gala, das grandes somas de dinheiro. Naam\u00e3 tem apenas de aprender a colocar-se nas m\u00e3os de Deus, para renascer puro como uma crian\u00e7a (2 Reis 5,14). E uma crian\u00e7a apenas confia e recebe. Nada tem. No seguimento da hist\u00f3ria, somos levados a ver a ambi\u00e7\u00e3o de Guiezi, servo de Eliseu, que fraudulentamente foi atr\u00e1s dos bens de Naam\u00e3. Disse-lhe Eliseu: agora podes comprar vinhas e olivais, servos e servas, mas a lepra de Naam\u00e3 se apegar\u00e1 a ti!<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">9. Deus \u00e9 fiel e n\u00e3o pode dar o dito por n\u00e3o dito, diz Paulo a Tim\u00f3teo (2 Tim\u00f3teo 2,8-13), a quem incentiva a proclamar a Palavra de Deus. Paulo est\u00e1 preso por causa do Evangelho e adverte Tim\u00f3teo que tamb\u00e9m lhe pode vir a suceder a mesma coisa. E termina confessando com j\u00fabilo e firme ousadia que a Palavra de Deus continua \u00e0 solta e ningu\u00e9m a consegue aprisionar. \u00c9 esta a \u00e2ncora de Paulo, e deve ser tamb\u00e9m o baluarte firme de Tim\u00f3teo. O equ\u00edvoco dos poderosos e mentirosos que prenderam Paulo foi que, ao prender Paulo, pensaram que secavam a fonte do Evangelho, e, portanto, o Evangelho no seu todo. Pensavam que era Paulo que levava o Evangelho. Nem suspeitavam que era o Evangelho que levava Paulo! As correntes e as espadas do poder podem prender e decapitar Paulo, mas nada podem fazer para cortar e secar a torrente do Evangelho. Ao contr\u00e1rio, ser\u00e1 o Evangelho a espada de dois gumes que rasgar\u00e1 por dentro e destruir\u00e1 todo o poder orgulhoso, gorduroso e mentiroso que se lhe opuser (Hebreus 4,12). A Palavra de Deus anda sempre \u00e0 solta, e mais dia menos dia h\u00e1 de encontrar-nos, para nos salvar. Jesus veio, de facto, procurar e salvar o que estava perdido (Lucas 19,10). E a\u00ed estamos outra vez a fechar o c\u00edrculo com o Evangelho de hoje na m\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Levantar-se-\u00e1 sempre, desde o santu\u00e1rio do nosso cora\u00e7\u00e3o emocionado, o hino coral e universal, que \u00e9 o belo Salmo 98. Tudo e todos s\u00e3o chamados a formar uma bela orquestra, que nunca deixe de cantar os louvores de Deus. Desde o Templo (harpa, c\u00edtara,\u00a0<em>sh\u00f4phar<\/em>) at\u00e9 \u00e0 inteira cria\u00e7\u00e3o: mar e terra, rios (que s\u00e3o os bra\u00e7os e as m\u00e3os do mar, e, por isso, batem palmas), montes e colinas. Cantai, pois, um c\u00e2ntico novo, que tenha a idade e a fidelidade do amor, ao Deus que vem para julgar, amando, e renovar, sempre amando e acariciando, a terra, \u00e0s vezes dura, do nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11.\u00a0<em>K\u00fdrie, el\u00e9\u00eason<\/em>, faz-nos gra\u00e7a, Senhor, e d\u00e1-nos um cora\u00e7\u00e3o samaritano.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2 Rs 5,14-17; Sl 98; 2 Tm 2,8-13; Lc 17,11-19 1. 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