{"id":1336049942,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/44-destaques\/12906-guarda-penamacor-invadida-por-espioes-do-futuro-por-d-antonino-dias"},"modified":"2025-11-07T16:29:30","modified_gmt":"2025-11-07T16:29:30","slug":"guarda-penamacor-invadida-por-espioes-do-futuro-por-d-antonino-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/guarda-penamacor-invadida-por-espioes-do-futuro-por-d-antonino-dias\/","title":{"rendered":"Guarda: \u00abPenamacor invadida por espi\u00f5es do futuro\u00bb, por D. Antonino Dias"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/design-sem-nome_240325091600.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Bispo de <\/em><em>Portalegre-Castelo Branco escreve sobre o Inter-escolas que reuniu alunos de EMRC de duas dioceses<\/em><\/p>\n<p>Sim, o Senhor Presidente da C\u00e2mara Municipal de Penamacor foi o primeiro a manifestar a sua alegria pela presen\u00e7a de tais \u2018intrusos\u2019. A todos deu as boas-vindas. Outras personalidades locais associaram-se neste gesto de quem gosta de escancarar as portas a quem chega por bem. A vila rejuvenesceu com o ru\u00eddo de tanta gente de sangue na guelra e esporas na l\u00edngua. Tamb\u00e9m eu agradeci t\u00e3o nobre e gentil acolhimento. Dei os parab\u00e9ns \u00e0queles metedi\u00e7os que acabavam de chegar e j\u00e1 fervilhavam na curiosidade do passo seguinte. Tratei-os como a gente mais revolucion\u00e1ria de todos os Agrupamentos de Escola que, quer da \u00e1rea da Diocese da Guarda, quer da \u00e1rea da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, vieram at\u00e9 ali, p\u00e1tria que foi de Vamba, rei dos Godos, e a quem D. Sancho I outorgou foral em 1199. Foi bom, muito bom este desafio. Quem n\u00e3o tirou as pantufas, quem n\u00e3o saltou do sof\u00e1, quem n\u00e3o cal\u00e7ou as sapatinhas para trepar at\u00e9 l\u00e1, quem ficou \u00e0 janela, com cara de vinagre, a ver passar a banda e a vida, n\u00e3o sabe contar a hist\u00f3ria, n\u00e3o fez hist\u00f3ria, a sua hist\u00f3ria de vida ficou mais pobre, n\u00e3o admirou t\u00e3o rico patrim\u00f3nio hist\u00f3rico e cultural, n\u00e3o conviveu com quem veio de outras lonjuras, n\u00e3o se associou \u00e0 curiosidade destes not\u00e1veis exploradores&#8230;<\/p>\n<p>Junto \u00e0 velha porta da vila, sobre a qual assenta a antiga C\u00e2mara municipal, em conversa com tr\u00eas longevas senhoras, fiz-me questionar como ser\u00e1 o meu entardecer da vida e como o frio deste terr\u00edvel inverno demogr\u00e1fico a todos assola e entristece. Aquelas esquinas, cantos e recantos t\u00e3o belos e bem cuidados, bem mereciam um mont\u00e3o de garotada a saltitar e a jogar, nem que fosse \u00e0s escondidas ou \u00e0 macaca. Mais abaixo, por\u00e9m, coisa rara e bem diferente dava nas vistas: com alegria inaudita, saltitava a esperan\u00e7a no rosto do beb\u00e9 Mois\u00e9s &#8211; acho que era esse o seu nome -, que, de papo para o ar na sua alcofa empoleirada l\u00e1 a um canto, agarrado ao seu biber\u00e3o, sorria para a vida sob os olhares ternos da sua av\u00f3 Lurdes que, amavelmente, ao balc\u00e3o, servia caf\u00e9s e coisas mais de qualidade. Noutro ponto da vila, dois alunos da Escola local, da \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o, um ele e uma ela, assaltaram-me de telem\u00f3vel na m\u00e3o e perguntas perfiladas para gravarem uma entrevista&#8230; tinham pinta os mi\u00fados, que sejam muito felizes!&#8230; Naquela velha pra\u00e7a militar, recordei-me do cozinhado, a meu ver pouco curial, nada saboroso e com cheiro a esturro, que Ant\u00f3nio Costa confecionou ao desafiar a lideran\u00e7a de Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro, que, por aquelas bandas, nasceu, cresceu e, ao que soube, por ali, no sossego dos seus, vai intervalando algum do seu tempo sem necessidade de responder a perguntar aos jornalistas, que, com impertin\u00eancia de mosca enervante lhe testariam a paci\u00eancia sempre mui paciente e nobre: mas \u201cqual \u00e9 a pressa?\u201d \u201cqual \u00e9 a pressa?\u201d. Estou com ele, para ter uma vida longa \u00e9 preciso viver devagar!<\/p>\n<p>Mas, voltando ao princ\u00edpio, que revolucion\u00e1rios eram estes que subiram at\u00e9 esta vila sem que a GNR, deambulando calmamente, perdesse o seu ar sereno e atento de quem cuida? Qual foi o motivo que ali fez arribar estes felizes diabretes? Pois, isso \u00e9 que \u00e9 preciso saber e aplaudir, associando a este aplauso as escolas, os professores e os encarregados de educa\u00e7\u00e3o que entendem e se esfor\u00e7am para que esta gente, a par do saber e do saber fazer, adquira valores que deem sentido e sabor \u00e0 vida. Ningu\u00e9m deve viver como rabugento e cr\u00edtico treinador de bancada, de bra\u00e7os ca\u00eddos como se tudo aquilo que tem de ser feito tenha de ser feito pelos outros e nada por eles. Firmes e felizes, num dia calorento de primavera a fazer descascar casacos e camisolas e a escorrichar garrafas de \u00e1gua, quem ali congregou esta gente foi e continua a ser o jovem mais revolucion\u00e1rio de todos os tempos, aquele que, inconformado com o que via, ouvia e sentia, meteu m\u00e3os \u00e0 obra na constru\u00e7\u00e3o dum mundo mais escorreito e espevitado. Filho de pais simples e refugiados pol\u00edticos em pa\u00eds estrangeiro, nasceu numa terrinha perdida l\u00e1 pelos montes onde os pastores guardavam cabras e ovelhas. Noutra terra, igualmente pequena onde todos se conheciam, viveu e trabalhou, sem \u00e1gua encanada nem luz el\u00e9trica, sem telem\u00f3vel nem televis\u00e3o, sem bicicleta nem carro ou avi\u00e3o, sem futebol nem bandas e adufes. Nunca se afastou muito da\u00ed, n\u00e3o tinha bens, n\u00e3o frequentou escola nem universidade, n\u00e3o seguia nenhuma ideologia, n\u00e3o fundou qualquer partido pol\u00edtico ou religi\u00e3o, n\u00e3o tinha t\u00edtulos acad\u00e9micos, n\u00e3o possu\u00eda po\u00e7os de petr\u00f3leo nem conta nos bancos. Nunca usou de viol\u00eancia, nunca descartou quem quer que fosse, sempre manifestou delicadeza e preocupa\u00e7\u00e3o por todos, sem exce\u00e7\u00e3o. N\u00e3o usou de viol\u00eancia, n\u00e3o tinha cadeias, n\u00e3o fez pris\u00f5es preventivas, n\u00e3o tinha guarda costas, nem mordomias, nem pajens, nem trono, nem territ\u00f3rio, nem ex\u00e9rcito, nem armas. N\u00e3o escreveu nenhum livro, n\u00e3o rodou nenhum filme, n\u00e3o pintou nenhum quadro, n\u00e3o comp\u00f4s nenhuma partitura. No entanto, as pinotecas, os museus e as bibliotecas continuam a encher-se de pinturas, filmes, livros e partituras sobre a sua pessoa e a sua a\u00e7\u00e3o, a arquitetura enaltece-o, todas as pessoas de boa vontade o invocam e nele se inspiram, ele faz-se encontrado nos seus caminhos. Com a sua proximidade e pedagogia, continua a gerar empatia, a cativar multid\u00f5es, a falar com tanta simplicidade e autoridade que jamais algu\u00e9m \u00e9 capaz de falar assim. Foi e \u00e9 o maior revolucion\u00e1rio de todos os tempos. Dividiu a Hist\u00f3ria no antes dele e no depois dele. Se preconceitos humanos n\u00e3o houvesse, mesmo que n\u00e3o se acreditasse que ele \u00e9 o Filho de Deus, mesmo que s\u00f3 se olhasse para ele como personagem meramente hist\u00f3rico, quanto proveito n\u00e3o viria para a humanidade se ele fosse estudado em todas as escolas, academias e universidades. Ningu\u00e9m como ele influenciou e continua a influenciar tanto o destino dos povos e da Hist\u00f3ria. Promoveu uma civiliza\u00e7\u00e3o fundamentada na cultura do amor e da paz, na dignidade de toda a pessoa. Os seus disc\u00edpulos jamais calaram o que tinham visto, ouvido e usufru\u00eddo. Com determina\u00e7\u00e3o e garra, continuam esta profunda revolu\u00e7\u00e3o social a partir do interior de cada um, promovendo a cultura do amor fraterno, apontando princ\u00edpios e valores que revolucionam toda a comunidade humana em quest\u00f5es de m\u00fatuo respeito, de direitos e deveres humanos.<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tarefa fundamental. Precisa de her\u00f3is a seguir, precisa de valores hierarquizados que pautem a vida. A Escola, mais do que ensinar, tem fun\u00e7\u00e3o educativa, coisa dif\u00edcil mas poss\u00edvel. Se transmite valores, conhecimento, ci\u00eancia e cultura, se fomenta a aquisi\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias para prosseguir estudos ou para inserir no mercado de trabalho, se proporciona conhecimento pessoal e integra\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o pode esquecer que a dimens\u00e3o religiosa \u00e9 constitutiva da pessoa humana, faz parte da educa\u00e7\u00e3o integral. A disciplina da Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3licas, que foi a causa destes alunos se concentrarem, em 19 de mar\u00e7o, em Penamacor, ajuda as crian\u00e7as, os adolescentes e os jovens a dar resposta \u00e0s interroga\u00e7\u00f5es sobre o sentido da vida. Sem a componente religiosa, a vida perde horizontes, torna-se ef\u00e9mera, conduz a uma sociedade vazia de sentido. <strong>A disciplina de Educa\u00e7\u00e3o Moral Religiosa Cat\u00f3lica procura a forma\u00e7\u00e3o global do aluno, permite o reconhecimento da sua identidade, permite a constru\u00e7\u00e3o de um projeto pessoal de vida alcan\u00e7ado a partir do di\u00e1logo da cultura e diferentes saberes com a mensagem e os valores crist\u00e3os enraizados na nossa tradi\u00e7\u00e3o.<\/strong> Esta disciplina, por\u00e9m, requer o esfor\u00e7o insubstitu\u00edvel de escolas e professores, mas \u00e9 tarefa de toda a comunidade crist\u00e3, com especial destaque para os pais e os p\u00e1rocos, sabendo que entre a Catequese e a Educa\u00e7\u00e3o Moral Religiosa Cat\u00f3lica h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de distin\u00e7\u00e3o e de complementaridade, n\u00e3o de alternativa. Sendo a responsabilidade dos pais \u2018irrenunci\u00e1vel e inalien\u00e1vel\u2019, sendo a dimens\u00e3o religiosa muito importante na educa\u00e7\u00e3o integral das pessoas, que bom seria se os pais se responsabilizassem mais pela inscri\u00e7\u00e3o dos filhos nessa disciplina, se sensibilizassem os filhos para a sua import\u00e2ncia, e se empenhassem, individualmente ou em associa\u00e7\u00e3o, para que a Escola oferecesse esta disciplina, em condi\u00e7\u00f5es normais, sem indiferen\u00e7a, sem hostilidade, sem minimizar ou diluir a sua natureza curricular.<\/p>\n<p>D. Antonino Dias<\/p>\n<p>Portalegre-Castelo Branco, 22-03-2024.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo de Portalegre-Castelo Branco escreve sobre o Inter-escolas que reuniu alunos de EMRC de duas dioceses Sim, o Senhor Presidente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":375284814,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[49],"class_list":["post-1336049942","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-emrc"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1336049942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1336049942"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1336049942\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294993362,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1336049942\/revisions\/4294993362"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/375284814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1336049942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1336049942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1336049942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}