{"id":1351306976,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/34-destaques\/13089-sintese-do-congresso-catequese-liturgia-e-experiencia-humana"},"modified":"2025-11-07T16:32:56","modified_gmt":"2025-11-07T16:32:56","slug":"sintese-do-congresso-catequese-liturgia-e-experiencia-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/sintese-do-congresso-catequese-liturgia-e-experiencia-humana\/","title":{"rendered":"S\u00edntese do Congresso \u00abCatequese, liturgia e experi\u00eancia humana\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/photo-2024-05-31-11-47-39_240606104602.jpg\" \/><\/p>\n<p><p style=\"text-align: center\"><strong>S\u00edntese final. Equipa Europeia de Catequese<\/strong><\/p>\n<p>1. <em>Uma introdu\u00e7\u00e3o de La Salle<\/em><\/p>\n<p>Quando nos reunimos na Comiss\u00e3o de prepara\u00e7\u00e3o do Congresso, fui designado para fazer a s\u00edntese final e lembro-me das palavras que foram ditas: \u201cSeria bom para um leigo fazer a s\u00edntese num Congresso que fale de Liturgia\u201d. Aqui temos um religioso pertencente a um Instituto que mant\u00e9m a sua identidade laical h\u00e1 mais de 300 anos (e n\u00e3o tem sido f\u00e1cil&#8230;) e, curiosamente, o \u00fanico cl\u00e9rigo foi o seu Fundador, S\u00e3o Jo\u00e3o Baptista de La Salle.<\/p>\n<p>Ao come\u00e7ar a preparar este resumo, lembro-me da anedota que meu ex-Superior Geral, Irm\u00e3o \u00c1lvaro Rodr\u00edguez Echevarr\u00eda (Superior de 2000 a 2014), me contou quando disse que foi eleito pelos seus companheiros, Presidente da Uni\u00e3o dos Superiores Gerais (ali\u00e1s, o Padre Kolvenbach S.J., foi eleito vice-presidente) e o \u201cs\u00e9rio\u201d problema que causou quando foi ao Vaticano para certas reuni\u00f5es ali marcadas. No final dos encontros celebravam a Eucaristia e n\u00e3o sabiam onde colocar o Irm\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o, pois ele era o Presidente, mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o era sacerdote. Como disse com bom humor o meu Superior: \u201cesta situa\u00e7\u00e3o permitiu-me n\u00e3o deixar sozinho o Presidente da Uni\u00e3o dos Superiores Gerais\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 que come\u00e7o por falar do meu Instituto, permitam-me contar uma bela hist\u00f3ria sobre S\u00e3o Jo\u00e3o Batista de La Salle e que nos insere muito bem no tema que temos visto nestes dias. O fundador faz o seguinte racioc\u00ednio: devo salvar as crian\u00e7as pobres que vagueiam pelas ruas de Reims (Fran\u00e7a) e devo dar-lhes uma educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de modo a transform\u00e1-las em bons cidad\u00e3os e bons crist\u00e3os. Para isso preciso de professores com voca\u00e7\u00e3o que vivem em comunidade. Assim nasce uma comunidade, n\u00e3o de professores, mas de Irm\u00e3os para uma miss\u00e3o concreta (a escola crist\u00e3).<\/p>\n<p>Na reflex\u00e3o subsequente, aqueles Irm\u00e3os procuram, atrav\u00e9s do di\u00e1logo, uma identidade pr\u00f3pria, diferente da do cl\u00e9rigo e do leigo. Naturalmente, muitos o questionam e dizem: \u201cMas, j\u00e1 que sois homens, por que n\u00e3o sois sacerdotes?\u201d \u00c9 famosa a resposta que La Salle d\u00e1 a um padre chamado Baudrand, no distante s\u00e9culo XVII onde, em s\u00edntese, lhe diz: \u201cN\u00e3o h\u00e1 padres na comunidade porque quero comunidades fraternas onde todos sejam considerados iguais e se houver cl\u00e9rigos na comunidade come\u00e7aria a haver diferen\u00e7as de \u201cstatus\u201d e, em segundo lugar, a vida do Irm\u00e3o-catequista \u00e9 t\u00e3o empenhada e absorvente que n\u00e3o tem tempo para exercer outras fun\u00e7\u00f5es na Igreja\u201d.<\/p>\n<p>Neste sentido, \u00e9 muito curioso que nas primeiras escolas lassalistas se dedicasse muito tempo \u00e0 leitura e \u00e0 escrita, porque se n\u00e3o se soubesse ler e escrever, al\u00e9m de n\u00e3o poder fazer nada na vida, n\u00e3o se poderia ler e estudar o catecismo. Dedicava-se um pequeno tempo ao catecismo e o final da manh\u00e3 era marcado pelo momento fundamental do dia, em que todas as crian\u00e7as se dirigiam \u00e0 par\u00f3quia para a Eucaristia acompanhadas pelos Irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Para <em>La Salle<\/em>, al\u00e9m da import\u00e2ncia da pr\u00f3pria Eucaristia, a celebra\u00e7\u00e3o tinha um valor catequ\u00e9tico extraordin\u00e1rio. As crian\u00e7as deviam estar atentas e o Irm\u00e3o deva explicar aos seus alunos tudo o que acontece em todos os momentos da missa. Como poderia ele supervisionar as crian\u00e7as, como lhes explicaria o sacramento se estivesse no altar?<\/p>\n<p>Como vemos j\u00e1 no s\u00e9culo XVII-XVIII, este grande santo j\u00e1 relacionava: comunidade-miss\u00e3o-catequese-liturgia.<\/p>\n<p>2. <em>Em Cluj-Napoca<\/em><\/p>\n<p>Na \u00faltima reuni\u00e3o em Bruxelas, Martian e Nicoletta foram contactados para a realiza\u00e7\u00e3o da reuni\u00e3o de 2024, na Rom\u00e9nia. Na hora de decidir o tema, a liturgia foi considerada porque, al\u00e9m de ser uma das propostas mais votadas na \u00faltima reuni\u00e3o, pens\u00e1mos que a Rom\u00e9nia seria um lugar ideal para discutir este tema, uma vez que tem mais tradi\u00e7\u00e3o que os pa\u00edses da Europa Ocidental.<\/p>\n<p>Isso mesmo nos indicou Monsenhor Claudiu na solene abertura quando disse que \u201cpara a Igreja do Oriente o principal lugar da catequese \u00e9 a liturgia\u201d e depois refor\u00e7ou \u201cque na nossa tradi\u00e7\u00e3o encontramos uma antecipa\u00e7\u00e3o de uma catequese de vanguarda, porque o valor da imagem na comunica\u00e7\u00e3o moderna est\u00e1 ligada \u00e0 nossa tradi\u00e7\u00e3o iconogr\u00e1fica. Os nossos \u00edcones est\u00e3o tocados para nos abrir para outro mundo. Requer-se uma atitude especial para ver os \u00edcones. Eles n\u00e3o s\u00e3o vistos para contemplar o seu valor art\u00edstico, mas para aceder ao mist\u00e9rio de Deus para o qual o \u00edcone nos remete\u201d.<\/p>\n<p>Para mim e para alguns com quem falei, e espero que para todos, este Congresso foi enriquecedor na aprendizagem de realidades do Oriente que, devido \u00e0 nossa dist\u00e2ncia ocidental, desconhec\u00edamos. Neste sentido destaco a apresenta\u00e7\u00e3o de Christian Barta que se prop\u00f4s ilustrar o papel da catequese na forma\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da identidade da Igreja Greco-Cat\u00f3lica Romena, indicando tamb\u00e9m que a catequese n\u00e3o pode ser separada da iconografia, da liturgia e da espiritualidade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi interessante a contribui\u00e7\u00e3o de Liviu Viducan sobre a liturgia e a catequese na Igreja Ortodoxa. Com grandes detalhes hist\u00f3ricos veio apresentar o papel e o simbolismo da Sagrada Liturgia e como a catequese lit\u00fargica teve um papel fundamental na preserva\u00e7\u00e3o dos valores crist\u00e3os ortodoxos de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o mesmo nos dif\u00edceis 50 anos de comunismo. Fiquei impressionado com todos os esfor\u00e7os catequ\u00e9ticos feitos pela Igreja Ortodoxa desde o ponto 0 da verdadeira democracia, que foi o ano de 1989.<\/p>\n<p>Os problemas t\u00e9cnicos foram corrigidos para obter informa\u00e7\u00f5es sobre a Igreja Hussita da Checoslov\u00e1quia. Terceira maior igreja da Rep\u00fablica Checa. Os nossos dois amigos checos partilharam connosco v\u00e1rios aspetos da sua Igreja, incluindo a reforma da liturgia, a sua adapta\u00e7\u00e3o pastoral \u00e0s crian\u00e7as, as escolas dominicais, os seus catecismos, a introdu\u00e7\u00e3o do catecumenato e a prepara\u00e7\u00e3o dos sacramentos.<\/p>\n<p>Achei especialmente sugestiva a confer\u00eancia sobre a dimens\u00e3o catequ\u00e9tica do \u00edcone na Igreja Greco-Cat\u00f3lica. Tive especial interesse por este tema porque desde muito jovem na casa da minha fam\u00edlia t\u00ednhamos muitos \u00edcones e na capela da comunidade temos um muito famoso \u201cO \u00edcone da Trindade\u201d. Gostei muito desta frase no in\u00edcio do da apresenta\u00e7\u00e3o: \u201cOs \u00edcones est\u00e3o vivos porque nos falam de homens e mulheres que acreditaram, duvidaram e esperaram\u201d. Os \u00edcones s\u00e3o um lugar catequ\u00e9tico. E foi isso que descobrimos durante a visita de ontem \u00e0 tarde \u00e0 Igreja Greco-Cat\u00f3lica Bob.<\/p>\n<p>Lembro-me do texto do DC: \u201cAs imagens da arte crist\u00e3, quando aut\u00eanticas, permitem-nos intuir, atrav\u00e9s da perce\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, que o Senhor est\u00e1 vivo, presente e atuante na Igreja e na hist\u00f3ria. S\u00e3o, portanto, uma verdadeira linguagem de f\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>Desde as origens do Cristianismo a imagem \u00e9 utilizada pelos catequistas. Na Biblioteca do instituto de S\u00e3o Pio X temos guardados, como uma joia, v\u00e1rios pictogramas que era desenhados por mission\u00e1rios espanh\u00f3is que foram para a Am\u00e9ria, em s\u00e9culos passados e ao n\u00e3o poder comunicar-se com os ind\u00edgenas por desconhecer a l\u00edngua, faziam-no atrav\u00e9s de desenhos religiosos.<\/p>\n<p>Devo terminar este ponto acrescentando o car\u00e1cter ecum\u00e9nico que demos a este encontro. Dos Congressos em que participei (desde 2006), penso que foi o mais claro. Neste sentido, como n\u00e3o recordar a abertura solene com representa\u00e7\u00f5es de tantas Igrejas irm\u00e3s. J\u00e1 o dizia Stjn nas suas primeiras palavras: \u201cA dimens\u00e3o ecum\u00e9nica tamb\u00e9m \u00e9 fundamental nos nossos encontros. Estamos acompanhados por seis confiss\u00f5es crist\u00e3s. Estamos muito conscientes dos nossos irm\u00e3os ucranianos. Que o Esp\u00edrito de Pentecostes nos guie\u201d.<\/p>\n<p><em>3. Catequese, liturgia e experi\u00eancia humana. Algumas ideias<\/em><\/p>\n<p>No primeiro dia do Congresso, a Fran\u00e7a teve um grande protagonismo. Temos as contribui\u00e7\u00f5es de Joel e Roland. Joel, especialista em hist\u00f3ria da catequese, disse-nos que \u201ca hist\u00f3ria das liga\u00e7\u00f5es entre catequese e liturgia, desde finais do s\u00e9culo XIX tem sido negativa: n\u00e3o houve uma evolu\u00e7\u00e3o ou progress\u00e3o constante ou linear. Os termos acaso, hesita\u00e7\u00f5es e mesmo eclipse aproximam-se da verdade desta hist\u00f3ria atormentada, que torna igualmente fascinante a hist\u00f3ria de uma evolu\u00e7\u00e3o: a do pensamento sobre a fun\u00e7\u00e3o iniciadora da liturgia\u201d.<\/p>\n<p>Nos interessantes momentos pr\u00e9vios ao Conc\u00edlio Vaticano II tivemos a sorte de contar com catequistas que marcaram a hist\u00f3ria da catequese como Jungmann e Colomb. Este \u00faltimo afirma a estreita liga\u00e7\u00e3o entre catequese e liturgia. A liturgia faz-nos ver, ouvir, caminhar, julgar e rezar os mist\u00e9rios. Para Colomb, os primeiros anos da catequese deveriam girar em torno dos tempos lit\u00fargicos.<\/p>\n<p>Nas suas interven\u00e7\u00f5es destacou-se duas grandes pioneiras, Fran\u00e7oise Derkenne e H\u00e9l\u00e8ne Lubienska de Lenval, na renova\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica de Fran\u00e7a. De Fran\u00e7oise Derkenne tenho informa\u00e7\u00f5es que constam da sua bibliografia e que complementam o que \u00c1ngela Kaupp nos contou ontem.<\/p>\n<p>\u00abNas v\u00e9speras da guerra deu-se a conhecer com a publica\u00e7\u00e3o da sua obra principal \u2018La vie et la joie au Cat\u00e9chisme\u2019. Durante a guerra, esteve em Barcelona, ??como diretora de um pequeno internato franc\u00eas. Ao regressar a casa, as autoridades eclesi\u00e1sticas ordenaram-lhe que frequentasse cursos regulares de teologia, mas n\u00e3o conseguiu obter os graus correspondentes, uma vez que estavam reservados ao clero\u00bb.<\/p>\n<p>Fran\u00e7oise Derkenne: une pionni\u00e8re, in Cse 38 (1998) 150, 10 .<\/p>\n<p>Mas o que aconteceu depois do Conc\u00edlio Vaticano II? A marginaliza\u00e7\u00e3o da liturgia ocorre a partir do desenvolvimento da corrente antropol\u00f3gica da catequese. A tarefa catequ\u00e9tica de recolher a experi\u00eancia humana fundamental, profana e aut\u00f3noma n\u00e3o poderia basear-se na liturgia, que oferece uma experi\u00eancia j\u00e1 configurada pela B\u00edblia e pela linguagem da f\u00e9. Numa outra evolu\u00e7\u00e3o, o ponto de partida da catequese \u00e9 uma ideia ou valor, e continuando, tomam-se exemplos de acontecimentos da vida e excertos do Evangelho para terminar com a celebra\u00e7\u00e3o, que muitas vezes n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>Elena Massimi, que no seu extenso documento nos oferece, numa das suas partes, uma evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com muitos pontos em comum com a de Molinario, chega \u00e0 seguinte conclus\u00e3o: \u00abNa minha opini\u00e3o, [\u2026], a liturgia e a catequese passaram o mesmo caminho, num horizonte mais dualista e oposicionista do que de conjunto: por um lado a teologia, a catequese, a liturgia e por outro a antropologia, esquecendo-se que na carne do homem tem lugar a Revela\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Depois de percorrer este r\u00e1pido caminho de s\u00e9culo e meio (1870-2020), Molinario concluiu a sua interven\u00e7\u00e3o recorrendo a esta afirma\u00e7\u00e3o do Diret\u00f3rio d Catequese: \u00abA Vig\u00edlia Pascal, centro da liturgia crist\u00e3, e a sua espiritualidade batismal s\u00e3o uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o para toda a catequese\u201d. Por isso, \u201ca abordagem baseada na releitura da Vig\u00edlia Pascal situa a catequese de inicia\u00e7\u00e3o onde a f\u00e9 e a Igreja nascem no mist\u00e9rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, o primog\u00e9nito dentre os mortos. O primog\u00e9nito de toda a cria\u00e7\u00e3o. Nascemos para uma nova vida na P\u00e1scoa.\u201d<\/p>\n<p>Com o professor do ISPC Roland Lacroix, come\u00e7ou a segunda abordagem intitulada contempor\u00e2nea. Recordemos que o recente \u201cDiret\u00f3rio da Catequese\u201d fala de uma esp\u00e9cie de novo retorno \u00e0s fontes da catequese. Para ele fala de tr\u00eas pontos:<\/p>\n<p>1. \u00c9 necess\u00e1rio redescobrir, tanto na catequese como no catecumenato, a a\u00e7\u00e3o mistag\u00f3gica. Tal como a catequese, o catecumenato tamb\u00e9m sofreu o seu \u2018eclipse lit\u00fargico\u2019. Predominou a dimens\u00e3o antropol\u00f3gica, como na catequese, mas tamb\u00e9m, e talvez sobretudo, a dimens\u00e3o pastoral.<\/p>\n<p>2. Uma catequese inspirada no itiner\u00e1rio ritual de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos adultos (RICA). A novidade da RICA reside no facto de propor um \u201citiner\u00e1rio\u201d que inclui \u201ctempos ou per\u00edodos pontuados por celebra\u00e7\u00f5es ou etapas lit\u00fargicas importantes\u201d, per\u00edodos e etapas que t\u00eam uma finalidade espec\u00edfica: iniciar os catec\u00famenos na vida crist\u00e3. Mas ser\u00e1 que a Igreja voltou a ser a iniciadora?<\/p>\n<p>3. Na sua opini\u00e3o, uma forma positiva de responder a esta quest\u00e3o \u00e9 redescobrir a a\u00e7\u00e3o mistag\u00f3gica como recurso catequ\u00e9tico. Trata-se de favorecer a \u201centrada\u201d no rito atrav\u00e9s de uma palavra catequ\u00e9tica, vivendo o rito acompanhado da sua palavra espec\u00edfica, e depois favorecer a \u201csa\u00edda\u201d do rito atrav\u00e9s de uma nova palavra catequ\u00e9tica. Esta palavra catequ\u00e9tica de \u201csa\u00edda\u201d permite-nos significar o modo como o rito pode desenvolver-se na experi\u00eancia de vida das pessoas.<\/p>\n<p>Neste momento quero recordar D. Emilio Alberich, Salesiano, falecido no dia 9 de setembro de 2022 em Sevilha. Foi presidente da CEE por dois mandatos de 1974-1978 e de 1994-1998. Lembro-me que o seu livro mais famoso, traduzido em v\u00e1rias l\u00ednguas, intitulado em espanhol: \u201cLa catechesis evangelizadora\u201d falava num dos seus cap\u00edtulos sobre \u201cCatequese e liturgia\u201d e come\u00e7ava por dizer que tem havido di\u00e1logo e tens\u00f5es entre liturgistas e catequistas. Elena Massimi, liturgista, tamb\u00e9m nos disse algo semelhante, mas no final da sua apresenta\u00e7\u00e3o diz-nos que estamos condenados a trabalhar juntos n\u00e3o s\u00f3 como liturgistas e catequistas, mas tamb\u00e9m como antrop\u00f3logos, sistem\u00e1ticos, etc. com base no di\u00e1logo e no apoio.<\/p>\n<p>Nas circunst\u00e2ncias atuais a liturgia tem um potencial importante em rela\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo com a contemporaneidade. Sobre este ponto, o meu grupo contou no primeiro dia com a emocionante e significativa Eucaristia que tivemos na Universidade com a fam\u00edlia e colegas de uma estudante de 18 anos que decidiu acabar com a sua vida.<\/p>\n<p>Abordagem hist\u00f3rica, contempor\u00e2nea, ecum\u00e9nica e uma abordagem final que chamamos de \u201c<em>Christifideles Laici<\/em>\u201d. \u00c2ngela deu-nos uma abordagem s\u00e9ria, rigorosa e fundamentada da liturgia, da catequese e da mulher. N\u00e3o tenho muito a acrescentar. \u00c9 um problema que levantamos na Igreja. Ou melhor, \u00e9 \u201co\u201d problema. No Diret\u00f3rio h\u00e1 tr\u00eas breves pontos sobre \u201ca grande contribui\u00e7\u00e3o das mulheres na catequese\u201d (DC 127-129). Alguns catequistas com quem conversei acham que parece que as mulheres aparecem t\u00e3o pouco, considerando que mais de 85% dos catequistas s\u00e3o mulheres. Para mim, um dos desafios fundamentais para o futuro \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica das mulheres.<\/p>\n<p>Finalmente, Carl Maria ligou a liturgia, a catequese e a fam\u00edlia. A quest\u00e3o da fam\u00edlia preocupa tamb\u00e9m a Igreja e preocupa-nos na CEE, de tal modo que j\u00e1 a discutimos longamente em 2017, em Madrid. Depois da confer\u00eancia, se bem se lembram, houve um di\u00e1logo interessante sobre os tipos de fam\u00edlia e as dificuldades enfrentadas por esta institui\u00e7\u00e3o fundamental para realizar o seu trabalho de transmiss\u00e3o da f\u00e9 e primeiro anunci\u00e1-la. A contribui\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia centrou-se no que as nossas ra\u00edzes judaicas nos podem ensinar nesta transmiss\u00e3o da f\u00e9, da fam\u00edlia judaica \u00e0 Igreja dom\u00e9stica e em algumas propostas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p><em>4. \u00daltimas palavras antes de terminar<\/em><\/p>\n<p>Antes de terminar esta interven\u00e7\u00e3o quero agradecer a Stijn pelos seus 9 anos como presidente da CEE e tamb\u00e9m a todos os membros da Comiss\u00e3o que aqui estiveram ao longo dos anos e com quem partilhei bons momentos.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos pediram-me que escrevesse a hist\u00f3ria da EEC para a revista de pedagogia religiosa \u201cSinite\u201d e ali disse, entre outras coisas, o seguinte:<\/p>\n<p>\u201cA Equipa Europeia de Catequese (EEC) nasceu pouco depois do Segundo Congresso Internacional de Catequese, que teve lugar em Roma, por ocasi\u00e3o de um encontro entre professores de religi\u00e3o e respons\u00e1veis ??catequ\u00e9ticos nacionais europeus. O primeiro encontro aconteceu em 1951 em Estrasburgo (Fran\u00e7a) com representa\u00e7\u00e3o de 16 pessoas de cinco pa\u00edses (Alemanha, \u00c1ustria, B\u00e9lgica, Holanda e Fran\u00e7a), o tema escolhido foi \u201co sacramento da penit\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>E continuo:<\/p>\n<p>\u201cNa \u00e9poca de funda\u00e7\u00e3o, os membros da EEC conheciam-se bem, pelos numerosos contactos pessoais e profissionais, nomeadamente no \u2018Grupo de trabalho para a educa\u00e7\u00e3o religiosa\u2019, que era o nome dado \u00e0 EEC. Come\u00e7ou por ser um grupo de amigo. Logo foi institucionalizado.<\/p>\n<p><em>Quero destacar duas ideias<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Que o pr\u00f3ximo Congresso em 2026 ser\u00e1 o do 75\u00ba anivers\u00e1rio e teremos que dar um destaque especial para relan\u00e7ar o nosso grupo. Estou convencido de que a reflex\u00e3o catequ\u00e9tica \u00e9 mais necess\u00e1ria do que nunca na Igreja e a EEC tem estado na vanguarda desta reflex\u00e3o. Por exemplo, ao apresentar o relat\u00f3rio, com muita raz\u00e3o, Stjin falou-nos do Congresso de Lisboa e do que implicava a reflex\u00e3o ent\u00e3o iniciada sobre \u201ca convers\u00e3o mission\u00e1ria da catequese\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Que a EEC come\u00e7ou como um grupo de amigos que refletiam sobre a catequese e o ensino religioso. Acho que somos um grupo de amigos e nunca devemos perder isso. Na equipa europeia vivemos a diversidade e a catolicidade da Igreja (pa\u00edses, l\u00ednguas, carismas, voca\u00e7\u00f5es&#8230;) mas dentro da unidade e, todos concordamos que somos apaixonados pela transmiss\u00e3o deste tesouro que temos nas nossas m\u00e3os, que \u00e9 o Evangelho de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>\u00c9 isto neste breve resumo do Congresso. Felicito Carl e o seu novo Comit\u00e9 e agrade\u00e7o-lhes sinceramente por aceitarem este servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Obrigado<\/p>\n<p>Jose Maria<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o EDUCRIS<\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00edntese final. Equipa Europeia de Catequese 1. 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