{"id":1368165714,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/44-destaques\/3788-forum-2014-a-mente-dos-adolescentes"},"modified":"2025-11-07T16:26:39","modified_gmt":"2025-11-07T16:26:39","slug":"forum-2014-a-mente-dos-adolescentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/forum-2014-a-mente-dos-adolescentes\/","title":{"rendered":"F\u00f3rum 2014: A mente dos adolescentes"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/cristina_sa_carvalho_140123112055.png\"\/><\/p>\n<p><p><strong>Em semana de <a href=\"https:\/\/www.educris.com\/v2\/emrc\/3728-forum-emrc-2014\" target=\"_blank\">F\u00f3rum EMRC 2014 <\/a>fomos ao encontro de Cristina S\u00e1 Carvalho, psic\u00f3loga, diretora do departamento de Catequese do SNEC e docente da Universidade Cat\u00f3lica para, numa breve entrevista, lan\u00e7armos a sua interven\u00e7\u00e3o que vai ter lugar no F\u00f3rum EMRC 2014 sob o tema &#8220;A mente ideol\u00f3gica dos adolescentes e a fun\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o religiosa&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.educris.com\/\">www.Educris.com<\/a>: <strong>No pr\u00f3ximo f\u00f3rum EMRC 2014 vai trazer aos docentes uma reflex\u00e3o sobre a mente ideol\u00f3gica dos adolescentes e a fun\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o Religiosa. <\/strong><\/span><\/span><strong>Como \u00e9 a mente dos adolescentes no s\u00e9culo XXI?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Cristina S\u00e1 Carvalho:<\/em> &#8220;Mente ideol\u00f3gica&#8221; \u00e9 um conceito que Eric Erikson usa para definir uma caracter\u00edstica essencial da constru\u00e7\u00e3o da identidade &#8211; a tarefa da adolesc\u00eancia &#8211; e que podemos associar ao processo mais global de constru\u00e7\u00e3o do sentido da realidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mente dos adolescentes, ou a sua personalidade em forma\u00e7\u00e3o, como preferimos definir os psic\u00f3logos, surge do embate entre o que \u00e9 estrutural na pessoa e o que \u00e9 proporcionado pela cultura circundante. Do ponto de vista estrutural a adolesc\u00eancia come\u00e7a com uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica, o acesso a uma cogni\u00e7\u00e3o capaz de maior abstra\u00e7\u00e3o, atenta mas ainda incapaz compreender totalmente as altera\u00e7\u00f5es corporais proporcionadas pela puberdade, (como seja o despertar do desejo sexual), e sociais (procurar uma nova identifica\u00e7\u00e3o intima porque o desejo sexual afasta o sujeito da refer\u00eancia anterior, os pais) que est\u00e3o a ocorrer. Emocionalmente surge a grande mudan\u00e7a, a necessidade de reformular os la\u00e7os que ligam o adolescente aos progenitores e que d\u00e1 \u00e0 adolesc\u00eancia a sua tonalidade depressiva, proporcionada por este processo de luto que \u00e9 j\u00e1 n\u00e3o se ser uma crian\u00e7a, protegida pelos adultos de refer\u00eancia. Mas mesmo a necessidade de altera\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os com os pais tem um fundamento cognitivo, que \u00e9 a compreens\u00e3o de que se tem um passado (foi-se crian\u00e7a) e se caminha para um futuro (adulto, eventualmente), isto \u00e9, a tardia altera\u00e7\u00e3o na no\u00e7\u00e3o de tempo e temporalidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas como a adolesc\u00eancia \u00e9 a \u00fanica idade da vida criada pelas necessidades econ\u00f3micas da sociedade ocidental e, portanto, n\u00e3o ancorada num processo fisiol\u00f3gico, flutua muito de acordo com a sociedade. Sintetizando agora para desenvolver no F\u00f3rum, os adolescentes de hoje sofrem da fragiliza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e das institui\u00e7\u00f5es educativas, escola e Igrejas, pois tal como referiu o Papa Bento XVI, vivemos uma emerg\u00eancia educativa proporcionada por uma sociedade \u00abl\u00edquida\u00bb (Baumman), que n\u00e3o se reconhece nem educa. Os adolescentes de hoje crescem sem refer\u00eancias s\u00f3lidas, longe dos adultos (\u00f3rf\u00e3os), entregues ao seu grupo de pares, que faz as vezes de mecanismo identificador, sem ter capacidade para isso, e mergulhados no isolamento dos gadgets e de muitas formas de entretenimento pobre e vazio, que resultam essencialmente da financeiriza\u00e7\u00e3o de todas as trocas sociais e da explora\u00e7\u00e3o dos fracos que da\u00ed resulta. Por falta de orienta\u00e7\u00e3o moral &#8211; chamo-lhes \u00abgera\u00e7\u00e3o que mal h\u00e1\u00bb &#8211; eternizam um egocentrismo infantil que os perturba tamb\u00e9m em termos intelectuais, pelo que a gera\u00e7\u00e3o com maiores oportunidades educativas formais podem bem acabar menos inteligente do que os seus antepassados analfabetos. Mas a responsabilidade \u00e9 dos adultos, a dimens\u00e3o estrutural est\u00e1 l\u00e1 sempre, a clamar por oportunidades para compreender o mundo e se compreender a si mesma.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">www.educris.com : <strong>Qual o papel da EMRC na forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es em contexto escolar?<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em>Cristina S\u00e1 Carvalho: <\/em><\/span>Creio que EMRC e todas as disciplinas com objetivos semelhantes &#8211; \u00e0 sua maneira, por exemplo, a filosofia, a literatura, a hist\u00f3ria &#8211; t\u00eam a faculdade de contrariar, numa l\u00f3gica de proximidade educativa, de encontro entre as pessoas do professor e o aluno,\u00a0 a liquidez de uma sociedade sem valores ou em dificuldades de os assumir e transmitir. \u00c9 relevante, e um direito da pessoa, conhecer a Verdade, ser educada na Verdade, da qual n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel excluir o Deusa encarnado em Jesus Cristo, que nos criou por amor e para construir um Reino s\u00f3lido, ancorado no primado da lei, que \u00e9 esse mesmo\u00a0 amor e as disciplinas de Ensino Religioso Escolar d\u00e3o um contributo decisivo na busca da Verdade mais elevada. Julgo que tamb\u00e9m contribuem para aliviar ou prevenir a cronopatia em que vivem muitos adultos, a altera\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o da pessoa com o tempo, a que aludi anteriormente, e que centra o sujeito no presente, sem saber de onde vem e para onde vai. Na linguagem comum, dizemos que pessoas assim vivem uma adolesc\u00eancia eterna, o que n\u00e3o \u00e9 um bom progn\u00f3stico para o indiv\u00edduo nem para a sociedade. Erikson tamb\u00e9m nos fornece uma leitura muito interessante e s\u00f3lida a este respeito, que reservou para o F\u00f3rum, e que ser\u00e1 completada e aprofundada, sob o ponto de vista teol\u00f3gico, pela interven\u00e7\u00e3o do Dr.Juan Ambr\u00f3sio.\u00a0\u00a0 <\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a href=\"https:\/\/www.educris.com\">www.educris.com<\/a>: <\/span><\/span><strong>Qual a abordagem a ter, em contexto educativo, na forma\u00e7\u00e3o da personalidade dos adolescentes?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Cristina S\u00e1 Carvalho:<\/em> Educar: ser modelo e testemunha de uma forma adulta de habitar o mundo e desenvolver nos alunos um sentido cr\u00edtico face \u00e0s realidades com que se confrontam e que hoje, mesmo em muitas disciplinas escolares e contra o desejo dos professores, est\u00e3o reduzidas a uns sound bytes semelhantes ao discurso dos publicit\u00e1rios. Quando se cresce tem de se ser ajudado a compreender de onde se vem &#8211; a heran\u00e7a cultural &#8211; e a encarar a realidade presente de forma criativa e inventiva, numa formula\u00e7\u00e3o do futuro em que se \u00e9 capaz de combinar a leitura transformadora da ci\u00eancia com os padr\u00f5es de reflex\u00e3o da filosofia e uma \u00e9tica de respeito pela pessoa humana e as suas exig\u00eancias de vida em profundidade. O ser humano \u00e9 muito belo, muito complexo e muito fr\u00e1gil, algo que\u00a0 educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode esquecer.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.educris.com\">www.educris.com<\/a>: <strong>Esteve presente ativamente na elabora\u00e7\u00e3o das metas\u00a0 Metas Curriculares para o ensino b\u00e1sico da disciplina de EMRC. Como foi fazer parte deste trabalho e quais as grandes linhas de for\u00e7a das metas?<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Cristina S\u00e1 Carvalho:<\/em> As Metas s\u00e3o tamb\u00e9m para o Ensino Secund\u00e1rio. Tem sido um trabalho muito desafiador e muito complexo, mas que se realiza tamb\u00e9m com grande entusiasmo e grande prazer, numa equipa central muito competente e conhecedora das teorias e das pr\u00e1ticas, e rodeados de muitos contributos v\u00e1lidos e especializados. Trata-se de um esfor\u00e7o multidisciplinar que fa\u00e7a evoluir o muito de bom que se experimentou com o Programa da edi\u00e7\u00e3o de 2007, para uma reformula\u00e7\u00e3o\/releitura capaz de aprofundar o contributo do religioso para a tarefa essencial, que enfrentam os alunos, de construir uma vida com sentido, uma vida boa, elevada e transformadora. Naturalmente, esse esfor\u00e7o faz-se a partir da Boa Nova de Cristo, que chega at\u00e9 n\u00f3s atrav\u00e9s da Palavra e do Magist\u00e9rio. No F\u00f3rum teremos oportunidade de explicar melhor de onde partimos e como operacionaliz\u00e1mos estas inten\u00e7\u00f5es, ao servi\u00e7o das fam\u00edlias, dos alunos e dos seus professores, mas a grande refer\u00eancia est\u00e1 nas instru\u00e7\u00f5es pastorais da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa e do Magist\u00e9rio universal dedicado \u00e0 escola e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em semana de F\u00f3rum EMRC 2014 fomos ao encontro de Cristina S\u00e1 Carvalho, psic\u00f3loga, diretora do departamento de Catequese do 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