{"id":1371420192,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/7183-xix-domingo-do-tempo-comuma-voz-de-um-fino-silencio"},"modified":"2025-11-07T16:34:08","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:08","slug":"xix-domingo-do-tempo-comuma-voz-de-um-fino-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/xix-domingo-do-tempo-comuma-voz-de-um-fino-silencio\/","title":{"rendered":"XIX Domingo do Tempo Comum:\u00abA voz de um fino sil\u00eancio\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. A Igreja primitiva considerava a BARCA como figura da Igreja. Tertuliano (150-220) parece ter sido o primeiro a expressar esta tem\u00e1tica por escrito (<em>De Baptismo<\/em>, XII, 7). E \u00e9 f\u00e1cil perceber a liga\u00e7\u00e3o: a BARCA aparece como um dos lugares em que JESUS est\u00e1 no meio dos seus disc\u00edpulos e a s\u00f3s com eles. De facto, a BARCA demarca um espa\u00e7o privilegiado que JESUS partilha apenas com os seus disc\u00edpulos. Mais ningu\u00e9m entra nesta BARCA. No relato de Mateus, apenas por uma vez \u2013 e \u00e9 o texto que temos a gra\u00e7a de escutar neste Domingo XIX (Mateus 14,22-33; cf. Marcos 6,45-52; Jo\u00e3o 6,16-21) \u2013, os disc\u00edpulos v\u00e3o sozinhos na BARCA, sem Jesus. Mas surgem problemas, que os disc\u00edpulos, sozinhos, n\u00e3o conseguem resolver. Esta importante cena serve tamb\u00e9m para mostrar que, sem Jesus, os disc\u00edpulos n\u00e3o conseguem ter sucesso e correm perigo. A situa\u00e7\u00e3o preparada por Jesus, que faz os seus disc\u00edpulos subir sozinhos para aquela BARCA (cf. Mateus 14,22), serve para fazer ver aos seus disc\u00edpulos de todos os tempos que precisamos de viver sabendo que Ele est\u00e1 sempre presente no meio de n\u00f3s, ainda que n\u00e3o de modo vis\u00edvel e sens\u00edvel. A BARCA serve para atravessar o mar encapelado, que s\u00e3o as persegui\u00e7\u00f5es e as adversidades deste mundo. Mas apenas na companhia de JESUS. Ontem como hoje.<\/p>\n<p>2. Na costa ocidental do Mar da Galileia, nas proximidades de Magdala, foi descoberta uma BARCA de pesca do tempo de Jesus. Tinha 8 metros de comprimento por 2,5 metros de largura. J\u00e1 se v\u00ea que se trata de uma embarca\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil, presa f\u00e1cil das ondas.<\/p>\n<p>3. Os relatos de Mateus e de Marcos anotam a hora da chegada de Jesus, andando sobre o mar: quarta vig\u00edlia da noite, que o mesmo \u00e9 dizer, entre as tr\u00eas e as seis horas da manh\u00e3. \u00abAndando sobre o mar\u00bb \u00e9 claramente um indicador divino, pois Deus \u00e9 aquele \u00abcuja estrada \u00e9 no meio do mar,\/ e o seu caminho sobre as muitas \u00e1guas\u00bb (Salmo 77,20). Mas Mateus empresta a este epis\u00f3dio uma tonalidade pr\u00f3pria, pois \u00e9 o \u00fanico a inserir o di\u00e1logo de Pedro com Jesus. Tamb\u00e9m Pedro caminha sobre as \u00e1guas, a seu pedido, e seguindo a ordem de Jesus: \u00abVem!\u00bb. Entenda-se bem: Pedro caminha sobre as \u00e1guas como Jesus, mas n\u00e3o com autoridade pr\u00f3pria. O que Pedro faz, assenta na Palavra de Jesus e na F\u00e9 que o liga a Jesus. Importante li\u00e7\u00e3o: Pedro faz o mesmo que faz Jesus enquanto permanecer vinculado a Jesus pela F\u00e9. Esmorecendo a F\u00e9 em Jesus, Pedro torna-se presa f\u00e1cil de outras for\u00e7as e sucumbir\u00e1 no meio da tempestade. Pedro como n\u00f3s. Sentindo o perigo, Pedro grita: \u00abSalva-me, Senhor!\u00bb. E sente logo a m\u00e3o de Jesus que o segura. N\u00f3s como Pedro.<\/p>\n<p>4. A outra figura deste Domingo \u00e9 Elias, \u00abo fugitivo\u00bb (1 Reis 19,9-13). \u00abFugitivo\u00bb de si mesmo, de todos e de tudo. Todos o procuram para o matar, o mundo perdeu o seu encanto e o seu sentido, e at\u00e9 Deus n\u00e3o parece ser mais o mesmo. Como esta li\u00e7\u00e3o est\u00e1 cheia de atualidade\u2026<\/p>\n<p>5. E o certo \u00e9 que este Elias, que surge solto na p\u00e1gina, sem pai nem m\u00e3e, sem livro anagr\u00e1fico, apenas com Deus do seu lado (cf. 1 Reis 17,1-24), continua a ser conduzido e comandado por Deus, que o salva da morte no deserto (cf. 1 Reis 19,5-8), e que o liberta das suas pr\u00f3prias amarras, fazendo-o sair (SAI!) para fora do escuro e do medo (cf. 1 Reis 19,11), e abrindo \u00e0 sua frente um caminho novo, tenro e fr\u00e1gil, como o que espera um beb\u00e9 que sai do ventre materno. SAIR (<em>yatsa\u2019<\/em>) \u00e9 o verbo do \u00caxodo, mas \u00e9 tamb\u00e9m o verbo do nascimento! Ouve-se, nesta p\u00e1gina imensa, por duas vezes: no v. 11, no imperativo (\u00abSai!\u00bb), e no v. 13, no indicativo (\u00abElias saiu\u00bb).<\/p>\n<p>6. \u00c9 assim que o menino Elias, rec\u00e9m-nascido e rec\u00e9m-libertado, assiste no Sinai \u00e0 sequ\u00eancia teof\u00e2nica antiga: vento forte, terramoto, fogo! Tudo manifesta\u00e7\u00f5es desatualizadas de Deus. Outra vez a sequ\u00eancia 3 + 1, a fazer apostar toda a aten\u00e7\u00e3o no 4! E aqui, depois do vento, do terramoto, do fogo, Elias ouve \u00aba voz de um fino sil\u00eancio!\u00bb (1 Reis 19,12b).<\/p>\n<p>7. Entenda-se: a voz de um cortante sil\u00eancio, voz de Deus que arde e opera dentro de n\u00f3s. Colagem de figuras: \u00abA tua Palavra ardia no meu cora\u00e7\u00e3o como um fogo devorador,\/ encerrado dentro dos meus ossos\u00bb, confessa Jeremias 20,9. J\u00e1 Mois\u00e9s tinha descoberto aquela chama viva, que ardia no meio da sar\u00e7a e n\u00e3o queimava,\/ mas chamava (cf. \u00caxodo 3,2-4). Tamb\u00e9m os dois de Ema\u00fas sentiram o cora\u00e7\u00e3o a arder, devido \u00e0 Palavra e ao Sentido (Lucas 24,32). Elias encontrou essa Palavra nova na \u00abvoz de um fino sil\u00eancio\u00bb (1 Reis 19,12), escrita fina de Deus,\/ com ponta de diamante,\/ no cora\u00e7\u00e3o do homem (cf. Jeremias 17,1; 31,33). E o autor da Carta aos Hebreus compara esse \u00abfino dizer\u00bb ou \u00abescrever\u00bb a uma espada de dois gumes, um bisturi, que opera e limpa a esclerose do cora\u00e7\u00e3o (cf. Jo\u00e3o 15,3) e o zelo est\u00e9ril, que rasga o \u00e2mago do homem e lhe deixa soltas as pregas do cora\u00e7\u00e3o (cf. Hebreus 4,12; Apocalipse 1,16).<\/p>\n<p>8. Na li\u00e7\u00e3o de hoje da Carta aos Romanos, S. Paulo lembra-nos que h\u00e1 um amor maior, que o leva at\u00e9 ao ponto de desejar dar a vida pelos seus irm\u00e3os! (Romanos 9,1-5). V\u00ea-se bem que Paulo atingiu a estatura de Cristo! (Ef\u00e9sios 4,13).<\/p>\n<p>9. Sim, anda por a\u00ed um amor maior, que \u00e9 o tesouro e a pedra precios\u00edssima de Mateus 13,44-46, que tivemos a gra\u00e7a de ouvir no Domingo XVII. Anda por a\u00ed a maravilha, e n\u00f3s continuamos, desfocados pelo medo do vento ou da tempestade, ou \u00e0 procura de maravilhas, e, sem dar por isso, estamos a perder a capacidade de cantar! Cantemos ent\u00e3o, percorrendo as bel\u00edssimas avenidas do Salmo 85, que aqui redesenhamos com as palavras do poeta ingl\u00eas John Milton (1608-1674): \u00abSim, a Fidelidade e a Justi\u00e7a, ent\u00e3o,\/ retornar\u00e3o ao encontro dos homens,\/ envoltas num arco-\u00edris, e, gloriosamente vestida,\/ a Bondade sentar-se-\u00e1 no meio\u2026\/ E o c\u00e9u, como para uma festa,\/ escancarar\u00e1 as portas do seu pal\u00e1cio excelso\u00bb.<\/p>\n<p>10. Sim, as avenidas s\u00e3o por dentro! \u00c9 dentro que arde o fogo, que fala o sil\u00eancio, que corta o bisturi! Aten\u00e7\u00e3o, portanto, ao modo novo, intransitivo, de viver!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Como se pode combater este inc\u00eandio,<\/p>\n<p>Apagar esta chama que chama,<\/p>\n<p>Calar a voz deste fino sil\u00eancio,<\/p>\n<p>Fugir deste bisturi que levamos c\u00e1 dentro?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Jeremias tem outra vez raz\u00e3o:<\/p>\n<p>\u00c9 mais f\u00e1cil enfrentar um furac\u00e3o (Jeremias 23,18-20).<\/p>\n<p>Esse, sabemos de onde vem e para onde vai!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. A Igreja primitiva considerava a BARCA como figura da Igreja. 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