{"id":1377295571,"date":"2022-06-08T00:00:00","date_gmt":"2022-06-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11499-os-idosos-sao-mensageiros-do-futuro-afirma-o-papa-francisco"},"modified":"2022-06-08T00:00:00","modified_gmt":"2022-06-08T00:00:00","slug":"os-idosos-sao-mensageiros-do-futuro-afirma-o-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/os-idosos-sao-mensageiros-do-futuro-afirma-o-papa-francisco\/","title":{"rendered":"\u00abOs idosos s\u00e3o mensageiros do futuro\u00bb, afirma o Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_180426081112.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Papa comentou, esta manh\u00e3, o mito da &#8220;eterna juventude&#8221; e desafiou os crentes a olharem para &#8220;os velhinhos&#8221; como &#8220;mensageiros da ternura, mensageiros da sabedoria de uma exist\u00eancia vivida&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a reflex\u00e3o do Santo Padre<\/p>\n<p><strong>Catequese sobre a Velhice 13. Nicodemos.\u00a0&#8220;Como pode um homem nascer, sendo j\u00e1 velho?&#8221; (Jo 3,4)<\/strong><\/p>\n<p>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/p>\n<p>Entre as figuras idosas mais relevantes dos Evangelhos est\u00e1 Nicodemos \u2013 um dos chefes dos judeus \u2013 o qual querendo conhecer Jesus, mas foi secretamente ter com ele de noite (cf.<em>\u00a0Jo<\/em>\u00a03, 1-21). Na conversa de Jesus com Nicodemos, emerge o cora\u00e7\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o de Jesus e da sua miss\u00e3o redentora, quando diz: \u00abPorque Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho \u00fanico, para que todo aquele que nele cr\u00ea n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna\u00bb (v. 16).<\/p>\n<p>Jesus diz a Nicodemos que para \u201cver o reino de Deus\u201d \u00e9 preciso \u201cnascer do alto\u201d (cf. v. 3). N\u00e3o se trata de nascer de novo, de repetir a nossa vinda ao mundo, esperando que uma nova reencarna\u00e7\u00e3o reabra a nossa possibilidade de uma vida melhor. Esta repeti\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem qualquer significado. Ali\u00e1s, esvaziaria a vida que vivemos de todo o significado, apagando-a como se fosse uma experi\u00eancia falhada, um valor caducado, um descarte. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 isto, este nascer de novo do qual fala Jesus: \u00e9 outra coisa. Esta vida \u00e9 preciosa aos olhos de Deus: ela identifica-nos como criaturas ternamente amadas por Ele. O \u201cnascimento do alto\u201d, que nos permite \u201centrar\u201d no reino de Deus, \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito, uma passagem atrav\u00e9s das \u00e1guas para a terra prometida de uma cria\u00e7\u00e3o reconciliada com o amor de Deus. \u00c9 um renascimento do alto, com a gra\u00e7a de Deus. N\u00e3o \u00e9 um renascer fisicamente outra vez.<\/p>\n<p>Nicodemos interpreta mal este nascimento, e questiona a velhice como evid\u00eancia da sua impossibilidade: o ser humano envelhece inevitavelmente, o sonho da eterna juventude afasta-se definitivamente, o desgaste \u00e9 o ponde de chegada de qualquer nascimento no tempo. Como se pode imaginar um destino que tem a forma de nascimento? Nicodemos pensa assim e n\u00e3o encontra o modo de compreender as palavras de Jesus. O que \u00e9 este renascimento?<\/p>\n<p>A obje\u00e7\u00e3o de Nicodemos \u00e9 muito instrutiva para n\u00f3s. Com efeito, podemos inverter, \u00e0 luz da palavra de Jesus, a descoberta de uma miss\u00e3o pr\u00f3pria da velhice. De facto, ser idoso n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 obst\u00e1culo ao nascimento do alto do qual Jesus fala, mas torna-se o momento oportuno para o iluminar, libertando-o do equ\u00edvoco de uma esperan\u00e7a perdida. A nossa \u00e9poca e a nossa cultura, que mostram uma tend\u00eancia preocupante para considerar o nascimento de um filho como uma simples quest\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do ser humano, cultivam ent\u00e3o o mito da juventude eterna como a obsess\u00e3o &#8211; desesperada \u2013 de uma carne incorrupt\u00edvel. Por que \u00e9 a velhice &#8211; de muitos modos &#8211; desprezada? Porque traz a prova irrefut\u00e1vel do abandono deste mito, que nos faria regressar ao ventre da m\u00e3e, para sermos eternamente jovens no corpo.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica deixa-se atrair por este mito de todos os modos: \u00e0 espera de derrotar a morte, podemos manter o corpo vivo com medicamentos e cosm\u00e9ticos, que abrandam, escondem, removem a velhice. \u00c9 claro que o bem-estar \u00e9 uma coisa, a alimenta\u00e7\u00e3o do mito \u00e9 outra. N\u00e3o se pode negar, contudo, que a confus\u00e3o entre os dois aspetos nos est\u00e1 a causar confus\u00e3o mental. Confundir o bem-estar com a alimenta\u00e7\u00e3o do mito da juventude eterna. Faz-se tanto para recuperar esta juventude: muitas maquiagens, tantas cirurgias para parecer jovem. V\u00eam-me \u00e0 mente as palavras de uma s\u00e1bia atriz italiana, Anna Magnani, quando lhe disseram que deveriam tirar-lhe as rugas, e ela respondeu: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o as toqueis! Foram necess\u00e1rios tantos anos para as ter: n\u00e3o as toqueis\u201d. \u00c9 isto: as rugas s\u00e3o um s\u00edmbolo da experi\u00eancia, um s\u00edmbolo da vida, um s\u00edmbolo da maturidade, um s\u00edmbolo de ter percorrido um caminho. N\u00e3o as toqueis para vos tornardes jovens, mas jovens de rosto: o que importa \u00e9 toda a personalidade, o que interessa \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o, e o cora\u00e7\u00e3o permanece com aquela juventude do vinho bom, que quanto mais envelhece, melhor \u00e9.<\/p>\n<p>A vida em carne mortal \u00e9 uma lind\u00edssima obra \u201cincompleta\u201d: como certas obras de arte que precisamente na sua incompletude t\u00eam um encanto \u00fanico. Porque a vida aqui em baixo \u00e9 \u201cinicia\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o conclus\u00e3o: viemos ao mundo assim mesmo, como pessoas reais, como pessoas que progridem na idade, mas s\u00e3o reais para sempre. Mas a vida na carne mortal \u00e9 um espa\u00e7o e um tempo demasiado pequeno para se manter intacta e levar \u00e0 conclus\u00e3o a parte mais preciosa da nossa exist\u00eancia no tempo do mundo. A f\u00e9, que acolhe o an\u00fancio evang\u00e9lico do Reino de Deus ao qual estamos destinados, tem um extraordin\u00e1rio primeiro efeito, diz Jesus. Permite-nos \u201cver\u201d o reino de Deus. Tornamo-nos verdadeiramente capazes de ver os muitos sinais de aproxima\u00e7\u00e3o da nossa esperan\u00e7a de cumprimento por aquilo que, na nossa vida, traz a marca do destino para a eternidade de Deus.<\/p>\n<p>Os sinais s\u00e3o os do amor evang\u00e9lico, em muitos aspetos iluminados por Jesus. E se pudermos \u201cv\u00ea-los\u201d, podemos tamb\u00e9m \u201centrar\u201d no reino, com a passagem do Esp\u00edrito atrav\u00e9s da \u00e1gua que regenera.<\/p>\n<p>A velhice \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o, concedida a muitos de n\u00f3s, na qual o milagre deste nascimento do alto pode ser intimamente assimilado e tornado cred\u00edvel para a comunidade humana: n\u00e3o comunica nostalgia do nascimento no tempo, mas amor pelo destino final. Nesta perspetiva, a velhice tem uma beleza \u00fanica: caminhamos rumo ao Eterno. Ningu\u00e9m pode voltar a entrar no ventre da m\u00e3e, nem sequer no seu substituto tecnol\u00f3gico e consumista. Isto n\u00e3o d\u00e1 sabedoria, n\u00e3o d\u00e1 caminho percorrido, isto \u00e9 artificial. Seria triste, mesmo que fosse poss\u00edvel. O velho caminha para a frente, o idoso caminha em dire\u00e7\u00e3o ao destino, rumo ao c\u00e9u de Deus, o idoso caminha com a sua sabedoria vivida durante a exist\u00eancia. A velhice, por conseguinte, \u00e9 um tempo especial para dissolver o futuro da ilus\u00e3o tecnocr\u00e1tica de uma sobreviv\u00eancia biol\u00f3gica e rob\u00f3tica, mas sobretudo porque se abre \u00e0 ternura do \u00fatero criador e gerador de Deus. Aqui, gostaria de sublinhar esta palavra: a ternura dos idosos. Observai como um av\u00f4 ou av\u00f3 olha para os netos, como acaricia os netos: aquela ternura, livre de todas as provas humanas, que superou as prova\u00e7\u00f5es humanas e capaz de oferecer gratuitamente o amor, a proximidade amorosa de uns aos outros. Esta ternura abre a porta para compreender a ternura de Deus. N\u00e3o nos esque\u00e7amos que o Esp\u00edrito de Deus \u00e9 proximidade, compaix\u00e3o e ternura. Deus \u00e9 assim, sabe acariciar. E a velhice ajuda-nos a compreender esta dimens\u00e3o de Deus que \u00e9 ternura. A velhice \u00e9 o tempo especial para dissolver o futuro da ilus\u00e3o tecnocr\u00e1tica, \u00e9 o tempo da ternura de Deus que cria, cria um caminho para todos n\u00f3s. Que o Esp\u00edrito nos conceda a reabertura desta miss\u00e3o espiritual &#8211; e cultural &#8211; da velhice, que nos reconcilia com o nascimento do alto. \u00a0Quando pensamos na velhice desta maneira, dizemos depois: por que ent\u00e3o a cultura do descarte decide p\u00f4r de lado os idosos, considerando-os n\u00e3o \u00fateis? Os idosos s\u00e3o mensageiros do futuro, os velhinhos s\u00e3o mensageiros da ternura, s\u00e3o mensageiros da sabedoria de uma exist\u00eancia vivida. Vamos em frente e olhemos para os idosos.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/audiences\/2022\/documents\/20220608-udienza-generale.html\" target=\"_blank\"> italiano<\/a><\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p>\n<p>Educris|08.06.2022<\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa comentou, esta manh\u00e3, o mito da &#8220;eterna juventude&#8221; e desafiou os crentes a olharem para &#8220;os velhinhos&#8221; como &#8220;mensageiros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1508656949,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-1377295571","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1377295571","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1377295571"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1377295571\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1508656949"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1377295571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1377295571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1377295571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}