{"id":1381812151,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/8656-domingo-iii-da-pascoa-pedro-o-lume-novo-a-refeicao-nova-o-amor-maior"},"modified":"2025-11-07T16:33:28","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:28","slug":"domingo-iii-da-pascoa-pedro-o-lume-novo-a-refeicao-nova-o-amor-maior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iii-da-pascoa-pedro-o-lume-novo-a-refeicao-nova-o-amor-maior\/","title":{"rendered":"Domingo III da P\u00e1scoa: \u00abPedro, o lume novo, a refei\u00e7\u00e3o nova, o amor maior\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. \u00c9-nos dada hoje a gra\u00e7a de ouvir a riqu\u00edssima p\u00e1gina do Evangelho de Jo\u00e3o 21,1-19. A oposi\u00e7\u00e3o luz \u2013 trevas atravessa de l\u00e9s a l\u00e9s o inteiro texto do IV Evangelho. A Luz verdadeira que vem a este mundo para iluminar todos os homens \u00e9 Jesus (Jo\u00e3o 1,9). Sem esta Luz que \u00e9 Jesus, andamos \u00e0s escuras, na noite, na dor, no fracasso, na incompreens\u00e3o. \u00c9 assim, narrativamente \u2013 e, portanto, exemplarmente, para n\u00f3s, leitores \u2013, com Nicodemos, que anda de noite (Jo\u00e3o 3,2), com Judas, o homem da noite que tudo faz anoitecer \u00e0 sua volta (Jo\u00e3o 13,30; 18,3), com os sete disc\u00edpulos da cena de hoje que trabalharam toda a noite, sem sucesso (Jo\u00e3o 21,3).<\/p>\n<p>2. A\u00ed est\u00e1, ent\u00e3o, o Evangelho de hoje a acontecer. Jesus aparece de madrugada na praia, no limiar do dia e da alegria, aqui perto, a cem metros de n\u00f3s. Com os olhos embotados pela doen\u00e7a do escuro \u2013 h\u00e1 tanto tempo temos as portas fechadas \u2013, n\u00e3o O reconhecemos \u00e0 primeira. Mas ouvimos a Sua voz carregada de amor e de verdade, que nos desvenda (\u00abFilhinhos [<em>paid\u00eda<\/em>], n\u00e3o tendes nada para comer, pois n\u00e3o?\u00bb) (Jo\u00e3o 21,5) e nos aponta rumos verdadeiros: \u00abLan\u00e7ai a rede para a direita da barca, e encontrareis\u00bb (Jo\u00e3o 21,6). Extraordin\u00e1ria esta locu\u00e7\u00e3o: \u00abFilhinhos!\u00bb. Tinha-os tratado assim na hora da separa\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 13,33), em que encontramos a mesma locu\u00e7\u00e3o de afeto e carinhosa depend\u00eancia \u00abFilhinhos\u00bb, expressa com\u00a0<em>tekn\u00eda<\/em>. Sim, afeto e carinhosa depend\u00eancia. A experi\u00eancia vai fazendo ver aos Disc\u00edpulos que devem o seu sucesso, n\u00e3o ao seu pr\u00f3prio esfor\u00e7o, mas \u00e0 Palavra de Jesus. Tantas vezes partiram para a pesca, e nada apanharam. Mas \u00e0 Palavra de Jesus, eis que as redes se enchem. Ei-lo agora sobre a praia. Bem o vemos, mas n\u00e3o o reconhecemos \u00e0 primeira. \u00c9 preciso ver e ler os Sinais. \u00ab\u00c9 o Senhor\u00bb, diz para Pedro o disc\u00edpulo, aquele que Jesus amava (Jo\u00e3o 21,7). E Pedro correu na dire\u00e7\u00e3o de Jesus. Os outros seis vieram depois tamb\u00e9m, arrastando a barca carregada de peixes.<\/p>\n<p>3. E sobre a praia j\u00e1 se encontra aceso o lume novo e a refei\u00e7\u00e3o nova, cuidadosamente preparada por Jesus (Jo\u00e3o 21,9). Agora Pedro est\u00e1 no lugar certo,\u00a0<em>com Jesus<\/em>, e aquece-se no lume vivo, que \u00e9 Jesus. Belo e exemplar contraponto: pouco antes, narrativamente falando, Pedro estava\u00a0<em>com os guardas<\/em>, que andavam na noite, e aquecia-se a outro lume, aceso na noite, pelos guardas (Jo\u00e3o 18,18). Tinha rompido a sua intimidade com Jesus. Mas agora arrasta a rede cheia com 153 grandes peixes. E o narrador refere, chamando a nossa aten\u00e7\u00e3o, que, embora fossem muitos, a rede n\u00e3o se rompeu (Jo\u00e3o 21,11). \u00abRomper\u00bb traduz o verbo grego\u00a0<em>sch\u00edz\u00f4<\/em>, donde vem etimologicamente \u00abcisma\u00bb, divis\u00e3o. \u00c9, portanto, de comunh\u00e3o e de unidade que se trata, e n\u00e3o de \u00abcismas\u00bb, dissens\u00f5es, divis\u00f5es. O n\u00famero 153 ajuda a ler esta \u00abcomunh\u00e3o\u00bb, se quisermos ver nesse n\u00famero a gematria, ou tradu\u00e7\u00e3o em n\u00fameros, da locu\u00e7\u00e3o hebraica\u00a0<em>qahal ha\u2019<sup>a<\/sup>habah<\/em>\u00a0[= \u00abcomunidade do amor\u00bb], excelente maneira de dizer a realidade nova e bela da Igreja.<\/p>\n<p>4. E \u00e9 sobre o amor o di\u00e1logo que se segue entre Jesus e Pedro: \u00abPedro, amas-me (verbo\u00a0<em>agap\u00e1\u00f4<\/em>) mais\u2026?\u00bb, pergunta Jesus por tr\u00eas vezes. E por tr\u00eas vezes Pedro responde que sim, que \u00e9 seu amigo (verbo\u00a0<em>phil\u00e9\u00f4<\/em>) ouvindo de Jesus, tamb\u00e9m por tr\u00eas vezes a nova miss\u00e3o de \u00abPastor\u00bb que lhe \u00e9 confiada: \u00abApascenta as\u00a0<em>minhas<\/em>\u00a0ovelhas\u00bb (Jo\u00e3o 21,15-17). O verbo com que Jesus interroga Pedro acerca do amor \u00e9, nas duas primeiras vezes,\u00a0<em>agap\u00e1\u00f4<\/em>, amor puro e gratuito, sem fronteiras, que n\u00e3o cabe em nenhum grupo de amigos. Mas o verbo com que Pedro responde a Jesus \u00e9\u00a0<em>phil\u00e9\u00f4<\/em>, que qualifica a amizade que \u00e9 apan\u00e1gio de um grupo de amigos. Na sua admir\u00e1vel condescend\u00eancia, quando pergunta pela terceira vez, Jesus desce ao n\u00edvel de Pedro, usando o verbo phil\u00e9\u00f4, para que Pedro acerte com a resposta. Sim, Jesus desce ao n\u00edvel de Pedro, n\u00e3o para ficar a\u00ed, no patamar de Pedro, mas para elevar Pedro a um novo patamar de amor. Entenda-se bem que as ovelhas nunca deixam de ser perten\u00e7a de Jesus Ressuscitado. E a afirma\u00e7\u00e3o por tr\u00eas vezes do amor de Pedro a Jesus recomp\u00f5e a intimidade rompida por Pedro com aquelas tr\u00eas nega\u00e7\u00f5es um pouco antes narradas (Jo\u00e3o 18,17-27). Note-se ainda que o \u00faltimo col\u00f3quio havido entre Pedro e Jesus tinha tido lugar, significativamente, na hora da separa\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 13,36-38), em que Pedro jura dar a vida por Jesus, se necess\u00e1rio for, e Jesus responde a Pedro que sim, que o h\u00e1 de seguir mais tarde, mas que, entretanto, ainda o ir\u00e1 negar por tr\u00eas vezes. Na verdade, o dizer de Jesus para Pedro : \u00abSeguir-me-\u00e1s mais tarde\u00bb (Jo\u00e3o 13,36) cumpre-se agora em Jo\u00e3o 21,18, quando Jesus se refere \u00e0 juventude de Pedro, em que ele andava por onde queria, contrapondo-a \u00e0 sua velhice, em que outro o conduzir\u00e1 para onde ele n\u00e3o quer. O narrador informa o leitor de que Jesus disse o que disse para indicar com que esp\u00e9cie de morte Pedro daria gl\u00f3ria a Deus. E Jesus acrescentou logo: \u00abSegue-me!\u00bb, deixando Pedro no seu pr\u00f3prio caminho, que conduz \u00e0 Cruz (Jo\u00e3o 21,19 e 22).<\/p>\n<p>5. Senhor, ensina a tua Igreja de hoje outra vez a ver e a ler os Sinais da Tua presen\u00e7a na madrugada e na praia, novo limiar de luz e de esperan\u00e7a que orienta a nossa vida toda para Ti, refer\u00eancia fundamental do amor e da comunh\u00e3o que deve unir como uma rede a Tua Igreja. Precede-nos e preside-nos sempre. N\u00e3o nos deixes perdidos no nevoeiro e na confus\u00e3o, na noite e no frio, a orientar-nos por outro farol, a aquecer-nos a outro lume. Faz que reconhe\u00e7amos sempre a Tua voz de \u00danico Verdadeiro Pastor, e ampara os pastores que incumbiste de apascentar as tuas ovelhas.<\/p>\n<p>6. A li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (5,27-32.40-41) mostra-nos os Ap\u00f3stolos como testemunhas do Ressuscitado. Cheios do Esp\u00edrito Santo, intr\u00e9pidos, sem medo, e com alegria grande, enchem Jerusal\u00e9m com o nome de Jesus. Extraordin\u00e1ria provoca\u00e7\u00e3o para n\u00f3s, que temos tanta cidade e tantos cora\u00e7\u00f5es \u00e0 nossa espera.<\/p>\n<p>7. Jesus \u00e9 a testemunha fiel (Apocalipse 1,5), porque diz o que ouviu dizer ao Pai (Jo\u00e3o 7,16-17; 8,26.38.40; 14,24; 17,8) e faz o que viu fazer ao Pai (Jo\u00e3o 5,19; 17,4). Por isso, todas as criaturas o aclamam, como refere a li\u00e7\u00e3o de hoje do Livro do Apocalipse (5,11-14).<\/p>\n<p>8. O Salmo 30 \u00e9 uma bela e sentida A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as a um Deus que liberta o orante da tristeza, da doen\u00e7a, do luto e da morte, e o faz exultar de alegria, sa\u00fade, vida, dan\u00e7a e m\u00fasica de festa. O Deus aqui louvado \u00e9 um Deus que muda as nossas situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e, por vezes, aparentemente sem sa\u00edda, em amplas avenidas floridas. \u00c9 por isso que, como diz o pr\u00f3prio t\u00edtulo \u00abC\u00e2ntico para a Dedica\u00e7\u00e3o do Templo\u00bb, este Salmo anda ligado \u00e0 Festa da\u00a0<em>Han\u00fbkkah<\/em>\u00a0ou da Dedica\u00e7\u00e3o do Templo, quando Judas Macabeu entrou no Templo de Jerusal\u00e9m em 164 a.C. e o fez purificar depois de um per\u00edodo de ocupa\u00e7\u00e3o pelos sel\u00eaucidas.<\/p>\n<p>9. Passa tamb\u00e9m neste Domingo III da P\u00e1scoa o Dia da M\u00e3e. Sobre esta terra dorida, anestesiada e indiferente, uma M\u00e3e verdadeira ainda \u00e9 o \u00edcone mais belo deste amor imenso e sem pauta nem medida, que n\u00e3o \u00e9 meu, nem \u00e9 teu, nem \u00e9 nosso. \u00c9 de Deus. N\u00f3s sabemos isso. Mas uma M\u00e3e sabe isso melhor. \u00c9 por isso que \u00e9 f\u00e1cil, neste Dia da M\u00e3e, ver cair pelo rosto de cada M\u00e3e uma l\u00e1grima de tristeza ou de alegria! Melhor assim, Mulher e M\u00e3e: sentir\u00e1s a m\u00e3o carinhosa de Deus a afagar o teu rosto e a enxugar essa l\u00e1grima, de acordo com a li\u00e7\u00e3o da Leitura do Livro do Apocalipse 21,4.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 claro que Pedro era amigo de Jesus,<\/p>\n<p>E sabia bem que tamb\u00e9m Jesus era amigo dele.<\/p>\n<p>Por isso, vincando a sua amizade por Jesus,<\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o daquela Ceia cheia de intimidade e de trai\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>Pedro declara que a sua amizade por Jesus \u00e9 sem engano,<\/p>\n<p>De tal modo que afirma estar disposto a dar a sua vida por Jesus.<\/p>\n<p>E, para mostrar que \u00e9 assim,<\/p>\n<p>Ei-lo logo a seguir a puxar da espada no jardim.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mas, pouco depois, naquele \u00e1trio alumiado pela lua-cheia,<\/p>\n<p>E aquecido pelo lume dos guardas,<\/p>\n<p>Pedro nega ter andado com Jesus,<\/p>\n<p>Nega ter alguma coisa a ver com Jesus,<\/p>\n<p>Nega mesmo conhecer Jesus.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>E, de facto, bem vistas as coisas, parece que Pedro n\u00e3o conhecia bem Jesus.<\/p>\n<p>Pedro estava disposto a dar a vida por Jesus, pois era seu amigo,<\/p>\n<p>E pensava que tamb\u00e9m Jesus podia dar a sua vida por ele, pois era seu amigo.<\/p>\n<p>Mas Pedro entrou em crise quando come\u00e7ou a perceber<\/p>\n<p>Que, afinal, habitava Jesus um amor novo, sem medida e sem fronteiras,<\/p>\n<p>Que o levava a querer dar a sua vida por todos,<\/p>\n<p>Inclusive pelos inimigos,<\/p>\n<p>Por aqueles que o iam matar,<\/p>\n<p>E o mataram.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 ainda, sobre aquela praia do mar da Galileia,<\/p>\n<p>Um \u00faltimo confronto entre Jesus e Pedro,<\/p>\n<p>Entre o amor novo de Jesus que abra\u00e7a a todos,<\/p>\n<p>E a amizade de Pedro circunscrita ao seu grupo de amigos.<\/p>\n<p>A\u00ed, Jesus interrogar\u00e1 Pedro sobre o amor novo,<\/p>\n<p>E Pedro responder\u00e1 que sim,<\/p>\n<p>Que \u00e9 amigo de Jesus.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na verdade, Pedro continua a ler a sua vida e o seu relacionamento com Jesus,<\/p>\n<p>Dentro das fronteiras da amizade que une um grupo de amigos.<\/p>\n<p>Falta ainda a Pedro entender a li\u00e7\u00e3o do amor novo de Jesus,<\/p>\n<p>Que ama a todos,<\/p>\n<p>Que \u00e9 para todos,<\/p>\n<p>E rebenta assim as fronteiras fechadas de qualquer grupo de amigos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Quando o entender,<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Pedro saltar\u00e1 as fronteiras da amizade confinada a um grupo de amigos,<\/p>\n<p>E saber\u00e1 amar tamb\u00e9m os inimigos,<\/p>\n<p>Aqueles que o querem matar,<\/p>\n<p>E o mataram.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Sim, Jesus \u00e9 aquele que d\u00e1 a sua vida por amor, para sempre e para todos,<\/p>\n<p>E \u00e9 o \u00fanico Mestre que ensina a viver desta maneira.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ensina-nos, Senhor,<\/p>\n<p>A amar como Tu,<\/p>\n<p>A viver como Tu,<\/p>\n<p>A dar a vida como Tu.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. \u00c9-nos dada hoje a gra\u00e7a de ouvir a riqu\u00edssima p\u00e1gina do Evangelho de Jo\u00e3o 21,1-19. 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