{"id":1383352507,"date":"2023-04-29T00:00:00","date_gmt":"2023-04-29T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/12157-hungria-francisco-desafia-jovens-a-apostar-alto-e-a-nao-virtualizar-a-vida"},"modified":"2023-04-29T00:00:00","modified_gmt":"2023-04-29T00:00:00","slug":"hungria-francisco-desafia-jovens-a-apostar-alto-e-a-nao-virtualizar-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/hungria-francisco-desafia-jovens-a-apostar-alto-e-a-nao-virtualizar-a-vida\/","title":{"rendered":"Hungria: Francisco desafia jovens a \u00abapostar alto\u00bb e a n\u00e3o \u00abvirtualizar\u00bb a vida"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/vatican_media_hungria_estadio_230430054234.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>No encontro com os jovens, no est\u00e1dio de Budapeste, Francisco deixou o desafio de uma vida que &#8220;aposte alto&#8221; nos talentos recebidos, e longe do &#8220;virtual&#8221; n\u00e3o concreto. Com novo convite \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nas Jornadas Mundiais que decorrem em Lisboa, Francisco destacou a import\u00e2ncia dos &#8220;momentos de sil\u00eancio&#8221; e do trabalho em &#8220;equipa&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, o discurso do Santo Padre<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, quero dizer-vos\u00a0<em>k\u00f6sz\u00f6n\u00f6m<\/em>\u00a0[obrigado]! Obrigado pela dan\u00e7a, obrigado pelos c\u00e2nticos, os vossos testemunhos corajosos, e obrigado a cada um por estar aqui: estou feliz por estar convosco! Obrigado.<\/p>\n<p>O bispo D. Ferenc Cserh\u00e1ti disse-nos que a juventude \u00e9 tempo de grandes perguntas e grandes respostas. \u00c9 verdade! Importante \u00e9 haver algu\u00e9m que provoque e ou\u00e7a as vossas perguntas e n\u00e3o vos d\u00ea respostas f\u00e1ceis, respostas pr\u00e9-fabricadas, mas vos ajude a enfrentar sem medo a aventura da vida \u00e0 procura de respostas grandes. As respostas pr\u00e9-fabricadas n\u00e3o ajudam, n\u00e3o vos fazem felizes. Era assim que fazia Jesus. Bertalan, disseste que Jesus n\u00e3o \u00e9 personagem dum livro de f\u00e1bulas nem super-her\u00f3i duma banda desenhada, mas uma pessoa verdadeira: Cristo \u00e9 Deus em carne e osso, \u00e9 o Deus vivo que Se faz pr\u00f3ximo a n\u00f3s; \u00e9 o Amigo, o melhor dos amigos; \u00e9 o Irm\u00e3o, o melhor dos irm\u00e3os, e \u00e9 muito h\u00e1bil a colocar perguntas. Com efeito, no Evangelho, Ele, que \u00e9 o Mestre, antes de dar respostas, faz perguntas. Recordemos a atitude d\u2019Ele quando tem diante de Si aquela mulher ad\u00faltera contra quem todos apontavam o dedo acusador. Jesus interv\u00e9m; os que a acusavam, v\u00e3o-se embora e fica ela sozinha. Ent\u00e3o, com delicadeza, \u00abperguntou-lhe: \u201cMulher, onde est\u00e3o eles? Ningu\u00e9m te condenou?\u201d Ela respondeu: \u201cNingu\u00e9m, Senhor!\u201d\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a08, 10-11). E assim, ao diz\u00ea-lo, compreende que Deus n\u00e3o quer condenar, mas perdoar. Fixai bem isto na cabe\u00e7a! Deus n\u00e3o quer condenar, mas perdoar.\u00a0<em>Deus perdoa sempre<\/em>. Como se diz \u00abDeus perdoa sempre\u00bb em h\u00fangaro? [<em>o tradutor di-lo em h\u00fangaro, e o Papa pede aos jovens para repetirem<\/em>] N\u00e3o vos esque\u00e7ais! Ele est\u00e1 pronto a reerguer-nos de cada uma das nossas quedas! Por isso, com Ele, nunca devemos ter medo de caminhar e avan\u00e7ar na vida. Pensemos tamb\u00e9m em Maria Madalena, que, na manh\u00e3 de P\u00e1scoa, foi a primeira a ver Jesus ressuscitado. Tivera um passado pouco recomend\u00e1vel, mas foi a primeira a v\u00ea-Lo. Banhada em l\u00e1grimas estava junto do t\u00famulo vazio, e Jesus pergunta-lhe: \u00abMulher, porque choras? Quem procuras?\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a020, 15). E assim, tocada profundamente, Maria de Magdala abre o cora\u00e7\u00e3o, conta-Lhe as suas ang\u00fastias, revela os seus anseios e o seu amor. \u00abOnde puseram o Senhor?\u00bb<\/p>\n<p>E vejamos o primeiro encontro de Jesus com aqueles que haviam de se tornar seus disc\u00edpulos. Encaminhados por Jo\u00e3o Batista, dois deles v\u00e3o atr\u00e1s de Jesus. O Senhor volta-Se e faz-lhes uma \u00fanica pergunta: \u00abQue pretendeis?\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a01, 38). Tamb\u00e9m eu vos fa\u00e7o uma pergunta, e cada um responde no cora\u00e7\u00e3o, em sil\u00eancio. A minha pergunta \u00e9: \u00abQue pretendeis? Que procurais na vida? Que procurais em vosso cora\u00e7\u00e3o?\u00bb Em sil\u00eancio, cada um responde dentro de si. Que procuro eu? Jesus n\u00e3o Se perde em serm\u00f5es, mas caminha, percorre a estrada juntamente com cada um de n\u00f3s. N\u00e3o quer que os seus disc\u00edpulos sejam alunos que repetem uma li\u00e7\u00e3o, mas que sejam jovens livres e caminhem, companheiros de estrada dum Deus que escuta, que escuta as suas necessidades e est\u00e1 atento aos seus sonhos. Bastante tempo depois daquele primeiro encontro, sucedeu a dois jovens disc\u00edpulos uma escorregadela infeliz (escorregadelas, os disc\u00edpulos tiveram tantas!), fazendo a Jesus um pedido errado: pedem para ficar \u00e0 sua direita e \u00e0 sua esquerda, quando Ele se tornar Rei. Queriam trepar! Mas \u00e9 interessante ver que Jesus n\u00e3o os repreende pelo atrevimento; n\u00e3o lhes diz: \u00abComo ousais pedir isso? Parai de sonhar com essas coisas!\u00bb Jesus n\u00e3o derruba os seus sonhos, mas corrige-os quanto ao modo de os realizar; aceita o seu desejo de chegar ao cimo (isso \u00e9 bom), mas insiste numa coisa, que devem ter bem em mente: uma pessoa n\u00e3o se torna grande passando por cima dos outros, mas abaixando-se para os outros; n\u00e3o \u00e0 custa dos outros, mas servindo os outros (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a010, 35-45)<em>\u00a0<\/em>[<em>pede ao tradutor para repetir a \u00faltima frase, em h\u00fangaro<\/em>]. Vede, amigos! Jesus fica feliz, se alcan\u00e7armos metas altas. N\u00e3o nos quer pregui\u00e7osos e inativos, n\u00e3o nos quer calados e t\u00edmidos; quer-nos vivos, ativos, protagonistas, protagonistas da hist\u00f3ria. E nunca desvaloriza as nossas expetativas; mas, ao contr\u00e1rio, eleva o n\u00edvel dos nossos anseios. Jesus estaria de acordo com um prov\u00e9rbio vosso (espero pronunci\u00e1-lo bem!):\u00a0<em>Aki mer az nyer<\/em>\u00a0[quem ousa, vence].<\/p>\n<p>Entretanto poder\u00edeis perguntar-me: como se faz para ser vencedor na vida? H\u00e1 duas coisas fundamentais, como no desporto: primeira, apostar alto; segunda, treinar-se.\u00a0<em>Apostar alto<\/em>. Diz-me: possuis um talento? De certeza que o tens; todos temos! N\u00e3o o ponhas de lado, pensando que, para ser feliz, basta o m\u00ednimo indispens\u00e1vel: um diploma, um emprego para ganhar dinheiro, divertir-se um pouco&#8230; N\u00e3o basta! P\u00f5e em campo aquilo que tens. Possuis uma qualidade boa? Investe nela, continua sem medo. Sentes no cora\u00e7\u00e3o que possuis uma capacidade que pode ser ben\u00e9fica para tanta gente? Sentes que \u00e9 belo amar o Senhor, criar uma fam\u00edlia numerosa, ajudar os necessitados? Continua! N\u00e3o penses que s\u00e3o desejos irrealiz\u00e1veis, mas investe sobre os grandes objetivos da vida! Esta \u00e9 primeira coisa: apostar alto. E a segunda,\u00a0<em>treinar-se<\/em>. Como? Em di\u00e1logo com Jesus, que \u00e9 o melhor treinador poss\u00edvel: Ele ouve-te, motiva-te, acredita em ti\u2026 Sabes? Jesus acredita em ti, sabe como tirar o melhor de ti. E sempre nos convida a fazer equipa: nunca sozinhos, mas com os outros: isto \u00e9 muito importante! Se queres amadurecer e crescer na vida, continua a fazer equipe na comunidade, vivendo experi\u00eancias comuns. Penso, por exemplo, nas Jornadas Mundiais da Juventude, e aproveito a ocasi\u00e3o para vos convidar para a pr\u00f3xima, que ser\u00e1 em Portugal, na cidade de Lisboa, nos primeiros dias de agosto. Hoje, por\u00e9m, a grande tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 contentar-se com um telem\u00f3vel e qualquer amigo. N\u00e3o \u00e9 grande coisa, por favor! Embora seja isto o que muitos fazem e ainda que seja tamb\u00e9m o que te apetece fazer, todavia isso n\u00e3o te far\u00e1 feliz. Tu n\u00e3o podes fechar-te num grupinho de amigos e dialogar apenas atrav\u00e9s do telem\u00f3vel: trata-se duma coisa \u2013 desculpai a palavra \u2013 um pouco est\u00fapida.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda um elemento importante no treino que se deve cuidar, um elemento que tu, Krisztina, nos lembraste ao dizer que hoje, no meio de corridas sem conta, tanto frenesim e velocidade, h\u00e1 uma coisa essencial que falta aos jovens, e tamb\u00e9m aos adultos. Eis as tuas palavras: \u00abN\u00e3o reservamos tempo para o sil\u00eancio no meio do barulho, porque temos medo da solid\u00e3o e, depois, acabamos os nossos dias, esgotados\u00bb. Disseste-lo tu, Krisztina: obrigado. Deixai que vos diga: nisto, n\u00e3o tenhais medo de ir contracorrente, encontrando diariamente um tempo de sil\u00eancio a fim de parar e rezar. Hoje tudo vos diz que \u00e9 preciso ser r\u00e1pido, eficiente, praticamente perfeito, como m\u00e1quinas. Mas, amigos, n\u00f3s n\u00e3o somos m\u00e1quinas! E depois damo-nos conta de que muitas vezes ficamos sem gasolina e n\u00e3o sabemos o que fazer. \u00c9 bom saber parar para abastecer, para recarregar as baterias. Mas \u2013 aten\u00e7\u00e3o! \u2013 n\u00e3o \u00e9 para mergulhar nas pr\u00f3prias melancolias ou ruminar tristezas, n\u00e3o \u00e9 para pensar em quem me fez isto ou aquilo, elaborando teorias sobre o modo como se comportam os outros; isso n\u00e3o te faz feliz! Aquilo \u00e9 um veneno, n\u00e3o se faz!<\/p>\n<p>O sil\u00eancio \u00e9 o terreno onde se pode cultivar rela\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas, porque nos permite confiar a Jesus aquilo que vivemos, apresentar-Lhe rostos e nomes, entregar-Lhe as preocupa\u00e7\u00f5es, lembrar os nossos amigos e rezar por eles. O sil\u00eancio d\u00e1-nos a possibilidade de ler uma p\u00e1gina do Evangelho que fala \u00e0 nossa vida, de adorar a Deus reencontrando assim a paz no cora\u00e7\u00e3o. O sil\u00eancio permite-nos pegar num livro que n\u00e3o somos obrigados a ler, mas que nos ajuda a conhecer o esp\u00edrito humano, permite-nos observar a natureza para n\u00e3o viver apenas em contacto com coisas feitas pelos homens mas descobrir tamb\u00e9m a beleza que nos rodeia. Contudo o sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 para ficar preso ao telem\u00f3vel e \u00e0s redes sociais. Isso n\u00e3o, por favor! A vida \u00e9 real, n\u00e3o virtual; n\u00e3o acontece num visor, a vida acontece no mundo! Por favor, n\u00e3o tornemos a vida virtual. Repito: n\u00e3o tornemos a vida virtual, porque \u00e9 concreta. Compreendestes?<\/p>\n<p>Assim o sil\u00eancio \u00e9 a porta da ora\u00e7\u00e3o, e a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a porta do amor. D\u00f3ra, quero agradecer-te por teres falado da f\u00e9 como duma hist\u00f3ria de amor (isto \u00e9 lindo; \u00e9 a tua experi\u00eancia) onde dia a dia enfrentas as dificuldades da adolesc\u00eancia, mas sabendo que est\u00e1 contigo Algu\u00e9m, Algu\u00e9m para ti, e que esse Algu\u00e9m \u2013 Jesus \u2013 n\u00e3o tem medo de superar contigo todo e qualquer obst\u00e1culo que encontres. A ora\u00e7\u00e3o ajuda a faz\u00ea-lo, porque \u00e9 di\u00e1logo com Jesus, tal como a Missa \u00e9 encontro com Ele, e a Confiss\u00e3o \u00e9 o abra\u00e7o que se recebe d\u2019Ele. Vem-me \u00e0 mente o vosso grande m\u00fasico Ferenc Liszt. Durante uma limpeza do seu piano, foram encontradas algumas contas do ter\u00e7o que, talvez por ter rebentado, ca\u00edram l\u00e1 dentro. \u00c9 um ind\u00edcio que nos faz pensar como ele, antes duma composi\u00e7\u00e3o ou dum concerto, e talvez mesmo depois dum momento de divers\u00e3o no piano, tivesse o h\u00e1bito de rezar: falava ao Senhor, falava a Nossa Senhora daquilo que amava e colocava a sua arte e os seus talentos na ora\u00e7\u00e3o. Rezar n\u00e3o \u00e9 chato! Somos n\u00f3s que o tornamos chato. Rezar \u00e9 um encontro, um encontro com o Senhor: e isto \u00e9 belo. E quando rezardes, n\u00e3o tenhais medo de levar at\u00e9 Jesus tudo o que se passa no vosso mundo interior: afetos, medos, problemas, expetativas, recorda\u00e7\u00f5es, esperan\u00e7as, tudo, mesmo os pecados. Ele compreende tudo. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 di\u00e1logo de vida, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 vida. Bertalan, hoje n\u00e3o tiveste vergonha de nos contar a todos a ansiedade que \u00e0s vezes te paralisa e as dificuldades que sentes para te aproximares da f\u00e9. Como \u00e9 belo ter\u00a0<em>a coragem de ser verdadeiro<\/em>, que n\u00e3o significa mostrar que nunca se tem medo, mas abrir-se e partilhar as pr\u00f3prias fragilidades com o Senhor e com os outros, sem esconder, nem disfar\u00e7ar, nem usar m\u00e1scaras. Obrigado pelo teu testemunho, Bertalan. Obrigado! Como vemos narrado nas p\u00e1ginas do Evangelho, o Senhor faz coisas grandes, n\u00e3o com pessoas extraordin\u00e1rias, mas com pessoas verdadeiras, limitadas como n\u00f3s. Pelo contr\u00e1rio, quem se apoia nas pr\u00f3prias capacidades e vive de apar\u00eancias para ser bem visto, mantem Deus longe do cora\u00e7\u00e3o, porque se ocupa apenas de si mesmo. Jesus, com as suas perguntas, o seu amor, o seu Esp\u00edrito, escava dentro de n\u00f3s para nos tornar pessoas verdadeiras. E hoje h\u00e1 tanta necessidade de pessoas verdadeiras! Digo-vos uma coisa: sabeis qual \u00e9 hoje o perigo? Ser uma pessoa fict\u00edcia. Por favor, nunca sejais uma pessoa fict\u00edcia, mas sempre pessoas verdadeiras, com sua pr\u00f3pria verdade! \u00abMas, Padre, eu tenho vergonha, porque a minha realidade n\u00e3o \u00e9 boa. Sabe, Padre?! Trago coisas aqui dentro&#8230;\u00bb Olha para diante, para o Senhor, tem coragem! O Senhor quer-nos bem assim como somos, como somos agora\u2026 Ama-nos assim. Coragem! Avante\u2026 N\u00e3o vos assusteis com as vossas mis\u00e9rias.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito disto, impressionou-me aquilo que disseste tu, T\u00f3dor, partindo do nome que recebeste em honra do Beato Teodoro, um grande Confessor da f\u00e9 que nos chama a n\u00e3o nos contentarmos com meias medidas. Quiseste \u00abfazer soar o despertador\u00bb, dizendo que o zelo pela miss\u00e3o \u00e9 anestesiado pelo nosso viver em seguran\u00e7a e conforto, enquanto a poucos quil\u00f3metros daqui, na ordem do dia, temos a guerra e o sofrimento. Da\u00ed o convite: assumir a vida, para ajudar o mundo a viver em paz. Para isso, deixemo-nos desinquietar. Cada um de n\u00f3s interrogue-se: Que fa\u00e7o pelos outros, que fa\u00e7o pela sociedade, que fa\u00e7o pela Igreja, que fa\u00e7o pelos meus inimigos? Vivo a pensar s\u00f3 no meu bem ou arrisco pelos outros, sem me cingir aos meus interesses? Por favor, interroguemo-nos sobre a nossa gratuidade, sobre a nossa capacidade de amar,\u00a0<em>amar segundo Jesus<\/em>, isto \u00e9, capacidade de amar e servir.<\/p>\n<p>Queridos amigos, h\u00e1 uma \u00faltima coisa que quero partilhar convosco: uma p\u00e1gina do Evangelho, que resume tudo o que dissemos. H\u00e1 ano e meio, estive aqui para o Congresso Eucar\u00edstico; ora, no cap\u00edtulo VI do Evangelho de Jo\u00e3o, h\u00e1 uma bela p\u00e1gina eucar\u00edstica em cujo centro aparece um jovem. L\u00e1 se fala dum rapaz que estava no meio da multid\u00e3o a escutar Jesus. Provavelmente pensou que o encontro se ia prolongar muito e, previdente que era, trouxe o almo\u00e7o consigo. (A prop\u00f3sito, trouxestes uma sanduiche?) Ora Jesus, compadecido da multid\u00e3o \u2013 eram mais de cinco mil \u2013, quer aliment\u00e1-la; ent\u00e3o, com o seu estilo, interroga os disc\u00edpulos para despoletar as suas energias. Pergunta a um deles como fazer para isso, e chega a resposta dum \u00abcontabilista\u00bb: \u00abduzentos den\u00e1rios de p\u00e3o n\u00e3o chegam para cada um comer um bocadinho\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a06, 7). Por outras palavras, matematicamente \u00e9 imposs\u00edvel! Entretanto, outro v\u00ea aquele rapaz e faz uma constata\u00e7\u00e3o, embora tamb\u00e9m ela pessimista: \u00abH\u00e1 aqui um rapazito que tem cinco p\u00e3es de cevada e dois peixes. Mas que \u00e9 isso para tanta gente?\u00bb (6, 9). Ao contr\u00e1rio, para Jesus aqueles cinco pais e dois peixes bastam, bastam e sobram para realizar o famoso milagre da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es. Cada um de n\u00f3s, as pequenas coisas que temos, inclusive os nossos pecados, bastam para Jesus. E n\u00f3s, que devemos fazer? Deix\u00e1-las nas m\u00e3os de Jesus: isto basta!<\/p>\n<p>O Evangelho, por\u00e9m, n\u00e3o especifica um detalhe, que deixa \u00e0 nossa imagina\u00e7\u00e3o: como conseguiram os disc\u00edpulos convencer aquele jovem a dar tudo o que tinha? Talvez lhe tenham pedido para disponibilizar o seu almo\u00e7o; ele olhou em redor vendo milhares de pessoas e ter\u00e1 talvez respondido, como eles, dizendo: \u00abN\u00e3o basta, porque me pedis a mim e n\u00e3o vos encarregais v\u00f3s pr\u00f3prios, que sois os disc\u00edpulos de Jesus? Quem sou eu?\u00bb Ent\u00e3o ter-lhe-\u00e3o dito que foi o pr\u00f3prio Jesus que pediu. E o rapaz faz uma coisa extraordin\u00e1ria: confia. Aquele rapaz que tinha o almo\u00e7o para si,\u00a0<em>confia<\/em>, d\u00e1 tudo, n\u00e3o guarda nada para si. Veio para receber de Jesus e v\u00ea-se na situa\u00e7\u00e3o de dar a Jesus. Mas \u00e9 assim que acontece o milagre. Nasce da partilha: a multiplica\u00e7\u00e3o realizada por Jesus come\u00e7a pela partilha daquele jovem com Ele a favor dos outros. O pouco daquele rapaz nas m\u00e3os de Jesus torna-se muito. \u00c9 aqui que conduz a f\u00e9: \u00e0 liberdade de dar, ao entusiasmo do dom, \u00e0 supera\u00e7\u00e3o dos medos, a p\u00f4r-se em jogo! Amigos, cada um de v\u00f3s \u00e9 precioso para Jesus, e tamb\u00e9m para mim! Lembra-te que ningu\u00e9m pode ocupar o teu lugar na hist\u00f3ria do mundo, na hist\u00f3ria da Igreja: ningu\u00e9m pode ocupar o teu lugar, ningu\u00e9m pode fazer aquilo que s\u00f3\u00a0<em>tu<\/em>\u00a0podes fazer. Ajudemo-nos, ent\u00e3o, a crer que somos amados e preciosos, que fomos feitos para grandes coisas. Rezemos por isso e encorajemo-nos a isso! E recordai-vos tamb\u00e9m de fazer bem a mim com a vossa ora\u00e7\u00e3o.\u00a0<em>K\u00f6sz\u00f6n\u00f6m<\/em>\u00a0[obrigado]!<\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em Italiano<\/p>\n<p>Educris|29.04.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No encontro com os jovens, no est\u00e1dio de Budapeste, Francisco deixou o desafio de uma vida que &#8220;aposte alto&#8221; nos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":509311587,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-1383352507","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1383352507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1383352507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1383352507\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/509311587"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1383352507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1383352507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1383352507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}