{"id":1386390540,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/9159-domingo-vii-do-tempo-comum-oh-sublime-ciencia-das-alturas"},"modified":"2025-11-07T16:33:36","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:36","slug":"domingo-vii-do-tempo-comum-oh-sublime-ciencia-das-alturas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-vii-do-tempo-comum-oh-sublime-ciencia-das-alturas-2\/","title":{"rendered":"Domingo VII do Tempo Comum: \u00abOh Sublime ci\u00eancia das Alturas!\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">1. Neste Domingo VII do Tempo Comum, continuamos a escutar nas alturas, em alta frequ\u00eancia e alta fidelidade, o que n\u00e3o se pode escutar c\u00e1 por baixo, em onda m\u00e9dia, no meio do barulho e do entulho. E soam hoje, aos nossos ouvidos at\u00f3nitos, no nosso cora\u00e7\u00e3o at\u00f3nito, as duas \u00faltimas das \u00abseis ant\u00edteses\u00bb proferidas por Jesus no SERM\u00c3O DA MONTANHA, e referentes \u00e0 lei de tali\u00e3o e ao amor ao pr\u00f3ximo (Mateus 5,38-48).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">2. Diz a conhecida \u00abLei de tali\u00e3o\u00bb \u2013 do latim\u00a0<em>talio<\/em>,\u00a0<em>talis<\/em>\u00a0[tal, igual] ou\u00a0<em>ius talionis<\/em>\u00a0[lei do corte ou contus\u00e3o] \u2013, assim formulada no Livro do \u00caxodo: \u00abvida por vida, olho por olho, dente por dente, m\u00e3o por m\u00e3o, p\u00e9 por p\u00e9, queimadura por queimadura, ferida por ferida, contus\u00e3o por contus\u00e3o\u00bb (\u00caxodo 21,24-25). Formula\u00e7\u00e3o semelhante desta Lei j\u00e1 se encontra, de resto, nos par\u00e1grafos 196 e 197 do famoso c\u00f3digo de Hammurabi, que remonta mais ou menos a 1700 anos antes de Cristo. E, ao contr\u00e1rio do que se diz habitualmente, esta Lei n\u00e3o representa a barbaridade, mas um avan\u00e7o civilizacional, pois assenta, n\u00e3o na multiplica\u00e7\u00e3o desenfreada da vingan\u00e7a e da viol\u00eancia, mas na sua conten\u00e7\u00e3o, pois condena o agressor a receber apenas a san\u00e7\u00e3o igual \u00e0quela que ele provocou \u00e0 v\u00edtima.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">3. Bem diferente \u00e9 a chamada Lei da vingan\u00e7a desenfreada, traduzida, por exemplo, no famoso \u00abC\u00e2ntico da espada\u00bb de Lamec, que se expressa assim no Livro do G\u00e9nesis: \u00abEu matei um homem por uma ferida, uma crian\u00e7a por uma contus\u00e3o. Sim, Caim \u00e9 vingado sete vezes, mas Lamec setenta e sete vezes!\u00bb (G\u00e9nesis 4,23-24). O que se v\u00ea aqui \u00e9 que Lamec respira uma vingan\u00e7a irracional, um \u00f3dio irracional. O que ouvimos nas alturas da Montanha \u00e9 que Jesus respira e ensina um amor irracional, at\u00e9 ao paroxismo, ao absurdo e \u00e0 estupidez, dissolvendo completamente os \u00f3dios, vingan\u00e7as e viol\u00eancias do \u00abC\u00e2ntico de Lamec\u00bb, mas ultrapassando tamb\u00e9m a fria simetria da \u00abLei de tali\u00e3o\u00bb. \u00abOuvistes o que foi dito: \u201cOlho por olho, dente por dente\u201d. Por\u00e9m, eu digo-vos: \u201cN\u00e3o resistais ao homem mau. Se algu\u00e9m te bater na face direita, oferece-lhe tamb\u00e9m a esquerda; se algu\u00e9m te levar ao tribunal para ficar com a tua t\u00fanica, oferece-lhe tamb\u00e9m o manto; se algu\u00e9m te for\u00e7ar a acompanh\u00e1-lo durante cinco km, acompanha-o durante dez!\u201d\u00bb (Mateus 5,38-41). Oh sublime ci\u00eancia das alturas!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">4. E Jesus continua em alta sintonia, alt\u00edssima alegria, alt\u00edssimo amor, estendendo o amor para al\u00e9m dos c\u00edrculos restritos das nossas simpatias, at\u00e9 aos nossos pr\u00f3prios inimigos! Amor assim\u00e9trico, que Jesus ensina agora nas alturas, mas que praticar\u00e1 e ensinar\u00e1 at\u00e9 \u00e0 Cruz! Ele leva at\u00e9 ao alto do Monte das Bem-Aventuran\u00e7as e at\u00e9 ao alto do Calv\u00e1rio os nossos \u00f3dios desenfreados e a nossa fria justi\u00e7a distributiva, e restitui-nos em troca o perd\u00e3o excessivo e o amor transbordante.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">5. Ao tempo de Jesus, o panorama do juda\u00edsmo palestinense era dominado por duas escolas: a escola conservadora e rigorista de Shammai e a escola liberal de Hillel. Conta-se que, um dia, um homem se ter\u00e1 apresentado na escola de Shammai, e fez ao mestre um estranho pedido: \u00abquero que\u00bb, diz o homem, \u00abenquanto eu me mantiver apenas com um p\u00e9 no ch\u00e3o, tu me expliques toda a Lei\u00bb. Diz-se que Shammai se limitou a pegar na sua vara de mestre e a correr o homem pela porta fora, pois era \u00f3bvio que o homem fazia um pedido imposs\u00edvel de cumprir, tal era a vastid\u00e3o da Lei, e o pouco tempo concedido para a sua explica\u00e7\u00e3o. Mas o homem n\u00e3o desanimou e dirigiu-se \u00e0 escola de Hillel, a quem formulou o mesmo pedido. E Hillel ter\u00e1 respondido de pronto: \u00abNada mais f\u00e1cil: \u201cN\u00e3o fa\u00e7as aos outros o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am a ti!\u201d\u00bb.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">6. A esta senten\u00e7a de Hillel, na sua formula\u00e7\u00e3o negativa, deu-se o nome de \u00abregra de ouro\u00bb. Em boa verdade, ela j\u00e1 aparece no Livro de Tobias 4,15. \u00c9, todavia, f\u00e1cil de verificar, que esta senten\u00e7a \u00e9 de f\u00e1cil cumprimento. Dado que o seu teor \u00e9 negativo, para a cumprir, basta a algu\u00e9m cruzar os bra\u00e7os e nada fazer. Procedendo assim, nada far\u00e1 de inconveniente a ningu\u00e9m, cumprindo assim escrupulosamente a senten\u00e7a formulada.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">7. Tentando talvez evitar a ina\u00e7\u00e3o acoitada na formula\u00e7\u00e3o negativa anterior, os Evangelhos apresentam desta m\u00e1xima uma formula\u00e7\u00e3o positiva: \u00abFaz aos outros o que queres que te fa\u00e7am ti!\u00bb (Mateus 7,12; Lucas 6,31). Levando a s\u00e9rio esta formula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente jogar \u00e0 defesa e nada fazer, mas \u00e9, de facto, requerido fazer alguma coisa. Seja como for, as duas formula\u00e7\u00f5es apresentadas, quer a negativa quer a positiva, padecem do mesmo v\u00edcio: sou eu o centro, \u00e9 \u00e0 minha volta que tudo roda, e o que eu fa\u00e7o ou deixo de fazer \u00e9 com o objetivo claro de que me seja retribu\u00eddo outro tanto!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">8. O tom positivo da referida \u00abregra de ouro\u00bb recebe ainda outra bem conhecida formula\u00e7\u00e3o: \u00abAma o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo!\u00bb, que atravessa a inteira Escritura: Lev\u00edtico 19,18; Mateus 22,39; Romanos 13,9; G\u00e1latas 5,14; Tiago 2,8. Mas tamb\u00e9m esta formula\u00e7\u00e3o \u00e9 perigosa: primeiro, porque eu continuo o ser o centro, sendo eu a medida do amor devido aos outros; segundo, porque, se algu\u00e9m n\u00e3o se ama a si mesmo (e s\u00e3o, infelizmente, cada vez mais os casos!), como poder\u00e1 cumprir devidamente esta m\u00e1xima?<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">9. \u00c9 aqui que cai, como uma l\u00e2mina, a for\u00e7a do Evangelho que sai dos l\u00e1bios de Jesus: \u00abAmai-vos uns aos outros como Eu vos amei!\u00bb (Jo\u00e3o 13,34; 15,12). Aqui, a medida n\u00e3o sou eu. Aqui, a medida \u00e9 Jesus, o das alturas, o do alto das montanhas. Aqui, a medida \u00e9 sem medida! Aqui, o amor n\u00e3o \u00e9 interesseiro. Aqui, o amor \u00e9 puro, radical, incondicional, assim\u00e9trico, sem retorno. Aqui, o amor \u00e9 at\u00e9 ao fim! Oh sublime ci\u00eancia das alturas!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">10. O texto do Antigo Testamento que faz hoje companhia ao Evangelho \u00e9 retirado do Livro do Lev\u00edtico 19,1-2.17-18, e nele fica desenhado o caminho e a fonte da santidade: \u00abSede santos, porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo\u00bb (Lev\u00edtico 19,2); mas \u00e9 tamb\u00e9m tirado a limpo que o nosso caminho, isto \u00e9, o nosso comportamento para com os nossos irm\u00e3os, n\u00e3o pode passar nunca pelo \u00f3dio nem pela vingan\u00e7a, mas apenas pelo amor (Lev\u00edtico 19,18), ainda que numa formula\u00e7\u00e3o muito sim\u00e9trica: \u00abAma o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u00bb, a \u00fanica vez, de resto, que encontramos esta formula\u00e7\u00e3o no AT.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">11. O Ap\u00f3stolo Paulo continua a interpelar, com a for\u00e7a do Evangelho, a comunidade crist\u00e3 de Corinto e as nossas comunidades crist\u00e3s de hoje (1 Cor\u00edntios 3,16-23). Sim, diz Paulo com extrema precis\u00e3o: \u00abO Esp\u00edrito Santo habita em v\u00f3s\u00bb (1 Cor\u00edntios 3,16). E acrescenta ainda: \u00abTudo \u00e9 vosso, mas v\u00f3s sois de Cristo, e Cristo \u00e9 de Deus\u00bb (1 Cor\u00edntios 3,22-23). Portanto, tudo e todos caminhamos para a casa do Pai; entretanto, \u00e9 Cristo o \u00fanico Senhor, o \u00fanico caminho e o \u00fanico companheiro da nossa vida.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">12. O Salmo 103 \u00e9 uma das joias do Antigo Testamento e constitui um grande canto ao amor de Deus, uma esp\u00e9cie de prel\u00fadio ao \u00abDeus \u00e9 amor\u00bb (1 Jo\u00e3o 4,8). Desenrola-se em dois movimentos. O primeiro (vv. 1-9) trata o amor e o perd\u00e3o de Deus com sucessivos partic\u00edpios h\u00ednicos, que mostram um Deus que perdoa, cura, redime, coroa de amor e miseric\u00f3rdia, sacia de bem, e uma s\u00e9rie de nomes (justi\u00e7a, d\u00e1 a conhecer, obras, misericordioso, gracioso). O segundo movimento (vv. 10-18) p\u00f5e lado a lado o amor permanente de Deus e a nossa humana fraqueza. A linha vertical (c\u00e9u-terra) serve para mostrar a imensid\u00e3o do amor de Deus (v. 11), escrevendo-se na linha horizontal (oriente-ocidente) a grandeza sem medida do seu perd\u00e3o (v. 12). O bel\u00edssimo v. 13 passa a imagem inultrapass\u00e1vel de Deus como um pai com ventre maternal (<em>rehem<\/em>). A fragilidade humana aparece traduzida nas imagens do p\u00f3 (v. 14) e da erva (vv. 15-16), em contraponto com a estabilidade do amor de Deus (v. 17). Sem este amor, sem esta m\u00fasica, ser\u00edamos talvez levados melancolicamente a pensar que \u00e9 o mesmo o destino das folhas outonais e dos homens! Deixemos ecoar em n\u00f3s as belas notas deste grande Salmo 103, que alguns autores j\u00e1 chamaram o\u00a0<em>Te Deum<\/em>\u00a0do Antigo Testamento.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00abA santidade \u00e9 a medida alta da vida crist\u00e3 ordin\u00e1ria\u00bb.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Os santos vivem, portanto, nas alturas,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Sem, todavia, levantarem os p\u00e9s da terra.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Tamb\u00e9m Jesus se sentou no alto do Monte,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Para a\u00ed declarar felizes, felizes, felizes<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Os pobres, os mansos, os aflitos,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Os famintos, os sedentos, os misericordiosos,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Os pacificadores, os perseguidos.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E Jesus repete estas felicita\u00e7\u00f5es,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E por nove vezes as atira<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Contra os vidros embaciados<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Do nosso empedernido cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00c9 do alto do monte que Jesus proclama estas maravilhas.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-2\">H\u00e1 coisas que s\u00f3 se podem dizer nas alturas.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Senhor Jesus,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Mestre diferente dos escribas de todos os tempos,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ensina-nos a descobrir a sabedoria que h\u00e1 nos pobres<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Quando estendem para n\u00f3s as suas m\u00e3os abertas e vazias,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A ternura que h\u00e1 nos pacificadores e misericordiosos<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Quando se colocam diante das nossas armas,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A esperan\u00e7a que h\u00e1 nos perseguidos e refugiados<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Quando batem \u00e0s nossas portas fechadas.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ensina-nos, Senhor, a compreender<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que sempre foram os santos e os justos<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A abrir caminhos novos e belos<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Onde os poderosos s\u00f3 sabem estender muros e arame farpado.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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