{"id":1398965642,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/13847-quinta-feira-santa-ceia-do-senhor"},"modified":"2025-11-07T16:34:24","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:24","slug":"quinta-feira-santa-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/quinta-feira-santa-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Quinta-feira Santa: \u00abCeia do Senhor\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"post-7039 post type-post status-publish format-standard hentry category-uncategorized\" id=\"post-7039\">\n<div class=\"entry\">\n<p data-adtags-visited=\"true\">Quinta-Feira Santa. Missa da Ceia do Senhor<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ex 12,1-8.11-14; Sl 116; 1 Cor 11,23-26; Jo 13,1-15<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Com esta celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor, em Quinta-Feira Santa, a Igreja Una e Santa reacende a mem\u00f3ria da institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, do Sacerd\u00f3cio e da Caridade, e d\u00e1 in\u00edcio ao Tr\u00edduo Pascal da Paix\u00e3o e Ressurrei\u00e7\u00e3o do seu Senhor (o Tr\u00edduo Pascal prolonga-se at\u00e9 \u00e0s V\u00e9speras II do Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o), que constitui o ponto mais alto do Ano Lit\u00fargico, de onde tudo parte e aonde tudo chega, cora\u00e7\u00e3o que bate de amor em cada passo dado, em cada gesto esbo\u00e7ado, em cada casa visitada, em cada mesa posta, em cada pedacinho de p\u00e3o sonhado e partilhado. \u00c9 assim que Deus nos d\u00e1 a gra\u00e7a de caminhar durante todo o Ano Lit\u00fargico, dia ap\u00f3s dia, Domingo ap\u00f3s Domingo, sempre partindo da P\u00e1scoa do Senhor, sempre chegando \u00e0 P\u00e1scoa do Senhor.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Neste Dia Sant\u00edssimo, \u00e9-nos dada a gra\u00e7a de poder escutar um dos mais antigos e intensos relatos da Ceia do Senhor: \u00abO Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue (<em>pared\u00eddeto<\/em>),\u00a0<em>recebeu<\/em>\u00a0(<em>\u00e9laben<\/em>) o p\u00e3o (<em>\u00e1rton<\/em>), e\u00a0<em>dando gra\u00e7as<\/em>\u00a0(<em>eucharist\u00easas<\/em>),\u00a0<em>partiu-o<\/em>\u00a0(<em>\u00e9klasen<\/em>) e disse: \u201cIsto \u00e9 o\u00a0<em>meu corpo<\/em>, que \u00e9\u00a0<em>para v\u00f3s<\/em>; isto\u00a0<em>fazei para mem\u00f3ria de mim<\/em>\u201d. Do mesmo modo fez com o c\u00e1lice, depois da ceia, dizendo: \u201cEste c\u00e1lice \u00e9 a\u00a0<em>nova Alian\u00e7a<\/em>\u00a0no meu sangue; isto fazei, sempre que o beberdes,\u00a0<em>para mem\u00f3ria de mim<\/em>\u201d. Portanto, sempre que comerdes este p\u00e3o e beberdes este c\u00e1lice, estais a\u00a0<em>anunciar<\/em>\u00a0(<em>katagg\u00e9llete<\/em>)\u00a0<em>a morte do Senhor<\/em>\u00a0at\u00e9 que Ele venha (<em>\u00e1chris ho\u00fb \u00e9lth\u00ea<\/em>)\u00bb (1 Cor\u00edntios 11,23-26).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Atravessado o relato, deparamo-nos com uma sequ\u00eancia verbal riqu\u00edssima, que mostra bem como a viv\u00eancia da Eucaristia transforma a nossa vida desde dentro, desde o cora\u00e7\u00e3o, s\u00edstole e di\u00e1stole, ao mesmo tempo sangue e amor a circular nas nossas veias! Vida nova que vem de Deus, como quando o Esp\u00edrito impele Sans\u00e3o, os profetas, Paulo ou Jesus. O verbo hebraico para dizer este impulso do Esp\u00edrito \u00e9\u00a0<em>pa?am<\/em>. Sim, o Esp\u00edrito impele-nos e empurra-nos pela estrada fora, mas esta sua a\u00e7\u00e3o forte e suave faz-se tamb\u00e9m sentir por dentro e desde dentro, movendo o cora\u00e7\u00e3o e as suas avenidas, pois a fam\u00edlia etimol\u00f3gica que de\u00a0<em>pa?am<\/em>\u00a0se desprende tamb\u00e9m serve para dizer o\u00a0<em>bater do cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0e a\u00a0<em>pulsa\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(<em>po?am<\/em>), e estende-se ainda ao soar do sino ou da campainha (<em>pa?amon<\/em>), cujo som festivo ouvimos h\u00e1 pouco, e se calou, para voltar a soar na noite da Vig\u00edlia Pascal. Portanto, o Esp\u00edrito de Deus que invocamos sobre este p\u00e3o e sobre este vinho, impele-nos, empurra-nos, impulsiona-nos desde fora, mas move tamb\u00e9m a nossa vida desde dentro, dando-nos um cora\u00e7\u00e3o novo, capaz de conjugar em cada dia os verbos fundamentais da Eucaristia: RECEBER, BENDIZER e AGRADECER,\/ PARTILHAR e DAR,\/ COMEMORAR, ANUNCIAR e ESPERAR.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4.\u00a0<em>Receber<\/em>\u00a0\u00e9 um verbo fundamental, \u00e9 a base da nossa vida, do p\u00e3o e do vinho, voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o sempre de Deus recebidas. Deus antes de n\u00f3s; Deus para n\u00f3s. Come\u00e7amos a Eucaristia de m\u00e3os abertas para Deus, grande atitude b\u00edblica e crist\u00e3.\u00a0<em>Dar gra\u00e7as<\/em>. \u00c9 s\u00f3 reconhecendo e sabendo e sentindo que a Gra\u00e7a tomou conta de n\u00f3s, que podemos e sabemos dar gra\u00e7as, outra grande atitude que transforma a nossa vida.\u00a0<em>Partir<\/em>,\u00a0<em>partilhar o p\u00e3o<\/em>. Grande atitude a de saber que nada \u00e9 s\u00f3 meu, nem sequer a minha vida. Tudo \u00e9 para partilhar com alegria com tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Sim, \u00e0 minha volta h\u00e1 s\u00f3 irm\u00e3os e irm\u00e3s, e \u00e0 minha frente h\u00e1 sempre uma mesa posta com lugar para todos. Em\u00a0<em>mem\u00f3ria de Jesus<\/em>. Sim, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, nunca podemos esquecer aquele jeito de Jesus. Ele no centro da nossa vida e das nossas atitudes, municiando-as.\u00a0<em>Anunciar a morte do Senhor<\/em>. N\u00e3o se trata de chorar ou de vestir de luto, como quem diz que Jesus morreu e desapareceu. N\u00e3o \u00e9 essa a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Trata-se, antes, de saber ver e ler bem a Cruz de Jesus e o caminho da Cruz de Jesus, da sua Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o. Jesus n\u00e3o morreu para desaparecer. Morreu para viver em plenitude e dar aos seus irm\u00e3os essa vida nova, transbordante e transformante. Sim, trata-se de anunciar que Jesus viveu e morreu para dar a vida por amor, para sempre e para todos. E \u00e9 nessa atitude que continua vivo e presente no meio de n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Tivemos Hoje tamb\u00e9m a gra\u00e7a de ouvir o colorido relato da P\u00e1scoa primeira, celebrada pelo Povo hebreu no Egito, conforme o relato do \u00caxodo 12,1-14. \u00abP\u00e1scoa\u00bb quer dizer \u00abpassagem\u00bb, e p\u00f5e em cena \u00abpassageiros\u00bb. Com os antigos pastores bedu\u00ednos semin\u00f3madas, que preenchem a mem\u00f3ria da pr\u00e9-hist\u00f3ria de Israel, aprendemos a passar festivamente para um tempo novo, do inverno para a primavera, numa festa noturna, ao luar, na primeira lua-cheia da primavera, que marca o in\u00edcio da transum\u00e2ncia ao encontro de novas pastagens e de vida nova. Com os hebreus, no Egito, sedentariz\u00e1mos e atualiz\u00e1mos a festa da primeira lua-cheia da primavera dos antigos pastores semin\u00f3madas de Israel, e fomos levados, por gra\u00e7a, a passar da escravid\u00e3o para a liberdade, que \u00e9 um caminho sempre novo, nunca terminado e sempre a recome\u00e7ar, com a cintura apertada, sand\u00e1lias nos p\u00e9s, cajado na m\u00e3o, lume novo aceso no cora\u00e7\u00e3o. Com Jesus Cristo, fomos, tamb\u00e9m por gra\u00e7a, levados a passar do pecado para a gra\u00e7a, da soleira da porta para a mesa, da morte para a vida em abund\u00e2ncia, da nossa casa para a Casa do Pai. \u00c9 assim que n\u00f3s, por gra\u00e7a feitos \u00abfilhos no Filho\u00bb, aprendemos a ser estrangeiros e h\u00f3spedes, tranquilamente sentados em Casa e \u00e0 Mesa daquele \u00fanico Senhor que servimos e que, paradoxalmente, nos serviu primeiro a n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. \u00c9 a\u00ed que estamos todos, meus irm\u00e3os. A\u00ed, entenda-se, em Casa e \u00e0 Mesa, hospedados. E \u00e9 a\u00ed que Jesus se dirige a Pedro e a cada um de n\u00f3s, e diz: \u00abSe n\u00e3o te lavo, Pedro, n\u00e3o ter\u00e1s parte comigo!\u00bb (Jo\u00e3o 13,8). Isto \u00e9, n\u00e3o participar\u00e1s da minha vida por amor Dada e Recebida (cf. Jo\u00e3o 10,17-18). \u00abTer parte com\u00bb Cristo \u00e9 \u00abparticipar\u00bb no seu supremo servi\u00e7o de amor at\u00e9 dar a vida para receber a vida. \u00abSer lavado\u00bb e \u00abter parte com\u00bb e \u00abestar puro\u00bb \u00e9 linguagem b\u00edblica de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal. Basta ler o texto do Livro dos N\u00fameros 18,20, juntamente com os Cap\u00edtulos 29 e 40 do Livro do \u00caxodo e o Cap\u00edtulo 8.\u00ba do Livro do Lev\u00edtico, acerca da ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal de Aar\u00e3o e dos seus filhos. Est\u00e1 a\u00ed, na participa\u00e7\u00e3o na vida nova de Jesus, no modo novo de viver de Jesus, a fonte do nosso sacerd\u00f3cio ministerial, mas tamb\u00e9m do sacerd\u00f3cio comum dos fi\u00e9is.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. \u00c9 \u00e0 Mesa que estamos, meus irm\u00e3os, nesta tarde e nesta Ceia Primeira de Quinta-Feira Santa, hospedados na Casa do \u00fanico Senhor da nossa Vida, \u00abAquele que nos ama\u00bb (Apocalipse 1,5), Jesus Cristo. Reparemos ent\u00e3o bem em tudo o que Ele faz e diz no Evangelho de hoje (Jo\u00e3o 13,1-15), porque tudo n\u2019Ele \u00e9 exemplar e program\u00e1tico para n\u00f3s. Diz-nos o narrador atento que Jesus \u00abDEP\u00d5E (<em>t\u00edth\u00eami<\/em>) o manto\u00bb a abrir a cena, no v. 4, e \u00abRECEBE (<em>lamb\u00e1n\u00f4<\/em>) o manto\u00bb a fechar a cena, no v. 12. DEPOR e RECEBER s\u00e3o, aos nossos olhos encantados, os mesmos verbos com que, no Cap\u00edtulo 10.\u00ba, o Bom Pastor \u00abDEP\u00d5E (<em>t\u00edth\u00eami<\/em>) a vida\u00bb e \u00abRECEBE (<em>lamb\u00e1n\u00f4<\/em>) a vida\u00bb (v. 17). Ora, DEPOR a vida e RECEBER a vida s\u00e3o a imensa e penetrante tradu\u00e7\u00e3o da Cruz. E entre uma e outra coisa, entre \u00abDEPOR o manto\u00bb e \u00abRECEBER o manto\u00bb, \u00abDEPOR a vida\u00bb e \u00abRECEBER a vida\u00bb, no centro geom\u00e9trico e teol\u00f3gico do lava-p\u00e9s (v. 8), a\u00ed est\u00e1 a advert\u00eancia solene que Jesus dirige a Pedro e a cada um de n\u00f3s: \u00abSe n\u00e3o te lavo, Pedro, n\u00e3o ter\u00e1s parte comigo!\u00bb (Jo\u00e3o 13,8).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Por isso, Jesus diz, num imenso dizer de revela\u00e7\u00e3o ainda a retinir nos nossos ouvidos e a ecoar em tudo o que fazemos: \u00ab<em>Como<\/em>\u00a0Eu vos fiz, fazei v\u00f3s tamb\u00e9m!\u00bb (Jo\u00e3o 13,15). V\u00ea-se bem, meus irm\u00e3os, que n\u00e3o \u00e9 tanto o que se faz que interessa. Interessa muito mais o\u00a0<em>como<\/em>\u00a0se faz. O segredo \u00e9 dar a vida por amor, para sempre, para todos. Jesus \u00e9 o \u00fanico Mestre que ensina a Viver desta maneira. E \u00e9 assim que fica bem \u00e0 nossa vista o significado da institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, do Sacerd\u00f3cio e da Caridade.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. O Salmo 116, que hoje cantamos, \u00e9 o quarto canto do chamado \u00abHallel Pascal\u00bb, que re\u00fane os Salmos 113-118. O Salmo 116 enche de m\u00fasica e de cor a Ceia Pascal hebraica. Na verdade, neste Salmo, canta-se a liberdade e a alegria confiante de vermos a nossa vida segura nas m\u00e3os de Deus, que nos retira do esquecimento do t\u00famulo, e reacende a chama que se extingue. Entre os admiradores deste Salmo conta-se, com algum espanto nosso, o fil\u00f3sofo franc\u00eas Voltaire (1694-1778), que privilegiava o v. 12: \u00abComo restituirei (<em>hesh\u00eeb<\/em>) ao Senhor por todos os seus benef\u00edcios (<em>g<sup>e<\/sup>m\u00fbl\u00f4t<\/em>) que me deu?\u00bb. O Salmo fornece logo a seguir a resposta: \u00abO c\u00e1lice da salva\u00e7\u00e3o erguerei,\/ e o Nome do Senhor invocarei.\/ Os meus votos ao Senhor cumprirei,\/ diante de todo o seu povo\u00bb (vv. 13-14). Este c\u00e1lice erguido e partilhado assinala, no ritual (<em>seder<\/em>) da Ceia Pascal hebraica, o momento em que ia passando entre os comensais a terceira ta\u00e7a de vinho, a da A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as. De resto, o orante sabe bem que n\u00e3o pode \u00abrestituir\u00bb a Deus. Por isso, no Salt\u00e9rio, o sujeito do verbo \u00abrestituir\u00bb (<em>hesh\u00eeb<\/em>: hiphil de\u00a0<em>sh\u00fbb<\/em>) \u00e9, por norma, Deus (21 sobre 28 vezes). Mas o orante pode sempre agradecer a Deus e anunciar a todos que Deus actua em favor do seu povo, a\u00e7\u00e3o de evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Que o Senhor da nossa vida nos ensine a ser fi\u00e9is ao seu dizer e ao seu modo admir\u00e1vel de fazer.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p>\n<div class=\"post-7037 post type-post status-publish format-standard hentry category-uncategorized\" id=\"post-7037\">\n<div class=\"entry\">\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quinta-Feira Santa. Missa da Ceia do Senhor Ex 12,1-8.11-14; Sl 116; 1 Cor 11,23-26; Jo 13,1-15 1. 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