{"id":1425495993,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12552-dia-de-todos-os-santos-a-provocacao-dos-santos"},"modified":"2025-11-07T16:33:57","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:57","slug":"dia-de-todos-os-santos-a-provocacao-dos-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/dia-de-todos-os-santos-a-provocacao-dos-santos\/","title":{"rendered":"Dia de Todos os Santos: \u00ab\u00abA (pro)Voca\u00e7\u00e3o dos Santos\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Ap 7,2-4.9-14; Sl 24; 1 Jo 3,1-3; Mt 5,1-12a<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Dia de Todos os Santos. Deus \u00e9 a Santidade. Tr\u00eas vezes Santo. Santo, Santo, Santo. Santo, na l\u00edngua hebraica, diz-se\u00a0<em>qad\u00f4sh<\/em>, cujo significado mais consistente \u00e9\u00a0<em>separado<\/em>.\u00a0<em>Separado<\/em>\u00a0de qu\u00ea ou de quem, podemos perguntar. Da sua cria\u00e7\u00e3o? Parece que n\u00e3o, pois o Deus da B\u00edblia olha para ela e por ela com beleza e bondade. De n\u00f3s? Obviamente n\u00e3o, pois o Deus da B\u00edblia bem v\u00ea e v\u00ea bem os seus filhos queridos, ouve a nossa voz, conhece as nossas alegrias e tristezas, desce ao nosso n\u00edvel e debru\u00e7a-se sobre n\u00f3s com carinho.\u00a0<em>Separado<\/em>\u00a0de qu\u00ea ou de quem, ent\u00e3o?\u00a0<em>Separado<\/em>\u00a0de si mesmo, eis a surpreendente identidade de Deus!\u00a0<em>Separado<\/em>\u00a0de si mesmo, isto \u00e9, n\u00e3o agarrado ao seu mundo divino e dourado para o defender ciosamente (Filipenses 2,6). Ao contr\u00e1rio, o nosso Deus \u00e9 um Deus que sai de si por amor, para, por amor, vir ao nosso encontro. \u00c9 esta realidade que se v\u00ea bem em toda a Escritura, Antigo e Novo Testamento. Paulo, na Carta aos Filipenses e na 2 Carta aos Cor\u00edntios, resume bem esta realidade ao falar de Jesus Cristo que \u00abse esvaziou (<em>ek\u00e9n\u00f4sen<\/em>) de si mesmo, recebendo a forma de escravo\u00bb (Filipenses 2,7), e \u00absendo rico se fez pobre por causa de n\u00f3s, para nos enriquecer com a sua pobreza\u00bb (2 Cor\u00edntios 8,9).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Sim. Se agora pararmos um pouco a contemplar a vida dos Santos canonizados e de tantos outros irm\u00e3os nossos, de extrema dedica\u00e7\u00e3o, simplicidade e alegria, n\u00e3o oficialmente canonizados, mas tamb\u00e9m Santos, pois arriscam e d\u00e3o diariamente a sua vida pelos outros, compreenderemos logo que tamb\u00e9m eles, todos eles, se desfizeram ou\u00a0<em>separaram<\/em>\u00a0dos seus projetos, gostos, fam\u00edlia, amigos, coisas, e se entregaram de alma e cora\u00e7\u00e3o aos seus irm\u00e3os. Veja-se, por exemplo, e porque ainda temos presente o seu modo de proceder, a Santa Madre Teresa de Calcut\u00e1. Que dedica\u00e7\u00e3o, que amor, que paix\u00e3o! Veja-se tamb\u00e9m, porque parece que todos o conhecemos e amamos, S. Francisco de Assis. Entenda-se, por\u00e9m, sempre que somos Santos por gra\u00e7a, porque o Deus Santo, Ele que \u00e9 a Santidade, se faz pr\u00f3ximo de n\u00f3s, santificando-nos! \u00c9 assim que nos tornamos, por gra\u00e7a, \u00abconcidad\u00e3os dos santos e membros da fam\u00edlia de Deus\u00bb (Ef\u00e9sios 2,19). Nova cidadania. Nova familiaridade. D\u00eamos, pois, neste Dia Santo, gra\u00e7as ao Deus Santo, que nos santifica!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. S\u00f3 um Deus assim pode e sabe felicitar os pobres. Com um tom carregado de felicidade, n\u00e3o restritivo, mas alargado a toda a humanidade, as \u00abFelicita\u00e7\u00f5es\u00bb do Rei novo atingem todas as pessoas, chegando \u00e0s franjas da sociedade, \u00e0s periferias existenciais, onde est\u00e3o os pobres de verdade. \u00c9 o grande Evangelho das \u00abBem-Aventuran\u00e7as\u00bb ou \u00abFelicita\u00e7\u00f5es\u00bb (Mateus 5,1-12), que abre o SERM\u00c3O da MONTANHA, dito nas alturas da MONTANHA, que hoje temos a gra\u00e7a de escutar mais uma vez. No meio destas \u00abFelicita\u00e7\u00f5es\u00bb \u2013 \u00e9 por nove vezes que soa o termo \u00abFELIZES\u00bb \u2013, note-se a centralidade da MISERIC\u00d3RDIA (5.\u00aa felicita\u00e7\u00e3o) (5,7). Atente-se ainda na diferente formula\u00e7\u00e3o desta felicita\u00e7\u00e3o. Salta \u00e0 vista que todas as outras se abrem a uma recompensa imediata ou futura. A MISERIC\u00d3RDIA, por\u00e9m, roda sobre si mesma, retornando, por obra de Deus (passivo divino ou teol\u00f3gico) sobre os MISERICORDIOSOS. Aos misericordiosos ser\u00e1 feita miseric\u00f3rdia. Bel\u00edssimo c\u00edrculo bem no centro das Bem-Aventuran\u00e7as. Notem-se igualmente as inclus\u00f5es assentes na repeti\u00e7\u00e3o da locu\u00e7\u00e3o \u00abreino dos c\u00e9us\u00bb (1.\u00aa e 8.\u00aa) (5,3 e 10) e do termo \u00abjusti\u00e7a\u00bb (4.\u00aa e 8.\u00aa) (5,6 e 10). Estas inclus\u00f5es convidam-nos tamb\u00e9m ao reconhecimento de duas t\u00e1buas de felicita\u00e7\u00f5es, a primeira \u00e0 volta da\u00a0<em>pobreza evang\u00e9lica<\/em>\u00a0(5,3-6), e a segunda \u00e0 volta da\u00a0<em>bondade do cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(5,7-10). Eis o precioso texto:<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00ab<strong>5<\/strong>,<sup>1<\/sup>Vendo as multid\u00f5es,\u00a0<em>subiu<\/em>\u00a0\u00e0 montanha.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Tendo-se\u00a0<em>sentado<\/em>, vieram ter com ele os seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\"><sup>2<\/sup>Abrindo ent\u00e3o a sua boca,\u00a0<em>ensinava-os<\/em>\u00a0dizendo:<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\"><sup>3<\/sup>FELIZES (<em>mak\u00e1rioi<\/em>\u00a0\/\u00a0<em>\u2019ashr\u00ea<\/em>) os pobres de esp\u00edrito (<em>pt\u00f4cho\u00ec t\u00f4 pne\u00famati<\/em>),<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\"><em>porque deles \u00e9 o reino dos c\u00e9us<\/em>;<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\"><sup>4<\/sup>FELIZES os aflitos,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">porque ser\u00e3o consolados;<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\"><sup>5<\/sup>FELIZES os mansos,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">porque herdar\u00e3o a terra;<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\"><sup>6<\/sup>FELIZES os que t\u00eam fome e sede de\u00a0<em>justi\u00e7a<\/em>,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">porque ser\u00e3o saciados;<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><sup>7<\/sup>FELIZES os misericordiosos (<em>ele\u00eamones<\/em>), porque lhes ser\u00e1 feita miseric\u00f3rdia (<em>ele\u00eath\u00easontai<\/em>);<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p data-adtags-visited=\"true\"><sup>8<\/sup>FELIZES os puros de cora\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">porque ver\u00e3o a Deus;<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\"><sup>9<\/sup>FELIZES os fazedores de paz,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">porque ser\u00e3o chamados filhos de Deus;<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\"><sup>10<\/sup>FELIZES os perseguidos por causa da\u00a0<em>justi\u00e7a<\/em>,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\"><em>porque deles \u00e9 o reino dos c\u00e9us<\/em>.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\"><sup>11<\/sup>FELIZES sois v\u00f3s, quando vos ultrajarem e perseguirem,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">e, mentindo, disserem contra v\u00f3s toda a esp\u00e9cie de mal<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">por causa de mim (<em>\u00e9neken emo\u00fb<\/em>)\u00bb (Mateus 5,1-11).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Sim, escut\u00e1mos por nove vezes o termo \u00abFELIZES\u00bb. Note-se ainda que, na mentalidade e na l\u00edngua hebraica, \u00abfelizes\u00bb ou \u00abbem-aventurados\u00bb diz-se\u00a0<em>\u2019ashr\u00ea<\/em>, deriva\u00e7\u00e3o do verbo\u00a0<em>\u2019ashar<\/em>, que significa \u00abp\u00f4r-se a caminho\u00bb. Extraordin\u00e1ria maneira de designar os \u00abbem-aventurados\u00bb como pioneiros, aqueles que abrem caminhos novos e bons e de vida nova e boa para o mundo. E \u00e9 verdade, por paradoxal que pare\u00e7a. Foram e continuam a ser os Santos e os Pobres os que verdadeiramente abrem caminhos novos neste mundo enlatado, saciado, enjoado, dormente, anestesiado e medicado em que vivemos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Tamb\u00e9m n\u00e3o nos devemos esquecer que continuamos na Montanha, nas alturas, pois h\u00e1 certas maneiras de viver e de sentir que s\u00f3 podem ter o seu\u00a0<em>habitat<\/em>\u00a0nas alturas. O Papa S. Jo\u00e3o Paulo II escreveu na Carta Apost\u00f3lica\u00a0<em>Novo Millennio Ineunte<\/em>\u00a0(2001), n.\u00ba 31, que perguntar a um catec\u00fameno se ele quer receber o batismo \u00e9 o mesmo que perguntar-lhe se ele quer ser santo, e fazer-lhe esta \u00faltima pergunta \u00e9 coloc\u00e1-lo no caminho do Serm\u00e3o da Montanha. E logo a seguir, na mesma Carta e no mesmo n\u00famero, S. Jo\u00e3o Paulo II define a santidade como a \u00ab\u201dmedida alta\u201d da vida crist\u00e3 ordin\u00e1ria\u00bb. \u00c9, portanto, imperioso que o crist\u00e3o aprenda a ganhar altura, n\u00e3o para se separar dos caminhos lamacentos do quotidiano, mas para os encher de um amor maior.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Os \u00abpobres de esp\u00edrito\u00bb, aqui referidos, n\u00e3o s\u00e3o pobres de Esp\u00edrito Santo nem de intelig\u00eancia, mas pessoas humildes, no sentido em que uma pessoa humilde \u00e9 \u00abbaixa de\u00a0<em>r\u00fbah<\/em>\u00bb (<em>sh<sup>e<\/sup>phal r\u00fbah<\/em>) (Prov\u00e9rbios 16,19; 29,23), isto \u00e9, sem espa\u00e7o f\u00edsico, econ\u00f3mico, social ou psicol\u00f3gico. N\u00e3o precisam de se afirmar. S\u00e3o claramente os \u00faltimos da sociedade, mas que, na sua humildade e pobreza, desafiam a sociedade, pois os\u00a0<em>ptocho\u00ed<\/em>\u00a0s\u00e3o pobres ao lado de gente rica, acomodada, que estendem a m\u00e3o para n\u00f3s, apontando o dedo ao nosso ego\u00edsmo, afirma\u00e7\u00e3o, instala\u00e7\u00e3o e comodidade. Situa\u00e7\u00e3o que, seguramente, n\u00e3o nos deixa de boa consci\u00eancia, encarregando-se a Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica\u00a0<em>Lumen gentium<\/em>, n.\u00ba 9, de nos lembrar que \u00abAprouve a Deus salvar e santificar os homens, n\u00e3o individualmente, exclu\u00edda qualquer liga\u00e7\u00e3o entre eles, mas constituindo-os em povo\u00bb. O povo de Deus, a Igreja de Deus, n\u00e3o s\u00e3o alguns tranquilamente instalados, num c\u00edrculo restrito, mas uma imensa comunh\u00e3o de irm\u00e3os sem paredes nem barreiras de qualquer esp\u00e9cie.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. \u00c9 quanto assinala a majestosa multid\u00e3o dos 144.000 da bela p\u00e1gina do Apocalipse 7,2-4.9-14. 144.000, n\u00famero perfeito e incont\u00e1vel (12 vezes 12 vezes 1000), que traduz todos os redimidos, de todas as ra\u00e7as, na\u00e7\u00f5es, povos e l\u00ednguas, inumer\u00e1vel fam\u00edlia dos filhos de Deus, todos com vestes brancas, porque lavadas no sangue do Cordeiro, e que jubilosamente aclamam o Deus Santo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. \u00abSomos filhos de Deus e seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como Ele \u00e9\u00bb, grande teologia da diviniza\u00e7\u00e3o por gra\u00e7a aportada pela p\u00e1gina inesgot\u00e1vel da Primeira Carta de S. Jo\u00e3o 3,1-3. Filia\u00e7\u00e3o por gra\u00e7a, diferente da filia\u00e7\u00e3o natural de Jesus. Deus ama-nos. O mundo n\u00e3o nos ama. O mundo n\u00e3o sabe amar. A natureza n\u00e3o ama ningu\u00e9m, n\u00e3o sabe amar. Mas, em grande contraponto, Deus ama-nos. N\u00e3o o vemos no decurso da hist\u00f3ria humana, mas \u00abv\u00ea-lo-emos como Ele \u00e9\u00bb, em vers\u00e3o transformante, pois \u00abseremos semelhantes a Ele\u00bb. \u00c9 esta a\u00a0<em>esperan\u00e7a<\/em>\u00a0(<em>elp\u00eds<\/em>) \u2013 termo usado s\u00f3 aqui em todo o tecido joanino \u2013, que o amor de Deus faz habitar em n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Sim, disse-o no S\u00ednodo sobre a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o (2013), para mim e para todos os homens de boa consci\u00eancia e boa vontade que vivem de olhos postos em Cristo: por que ser\u00e1 que os Santos se esfor\u00e7aram tanto, e com tanta alegria, por serem pobres e humildes, e n\u00f3s nos esfor\u00e7amos tanto, e com tristeza (Mateus 19,22; Marcos 10,22; Lucas 18,23), por sermos ricos e importantes?<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. \u00abEsta \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o dos que procuram o Senhor\u00bb. Cantemos e aclamemos, por isso, com o Salmo 24, o Senhor do Universo e Rei da Gl\u00f3ria, que vem e entra no seu Templo e na nossa fr\u00e1gil humanidade, que Ele glorifica. Nos dois primeiros andamentos deste Salmo (v. 1-2 e 3-6), justamente a parte Hoje cantada, destaca-se o nosso canto de amor ao Deus criador e providente (v. 1-2), que constitui como que a abertura do inteiro Salmo, e as condi\u00e7\u00f5es morais para viver na presen\u00e7a deste Deus (v. 3-6), formuladas numa esp\u00e9cie de \u00abliturgia de entrada\u00bb ou \u00abdas portas\u00bb. Os fi\u00e9is, em prociss\u00e3o, \u00e0 chegada ao Templo de Jerusal\u00e9m, fazem a pregunta ritual: \u00abQuem pode subir ao monte do Senhor,\/ quem pode entrar no seu lugar santo?\u00bb (v. 3), ao que os sacerdotes respondem, apontando aqui tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es essenciais: \u00abM\u00e3os inocentes e cora\u00e7\u00e3o puro\u00bb, em que as m\u00e3os traduzem a a\u00e7\u00e3o, e o cora\u00e7\u00e3o a inten\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o inteiro viver do homem, a sua op\u00e7\u00e3o fundamental, de onde decorre tamb\u00e9m o \u00abn\u00e3o ir atr\u00e1s dos \u00eddolos\u00bb e \u00abn\u00e3o praticar fraudes\u00bb (v. 4-5). O terceiro andamento mostra as portas do Templo e as da nossa vida, personificadas, que s\u00e3o convidadas a abrir-se e a levantar-se, para que possa entrar em nossa Casa o Rei, Senhor dos Ex\u00e9rcitos, um t\u00edtulo que a B\u00edblia registra por 279 vezes. Gerhard Ebeling (1912-2001) comenta assim este Salmo arcaico: \u00abS\u00e3o tr\u00eas os pressupostos fundamentais do texto. O primeiro \u00e9 que Deus criou o mundo, e \u00e9 o seu Senhor. O segundo \u00e9 que devemos comparecer junto de Deus e ser interrogados sobre o que fizemos. O terceiro \u00e9 que Deus vem para o que \u00e9 seu, e deseja ter livre acesso. Estas s\u00e3o tr\u00eas formas elementares da experi\u00eancia de Deus e da rela\u00e7\u00e3o com Deus: n\u00f3s vivemos por obra de Deus, diante de Deus, e podemos viver com Deus\u00bb. E o poeta franc\u00eas Paul Claudel (1868-1955), recolhendo o \u00faltimo tema, o da vida com Deus, exclamava: \u00abAqui, Deus! Aqui, o nosso Deus, o Senhor dos Ex\u00e9rcitos, que est\u00e1 empenhado, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, em transferir-nos para a sua eternidade\u00bb.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap 7,2-4.9-14; Sl 24; 1 Jo 3,1-3; Mt 5,1-12a 1. Dia de Todos os Santos. Deus \u00e9 a Santidade. 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