{"id":1433706861,"date":"2024-10-02T00:00:00","date_gmt":"2024-10-02T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/13296-homilia-do-papa-francisco-na-abertura-da-assembleia-geral-ordinaria-do-sinodo-dos-bispos"},"modified":"2024-10-02T00:00:00","modified_gmt":"2024-10-02T00:00:00","slug":"homilia-do-papa-francisco-na-abertura-da-assembleia-geral-ordinaria-do-sinodo-dos-bispos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-francisco-na-abertura-da-assembleia-geral-ordinaria-do-sinodo-dos-bispos\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco na abertura da Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/images_241002011609.jpg\"\/><\/p>\n<p><p>Hoje celebramos a mem\u00f3ria lit\u00fargica dos santos Anjos da Guarda e retomamos a sess\u00e3o plen\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos. Na escuta do que a Palavra de Deus nos sugere, poder\u00edamos tomar como ponto de partida para a nossa reflex\u00e3o tr\u00eas imagens: a voz, o ref\u00fagio e a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a voz. No caminho para a Terra Prometida, Deus aconselha o povo a ouvir a \u201cvoz do anjo\u201d que Ele enviou (cf. Ex 23, 20-22). \u00c9 uma imagem que nos toca de perto, porque o S\u00ednodo \u00e9 tamb\u00e9m um caminho em que o Senhor p\u00f5e nas nossas m\u00e3os a hist\u00f3ria, os sonhos e as esperan\u00e7as de um grande Povo de irm\u00e3os e irm\u00e3s espalhado pelo mundo, animado pela nossa f\u00e9, impulsionado pelo mesmo desejo de santidade para que, com eles e atrav\u00e9s deles, procuremos compreender que caminho seguir para chegarmos onde Ele nos quer levar. Mas como podemos ouvir a \u201cvoz do anjo\u201d?<\/p>\n<p>Um caminho \u00e9 certamente abordar com respeito e aten\u00e7\u00e3o, na ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 luz da Palavra de Deus, todas as contribui\u00e7\u00f5es compiladas ao longo destes tr\u00eas anos de trabalho, interc\u00e2mbio m\u00fatuo, debates e esfor\u00e7o paciente de purifica\u00e7\u00e3o da mente e do cora\u00e7\u00e3o. Trata-se, com a ajuda do Esp\u00edrito Santo, de ouvir e compreender as vozes, isto \u00e9, as ideias, as expectativas, as propostas, para discernirmos juntos a voz de Deus que fala \u00e0 Igreja (cf. Renato Corti, Que Padre? notas n\u00e3o publicadas). Como repetidamente record\u00e1mos, a nossa assembleia n\u00e3o \u00e9 uma assembleia parlamentar, mas um lugar de escuta em comunh\u00e3o, onde, como diz S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno, o que algu\u00e9m tem parcialmente, outro possui completamente, e embora alguns tenham dons particulares, tudo pertence aos irm\u00e3os na \u201ccaridade do Esp\u00edrito\u201d (cf. Homilias sobre os Evangelhos, XXXIV).<\/p>\n<p>Para que tal aconte\u00e7a h\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o: que nos libertemos daquilo que, em n\u00f3s e entre n\u00f3s, pode impedir que a \u201ccaridade do Esp\u00edrito\u201d crie harmonia na diversidade. Quem, com arrog\u00e2ncia, presume e afirma ter o direito exclusivo sobre a voz do Senhor, n\u00e3o \u00e9 capaz de a ouvir (cf. Mc 9, 38-39). Cada palavra deve ser acolhida com gratid\u00e3o e simplicidade, para se tornar eco daquilo que Deus deu em benef\u00edcio dos nossos irm\u00e3os (cf. Mt 10, 7-8). Especificamente, tenhamos o cuidado de n\u00e3o transformar as nossas contribui\u00e7\u00f5es em pontos a defender ou em agendas a impor, mas ofere\u00e7amo-las como presentes a partilhar, mesmo dispostos a sacrificar o que \u00e9 particular, se isso puder servir para realizar, juntos, algo novo de acordo com o plano de Deus. Caso contr\u00e1rio, acabaremos encerrados em di\u00e1logos entre surdos, onde cada um tenta \u201clevar \u00e1gua ao seu moinho\u201d sem ouvir os outros e, sobretudo, sem ouvir a voz do Senhor.<\/p>\n<p>N\u00e3o somos n\u00f3s que temos as solu\u00e7\u00f5es para os problemas que se apresentam, mas Ele (cf. Jo 14, 6), e lembremo-nos que no deserto n\u00e3o h\u00e1 brincadeira; Se algu\u00e9m n\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o ao guia, vangloriando-se de autossufici\u00eancia, poder\u00e1 morrer de fome e de sede, arrastando outros consigo. Escutemos, pois, a voz de Deus e do seu anjo, se queremos realmente continuar o nosso caminho em seguran\u00e7a, para al\u00e9m dos limites e das dificuldades (cf. Sl 23, 4).<\/p>\n<p>Isto leva-nos \u00e0 segunda imagem, o abrigo. O seu s\u00edmbolo s\u00e3o as asas que protegem: \u201cdebaixo das suas asas encontrar\u00e1s ref\u00fagio\u201d (Sl 91,4). As asas s\u00e3o instrumentos poderosos, capazes de levantar um corpo do ch\u00e3o com os seus movimentos vigorosos. Mas, mesmo sendo t\u00e3o fortes, tamb\u00e9m podem dobrar-se e estreitar-se, tornando-se escudo e ninho aconchegante para os filhotes, necessitados de calor e prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Esta imagem \u00e9 um s\u00edmbolo daquilo que Deus faz por n\u00f3s, mas tamb\u00e9m um modelo a seguir, especialmente neste tempo de assembleia. Entre n\u00f3s, queridos irm\u00e3os, h\u00e1 muitas pessoas fortes, bem preparadas, capazes de subir \u00e0s alturas com movimentos vigorosos de reflex\u00e3o e intui\u00e7\u00f5es brilhantes. Tudo isto \u00e9 uma riqueza que nos estimula, que nos impulsiona, que muitas vezes nos obriga a pensar mais abertamente e a avan\u00e7ar com decis\u00e3o; al\u00e9m disso, ajuda-nos a mantermo-nos firmes na f\u00e9, mesmo perante desafios e dificuldades. O cora\u00e7\u00e3o aberto, o cora\u00e7\u00e3o em di\u00e1logo. Um cora\u00e7\u00e3o fechado nas suas convic\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 t\u00edpico do Esp\u00edrito do Senhor. Abrir-se \u00e9 um dom, um dom que deve ser harmonizado, no momento certo, com a capacidade de relaxar os m\u00fasculos e de se apoiar, de nos oferecermos uns aos outros como abra\u00e7o acolhedor e lugar de abrigo, e de sermos, como Santo Paulo VI disse: \u201cuma casa [\u2026] de irm\u00e3os, uma oficina de intensa atividade, um cen\u00e1culo de espiritualidade ardente\u201d (Discurso ao Conselho da Presid\u00eancia da C.E.I., 9 de maio de 1974).<\/p>\n<p>Todos aqui se sentir\u00e3o \u00e0 vontade para se expressarem de forma mais espont\u00e2nea e livre quanto mais perceberem \u00e0 sua volta a presen\u00e7a de amigos que os amam e respeitam, os valorizam e querem ouvir o que t\u00eam para dizer.<\/p>\n<p>E para n\u00f3s esta n\u00e3o \u00e9 apenas uma t\u00e9cnica para \u201cfacilitar\u201d \u2013 \u00e9 verdade que no S\u00ednodo h\u00e1 \u201cfacilitadores\u201d, isto ajuda a avan\u00e7ar \u2013 mas n\u00e3o \u00e9 apenas uma t\u00e9cnica para facilitar o di\u00e1logo ou uma din\u00e2mica de comunica\u00e7\u00e3o de grupo, porque abra\u00e7ar, proteger e cuidar faz, de facto, parte da pr\u00f3pria natureza da Igreja. Abra\u00e7ar, proteger e cuidar. A Igreja \u00e9, pela sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, um lugar de acolhimento e de encontro, onde \u00aba caridade colegial exige uma harmonia perfeita, da qual deriva a sua for\u00e7a moral, a sua beleza espiritual, a sua exemplaridade\u00bb (ibid.). Esta palavra \u00e9 muito importante, \u201charmonia\u201d. N\u00e3o h\u00e1 maiorias ou minorias [para ver]; Este pode ser um primeiro passo. O que importa, o fundamental \u00e9 a harmonia. A harmonia que s\u00f3 o Esp\u00edrito Santo pode gerar. \u00c9 o mestre da harmonia, que a partir de muitas diferen\u00e7as, de muitas vozes diferentes, \u00e9 capaz de criar uma s\u00f3 voz. Pensemos na manh\u00e3 de Pentecostes, em como o Esp\u00edrito Santo criou aquela harmonia na diversidade. A Igreja precisa de \u201clugares pac\u00edficos e abertos\u201d, que se criam sobretudo nos cora\u00e7\u00f5es, onde cada pessoa se sinta acolhida como uma crian\u00e7a nos bra\u00e7os da m\u00e3e (cf. Is 49,15; 66,13) e como uma criatura elevada. face do seu pai (cf. Os 11,4; Sl 103,13).<\/p>\n<p>E assim chegamos \u00e0 terceira imagem, a da crian\u00e7a. \u00c9 o pr\u00f3prio Jesus, no Evangelho, que \u201co coloca no meio\u201d dos disc\u00edpulos, mostra-lho, convidando-os a converterem-se e a tornarem-se pequenos como Ele. Perguntaram-lhe quem era o maior no reino dos c\u00e9us; Ele responde encorajando-os a tornarem-se pequenos como uma crian\u00e7a. Mas n\u00e3o s\u00f3; acrescenta ainda que quem recebe uma crian\u00e7a em seu nome, recebe-o a Ele pr\u00f3prio (cf. Mt 18, 1-5).<\/p>\n<p>Este paradoxo \u00e9 fundamental para n\u00f3s. O S\u00ednodo, dada a sua import\u00e2ncia, pede-nos num certo sentido que sejamos \u201cgrandes\u201d \u2013 na mente, no cora\u00e7\u00e3o, nas perspetivas \u2013 porque as quest\u00f5es a abordar s\u00e3o \u201cgrandes\u201d e delicadas, e os cen\u00e1rios em que se situam s\u00e3o amplos, universal. Mas precisamente por esta raz\u00e3o, n\u00e3o podemos permitir-nos desviar o olhar da crian\u00e7a, que Jesus continua a colocar no centro das nossas reuni\u00f5es e mesas de trabalho, para nos lembrar que a \u00fanica maneira de estar \u201c\u00e0 altura da tarefa\u201d que foi A confian\u00e7a que nos \u00e9 dada \u00e9 rebaixarmo-nos, fazermo-nos pequenos e acolhermo-nos, com humildade, como tal. O mais elevado da Igreja \u00e9 aquele que mais se inclina.<\/p>\n<p>Lembremo-nos de que \u00e9 fazendo-nos pequenos que Deus \u00abnos mostra o que \u00e9 a verdadeira grandeza, ainda mais, o que significa ser Deus\u00bb (Bento XVI, Homilia na festa do Batismo do Senhor, 11 de janeiro de 2009). N\u00e3o \u00e9 por acaso que Jesus diz que os anjos das crian\u00e7as \u201cno c\u00e9u est\u00e3o constantemente na presen\u00e7a do Pai celeste\u201d (Mt 18,10); Ou seja, os anjos s\u00e3o como que um \u201ctelesc\u00f3pio\u201d do amor do Pai.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, retomemos este caminho eclesial com os olhos postos no mundo, porque a comunidade crist\u00e3 est\u00e1 sempre ao servi\u00e7o da humanidade, para anunciar a todos a alegria do Evangelho. Hoje \u00e9 mais necess\u00e1rio do que nunca, especialmente nesta hora dram\u00e1tica da nossa hist\u00f3ria, em que os ventos da guerra e os inc\u00eandios da viol\u00eancia continuam a devastar cidades e na\u00e7\u00f5es inteiras.<\/p>\n<p>Para invocar o dom da paz por intercess\u00e3o de Maria Sant\u00edssima, no pr\u00f3ximo domingo irei \u00e0 Bas\u00edlica de Santa Maria Maior, onde rezarei o Santo Ros\u00e1rio e apresentarei uma s\u00faplica sincera \u00e0 Virgem. Se poss\u00edvel, pe\u00e7o tamb\u00e9m a v\u00f3s, membros do S\u00ednodo, que me acompanhem nessa ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>E no dia seguinte, 7 de outubro, pe\u00e7o a todos que vivam um dia de ora\u00e7\u00e3o e jejum pela paz no mundo.<\/p>\n<p>Vamos caminhar juntos. Escutemos o Senhor. E deixemo-nos guiar pela brisa do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2024\/documents\/20241002-omelia-angeli-custodi.html\"> original em Italiano<\/a><\/p>\n<p>Educris|02.10.2024<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje celebramos a mem\u00f3ria lit\u00fargica dos santos Anjos da Guarda e retomamos a sess\u00e3o plen\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos. 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