{"id":1479672539,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12943-ii-domingo-da-pascoa-o-percurso-de-tome-chamado-gemeo"},"modified":"2025-11-07T16:34:00","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:00","slug":"ii-domingo-da-pascoa-o-percurso-de-tome-chamado-gemeo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/ii-domingo-da-pascoa-o-percurso-de-tome-chamado-gemeo-2\/","title":{"rendered":"II Domingo da P\u00e1scoa: \u00abO percurso de Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">At 4,32-35; Sl 118; 1 Jo 5,1-6; Jo 20,19-31<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Novos percursos se abrem, e \u00e9 aqui que se inicia o Evangelho do Domingo II da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 20,19-31), que o Papa S. Jo\u00e3o Paulo II, em 30 de Abril do ano 2000, consagrou como \u00abDomingo da Divina Miseric\u00f3rdia\u00bb. Os disc\u00edpulos est\u00e3o em um lugar, com as portas fechadas, por medo dos judeus. O Ressuscitado, Vida vivente e modo novo de estar presente, que nada nem ningu\u00e9m pode reter ou derreter, vem e fica no MEIO deles, o lugar da Presid\u00eancia, e sa\u00fada-os: \u00ab<em>Shal\u00f4m<\/em>!\u00bb, \u00abA paz convosco!\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Esta Sauda\u00e7\u00e3o, este\u00a0<em>Shal\u00f4m<\/em>, esta Paz, a Bondade deste \u201cBom-Dia\u201d, que ressoa desde a Cria\u00e7\u00e3o, entra em n\u00f3s, enche-nos de Bondade e de Alegria, e faz-nos encontrar um modo novo de encarar a vida. Esta Sauda\u00e7\u00e3o, este\u00a0<em>Shal\u00f4m<\/em>, esta Paz, este \u201cBom-Dia\u201d estabelece connosco uma rela\u00e7\u00e3o nova e boa, e inverte por completo a nossa velha maneira de ver e de viver. Na verdade, estamos habituados a pensar, a decidir e a escolher o que vamos fazer, comprar ou vender. Sou eu que penso, posso, compro, decido, escolho. Como se o mundo inteiro come\u00e7asse em mim e a partir de mim, nada antes de mim. Como se eu fosse (porque penso que sou) o \u00fanico senhor do mundo. Ora, o imenso texto do Evangelho de hoje, como, de resto, a Escritura inteira, come\u00e7a com Algu\u00e9m que vem de fora do meu alcance, e me surpreende, e me sa\u00fada, deixando-me na condi\u00e7\u00e3o nova e in\u00e9dita, n\u00e3o de senhor que pensa e escolhe, mas de respondedor que \u00e9 pensado e escolhido, a quem compete acolher e responder. Quando \u00abeu penso\u00bb, decido e escolho, escolho sempre um\u00a0<em>alter ego<\/em>, isto \u00e9, algo ou algu\u00e9m igual ou semelhante a mim, que venha ao encontro do meu mundo desiderativo e projetado, e o encha e satisfa\u00e7a. Quando \u00abeu sou pensado\u00bb e escolhido e saudado, cabe-me acolher aquela Sauda\u00e7\u00e3o, aquela \u00abPaz\u00bb, aquele\u00a0<em>Shal\u00f4m<\/em>, e responder, responder, responder. O \u201cBom-Dia\u201d precede o\u00a0<em>cogito<\/em>. Precede, inverte e investe.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Recebendo o Evangelho de hoje, \u00e9 Jesus, como sempre, que abre as portas da Alegria fechadas pelo medo. Jesus \u00e9 o homem das portas abertas e das m\u00e3os abertas. E pelos vistos tamb\u00e9m do cora\u00e7\u00e3o aberto. As m\u00e3os abertas, rasgadas pelos pregos. O cora\u00e7\u00e3o aberto pela lan\u00e7a do soldado. As portas abertas, porque\u00a0<em>porta<\/em>, na l\u00edngua de Jesus, se diz com o nome\u00a0<em>patah<\/em>, nome que, usado como verbo, tamb\u00e9m significa\u00a0<em>abrir<\/em>, de onde deriva que as\u00a0<em>portas<\/em>\u00a0s\u00e3o para\u00a0<em>abrir<\/em>, n\u00e3o para fechar. O que acabo de dizer exp\u00f5e um modo novo de viver, um jeito desajeitado para a nossa maneira de viver fechada por um medo qualquer ou por muitos medos, que afeta as portas, as m\u00e3os e o cora\u00e7\u00e3o. Entenda-se: \u00e9 esta\u00a0<em>amostragem<\/em>, esta a\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mostrar<\/em>, a\u00e7\u00e3o toda de Jesus, que dissipa o medo e faz despontar a Alegria. Primeiro, Jesus; depois, os disc\u00edpulos.\u00a0<em>Alegram-se<\/em>\u00a0os disc\u00edpulos, porque\u00a0<em>veem<\/em>. Mas\u00a0<em>veem<\/em>\u00a0o qu\u00ea? Ou\u00a0<em>veem<\/em>\u00a0quem?\u00a0<em>Veem<\/em>\u00a0as portas abertas, as m\u00e3os chagadas, o cora\u00e7\u00e3o rasgado. Mas nisto que lhes \u00e9 dado\u00a0<em>ver<\/em>, eles\u00a0<em>veem<\/em>\u00a0ou reconhecem uma pessoa e o seu modo \u00fanico de ser e de viver. Eles\u00a0<em>veem<\/em>\u00a0o Senhor! Entenda-se ainda: eles\u00a0<em>n\u00e3o veem<\/em>\u00a0as coisas de Jesus, o aspeto, as roupas, a cor dos olhos, os cabelos. Eles\u00a0<em>veem<\/em>, como o Outro Disc\u00edpulo (Jo\u00e3o 20,8), a\u00a0<em>identidade<\/em>\u00a0de Jesus! Por isso, onde a tradu\u00e7\u00e3o portuguesa tem \u00abao\u00a0<em>verem<\/em>\u00a0o Senhor\u00bb, neste nosso\u00a0<em>ver<\/em>, o texto grego tem o verbo\u00a0<em>ide\u00een<\/em>, de onde deriva, em portugu\u00eas,\u00a0<em>ideia<\/em>\u00a0e\u00a0<em>identidade<\/em>: ver, n\u00e3o por fora, mas por dentro! Mas este\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0por dentro, de\u00a0<em>ide\u00een<\/em>, transporta ainda outra li\u00e7\u00e3o: sendo um aoristo, aoristo segundo forte do verbo\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>, ent\u00e3o traz em si um tempo carregado como uma arma, que indica um\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0pontual situado no tempo, uma experi\u00eancia vivida, inscrita numa hora do rel\u00f3gio e num quadrado da folha do calend\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Jesus mostra \u00e0queles disc\u00edpulos as m\u00e3os e o lado, sinais que identificam o Ressuscitado com o Crucificado, e agrafa-os \u00e0 sua miss\u00e3o: \u00abComo o Pai me enviou (<em>ap\u00e9stalken<\/em>: perf. de\u00a0<em>apost\u00e9ll\u00f4<\/em>), tamb\u00e9m Eu vos mando ir (<em>p\u00e9mp\u00f4<\/em>)\u00bb. O envio d\u2019Ele est\u00e1 no tempo perfeito (\u00e9 para sempre): est\u00e1 sempre em miss\u00e3o; o nosso est\u00e1 no presente, e passa. O presente da nossa miss\u00e3o aparece, portanto, agrafado \u00e0 miss\u00e3o de Jesus, e n\u00e3o faz sentido sem ela e sem Ele. N\u00f3s implicados e imbricados n\u2019Ele e na miss\u00e3o d\u2019Ele, sabendo n\u00f3s que Ele est\u00e1 connosco todos os dias (cf. Mateus 28,20). O sopro de Jesus sobre eles \u00e9 o\u00a0<em>sopro criador<\/em>\u00a0(<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>), com o Esp\u00edrito, para a miss\u00e3o fr\u00e1gil-forte do Perd\u00e3o. Este\u00a0<em>sopro<\/em>\u00a0s\u00f3 aparece aqui em todo o Novo Testamento! Mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil construir uma bela ponte para outras passagens, nomeadamente para G\u00e9nesis 2,7, para o\u00a0<em>sopro<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>alento<\/em>\u00a0(<em>napah<\/em>\u00a0TM \/\u00a0<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>\u00a0LXX) criador de Deus no rosto do homem.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. A identidade do Senhor Ressuscitado est\u00e1 para al\u00e9m do rosto. Por isso,\u00a0<em>v\u00ea-lo<\/em>\u00a0n\u00e3o implica necessariamente reconhec\u00ea-lo, como sucede em n\u00e3o poucas p\u00e1ginas dos Evangelhos. A\u00a0<em>identidade<\/em>\u00a0do Ressuscitado n\u00e3o \u00e9 do dom\u00ednio da fotografia. Vem de dentro. Reside na sua vida a n\u00f3s dada por amor at\u00e9 ao fim, aponta para a Cruz. Por isso, Jesus\u00a0<em>mostra<\/em>\u00a0as\u00a0<em>m\u00e3os e o lado<\/em>, sinais abertos para entrar no sacr\u00e1rio da sua intimidade, d\u00e1diva infinita que rebenta as paredes dos nossos olhos embotados e do nosso cora\u00e7\u00e3o empedernido. Entenda-se tamb\u00e9m que a miss\u00e3o que nos \u00e9 confiada \u00e9 mostrar Jesus. Est\u00e1 bom de ver que n\u00e3o basta exibir as capas do catecismo que mostram um Jesus de olhos azuis e cabelo louro encaracolado. S\u00f3 o podemos mostrar com a nossa vida dele recebida, e igualmente dada e comprometida.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Para se entender a musicalidade desta p\u00e1gina intensa, \u00e9 necess\u00e1rio repor, em contraponto, outros retalhos musicais nela presentes. Em outros pontos deste Cap\u00edtulo 20 do Evangelho de Jo\u00e3o, aparecem no texto outras formas de\u00a0<em>ver<\/em>: 1)\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>, que \u00e9 o\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0normal, \u00e9 o primeiro ver da Madalena, que\u00a0<em>v\u00ea<\/em>\u00a0a pedra retirada do t\u00famulo (Jo\u00e3o 20,1); 2)\u00a0<em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>, que \u00e9 um\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0que d\u00e1 que pensar: \u00e9 o\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0de Pedro quando entra no t\u00famulo e\u00a0<em>v\u00ea<\/em>\u00a0as faixas de linho no ch\u00e3o estendidas, e o sud\u00e1rio dobrado \u00e0 parte (Jo\u00e3o 20,6-7): em casa t\u00e3o arrumada d\u00e1 para entender que o que se passou n\u00e3o foi obra de ladr\u00f5es, e levanta a quest\u00e3o: que outras m\u00e3os poder\u00e3o estar por detr\u00e1s do que \u00e9 dado\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0a Pedro e a n\u00f3s? Mas Pedro e n\u00f3s devemos estar aptos a\u00a0<em>ver ainda mais<\/em>: pouco antes, no andamento do relato, por ordem de Jesus, L\u00e1zaro saiu do t\u00famulo, ligado com as faixas da morte e o rosto tapado com o sud\u00e1rio da morte (Jo\u00e3o 11,34); mas agora eis que as vestes da morte est\u00e3o ali abandonadas!; 3)\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>, no tempo perfeito, \u00e9 o\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0da testemunha, que se deve traduzir por \u00ab<em>vi<\/em>\u00a0e\u00a0<em>continuo a ver<\/em>\u00bb. Enla\u00e7a no tempo do rel\u00f3gio, na folha do calend\u00e1rio, mas atravessa o tempo, continua a encher, n\u00e3o apenas os olhos, mas a vida inteira do sujeito deste\u00a0<em>ver<\/em>. \u00c9 o \u00faltimo\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0da Madalena, quando anuncia aos disc\u00edpulos: \u00ab<em>Vi<\/em>\u00a0(<em>he\u00f4raka<\/em>) o Senhor!\u00bb (Jo\u00e3o 20,18); \u00e9 o\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0dos disc\u00edpulos, quando diziam repetidamente a Tom\u00e9: \u00ab<em>Vimos<\/em>\u00a0(<em>he\u00f4r\u00e1kamen<\/em>) o Senhor!\u00bb (Jo\u00e3o 20,25); \u00e9 o \u00faltimo\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0de Tom\u00e9, assim traduzido por Jesus: \u00abPorque\u00a0<em>me viste<\/em>\u00a0(<em>he\u00f4rak\u00e1s me<\/em>),\u00a0<em>acreditaste<\/em>\u00a0(<em>pep\u00edsteukas<\/em>: perf. de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 20,29a). Todos estes \u201cveres\u201d assinalados em 3) denotam um\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0que come\u00e7ou e continua e transforma a vida.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. \u00c9 neste\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0continuado, testificado, testemunhado, que d\u00e1 para uma f\u00e9 igualmente continuada, testificada, testemunhada, que se vai enxertar o nosso olhar e a nossa f\u00e9. Mas acompanhemos as perip\u00e9cias do texto, at\u00e9 ele se dirigir a n\u00f3s:<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">\u00ab<sup>24<\/sup>Tom\u00e9, um dos doze, chamado D\u00eddimo, n\u00e3o estava com eles, quando veio Jesus.\u00a0<sup>25<\/sup>Diziam-lhe ent\u00e3o os outros disc\u00edpulos: \u201c<em>Vimos<\/em>\u00a0(<em>he\u00f4r\u00e1kamen<\/em>: perf. do verbo\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) o Senhor!\u201d Ele, por\u00e9m, disse-lhes: \u201cSe eu\u00a0<em>n\u00e3o vir<\/em>\u00a0(<em>m\u00ea \u00edd\u00f4<\/em>: conj. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) nas suas m\u00e3os a marca dos cravos e n\u00e3o meter o meu dedo na marca dos cravos e n\u00e3o meter a minha m\u00e3o no seu lado, n\u00e3o acreditarei\u201d.\u00a0<sup>26<\/sup>Oito dias depois, estavam outra vez no interior os seus disc\u00edpulos, e Tom\u00e9 com eles.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">Vem Jesus, estando as portas fechadas, e ficou de p\u00e9 no meio deles, e disse: \u201cA paz convosco!\u201d.\u00a0<sup>27<\/sup>Depois diz a Tom\u00e9: \u201cTraz aqui o teu dedo, e\u00a0<em>v\u00ea<\/em>\u00a0(<em>\u00edde<\/em>: imper. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) as minhas m\u00e3os, e traz a tua m\u00e3o, e mete-a no meu lado, e n\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas crente\u201d.\u00a0<sup>28<\/sup>Respondeu Tom\u00e9, e disse-lhe: \u201cMeu Senhor e meu Deus!\u201d\u00a0<sup>29<\/sup>Diz-lhe Jesus: \u201cPorque\u00a0<em>me viste<\/em>\u00a0(<em>he\u00f4rak\u00e1s me<\/em>: perf. de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>),\u00a0<em>acreditaste<\/em>\u00a0(<em>pep\u00edsteukas<\/em>: perf. de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">Felizes os que\u00a0<em>n\u00e3o tendo visto<\/em>\u00a0(<em>m\u00ea id\u00f3ntes<\/em>: part. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>), acreditaram (<em>piste\u00fasantes<\/em>: part. aor. de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>)\u201d\u00bb (Jo\u00e3o 20,24-29).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Face ao olhar a transbordar de Jesus (tempo perfeito) dos outros dez disc\u00edpulos, que perante Tom\u00e9 repetidamente afirmam: \u00ab<em>Vimos<\/em>\u00a0(<em>he\u00f4r\u00e1kamen<\/em>: perf. de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) o Senhor!\u00bb (Jo\u00e3o 20,25a), Tom\u00e9 (aramaico\u00a0<em>Toma\u2019<\/em>), chamado\u00a0<em>G\u00e9meo<\/em>\u00a0(<em>D\u00eddymos<\/em>: tradu\u00e7\u00e3o literal, em grego, do aramaico\u00a0<em>Toma\u2019<\/em>\u00a0[= \u00ab<em>G\u00e9meo<\/em>\u00bb]), que\u00a0<em>n\u00e3o estava com eles<\/em>\u00a0quando veio Jesus, responde que n\u00e3o recolhe nada desse olhar, e que quer\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0com os seus pr\u00f3prios olhos (tempo aoristo) e inspecionar com os seus meios essa realidade nova. Eis as suas palavras: \u00abSe eu n\u00e3o vir (<em>\u00edd\u00f4<\/em>: conj. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com os meus olhos (tempo aoristo) nas suas m\u00e3os a marca dos cravos, e n\u00e3o meter o meu dedo na marca dos cravos e n\u00e3o meter a minha m\u00e3o no seu lado, n\u00e3o acreditarei\u00bb (Jo\u00e3o 20,25b).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Como sempre, Jesus toma a dianteira, vem com as portas fechadas, n\u00e3o j\u00e1 como express\u00e3o do medo, j\u00e1 antes dissipado, mas para que Tom\u00e9\u00a0<em>veja<\/em>\u00a0bem a nova condi\u00e7\u00e3o do Ressuscitado (v. 26b), e dirige-se logo a Tom\u00e9, convidando-o \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o nos moldes adiantados por Tom\u00e9 (tempo aoristo) (v. 27), retirando, todavia, \u00aba marca dos cravos\u00bb e \u00abmeter o dedo na marca dos cravos\u00bb: n\u00e3o se trata de fazer uma aut\u00f3psia a um cad\u00e1ver, mas de\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0o Ressuscitado! Tom\u00e9,\u00a0<em>vendo<\/em>\u00a0a nova condi\u00e7\u00e3o do Ressuscitado, para quem nenhuma porta est\u00e1 fechada, e sentindo-se adivinhado, desvendado e desarmado, rendeu-se (v. 28), desistiu de tirar as suas medidas, e adiantou uma das mais belas profiss\u00f5es de f\u00e9 de toda a Escritura: \u00abMeu Senhor e meu Deus!\u00bb (Jo\u00e3o 20,28), e Jesus confirma a reviravolta operada em Tom\u00e9, que\u00a0<em>viu<\/em>\u00a0e\u00a0<em>continua ver<\/em>,\u00a0<em>acreditou<\/em>\u00a0e\u00a0<em>continua a acreditar<\/em>\u00a0(tempo perfeito) (v. 29a). \u00c9 aqui e agora que Jesus se mete connosco, declarando-nos\u00a0<em>felizes<\/em>\u00a0(<em>mak\u00e1rioi<\/em>), porque\u00a0<em>n\u00e3o vimos<\/em>\u00a0no tempo da nossa hist\u00f3ria (<em>m\u00ea id\u00f3ntes<\/em>: part. aoristo segundo forte), mas acredit\u00e1mos no tempo da nossa hist\u00f3ria (<em>piste\u00fasantes<\/em>: part. aoristo) (v. 29b), certamente enxertando o nosso olhar no olhar daqueles que\u00a0<em>viram<\/em>\u00a0e\u00a0<em>continuam a ver<\/em>\u00a0e deram testemunho e continuam a dar, saindo dos esconderijos da dor e do medo e da descren\u00e7a para o \u00e1trio luminoso da F\u00e9 para sempre aberto pelo Ressuscitado, fonte permanente de uma Alegria nova.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-3\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Not\u00e1vel o percurso dos Disc\u00edpulos. Fechados e com medo, viram Jesus entrar e ficar no MEIO deles, sem que as portas e as paredes constitu\u00edssem obst\u00e1culo. Trocaram o medo pela alegria, e tamb\u00e9m eles come\u00e7aram a\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0de forma continuada o Senhor e a diz\u00ea-lo repetidamente. Not\u00e1vel e exemplar para n\u00f3s o percurso de Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo:\u00a0<em>n\u00e3o estava com<\/em>\u00a0a comunidade, t\u00e3o-pouco aceitou o seu testemunho; queria provas. Mas quando veio Jesus e o adivinhou, precedendo-o e presidindo-o, entregou-se completamente! Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo! Irm\u00e3o g\u00e9meo! Irm\u00e3o g\u00e9meo de quem? Meu e teu, assim pretende o narrador. De vez em quando, tamb\u00e9m n\u00f3s\u00a0<em>n\u00e3o estamos com<\/em>\u00a0a comunidade. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. Por vezes, tamb\u00e9m duvidamos e queremos provas. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. Salta \u00e0 vista que tamb\u00e9m devemos\u00a0<em>estar com<\/em>\u00a0a comunidade. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. E professar convictamente a nossa f\u00e9 no Ressuscitado que nos preside (no MEIO) e nos precede sempre. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. A li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (4,32-35, mas ver tamb\u00e9m 2,42-47 e 5,12-16) deste Domingo II da P\u00e1scoa \u00e9 outra vez soberba. Trata-se de uma visita guiada ao Cen\u00e1culo, a primeira Catedral da Igreja nascente, mas com ramifica\u00e7\u00f5es em todas as casas, em todos os cora\u00e7\u00f5es, bem assente em quatro colunas: o ensino dos Ap\u00f3stolos (1), a comunh\u00e3o fraterna (2), a fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o (3) e a ora\u00e7\u00e3o (4). Com a boca cheia de louvor, os olhos de gra\u00e7a, as m\u00e3os de paz e de p\u00e3o, as entranhas de miseric\u00f3rdia, a comunidade bela crescia, crescia, crescia. N\u00e3o admira. Era t\u00e3o jovem, leve e bela, que as pessoas lutavam por entrar nela!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. Nascer de Deus, amar a Deus e o Filho Unig\u00e9nito de Deus, amar no Filho os filhos de Deus, \u00e9 a li\u00e7\u00e3o da Primeira Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o 5,1-6. O crit\u00e9rio \u00e9: se nascemos de Deus, ent\u00e3o somos filhos de Deus, e, sendo filhos de Deus, somos irm\u00e3os. E, se nascemos de Deus, tamb\u00e9m o amor que nos vincula aos irm\u00e3os \u00e9 de Deus. Amar a Deus \u00e9, ent\u00e3o, o crit\u00e9rio \u00faltimo da f\u00e9 e da caridade. A vida de Deus em n\u00f3s, amar como Deus nos ama, permanece, portanto o \u00fanico crit\u00e9rio verdadeiro. Na Primeira Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o 4,20-21, t\u00ednhamos anotado o crit\u00e9rio de que o nosso amor a Deus \u00e9 verific\u00e1vel no nosso amor ao pr\u00f3ximo. Mas S\u00e3o Paulo adverte-nos com sabedoria que o amor ao pr\u00f3ximo pode fingir-se, pois podemos dar todos os nossos bens aos pobres, e n\u00e3o ter a caridade verdadeira (1 Cor\u00edntios 13,3). Neste sentido, diz acertadamente S\u00e3o M\u00e1ximo Confessor (580-662) que \u00aba P\u00e1scoa gera a f\u00e9 e a f\u00e9 gera o amor\u00bb. A miseric\u00f3rdia \u00e9 a chama divina com que devemos acender e purificar o nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">13. Cantemos por isso o Salmo 118, que \u00e9 o \u00faltimo canto do chamado \u00abPequeno Hallel da P\u00e1scoa\u00bb (113-118), mas que era seguramente cantado noutras festividades de Israel, nomeadamente na Festa das Tendas, tendo em conta o seu teor processional, e at\u00e9 a sua distribui\u00e7\u00e3o por coros. Este Salmo levanta-se do meio da alegria pr\u00f3pria da Festa (\u00abEste \u00e9 o dia que o Senhor fez,\/ nele nos alegremos e exultemos!\u00bb: v. 24) e eleva ao Deus sempre fiel uma grande A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as por todas as maravilhas que Ele tem realizado em favor do seu povo. Sim, toda a nossa energia e toda a melodia que nos habita \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor, conforme o bel\u00edssimo v. 14: \u00abMinha for\u00e7a e meu canto YAH!\u00bb, que soa assim em hebraico:\u00a0<em>\u2018azz\u00ee w<sup>e<\/sup>zimrat YAH<\/em>. Al\u00e9m do nosso Salmo, a express\u00e3o densa e impressiva encontra-se ainda em \u00caxodo 15,2 e Isa\u00edas 12,2. YAH est\u00e1 por YHWH. O refr\u00e3o que vamos cantar aparece a abrir e a fechar este grande Salmo, e constitui como que o envelope onde guardamos a bela melodia que cantamos. Soa assim: \u00abLouvai o Senhor porque Ele \u00e9 bom,\/ porque para sempre \u00e9 o seu amor!\u00bb (v. 1 e 29).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">14. Em tudo e sempre nos precede o nosso bom Deus com a iniciativa do seu amor primeiro e misericordioso.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At 4,32-35; Sl 118; 1 Jo 5,1-6; Jo 20,19-31 1. 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