{"id":1508333190,"date":"2024-07-21T00:00:00","date_gmt":"2024-07-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/13173-lisboa-patriarca-pede-olhar-especial-aos-mais-frageis-e-pobres"},"modified":"2024-07-21T00:00:00","modified_gmt":"2024-07-21T00:00:00","slug":"lisboa-patriarca-pede-olhar-especial-aos-mais-frageis-e-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/lisboa-patriarca-pede-olhar-especial-aos-mais-frageis-e-pobres\/","title":{"rendered":"Lisboa: Patriarca pede \u00abolhar especial aos mais fr\u00e1geis e pobres\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/alex_1_240722112028.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Homilia de D. Rui Val\u00e9rio, na ordena\u00e7\u00e3o episcopal de D. Nuno Isidro e D. Alexandre Palma, auxiliares do Patriarcado de Lisboa, lembrou que o minist\u00e9rio \u201cn\u00e3o depende tanto das nossas qualidades [\u2026] mas da d\u00e1diva do nosso cora\u00e7\u00e3o a Deus\u201d<\/em><\/p>\n<p class=\"s13\" style=\"text-align: center;\"><strong>Homilia de D. Rui Val\u00e9rio, Patriarca de Lisboa<\/strong><\/p>\n<p><span>1.<\/span>\u00a0Car\u00edssimos irm\u00e3os, no episcopado, no sacerd\u00f3cio, no diaconado, ilustres autoridades, caras irm\u00e3s e caros irm\u00e3os em Cristo.<\/p>\n<p>A Igreja de Lisboa exulta de alegria no Senhor, pelo dom da consagra\u00e7\u00e3o episcopal de D. Nuno Isidro e D. Alexandre Palma. Neste ano da gra\u00e7a de 2024, o Santo Padre Francisco oferece dois zelosos pastores, como Bispos Auxiliares, a este amado Patriarcado.<\/p>\n<p><span>2.<\/span>\u00a0Dentro de alguns instantes, ap\u00f3s a invoca\u00e7\u00e3o da intercess\u00e3o dos santos do c\u00e9u, o Esp\u00edrito Santo marcar\u00e1 os novos Bispos com o car\u00e1ter que os reveste da plenitude do sacerd\u00f3cio de Cristo, verdadeiro e eterno sacerdote das almas, o Pastor dos pastores.<\/p>\n<p><a>Caros D. Nuno e D. Alexandre, sereis investidos do dom incomensur\u00e1vel de uma nova paternidade que, em uni\u00e3o com Cristo, inspirar\u00e1 a vossa maneira de pensar e de agir, e determinar\u00e1 o vosso modo de amar; iluminar\u00e1 a forma de olhar o santo povo de Deus, o clero e a vida desta diocese que vos acolhe agradecida.<\/a><\/p>\n<p>E do fasc\u00ednio dessa novidade, os primeiros a serem surpreendidos, sereis precisamente v\u00f3s. Consiste numa aut\u00eantica dilata\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, que vos permite expandir a rela\u00e7\u00e3o com as comunidades que vos ser\u00e3o confiadas:<\/p>\n<p>&#8211; de forma ocasional, mas tamb\u00e9m abrangente;<\/p>\n<p>&#8211; de maneira precisa e, ao mesmo tempo, profunda;<\/p>\n<p>&#8211; incisiva, mas tamb\u00e9m libertadora.<\/p>\n<p>Na realidade, trata-se de ter aquela sabedoria que \u00e9 simultaneamente l\u00facida e benevolente, t\u00e3o pr\u00f3pria de um pai de fam\u00edlia que olha para os seus filhos com verdade e os apoia com o mais compassivo amor; mas que tamb\u00e9m \u00e9 pr\u00f3pria de um bom pastor que cuida com ternura das suas ovelhas e as re\u00fane na unidade de um s\u00f3 rebanho. Que reconhecem, agradecidos, at\u00e9 o mais pequeno peda\u00e7o de bem e o valoriza na harmonia da comunidade eclesial.<\/p>\n<p><span>3.<\/span>\u00a0Sereis revestidos pelo dinamismo daquela nova paci\u00eancia que n\u00e3o germina apenas de mecanismos psicol\u00f3gicos, mas que brota das fontes da gra\u00e7a, que vos permitir\u00e1 permanecer firmes na autenticidade da voca\u00e7\u00e3o e assumir altruisticamente o destino dos homens, e carregar o peso das situa\u00e7\u00f5es tr\u00e1gicas do nosso mundo, sabendo que os tempos de Deus n\u00e3o s\u00e3o os nossos tempos, e quer a Igreja, quer a hist\u00f3ria da humanidade est\u00e3o nas m\u00e3os d\u00f3ceis e ternas de Cristo, o Bom Pastor.<\/p>\n<p>N\u00f3s, servos por iniciativa e exclusiva vontade do Senhor; escolhidos para servir, reconhecemos a loucura do amor que Ele tem por n\u00f3s. Somos amados, chamados e enviados em miss\u00e3o. Jesus, Deus humanado e crucificado, abra\u00e7ou-nos enquanto pobres homens que somos, carregou-nos aos ombros como ovelhas perdidas e feridas. Mas Ele \u00e9 a nossa verdadeira raz\u00e3o de ser, o v\u00ednculo amoroso que nos une para sempre.<\/p>\n<p><span>4.<\/span>\u00a0Muitas vezes, ao longo da vossa vida, ireis sentir a do\u00e7ura da paternidade de Deus, da qual sereis os primeiros benefici\u00e1rios, mas tamb\u00e9m, misteriosamente, os seus ministros. Uma paternidade, que n\u00e3o nasce da vossa humanidade, das vossas compet\u00eancias, mas vem do Alto, como dom do Esp\u00edrito. Acolhei este dom incomensur\u00e1vel da gra\u00e7a, sobretudo nos momentos de maior aridez e solid\u00e3o; invocai e regressai sempre \u00e0 fonte da obra que Cristo hoje est\u00e1 a fazer em v\u00f3s para sempre. De facto, Ele indica a tarefa, mas tamb\u00e9m oferece a for\u00e7a para a realizar. E n\u00e3o \u00e9, porventura, esta a nossa seguran\u00e7a e a nossa paz? Em que outro porto poderemos procurar abrigo, particularmente, nas horas de sombra e nos tempos de deserto, sen\u00e3o junto do Senhor, e aos p\u00e9s da sua Cruz?<\/p>\n<p class=\"s6\">Por isso, caros D. Nuno e D. Alexandre, quando, no segredo da noite, procedeis \u00e0 revis\u00e3o do dia, n\u00e3o considereis tanto aquilo que fizestes, mas o que fostes. Conscientes de que \u00e9 fundamentalmente ao n\u00edvel da dimens\u00e3o do ser, mais do que do fazer, que a vossa rela\u00e7\u00e3o com Cristo, com a Virgem Maria e os Santos, mais se concretiza e desenvolve. Uma rela\u00e7\u00e3o confiante, vivida na ora\u00e7\u00e3o \u2013 esse di\u00e1logo silencioso com o Mestre \u2013, no encontro a s\u00f3s com o Senhor. Vivida porque, na simples presen\u00e7a junto ao tabern\u00e1culo, ela \u00e9 chamada ao vosso cora\u00e7\u00e3o, desejada e recordada em cada gesto de entrega e miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p><span>5.\u00a0<\/span>O nosso minist\u00e9rio n\u00e3o depende tanto das nossas qualidades, que, no entanto, s\u00e3o sempre um importante instrumento; nem t\u00e3o pouco depende da oferta da nossa vida pelos outros; acima de tudo, depende da d\u00e1diva do nosso cora\u00e7\u00e3o a Deus. Por isso, n\u00f3s n\u00e3o dizemos que somos conquistadores de almas, mas dizemos que estamos conquistados por Cristo.<\/p>\n<p>Viver em Cristo, estar enxertados n\u2019Ele, n\u00e3o significa fugir do mundo, significa, sim, estar no mundo, mas na maneira mais bela e no modo mais \u00fatil. \u00c9 necess\u00e1rio olhar o c\u00e9u para ser capaz de ver a terra; \u00e9 indispens\u00e1vel contemplar o mist\u00e9rio da cruz, para descobrir o servi\u00e7o aos homens e mulheres do nosso tempo.<\/p>\n<p>Quanto a esta forma de viver no tempo, as pessoas t\u00eam a capacidade de perscrutar, tamb\u00e9m a\u00ed, a presen\u00e7a de Deus e do seu reino, particularmente em fragmentos de gestos e de palavras; de vislumbrar, nas pequenas migalhas de Absoluto desprendidas da mesa do amor, alimento para a alma, nutrimento para a esperan\u00e7a. E at\u00e9 os surdos conseguir\u00e3o recuperar nova capacidade para escutar, os mudos para falar, os cegos para verem a presen\u00e7a do invis\u00edvel, d\u2019Aquele que vos escolheu para serdes, com o nosso Presbit\u00e9rio, sinal e sorriso, palavra e amor, alegria e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Sereis perd\u00e3o, porque fostes perdoados; portadores de salva\u00e7\u00e3o, porque fostes salvos; mensageiros de miseric\u00f3rdia, misericordiosos, \u201cporque fostes misericordiados\u201d, eis o rosto do Vosso minist\u00e9rio. Sede humildes, dedicados e generosos, pois tudo o que receberdes \u00e9 gra\u00e7as ao Esp\u00edrito de Deus que habita em v\u00f3s.<\/p>\n<p><span>6.\u00a0<\/span>A humanidade tem uma absoluta necessidade d\u2019Aquele rosto, que consciente ou inconscientemente, vai afanosamente procurando, mas tamb\u00e9m contestando.<\/p>\n<p>Onde conduzireis, v\u00f3s, o povo a v\u00f3s confiado? Esse povo que vos olha, recordando-nos quanto os nossos predecessores elevaram a fasquia do servi\u00e7o e do an\u00fancio. Lisboa \u00e9 um imenso campo que atende, sedenta e faminta, a genu\u00edna semente do Evangelho para germinar frutos de f\u00e9; est\u00e1 desejosa dum an\u00fancio de Cristo Vivo, que o Papa Francisco define como \u201cnossa esperan\u00e7a e a mais bela juventude deste mundo!\u201d Espera, impaciente, o rosto de Deus na presen\u00e7a amorosa, dispon\u00edvel, dos seus filhos, sobretudo dos seus ministros, para restaurar a verdadeira paz, mas tamb\u00e9m a ousadia de sonhar, apan\u00e1gio dos empreendedores do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p><em>Onde conduzireis o rebanho do Senhor? Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas de todas as terras onde se dispersaram<\/em><\/p>\n<p><em>e as farei voltar \u00e0s suas pastagens,<\/em><\/p>\n<p><em>para que cres\u00e7am e se multipliquem.<\/em><\/p>\n<p><em>Dar-lhes-ei pastores que as apascentem,<\/em><\/p>\n<p><em>e n\u00e3o mais ter\u00e3o medo nem sobressalto;<\/em><\/p>\n<p><em>nem se perder\u00e1 nenhuma delas.<\/em><\/p>\n<p>O povo olhar\u00e1 para ver onde colocareis os vossos p\u00e9s, certos de que os plantareis nas peugadas do Mestre. Pisadas vis\u00edveis e seguras, que enxergais no grande alvor da sucess\u00e3o apost\u00f3lica, \u00e0 qual, a partir de hoje e para sempre, pertenceis.<\/p>\n<p>Ora, v\u00f3s sabeis que as pastagens mais abundantes e nutritivas crescem sempre nas alturas; e quando o povo vos v\u00ea a subir, \u00e0 frente deles, a essas alturas, ele vos seguir\u00e1. Tal n\u00e3o significa, como tem exortado o Papa Francisco, que n\u00e3o estareis no meio do povo para o escutar, exortar e ensinar; para sentir a alma dos mais simples, dos mais pobres, dos exclu\u00eddos. Significa que estareis l\u00e1, junto de quem anda desencorajado, para reanimar o alento do caminho; estareis ao lado dos cansados e feridos, para oferecer repouso e cuidados, para sarar as feridas com o balsamo da miseric\u00f3rdia. Quando se sobe \u00e0s alturas, tudo favorece para, com os presb\u00edteros e por eles, chegar a todos. Sim, a todos, mas com um olhar especial aos mais fr\u00e1geis e pobres. E n\u00e3o \u00e9 sequer uma quest\u00e3o de justi\u00e7a, mas de amor. Porque o amor configura-se sobretudo na rela\u00e7\u00e3o com os outros, porque s\u00f3 se existe porque se foi amado e se ama.<\/p>\n<p>\u201cA caracter\u00edstica dos sacerdotes deve ser o esp\u00edrito de sacrif\u00edcio e de abnega\u00e7\u00e3o. Se procurardes o vosso bem-estar, o poder terreno, vivereis em contradi\u00e7\u00e3o com o vosso minist\u00e9rio; se procurardes a doa\u00e7\u00e3o, a compaix\u00e3o, a entrega, vivereis em harmonia com o nosso tempo e com os nossos irm\u00e3os. A nossa autoridade, t\u00e3o grandiosa, torna-se aquilo que o Senhor quer, ou seja, servi\u00e7o, humildade, amizade, di\u00e1logo de cora\u00e7\u00e3o para cora\u00e7\u00e3o, de pessoa para pessoa. E isto exige de n\u00f3s uma intensa vida interior, um relacionamento face a face com Cristo e com a Sua Palavra de salva\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Partilho convosco esta \u00faltima mensagem do antigo Arcebispo de Mil\u00e3o, Cardeal Schultz, a escassas horas de expirar: \u201cN\u00e3o tenho outra recorda\u00e7\u00e3o para vos deixar, se n\u00e3o um convite \u00e0 santidade. Parece que as pessoas, hoje, j\u00e1 n\u00e3o se deixam tocar pela nossa prega\u00e7\u00e3o. Mas, na presen\u00e7a da santidade, ainda creem, ajoelham-se e rezam\u201d.<\/p>\n<p><span>7.<\/span>\u00a0\u201cN\u00e3o temais!\u201d \u00c9 o que, hoje, vos segreda o Senhor ao vosso cora\u00e7\u00e3o de pastores, e \u00e9 tamb\u00e9m, o que n\u00f3s vos transmitimos com amizade.<\/p>\n<p>A nossa ora\u00e7\u00e3o estar\u00e1 sempre presente. A prece que elevamos do santu\u00e1rio do nosso cora\u00e7\u00e3o acompanhar-vos-\u00e1.<\/p>\n<p>Do c\u00e9u, vos contemplam os vossos entes queridos, mas tamb\u00e9m aqueles que serviram, com amor e dedica\u00e7\u00e3o, o nosso amado Patriarcado: D. Ant\u00f3nio, D. Jos\u00e9, D. Tom\u00e1s, D. Daniel\u2026 apenas para referir os mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>Deixai-vos, pois, seduzir pelo olhar maternal da Virgem Maria, olhar que nos diz: \u201cfazei tudo o que Ele vos disser\u201d. Permanecei sempre seus filhos, porque ela \u00e9 M\u00e3e. Cultivai a confian\u00e7a na sua ternura maternal, o seu cora\u00e7\u00e3o materno tudo escuta, tudo compreende e, v\u00f3s o sabeis, tudo conforta e consola. A sua companhia \u00e9 luz e sustento para o caminho, quando caminhar significa progredir, construir, encarnar Cristo na hist\u00f3ria e na vida de cada homem e mulher. N\u00e3o temais!<\/p>\n<p>Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, 21 de julho de 2024<br \/><span>\u2020 RUI, Patriarca de Lisboa<\/span><\/p>\n<p><span>Imagem: Transmiss\u00e3o online Patriarcado de Lisboa<\/span><br \/>\n<span>Educris|21.07.2024<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Rui Val\u00e9rio, na ordena\u00e7\u00e3o episcopal de D. Nuno Isidro e D. 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