{"id":1533426532,"date":"2024-03-28T00:00:00","date_gmt":"2024-03-28T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/12916-papa-aos-sacerdotes-rezar-pelo-dom-das-lagrimas"},"modified":"2024-03-28T00:00:00","modified_gmt":"2024-03-28T00:00:00","slug":"papa-aos-sacerdotes-rezar-pelo-dom-das-lagrimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/papa-aos-sacerdotes-rezar-pelo-dom-das-lagrimas\/","title":{"rendered":"Papa aos sacerdotes: \u00abRezar pelo dom das l\u00e1grimas\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_sao_pedro_branco_181118071752.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Na Missa Crismal desta quinta-feira, que o Papa celebrou no Vaticano, Francisco convidou os sacerdotes a redescobrir o dom da compun\u00e7\u00e3o pois &#8220;quem n\u00e3o chora envelhece&#8221;. No in\u00edcio do Tr\u00edduo Pascal o Papa lembrou que &#8220;o Senhor procura, especialmente entre as pessoas que Lhe est\u00e3o consagradas, quem chore os pecados da Igreja e do mundo, fazendo-se instrumento de intercess\u00e3o por todos&#8221;<\/em><\/p>\n<p><span>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre<\/span><\/p>\n<p>\u00abTodos os que estavam na sinagoga, tinham os olhos fixos n\u2019Ele\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a04, 20). N\u00e3o cessa de nos impressionar esta passagem do Evangelho, que nos leva a visualizar a cena, a imaginar aquele momento de sil\u00eancio com todos os olhares voltados para Jesus, num misto de maravilha e difid\u00eancia. Entretanto, sabemos como tudo terminou: depois de Jesus ter desmascarado as falsas expetativas de seus conterr\u00e2neos, estes \u00abencheram-se de furor\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a04, 28), sa\u00edram da sinagoga e expulsaram-No da cidade. Os olhos estiveram fixos em Jesus, mas os seus cora\u00e7\u00f5es n\u00e3o estavam dispostos a mudar, \u00e0 sua palavra. Assim perderam a ocasi\u00e3o da sua vida.<\/p>\n<p>Contudo na noite de hoje, Quinta-feira Santa, acontece uma\u00a0<em>troca de olhares<\/em>\u00a0diferente. Protagonista \u00e9 o primeiro Pastor da nossa Igreja, Pedro. Inicialmente tamb\u00e9m ele n\u00e3o deu cr\u00e9dito \u00e0 palavra do Senhor, que o desmascarava: \u00abTu negar-Me-\u00e1s tr\u00eas vezes\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a014, 30). Assim \u00abperdeu de vista\u00bb Jesus, e renegou-O ao cantar do galo. Mas depois, \u00abvoltando-Se, o Senhor fixou os olhos nele; e Pedro recordou-se da palavra do Senhor (\u2026). E, vindo para fora, chorou amargamente\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a022, 61-62). Os seus olhos acabaram inundados de l\u00e1grimas que, brotando dum cora\u00e7\u00e3o ferido, o libertaram de falsas certezas e justifica\u00e7\u00f5es. Aquele choro amargo mudou-lhe a vida.<\/p>\n<p>Ano ap\u00f3s ano, as palavras e os gestos de Jesus n\u00e3o conseguiram mudar as expetativas de Pedro, ali\u00e1s semelhantes \u00e0s do povo de Nazar\u00e9: tamb\u00e9m ele esperava um Messias pol\u00edtico e poderoso, forte e resoluto, e confrontado com o esc\u00e2ndalo dum Jesus fr\u00e1gil, preso sem opor resist\u00eancia, declarou: \u00abN\u00e3o O conhe\u00e7o\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a022, 57). E era verdade! N\u00e3o O conhecia\u2026 Come\u00e7ou a conhec\u00ea-Lo quando, na noite do renegamento, deixou espa\u00e7o \u00e0s l\u00e1grimas da vergonha, \u00e0s l\u00e1grimas do arrependimento. E vai conhec\u00ea-Lo verdadeiramente, quando, \u00abtriste por Jesus lhe ter perguntado, \u00e0 terceira vez: \u201cTu \u00e9s deveras meu amigo?\u201d\u00bb, se deixar\u00e1 penetrar plenamente pelo olhar de Jesus. Ent\u00e3o, daquele \u00abn\u00e3o O conhe\u00e7o\u00bb, passar\u00e1 a dizer: \u00abSenhor, tu sabes tudo\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a021,17).<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os sacerdotes, verificam-se a cura do cora\u00e7\u00e3o de Pedro, a cura do Ap\u00f3stolo, a cura do Pastor, quando, feridos e arrependidos, se deixam perdoar por Jesus; passam atrav\u00e9s das l\u00e1grimas, daquele pranto amargo, do sofrimento que permite redescobrir o amor. Por isso senti o desejo de partilhar convosco qualquer pensamento sobre um aspeto, bastante negligenciado, mas essencial da vida espiritual; proponho-o hoje com uma palavra talvez ins\u00f3lita, mas creio que nos far\u00e1 bem voltar a descobrir: a\u00a0<em>compun\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>A palavra evoca o\u00a0<em>picar<\/em>: a compun\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00abuma aguilhoada no cora\u00e7\u00e3o\u00bb, um trespassamento que o fere, fazendo brotar as l\u00e1grimas do arrependimento. Pode-nos ajudar aqui um epis\u00f3dio, que tem a ver ainda com S\u00e3o Pedro. Trespassado pelo olhar e as palavras de Jesus ressuscitado, purificado e inflamado pelo Esp\u00edrito, no dia de Pentecostes proclamou aos habitantes de Jerusal\u00e9m: \u00abDeus estabeleceu como Senhor e Messias esse Jesus por v\u00f3s crucificado\u00bb (<em>At<\/em>\u00a02, 36). Os presentes, \u00abquando ouviram estas coisas \u2013 diz o texto \u2013 sentiram o cora\u00e7\u00e3o trespassado\u00bb (<em>At<\/em>\u00a02, 37), dando-se conta do mal que tinham feito e, simultaneamente, da salva\u00e7\u00e3o que o Senhor lhes concedia.<\/p>\n<p>Vemos aqui o que \u00e9 a compun\u00e7\u00e3o: n\u00e3o um sentimento de culpa que te lan\u00e7a por terra, nem uma s\u00e9rie de escr\u00fapulos que paralisam, mas \u00e9 uma picada ben\u00e9fica que queima intimamente e cura, pois o cora\u00e7\u00e3o, quando se d\u00e1 conta do pr\u00f3prio mal e se reconhece pecador, abre-se, acolhe a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, como \u00e1gua viva que o muda a ponto de lhe correrem as l\u00e1grimas pelo rosto. Quem retira a m\u00e1scara e se deixa olhar por Deus no cora\u00e7\u00e3o, recebe o dom de tais l\u00e1grimas, as \u00e1guas mais santas depois das do Batismo.\u00a0Amados irm\u00e3os sacerdotes, s\u00e3o estes os votos que vos fa\u00e7o hoje.<\/p>\n<p>Entretanto \u00e9 preciso compreender bem o que significa\u00a0<em>chorar por n\u00f3s pr\u00f3prios<\/em>. N\u00e3o significa\u00a0<em>sentir pena de n\u00f3s<\/em>, como muitas vezes somos tentados a fazer. Isso acontece, por exemplo, quando estamos dececionados ou preocupados com as nossas expetativas goradas, com a falta de compreens\u00e3o por parte dos outros, talvez dos irm\u00e3os e dos superiores. Ou quando nos deleitamos, por um estranho e doentio prazer do esp\u00edrito, a repassar as injusti\u00e7as sofridas para sentirmos pena de n\u00f3s mesmos, pensando que n\u00e3o nos deram o merecido e imaginando o futuro reservando-nos de cont\u00ednuo apenas surpresas negativas. Como nos ensina S\u00e3o Paulo, esta \u00e9 a tristeza segundo o mundo, oposta \u00e0 tristeza segundo Deus.\u00a0<\/p>\n<p>Diversamente\u00a0<em>chorar por n\u00f3s pr\u00f3prios<\/em>\u00a0\u00e9 arrepender-nos seriamente de ter entristecido a Deus com o pecado; reconhecer que diante d\u2019Ele sempre estamos em d\u00e9bito, nunca em cr\u00e9dito; admitir que se perdeu o caminho da santidade, n\u00e3o tendo confiado no amor d\u2019Aquele que deu a vida por mim.\u00a0\u00a0\u00c9 olhar para dentro de mim e sentir pesar pela minha ingratid\u00e3o e inconst\u00e2ncia; meditar com tristeza nos meus fingimentos e falsidades; descer aos meandros da minha hipocrisia, a hipocrisia clerical: amados irm\u00e3os, aquela hipocrisia na qual escorregamos tanto\u2026 tanto. Tende cuidado com a hipocrisia clerical! Para em seguida erguer o olhar para o Crucificado e deixar-me comover pelo seu amor que sempre perdoa e eleva, que nunca deixa frustradas as esperan\u00e7as de quem n\u2019Ele confia. Assim as l\u00e1grimas continuar\u00e3o a cair, e purificam o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De facto, a compun\u00e7\u00e3o requer esfor\u00e7o, mas restitui a paz; n\u00e3o provoca ang\u00fastia, mas alivia a alma dos seus pesos, porque interv\u00e9m na ferida deixada pelo pecado, preparando-nos para receber l\u00e1 mesmo a car\u00edcia do Senhor, que transforma o cora\u00e7\u00e3o quando est\u00e1 \u00abcontrito e arrependido\u00bb (<em>Sal<\/em>\u00a051, 19), amolecido pelas l\u00e1grimas. Assim a compun\u00e7\u00e3o \u00e9 o ant\u00eddoto para a\u00a0<em>esclerocardia<\/em>, aquela dureza do cora\u00e7\u00e3o frequentemente denunciada por Jesus (<em>Mc<\/em>\u00a03, 5; 10, 5). Na verdade, o cora\u00e7\u00e3o sem arrependimento nem l\u00e1grimas, torna-se r\u00edgido: primeiro, torna-se rotineiro, em seguida intolerante com os problemas e indiferente \u00e0s pessoas, depois frio e quase impass\u00edvel, como se estivesse envolvido por uma concha inquebr\u00e1vel, e finalmente cora\u00e7\u00e3o de pedra. Mas, assim como a \u00e1gua, gota a gota, escava a pedra, as l\u00e1grimas lentamente escavam os cora\u00e7\u00f5es endurecidos. Deste modo assiste-se ao milagre da tristeza, da tristeza boa que leva \u00e0 do\u00e7ura.<\/p>\n<p>Compreendemos ent\u00e3o por que motivo insistem na compun\u00e7\u00e3o os Mestres espirituais. S\u00e3o Bento convida-nos todos os dias a \u00abconfessar a Deus com l\u00e1grimas e gemidos os nossos pecados passados\u00bb\u00a0\u00a0e, quando rezamos \u2013 afirma ele \u2013, \u00abn\u00e3o seremos ouvidos pelas nossas palavras, mas pela pureza do cora\u00e7\u00e3o e pela compun\u00e7\u00e3o que arranca as l\u00e1grimas\u00bb.\u00a0E enquanto S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo defende que uma \u00fanica l\u00e1grima apaga um braseiro de pecados,\u00a0\u00a0a\u00a0<em>Imita\u00e7\u00e3o de Cristo<\/em>\u00a0recomenda: \u00abAbandona-te \u00e0 compun\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u00bb, pois muitas vezes, \u00abpela leviandade do cora\u00e7\u00e3o e pelo descuido dos nossos defeitos, n\u00e3o nos apercebemos dos males da nossa alma\u00bb. O\u00a0rem\u00e9dio \u00e9 a compun\u00e7\u00e3o, porque nos reconduz \u00e0 verdade de n\u00f3s mesmos, de tal modo que a profundidade do nosso ser\u00a0<em>pecador<\/em>\u00a0revele a realidade infinitamente maior do nosso ser\u00a0<em>perdoado<\/em>, a alegria de ser perdoado. Por isso n\u00e3o surpreende a afirma\u00e7\u00e3o de Isaque de N\u00ednive: \u00abQuem esquece a medida dos pr\u00f3prios pecados, esquece a medida da gra\u00e7a de Deus para com ele\u00bb.<\/p>\n<p>A verdade, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, \u00e9 que cada um dos nossos renascimentos interiores brota sempre do encontro entre a nossa mis\u00e9ria e a sua miseric\u00f3rdia \u2013 encontram-se a nossa mis\u00e9ria e a sua miseric\u00f3rdia \u2013, passa atrav\u00e9s da nossa pobreza de esp\u00edrito que permite ao Esp\u00edrito Santo enriquecer-nos. A esta luz, compreendem-se as afirma\u00e7\u00f5es fortes de muitos Mestres espirituais. Pensemos nestas palavras paradoxais do j\u00e1 referido Santo Isaac: \u00abAquele que conhece os seus pr\u00f3prios pecados (\u2026) \u00e9 maior do que aquele que, com a ora\u00e7\u00e3o, ressuscita os mortos. Aquele que chora por si mesmo uma hora \u00e9 maior do que quem serve o mundo inteiro com a contempla\u00e7\u00e3o (\u2026). Aquele a quem \u00e9 concedido conhecer-se a si mesmo \u00e9 maior do que aquele a quem \u00e9 dado ver os anjos\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p>Irm\u00e3os, pensemos em n\u00f3s, sacerdotes, e interroguemo-nos qu\u00e3o presente estejam a compun\u00e7\u00e3o e as l\u00e1grimas no nosso exame de consci\u00eancia e na nossa ora\u00e7\u00e3o. Perguntemo-nos se, com o passar dos anos, aumentam as l\u00e1grimas. Sob este aspeto, \u00e9 bom suceder o contr\u00e1rio do que acontece na vida biol\u00f3gica: nesta, quando se cresce, chora-se menos do que em crian\u00e7a. Mas, na vida espiritual, onde o que conta \u00e9 tornar-se crian\u00e7a (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a018, 3), quem n\u00e3o chora retrocede, envelhece interiormente, ao passo que a pessoa que chega a uma ora\u00e7\u00e3o mais simples e \u00edntima, feita de adora\u00e7\u00e3o e como\u00e7\u00e3o diante de Deus: isso amadurece-nos. Prende-se cada vez menos a si mesma e mais a Cristo, e torna-se pobre em esp\u00edrito. Deste modo sente-se mais pr\u00f3xima dos pobres, os prediletos de Deus, que antes \u2013 como escreve S\u00e3o Francisco no seu testamento \u2013 mantinha afastados, porque estava no pecado, mas cuja companhia, depois, de amarga se torna doce\u00bb. E\u00a0assim, quem est\u00e1 compungido no cora\u00e7\u00e3o, sente-se cada vez mais irm\u00e3o de todos os pecadores do mundo, sente-se mais irm\u00e3o, sem qualquer apar\u00eancia de superioridade nem dureza de ju\u00edzo, mas sempre com desejo de amar e reparar.<\/p>\n<p>E esta, amados irm\u00e3os \u00e9 outra carater\u00edstica da compun\u00e7\u00e3o: a\u00a0<em>solidariedade<\/em>. Um cora\u00e7\u00e3o d\u00f3cil, liberto pelo esp\u00edrito das Bem-aventuran\u00e7as, tende naturalmente a sentir compun\u00e7\u00e3o pelos outros: em vez de se irritar e escandalizar pelo mal feito pelos irm\u00e3os, chora pelos pecados deles. N\u00e3o se escandaliza. Cumpre-se uma esp\u00e9cie de reviravolta: a tend\u00eancia natural de ser indulgente consigo mesmo e inflex\u00edvel com os outros inverte-se e, pela gra\u00e7a de Deus, a pessoa torna-se exigente consigo mesma e misericordiosa com os outros. E o Senhor procura, especialmente entre as pessoas que Lhe est\u00e3o consagradas, quem chore os pecados da Igreja e do mundo, fazendo-se instrumento de intercess\u00e3o por todos. Na Igreja, temos tantas testemunhas heroicas que nos mostram este caminho. Pensemos nos monges do deserto, no Oriente e no Ocidente; na intercess\u00e3o cont\u00ednua de S\u00e3o Greg\u00f3rio de Narek, feita de gemidos e l\u00e1grimas; no oferecimento de Francisco pelo Amor n\u00e3o amado; nos sacerdotes, como o Cura d Ars, que viviam de penit\u00eancia pela salva\u00e7\u00e3o dos outros. Amados irm\u00e3os, isto n\u00e3o \u00e9 poesia; isto \u00e9 sacerd\u00f3cio!<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os, a n\u00f3s \u2013 seus Pastores \u2013, o Senhor n\u00e3o pede ju\u00edzos de desprezo contra quem n\u00e3o cr\u00ea, mas amor e l\u00e1grimas por quem vive afastado. Quando as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que vemos e vivemos, a falta de f\u00e9, os sofrimentos que tocamos, entram em contacto com um cora\u00e7\u00e3o compungido, decididamente n\u00e3o suscitam a pol\u00e9mica, mas a perseveran\u00e7a na miseric\u00f3rdia. Quanto precisamos de ser libertos de durezas e recrimina\u00e7\u00f5es, de ego\u00edsmos e ambi\u00e7\u00f5es, de rigidezes e insatisfa\u00e7\u00f5es, para nos confiar e entregar a Deus, encontrando n\u2019Ele uma paz que salva de toda a tempestade! Adoremos, intercedamos e choremos pelos outros: permitiremos assim que o Senhor realize maravilhas. E n\u00e3o temamos! Ele surpreende-nos sempre\u2026<\/p>\n<p>De tudo isso beneficiar\u00e1 o nosso minist\u00e9rio. Hoje, numa sociedade laica, corremos o risco de ser muito ativos e, ao mesmo tempo, sentir-nos impotentes, com o resultado de perdermos o entusiasmo e sermos tentados a \u00abdeixar de remar\u00bb, fechar-nos em lamentos e fazer prevalecer a grandeza dos problemas sobre a grandeza de Deus. Se isto acontecer, tornamo-nos amargos e pungentes, sempre a criticar, encontrando sempre qualquer ponto para se lamentar. Se, pelo contr\u00e1rio, a amargura e a compun\u00e7\u00e3o se voltarem, n\u00e3o para o mundo, mas para o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, o Senhor n\u00e3o deixar\u00e1 de nos visitar e reerguer. Como nos exorta a\u00a0<em>Imita\u00e7\u00e3o de Cristo<\/em>: \u00abN\u00e3o carregues dentro de ti os assuntos dos outros, nem te preocupes com o que fazem as pessoas mais importantes; em vez disso, vigia sempre em primeiro lugar sobre ti e dirige a tua advert\u00eancia particularmente a ti mesmo, em vez de outras pessoas, mesmo queridas. N\u00e3o fiques triste, se n\u00e3o recebes o favor dos homens; o que, ao inv\u00e9s, te deve pesar, entristecer \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o de n\u00e3o estar totalmente e com seguran\u00e7a no caminho do bem\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, quero sublinhar um aspeto essencial: a compun\u00e7\u00e3o, mais do que fruto do nosso exerc\u00edcio, \u00e9 uma\u00a0<em>gra\u00e7a<\/em>\u00a0e como tal\u00a0<em>deve ser pedida na ora\u00e7\u00e3o<\/em>. O arrependimento \u00e9 dom de Deus, \u00e9 fruto da a\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Esp\u00edrito Santo<\/em>. Para facilitar o seu crescimento, partilho duas pequenas recomenda\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 n\u00e3o olhar a vida e a voca\u00e7\u00e3o numa perspetiva de efici\u00eancia e imediatismo, ligada apenas ao dia de hoje e \u00e0s suas urg\u00eancias e expetativas, mas olh\u00e1-las no arco englobando passado e futuro como um todo: no passado, para recordar a fidelidade de Deus \u2013 Deus \u00e9 fiel \u2013, fazendo mem\u00f3ria do seu perd\u00e3o, ancorando-nos ao seu amor; e no futuro, para pensar na meta eterna a que somos chamados, no fim \u00faltimo da nossa exist\u00eancia. Alargar os horizontes, amados irm\u00e3os, alargar os horizontes ajuda a dilatar o cora\u00e7\u00e3o, incentiva a reentrar em n\u00f3s mesmos com o Senhor e viver a compun\u00e7\u00e3o. Uma segunda recomenda\u00e7\u00e3o, que vem como consequ\u00eancia da anterior: descubramos a necessidade de nos dedicarmos a uma ora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja obrigat\u00f3ria e funcional, mas livre, calma e prolongada. Irm\u00e3o, como \u00e9 a tua ora\u00e7\u00e3o? Voltemos \u00e0 adora\u00e7\u00e3o \u2013 tens-te esquecido de adorar? \u2013 e voltemos e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. Repitamos:\u00a0<em>Jesus, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador<\/em>. Sintamos a grandeza de Deus na nossa baixeza de pecadores, para olharmos para dentro de n\u00f3s mesmos e nos deixarmos trespassar pelo seu olhar. Descobriremos a sabedoria da Santa M\u00e3e Igreja, que nos introduz na ora\u00e7\u00e3o sempre com a invoca\u00e7\u00e3o do pobre que clama:\u00a0<em>Senhor, apressai-Vos a socorrer-me<\/em>.<\/p>\n<p>Por fim, queridos irm\u00e3os, voltemos a S\u00e3o Pedro e \u00e0s suas l\u00e1grimas. O altar colocado sobre o seu t\u00famulo n\u00e3o pode deixar de nos fazer pensar nas in\u00fameras vezes que, apesar de ali dizermos cada dia \u00ab<em>Tomai todos e comei: Isto \u00e9 o meu Corpo oferecido em sacrif\u00edcio por v\u00f3s\u00bb<\/em>; quantas vezes desiludimos e entristecemos Aquele que nos ama at\u00e9 ao ponto de fazer das nossas m\u00e3os os instrumentos da sua presen\u00e7a! Portanto, \u00e9 bom fazer nossas estas palavras que recitamos em surdina durante a Santa Missa: \u00ab<em>Em humildade e contri\u00e7\u00e3o, sejamos recebidos por V\u00f3s, Senhor\u2026<\/em>\u00bb e ainda:\u00a0<em>\u00abLavai-me, Senhor, da minha iniquidade, e purificai-me do meu pecado\u00bb<\/em>. Em tudo, irm\u00e3os, sirva-nos de consola\u00e7\u00e3o a certeza que nos \u00e9 dada hoje pela Palavra: o Senhor, consagrado com a un\u00e7\u00e3o (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a04, 18), veio \u00abcurar os quebrantados de cora\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>Is<\/em>\u00a061, 1). Ent\u00e3o, se o cora\u00e7\u00e3o se despeda\u00e7ar, pode ser faixado e curado por Jesus. Obrigado, queridos sacerdotes, obrigado pelo vosso cora\u00e7\u00e3o aberto e d\u00f3cil; obrigado pelas vossas fadigas e obrigado pelo vosso pranto; obrigado porque levais a maravilha da miseric\u00f3rdia \u2013 perdoai sempre, sede misericordiosos \u2013 e levai esta miseric\u00f3rdia, levai Deus aos irm\u00e3os e irm\u00e3s do nosso tempo. Que o Senhor vos console, confirme e recompense! Obrigado!<\/p>\n<p><span>Imagem: Vatican Media<\/span><\/p>\n<p><span>Educris|28.03.2024<\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Missa Crismal desta quinta-feira, que o Papa celebrou no Vaticano, Francisco convidou os sacerdotes a redescobrir o dom da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3006040656,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-1533426532","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1533426532","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1533426532"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1533426532\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3006040656"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1533426532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1533426532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1533426532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}