{"id":1534343237,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/9040-domingo-iv-do-advento-em-bicos-de-pes-em-sonhos-em-silencio"},"modified":"2025-11-07T16:33:35","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:35","slug":"domingo-iv-do-advento-em-bicos-de-pes-em-sonhos-em-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iv-do-advento-em-bicos-de-pes-em-sonhos-em-silencio\/","title":{"rendered":"Domingo IV do Advento: \u00abEm bicos de p\u00e9s, em sonhos, em sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">1. Sempre me encantou esta human\u00edssima e sensibil\u00edssima figura de Jos\u00e9, que o Evangelho de Mateus qualifica como \u00abjusto\u00bb (Mateus, 1,19). O termo \u00abjusti\u00e7a\u00bb enche este Evangelho, fazendo-se nele ouvir por sete vezes (3,15; 5,6.10.20; 6,1.33; 21,32), e traduz o plano divino de salva\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a divina surpresa, e a adequa\u00e7\u00e3o da nossa vontade a esse plano, melhor dito, a essa surpresa. Neste Evangelho, os disc\u00edpulos nunca s\u00e3o declarados \u00abjustos\u00bb, mas s\u00e3o chamados \u00e0 \u00abjusti\u00e7a\u00bb, a andar no \u00abcaminho da justi\u00e7a\u00bb, auto destituindo-se, pondo de lado os seus projetos, e sabendo sempre dizer SIM a Deus.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">2. A\u00ed est\u00e1, ent\u00e3o, diante de n\u00f3s o sensibil\u00edssimo \u00abjusto\u00bb Jos\u00e9 sintonizado em alta fidelidade, em Hi-Fi, com Deus. \u00c9 assim que, em bicos de p\u00e9s, no limiar do sil\u00eancio, passa discretamente da cena \u00abp\u00fablica\u00bb para o \u00absegredo\u00bb (Mateus 1,19). Fant\u00e1stico. At\u00e9 Deus entende e respeita este sil\u00eancio, este \u00absegredo\u00bb (<em>l\u00e1thra<\/em>) de Jos\u00e9, e \u00e9 de mansinho, em um sonho (Mateus 1,20), que p\u00f5e Jos\u00e9 a par dos seus planos, entenda-se, surpresas, que passam pela maternidade divina de Maria e pela miss\u00e3o esponsal e paternal de Jos\u00e9. \u00c9 o que podemos chamar, neste Evangelho de Mateus 1,18-24, de \u00abAnuncia\u00e7\u00e3o do Anjo a Jos\u00e9\u00bb.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">3. Este homem manso, sossegado e silencioso (quando surge em cena, somando todos os textos em que aparece, n\u00e3o se lhe ouve uma \u00fanica palavra!) lembra o outro Jos\u00e9, o homem dos sonhos (G\u00e9nesis 37,19), que surge no Livro do G\u00e9nesis, e que com sonhos e serena sabedoria se ocupa (G\u00e9nesis 37; 40; 41). Tamb\u00e9m este Jos\u00e9 sabe ler a sua hist\u00f3ria em dois teclados, distinguindo bem as coisas humanas das divinas (ou entran\u00e7ando bem as coisas humanas e as divinas?!). Veja-se a forma sublime como se apresenta, desvendando-se, aos seus irm\u00e3os mais do que at\u00f3nitos: \u00abEu sou Jos\u00e9, vosso irm\u00e3o, que v\u00f3s vendestes para o Egipto. Mas agora n\u00e3o vos entriste\u00e7ais nem vos aflijais por me terdes vendido para c\u00e1, porque foi para salvar as vossas vidas que Deus me enviou adiante de v\u00f3s. Deus enviou-me adiante de v\u00f3s para assegurar a perman\u00eancia da vossa ra\u00e7a na terra e salvar as vossas vidas para uma grande liberta\u00e7\u00e3o. Assim, n\u00e3o fostes v\u00f3s que me enviastes para c\u00e1, mas Deus\u00bb (G\u00e9nesis 45,4-8). Leitura sublime.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">4. A miss\u00e3o paternal de Jos\u00e9 fica clara no facto de ser Jos\u00e9 a dar o nome ao filho que vai nascer de Maria. O nome do menino ser\u00e1 Jesus, que surge logo explicado \u00abporque salvar\u00e1 o seu povo dos seus pecados\u00bb (Mateus 1,21). E aqui se come\u00e7a a abrir uma grande avenida que atravessa o inteiro Evangelho de Mateus: a avenida do PERD\u00c3O. Esta nota soa vezes sem fim, como obra bela de Deus que n\u00f3s, seus filhos, devemos imitar, perdoando tamb\u00e9m. S\u00e3o tantas as vezes que seria fastidioso cit\u00e1-las todas aqui. Deixo s\u00f3 a p\u00e9rola do dito de Jesus sobre o c\u00e1lice: \u00abIsto \u00e9 o meu sangue da alian\u00e7a, pelos muitos derramado, para perd\u00e3o dos pecados\u00bb (26,28). O inciso \u00abpara perd\u00e3o dos pecados\u00bb \u00e9 um exclusivo de Mateus!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">5. E \u00e9 assim, descendo ao nosso n\u00edvel e assumindo ou abra\u00e7ando tudo o que \u00e9 nosso, sem deixar nada nem ningu\u00e9m esquecido ou de lado, que Jesus \u00e9 \u00abDeus connosco\u00bb (Mateus 1,23), e \u00abconnosco fica todos os dias at\u00e9 ao fim do mundo\u00bb (Mateus 28,20). Princ\u00edpio e fim do Evangelho de Mateus. Inclus\u00e3o liter\u00e1ria.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">6. Emanuel, Deus connosco. Mateus faz aqui uma cita\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas 7,14, que, por gra\u00e7a, tamb\u00e9m hoje \u00e9 objeto de leitura para n\u00f3s. Mas Mateus faz uma altera\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica fundamental. Isa\u00edas dizia: \u00abE\u00a0<em>ela<\/em>\u00a0(a jovem m\u00e3e)\u00a0<em>chamar\u00e1<\/em>\u00a0o nome dele Emanuel\u00bb. Mateus altera o sujeito e o verbo e escreve assim: \u00abE\u00a0<em>eles<\/em>\u00a0<em>chamar\u00e3o<\/em>\u00a0o nome dele Emanuel\u00bb (Mateus 1,23). Com esta mudan\u00e7a de sujeito e verbo do singular para o plural, Mateus faz de Jesus, n\u00e3o apenas o sinal de salva\u00e7\u00e3o dado a um povo, mas sinal de salva\u00e7\u00e3o para todos os povos! E a d\u00e1diva do nome por todos, por n\u00f3s tamb\u00e9m, implica-nos a todos com este Emanuel.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">7. J\u00e1 se ouve a m\u00fasica de Isa\u00edas 7,10-14; 8,10. O cen\u00e1rio \u00e9 a guerra siro-efraimita, que s\u00e3o dois ex\u00e9rcitos, da S\u00edria e de Israel, que p\u00f5em cerco a Jerusal\u00e9m, capital do Reino de Jud\u00e1, no ano 734 a. C., com o intuito de depor Acaz, rei de Jud\u00e1. J\u00e1 se v\u00ea um Isa\u00edas firme e confiante, que, enviado por Deus (Isa\u00edas 7,3), atravessa sem medo o cen\u00e1rio da guerra siro-efraimita, para levar ao amedrontado e tr\u00e9mulo rei Acaz (Isa\u00edas 7,2), que se encontra junto da nascente de\u00a0<em>Gih\u00f4n<\/em>, a inspecionar as \u00e1guas, uma palavra de conforto e de esperan\u00e7a. Para significar melhor tudo isto, Isa\u00edas leva o seu filho, que ostenta um nome de esperan\u00e7a\u00a0<em>Sh<sup>e<\/sup>\u2019ar yash\u00fbb<\/em>\u00a0[= \u00abum \u201cresto\u201d voltar\u00e1\u00bb], pela m\u00e3o (Isa\u00edas 7,3). Um pai, que ousa atravessar um cen\u00e1rio de guerra levando um filho pela m\u00e3o, \u00e9, na verdade, testemunha de outra seguran\u00e7a! A mensagem que Isa\u00edas comunica a Acaz consta de quatro pontos: a) tem calma; b) n\u00e3o tenhas medo; c) segura-te em Deus; d) pede um sinal (Isa\u00edas 7,11). J\u00e1 se sabe que o descrente Acaz n\u00e3o pedir\u00e1 o sinal, diz ele, para n\u00e3o tentar a Deus (Isa\u00edas 7,12), isto \u00e9, hipocritamente alega uma raz\u00e3o aparentemente religiosa como para-vento para esconder a sua incredulidade. Ora, pedir um \u00absinal\u00bb, nestas circunst\u00e2ncias, era sinal de f\u00e9 e de humildade que reconhece a sua pobreza, como se depreende do comportamento de Abra\u00e3o (G\u00e9nesis 15,8), de Gede\u00e3o (Ju\u00edzes 6,36-40) e de Ezequias (2 Reis 20,8-11). Marcada pela incredulidade era antes a recusa de pedir esse \u00absinal\u00bb, como sucede com Acaz, que julga Deus incapaz de se interessar pelos nossos problemas.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">8. Pouco importa. Eis que Deus d\u00e1, de igual maneira, o seu sinal: \u00abA jovem\u00bb (<em>\u2018almah<\/em>\u00a0TM;\u00a0<em>parth\u00e9nos<\/em>\u00a0LXX) concebeu e dar\u00e1 \u00e0 luz um filho a quem por\u00e1 o nome de\u00a0<em>\u2018imman\u00fb \u2019el<\/em>\u00a0[= \u00abConnosco Deus\u00bb]\u00bb (Isa\u00edas 7,14). A jovem, aqui mencionada, \u00e9, em primeira leitura, certamente Abia, filha de Zacarias, esposa de Acaz, m\u00e3e de Ezequias (2 Cr\u00f3nicas 29,1). O filho, cujo nascimento \u00e9 anunciado \u00e9 certamente, em primeira leitura, Ezequias, filho de Acaz e de Abia, que ainda n\u00e3o tinha dado a Acaz um herdeiro. O nascimento de Ezequias parece ter ocorrido em 733, depois da guerra siro-efraimita. Todavia, como ele n\u00e3o \u00e9 nomeado, a promessa n\u00e3o se esgota na pessoa de Ezequias. Abre-se ao herdeiro din\u00e1stico de qualquer tempo, portador das promessas de Deus para o seu povo. Este \u00abfilho\u00bb dado fica assim no campo dos \u00absinais\u00bb, de resto como Isa\u00edas e os seus filhos (Isa\u00edas 8,18), e Mateus procede de forma correta ao ver a promessa realizar-se em Jesus, como, por gra\u00e7a, nos \u00e9 dado ouvir no Evangelho de hoje (Mateus 1,18-24). Em primeira leitura, o \u00absinal\u00bb dado a Acaz \u00e9 que a dinastia dav\u00eddica, que corria perigo em 734, se salvar\u00e1. Vir\u00e1 mesmo um tempo de prosperidade e de paz que marcar\u00e1 a inf\u00e2ncia daquele menino, que se alimentar\u00e1 de leite coalhado e mel (Isa\u00edas 7,15), alimentos que simbolizam abund\u00e2ncia porque s\u00e3o dom de Deus (Deuteron\u00f3mio 6,3; 11,9; 32,13-14; \u00caxodo 3,8 e 17).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">9. Por outro lado, antes que o menino atinja a idade da raz\u00e3o, portanto, dentro em breve, os reinos de Israel e da S\u00edria, agora agressores, ser\u00e3o reduzidos a escombros (Isa\u00edas 7,16; cf. 8,3-4). O que acontece, de facto, sendo a S\u00edria anexada pela Ass\u00edria ainda em 734, o mesmo acontecendo a grande parte do territ\u00f3rio de Israel, em 733. A paz e a felicidade dos dias de David e Salom\u00e3o, ou mesmo do tempo dos Ju\u00edzes, ser\u00e3o recordadas e vividas em Jud\u00e1. \u00c9 o que pretende dizer o or\u00e1culo: \u00abO Senhor far\u00e1 vir sobre ti [\u2026] dias tais como n\u00e3o existiram desde o dia em que Efraim se separou de Jud\u00e1\u00bb (Isa\u00edas 7,17), ou seja, desde 926, data da morte de Salom\u00e3o e da separa\u00e7\u00e3o do Reino de Israel (Norte) da Corte de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">10. Logo a seguir, Isa\u00edas introduz um or\u00e1culo de desgra\u00e7a sobre Jud\u00e1: as \u00e1guas impetuosas da Ass\u00edria vir\u00e3o sobre Jud\u00e1 e submergi-lo-\u00e3o (Isa\u00edas 8,6-8). Mas \u00e9 neste novo contexto que o profeta deixa sair, por duas vezes, o desabafo: \u00ab<em>\u2018imman\u00fb \u2019el<\/em>\u00bb! (8,8 e 10). Acostagem extraordin\u00e1ria da salva\u00e7\u00e3o \u00e0 desgra\u00e7a! Com este suspiro, num novo contexto, a profecia do Emanuel tornou-se tradi\u00e7\u00e3o j\u00e1 para o pr\u00f3prio Isa\u00edas. Esta tradi\u00e7\u00e3o tem a sua hist\u00f3ria. J\u00e1 n\u00e3o temos apenas um sentido hist\u00f3rico \u00fanico e determinado, mas come\u00e7a a hist\u00f3ria da tradi\u00e7\u00e3o do or\u00e1culo do Emanuel que, passando por Is 9,5 e 11,1-9, chegar\u00e1 ao Novo Testamento (Mateus 1,23). Deus connosco sempre.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">11. Temos tamb\u00e9m hoje a gra\u00e7a de receber o in\u00edcio da Carta de S. Paulo aos Romanos (1,1-7), em que podemos identificar a apresenta\u00e7\u00e3o ou\u00a0<em>titulatio<\/em>\u00a0[\u00abPaulo, servo de Cristo Jesus, chamado ap\u00f3stolo, separado para o Evangelho de Deus\u00bb] (v.1), seguida de um longo par\u00eantesis cristol\u00f3gico (vv. 2-6), o endere\u00e7o ou\u00a0<em>adscriptio<\/em>\u00a0[\u00aba todos os que est\u00e3o em Roma, amados de Deus, aos chamados santos\u00bb] (v. 7a), e a sauda\u00e7\u00e3o ou\u00a0<em>salutatio<\/em>\u00a0[\u00abGra\u00e7a a v\u00f3s e Paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo\u00bb] (v. 7b). Notemos que a locu\u00e7\u00e3o \u00abGra\u00e7a e Paz\u00bb abre todas as Cartas de S. Paulo, e \u00abA Gra\u00e7a\u00bb est\u00e1 em todas as sauda\u00e7\u00f5es finais, fechando todas as Cartas. Mas \u00e9 ainda grandemente sintom\u00e1tico que, depois deste in\u00edcio, a Carta aos Romanos prossiga assim: \u00abPrimeiro, dou Gra\u00e7as ao meu Deus, por interm\u00e9dio de Jesus Cristo, por todos v\u00f3s\u2026\u00bb (Romanos 1,8). Aqui est\u00e1 o mesmo olhar de bondade e de beleza, \u00edcone de Paulo em ora\u00e7\u00e3o sem fim. Na verdade, depois daquele \u00abprimeiro\u00bb, ficamos \u00e0 espera de encontrar um \u00absegundo\u00bb ou um \u00abdepois\u00bb, que, todavia, nunca mais aparecer\u00e1. A Gra\u00e7a e a A\u00e7\u00e3o da Gra\u00e7a est\u00e3o antes de tudo e preenchem tudo. Nesse sentido, \u00e9 bom e justo que tomemos consci\u00eancia de que n\u00e3o \u00e9 mais suficiente um cristianismo convencional, marcado pela a\u00e7\u00e3o social. \u00c9 hoje igualmente insuficiente a espiritualidade da milit\u00e2ncia, que persegue a causa nobre de uma Igreja viva e participada e da constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor. Um servi\u00e7o pastoral que se reduza a \u00abcoisas que fazer\u00bb est\u00e1 gasto. Passou o tempo dos crist\u00e3os meramente \u00abpraticantes\u00bb. Hoje s\u00e3o necess\u00e1rios crist\u00e3os enamorados, \u00e0 maneira de Paulo.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">12. Vem, Senhor Jesus. S\u00f3 um amor como o teu transformar\u00e1 este mundo e salvar\u00e1 o nosso engessado cora\u00e7\u00e3o! O \u00abjusto\u00bb Jos\u00e9 pode ensinar-nos como te ensinou a andar, menino, a dar os primeiros passos, e tamb\u00e9m como tu, menino, lhe ensinaste a ele a andar no \u00abcaminho da justi\u00e7a\u00bb.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">13. Por isso, cantemos e aclamemos, com o Salmo 24, o Senhor do Universo e nosso Salvador que vem na nossa fr\u00e1gil humanidade, que Ele glorifica. No primeiro andamento deste Salmo (vv. 1-6), justamente a parte Hoje cantada, somos convidados a acolher este Senhor com as m\u00e3os limpas e o cora\u00e7\u00e3o purificado. Gerhard Ebeling (1912-2001) comenta assim este Salmo arcaico: \u00abS\u00e3o tr\u00eas os pressupostos fundamentais do texto. O primeiro \u00e9 que Deus criou o mundo, e \u00e9 o seu Senhor. O segundo \u00e9 que devemos comparecer junto de Deus e ser interrogados sobre o que fizemos. O terceiro \u00e9 que Deus vem para o que \u00e9 seu, e deseja ter livre acesso. Estas s\u00e3o tr\u00eas formas elementares da experi\u00eancia de Deus e da rela\u00e7\u00e3o com Deus: n\u00f3s vivemos por obra de Deus, diante de Deus, e podemos viver com Deus\u00bb. E o poeta franc\u00eas Paul Claudel (1868-1955), recolhendo o \u00faltimo tema, o da vida com Deus, exclamava: \u00abAqui, Deus! Aqui, o nosso Deus, o Senhor dos Ex\u00e9rcitos, que est\u00e1 empenhado, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, em transferir-nos para a sua eternidade\u00bb.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Se o Senhor n\u00e3o construir a casa,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Em v\u00e3o trabalham os que a constroem.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Se o Senhor n\u00e3o guardar a cidade,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Em v\u00e3o vigiam as sentinelas.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">N\u00e3o se pode esconder uma cidade situada no cimo de um monte,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ou sobre a linha do horizonte,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Porque alumia, alumia, alumia,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Irradia, irradia, irradia,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">De noite e de dia.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Cidade de alto-a-baixo erguida,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Como um manto de orvalho ca\u00edda,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Como uma ermida,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Uma jazida de luz<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E de Jesus.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Tudo ao contr\u00e1rio do que vem nos manuais ou nos jornais,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Lan\u00e7ai os fundamentos no c\u00e9u,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Constru\u00ed desde o cume,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Sobre o gume da Palavra<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que de Deus vem<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Nascer em Bel\u00e9m<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E aqui tamb\u00e9m.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Vem, Senhor Jesus!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Vem, vem, que Te esperamos!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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