{"id":155667394,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/11584-domingo-xvii-do-tempo-comum-triptico-da-oracao"},"modified":"2025-11-07T16:33:51","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:51","slug":"domingo-xvii-do-tempo-comum-triptico-da-oracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xvii-do-tempo-comum-triptico-da-oracao\/","title":{"rendered":"Domingo XVII do Tempo Comum: \u00abTr\u00edptico da Ora\u00e7\u00e3o\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Gn 18,20-32; Sl 138; Cl 2,12-14; Lc 11,1-13<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Depois do tr\u00edptico sobre o disc\u00edpulo de Jesus, que contempl\u00e1mos nos \u00faltimos tr\u00eas Domingos (XIV, XV e XVI), em que foi proclamado, em tr\u00eas andamentos, o saboroso texto de Lucas 10 (o envio dos 72 disc\u00edpulos; o bom samaritano; Maria que escolheu estar sentada a escutar a Palavra de Jesus), eis-nos j\u00e1 perante um novo belo tr\u00edptico, agora sobre a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3, que n\u00e3o se distribui por v\u00e1rios Domingos, mas que entra todo por este Domingo XVII adentro, e que Lucas nos oferece em 11,1-13.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O primeiro quadro deste tr\u00edptico sobre a ora\u00e7\u00e3o pode intitular-se INTIMIDADE, e tem a sua explicita\u00e7\u00e3o alt\u00edssima na ora\u00e7\u00e3o do PAI NOSSO, ensinada por Jesus aos seus disc\u00edpulos (Lucas 11,1-4). Jesus \u00e9 o modelo de ora\u00e7\u00e3o oferecido aos disc\u00edpulos. Por isso, aparece ao fundo da cena a rezar sozinho ao Pai (Lucas 11,1), totalmente voltado para o seio do Pai (Jo\u00e3o 1,18), completamente absorvido nas Realidades do Pai (Lucas 2,49), repousando toda a sua exist\u00eancia no Pai. Os disc\u00edpulos veem Jesus a rezar, mas n\u00e3o ousam interromper t\u00e3o intensa corrente de confian\u00e7a e de amor. Veem apenas. O deslumbramento tolhe-lhes os movimentos e as palavras. Mas eis que Jesus termina a sua ora\u00e7\u00e3o ao Pai. Ent\u00e3o, ainda extasiado, um dos disc\u00edpulos, em nome de todos, tamb\u00e9m em nosso nome, atreveu-se a formular este pedido: \u00abSenhor, ensina-nos a rezar como Jo\u00e3o Batista ensinou a rezar os seus disc\u00edpulos!\u00bb (Lucas 11,1).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. E foi ent\u00e3o que Jesus ensinou a eles e a n\u00f3s, a todos, o segredo mais profundo da sua vida e da nossa vida, a orienta\u00e7\u00e3o da sua vida e da nossa vida: para onde, melhor, para quem, devem estar sempre voltados o nosso cora\u00e7\u00e3o, a nossa mente, os nossos olhos, as nossas m\u00e3os, os nossos p\u00e9s, a nossa vida toda.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E disse: \u00abQuando rezardes, dizei:<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u201c<em>Pai<\/em>\u00a0(<em>p\u00e1ter<\/em>),<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 1. Seja santificado o teu Nome,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2. Venha o teu Reino,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<em>3. D\u00e1-nos o p\u00e3o nosso<\/em>(\u00e1rton h\u00eam\u00f4n)<em>\u00a0de cada dia<\/em>,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 4. Perdoa os nossos pecados,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 5. N\u00e3o nos deixes cair na tenta\u00e7\u00e3o\u201d\u00bb (Lucas 11,2-4).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Como bem se v\u00ea, n\u00e3o se trata de uma li\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, mas da comunica\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia, de um segredo, de um tesouro, de uma intimidade. Rezar \u00e9 orientar a nossa vida toda para Deus, a quem tratamos carinhosamente por\u00a0<em>\u2019Abba\u2019<\/em>, nome de radical ternura, simplicidade, verdade, confid\u00eancia e depend\u00eancia, posto na boca de Jesus em Marcos 14,36, e na nossa em Romanos 8,15 e G\u00e1latas 4,6. Sim, aqui n\u00e3o est\u00e1 em jogo a institui\u00e7\u00e3o paterna, o pai,\u00a0<em>?Ab<\/em>, que imp\u00f5e respeito, autoridade e dist\u00e2ncia. Trata-se, antes, de\u00a0<em>\u2019Abba\u2019<\/em>,\u00a0<em>\u2019Ab-ba\u2019<\/em>\u00a0soletrado, que implica a duplica\u00e7\u00e3o das s\u00edlabas, que \u00e9 uma carater\u00edstica da linguagem infantil, uma\u00a0<em>Lallwort<\/em>\u00a0de intoler\u00e1vel confian\u00e7a! S\u00e3o as criancinhas que usam este tipo de linguagem. A tanto carinho e simplicidade n\u00f3s somos chamados! A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 composta no texto de Lucas por cinco pedidos (Mateus apresenta sete: Mateus 6,9-13), sendo o do meio o do \u00abp\u00e3o nosso\u00bb, dado por Deus. A pergunta infantil, ou cient\u00edfica, ou de mera curiosidade, \u00e9 sempre a mesma: \u00abO que \u00e9 isto?\u00bb. A nossa resposta habitual \u00e9 tamb\u00e9m sempre a mesma: \u00ab\u00e9 p\u00e3o\u00bb. Imp\u00f5e-se que n\u00f3s, que nos consideramos modernos, aprendamos e ensinemos novas notas, novas pautas, novos acordes. A resposta correta, aprendida na Escritura Santa, soa assim: \u00ab\u00c9 o p\u00e3o que Deus nos d\u00e1\u00bb (\u00caxodo 16,15).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. De acordo com a ret\u00f3rica b\u00edblica, o pedido do meio \u00e9 o mais importante, pois \u00e9 o que estrutura a inteira ora\u00e7\u00e3o, constituindo por assim dizer a clave musical de toda a ora\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o com Deus-Pai. N\u00e3o esque\u00e7amos que o pedido do meio (o n.\u00ba 3) consiste em pedir o \u00abP\u00e3o nosso\u00bb. E aqui \u00e9 preciso descer abaixo das escadarias da import\u00e2ncia e do orgulho e das estrat\u00e9gias que diariamente usamos, pois \u00e9 imperioso assumir a atitude evang\u00e9lica das crian\u00e7as, dado que s\u00f3 elas sabem pedir p\u00e3o com verdade e simplicidade, sem maquilhagens, truques ou reboco de qualquer esp\u00e9cie! De resto, a n\u00f3s, crescidos e importantes, basta sairmos \u00e0 rua e tentarmos fazer o exerc\u00edcio de pedir p\u00e3o, para vermos a triste figura que fazemos e percebermos logo que n\u00e3o temos mesmo jeito nenhum para isso. Sim, teremos ent\u00e3o, evangelicamente, de aprender com as crian\u00e7as!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Notemos ainda que este pedido n.\u00ba 3 n\u00e3o consiste apenas em pedir p\u00e3o. Trata-se, na verdade, de pedir o \u00abp\u00e3o nosso\u00bb. E a\u00ed est\u00e1 outra bomba a rebentar no nosso cora\u00e7\u00e3o e na nossa mesa. \u00c9 que o \u00abp\u00e3o nosso\u00bb n\u00e3o \u00e9 o \u00abp\u00e3o meu\u00bb. E isto quer dizer que o p\u00e3o que est\u00e1 sobre a minha mesa, dado por Deus, n\u00e3o \u00e9 \u00abmeu\u00bb. \u00c9 \u00abnosso\u00bb. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel comer descansado, saciar-me, quando sei que h\u00e1 irm\u00e3os meus que passam fome. A\u00ed est\u00e1 a dimens\u00e3o social, horizontal, da ora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 ent\u00e3o um espantoso exerc\u00edcio de fraternidade.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. O quarto pedido desta ora\u00e7\u00e3o por Jesus rezada e vivida e a n\u00f3s por Ele ensinada \u00e9 sobre o perd\u00e3o. Pedimos a Deus o perd\u00e3o dos nossos \u00abpecados\u00bb (<em>hamart\u00eda<\/em>) (Lucas 11,4a), para que, segundo o modelo de Deus, n\u00f3s perdoemos as \u00abd\u00edvidas\u00bb (<em>ophe\u00edl\u00f4<\/em>) dos nossos irm\u00e3os (Lucas 11,4b). Na verdade, os gregos n\u00e3o conhecem a met\u00e1fora da \u00abd\u00edvida\u00bb para indicar \u00abpecado\u00bb. S\u00e3o os hebreus que usam essa met\u00e1fora (veja-se Mateus 6,12, que usa sempre \u00abd\u00edvidas\u00bb). Note-se, por\u00e9m, a agudeza do pedido formulado por Lucas. Pedimos a Deus que nos perdoe os nossos pecados. Mas este modelo serve para n\u00f3s aprendermos a perdoar ao nosso pr\u00f3ximo tamb\u00e9m as suas d\u00edvidas concretas, n\u00e3o apenas as ofensas morais!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. O segundo quadro deste tr\u00edptico sobre a ora\u00e7\u00e3o trata o tema da CONST\u00c2NCIA da ora\u00e7\u00e3o, retratada imediatamente a seguir (Lucas 11,5-8), na atitude do amigo que de noite bate \u00e0 porta do seu amigo, e n\u00e3o desiste at\u00e9 ser atendido. Este quadro mostra que a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 apenas emo\u00e7\u00e3o passageira, mas a respira\u00e7\u00e3o permanente da alma, que n\u00e3o se extingue perante as adversidades, nem sequer durante a noite!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. O terceiro quadro deste tr\u00edptico trata o tema da EFIC\u00c1CIA da ora\u00e7\u00e3o (Lucas 11,9-13): \u00abPedi e ser-vos-\u00e1 dado, procurai e encontrareis, batei e abrir-se-vos-\u00e1\u00bb. Entenda-se, todavia, que se trata de uma efic\u00e1cia que n\u00e3o tem de responder diretamente aos c\u00e2nones do que esperamos obter, aos desejos que formulamos, mas sim aos planos de Deus, que devemos saber acolher com humildade e prontid\u00e3o. Como refere de forma penetrante o poeta liban\u00eas Khalil Gibran (1883-1931), \u00abDeus n\u00e3o escuta as nossas palavras, se n\u00e3o \u00e9 Ele pr\u00f3prio a pronunci\u00e1-las com os nossos l\u00e1bios\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Essencial \u00e9 saber que dirigimos sempre a nossa ora\u00e7\u00e3o ao Pai, que d\u00e1 sempre o melhor aos seus filhos. E \u00e9 grandemente significativo que o verbo REZAR, que aparece no tr\u00edptico tr\u00eas vezes (Lucas 11,1[2x] e 2), apare\u00e7a praticamente traduzido por PEDIR, que contamos no texto por cinco vezes (Lucas 11,9.10.11.12.13), e cujo corol\u00e1rio \u00e9 DAR, com nove men\u00e7\u00f5es no texto (Lucas 11,3.7.8[2x].9.11.12.13[2x].<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Feita esta explicita\u00e7\u00e3o vocabular, salta \u00e0 vista a import\u00e2ncia dada \u00e0 ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica. Todos sabemos que a ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica \u00e9 muitas vezes vista como uma forma secund\u00e1ria de ora\u00e7\u00e3o, quase como um subproduto, quando comparada com a ora\u00e7\u00e3o de louvor ou de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. Ora, este tr\u00edptico diz-nos que, de acordo com Jesus, REZAR \u00e9 PEDIR, \u00e9 mesmo s\u00f3 PEDIR. Aprofundando um pouco, compreendemos ent\u00e3o que PEDIR \u00e9 pr\u00f3prio do filho. E \u00e9 como Filho que Jesus REZA, e \u00e9, portanto, no lugar de filhos, e, por consequ\u00eancia, de irm\u00e3os, que Jesus nos quer colocar. Por isso tamb\u00e9m nos ensina a REZAR, dizendo: \u00abPai\u2026\u00bb. E tamb\u00e9m j\u00e1 sabemos que o Filho \u00e9 aquele que recebe tudo do Pai, sendo o Pai aquele que d\u00e1 tudo ao Filho.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. Coloquemo-nos ent\u00e3o no nosso lugar correto: o de filhos, que tudo recebem do Pai, e tudo partilham como irm\u00e3os. E compreendamos bem que, para recebermos tudo, n\u00e3o podemos possuir nada! Se possuirmos alguma coisa, j\u00e1 n\u00e3o podemos receber tudo! Imp\u00f5e-se que temos de ser radicalmente pobres, filhos e irm\u00e3os! S\u00f3 assim podemos come\u00e7ar a REZAR.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">13. O contraponto musical de hoje vem do Livro do G\u00e9nesis 18,20-32. Abra\u00e3o \u00e9 visto no papel do orante que negoceia com Deus a salva\u00e7\u00e3o de Sodoma. A sequ\u00eancia da intercess\u00e3o de Abra\u00e3o lembra o procedimento habitual nos mercados do M\u00e9dio Oriente, em que o cliente faz sucessivas tentativas para baixar o pre\u00e7o do produto que pretende adquirir. Abra\u00e3o faz seis tentativas: come\u00e7a por propor 50 justos pela salva\u00e7\u00e3o de toda a cidade; passa depois para 45, depois para 40, depois para 30, depois para 20, finalmente 10. V\u00ea-se que n\u00e3o havia nenhum, e a cidade, com todos os seus habitantes, \u00e9 destru\u00edda (G\u00e9nesis 19,24-25). Mas ficam desde aqui j\u00e1 em aberto duas coisas: a primeira \u00e9 que, como referem os doutores do Talmude, n\u00e3o se pode deixar Deus sozinho, como fez Abra\u00e3o, que se foi embora (G\u00e9nesis 18,33); a segunda \u00e9 que, para poder atender a ora\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o e a nossa, ter\u00e1 Deus de enviar ao nosso mundo um justo verdadeiro, \u00abJesus Cristo Justo\u00bb (1 Jo\u00e3o 2,1). \u00c9 Ele, na verdade, o nosso Redentor e Salvador.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A cidade inteira<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Cheira a enxofre e feno<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E a todo o momento uma fogueira<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Pode transformar esta lixeira<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Num inferno.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Vem Abra\u00e3o contando pelos dedos<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Percorre a escala toda de cinquenta a dez,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Passando por quarenta e cinco,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Quarenta, trinta e vinte.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ele quer salvar Sodoma a todo o custo<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Mas n\u00e3o encontra nem sequer um justo<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Para oferecer em troca dos seus medos.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ao todo, seis lances,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Seis ofertas atiradas para o ch\u00e3o.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Fica, pois, com a s\u00e9tima, a \u00faltima, na m\u00e3o<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Sob registo.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E no dia em que for aberta<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ver-se-\u00e1 que \u00e9 divina a letra<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E que o nome \u00e9 Cristo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">14. A p\u00e1gina de S\u00e3o Paulo aos Colossenses (2,12-14), hoje lida e escutada, \u00e9 outra vez sublime e espantosa, e, talvez, original, pois este agrafo do nosso batismo com o mist\u00e9rio da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo pode constituir uma originalidade paulina (ver tamb\u00e9m Romanos 6,3-5). Fomos sepultados com Ele, com sepultados (<em>syntaph\u00e9ntes<\/em>: part. aor. pass. de\u00a0<em>synth\u00e1pt\u00f4<\/em>) no batismo, e com Ele ressuscitados, com ressuscitados (<em>syn\u00eag\u00e9rth\u00eate<\/em>: aor. pass. de\u00a0<em>synege\u00edr\u00f4<\/em>), e com Ele vivificados, com vivificados (<em>synez\u00f4opo\u00ed\u00easen<\/em>: aor. de\u00a0<em>synz\u00f4opoi\u00e9\u00f4<\/em>), linguagem fort\u00edssima que enxerta a nossa vida na vida de Cristo. O t\u00edtulo da d\u00edvida (<em>cheir\u00f3graphon<\/em>), o contrato escrito e assinado pelo credor e pelo devedor, n\u00f3s n\u00e3o o pod\u00edamos cumprir; foi suprimido pelo credor, que o cravou na Cruz. Mais uma vez \u00e9 verific\u00e1vel, e Paulo mostra-o at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o, que a Cruz de Cristo constitui o ch\u00e3o e o crit\u00e9rio da identidade crist\u00e3 e apost\u00f3lica.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">15. O Salmo 138, que hoje cantamos, \u00e9 \u00abo canto do chamamento universal\u00bb, como o define S.to Atan\u00e1sio (s\u00e9c. IV). O orante, voltado para o Templo (v. 2), como era usual fazer-se no juda\u00edsmo tardio (o islamismo f\u00e1-lo-\u00e1 mais tarde em rela\u00e7\u00e3o a Meca), sente e sabe que a sua ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o esbarra contra um c\u00e9u cerrado, surdo e mudo, mas \u00e9 registada e repercute-se no cora\u00e7\u00e3o de Deus, que em caso algum abandona a obra das suas m\u00e3os (v. 8). Grande A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as deste orante (v. 1) e dos reis de toda a terra (v. 4). Nossa tamb\u00e9m.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Bendito o dia em que outra vez rezamos,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E outra vez sempre de novo.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Rezar \u00e9 voltar sempre ao princ\u00edpio,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E recitar com mais amor cada uma das tuas maravilhas.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Assim,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Talvez a ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha fim,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Porque \u00e9 uma viagem dentro de mim,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Fora de mim,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Enunciando nomes, dores, alegrias, guerras, fomes,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Calcorreando montanhas, vales, avenidas,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Colhendo frutos no cora\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Partilh\u00e1-los com os passarinhos<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Na toalha multicolor que estendeste sobre este ch\u00e3o dourado.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Rezar \u00e9 saber bem<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que as coisas belas que vemos neste mundo s\u00e3o todas tuas,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E a mais ningu\u00e9m pertencem.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E quem agora as tem na m\u00e3o deve acarici\u00e1-las,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Partilh\u00e1-las,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Porque as tem apenas emprestadas.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Obrigado, Senhor,<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">Pelo c\u00e9u e pelo ch\u00e3o,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Pelo vinho e pelo p\u00e3o,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E por cada irm\u00e3o que me deste.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gn 18,20-32; Sl 138; Cl 2,12-14; Lc 11,1-13 1. 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