{"id":1583987298,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/10829-ser-catolico-implica-uma-abertura-a-todos-os-povos-e-culturas-papa-francisco"},"modified":"2025-11-07T16:34:41","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:41","slug":"ser-catolico-implica-uma-abertura-a-todos-os-povos-e-culturas-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/ser-catolico-implica-uma-abertura-a-todos-os-povos-e-culturas-papa-francisco\/","title":{"rendered":"Ser Cat\u00f3lico implica \u00abuma abertura a todos os povos e culturas\u00bb, Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_salapaulovi_180829052256.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><strong><em>Numa catequese em que criticou os \u201cerros cometidos na hist\u00f3ria da evangeliza\u00e7\u00e3o ao querer impor apenas um modelo cultural\u201d Francisco explicou que a \u201cliberdade da f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o indica uma vis\u00e3o est\u00e1tica da vida e da cultura, mas uma vis\u00e3o din\u00e2mica\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a catequese do Papa Francisco<\/p>\n<p>Catequese sobre a Carta aos G\u00e1latas 11. <em>A liberdade crist\u00e3, fermento universal de liberta\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/p>\n<p>No nosso itiner\u00e1rio catequ\u00e9tico sobre a Carta aos G\u00e1latas, pudemos concentrar-nos no que S\u00e3o Paulo considera o \u00e2mago da liberdade: o facto de, com a morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, termos sido libertados da escravid\u00e3o do pecado e da morte. Por outras palavras: somos livres porque fomos libertados, libertados por gra\u00e7a \u2013 n\u00e3o por pagamento \u2013 libertados pelo amor, que se torna a lei suprema e nova da vida crist\u00e3. O amor: somos livres porque fomos libertados gratuitamente. Este \u00e9 precisamente o ponto-chave.<\/p>\n<p>Hoje gostaria de salientar como esta novidade de vida nos abre para acolher cada povo e cultura e, ao mesmo tempo, abre cada povo e cultura a uma maior liberdade. Na verdade, S\u00e3o Paulo diz que para aqueles que aderem a Cristo, j\u00e1 n\u00e3o importa se s\u00e3o judeus ou pag\u00e3os. Conta apenas \u00aba f\u00e9 que atua pela caridade\u00bb (Gl 5, 6). Crer que fomos libertados e crer em Jesus Cristo que nos libertou: esta \u00e9 a f\u00e9 ativa pela caridade. Os detratores de Paulo \u2013 aqueles fundamentalistas que l\u00e1 tinham chegado \u2013 atacavam-no por esta novidade, alegando que tinha tomado esta posi\u00e7\u00e3o por oportunismo pastoral, ou seja, para \u201cagradar a todos\u201d, minimizando as exig\u00eancias recebidas da sua mais estreita tradi\u00e7\u00e3o religiosa. \u00c9 o mesmo discurso dos fundamentalistas de hoje: a hist\u00f3ria repete-se sempre. Como podemos ver, a cr\u00edtica a cada novidade evang\u00e9lica n\u00e3o \u00e9 apenas da nossa \u00e9poca, mas tem uma longa hist\u00f3ria. No entanto, Paulo n\u00e3o permanece em sil\u00eancio. Responde com parr\u00e9sia \u2013 \u00e9 uma palavra grega que indica coragem, for\u00e7a \u2013 e diz: \u00abPorventura procuro eu agora conciliar o favor dos homens, ou o de Deus?\u00a0 Ou procuro agradar aos homens? Se procurasse agradar aos homens, n\u00e3o seria servo de Cristo\u00bb (Gl 1, 10). J\u00e1 na sua primeira Carta aos Tessalonicenses expressou-se em termos semelhantes, dizendo que na prega\u00e7\u00e3o \u00abnunca usamos de adula\u00e7\u00e3o, [&#8230;] nem fomos levados por interesse algum [&#8230;]. N\u00e3o procuramos a gl\u00f3ria entre os homens\u00bb (1 Ts 2, 5-6), que s\u00e3o as vias do \u201cfaz de conta\u201d; uma f\u00e9 que n\u00e3o \u00e9 f\u00e9, \u00e9 mundanidade.<\/p>\n<p>Mais uma vez, o pensamento de Paulo mostra-se de uma profundidade inspirada. Para ele, aceitar a f\u00e9 significa renunciar n\u00e3o ao cora\u00e7\u00e3o das culturas e tradi\u00e7\u00f5es, mas apenas ao que pode impedir a novidade e a pureza do Evangelho. Porque a liberdade obtida pela morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor n\u00e3o entra em conflito com as culturas e tradi\u00e7\u00f5es que recebemos, mas introduz nelas uma nova liberdade, uma novidade libertadora, a do Evangelho. Com efeito, a liberta\u00e7\u00e3o obtida atrav\u00e9s do batismo permite-nos adquirir a plena dignidade de filhos de Deus, de modo que, enquanto permanecemos firmemente enxertados nas nossas ra\u00edzes culturais, ao mesmo tempo abrimo-nos ao universalismo da f\u00e9, que entra em cada cultura, reconhece os germes de verdade presentes nela e desenvolve-os, levando \u00e0 plenitude o bem nelas contido. Aceitar que fomos libertados por Cristo \u2013 a sua paix\u00e3o, a sua morte, a sua ressurrei\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 aceitar e levar a plenitude tamb\u00e9m \u00e0s diversas tradi\u00e7\u00f5es de cada povo. A verdadeira plenitude.<\/p>\n<p>Na chamada \u00e0 liberdade descobrimos o verdadeiro significado da incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho. Qual \u00e9 este verdadeiro significado? Ser capaz de proclamar a Boa Nova de Cristo Salvador, respeitando o que \u00e9 bom e verdadeiro nas culturas. Isto n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil! H\u00e1 muitas tenta\u00e7\u00f5es de impor o pr\u00f3prio modelo de vida como se fosse o mais evolu\u00eddo e desej\u00e1vel. Quantos erros foram cometidos na hist\u00f3ria da evangeliza\u00e7\u00e3o ao querer impor apenas um modelo cultural! A uniformidade como regra de vida n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3! A unidade sim, a uniformidade n\u00e3o! Por vezes, nem sequer se renunciou \u00e0 viol\u00eancia a fim de fazer prevalecer o pr\u00f3prio ponto de vista. Pensemos nas guerras.\u00a0 Desta forma, a Igreja privou-se da riqueza de tantas express\u00f5es locais que t\u00eam em si as tradi\u00e7\u00f5es culturais de povos inteiros. Mas isto \u00e9 exatamente o oposto da liberdade crist\u00e3! Por exemplo, vem-me \u00e0 mente quando se afirmou o modo de fazer apostolado na China com o padre Ricci ou na \u00cdndia com o padre De Nobili\u2026 [Algu\u00e9m dizia]: \u201cMas n\u00e3o, isto n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o!\u201d. Sim, \u00e9 crist\u00e3o, est\u00e1 na cultura do povo.<\/p>\n<p>Em suma, a vis\u00e3o de liberdade pr\u00f3pria de Paulo \u00e9 iluminada e enriquecida pelo mist\u00e9rio de Cristo, que na sua encarna\u00e7\u00e3o \u2013 como recorda o Conc\u00edlio Vaticano II\u00a0\u00a0 \u2013 se uniu de certo modo a cada homem (cf. Const. past. Gaudium et spes, 22). E isto significa que n\u00e3o h\u00e1 uniformidade, ao contr\u00e1rio, h\u00e1 a variedade, mas variedade unida. Disto deriva o dever de respeitar a origem cultural de cada pessoa, colocando-a num espa\u00e7o de liberdade que n\u00e3o seja restringido por qualquer imposi\u00e7\u00e3o ditada por uma \u00fanica cultura predominante. Este \u00e9 o significado de nos chamarmos cat\u00f3licos, de falarmos da Igreja cat\u00f3lica: n\u00e3o \u00e9 uma denomina\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica para nos distinguir dos outros crist\u00e3os; cat\u00f3lico \u00e9 um adjetivo que significa universal: a catolicidade, a universalidade. Igreja universal, isto \u00e9, cat\u00f3lica, significa que a Igreja tem em si, na pr\u00f3pria natureza, uma abertura a todos os povos e culturas de todos os tempos, pois Cristo nasceu, morreu e ressuscitou para todos.<\/p>\n<p>Por outro lado, a cultura est\u00e1, pela sua natureza, em cont\u00ednua transforma\u00e7\u00e3o. Pensemos em como somos chamados a proclamar o Evangelho neste momento hist\u00f3rico de grande mudan\u00e7a cultural, onde parece predominar a tecnologia cada vez mais avan\u00e7ada. Se pretend\u00eassemos falar da f\u00e9 como se fazia nos s\u00e9culos passados, correr\u00edamos o risco de j\u00e1 n\u00e3o sermos compreendidos pelas novas gera\u00e7\u00f5es. A liberdade da f\u00e9 crist\u00e3 \u2013 a liberdade crist\u00e3 \u2013 n\u00e3o indica uma vis\u00e3o est\u00e1tica da vida e da cultura, mas uma vis\u00e3o din\u00e2mica, uma vis\u00e3o din\u00e2mica inclusive da tradi\u00e7\u00e3o. A tradi\u00e7\u00e3o cresce, mas sempre com a mesma natureza. Por conseguinte, n\u00e3o pretendamos ter a posse da liberdade. Recebemos um dom que deve ser preservado. E \u00e9 a liberdade que pede a cada um de n\u00f3s para permanecer num caminho constante, orientados para a sua plenitude. \u00c9 a condi\u00e7\u00e3o de peregrinos; \u00e9 o estado dos caminhantes, num \u00eaxodo cont\u00ednuo: libertados da escravid\u00e3o para caminhar rumo \u00e0 plenitude da liberdade. E este \u00e9 o grande dom que Jesus Cristo nos doou. O Senhor libertou-nos da escravid\u00e3o gratuitamente e p\u00f4s-nos na via para caminhar na plena liberdade.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em italiano<\/p>\n<p>13.10.2021<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa catequese em que criticou os \u201cerros cometidos na hist\u00f3ria da evangeliza\u00e7\u00e3o ao querer impor apenas um modelo cultural\u201d Francisco [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294987834,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-1583987298","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1583987298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1583987298"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1583987298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294995973,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1583987298\/revisions\/4294995973"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294987834"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1583987298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1583987298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1583987298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}