{"id":1588414128,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/11800-domingo-ii-do-advento-preparai-o-caminho-do-senhor"},"modified":"2025-11-07T16:33:53","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:53","slug":"domingo-ii-do-advento-preparai-o-caminho-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-ii-do-advento-preparai-o-caminho-do-senhor\/","title":{"rendered":"Domingo II do Advento: \u00abPreparai o Caminho do Senhor\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Is 11,1-10; Sl 72; Rm 15,4-9; Mt 3,1-12<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. O texto do Evangelho deste Domingo II do Advento (Mateus 3,1-12) apresenta algumas notas salientes que reclamam a nossa aten\u00e7\u00e3o. 1) \u00c9 not\u00f3ria a sintonia de Jo\u00e3o com Jesus, dado que ambos abrem o seu minist\u00e9rio, dizendo as mesmas palavras: \u00abConvertei-vos, porque se fez pr\u00f3ximo o Reino dos C\u00e9us\u00bb (Mateus 3,2; cf. Mateus 4,17). 2) O minist\u00e9rio de ambos \u00e9 colocado com refer\u00eancia a belas e indicativas paisagens textuais de Isa\u00edas: \u00abUma voz clama no deserto: \u201cPreparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas\u201d\u00bb, \u00e9 o lema do minist\u00e9rio de Jo\u00e3o Batista, como se pode ver em Mateus 3,3, citando Isa\u00edas 40,3. Por sua vez, \u00abTerra de Zabul\u00e3o e terra de Neftali, caminho do mar, regi\u00e3o de al\u00e9m do Jord\u00e3o, Galileia dos gentios: o povo que jazia nas trevas viu uma grande luz\u2026\u00bb, \u00e9 o lema do minist\u00e9rio de Jesus, como se pode ver em Mateus 4,14-16, cumprindo Isa\u00edas 8,23-9,1. 3) Ambos abrem no deserto a sua miss\u00e3o, evocando o \u00caxodo do Egito, o novo \u00caxodo da Babil\u00f3nia (Ezequiel 20,33-38) e o \u00caxodo do noivado de Deus com Israel (Oseias 2,16-23), mas tamb\u00e9m a febre messi\u00e2nica que situava no deserto o princ\u00edpio da renova\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica (cf. Mateus 24,26): em todos os casos, o deserto evoca a proximidade com Deus, o povo \u00aba c\u00e9u aberto\u00bb com Deus. 4) A indument\u00e1ria de Jo\u00e3o Batista (Mateus 3,4) evoca a de Elias (2 Reis 1,8). Em toda a Escritura, s\u00f3 os dois se vestem de p\u00ealos de camelo com um cintur\u00e3o de couro. De resto, tamb\u00e9m Jesus identifica Jo\u00e3o Batista com Elias (Mateus 11,14; 17,12-13). De notar ainda que, na interpreta\u00e7\u00e3o de Malaquias 3,23, o minist\u00e9rio de Elias n\u00e3o tem a ver com a vinda de outro profeta, mas com a Vinda do pr\u00f3prio Deus. Sem equ\u00edvocos ent\u00e3o: em Jesus n\u00e3o se trata da vinda de outro profeta, mas da Vinda do pr\u00f3prio Deus!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. \u00c9 para esta\u00a0<em>Vinda<\/em>\u00a0de Deus em Jesus que\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0se devem\u00a0<em>preparar<\/em>. E \u00e9 porque esta\u00a0<em>Vinda<\/em>\u00a0\u00e9 vista como importante e decisiva, que \u00e9 requerida uma\u00a0<em>prepara\u00e7\u00e3o<\/em>. A\u00a0<em>Vinda<\/em>\u00a0d\u2019Aquele-que-Vem \u00e9 t\u00e3o importante, que n\u00e3o basta ficar tranquilamente \u00e0 espera d\u2019Ele. \u00c9 preciso\u00a0<em>preparar-se<\/em>\u00a0para essa\u00a0<em>Vinda<\/em>. Fazer com que\u00a0<em>todas<\/em>\u00a0as pessoas se preparem para esta\u00a0<em>Vinda<\/em>, eis a miss\u00e3o de Jo\u00e3o Batista, que assume tra\u00e7os espec\u00edficos. De modo estranhamente diferente dos outros profetas, Jo\u00e3o Batista n\u00e3o vai pregar para as cidades e aldeias ao encontro das pessoas, mas vai para o\u00a0<em>deserto<\/em>, e s\u00e3o as pessoas que t\u00eam de ir ter com ele. E n\u00e3o s\u00e3o apenas algumas. S\u00e3o\u00a0<em>todas<\/em>. O texto diz expressamente \u00ab<em>toda<\/em>\u00a0a Judeia\u00bb e \u00ab<em>toda<\/em>\u00a0a regi\u00e3o \u00e0 volta do Jord\u00e3o\u00bb (v. 5). \u00c9 ainda de salientar que, para se deslocarem ao\u00a0<em>deserto<\/em>, as pessoas t\u00eam de deixar os seus afazeres habituais. Deixar tudo para tr\u00e1s e ir para o\u00a0<em>deserto<\/em>, lugar que evoca, de muitos modos, a proximidade de Deus, como j\u00e1 mostr\u00e1mos atr\u00e1s em 1.3). \u00c9 esta realidade que exige adequada\u00a0<em>prepara\u00e7\u00e3o<\/em>. Para ter acesso \u00e0 Presen\u00e7a de Deus e ao seu servi\u00e7o, imp\u00f5e-se que se tenha um cora\u00e7\u00e3o puro (Salmo 24,3-5), pelo que \u00e9 necess\u00e1rio fazer as necess\u00e1rias imers\u00f5es ou ablu\u00e7\u00f5es com \u00e1gua pura. N\u00e3o \u00e9 que a \u00e1gua lave o cora\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 disso um indicador. Estas purifica\u00e7\u00f5es rituais com \u00e1gua pura, banhos e outras ablu\u00e7\u00f5es, eram feitas pelas pr\u00f3prias pessoas. Mas agora estamos perante um facto novo. N\u00e3o s\u00e3o as pessoas que se purificam na \u00e1gua. \u00c9 Jo\u00e3o Batista que as introduz na \u00e1gua. E para significar e implicar a necess\u00e1ria purifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas exterior, mas sobretudo interior, Jo\u00e3o exige das pessoas a confiss\u00e3o dos pecados e a convers\u00e3o, bem como a imers\u00e3o ou batismo nas \u00e1guas do Jord\u00e3o, que traz \u00e0 mem\u00f3ria a travessia operada pelo povo de Israel, vindo do deserto, antes de entrar na Terra Prometida (Josu\u00e9 3). E \u00e9 tamb\u00e9m o rio que Elias atravessa antes de ser arrebatado para o c\u00e9u (2 Reis 2,1-18). Ao rio Jord\u00e3o anda, pois, associada a aproxima\u00e7\u00e3o a Deus, \u00e0 sua Vida, e aos seus dons.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. E que significado atribuir \u00e0 anota\u00e7\u00e3o da incompet\u00eancia (<em>ikan\u00f3s<\/em>) de Jo\u00e3o para \u00abretirar\u00bb ou descal\u00e7ar as sand\u00e1lias d\u2019Aquele-que-Vem (v. 11)? Ser\u00e1 simplesmente uma confiss\u00e3o de humildade por parte de Jo\u00e3o face a Algu\u00e9m que lhe \u00e9 incomparavelmente superior? Esta tonalidade est\u00e1 certamente presente, mas n\u00e3o esgota a met\u00e1fora das sand\u00e1lias. Trata-se, desde logo, de um dizer importante, pois encontramo-lo por cinco vezes no Novo Testamento: Mateus 3,11; Marcos 1,7; Lucas 3,16; Jo\u00e3o 1,27; Atos dos Ap\u00f3stolos 13,25. Num c\u00e9lebre artigo, intitulado \u00abAs sand\u00e1lias do Messias Noivo\u00bb, Lu\u00eds Alonso-Sch\u00f6kel levou este dizer e esta met\u00e1fora para o dom\u00ednio da esponsalidade do Messias. De acordo com o referido nos Salmos 60,10 e 108,9, \u00abp\u00f4r a sand\u00e1lia sobre\u00bb significa \u00abtomar posse\u00bb; \u00e9, portanto, linguagem jur\u00eddica de posse. No Livro do Deuteron\u00f3mio 25,5-9, o n\u00e3o-cumprimento da lei do levirato implica que seja \u00abretirada\u00bb a sand\u00e1lia ao cunhado n\u00e3o cumpridor da lei, gesto que garante a sua perda de posse no dom\u00ednio matrimonial. Aqui j\u00e1 se trata de direito matrimonial. Em Rute 4,7-10, temos um caso jur\u00eddico concreto em que o que tem o direito de resgatar o patrim\u00f3nio e de desposar Rute prescinde desse direito. Para o dizer juridicamente, em reuni\u00e3o p\u00fablica realizada \u00e0 porta da cidade (Rute 4,1), o homem em causa \u00abretira\u00bb a sand\u00e1lia e entrega-a a Booz, que fica assim com o direito de resgatar o patrim\u00f3nio e de desposar Rute. A met\u00e1fora da sand\u00e1lia em Mateus 4,11 e nos demais dizeres do Novo Testamento que anot\u00e1mos significa que \u00e9 Jesus o noivo, a quem assiste o direito de desposar Israel, e que a Jo\u00e3o n\u00e3o assiste esse direito ou compet\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Se \u00e9 evocada a continuidade dos minist\u00e9rios de Jo\u00e3o e de Jesus, n\u00e3o deixa tamb\u00e9m de ser bem acentuado, por outro lado, o confronto entre os dois, pois t\u00eam esquemas messi\u00e2nicos diferentes. 1) V\u00ea-se bem que Jo\u00e3o Batista anuncia um Messias-Juiz, que traz na m\u00e3o o machado e a p\u00e1 de joeirar (3,10-12), ao passo que Jesus assume a figura de Servo-do-Senhor manso e humilde (12,17-21). 2) O apelo \u00e0 convers\u00e3o que Jo\u00e3o faz n\u00e3o \u00e9 dirigido apenas aos pag\u00e3os e aos pecadores, mas tamb\u00e9m aos israelitas piedosos (3,7-10): portanto, face ao Messias-Juiz-que-Vem, tamb\u00e9m os justos se devem converter; n\u00e3o \u00e9 a ra\u00e7a de Abra\u00e3o que conta, mas a f\u00e9. 3) A convers\u00e3o manifesta-se em fazer fruto, uma ideia recorrente em Mateus (cf. 7,16-20; 12,33; 13,8; 21,41 e 43; 25,40 e 45\u2026). 4) A convers\u00e3o, aqui expressa pelo verbo grego\u00a0<em>metano\u00e9\u00f4<\/em>, n\u00e3o deve ser vista apenas pelo seu significado etimol\u00f3gico: mudar de mentalidade. Seria uma maneira de ver muito intimista, mostraria o homem debru\u00e7ado sobre si mesmo, sobre os seus pecados. Ora, a raiz hebraica\u00a0<em>sh\u00fbb<\/em>, sobretudo depois de Jeremias (Isa\u00edas 31,6; 45,22; 55,7; Jeremias 3,7.10.14.22; 4,1; 8,5; 18,11; 24,7; 25,5; 26,3; 35,15; 36,7; 44,5; Lamenta\u00e7\u00f5es 3,40; Ezequiel 13,22; 14,6; 18,23 e 30; 33,9 e 11; Oseias 11,5; 12,6; 14,1-2; Joel 2,12-13; Zacarias 1,3-4; Malaquias 3,7), n\u00e3o implica o dobrar-se do homem sobre si mesmo, mas endireitar-se e orientar-se para ALGU\u00c9M, para Deus, com quem o ser humano cortou rela\u00e7\u00f5es, distanciando-se e quebrando a alian\u00e7a. Esta ideia de convers\u00e3o como caminho de regresso a Deus estava muito disseminada no juda\u00edsmo primitivo, mas era desconhecida no mundo grego. 5) \u00c0 vista de Jesus-que-Vem no meio da multid\u00e3o, como verdadeiro Servo-do-Senhor (3,13-14), que assume as faltas da multid\u00e3o, Jo\u00e3o fica confuso. Na verdade, esperava um Juiz, e n\u00e3o um Servo solid\u00e1rio com o povo no pecado, como indica o facto de Jesus vir no meio do povo a este batismo de penit\u00eancia. 6) Al\u00e9m disso, e contra todas as expetativas de Jo\u00e3o, Jesus n\u00e3o vem para batizar, mas para ser batizado (3,11.13-14). 7) O di\u00e1logo travado neste lugar entre Jo\u00e3o Batista e Jesus (3,14-15), que nenhum outro Evangelho descreve, e em que Jo\u00e3o mostra o seu desacordo com o facto de ter de ser ele a batizar Jesus e n\u00e3o o contr\u00e1rio, \u00e9 ultrapassado por Jesus que profere aqui as suas primeiras palavras neste Evangelho: \u00ab\u00e9 bom que seja\u00a0<em>cumprida<\/em>\u00a0toda a\u00a0<em>justi\u00e7a<\/em>\u00bb (v. 15). A\u00a0<em>justi\u00e7a<\/em>, termo muito em uso neste Evangelho em que se faz ouvir por sete vezes (Mateus 3,15; 5,6.10.20; 6,1.33; 21,32), traduz o plano divino de salva\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a divina surpresa, e requer a adequa\u00e7\u00e3o da nossa vontade a esse plano, melhor dito, a essa surpresa. Sendo as primeiras palavras de Jesus, e por isso importantes e anal\u00e9pticas, rasgam uma avenida de sentido que Jesus seguir\u00e1 at\u00e9 \u00e0 Cruz: obedi\u00eancia ao Pai e solidariedade com o povo pecador. Rutura clara com a esperan\u00e7a messi\u00e2nica de Jo\u00e3o e do mundo judaico desse tempo, mas sintonia com o significado verdadeiro das Escrituras. A convers\u00e3o a que Jo\u00e3o e o juda\u00edsmo e cada um de n\u00f3s somos convidados \u00e9 um regresso \u00e0 sintonia com a Palavra de Deus. Pelo que o verdadeiro judeu e o verdadeiro homem \u00e9 aquele que se faz crist\u00e3o. Torna-se ent\u00e3o not\u00f3rio o sonho de um Deus que desce ao nosso mundo, n\u00e3o para nos condenar ou derrubar, mas para se tornar solid\u00e1rio connosco e caminhar no meio de n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Isa\u00edas 11,1-10, que serve hoje de resson\u00e2ncia ao Evangelho de hoje, mostra muito mais o tom manso e suave do Servo-do-Senhor que Jesus incarna do que o martelo do Juiz que Jo\u00e3o Batista prenuncia. Isa\u00edas abre diante de n\u00f3s um mundo novo, tenro e terno, que, visto desde este nosso mundo escuro e tantas vezes desumano, soa a sonho. Ei-lo desenhado nestes versos imensos: \u00abEnt\u00e3o o lobo habitar\u00e1 com o cordeiro,\/ o leopardo deitar-se-\u00e1 com o cabrito,\/ o bezerro e o le\u00e3ozinho andar\u00e3o juntos,\/ e um menino pequeno os conduzir\u00e1.\/\/ A vaca e o urso pastar\u00e3o juntos,\/ juntas se deitar\u00e3o as suas crias,\/ o le\u00e3o comer\u00e1 feno com o boi,\/ e a crian\u00e7a de peito brincar\u00e1 com a v\u00edbora\u00bb (Isa\u00edas 11,6-8).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Avista-se daqui o Menino de Bel\u00e9m. Uma paz a perder de vista, sem princ\u00edpio e sem fim. Um mundo novo governado por um menino pequeno. V\u00ea-se bem que este mundo belo e manso n\u00e3o se parece nada com o nosso, cheio de raivas e de \u00f3dios, invejas, mentiras, manhas, ast\u00facias, viol\u00eancias e guerras. Nenhum menino poderia governar um mundo assim. E o problema que nos assalta n\u00e3o est\u00e1 no menino; est\u00e1 neste nosso mundo mentiroso, fraudulento e violento.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Contra este mundo empedernido e embrutecido embate a ternura do Menino de Bel\u00e9m. Entenda-se bem outra vez: n\u00e3o \u00e9 o menino que est\u00e1 errado; somos n\u00f3s que estamos completamente errados e equivocados. \u00c9 por isso que somos convidados \u00e0 convers\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. O mundo novo e saboroso que emerge dos textos de hoje \u00e9 tamb\u00e9m sublinhado por S. Paulo nas exorta\u00e7\u00f5es que nos dirige na Carta endere\u00e7ada aos Romanos 15,4-9. Como seria belo um mundo pautado por uma verdadeira fraternidade em que todos viv\u00eassemos sob o impulso e o alento carinhoso e criador de Deus. Na verdade, todos respiramos o mesmo alento, que o texto grego diz com o belo termo composto\u00a0<em>homothymad\u00f3n<\/em>\u00a0(Romanos 15,6), que junta\u00a0<em>hom\u00f3s<\/em>\u00a0[= mesma] e\u00a0<em>thym\u00f3s<\/em>\u00a0[= alma], sendo que\u00a0<em>thym\u00f3s<\/em>\u00a0deriva de\u00a0<em>th\u00fd\u00f4<\/em>\u00a0[= soprar]. E que mundo maravilhoso surgiria, rompendo a crosta do ego\u00edsmo e da dureza de cora\u00e7\u00e3o, se \u00abnos acolh\u00eassemos uns aos outros, como Cristo nos acolheu a n\u00f3s\u00bb (Romanos 15,7). A\u00ed est\u00e1 ent\u00e3o a comunidade humana irmanada e reunida, porque todos recebemos de Deus o mesmo alento, o mesmo sopro criador (G\u00e9nesis 2,7), e com uma s\u00f3 boca (<em>en hen\u00ec st\u00f3mati<\/em>) e a uma s\u00f3 voz cantamos os louvores do nosso Deus (Romanos 15,6). Esta linguagem e esta harmonia enchem por inteiro a comunidade primitiva (Atos 1,14; 2,46; 5,12).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Tamb\u00e9m os versos sublimes do Salmo Real 72 cantam a mesma melodia de alegria que se insinua nas pregas do cora\u00e7\u00e3o da inteira humanidade maravilhada com a presen\u00e7a de Rei t\u00e3o carinhoso. Tamb\u00e9m aqui encontramos a hiperb\u00f3lica \u00abidade do ouro\u00bb, o gr\u00e3o que cresce mesmo no cimo das colinas, e a felicidade dos pobres, que ser\u00e3o sempre os melhores \u00abclientes\u00bb de Deus. Extraordin\u00e1ria condensa\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a da nossa humanidade \u00e0 deriva, e a que s\u00f3 Deus pode responder.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Is 11,1-10; Sl 72; Rm 15,4-9; Mt 3,1-12 1. 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