{"id":159970935,"date":"2022-04-13T00:00:00","date_gmt":"2022-04-13T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/11359-audiencia-geral-a-paz-de-jesus-e-ocupar-se-do-proximo-afirma-o-papa-"},"modified":"2022-04-13T00:00:00","modified_gmt":"2022-04-13T00:00:00","slug":"audiencia-geral-a-paz-de-jesus-e-ocupar-se-do-proximo-afirma-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-a-paz-de-jesus-e-ocupar-se-do-proximo-afirma-o-papa\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00abA Paz de Jesus \u00e9 ocupar-se do pr\u00f3ximo\u00bb, afirma o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_sala_paulo_vi_181218094132.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em><span>Em plena Semana Santa, e na v\u00e9spera do inicio do tr\u00edduo pascal, o Papa Francisco lembrou a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m e o modo como ele traz a paz verdadeira<\/span><\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a catequese do Santo padre<\/p>\n<p><em><strong>A paz de P\u00e1scoa<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>Estamos a meio da Semana Santa, que vai desde o Domingo de Ramos at\u00e9 ao Domingo de P\u00e1scoa. Ambos os domingos s\u00e3o caraterizados pela festa que tem lugar em torno de Jesus. Mas s\u00e3o duas festas diferentes.<\/p>\n<p>No domingo passado vimos Cristo entrar solenemente em Jerusal\u00e9m, como uma festa, acolhido como Messias: e para Ele mantos foram estendidos pelo caminho (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a019, 36) e ramos cortados das \u00e1rvores (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a021, 8). A multid\u00e3o exultante bendiz \u00abaquele que vem, o Rei\u00bb, e aclama: \u00abPaz no c\u00e9u e gl\u00f3ria no mais alto dos c\u00e9us\u00bb (<em>Lc\u00a0<\/em>19, 38). Estas pessoas celebram, pois veem na entrada de Jesus a chegada de um novo rei, que traria paz e gl\u00f3ria. Esta era a paz que aquele povo esperava: uma paz gloriosa, fruto de uma interven\u00e7\u00e3o real, a de um poderoso messias que libertaria Jerusal\u00e9m da ocupa\u00e7\u00e3o romana. Outros provavelmente sonharam com a restaura\u00e7\u00e3o de uma paz social e viram em Jesus o rei ideal, que iria alimentar as multid\u00f5es com p\u00e3es, como ele j\u00e1 tinha feito, e realizar grandes milagres, trazendo assim mais justi\u00e7a ao mundo.<\/p>\n<p>Mas Jesus nunca fala sobre isto. Ele tem uma P\u00e1scoa diferente \u00e0 sua frente, n\u00e3o uma P\u00e1scoa triunfal. A \u00fanica coisa que lhe interessa na prepara\u00e7\u00e3o da sua entrada em Jerusal\u00e9m \u00e9 montar \u00abum jumentinho atado em que nunca montou pessoa alguma\u00bb (v. 30).\u00a0 \u00c9 assim que Cristo traz a paz ao mundo: atrav\u00e9s da mansid\u00e3o e da do\u00e7ura, simbolizada por aquele jumento preso sobre o qual ningu\u00e9m jamais montou. Ningu\u00e9m, porque a maneira de Deus de fazer as coisas \u00e9 diferente da do mundo. Com efeito, pouco antes da P\u00e1scoa, Jesus explica aos disc\u00edpulos: \u00abDeixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. N\u00e3o vo-la dou como o mundo a d\u00e1\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a014, 27). S\u00e3o duas modalidades diversas: um modo como o mundo nos d\u00e1 a paz e um modo como Deus nos d\u00e1 a paz. S\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p>A paz que Jesus nos d\u00e1 na P\u00e1scoa n\u00e3o \u00e9 a paz que segue as estrat\u00e9gias do mundo, que acredita poder obt\u00ea-la atrav\u00e9s da for\u00e7a, da conquista e de v\u00e1rias formas de imposi\u00e7\u00e3o. Esta paz, na realidade, \u00e9 apenas um intervalo entre guerras: sabemo-lo bem. A paz do Senhor segue o caminho da mansid\u00e3o e da cruz: \u00e9 ocupar-se do pr\u00f3ximo. Com feito, Cristo assumiu sobre si o nosso mal, o nosso pecado e a nossa morte. Assumiu sobre si tudo isto. Desta forma, ele libertou-nos. Ele pagou por n\u00f3s. A sua paz n\u00e3o \u00e9 o fruto de algum compromisso, mas nasce do dom de si mesmo. Esta paz mansa e corajosa, no entanto, \u00e9 dif\u00edcil de aceitar. De facto, a multid\u00e3o que aclamava Jesus \u00e9 a mesma que alguns dias depois grita \u201cCrucifica-o\u201d e, com medo e desilus\u00e3o, n\u00e3o levanta um dedo por Ele.<\/p>\n<p>A este prop\u00f3sito, uma grande hist\u00f3ria de Dostoievski, a chamada\u00a0<em>Lenda do Grande Inquisidor<\/em>, \u00e9 sempre relevante. Fala de Jesus que, ap\u00f3s v\u00e1rios s\u00e9culos, regressa \u00e0 Terra. \u00c9 imediatamente recebido pela multid\u00e3o festiva, que o reconhece e o aclama. \u201cAh, voltaste! Vem, vem connosco!\u201d. Mas, depois \u00e9 preso pelo Inquisidor, que representa a l\u00f3gica do mundo. O Inquisidor interroga-o e critica-o ferozmente. A \u00faltima raz\u00e3o para a reprimenda \u00e9 que Cristo, embora pudesse, nunca quis tornar-se C\u00e9sar, o maior rei deste mundo, preferindo deixar o homem livre em vez de o subjugar e resolver os seus problemas com a for\u00e7a. Ele poderia ter estabelecido a paz no mundo, submetendo o cora\u00e7\u00e3o livre, mas prec\u00e1rio, do homem pela for\u00e7a de um poder superior, mas ele n\u00e3o queria faz\u00ea-lo: respeitou a nossa liberdade. \u00abTu \u2013 diz o Inquisidor a Jesus \u2013 aceitando o mundo e a p\u00farpura dos C\u00e9sares, terias fundado o reino universal e dado a paz universal\u00bb (<em>Os irm\u00e3os Karamazov,<\/em>\u00a0Mil\u00e3o 2012, 345); e com uma senten\u00e7a incisiva conclui: \u00abSe h\u00e1 algu\u00e9m que tenha merecido mais do que ningu\u00e9m a nossa fogueira, esse algu\u00e9m \u00e9s tu\u00bb (348). Eis o engano que se repete na hist\u00f3ria, a tenta\u00e7\u00e3o de uma falsa paz, baseada no poder, que depois leva ao \u00f3dio e \u00e0 trai\u00e7\u00e3o de Deus e a tanta amargura na alma.<\/p>\n<p>No final, segundo esta narra\u00e7\u00e3o, o Inquisidor gostaria que Jesus \u00ablhe dissesse algo, talvez at\u00e9 algo amargo, algo terr\u00edvel\u00bb. Mas Cristo reage com um gesto d\u00f3cil e concreto: \u00abaproxima-se dele em sil\u00eancio, e beija-o suavemente nos seus l\u00e1bios velhos e exangues\u00bb (352). A paz de Jesus n\u00e3o domina os outros, nunca \u00e9 uma paz armada: nunca! As armas do Evangelho s\u00e3o a ora\u00e7\u00e3o, a ternura, o perd\u00e3o e o amor gratuito ao pr\u00f3ximo, o amor a todos. Esta \u00e9 a forma de trazer a paz de Deus ao mundo. \u00c9 por isso que a agress\u00e3o armada destes dias, como qualquer guerra, representa um ultraje contra Deus, uma trai\u00e7\u00e3o blasfema ao Senhor da P\u00e1scoa, preferindo ao seu rosto manso o do falso deus deste mundo. A guerra \u00e9 sempre uma a\u00e7\u00e3o humana para levar \u00e0 idolatria do poder.<\/p>\n<p>Antes da sua \u00faltima P\u00e1scoa, Jesus disse aos seus disc\u00edpulos: \u00abN\u00e3o vos perturbeis, nem temais\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a014, 27). Sim, porque enquanto o poder mundano s\u00f3 deixa destrui\u00e7\u00e3o e morte \u2013 vimos isto nesses dias \u2013 a sua paz constr\u00f3i a hist\u00f3ria, a come\u00e7ar pelo cora\u00e7\u00e3o de cada homem que a acolhe. A P\u00e1scoa \u00e9 ent\u00e3o a verdadeira festa de Deus e do homem, porque a paz que Cristo conquistou na cruz no dom de si mesmo \u00e9-nos distribu\u00edda. \u00c9 por isso que o Ressuscitado aparece aos disc\u00edpulos no dia de P\u00e1scoa; e como os sa\u00fada? \u00abA paz esteja convosco!\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a020, 19.21). Esta \u00e9 a sauda\u00e7\u00e3o de Cristo vencedor, de Cristo ressuscitado.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os, irm\u00e3s, P\u00e1scoa significa \u201cpassagem\u201d. Especialmente este ano, \u00e9 a ocasi\u00e3o aben\u00e7oada para passar do Deus mundano para o Deus crist\u00e3o, da avidez que levamos dentro de n\u00f3s para a caridade que nos liberta, da expectativa de uma paz trazida pela for\u00e7a para o compromisso de testemunhar concretamente a paz de Jesus. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, coloquemo-nos perante o Crucificado, fonte da nossa paz, e pe\u00e7amos-lhe paz do cora\u00e7\u00e3o e paz no mundo.<\/p>\n<p>Educris|13.04.2022<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em plena Semana Santa, e na v\u00e9spera do inicio do tr\u00edduo pascal, o Papa Francisco lembrou a entrada de Jesus [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2667441242,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[67],"class_list":["post-159970935","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-divulgacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159970935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=159970935"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159970935\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2667441242"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=159970935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=159970935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=159970935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}