{"id":1608715359,"date":"2023-01-04T00:00:00","date_gmt":"2023-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11861-audiencia-geral-bento-xvi-foi-um-grande-mestre-de-catequese-afirma-o-papa"},"modified":"2023-01-04T00:00:00","modified_gmt":"2023-01-04T00:00:00","slug":"audiencia-geral-bento-xvi-foi-um-grande-mestre-de-catequese-afirma-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-bento-xvi-foi-um-grande-mestre-de-catequese-afirma-o-papa\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00abBento XVI foi um grande mestre de Catequese\u00bb, afirma o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_2022_220910024936.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Na \u00faltima catequese sobre o tema do discernimento, Francisco evocou o papa Bento XVI como &#8220;grande mestre de catequese&#8221;. Aos &#8216;companhadores espirituais&#8217; deixou o desafio de &#8220;n\u00e3o se substituirem ao Senhor&#8221;, mas a acompanharem os que lhes foram confiados encorajando-os &#8220;a ler o que se move no seu cora\u00e7\u00e3o, o lugar por excel\u00eancia onde o Senhor fala&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a reflex\u00e3o do Santo Padre<\/p>\n<p><strong>Catequeses sobre o discernimento 14. O acompanhamento espiritual<\/strong><\/p>\n<p><em>Prezados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>Antes de come\u00e7ar esta catequese, gostaria que nos un\u00edssemos a quantos, aqui ao lado, prestam homenagem a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt.html\">Bento XVI<\/a>\u00a0e dirigir o meu pensamento a ele, que foi um grande mestre de catequese. O seu pensamento perspicaz e gentil n\u00e3o foi autorreferencial, mas eclesial, pois sempre quis acompanhar-nos ao encontro com Jesus. Jesus, o Crucificado Ressuscitado, o Vivente e o Senhor, foi a meta para a qual o Papa Bento nos conduziu, levando-nos pela m\u00e3o. Que ele nos ajude a redescobrir em Cristo a alegria de acreditar e a esperan\u00e7a de viver.<\/p>\n<p>Com esta catequese de hoje conclu\u00edmos o ciclo dedicado ao tema do discernimento, e fazemo-lo completando o discurso sobre as ajudas que podem e devem sustent\u00e1-lo: sustentar o processo de discernimento. Uma delas \u00e9 o\u00a0<em>acompanhamento espiritual<\/em>, importante sobretudo para o conhecimento de si que, como vimos, \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para o discernimento. Olharmo-nos no espelho, sozinhos, nem sempre ajuda, pois podemos alterar a imagem. Ao contr\u00e1rio, olhar no espelho com o aux\u00edlio de outra pessoa, isto ajuda muito pois o outro diz-te a verdade \u2013 quanto \u00e9 verdadeiro \u2013 e assim ajuda-te.<\/p>\n<p>A gra\u00e7a de Deus em n\u00f3s trabalha sempre na nossa natureza. Pensando numa par\u00e1bola evang\u00e9lica, podemos comparar a gra\u00e7a com a boa semente e a natureza com o terreno (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a04, 3-9). Em primeiro lugar, \u00e9 importante\u00a0<em>dar-se a conhecer<\/em>, sem ter medo de compartilhar os aspetos mais fr\u00e1geis, onde nos descobrimos mais sens\u00edveis, fracos, ou receosos de ser julgados. Dar-se a conhecer, manifestar-se a si mesmo a uma pessoa que nos acompanhe no caminho da vida. N\u00e3o que decida por n\u00f3s, n\u00e3o: mas que nos acompanhe. Pois a\u00a0<em>fragilidade<\/em>\u00a0\u00e9, na realidade, a nossa verdadeira riqueza: somos ricos de fragilidade, todos; a verdadeira riqueza, que devemos aprender a respeitar e a aceitar, pois quando \u00e9 oferecida a Deus, torna-nos capazes de ternura, de miseric\u00f3rdia e de amor. Ai daquelas pessoas que n\u00e3o se sentem fr\u00e1geis: s\u00e3o duras, ditatoriais. Mas, as pessoas que com humildade reconhecem as pr\u00f3prias fragilidades s\u00e3o mais compreensivas com os outros. A fragilidade \u2013 posso dizer &#8211; torna-nos humanos. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a primeira das tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es de Jesus no deserto \u2013 ligada \u00e0 fome \u2013 procura roubar-nos a fragilidade, apresentando-a como um mal do qual nos livrar, um impedimento a ser como Deus. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 o nosso tesouro mais precioso: com efeito, para nos tornarmos semelhante a Ele, Deus quis partilhar at\u00e9 ao fim precisamente a nossa fragilidade. \u00a0Olhemos para o Crucificado: Deus que desceu at\u00e9 \u00e0 fragilidade. Olhemos para o pres\u00e9pio que chega numa fragilidade humana grande. Ele partilhou a nossa fragilidade.<\/p>\n<p>Se for d\u00f3cil ao Esp\u00edrito Santo, o acompanhamento espiritual ajuda a\u00a0<em>desmascarar equ\u00edvocos<\/em>\u00a0at\u00e9 graves na considera\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmos e na rela\u00e7\u00e3o com o Senhor. O Evangelho apresenta v\u00e1rios exemplos de di\u00e1logos esclarecedores e libertadores feitos por Jesus. Pensemos, por exemplo, naqueles com a Samaritana, que n\u00f3s lemos, lemos, e sempre h\u00e1 esta sabedoria e ternura de Jesus; pensemos naquele com Zaqueu, com a pecadora, pensemos com Nicodemos e com os disc\u00edpulos de Ema\u00fas: o modo de se aproximar do Senhor. As pessoas que se encontram verdadeiramente com Jesus n\u00e3o t\u00eam medo de lhe abrir o cora\u00e7\u00e3o, de apresentar a pr\u00f3pria vulnerabilidade, a pr\u00f3pria inadequa\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3pria fragilidade. Deste modo, a partilha de si torna-se uma experi\u00eancia de salva\u00e7\u00e3o, de perd\u00e3o gratuitamente recebido.<\/p>\n<p>Narrar diante de outra pessoa o que vivemos ou o que procuramos ajuda a esclarecer a n\u00f3s pr\u00f3prios,\u00a0<em>trazendo \u00e0 luz os numerosos pensamentos que habitam em n\u00f3s<\/em>, e que muitas vezes nos inquietam com os seus insistentes refr\u00e3es. Quantas vezes, nos momentos obscuros, v\u00eam-nos os pensamentos assim: \u201cErrei tudo, sou in\u00fatil, ningu\u00e9m me compreende, nunca serei bem-sucedido, estou destinado ao fracasso\u201d, quantas vezes nos vieram estes pensamentos. Pensamentos falsos e venenosos, que o confronto com o outro ajuda a\u00a0<em>desmascarar<\/em>, de tal modo que nos possamos sentir amados e estimados pelo Senhor como somos, capazes de fazer coisas boas por Ele. Descobrimos com surpresa diferentes formas de ver a realidade, sinais de bem sempre presentes em n\u00f3s. \u00c9 verdade, podemos partilhar as nossas fragilidades com o outro, com aquele que nos acompanha na vida, na vida espiritual, o mestre de vida espiritual, quer leigo quer sacerdote e dizer: \u201cOlha o que me acontece: sou um desventurado, est\u00e3o a acontecer-me estas coisas\u201d. E aquele que acompanha responde: \u201cSim, todos n\u00f3s passamos por estes momentos\u201d. Isto ajuda-nos a esclarecer bem e ver de onde chegam as ra\u00edzes e deste modo super\u00e1-las.<\/p>\n<p>Aquele ou aquela que acompanha \u2013 acompanhador ou acompanhadora \u2013 n\u00e3o se substitui ao Senhor, n\u00e3o faz o trabalho no lugar da pessoa acompanhada, mas caminha ao seu lado, encoraja-a a ler o que se move no seu cora\u00e7\u00e3o, o lugar por excel\u00eancia onde o Senhor fala. O acompanhador espiritual, que chamamos\u00a0<em>diretor espiritual \u2013\u00a0<\/em>n\u00e3o gosto deste termo, prefiro\u00a0<em>acompanhador espiritual,<\/em>\u00a0\u00e9 melhor \u2013 \u00e9 aquele que te diz: \u201cPois bem, olha para este lado, para aquele lado\u201d, a tua aten\u00e7\u00e3o \u00e9 atra\u00edda para aspetos que talvez passam; ajuda-te a compreender melhor os sinais dos tempos, a voz do Senhor, a voz do tentador, a voz das dificuldades que n\u00e3o consegues superar. Por isso \u00e9 muito importante n\u00e3o caminhar sozinho. H\u00e1 um ditado da sabedoria africana \u2013 pois eles possuem aquela m\u00edstica da tribo \u2013 que diz: \u201cSe queres chegar depressa, vai sozinho; se queres chegar seguro, vai com os outros\u201d, acompanhado, vai com o teu povo. \u00c9 importante. Na vida espiritual \u00e9 melhor fazer-se acompanhar por algu\u00e9m que conhe\u00e7a as nossas coisas e nos ajude. E este \u00e9 o acompanhamento espiritual.<\/p>\n<p>O acompanhamento pode ser frutuoso se, de ambos os lados, se experimentar a\u00a0<em>filia\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0e a\u00a0<em>fraternidade<\/em>\u00a0espiritual. Descobrimos que somos filhos de Deus no momento em que nos descobrimos irm\u00e3os, filhos do mesmo Pai. Por isso, \u00e9 indispens\u00e1vel estar\u00a0<em>inserido numa comunidade a caminho<\/em>. N\u00e3o estamos sozinhos, pertencemos a um povo, a uma na\u00e7\u00e3o, a uma cidade que caminha, a uma Igreja, a uma par\u00f3quia, a este grupo&#8230; a uma comunidade a caminho. N\u00e3o vamos ao encontro do Senhor sozinhos: isto n\u00e3o est\u00e1 bem. Devemos compreend\u00ea-lo bem. Como na narra\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica do paral\u00edtico, muitas vezes somos sustentados e curados gra\u00e7as \u00e0 f\u00e9 de outrem (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a02, 1-5) que nos ajuda a ir em frente, pois todos n\u00f3s \u00e0s vezes temos paralisias interiores e \u00e9 necess\u00e1rio algu\u00e9m que nos auxilie a superar aquele conflito com uma ajuda. N\u00e3o se vai ao Senhor sozinhos, recordemos bem isto; outras vezes, somos n\u00f3s que assumimos este compromisso em nome de um irm\u00e3o ou de uma irm\u00e3, e somos acompanhadores para ajudar aquele outro. Sem experi\u00eancia de filia\u00e7\u00e3o e de fraternidade, o acompanhamento pode prestar-se a expetativas irreais, a equ\u00edvocos e a formas de depend\u00eancia que deixam a pessoa no estado infantil. Acompanhamento, mas como filhos de Deus e irm\u00e3os entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>A Virgem Maria \u00e9 mestra de discernimento:\u00a0<em>fala pouco, ouve muito e preserva no cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a02, 19). As tr\u00eas atitudes de Nossa Senhora: falar pouco, ouvir muito e preservar no cora\u00e7\u00e3o. E as poucas vezes que fala, deixa a marca. Por exemplo, no Evangelho de Jo\u00e3o, h\u00e1 uma frase muito curta, pronunciada por Maria, que \u00e9 uma exorta\u00e7\u00e3o para os crist\u00e3os de todos os tempos: \u201cFazei o que Ele vos disser!\u201d (cf. 2, 5). \u00c9 curioso: certa vez ouvi uma senhora idosa muito boa, muito piedosa, n\u00e3o tinha estudado teologia, era muito simples. E disse-me: \u201cO senhor sabe qual \u00e9 o gesto que Nossa Senhora faz sempre?\u201d. N\u00e3o sei: acaricia-te, chama-te&#8230; \u201cN\u00e3o: o gesto que faz Nossa Senhora \u00e9 este\u201d [indica com o dedo]. N\u00e3o entendi, e perguntei: \u201cO que significa?\u201d. E a idosa respondeu-me: \u201cIndica sempre Jesus\u201d. Isto \u00e9 bonito: Nossa Senhora nada det\u00e9m para si, indica Jesus.\u00a0<em>Fazer o que Jesus nos disser!<\/em>\u00a0Assim \u00e9 Nossa Senhora. \u00a0Maria sabe que o Senhor fala ao cora\u00e7\u00e3o de cada um e pede para traduzir esta palavra em a\u00e7\u00f5es e escolhas. Ela soube faz\u00ea-lo mais do que ningu\u00e9m e, com efeito, est\u00e1 presente nos momentos fundamentais da vida de Jesus, especialmente na hora suprema da morte na cruz.<\/p>\n<p>Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, conclu\u00edmos esta s\u00e9rie de catequeses sobre o discernimento: o discernimento \u00e9 uma arte,\u00a0<em>uma arte que se pode aprender<\/em>\u00a0e que tem as suas regras pr\u00f3prias. Se for bem aprendido, ele permite viver a experi\u00eancia espiritual de forma cada vez mais bonita e ordenada. O discernimento \u00e9 sobretudo um dom de Deus, que deve ser sempre pedido, sem jamais presumir ser perito e autossuficiente. Senhor, concedei-me a gra\u00e7a de discernir nos momentos da vida, o que devo fazer, o que devo compreender. Dai-me a gra\u00e7a de discernir, e concedei-me a pessoa que me ajude a discernir.<\/p>\n<p>A voz do Senhor pode ser sempre reconhecida, tem um estilo \u00fanico, \u00e9 uma voz que pacifica, encoraja e tranquiliza nas dificuldades. O Evangelho no-lo recorda constantemente: \u00abN\u00e3o temas!\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a01, 30), que linda esta palavra do anjo a Maria depois da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus; \u00abN\u00e3o tenhas medo!\u00bb. \u00abN\u00e3o temais!\u00bb \u00e9 precisamente o estilo do Senhor: \u00abn\u00e3o temais\u00bb. \u00abN\u00e3o temais!\u00bb, repete o Senhor tamb\u00e9m a n\u00f3s hoje; \u00abn\u00e3o temais\u00bb: se confiarmos na sua palavra, desempenharemos bem o jogo da vida, e poderemos ajudar outros. Como diz o Salmo, a sua Palavra \u00e9\u00a0<em>l\u00e2mpada para os nossos passos e luz para o nosso caminho<\/em>\u00a0(cf. 119, 105).<\/p>\n<p>Imagem: Arquivo Educris<\/p>\n<p>Educris|04.01.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima catequese sobre o tema do discernimento, Francisco evocou o papa Bento XVI como &#8220;grande mestre de catequese&#8221;. 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