{"id":1616169118,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/10358-domingo-iv-da-quaresma-a-luz-veio-ao-mundo"},"modified":"2025-11-07T16:33:44","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:44","slug":"domingo-iv-da-quaresma-a-luz-veio-ao-mundo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iv-da-quaresma-a-luz-veio-ao-mundo-2\/","title":{"rendered":"Domingo IV da Quaresma: \u00abA Luz veio ao Mundo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/luz_210313082046.jfif\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">Domingo IV da Quaresma: 2 Cr\u00f3nicas 36,14-16.19-23; Salmo 137; Ef\u00e9sios 2,4-10; Jo\u00e3o 3,14-21<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Com o olhar cada vez mais fixo na Cruz Gloriosa, em que foi entronizada a Luz que d\u00e1 a Vida verdadeira, bati\u00adzados e catec\u00famenos continuam a sua \u00abcaminhada\u00bb quaresmal:\u00a0<em>mem\u00f3ria<\/em>\u00a0do batismo [= execu\u00e7\u00e3o do programa filial batis\u00admal] para os batizados,\u00a0<em>prepara\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0para o batismo por parte dos catec\u00famenos (<em>Sacrosanctum Concilium<\/em>, n.\u00ba 109), que t\u00eam neste IV Domingo da Quaresma os seus segundos \u00abescrut\u00ednios\u00bb: segunda \u00abcha\u00admada\u00bb para a Liberdade.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O Evangelho deste Domingo IV da Quaresma (Jo\u00e3o 3,14-21) mostra-nos a toda a luz o \u00abFilho do Homem\u00bb, que\u00a0<em>deve<\/em>\u00a0(<em>de\u00ee<\/em>)\u00a0<em>ser levantado<\/em>\u00a0[= crucificado\/exaltado\/glorificado] como o verda\u00addeiro \u00abServo do Senhor\u00bb (Isa\u00edas 52,13), logo identificado com Cristo Jesus (Filipenses 2,9), o Filho Unig\u00e9nito de Deus, \u00aba Luz que\u00a0<em>veio<\/em>\u00a0ao mundo\u00bb (Jo\u00e3o 3,19; 12,46), para dar a Vida ao mun\u00addo (Jo\u00e3o 1,4; 3,15?16).\u00a0<em>Veio<\/em>\u00a0(<em>el\u00ealythen<\/em>: perf<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>\u00e9rchomai<\/em>) ao mundo e permanece acesa no mundo, como indica o\u00a0<em>perfeito<\/em>\u00a0usado no texto grego. Marcos recorre \u00e0 crueza da linguagem para nos fazer compreender melhor o Mist\u00e9rio desta Luz-que-vem: \u00abVem a Luz (!) para ser colocada debaixo do alqueire ou debaixo da cama? N\u00e3o, antes, para ser colo\u00adcada sobre o candelabro? Na verdade, nada est\u00e1 escondido que n\u00e3o seja para se manifestar\u00bb (Marcos 4,21?22). Tendo vindo na humildade da condi\u00e7\u00e3o humana, esta Luz foi\u00a0<em>entronizada<\/em>\u00a0na Cruz onde arde para sempre: suprema manifesta\u00e7\u00e3o do infinito, insond\u00e1vel, impenetr\u00e1vel, incompreens\u00edvel, indi\u00adz\u00edvel amor de Deus: \u00abDeus\u00a0<em>amou<\/em>\u00a0(<em>\u00eag\u00e1p\u00easen<\/em>: aoristo hist\u00f3ri\u00adco!) tanto o mundo\u00bb! (Jo\u00e3o 3,16). Assim manifestada na Cruz Gloriosa, esta Luz d\u00e1 a Vida verdadeira a quem para ela olhar como a imagem da cobra levantada no deserto (N\u00fameros 21,8?9). \u00abH\u00e3o?de olhar para aquele que trespassaram\u00bb (Jo\u00e3o 19,37). \u00abQuando eu for\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0da terra,\u00a0<em>arrastarei<\/em>\u00a0(<em>h\u00e9lk\u00f4<\/em>) todos a mim\u00bb (Jo\u00e3o 12,32). \u00abQuando tiverdes\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0o Filho do Homem, ent\u00e3o sabereis que \u201cEu Sou\u201d\u00bb (t\u00edtulo divino) (Jo\u00e3o 8,28).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Quanto \u00e0 for\u00e7a daquele\u00a0<em>arrasto<\/em>\u00a0operado por Jesus, continua Jesus a ensinar-nos, em outra li\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m pode ser levado a cabo pelo Pai: \u00abNingu\u00e9m pode vir a Mim (<em>elthe\u00een pr\u00f3s me<\/em>), se o Pai, que me enviou, n\u00e3o o\u00a0<em>arrastar<\/em>\u00a0(<em>h\u00e9lk\u00f4<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 6,44). V\u00ea-se bem, por debaixo do falar de Jesus, o teclado do Antigo Testamento, nomeadamente Jeremias 31,3 [38,3 LXX], que refere textualmente, pondo Deus a falar: \u00abCom um amor eterno Eu te amei; por isso te\u00a0<em>arrastei<\/em>\u00a0(<em>mashak<\/em>\u00a0TM;\u00a0<em>h\u00e9lk\u00f4<\/em>\u00a0LXX)\u00a0<em>com carinho<\/em>\u00a0(<em>hesed<\/em>\u00a0TM;\u00a0<em>oikt\u00edr\u00eam\u00f4n<\/em>\u00a0LXX)\u00bb. \u00c9 demasiado pobre n\u00e3o reparar nisto. \u00c9 demasiado belo reparar nisto. H\u00e1 neste amor de Deus por n\u00f3s uma paix\u00e3o declarada, for\u00e7a ou coa\u00e7\u00e3o que o verbo\u00a0<em>arrastar<\/em>\u00a0traduz bem. Mas a express\u00e3o completa \u00e9: \u00abarrastar com carinho\u00bb. Entendamos ent\u00e3o, se Deus nos der a gra\u00e7a e o dom do entendimento, que Deus luta por n\u00f3s,\u00a0<em>arrasta-nos<\/em>\u00a0tantas vezes, mas sempre\u00a0<em>com carinho<\/em>! Tomar consci\u00eancia desta realidade: estupendo programa quaresmal!<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" data-style-before-video=\"float:left;height:0px;margin:0 auto;overflow:hidden;width:450px;\" id=\"inline-ad-0\">4. Para ter a Vida verdadeira, \u00e9 necessario\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0[= acre\u00additar] o Filho (Jo\u00e3o 3,36; 6,40), Luz da Luz, que brilha sobre a Cruz, novo e \u00faltimo candelabro do amor de Deus (Atos 2,36).\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0o Filho \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo em n\u00f3s (1 Cor\u00edntios 12,3). Para O ver \u00e9 necess\u00e1rio ter nascido da \u00e1gua e do Esp\u00edrito (cf. Jo\u00e3o 3,5), clar\u00edssima alus\u00e3o ao batismo, a grande ilumina\u00e7\u00e3o que abre os nossos olhos para o divi\u00adno (Hebreus 6,4?5: texto espantoso!) e nos faz \u00abfilhos da luz\u00bb, operadores das \u00abobras da luz\u00bb, que n\u00e3o t\u00eam parte com as \u00abobras das trevas\u00bb (Ef\u00e9sios 5,8?14).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5.\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0o Filho do Homem\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0na Cruz \u00e9 ver passar dois filmes: 1) o da nossa viol\u00eancia e malvadez, postas a descoberto naquele rosto desfigurado, naqueles chagas abertas, naquele sangue a escorrer ou j\u00e1 coalhado: est\u00e1 ali, bem diante de n\u00f3s, a imagem do pecado que est\u00e1 em n\u00f3s; 2) ali passa tamb\u00e9m o filme do imenso amor de Deus, que n\u00e3o faz frente \u00e0 minha viol\u00eancia, mas a abra\u00e7a, \u00fanica maneira de a absorver, dissolver e absolver. A cura n\u00e3o \u00e9 m\u00e1gica. Exibida a imagem da cobra escondida que h\u00e1 em n\u00f3s e que de n\u00f3s se alimenta como um parasita ou um \u00eddolo \u2013 de facto, alimenta-se de n\u00f3s, vive \u00e0 nossa custa: leia-se, com o dom do entendimento, G\u00e9nesis 3,14, em que se l\u00ea que a cobra se alimenta de p\u00f3 [<em>?aphar<\/em>], sendo que s\u00f3 o homem \u00e9 modelado do \u00abp\u00f3 da terra\u00bb (G\u00e9nesis 2,7) \u2013, conhecemos agora a doen\u00e7a de que padecemos. Podemos, portanto, come\u00e7ar a tratar-nos. E o rem\u00e9dio tamb\u00e9m est\u00e1 ali posto bem diante dos nossos olhos: \u00e9 o amor subversivo!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. A grande \u00abteologia da hist\u00f3ria\u00bb expressa no 2 Livro das Cr\u00f3nicas 36,14-23 deixa bem claro que, abandonando a Palavra de Deus, que \u00e9 a nossa luz (Salmo 119,105) e a nossa vida (Deuteron\u00f3mio 32,47), ca\u00edmos inevitavelmente nas trevas e na morte de um \u00abex\u00edlio\u00bb qualquer. Por\u00e9m, o caminho \u00e9 revers\u00edvel: aproximando?nos de Deus e da sua Palavra, podemos recuperar de novo a luz e a vida. \u00c9, na verdade, \u00aba tua Palavra, Senhor, que tudo cura\u00bb (Sabedoria 16,12).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. O extrato da Carta de S. Paulo aos Ef\u00e9sios (2,4-10) acentua hoje o nosso movimento da morte para a vida\u00a0<em>em Cristo Je\u00adsus<\/em>: movimento batismal (da morte para a vida) e f\u00f3rmula batismal (\u00abem Cristo Jesus\u00bb). Nisto se manifestou \u00abo gran\u00adde amor com que Deus nos\u00a0<em>amou<\/em>\u00bb (<em>\u00eag\u00e1p\u00easen<\/em>: de novo o inaudi\u00adto aoristo hist\u00f3rico!) (Ef\u00e9sios 2,4). Mas h\u00e1 muito mais \u00abcoisas\u00bb inauditas de que Paulo tem de se socorrer, inovando at\u00e9 o vocabul\u00e1rio grego (!), num esfor\u00e7o supremo para tentar tra\u00adduzir este indiz\u00edvel \u00abgrande amor\u00bb de Deus por n\u00f3s: com Cristo nos\u00a0<em>com-vivificou<\/em>\u00a0(Ef\u00e9sios 2,5), nos\u00a0<em>com?ressuscitou<\/em>\u00a0e nos\u00a0<em>com\u00ad?sentou<\/em>\u00a0nos C\u00e9us (Ef\u00e9sios 2,6). Tudo aoristos hist\u00f3ricos!!! Com\u00adpreenda?se, portanto, o incompreens\u00edvel: tudo isto\u00a0<em>j\u00e1<\/em>\u00a0nos aconteceu! Somos, de facto, obra de Deus! (Ef\u00e9sios 2,10). Demos Gra\u00e7as a Deus!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. A grande e sentida s\u00faplica que atravessa o Salmo 137 atravessa tamb\u00e9m as nossas m\u00e3os, l\u00edngua, c\u00e9u da boca, voz, mente, alegria, l\u00e1grimas. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel cantar na Babil\u00f3nia. Os C\u00e2nticos de Si\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o folclore, mas ora\u00e7\u00e3o a ferver sa\u00edda das entranhas! N\u00e3o se d\u00e3o naquele \u00abl\u00e1\u00bb (<em>sham<\/em>) estrangeiro e in\u00f3spito da Babil\u00f3nia. A p\u00e1tria da m\u00fasica e da alegria \u00e9 o \u00abl\u00e1\u00bb (<em>sham<\/em>) de Jerusal\u00e9m, cidade-m\u00e3e, que faz de Deus-Pai, Casa materna e paterna, onde reina a liberdade e a fraternidade, e n\u00e3o a escravid\u00e3o e a tirania. No decurso da segunda guerra mundial, o poeta italiano Salvatore Quasimodo glosou assim este imenso Salmo: \u00abE como pod\u00edamos n\u00f3s cantar\/ com o p\u00e9 estrangeiro sobre o cora\u00e7\u00e3o,\/ entre os mortos abandonados nas pra\u00e7as,\/ sobre a erva dura do gelo,\/ com o lamento de cordeiro das crian\u00e7as,\/ com o urlo negro da m\u00e3e\/ que ia ao encontro do filho\/ crucificado sobre o poste do tel\u00e9grafo?\/ Nos ramos dos salgueiros, por voto,\/ tamb\u00e9m as nossa harpas estavam dependuradas:\/ oscilavam leves sob o vento triste\u00bb.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Mas n\u00f3s, que atravessamos a Quaresma, sabemos bem que todo o gelo glaciar \u00e9 derretido pelo sopro do amor que at\u00e9 n\u00f3s vem daquele que est\u00e1 naquela Cruz erguido!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Irei, Senhor,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Em prociss\u00e3o de amor,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Beijar a tua Cruz.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E quando eu olhar para ti,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Para o teu rosto ferido e desfigurado,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Para as tuas muitas chagas a sangrar,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">D\u00e1-me a gra\u00e7a de a\u00ed ver bem o meu pecado.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E quando Tu, Senhor, olhares para mim,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Com esse meigo olhar de serena compaix\u00e3o,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">D\u00e1-me a gra\u00e7a de a\u00ed ver o teu perd\u00e3o nunca poupado,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E de sair com o cora\u00e7\u00e3o transfigurado.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p>\n<p class=\"creditos_fotos\" data-adtags-visited=\"true\">Imagem:\u00a0<a class=\"_3XzpS _1ByhS _4kjHg _1O9Y0 _3l__V _1CBrG xLon9\" href=\"https:\/\/unsplash.com\/@joshboot\">Josh Boot<\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domingo IV da Quaresma: 2 Cr\u00f3nicas 36,14-16.19-23; Salmo 137; Ef\u00e9sios 2,4-10; Jo\u00e3o 3,14-21 1. 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