{"id":1626134141,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13373-domingo-vi-do-tempo-comum-imitacao-de-cristo"},"modified":"2025-11-07T16:34:02","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:02","slug":"domingo-vi-do-tempo-comum-imitacao-de-cristo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-vi-do-tempo-comum-imitacao-de-cristo-2\/","title":{"rendered":"Domingo VI do Tempo Comum: \u00abImita\u00e7\u00e3o de Cristo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>Lv 13,1-2.44-46; Sl 32; 1 Cor 10,31-11,1; Mc 1,40-45<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">1. O Evangelho de Marcos 1,40-45, que neste Domingo VI do Tempo Comum temos a gra\u00e7a de\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0e de\u00a0<em>escutar<\/em>, continua a mostrar que Jesus, que \u00e9 \u00abo Reino de Deus em pessoa\u00bb (<em>autobasile\u00eda<\/em>, na linguagem certeira de Or\u00edgenes [185-254], insigne mestre das escolas de Alexandria e de Cesareia Mar\u00edtima), Aquele que se fez nosso pr\u00f3ximo para sempre (Marcos 1,15), continua a passar pelos nossos caminhos, a cruzar-se com as nossas dores e a assumi-las sobre si, curando a nossa pele chagada e o nosso esclerosado cora\u00e7\u00e3o. Sim, o Evangelho de hoje n\u00e3o \u00e9 apenas para\u00a0<em>ouvir<\/em>. \u00c9 tamb\u00e9m para\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0atenta e demoradamente, pois oferece aos nossos olhos, sobretudo ao olhar do cora\u00e7\u00e3o, o cen\u00e1rio extraordin\u00e1rio de um leproso ajoelhado aos p\u00e9s de Jesus, que provoca a como\u00e7\u00e3o visceral de Jesus, entenda-se o amor maternal de Jesus, levando-o a estender a sua m\u00e3o soberana sobre o leproso, como fez Deus em a\u00e7\u00e3o de condescend\u00eancia e de liberta\u00e7\u00e3o no Livro do \u00caxodo, e a tocar no leproso sem receio de qualquer cont\u00e1gio.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">2. A cena evang\u00e9lica \u00e9 comovente e surpreendente, desarmante, como \u00e9 sempre, para a pobre e aplanada esquadria do nosso olhar, para os nossos trejeitos e preconceitos, a not\u00edcia ousada, boa e feliz que se chama Evangelho. Contra todas as regras estabelecidas, que impunham aos leprosos o isolamento e a dist\u00e2ncia de Deus (n\u00e3o podiam frequentar o Templo ou a sinagoga) e dos homens (n\u00e3o podiam entrar nas povoa\u00e7\u00f5es), a que se associava o facto de terem de andar com o rosto escondido por qualquer trapo de mis\u00e9ria, e ainda o grito de \u00abimpuro, impuro\u00bb, que deviam trazer sempre nos l\u00e1bios (Lev\u00edtico 13,45), para que as pessoas ditas boas e saud\u00e1veis, ao ver um homem sem rosto e ao ouvir o seu grito, dele se pudessem distanciar o mais poss\u00edvel, pondo-se a seguro do impuro. Deixando tudo isto na penumbra, eis hoje um leproso que ousa aproximar-se de Jesus e colocar-se de joelhos diante dele, implorando dele a cura (Marcos 1,40). \u00c9, nos Evangelhos, o \u00fanico doente que se coloca de joelhos diante de Jesus, implorando a sua cura. O gesto \u00e9 o seu verdadeiro pedido, que as palavras que diz apenas iluminam. Ele sabe que a sua cura s\u00f3 pode ser um dom de Deus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">3. Um leproso, diziam os rabinos, era como um morto em vida. Separado de Deus e da comunidade do louvor de Deus, isto \u00e9, da comunh\u00e3o de vida com Deus, o leproso em tudo se assemelhava aos mortos, que tamb\u00e9m estavam separados de Deus e fora do louvor de Deus, que \u00e9 a verdadeira nascente da vida (Salmo 6,6; 88,6; Isa\u00edas 38,18). Neste sentido, o Livro de Job define a lepra como o \u00abprimog\u00e9nito entre os mortos\u00bb (Job 18,13). Tanto assim era que uma eventual cura da lepra suscitava ent\u00e3o o mesmo efeito, o mesmo espanto, de uma ressuscita\u00e7\u00e3o da morte!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">4. As v\u00edsceras maternais de Jesus comovem-se (<em>splagchn\u00edzomai<\/em>) quando v\u00ea o estado miser\u00e1vel deste seu filho (Marcos 1,41). O verbo\u00a0<em>splagchn\u00edzomai<\/em>\u00a0indica o desarranjo interior, nas v\u00edsceras (<em>spl\u00e1gchna<\/em>), e v\u00edsceras maternais (hebraico\u00a0<em>rah<sup>a<\/sup>m\u00eem<\/em>). Por isso, Jesus n\u00e3o pode repelir o seu filho necessitado. Pelo contr\u00e1rio, estende a sua m\u00e3o sobre ele, gesto de divina condescend\u00eancia e soberania (\u00caxodo 3,20; 7,5; Salmo 138,7), e toca-lhe na pele chagada, e estabelece comunica\u00e7\u00e3o com ele, falando para ele (Marcos 1,41). Para Jesus, n\u00e3o h\u00e1 gente para acolher, e gente para evitar ou repelir. A todos acolhe, sobretudo aos piores e aos que est\u00e3o em pior estado. Tocando-lhe, Jesus assume sobre si a lepra daquele pobre homem. \u00c9 assim que o salva e nos salva. Jesus n\u00e3o passa por n\u00f3s apenas \u00e0 dist\u00e2ncia ou \u00e0 tangente; desce ao nosso mundo, ao nosso fundo, e assume e paga a conta por inteiro. Nunca deixemos de cravar os olhos naquela Cruz, at\u00e9 percebermos bem que aquelas chagas s\u00e3o as nossas chagas, e que aquelas dores s\u00e3o as nossas dores, umas e outras assumidas, e, por isso, salvas, como lembram os antigos Padres da Igreja.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">5. Com este seu comportamento de radical proximidade f\u00edsica e afetiva e salutar, Jesus diz-nos que nos devemos abeirar de todas as pessoas, nomeadamente dos doentes e marginalizados ou descartados, sempre incluindo e nunca excluindo, com uma atitude pr\u00f3xima, compassiva, calorosa e familiar, no polo oposto de qualquer comportamento indiferente, c\u00e9tico ou ass\u00e9tico.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">6. \u00abQuero, fica limpo!\u00bb, diz Jesus (Marcos 1,41), e nasce um homem novo, com o rosto destapado, por Deus descoberto, para ser visto e admirado, sa\u00eddo das m\u00e3os puras de Deus e da sua Palavra mansa e criadora (G\u00e9nesis 1; Jo\u00e3o 15,3). Um grito se calou: \u00abimpuro, impuro!\u00bb. Um novo grito nasceu: o do AN\u00daNCIO (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) do Evangelho (Marcos 1,45). \u00c9 o terceiro ANUNCIADOR, depois de Jo\u00e3o Batista (Marcos 1,4.7) e de Jesus (Marcos 1,14.38.39). Outros se seguir\u00e3o (Marcos 3,14; 5,20; 6,12; 7,36; 16,15). Tamb\u00e9m n\u00f3s. Sim, \u00e9 a\u00ed que nos enxertamos n\u00f3s tamb\u00e9m, porque tamb\u00e9m n\u00f3s estamos depois do milagre em n\u00f3s realizado. Por isso, temos, antes de mais, de entender que a m\u00e3o estendida, soberana e carinhosa de Deus tocou em n\u00f3s, e nos curou, e nos levantou, e rebentou os nossos odres velhos, ressequidos, carcomidos, e nos enviou com uma not\u00edcia ousada, boa e feliz, ardente, explosiva, comovente.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">7. Atirai fora os odres, velhos e novos. H\u00e1 muito que acabaram os almocreves! A not\u00edcia boa e feliz, isto \u00e9, o Evangelho, n\u00e3o se leva em vasilha nenhuma. Levai-o nas entranhas, nos p\u00e9s, nas m\u00e3os, no rosto, no cora\u00e7\u00e3o. Ah!, antes que me esque\u00e7a: atirai tamb\u00e9m fora o ouro, a prata, o cobre, a outra t\u00fanica, o bast\u00e3o, as sand\u00e1lias. E aproveitai para virar tamb\u00e9m os bolsos do avesso! \u00c9 prov\u00e1vel que haja por l\u00e1 cot\u00e3o a mais!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">8. Quanto ao mais, aceitai a provoca\u00e7\u00e3o de Paulo, na sua li\u00e7\u00e3o de hoje aos Cor\u00edntios (1 Cor\u00edntios 10,31-11,1). Sede\u00a0<em>imitadores<\/em>\u00a0(<em>mim\u00eat\u00eas<\/em>) de Cristo (1 Cor\u00edntios 11,1); sede \u00abmimos\u00bb (<em>m\u00eemos<\/em>) de Cristo, fazei como Cristo fez e faz, como vistes hoje Cristo fazer!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">9. O texto do Livro do Lev\u00edtico 13,1-2.44-46, que serve de pano de fundo ao Evangelho de hoje, mostra-nos o caminho estreito e triste do leproso, que abre, todavia, para a larga e feliz avenida do Evangelho deste dia.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">10. O Salmo 32 n\u00e3o \u00e9 uma abstrata li\u00e7\u00e3o de moral, mas o testemunho autobiogr\u00e1fico de um convertido, que canta a felicidade do perd\u00e3o. A liturgia crist\u00e3 colocou este Salmo, desde o s\u00e9culo VI, na lista dos sete \u00abSalmos penitenciais\u00bb (juntamente com os Salmos 6; 38; 51; 102; 103; 143). Logo no primeiro vers\u00edculo, o Salmo diz admiravelmente: \u00abFeliz aquele a quem foi retirada (<em>nasa?<\/em>) a culpa,\/ coberto (<em>kasah<\/em>) o pecado\u00bb (Salmo 32,1). \u00abRetirada a culpa\u00bb alude \u00e0 imagem de um fardo, de um peso, de que somos aliviados, para podermos respirar de al\u00edvio. \u00abCoberto o pecado\u00bb: Lutero, comentando a Carta aos Romanos 4,7, que cita o vers\u00edculo do Salmo que estamos a apresentar, serviu-se deste verbo (<em>kasah<\/em>, cobrir) para argumentar que o pecado n\u00e3o \u00e9 perdoado, mas apenas \u00abcoberto\u00bb pela justifica\u00e7\u00e3o pela gra\u00e7a. Em boa verdade, o valor simb\u00f3lico do \u00abcobrir\u00bb b\u00edblico traduz, sem qualquer d\u00favida, a anula\u00e7\u00e3o efetiva e eficaz do pecado por parte de Deus. Biblicamente falando, \u00abcobrir\u00bb ou \u00abperdoar\u00bb o pecado n\u00e3o significa simplesmente \u00abesquecer\u00bb o pecado, passar por cima do pecado, mas, mais intensamente, \u00abarrancar\u00bb o homem ao pecado, o que constitui um milagre s\u00f3 ao alcance do poder de Deus. Santo Agostinho tinha em grande apre\u00e7o este Salmo. Afixou uma c\u00f3pia na parede do seu quarto, diante do seu leito. E lia-a entre l\u00e1grimas, o que lhe trazia grande paz e conforto, sobretudo durante os \u00faltimos tempos da sua doen\u00e7a de que veio a falecer.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lv 13,1-2.44-46; Sl 32; 1 Cor 10,31-11,1; Mc 1,40-45 1. 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